Art by Ana Padrón

PENSAMENTO DO DIA (da Primavera de Ginsberg): Uma indagação: pra que tanta lei, meu Deus, se apesar da compulsoriedade jamais será cumprida?
O SUICÍDIO - [...] ser
considerado um sintoma da organização deficiente de nossa sociedade; pois, na
época da paralisação e das crises da indústria, em temporadas de encarecimento
dos meios de vida e de invernos rigorosos, esse sintoma é sempre mais evidente
e assume um caráter epidêmico. A prostituição e o latrocínio aumentam, então,
na mesma proporção. Embora a miséria seja a maior causa do suicídio,
encontramo-lo em todas as classes, tanto entre os ricos ociosos como entre os
artistas e os políticos. A diversidade das suas causas parece escapar à censura
uniforme e insensível dos moralistas. As doenças debilitantes, contra as quais
a atual ciência é inócua e insuficiente, as falsas amizades, os amores traídos,
os acessos de desânimo, os sofrimentos familiares, as rivalidades sufocantes, o
desgosto de uma vida monótona, um entusiasmo frustrado e reprimido são muito
seguramente razões de suicídio para pessoas de um meio social mais abastado, e
até o próprio amor à vida, essa força enérgica que impulsiona a personalidade,
é frequentemente capaz de levar uma pessoa a livrar-se de uma existência
detestável. [...] está na natureza de
nossa sociedade gerar muito suicídios [...] a própria existência do suicídio é um notorio protesto contra esses
desígnios ininteligíveis. Falam-nos de nossos deveres para com a sociedade, sem
que, no entanto, nossos direitos em relação a essa sociedade sejam esclarecidos
e efetivados, e termina-se por exaltar a façanha mil vezes maior de dominar a
dor ao invés de sucumbir a ela [...] que
tipo de sociedade é esta, em que se encontra a mais profunda solidão no seio de
tantos milhões; em que se pode ser tomado por um desejo implacável de matar a
si mesmo, sem que ninguém possa prevê-lo? [...] [...] o suicídio na é mais do que um entre os mil e um sintomas da luta
social geral [...] A opinião é muito
fragmentada em razão do isolamento dos homens; é estúpida demais, depravada
demais, porque cada um é estranho de si e todos são estranhos entre si [...]
Trecho extraído da obra Sobre suicídio (Boitempo, 2006), de Karl Marx. Veja
mais aqui e aqui.
LEONOR – [...] De mãos dadas, durante quinze anos, vaguei eu com Leonor por este vale,
antes de o Amor penetrar em nossos corações. Era uma tarde, ao cerrar-se o terceiro
lustro da sua vida e o quarto da minha: nós estávamos sentados, abraçados um no
outro, debaixo das árvores-serpentes e contemplávamos as nossas imagens
refletidas no espelho das águas do Rio do Silêncio. Nem mais uma palavra
pronunciamos durante o resto daquele doce dia, e na manhã seguinte ainda as
nossas palavras eram tremulas e raras. Do fundo das águas havíamos tirados o
deus Eros, e agora sentíamos que havíamos ateado dentro de nós as almas
ardorosas dos nossos maiores. As paixões que durante séculos haviam
caracterizado a nossa raça acudiam agora de tropel com as fantasias que os
haviam igualmente distinguido e bafejavam venturas e benções sobre o vale de
Many-Coloured Crass. Tudo como por encanto mudou. [...] O encanto de Leonor era o de um serafim; mas
ela era uma adolescente ingênua e simples como a curta vida que vivera entre as
flores. Nenhum artificio marcava o amor que lhe estuava no coração, e ela
examinava comigo os seus mais íntimos recessos, quando juntos passeávamos no
vale de Many-Coloured Crass e conversávamos sobre as notáveis transformações
que nele ultimamente se haviam operado. Um dia, finalmente [...]. Trechos
do conto Leonor, do escritor
norte-americano Edgar Allan Poe (1809-1840), recolhido da antologia
Maravilhas do conto amoroso (Cultrix, 1961), organizada por Fernando Correia da
Silva. Veja mais aqui.
VIA SACRA – Duro
caminho de chegar à morte! / E dura condição / de ser nele / como eu, /
conjuntamente o Cristo e o Cireneu! / Condenado, / açoitado, / a cair / e a
sangrar / sob o peso do lenho, / se me quero sentir humano e ajudado, / o
recurso que tenho / é cantar como um carro carregado. / É pedir a coragem dos
meus passos / à força dos meus versos. / Versos que são apenas o sudário, /
solidário / e crispado / do meu rosto de carne, desenhado / no chão da
caminhada. / Como ajuda que desse ao próprio corpo / a sombra por ele mesmo
projetada. Poema do
poeta, teatrólogo e ensaísta português Miguel
Torga (Adolfo Correia da Rocha – 1907-1995). Veja mais aqui e aqui.
Art by Ana Padrón
A VERSÃO VERDADEIRA DO CASO NARDONI!!!!

Gente, é o seguinte: Tudo começa quando padre Bidião resolve fazer uma série de clones para representá-lo nos mais diversos acontecimentos em que é requisitado devido sua notoriedade e sapiência. Acontece, porém, que um dos clones se rebelou, tornando-se por artes de magia negra, escura, azarada e dos tinhosos todos dos infernos e Hades, de sair cometendo atrocidades e se envultando logo em seguida. Foi exatamente este clone que numa paranóia entre ficar invisível e se estatelar num concreto armado, Foi parar naquele famigerado edifício London, justo naquela horinha em que o casal Nardoni chegava em casa reclamando com os filhos. Foi aí que ele não agüentando a zoada, tascou um corretivo de nocautear o marido, sacudiu um bruguelo na privada, outro na despensa e, por fim, depois de seviciar e estuprar a dona da casa, quando foi flagrado pela pequenina Isabela, pegou-la pelo gogó e saiu arrastando às porradas e estrangulamento até a grade proteção do quarto, sacudindo a menina de lá de cima para se livrar da pacutia dela. Depois disso, quando voltou para mulher com o fito de concluir o serviço atrapalhado pela garota, viu que a mesma era uma trambolho feiosa muito da ruim e berrou de arrependimento. Com o seu choro de arrependimento logo se envultou e sumiu sem deixar qualquer vestígio nem mesmo uma pista sequer no recinto. Pronto, aí está a verdadeira verdade para inocentar o casal Nardoni do crime que estão sendo acusados. E tem mais: por causa disso a policia intergaláctica está secretamente no encalço deste clone rebelde para desmascará-lo e puni-lo com o rigor da justiça universal. Ponto final, dou fé.
AS CAÇAROLAS DO LOMBRETA-BOCA-DE-FRÔ - Lombreta Boca-de-frô é um respeitável motorista-de-fogão. Menos. E com licença da má palavra, o cabra é mesmo um mestre-cuca da porra! Foi ele quem ensinou a Ana Maria Braga a cozinhar quando teve um affair com a distinta, levando um chute na bunda porque era metido a galante e preguiçoso demais. Foi também mestre de sujeitinhos reles como Álvaro Rodrigues, Edu Guedes, Olivier, Daniel da Band e de outros menos renomados e mais elitizados cozinheiros do planeta. Não fosse ele achegado a um pai-de-santo, um chibiu disponível e uma conversa-mole, seria ele hoje, sem sombra de qualquer dúvida, o maior culinarista do planeta. E só não é porque ele mete as mãos pelas pernas e finda todo atrapalhado com problemas de ordem familiar, religiosa e social. Mas, sem mais delongas, desta vez ele sapeca a bondosa iniciativa de trazer a primeira receita do seu primoroso acervo alimentar. Trata-se – atenção marmanjos!! - do Prândio Selistérnias! Alguém conhece ou já ouviu falar? Nunca, nunquinha, meu fio! Apois, aprume a conversa e meta as catanas: 1 saco de 5kg de arroz, 1 saco de 1kg de feijão, 2 pacotes de espaguete, 5 kg de filé mignon e l garrafa de 5 litros de Moet Chandon. Regabofe suntuoso, né? Mas pode ir se aquietando que quem tem boca grande não entra. Ele só recomenda este prestigioso banquete para o cidadão endinheirado acompanhado somente de 5 mulheres. Claro, pra quem aprecia, salienta ele, é bom saber de antemão que mulher come como a praga, viu? Isso quem diz é ele, apenas treanscrevo aqui. E cinco mulheres juntas, já viu! O segredo está em tudo ser mal-passado e que as mulheres, segundo exigência dele, devem estar impecavelmente vestidas, porém, sem calcinhas, entenderam? Por que? Pergunte a ele. Porque foi justamente por causa duma comilança dessa quando a distinta esposa do apaideguado estava viajando e retornou antes do dia aprazado, que ele foi jogado fora de casa pendurado pelas orelhas e sacudido nos cafundós de Judas afora pelo flagra. Ah, quer mais? Veja mais das Caçarolas do Boca-de-frô!
Veja
mais sobre:
Confissões
de perna-de-pau, Arthur Rimbaud, Nina
Simone, John French Sloan, Eliane
Giardini, Guy
Green, Alexis Smith, Yénisett Torres, Lendas Alemãs, Psicologia
& compromisso social aqui.
E mais:
A música
de Ruthe London aqui.
Constitucionalização
do Direito Penal aqui.
Do
espírito das leis de Montesquieu aqui.
Proezas
do Biritoaldo: Quando as mazelas dão
um nó, vôte! A bunda de fora parece mais tábua de tiro ao alvo aqui.
A
pingueluda aqui.
A arte
de Marcya Harco aqui.
CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Leitora
parabenizando o Tataritaritatá!
CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Recital
Musical Tataritaritatá - Fanpage.
