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terça-feira, março 12, 2024

ILARIA GASPARI, CÉCILE COULON, CAROLINA DE JESUS, ISABEL NORONHA & TERRA DE CARUARU

 

Imagem: Acervo ArtLAM.

Ao som do álbum Abstracta - para cuarteto de cuerdas (2015), da compositora, saxofonista, professora, pesquisadora e performer argentina, Eva García Fernandez.

 

TRAVESSIA DAS ROTAS ARRUINADAS, MAKE IT NEW... – A vida não tem pé nem cabeça: a gente nasce, entra na roda, as coisas acontecem, morre-se e, depois, não se sabe nada – tal como antes de abrir a porteira do mundo e tudo suceder à revelia – ou de propósito, sei lá! Sim, tudo se prolonga e a gente come vento, poeira, distâncias, toma gosto na peleja, sobe-desce no meio da trepidação, frio na barriga, se rela todo, sal na moleira, sol nos costados, goela seca, beiço rachado – é a vida ou o que a gente faz dela. E quando dá fé: o que parecia anteontem foi já não sei quantas décadas atrás. E foi? Como passa ligeiro... Pois é. Ainda ontem a surpresa assaltava... E teve gente - como ainda tem - que fez da vida via pública depois da descarga na privada. Entre um ponto e outro foi como pegar bigú na parada do bonde, sem saber nada onde ia dar – e um dia o fim da linha. É como diz Arina Tanemura: É preciso viver cada dia para que não haja arrependimentos... E lá ia eu com todas as raízes arrancadas, despregado do mundo e das coisas, pelo mesmo chão da infância que nunca foi meu. Minhas mãos cheias do ambulante amor ousavam por todas as armadilhas do catamênio cerebrino alheio, e todas as trajetórias turvas que nasceram mudas e tortas. O meu nome à dor de nenhum dia e a noite desabada desse noutra, o estranho ardendo uma canção sequer ensaiada. Vasto escuro, débil aspecto e o caminho mais que dividido. Foi Mandy Hale que disse: Duas coisas que você nunca terá que perseguir: amigos verdadeiros e amor verdadeiro... E o que fazer de traições, pactos desfeitos, tormentos de triunfo cruel: não há preço justo. Pelo jeito, nunca haverá. No fim das contas a impressão de culpado por inventar o oitavo e mais outros tantos pecados capitais. A sanção? Refém do custo de vida: quanto você vale? E com um céu acusador de vertiginosos escombros pelo tempespaço. Sabia: a fé jamais bastou para quem singra e sangra o que mal se respira e a se precipitar pelo açoite asfixiante de todas as rotas arruinadas. Precisava entender Selena Kitt: Seja você mesmo não há ninguém melhor... E ainda tinha que passar nos testes, mesmo sem saber quais eram nem porquê. Sabia que nunca seria de bom alvitre fazer dos outros emissários submarinos, nem deixar a onça com fome, muito menos o cabrito morrer à míngua. Nada foi lá tão diferente de chupar o dedo e mijar na cana, a coisa vai além do longe demais. E a ameaça mordedora no calcanhar pelas ilhas que nunca foram minhas e um outro maio expandido quase inverno por um mar tempestuoso e sem fundo. Aí aprendia: se você sorrir, todos gargalharão; se ficar sério, será sempre um chato de galocha com um monstro na cabeça. E mais: deve-se ser sempre simpático com os outros na subida; pois, com certeza, cruzará com todos nas inevitáveis e abissais catábases - aí você verá o que são elas e quantos outros muitos quinhentos! Seria muito bom se a gente pudesse juntar toda besteirada cometida e pudesse abater integralmente no Imposto de Renda ou contar no mesmo tanto pro tempo de aposentadoria. Mas não é, né? Que eu morra em paz com o meu tempo e a minha terra, contando com meu epitáfio derretido em cinzas. Assim estarei mais que redimido e pronto pra outra – se é que haverá essa chance! Até mais ver.

 

EU GOSTARIA DE PAGAR POR SUAS FICHAS...

Imagem: Acervo ArtLAM.

Tudo começou naquela hora tão particular da noite \ em que o fim de um dia esbarra no início de outro; \ Saí na chuva, estava com fome. \ A tempestade soltava o seu granizo quente nas venezianas que batiam, \ ninguém mais andava pelas ruas \ escorregadias que desciam até a praça do fundo \ onde transbordava a fonte. \ Normalmente cães ossudos tomavam banho lá \ mas agora não há latidos nem assobios. \ A noite, a chuva, o calor. \ Atravessei a estrada. Um cara acenou do outro lado: \ dois dedos e a boca entreaberta para perguntar \ se eu tinha algo para fumar, levantei a mão aberta \ batendo, como as venezianas, para mostrar a ele que não, \ e continuei, com o rosto enterrado no meu moletom com capuz grande demais, \ cabelo cheio do cheiro de um dia \ que ainda não havia terminado. \ Junto à placa, uma jovem de saia rosa e um rapaz \ com um corte de cabelo que lembrava os melhores momentos \ de Agnés Varda, aguardavam a sua vez de pedir um kebab \ com queijo extra. \ A garota olhou para a tela plana montada \ na parede mostrando clipes de pop americano, \ o cara jogou e pegou uma garrafa de plástico atrás dele \ virando-a habilmente. \ Depois de pagarem, o dono disse \ “Desculpe pela espera”. \ Eu tinha acabado de chegar, então isso me fez sorrir; \ “Uma caixa de batatas fritas, com ketchup, \ tudo bem \ você pode esperar \ lá dentro.” \ Então esperei, de pé, encostado na geladeira \ em frente às bandejas de salada vazias. \ Foi então que entrou um homem encharcado até os ossos. \ Afastei-me para deixá-lo passar: \ suas roupas exalavam cheiro de cimento \ e álcool barato, seu cabelo curto, grisalho, \ retinha água \ como a superfície de um campo às quatro da manhã. \ Ele pediu. \ No momento em que fui pagar minhas fichas, ele fixou os olhos, \ olhos mais redondos que o bico de uma rosa flamenga, \ a boca fraca daqueles homens cansados que bebem \ um pouco demais e com aceitação – \ ele me olhou por um momento, \ e gaguejou: \ “Não sei o que dizer para você”. \ No começo pensei que ele estava me enganando, mas mesmo assim,\ seus olhos, seus olhos! \ “Como é isso?” \ Ele respirou fundo, como se cada palavra \ lhe arrancasse meio pulmão: \ “Não sei o que dizer para você, senhorita”. \ O cara atrás do balcão escutava com um ouvido \ enchendo as bandejas de salgadinhos industriais. \ “Você não precisa me dizer nada”, \ respondi, sacudindo meu suéter. \ “Não sei o que dizer a você porque sei quem você é.” \ A chuva deixou sulcos levemente brilhantes, caindo \ do crânio até a parte inferior do nariz. \ Eu também não sabia o que dizer: \ meia-noite não estava longe, eu viria até de manhã para saber o que esperar, \ e esse cara, perfeitamente bêbado e são, parecia \ prestes a desabar. \ “Eu sei quem você é, você escreve livros. \ Como você faz isso?" \ "Bem, como eu puder." \ Deu-se um tapinha nos joelhos e, \ de uma só vez, \ lágrimas, suor \ da chuva que vem de dentro, \ algo úmido e sincero tomou conta de seu olhar, \ já afogado na solidão e na noite bizarra. \ Ele se virou para o cara \ que dobrava \ as bandejas laranja \ com a precisão de um cirurgião-dentista. \ “Posso te dizer que não fiquei encharcado esta noite por nada, de jeito nenhum!” \ Nas minhas costas, a geladeira zumbia. \ Um leve sorriso se instalou naturalmente \ entre minhas covinhas. \ No balcão, minhas fichas estavam prontas, bem embaladas. \ Tirei minha moeda \ de dois euros e o afogado me disse: \ “Gostaria de pagar suas fichas, se não se importa”. \ Suspirei e deixei minha moeda entre ele e eu, então estendi minha mão. \ Ele apertou. \ “Obrigado, senhor” \ e saí com meu pacote de batatas fritas no pulso. \ Na volta, o cheiro característico de gordura de salgadinho \ invadiu minhas narinas, meus cabelos, minhas roupas. \ Provavelmente nunca mais verei aquele homem, ou pelo menos não assim. \ Desde ontem tenho vontade de escrever sobre ele, porque me pergunto \ qual de nós daqui a alguns meses, daqui a alguns anos, seremos traídos \ pela imagem que construíram \ do mundo exterior? \ Será para outros apertarem as mãos\ àquela hora da noite \ por uma caixa de batatas fritas mornas e um refrigerante sem gelo? \ Gostaria que a poesia fosse tão natural para quem \ me rodeia quanto a emoção \ que brotou naquela noite, antes daquela quadratura \ com a improvável facilidade de momentos que poderiam não ter acontecido, \ mas que aconteceram mesmo assim, mal pensados e \ transbordando de graça e palavras impossíveis.

Poema da premiada escritora francesa Cécile Coulon.

 

DIÁRIO DE BITITA – [...] Quando havia um conflito, quem ia preso era o negro. E muitas vezes o negro estava apenas olhando. Os soldados não podiam prender os brancos, então prendiam os pretos. Ter uma pele branca era um escudo, um salvo-conduto. [...] Compreendo que o sonho de pobre é sonhar, apenas sonhar. [...] Será que o Brasil vai ser sempre bom como dizem eles? Por que será que o estrangeiro chega pobre aqui e fica rico? E nós, os naturais, aqui nascemos, aqui nós vivemos e morremos pobres? [...] O homem só dá valor ao homem depois que morre. Se os homens governam o mundo, ele nunca está bom para o povo viver, por que não deixar as mulheres governarem? As mulheres não fariam guerras, porque elas são as mães dos homens. Mas os homens são os pais dos homens, fazem guerras, e matam-se. [...]. Trechos extraídos da obra Diário de Bitita (SESI-SP, 2014), da escritora brasileira Carolina Maria de Jesus (1914-1977), autora da frase: A vida para uns são cheias de curvas que dá impressão que êles seguem para o calvário conduzindo uma cruz que se chama "Custo de Vida”. Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui.

 

DITOS & DESDITOS - Os movimentos nunca são homogêneos... Fomos formados na ideia de que não existimos como indivíduo, temos que ser úteis ao país... Pensamento da cineasta moçambicana Isabel Noronha. Veja mais aqui e aqui.

 

LIÇÕES DE FELICIDADE - [...] Caminhar, quando se está triste, até que os sapatos incomodem, é uma daquelas iniciativas que a levam à força para fora de você, no mundo; que freiam a espiral dos pensamentos e fazem você se sentir antes de tudo livre, depois exausta. Dois antídotos para tristeza, não infalíveis, mas úteis, são o sentimento da liberdade e o da exaustão; a tristeza, para se sustentar e durar, requer espaços fechados, sufocantes, e energia. Como os vampiros, ela também teme a luz do sol. [...] Concentro-me em uma pergunta: como criar uma disciplina, um ambiente, em que se trabalha para obter um resultado previsível e concreto, sem o perigo de se aventurar guiado apenas por esperanças vagas e irrealistas? Percebo que essa poderia ser uma pergunta válida, em certa medida, para todas as artes humanas, da yoga à música: mas no que se refere aos resultados, no âmbito da inspiração e da criatividade, a gama dos resultados possíveis e imprevistos é vasta demais para não tornar aposta exageradamente ampla. [...] Certamente não tenho uma multidão de amigos, mas tenho tantas casas, tantas vidas atrás de mim – tantas quantas minhas mudanças, os trabalhos que fiz, os erros que cometi e as enrascadas em que entrei, as ruminações e as inquietações, as hesitações e os perdões que não soube conceder e deixei cair no esquecimento. [...] Tenho medo dos desejos, mas é claro que não os respeito, mesmo que eu saiba o quanto podem ser fortes: em vez de dobrá-los, de domá-los com essa firmeza não natural, por que não parei para ouvi-los? Eu deveria ter percebido que essa febre de ascetismo, não muito diferente da impetuosidade a que se opõe, se voltaria contra mim. Não é fácil aprender a moderação: creio ser mesmo impossível, pelo menos enquanto eu olhar para ela com esta camada a mais de moralismo, esta mania de conferir um sentido aos mínimos gestos. Quis me impor uma postura austera, mas toda alheia, falsa. Não é verdade que me entusiasma fazer uma sopa, não é verdade que me basta uma maçã. Eu só queria me deixar absorver pelas pequenas coisas: mas o problema é outro. Em pé na frente de um armário semivazio, que se assemelha apenas ao meu lado mais severo – bani as cores, pois não me pareciam necessárias –, percebo estar diante de um bom problema: ao me concentrar em mim mesma, obcecada em aproveitar todo o meu arrebatamento, esqueci a amizade. Não posso pensar só no prazer: nem para tentar torná-lo demasiado sofisticado e essencial (com resultados que depois, como aconteceu comigo, desaparecem), nem para usá-lo como refúgio. Por nos enrodilharmos no interior de nossa vida secreta, a fim de nos consolar e nos proteger do mundo, acabamos nos transformando em pequenos caracóis confinados em suas conchas. Acendemos velas e luzinhas, buscamos serenidade ou minimalismos, abrimos a boca para palavras nórdicas intraduzíveis como hygge, concentramo-nos na simplicidade de pequenos prazeres idiossincráticos e indescritíveis – o primeiro gole de cerveja gelada. Mas, por favor, só o primeiro – porque, no fim das contas, duvidamos do prazer. Mas é tão chato, depois de um tempo, viver enfurnado nos próprios sentimentos! [...]. Trechos extraídos da obra Lezioni di felicità: Esercizi filosofici per il buon uso della vita (Einaudi, 2019), da filósofa e escritora italiana Ilaria Gaspari.

 

DOSE DUPLA DE JOSÉ CONDÉ

[...] Seguiram-se dias de chuva, prenunciando bom inverno. Mas, passados os aguaceiros, limpavam-se as tardes novamente, com o céu de um azul lavado e translúcido, tanajuras voando, cheiro de mato soprado pelo vento [...].

Trecho extraído da obra Terra de Caruaru (Civilização Brasileira, 1977), do escritor e jornalista José Condé (1917-1971), também autor do volume Obras Escolhidas V: Vento do amanhecer em Macambira \ Tempo, vida, solidão \ As chuvas (Civilização Brasileira, 1978). Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui.

 

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sábado, abril 15, 2023

DANAH ZOHAR, BERGMAN, CRESSIDA COWELL, ROBERT WALSER & SÃO BENTO DO UNA

 

 (Imagem: Setígono – Acervo ArtLAM) - Ao som do show Gabriela Machado Quinteto (Sesc Instrumental, 2022), da premiada flautista e compositora Gabriela Machado, acompanhada pelo quinteto formado pelos músicos Emiliano Castro (violão de 7 cordas), Matheus Kleber (acordeon), Camila Silva (cavaquinho) e Douglas Alonso (bateria), contando com participações especiais de Celso Benedito (trompa) e Débora Gurgel (piano). Ela é integrante do grupo Câmaranóva (Câmara Brasileira) e o Coletivo de Mulheres no Choro (SP), afora participar de diversos grupos instrumentais.

 

SETÍGONOS ÀS LAPADAS – PRIMEIRO: Um título se faz verso \ recomeço com que roupa \ às festrelasas baladas \ luzoutradas deparecéus \ se ao léu lá oitão meço \ não peço já pra qualquer uma \ nas brumas do meu coração. (Taí, heptassílabos de sete pés, feito redondilhas xucras, quando na verdade eu queria poetar coisa mais fora do comum e sem rimar. Não deu. Ao meter as catanas versiculares na maior pelejada, lá estava eu me sentindo como numa Sonata de Outono – só que diferente: como se rascunhasse a Carta ao meu pai e ele lá do outro lado da mesa lendo meus pensamentos quais arroubos mais insolentes. Peguei o fio da meada no meio do movimento browniano: lá ia eu viajando na ideia do floco de neve de Koch, ôpa, pelo perímetro fractal (oba!) pra quânticos cânticos. Deu nada: poeta d’água doce sabe nem se amostrar. É isso aí, vamos lá). SEGUNDO: Semanazada já sextou \ nexoteando ensimesma \ no viés de lesma faz pé \ não é qualquer badameco \ fugou caneco oh baião \ cadê chão? Volta por cima \ pro clima do alto astral. (Versoutros setessilábicos com barrunfo de heptada, mais parece pé-quebrado de quem não sabe nada. Pois é, estava empolgado e parti pra segunda lapada! Deveria ter ficado na primeira, fui gostando da loa. Mas como alegria de pobre dura pouco, lá longe logo previ algo lá não muito bem-vindo e na minha direção. Parecia gente, mas não era; coisa, talvez. Que porra é 9? Chegou bem pertinho, o bafo duma voz esquisita e deu pra entender apenas: ChaosGPT. Ficou na mesma, nunca vi mais gordo, logo: que boba 90 é isso? Nem queiram saber. Não deu tempo nem de me ajeitar direito, partiu pra cima de mim como quem queria agarrar minha goela. Vôte! Não sou besta não, dei um passo pra trás e o troço lá tinha certa dificuldade em se mover e me alcançar. Ôxe! Dei um drible de corpo, fui de lá pra cá, deixei-lo zonzo e zarpei com mais de mil! Xô pra lá, coisa ruim! O carreirão foi tão grande que nunca mais vi, nem quero ver. Mas, sei bem do que se trata, humanidade em risco... Simbora). TERCEIRO: Como se um heptágono \ amanhecesse heptaédrico \ ventroutonal s’enrubesce \ poética quermesse quente \ trovejandagora lá se \ tascômicarnavalesca \ desse pentágono dentro. (Pronto, está meio desmantelado, porém deu pro gasto! Fechei a conta da terceira leva, na marra pra balanço! Sim, claro. Nem conto, espia só. Foi por causa dum susto de torar a taboca! De repente, assim do lado e do nada: Victor de Aveyron! Danou-se! Deu-me duas Brassica oleracea! Nunca tinha visto: isso come? (só depois soube tratar-se dum tipo de couve-flor, uma rósea arroxeada, outra creme esverdeada –Deus faz arte fractal, certeza! Por isso ou vejo em toda parte ou me perseguem, só sendo. Mas dele o olhar de total desapontamento com o ser humano, pudera. Como não restasse nada do Itard e da Madame Guérin, nenhuma boa lembrança. Vi-o perdido e com ele o meu país se dissolve há sete anos com a queima de livros e atentado às escolas forjados sete dias por semana pelo fundamentalismo cristão estúpido, imitação barata das neuras do Norte que a tevê explicita o dia inteiro na programação propagada nas redes sociais. Barbárie em demasia até para ele. Quanto mais pra mim, hem? E eu duas vezes sete horas me desdobro nas dialetheias e sobrevivo afora, até mais ver.

 

INTELIGÊNCIA ESPIRITUAL

[...] O QS (Quociente Espiritual) permite que seres humanos sejam criativos, mudem as regras, alterem situações. Permite-nos trabalhar com limites, participar do “jogo infinito”. O QS nos dá capacidade de escolher. Presenteia-nos com um senso moral, uma capacidade de amenizar normas rígidas com compreensão e compaixão, bem como com a capacidade de saber quando a compaixão e a compreensão chegaram a seus limites. Usamos o QS para lutar com questões acerca do bem e do mal, e imaginar possibilidades irrealizadas – sonhar, aspirar, superar situações difíceis. [...].

Trecho extraído da obra Inteligência espiritual: aprenda a desenvolver a inteligência que faz a diferença (Viva Livros, 2012), da física e filósofa estadunidense Danah Zohar, que acrescenta: Podemos considerar a dor, o sofrimento ou as dificuldades como ameaçadoras ou incapacitantes, mas também como desafios e mesmo como oportunidades... (Imagem Acervo ArtLAM). Veja mais aqui.

 

DITOS & DESDITOS - Todos nós cometemos erros. Todo mundo precisa de segundas chances, e até mesmo de terceiras, quartas e quintas... Estamos todos arrebatando momentos preciosos das mandíbulas pacíficas do tempo. Às vezes é apenas um amigo verdadeiro que sabe o que queremos dizer quando tentamos falar... Pensamento da escritora inglesa Cressida Cowell. Veja mais aqui e aqui.

 

HÖSTSONATEN – [...] É claro que às vezes sinto um vazio. Mas uma pessoa não se deve enterrar viva... A gente pode se consolar consigo mesma. Não pode contar eternamente com os outros e pensar que eles estarão sempre ao nosso lado quando a gente está triste. Não, antes pelo contrário. Na maioria das vezes, a gente precisa chorar em silêncio, pra que ninguém ouça. [...]. Trecho extraído do filme Sonata de outono (1978), do cineasta sueco Ingmar Bergman (1918-2007), estrelado pelas atrizes Ingrid Bergman e Liv Ullmann, contando sobre o reencontro de uma mãe célebre pianista e suas duas filhas após anos de separação. A mãe tem uma surpresa ao encontrar a filha mais nova deficiente física e mental, aos cuidados da mais velha. Esse reencontro trará à tona diversas mágoas do passado. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.

 

UM POEMA

Quão pequena é a vida aqui e quão grande é o nada. \ O céu, cansado de luz, deu tudo à neve. \ As duas árvores inclinam suas cabeças uma para a outra. \ Nuvens atravessam o silêncio do mundo em uma dança circular.

Poema do escritor suíço Robert Walser (1878-1956), que também assim se expressa: Cada pessoa sensível carrega em si velhas cidades cercadas por antigas muralhas... Às pessoas saudáveis faço o seguinte apelo: não teimem em ler apenas esses livros saudáveis, travem um conhecimento mais estreito, também, com a literatura dita doentia, que vos transmitirá, decerto, uma cultura edificante. As pessoas saudáveis deveriam sempre expor-se um pouco ao perigo. Senão, com mil raios, para que serve ser saudável? Simplesmente para, num determinado dia, morrer de boa saúde? (Imagem Acervo ArtLAM). Veja mais aqui.

 

UNA-SE... O RIO É SEU...

... Eu vou. Por quê? Porque vou, porque sim, porque não, caramanchão, feliz das trepadeiras pelos oitões, a brisa nas varandas, água de coco, sombra e água, a lembrar dos sítios do Serrote do Gado Brabo. Sou o que vai e volta, eterno retorno como os pardais estão voltando...

Valuna: São Bento do Una – Pernambuco. (Imagem: Acervo ArtLAM). Veja mais aqui, aqui e aqui.

 



terça-feira, agosto 18, 2020

MARYSE CONDÉ, GREENAWAY, MIRANDA JULY, RUY GAMEIRO, BIGAS LUNA, NÊNIA DE ABRIL & CINEMA PERNAMBUCANO


DIÁRIO DO GENOCÍDIO NO FECAMEPA – UMA: SABE AQUELA... DE DORES & ADEUSES - A cada dia entoar a Nênia de Abril e conto meus mortos ao amanhecer, são tantos, aos milhares, sem que possa velá-los ou sepultá-los, nem aceno de adeus. O meu e o choro dos meus jorram por todos os lugares dos tantos Brasis. Só a frase de Peter Greenaway e o meu desconsolo: As despedidas podem ser belas e desprezíveis. Dizer adeus a quem é amado é muito complicado. Uma mão não pode escrever sobre si mesma. O que dói é não ter esperanças, nenhuma medida preventiva, nem providências: e daí? O noticiário com todas as manchetes escusas, disfarces e orquestrações, é tudo muito pior. Maryse Condé me dá o tom da desgraça: A verdade sempre chega tarde demais porque anda mais devagar que as mentiras. A verdade rasteja no ritmo de um caracol. Enquanto isso tribunais omissos quando não coniventes, parlamento festejando suas manobras, governante piadista às gargalhadas e a pátria em ruínas serve apenas para o descanso de sepulturas. De novo, o mesmo filme.

DUAS CENAS QUANTAS MESMAS EM OUTROS FILMES – Adoro cinema e voo: o escurinho privado, a intimidade tenta imitar a cena: sonho alisando a perna lisa da mulher amada que abriga a minha aflição solitária no deserto do real: são outras cenas que me invadem além da minha imaginação por todo planeta, ou pelos muitos e tantos Brasis. Diante do meu desassossego, a ausência dela me fala Miranda July: Olhe para o céu: isso é para você. Olhe para o rosto de cada pessoa ao passar por elas na rua: esses rostos são para você. E a própria rua, e o solo sob a rua, e a bola de fogo sob o solo: todas essas coisas são para você. Recolho lembranças e projeções, dos muitos filmes as mesmas cenas devoradas.

TRÊS ACENOS TRIBUTANDO MEUS MORTOS – O primeiro, um aceno solidário: sei que muitos se foram quando eu poderia ter ido junto e arrastado todas as recordações dos sonhos de luta por um país melhor para todos nós. O segundo, um aceno de teimosia: mesmo derrotados, persisto em nome do que há de mais sagrado em viver e deixar viver, guardando comigo o que disse Bigas Luna: O êxito é um dos melhores caminhos para a infelicidade. O terceiro, um aceno de paz com a homenagem para os meus que se foram, como o Monumento aos Mortos, do escultor português Ruy Roque Gameiro (1906-1935). Saúdo os que escaparam e os que resistem, precisamos manter a chama acesa e agora mais do que nunca. Até mais ver.

ERA UMA VEZ EU, VERÔNICA
O drama Era uma vez eu, Verônica (2012), dirigido por Marcelo Gomes, conta a história de uma jovem em fase de transição, que mora com o pai e acabou de se formar em medicina, quando se dedica à vida profissional num hospital público, suas condições precárias e o cotidiano agitado e cansativo.
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CINEMA PERNAMBUCANO
Um sítio interativo e colaborativo que serve de base de dados online e gratuita do Cinema Pernambucano, concebido, dirigido e organizado por Germana Pereira e Isabela Cribari, disponibiliza a cronologia da história, passando pela filmografia da década de 1920 até a produção contemporânea, com um acervo de mais 400 filmes cadastrados entre curtas, médias e longas metragens nos mais diversos gêneros cinematográficos. Veja mais aqui e aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Veja mais aqui.


terça-feira, junho 02, 2020

BERNHARD LEITNER, HILDEGARD ANGEL, MESTRE NICOLA & SOLDADOS DO ARAGUAIA



DIÁRIO DE QUARENTENA – UMA: SOU ENTRE OS 70 NO COMBATE DA SEGUNDA PRAGA – Sou entre os setenta que não foge à luta pela democracia e preservação da Amazônia com meus povos indígenas e os que estão em todas as regiões do Oiapoque ao Chuí! Sou dos setenta que fecharam pela vida e não arredam o menor milímetro de combater o trem louco de qualquer desgoverno negacionista! Sou com os setenta que empunharam o estandarte da liberdade por um país melhor para todos! Sou mais um com todos os setenta que primam pela vida e pelo amor, para erradicar o ódio dos que apelam contra a vida e sou porque já dizia Marquês de Sade: Não há outro inferno para o homem além da estupidez ou da maldade dos seus semelhantes. Vamos nessa! DUAS: DA ESCOLHA ENTRE A VERDADE & A MENTIRA - Mentira para mim sempre foi conversa de resenheiros para matar o tempo, coisas de vigias, boateiros, pescadores, caçadores e punheteiros, coisa que não saía da esquina e ficava só no trâmite das horas de jogar conversa fora. Ou era gente que queria ser maior que o próprio tamanho e não enredava ninguém, só para se sair bem na fita, coitado. Nada que não fosse aqui ou ali descoberto para deixar a cara mais lisa mais que desmascarada. Ah, não, tinha que estar vivo para um dia testemunhar uma fraude vencer para muitos numa verdadeira desmoralização humana. Nunca que eu pudesse imaginar que um embuste prevalecesse suplantando a Justiça e o senso de humanidade por tanto tempo. Não dá para acreditar. Cagliostro que o diga: O céu esquece, ou tolera, esperando você reformar. Nunca será tarde demais. TRÊS: ENTRE ACOCHOS & APERREIOS – Quem não teimou pela vida para alcançar seus anseios, nem me diga, já vi de sustentar no peito anos e décadas sem arriar o badalo nem arredar um risco no chão, de segurar na asa do bule pegando fogo, de não abrir nem prum trem, ora essa! Já fiz e vi, do muito, que não me diga quanta revolva de espremer o punho, de entortar a espinhela e segurar no batente nem que chovesse canivetes. Sim, já fiz e vi, como num verso de Ana Cristina César: Eu não sabia / que virar pelo avesso / era uma experiência mortal. Nada como um dia atrás do outro para enfim a remissão. De um jeito ou de outro, vamos aprumar a conversa, gente! Até mais ver! © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo e aqui.

DITOS & DESDITOS: [...] O constrangimento diante do olhar de uma sociedade que, em vez ser de piedade, era acusatório, de desprezo para com a minha mãe, como se ela fosse uma transtornada, uma louca, por desafiar o poder e procurar o filho. A ordem vigente era o conformismo, a aceitação, o adesismo, jamais o destemor e a coragem de questionar. [...]. Trecho de depoimento da jornalista e atriz de teatro, cinema e televisão, Hildegard Angel, filha da estilista Zuzu Angel e irmã de Stuart Angel Jones, fundadora do Instituto Zuzu Angel. Veja mais aqui e aqui.

SOLDADOS DO ARAGUAIA
A gente ficou vendo fantasma.
Eu pensei em dar um tiro na cabeça.
Eu que fui treinado para ser um herói, para defender a pátria em nome do Exército Brasileiro, hoje em dia sou rejeitado pelo Exército, por aqueles que foram meus amigos e hoje em dia tudo me negaram e viraram as costas pra mim. Então, não interessa mais viver. Eu pensei em dar um tiro na cabeça porque o mesmo revólver que eu usava na guerrilha, eu tinha ainda.
Minha cabeça estourou três vezes com bomba. Saiu sangue do nariz, saiu sangue da boca, do ouvido, me deu mancha de sangue nos olhos.
SOLDADOS DO ARAGUAIA - Trechos dos depoimentos de soldados enviados para a missão no sul do Pará pelo Exército Brasileiro no começo da década de 1970, recolhidos do documentário Soldados do Araguaia (2017), dirigido por Belisario Franca, que conta a história de soldados de baixa patente enviados para o interior da selva amazônica com a missão de exterminar a guerrilha do Araguaia, de resistência à ditadura militar no Brasil dos anos 1970. As Forças Armadas recrutaram 60 jovens da região sem informá-los nada sobre a missão que seriam obrigados a cumprir e, segundo os oito depoentes do documentário, o que eles viveram foi pior do que o inferno. Quarenta anos depois do fim da guerra, eles descrevem pela primeira vez a sua versão dos fatos em frente às câmeras. Veja mais aqui, aqui & aqui.

A ARTE DE BERNHARD LEITNER
O vento agora desempenha um papel importante, criando novos sons de fundo. Um dia, cheguei lá para verificar e pensei: 'O que está acontecendo? Eu posso ouvir de longe. O volume não está definido corretamente'. Mas não! Os pássaros vivem no bambu e podem captar sons. Eles captaram meus sons agudos - que eu chamo de 'espaço picante' - e eles meio que os tocaram. Eu tinha os sons de formigamento que compus, cercados pelo espaço de formigamento criado pelos pássaros. Foi uma experiência maravilhosa que tive com um dos meus trabalhos na natureza Eu posso ouvir com meu joelho melhor do que com minhas panturrilhas.
BERNHARD LEITNER - A arte do escultor, arquiteto visionário e artista austríaco contemporâneo Bernhard Leitner, pioneiro da forma de arte geralmente chamada de "instalação sonora", introduzindo o som no espaço de instalação, com esculturas que são objetos do espaço sonoro e resultado de processos de desenvolvimento longos e complexos. Em esboços e pastas de trabalho precisos, ele primeiro aborda as qualidades arquitetônicas esculturais do som na teoria. Os seus trabalhos lidam com a experiência áudio-física de espaços e objetos que são determinados em forma e conteúdo por movimentos do som, tendo como foco a relação entre as estruturas construídas do som e o corpo humano, escala variando de pequenos objetos aplicados diretamente ao corpo a espaços arquitetônicos em grande escala. Veja mais aqui.

PERNAMBUCULTURARTES
Esse é um trabalho braçal, muitas vezes desgastante, sobretudo pelas matérias-primas com que trabalho. Não há hora para começar ou terminar, mas apesar de tudo, tenho grande prazer porque estou sempre aprendendo. Até hoje, a finalização de um trabalho é sempre muito empolgante.
A arte do escultor, entalhador e artesão Jaime Nicola de Oliveira, o mestre Nicola.
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A música do violoncelista Antônio Meneses aqui.
Assuntos pernambucanos, do jornalista, advogado, escritor, historiador e ensaísta Barbosa Lima Sobrinho (1897-2000) aqui.
Linha d’água, do poeta Jaci Bezerra aqui.
A obra da escritora e professora Luzilá Gonçalves Ferreira aqui.
A arte da artista plástica e ilustradora Valéria Rey Soto aqui.
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Socorro do trem de Bonito aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
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terça-feira, maio 19, 2020

TERESA VILLAVERDE, PATRICIA CRONIN, NURIT BENSUSAN & ANNA ANDRADE


DIÁRIO DE QUARENTENA – UMA: TRABALHO & PÃO, APENAS – Nestes tempos de grotesca bizarrice assombrosa rondando nossa sobrevivência, dá para perceber tanta hostilidade no ar, muito mais do que se possa imaginar. É triste ver o ódio e a mentira predominantes diante de uma paralisia insuportável, de não se ver providência alguma para deter tal escalada. Onde é que estão as autoridades deste país, minha gente? Ou todos estão acoloiados, ou era uma vez um país, quanta omissão, tanto desserviço. Isso me faz lembrar o triste fim da legendária Catarina Eufémia, que reivindicava, para si e os seus, apenas: trabalho e pão. A recepção foi uma bofetada de restar estatelada no chão. Não havia outra reação para ela: Mata-me. O tenente não vacilou, três balas, uma poça de sangue e ela, assim do nada, agonizou com as Cantigas de Maio e o Cantar Alentejano. Da mesma forma, intrépidos agridem profissionais de saúde, da imprensa, das farmácias e supermercados em plena pandemia, indomáveis estúpidos que não possuem a mínima empatia pelo outro e que se vangloriam pela destruição, desobedientes em nome de um retrocesso aviltante. Para quem detém o poder, a triste ilusão da eternidade. A vida passa e a história é reescrita amanhã. Levo em consideração Fichte: Os teus atos, e não os teus conhecimentos, é que determinam o teu valor. Por remissão, fica longe entender esta barbárie, o desconhecimento total de que a posteridade julga e nela ou se glorifica ou se envergonha do passado. Qual será a deste momento amanhã, hem? DUAS: PERAÍ, A GENTE VAI PRA FRENTE DE ANTANHO OU BRINCANDO DE FAZER A TERRA GIRAR AO CONTRÁRIO? - Gente, que coisa é essa? Repassando: a gente lascou a pedra, inventou a roda, fundiu o ferro, acumulou escaramuças e apropriações, deu pulos e revirou predatoriamente todos os habitats, poluiu o planeta, empenou a história e desgraçou com a vida de todo mundo. O que é que é isso? Danou-se tudo! Lembrei o Malinowski: Toda a estrutura de uma sociedade encontra-se incorporada na mais evasiva de todas as matérias: o ser "humanos". Eita! Onde é que a gente vai parar, hem? TRÊS: ENTRE BURLAS & MANOBRAS – Não bastam indagações! Ô Esse-menino, diz uma coisa aqui: que papo é esse de vaivém, por fim da força com medidas provisórias casuísticas, notícias falsas, renhenhém e tergiversações, testes escusos, trapalhadas e enganações, sublevações descabidas e tantos desditos, interferências e compadrio pro nepotismo, afora a claque desmiolada proliferando o ódio e o totalitarismo, uma zona geral, o que é que é isso, hem? Já dizia Bertrand Russel: Na vida nunca se deveria cometer duas vezes o mesmo erro. Há bastante por onde escolher. É a ambição de possuir, mais do que qualquer outra coisa, que impede os homens de viverem de uma maneira livre e nobre. É isso, é preciso fazer alguma coisa. Vamos aprumar a conversa, gente! Até amanhã! © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo e aqui.

DITOS & DESDITOS: [...] Muitos acham que as mudanças climáticas não são relevantes e que não fazem diferença nas nossas vidas. Ainda assim, os termômetros sobem, as emissões de CO2 aumentam cotidianamente e os eventos extremos se tornam mais frequentes. Muitos acreditam que o mais importante é aumentar a produção agropecuária a qualquer preço, destruindo o Cerrado e a Amazônia. Ainda assim, o desmatamento desses biomas traz enormes prejuízos, comprometendo a disponibilidade de água, a fertilidade dos solos, o controle de pragas e doenças e a estabilidade climática. Podemos estar convencidos que a rica natureza brasileira é uma maldição a qual devemos superar para chegar a ser “desenvolvidos”. Ainda assim, é na nossa biodiversidade que reside a nossa maior possibilidade de crescer como um país mais justo e mais inclusivo. [...]. Trecho do artigo Biodiversidade, a nossa única opção (Instituto Socioambiental, 2019), da escritora e bióloga Nurit Bensusan, coordenadora adjunta do Programa de Política e Direito do ISA e especialista em Biodiversidade, com mestrado em ecologia pela Universidade de Brasília (1997) e doutorado em educação (2012), na mesma universidade. Ela é autora das obras Meio ambiente: e eu com isso? (Peirópolis, 2020), abordando sobre a intrigante complexidade da natureza e resgatando a dimensão humana dos problemas ambientais enquanto revela conexões aparentemente insólitas entre os diferentes problemas do mundo contemporâneo; Quanto dura um rinoceronte? (Peirópolis, 2018), com a exposição do risco de extinção desses e de tantos outros animais; Labirintos: parques nacionais (Peirópolis, 2012), uma viagem aos parques nacionais com informações essenciais; Conservação da biodiversidade em áreas protegidas (FGV, 2006), em que apresenta a estratégia para conter a ocupação desenfreada da terra e o uso predatório dos recursos naturais, além da implementação que tem enfrentado inúmeros desafios; Biobrazuca. o jogo da biodiversidade brasileira (EdiPUCRS, 2011); e Seria melhor mandar ladrilhar? Biodiversidade: como, para que e por quê (EdiUnB, 2002), entre outros. Atualmente, divide seu tempo entre o trabalho com políticas públicas e divulgação científica na área de conservação da biodiversidade e a reflexão e pesquisa sobre temas relativos à conservação das paisagens, ao acesso aos recursos genéticos e conhecimentos tradicionais e aos impactos e dilemas das novas biotecnologias. Além disso, escreve livros e produz jogos com temas biológicos para crianças.

O CINEMA DE TERESA VILLAVERDE
Estou convencida que, se o mundo não entrar em colapso total, daqui a uns vinte ou trinta anos se vai voltar à película. E digo por quê. O som tem melhorado imenso nos últimos anos, todo o processo digital veio melhorar tecnicamente o som. Mas, na imagem, tudo o que se tem vindo a criar ultimamente, tem-na desvalorizado. Somente em relação aos efeitos especiais é que tem evoluído de forma positiva. Adorava e tento acreditar que se volte à película ou a uma coisa semelhante.
TERESA VILLAVERDE - Trecho da entrevista concedida pela cineasta portuguesa Teresa Villaverde, recolhida da Cineasta versus diretor de fotografia – a preparação da filmagem: entrevista a Teresa Villaverde (História Oral, 2016), de Raquel Rato, iniciando sua trajetória com o premiado filme A idade maior (1989), seguindo-se do também premiado Três irmãos (1992), Os mutantes (1998), Transe (2006), Água e Sal (2001), A favor da claridade (2004), Visions of Europe (2004) e Cisne (2011). Veja mais aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Um artista tem que organizar as ideias. Eu não sou um exército. Eu não sou uma formuladora de políticas. Eu não escrevo leis. Então, qual é o papel da arte contemporânea neste mundo realmente horrível em que vivemos? Que impacto isso poderia ter? Não posso fazer nada para trazer essas 276 meninas de volta. Eu sou impotente, então o que posso fazer? Eu posso conscientizar e sentir.
PATRICIA CRONIN - Trecho de entrevista concedida pela escultora, pintora e fotógrafa estadunidense, Patrícia Cronin, para o jornalista William J. Simmons (Interview - junho, 2016), a respeito da sua obra Shrine for Girls, um santuário para meninas apresentado na Bienal de Veneza de 2015, narrando três histórias, a primeira sobre o sequestro de 276 mulheres jovens pelo Boko Haram na Nigéria; o estupro e linchamento de dois primos na Índia e a violência sexual e psicológica da Igreja Católica contra prostitutas, mulheres órfãs e doentes mentais nas lavandarias de Madalena. Como uma artista interdisciplinar que aborda questões contemporâneas de direitos humanos, ela realiza uma arte conceitual que transita por diversas plataformas estéticas e sobre questões de justiça social de gênero, sexualidade e classe, visibilidade lésbica, história da arte feminista, igualdade de casamento e direitos internacionais das mulheres. Veja mais aqui & aqui.

PERNAMBUCULTURARTES
Minha intenção é mostrar a relação dessas mulheres com a ilha; com a pesca; que é um trabalho exercido mais por homens; com a cidade e com a família, dando ao roteiro um olhar mais feminino. Enquanto o homem dono de viveiro mantém um relação mais hierárquica com as pessoas subordinadas a ele, Alexandra tem uma relação de parceria. Moro no bairro desde que nasci e não poderia fazer meu primeiro filme em qualquer canto, a ilha sempre é apontada como uma comunidade violenta e as pessoas acabam formando uma opinião errada sobre esse espaço. Espero, com o documentário, quebrar esse estereótipo. Aqui é um lugar de gente trabalhadora.
Trecho da entrevista concedida ao Jornal do Commercio (novembro de 2017), pela diretora, roteirista e produtora Anna Andrade, sobre o seu primeiro filme Entre marés (2018), com relatos de três mulheres da Ilha de Deus, em Recife.
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O brasileiro condena o brasileiro, do psicanalista e professor Jurandir Freire Costa aqui.
Sísifo, do poeta Marcus Accioly (1943-2017) aqui.
A obra do poeta, professor, cineasta, filósofo e agitador cultural Jomar Muniz de Brito aqui.
A arte da cantora, atriz, compositora, roteirista e humorista Clarice Falcão aqui e aqui.
O artista visual Maurício Silva aqui.
A arte de Murilo Gun aqui.
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Estibado, o ajeitado na vida aqui.
 

GONÇAL MAYOS, MARINE PETROSSIAN, PÉTER NÁDAS & IRANDHIR SANTOS

  Imagem: Arrostar aporias , da série Caosmose & O poema nasce do visinvisível - Acervo ArtLAM .   Fábula dos embeiçados desavindos... ...