segunda-feira, maio 12, 2008

ANA CRISTINA CÉSAR, CAGLIOSTRO, JOSÉ LINS DO REGO, RAOUL DUFY, LITERÓTICA, EDUCAÇÃO & MARXISMO


A arte do pintor francês Raoul Dufy (1877-1953)

LITERÓTICA: MINHA – Enquanto o sol irradia na claridade da manhã, mais te quero minha, minha diva do meu amor desmedido. E mesmo que esteja nublado ou chuvoso, meu coração se aninha cada vez mais ávido para esquentar tua sanha e ver-te em flor radiante e minha sempre minha adoravelmente minha. Eu te sonho sempre minha e inteira no meio da minha solidão exaltada que sonha provar com meu apetite contumaz da sedução do teu olhar carente e me deixa fascinado com teu jeito manhoso de te entregar. E vou me entregar à tua boca indecorosamente sedenta com teus lábios sugadores implacáveis e entreabertos para a volúpia de todo meu ser enquanto sou provocado pela lambida obscena de tua língua que acaricia meu polegar nos arrepios de nossas almas. És minha e vou embarcar na sinuosidade do teu corpo de beldade devoradora como quem é contemplado por doses generosas do teu prazer, desfrutando da excitante viagem que faz bonito na apoteótica cena strip-tease de tua dança depravada que vem exalando sensualidade por todos os teus poros na pose do meu ensaio privado, na febre que me atormenta pela gula de tua majestosa expressão de deusa no panteão do sexo extremo. Ah! Sou teu escravo e tu és minha e almejo me agarrar no traçado do desejo pela lindeza extrema de tua exuberante geografia que é pura devassidão desde o decote escandaloso até a compleição mais altaneira de tuas pernas coxas e sexo enchendo minha boca de saliva pro doce mais gostoso. Eu vou me fartar de tua suculenta emanação que rivaliza com toda a beleza do mundo e te deixar ensandecida pin-up ousadíssima stripper pervertida rainha sodomita de toda minha perversão sexual. Eu vou contracenar com o teu corpo lindo e magistral protagonizando o mais audacioso furacão de desejo do meu grosso calibre que te penetrará em cima do lance, bem devagar, tímido e possesso numa ousadíssima intervenção do meu querer enlouquecido preso pelo tronco por tuas pernas na cara do gol enquanto eu na banheira de tua grande área fazendo estripulias para teu prazer. És minha, deusa-mulher, e eu te venero a cada estocada que derrama o meu gozo para que o teu gozo seja pleno e real. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.


PENSAMENTO DO DIA - Não venho de nenhum lugar, e não pertenço a tempo algum. Fora do tempo, meu ser espiritual vive sua existência eterna. Pensamento do ocultista, alquimista, místico e maçon italiano Alessando, Conde Cagliostro (1743-1795). Veja mais aqui.

A EDUCAÇÃO NO PENSAMENTO MARXISTANo “Manifesto do Partido Comunista”, escrito, em 1848, por Karl Marx e Friedrich Engels, a questão do ensino público, gratuito e unido ao trabalho e à formação do homem onilateral já aparece como proposta de superação da educação burguesa que se sustenta na divisão do trabalho, na propriedade privada e na formação do homem unilateral. Para Marx o trabalho é um principio educativo, somente a partir da unidade entre trabalho e ensino que se poderia constituir o homem novo. No texto que o autor escreve aos delegados do “I Congresso da Associação Internacional dos Trabalhadores em 1866” fica explicita sua concepção de educação que articula trabalho e ensino. Neste texto, que recebe o título de “Instruções aos Delegados do Congresso da AIT”, Marx pela primeira vez define o conteúdo pedagógico do ensino socialista: Por educação, entende-se três coisas: 1. Educação intelectual; 2. Educação corporal, tal como é produzida pelos exercícios de ginástica e militares; 3. Educação tecnológica, abrangendo os princípios gerais e científicos de todos os processos de produção, e ao mesmo tempo iniciando as crianças e os adolescentes na manipulação dos instrumentos elementares de todos os ramos de indústria. A divisão das crianças e dos adolescentes em três categorias, de 9 a 18 anos, deve corresponder um curso graduado e progressivo para a sua educação intelectual, corporal e politécnica. Os custos destas escolas politécnicas devem ser em parte cobertos pela venda das suas próprias produções. Quanto à relação sociedade, Estado e educação, Marx em seu texto “Crítica ao Programa de Gotha” defende o ensino estatal sem estar sob o controle do governo, apontando que o ensino deve ser mantido pelo Estado e controlado pela sociedade civil. Referindo-se a proposta de “educação popular a cargo do Estado” do Programa do Partido Operário Alemão, afirma: Isso de ‘educação popular a cargo do Estado’ é completamente inadmissível. Uma coisa é determinar, por meio de uma lei geral, os recursos para as escolas públicas, as condições de capacitação do pessoal docente, as matérias de ensino, etc, e velar pelo cumprimento destas prescrições legais mediante inspetores do Estado, como faz nos Estados Unidos, e outra coisa completamente diferente é designar o Estado como educador do povo! Longe disto, o que deve ser feito é subtrair a escola a toda influência por parte do governo e da Igreja. Ainda sobre o conteúdo do ensino escolar, Marx polemiza com o operário inglês Milner no Conselho Geral da AIT em 1869, sobre a proposta, deste, que as escolas deveriam transmitir, também, o ensino de economia política. A crítica que Marx faz a esta proposta aparece nos relatórios da reunião do Conselho, expresso assim: Apesar do objetivo aqui não ser discutir as concepções dos clássicos da sociologia, mas indicar que a relação sociedade e educação é uma problemática que aparece com o surgimento da sociologia, através de seus fundadores, temos aqui a necessidade de um breve comentário a respeito da citação acima. Em nosso entender, Marx em seu combate à influência da religião e da economia política burguesa no interior das escolas, cai numa defesa de sustentação positivista da escola, defendendo que esta só deveria ministrar matérias que tivessem apenas uma interpretação, defendendo a neutralidade da escola e de seus conteúdos, frente aos interesses de classe. Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui.

O RIOO rio Paraíba corria bem próximo ao cercado. Chamavam-no "o rio". E era tudo. Em tempos antigos fora muito mais estreito. Os marizeiros e as ingazeiras apertavam as duas margens e as águas corriam em leito mais fundo. Agora era largo e, quando descia nas grandes enchentes, fazia medo. Contava-se o tempo pelas eras das cheias. Isto se deu na cheia de 93, aquilo se fez depois da cheia de 68. Para nós meninos, o rio era mesmo a nossa serventia nos tempos de verão, quando as águas partiam e se retinham nos poços. Os moleques saíam para lavar os cavalos e íamos com eles. Havia o Poço das Pedras, lá para as bandas da Paciência. Punham-se os animais dentro d'água e ficávamos nos banhos, nos cangapés. Os aruás cobriam os lajedos, botando gosma pelo casco. Nas grandes secas o povo comia aruá que tinha gosto de lama. O leito do rio cobria-se de junco e faziam-se plantações de batata-doce pelas vazantes. Era o bom rio da seca a pagar o que fizera de mau nas cheias devastadoras. E quando ainda não partia a corrente, o povo grande do engenho armava banheiros de palha para o banho das moças. As minhas tias desciam para a água fria do Paraíba que ainda não cortava sabão. O rio para mim seria um ponto de contato com o mundo. Quando estava ele de barreira a barreira, no marizeiro maior, amarravam a canoa que Zé Guedes manobrava. Vinham cargueiros do outro lado pedindo passagem. Tiravam as cangalhas dos cavalos e, enquanto os canoeiros remavam a toda a força, os animais, com as cabeças agarradas pelo cabresto, seguiam nadando ao lado da embarcação. Ouvia então a conversa dos estranhos. Quase sempre eram aguardenteiros contrabandistas que atravessavam, vindos dos engenhos de Itambé com destino ao sertão. Falavam do outro lado do mundo, de terras que não eram de meu avô. Os grandes do engenho não gostavam de me ver metido com aquela gente. Às vezes o meu avô aparecia para dar gritos. Escondia-me no fundo da canoa até que ele fosse para longe. Uma vez eu e o moleque Ricardo chegamos na beira do rio e não havia ninguém. O Paraíba dava somente um nado e corria no manso, sem correnteza forte. Ricardo desatou a corda, meteu-se na canoa comigo, e quando procurou manobrar era impossível. A canoa foi descendo de rio abaixo aos arrancos da água. Não havia força que pudesse contê-la. Pus-me a chorar alto, senti-me arrastado para o fim da terra. Mas Zé Guedes, vendo a canoa solta, correu pela beira do rio e foi nos pegar quase que no Poço das Pedras. Ricardo nem tomara conhecimento do desastre. Estava sentado na popa. Zé Guedes porém deu-lhe umas lapadas de cinturão e gritou para mim: - Vou dizer ao velho! Não disse nada. Apenas a viagem malograda me deixou alarmado. Fiquei com medo da canoa e apavorado com o rio. Só mais tarde é que voltaria ele a ser para mim mestre de vida. Crônica do escritor José Lins do Rego (1901-1957), extraído da obra  Melhor da Crônica Brasileira (José Olympio, 1997). Veja mais aqui.

FAGULHA – Abri curiosa / o céu. / Assim, afastando de leve as cortinas. / Eu queria entrar, / coração ante coração, / inteiriça / ou pelo menos mover-me um pouco, / com aquela parcimônia que caracterizava / as agitações me chamando / Eu queria até mesmo / saber ver, / e num movimento redondo / como as ondas / que me circundavam, invisíveis, / abraçar com as retinas / cada pedacinho de matéria viva. / Eu queria / (só) / perceber o invislumbrável / no levíssimo que sobrevoava. / Eu queria / apanhar uma braçada / do infinito em luz que a mim se misturava. / Eu queria / captar o impercebido / nos momentos mínimos do espaço / nu e cheio / Eu queria / ao menos manter descerradas as cortinas / na impossibilidade de tangê-las / Eu não sabia / que virar pelo avesso / era uma experiência mortal. Poema extraído da obra A teus pés (Brasiliense, 1984), da escritora e tradutora Ana Cristina César – Ana C. (1952-1983). Veja mais aqui e aqui.


A arte do pintor francês Raoul Dufy (1877-1953)




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