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terça-feira, agosto 18, 2020

MARYSE CONDÉ, GREENAWAY, MIRANDA JULY, RUY GAMEIRO, BIGAS LUNA, NÊNIA DE ABRIL & CINEMA PERNAMBUCANO


DIÁRIO DO GENOCÍDIO NO FECAMEPA – UMA: SABE AQUELA... DE DORES & ADEUSES - A cada dia entoar a Nênia de Abril e conto meus mortos ao amanhecer, são tantos, aos milhares, sem que possa velá-los ou sepultá-los, nem aceno de adeus. O meu e o choro dos meus jorram por todos os lugares dos tantos Brasis. Só a frase de Peter Greenaway e o meu desconsolo: As despedidas podem ser belas e desprezíveis. Dizer adeus a quem é amado é muito complicado. Uma mão não pode escrever sobre si mesma. O que dói é não ter esperanças, nenhuma medida preventiva, nem providências: e daí? O noticiário com todas as manchetes escusas, disfarces e orquestrações, é tudo muito pior. Maryse Condé me dá o tom da desgraça: A verdade sempre chega tarde demais porque anda mais devagar que as mentiras. A verdade rasteja no ritmo de um caracol. Enquanto isso tribunais omissos quando não coniventes, parlamento festejando suas manobras, governante piadista às gargalhadas e a pátria em ruínas serve apenas para o descanso de sepulturas. De novo, o mesmo filme.

DUAS CENAS QUANTAS MESMAS EM OUTROS FILMES – Adoro cinema e voo: o escurinho privado, a intimidade tenta imitar a cena: sonho alisando a perna lisa da mulher amada que abriga a minha aflição solitária no deserto do real: são outras cenas que me invadem além da minha imaginação por todo planeta, ou pelos muitos e tantos Brasis. Diante do meu desassossego, a ausência dela me fala Miranda July: Olhe para o céu: isso é para você. Olhe para o rosto de cada pessoa ao passar por elas na rua: esses rostos são para você. E a própria rua, e o solo sob a rua, e a bola de fogo sob o solo: todas essas coisas são para você. Recolho lembranças e projeções, dos muitos filmes as mesmas cenas devoradas.

TRÊS ACENOS TRIBUTANDO MEUS MORTOS – O primeiro, um aceno solidário: sei que muitos se foram quando eu poderia ter ido junto e arrastado todas as recordações dos sonhos de luta por um país melhor para todos nós. O segundo, um aceno de teimosia: mesmo derrotados, persisto em nome do que há de mais sagrado em viver e deixar viver, guardando comigo o que disse Bigas Luna: O êxito é um dos melhores caminhos para a infelicidade. O terceiro, um aceno de paz com a homenagem para os meus que se foram, como o Monumento aos Mortos, do escultor português Ruy Roque Gameiro (1906-1935). Saúdo os que escaparam e os que resistem, precisamos manter a chama acesa e agora mais do que nunca. Até mais ver.

ERA UMA VEZ EU, VERÔNICA
O drama Era uma vez eu, Verônica (2012), dirigido por Marcelo Gomes, conta a história de uma jovem em fase de transição, que mora com o pai e acabou de se formar em medicina, quando se dedica à vida profissional num hospital público, suas condições precárias e o cotidiano agitado e cansativo.
&
CINEMA PERNAMBUCANO
Um sítio interativo e colaborativo que serve de base de dados online e gratuita do Cinema Pernambucano, concebido, dirigido e organizado por Germana Pereira e Isabela Cribari, disponibiliza a cronologia da história, passando pela filmografia da década de 1920 até a produção contemporânea, com um acervo de mais 400 filmes cadastrados entre curtas, médias e longas metragens nos mais diversos gêneros cinematográficos. Veja mais aqui e aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA

 ELA RENDIDA ARTE...

Ela nua e linda, Cleópatra de Mulier; manhosa supina da Nu couché de Modigliani; dengosa, indecentemente provocante In the garden of Eden de Rembovsky; tão fabulosa, nela a glória: The Origin of the World, de Courbet.

 Veja mais aqui & aqui.



terça-feira, junho 11, 2019

GERALDO CARNEIRO, OSWALD SPENGLER, ANTHONY DONALDSON, VOLAVÉRUNT & A SANTA DE ALAGOINHANDUBA


A SANTA DE ALAGOINHANDUBA! - Em Alagoinhanduba havia sempre o inusitado. Certa feita, um casal errante: a mãe com o bucho pela boca, o pai tímido maltrapilho. Fugiam não se sabe do quê, procuravam por um parente distante de décadas, famintos, desterrados. A agonia do parto se deu ali mesmo, numa esquina movimentada, muitos socorreram. Coincidências acontecem, coisas da vida: o parente sumido testemunhava tudo e nem sabia, só depois de muito choro e desespero. Compungido, os levou para sua casa, amparo emergencial. O tempo passa e a recém-nascida torna-se uma linda menina, encantada com o mundo, os seres e as coisas, cresce aos olhos de todos. Nem adolescente ainda, já parecia moça vistosa, chamava atenção seu jeito terno, suas carnes bem distribuídas, sua beleza hipnotizante. Moça de riso fácil, ternura acentuada, disposta sempre ao cuidado maternal com quem quer que fosse e precisasse. Não eram poucos os que dela requisitavam atenção, logo se viu encurralada, quarto trancado, estuprada pelo tio, sua primeira tragédia. Punida por ser dada, logo foi imediatamente encaminhada para o convento de freiras. Lá a sua primeira clausura. Por sua afetuosa emanação, tornou-se logo professora a encantar alunos, pais e comunidade. Dedicada às suas preces e afazeres, uma chama secreta emergia do seu ser, ardia, refulgia, vicejava. Em suas mãos o domínio do secreto. Ao passo que realizava com afinco suas atividades, não escapava das investigações alheias: corpulenta, era cortejada por carrancudos e aventureiros, cobiçada pelos homens endinheirados, cercada por reprovações, até ser abusada pelo pároco, a segunda condenação. Reclusa por sua sina, preferia cuidar dos pobres e enfermos, pois, a graça de quem tivesse o seu toque, logo era curado, quando não salvo das agruras da vida. Isso também era percebido por seus algozes e carrascos que a queriam exclusiva. Distanciada do mundo, manteve-se no seu recolhimento até um dia, quase enlouquecida pela incompreensão de todos, sair nua em via pública, recuperando a visão de cegos, o silêncio de mudos, curando aleijões e estigmas. Um alvoroço. Por conta disso, ganhou notoriedade a santa nua, e uma imagem única feita por artesão: uma pequena estátua de braços abertos, com sua formosura e bondade. Proibida, reprimida, aprisionada por atentado ao pudor público: seu corpo foi violado e ela abusada por muitos no cárcere. Reprovada, banida, excomungada por ser a tentação em pessoa, não se sabe como, ela conseguiu fugir do cativeiro para nunca mais ser vista, apenas de ouvir falar: vivia escondida não se sabe ao certo o paradeiro, a cuidar dos que se perdiam ou procuravam a solução para seus problemas, os que sofriam de sede ou fome, os que procuravam paz, os que morriam de emboscada, os cansados, insepultos e miseráveis, os acolhia até completo restabelecimento. Certo dia ouviu-se a noticia de que ela fora encontrada nua, seviciada, morta, esquartejada, numa sexta feira santa. A imagem dela, a única, sumiu ou foi roubada, ninguém sabe, era o desejo dos inimigos, o temor dos fanáticos. Anos se passaram, décadas mais tarde, encontraram a pequena escultura dela enterrada numa terra distante e foram anunciados vários milagres: quem a tocasse ficava feliz demais, curado de qualquer enfermidade, salvo das profundas do inferno, ou prosperava na vida. Uma romaria, todos os dias, em fila: a santa obra milagres até agora. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

DITOS & DESDITOS:
[...] Uma cultura morre, quando essa alma tiver realizado a soma das suas possibilidades,  sob a forma de povos, línguas, dogmas, artes, Estado, ciências, e em seguida retornar à espiritualidade primordial. [...] Natureza é a forma sob a qual o homem das culturas elevadas confere unidade e significado às impressões imediatas dos seus sentidos. História é a forma sob a qual a sua imaginação procura compreender a existência viva do Universo, com relação à sua própria vida, a fim de conferir a esta uma realidade mais profunda. […] Que ocorrerá, porém, quando toda uma cultura, quando a consciência que uma nação inteira tiver de si mesma, provierem de tal espírito não histórico? Como se lhe afigurarão a realidade, o mundo, a vida? [...].
Trechos extraídos da obra A decadência do ocidente: esboço de uma morfologia da História Universal (Zahar, 1964), do historiador e filósofo alemão Oswald Spengler (1880-1936). Veja mais aqui.

VOLAVÉRUNT
O premiado drama histórico Volavérunt (1999), dirigido pelo cineasta e roteirista espanhol Bigas Luna (1946-2013) e baseado na obra homônima do escritor uruguaio Antonio Larreta (1922-2015), contando a história da mulher mais rica e liberada de seu tempo, a duquesa de Alba, que oferece uma festa para inaugurar o seu novo palácio e que tem, entre os convidados, o pintor e gravador espanhol Francesco de Goya (1746-1828), quando na manhã seguinte ocorre um assassinato misterioso. Destaque para atuação da atriz espanhola Penélope Cruz Sanchez. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte do escultor e pintor britânico Anthony Donaldson, um dos criadores do movimento Pop Art. Veja mais aqui & aqui.

A OBRA DE GERALDO CARNEIRO
De noite, na rua, em frente ao parque
A minha solidão é sua
Decerto sei que você vaga em qualquer parte
Sob essa vaga lua
De noite, na rua, em frente ao parque
A minha solidão é sua
Decerto sei que você vaga em qualquer parte
Sob essa vaga lua
A noite esconde as cicatrizes
Esconde as carícias e os maltratos
A noite esconde as cicatrizes
Esconde as carícias e os maltratos
De noite alguém decerto lhe ampara
Por onde hoje você anda
Mas sem olhar sua ciranda louca
Daquele jeito que lhe desmascara
De noite alguém decerto lhe ampara
Por onde hoje você anda
Mas sem olhar sua ciranda louca
Daquele jeito que lhe desmascara
A noite esconde as cicatrizes
Esconde as carícias e os maltratos
A noite esconde as cicatrizes
Esconde as carícias e os maltratos
Agora, bêbada, você estremece
Como se ainda não soubesse
Em frente à porta desse bar
Em que embarca sob essa vaga lua
E a luz da lua apura a nitidez da marca
Mais nua, mais clara, mais crua
Poema Mais Clara, Mais Crua do premiado poeta, letrista e roteirista mineiro radicado no Rio de Janeiro, Geraldo Carneiro, ocupante da cadeira 24 da Academia Brasileira de Letras e parceiro musical de grandes nomes da música, tais como Egberto Gismonti, Astor Piazzola, Wagner Tiso, Tom Jobim, Vinicius de Morais, Francis Hime, entre outros. O poema em referência foi musicado e recebeu o título de Palhaço (álbum Circense – ECM, 1980), por Egberto Gismonti. Veja mais aqui, aqui, aqui & aqui.


sexta-feira, dezembro 30, 2016

BIGAS LUNA & AITANA SÁNCHEZ-GIJÓN, JOYCE, LUCIAH LOPEZ, AMAR & SER AMADO

O PRAZER DE AMAR E DE SER AMADO – Imagem: arte da poeta, artista visual e blogueira Luciah Lopez. - A cada dia que se passa a sua deslumbrante presença se faz mais viva no meu ser como a estrela guia que mostra o caminho perdido no meio de todos os momentos. Aprendo que a vida não é uma só e que tudo se realiza conforme o merecimento de quem dá como o fruto à mão, os ventos ao calor, a chuva na sequidão. Ao longo das horas a sua manifestação permeia todos os instantes, a me invadir com todos os sentimentos de plenitude e satisfação, como quem fosse agraciado pela vitória na hora da desesperança. Do dia a sua flor Iaravi me faz mais vivo do que sou entre pedras, estrelas e confins. Da noite os mistérios de Freya para me ensinar a viver tão completamente quanto o desejado que se projeta dos planos insones para o concreto desvelando miragens. Entre os dias e as noites não vejo a hora de tocar sua mão, sentir seu hálito poético, abraçar seu jeito menina de ser e de me esbaldar na fragrância de sua existência e poder estar na sua magnífica cachoeira transbordante, sentindo o vivo ressoar da força retumbante das cataratas do seu Iguaçu, o cheiro de umidade na cálida tarde de verão que emana da sua transpiração para me banhar por inteiro com a fragrância do seu olhar imantado pelos lábios amanhecidos em flor e seguir os caminhos de suas pedras feitas de céu e as suas veredas irradiando o feitiço que me faz apaixonado servo para todas as suas vontades além do horizonte e da imensidão do seu mar. E os seus versos cintilam com trovejante clamor de música iluminada de Sol a me arrebatar para fruir o seu maravilhoso esplendor. Sou mais que grato incensado pelos olores de todas as paixões mais irrestritas para provar do amor além de tudo, o seu amor no prazer de amar e de ser amado. © Luiz Alberto Machado. Veja mais aqui & aqui. 

 Um fogo queimou dentro de mim
Que não tem mais jeito de se apagar
Nem mesmo com toda a água do mar
Preciso aprender os mistérios do fogo
Pra te incendiar
Um rio passou dentro de mim
Que eu não tive jeito de atravessar
Preciso um navio pra me levar
Preciso aprender os mistérios do rio
Pra te navegar... Vida breve, Natureza...
Quem mandou, coração
Um vento bateu dentro de mim
Que eu não tive jeito de segurar
A vida passou pra me carregar
Preciso aprender os mistérios do mundo
Pra te ensinar
Mistérios, música de Joyce & Maurício Maestro, do cd/dvd Joyce ao vivo (EMI, 2008), da cantora, compositora e instrumentista Joyce. Veja mais aqui.

Veja mais sobre:
Viva Manguaba, Manoel Bentevi, Alain Resnais, Aldo Brizzi, Luís da Câmara Cascudo, Luís de Camões, Sábato Magaldi, Sabine Florence Azéma, Tomas Spicolli, Larry Vincent Garrison, Trapiá, Teatro Renascentista & Viviani Duarte aqui.

E mais:
Educação Holística, Claude Houghton, Paulo Bruscky, Psicologia Escolar, Crimes Online & Flimar aqui.
Chaplin & Tempos Modernos, Stendhal, Marina Saleme, Psicodrama, Educação & Direito Ambiental aqui.
Quando ela é toda sonsa na paixão aqui.
Decameron de Boccaccio, Flimar & 30 anos de arte cidadã aqui.
Aprontações dela no ápice do amor aqui.
A contumácia dos desejos dela aqui.
Crônica de amor por ela aqui.
Tolstói, Psicologia Cultural, Alimentos Avoengos, Heroi, Direito, Cinema & Padre Bidião aqui.
O cativeiro amoroso da teimosia dela aqui.
Michel Foucault, Mary Vieira, Fernando Paixão, Roserlei, Assédio Moral, Psicodrama, Flimar, Educação & Síndrome de Burnout aqui.
A mútua dívida do amor aqui.
A croniqueta de antemão aqui.
Todo dia é dia da mulher aqui.
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Palestras: Psicologia, Direito & Educação aqui.
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DESTAQUE: A CAMAREIRA DO TITANIC
O filme La Camerara del Titanic (A camareira do Titanic, 1999), dirifido pelo cineasta espanhol Bigas Luna (1946-2013), conta a história que se passa em 1912, quando o homem ganha uma viagem para assistir a partida do Titanic, conhecendo uma jovem que embarcará no navio como camareira. Destaque para a atuação da atriz espanhola Aitana Sánchez-Gijón. Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Não importa se é lua cheia ou noite de escuridão. Ela arranca a roupa e uiva feito bicho-, rolando no chão, em atitude provocadora passa a língua pelos lábios e rasga o verbo falando palavrão. Nessa hora, ela é bicho que não atina coisa com coisa e não adianta reza e nem figa, porque não tem fuga. Tudo é questão de momento e o tempo desacelera em conchavo evidente. Lá fora, a lua espia em silêncio e morrendo de inveja se cobre de nuvens. A vizinhança em polvorosa, batem as janelas e as mais afoitas esfregam as coxas aproveitando a comichão. E lá no chão, no tapete da sala de estar-, braços e abraços, bocas e línguas, salivas e beijos, pernas e sexos se possuindo numa consumição que até mesmo o padre eterno abdica da castidade e se entrega às malemolências das ex beatas e prova da mesma maçã da tentação. A noite segue madrugada à dentro e ela uiva e crava as unhas nas costas do seu macho, puxando o peso dele sobre o próprio corpo em completa rendição -, na verdade uma mulher/fêmea compartilhando seu orgasmo. Freya e Odur
Fêmea, poema & arte da poeta, artista visual e blogueira Luciah Lopez.
Veja mais aqui, aqui e aqui.

CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Paz na Terra: 
Recital Musical Tataritaritatá - Fanpage.
Veja  aqui e aqui.


quarta-feira, janeiro 20, 2016

PONTE SOBRE ÁGUAS TURVAS, PIRANDELLO, LIMA BARRETO, CIBERARTE, ANA TERRA, BIGAS LUNA, DARIO FO, CONSUELO, LIMAVERDE & MUITO MAIS!!!


CRÔNICA DE AMOR POR ELA: PONTE SOBRE ÁGUAS TURVAS- (Imagem: Vídeo/Arte de Meimei Corrêa) – (Ao som de Bridge Over Troubled Water, de Paul Simon e Art Garfunkel). Ela chegou com a canção na surpresa da hora incerta. E os meus olhos pelos ouvidos ao coração, souberam naquele instante que as palavras não são nada diante do esplendor de sua bela face sorridente. Era seu sorriso cúmplice do meu tão perdido pelas coisas insondáveis e inatingíveis, embalado pelo refrão do seu encanto. E de tão familiar que se fizera, levou-me a vida pela mão, enquanto as minhas em concha recolhiam sua graça como se fosse o último recurso pros indóceis na cerração de todas as adversidades. E eu sorvi o seu licor na taça de nossos brindes a me fazer calor do seu sol, flor da sua terra, lua da sua noite, passos do seu mundo, riso da sua alegria. Em festa atirei versos ao vento, versos feitos de sangue e choro e que se revelaram de giz na ventania da tarde e ela recolheu e guardou o que se tinha inútil por estimação. E eu não tinha mais nada afora o seu sorriso por abrigo na minha existência desaforada. Por gratidão ungi seu gesto com meus carinhos e ali me fez lacaio do seu palácio jungido por sua graça que me livrou do escárnio e dos grilhões das minhas agonias, tornando-me um afortunado que nunca nada tive nem terei do infinito, além das baixas e quedas de enganos erigidos no egoísmo e muito mais desenganos de perder até o que nunca tive. Fui restituído à vida, lavado do meu suor que nada valeu no que tenho feito pro flagelo da minha carne na água de qualquer poça, na esmola de qualquer filantropa, como quem não tenha mais sequer salvação. E ela me premiou com sua vida e meu brado vibrou por motes que eu pude glosar com toda lonjura de astro cadente pra seu espanto, e a flor emurchecida do meu coração pôde brotar na pérola do seu céu de todos os matizes e orvalho invulgar, como a chave certa que bendiga a vida a quem sempre foi fera triste errante de nem saber o sacrifício nem o prazer da posse, escapando pela vida e da morte. Bendita é ela em minha vida que sempre rolou entre pelejas e margens que me esmagaram rangendo dentes e me fizeram rasgar águas sem fim com o passado nos ombros e feito ondas revoltas sucumbindo novos sonhos em cada derrota que não bastasse. Bendita é ela como uma aragem de carícias a me semear os grãos do futuro, me ensinando da chuva a tempestade e os meus olhos são dela, são pra ela como a água para a sede e o dia pra viver. E os meus beijos são dela e são pra ela como a casa é pra morar alumiando a solidão. E o meu riso é dela e é pra ela como quem nada tem pra dar e dá de si além do que pode e tem. E os meus versos são pra ela e são todos dela como a glória de vencer nas horas tão ligeiras. O meu canto é dela e é só pra ela como a semeadura do jardim florindo todos os campos. E o meu coração é dela como a ponte une as margens e não haja padecer que resista ao seu bailado no apelo do amor. (Luiz Alberto Machado. Veja o vídeo da canção aqui. E mais aqui, aqui, aqui e aqui).

CONFIRA MAIS CRÔNICA DE AMOR POR ELA:
















PONTE SOBRE ÁGUAS TURVAS 

PICADINHO
 
Imagem: a arte do pintor e escultor português Rui Carruço.


Curtindo o álbum O tempo e o branco (Tratore, 2014), da cantora e compositora Consuelo de Paula.

EPÍGRAFE – Na vida real, os homens não escapam de sua situação de personagens, eternamente empenhados, como no palco, em manter uma forma e vestir sua aparência [...] A arte vinga a vida. Na criação artística o homem se torna Deus -, do dramaturgo e escritor siciliano Luigi Pirandello (1867-1936). Veja mais aqui, aqui e aqui.

CIBERARTE – No livro Cibercultura: tecnologia e vida social na cultua contemporânea (Sulina, 2007), do sociólogo André Lemos, encontro no IV Capítulo – Corpo e Tecnologia, que: [...] A ciberarte aproveita o potencial das novas tecnologias para explorar os processos de hibridização da cibercultura contemporânea. Em síntese, a ciberarte tem, no processo de virtualização, digitalização e desmaterialização do mundo, a sua força e particularidade. Ela é interativa e atua dentro de processos híbridos da cultura contemporânea (o espaço, o tempo e o corpo). Por ser imaterial, a arte eletrônica não se consome com o uso e pode circular ao infinito, escapando da lei entrópica da sociedade de consumo. É nesta circulação frívola de buts que está o coração da arte eletrônica da cibercultura. Mas sensual e intuitiva do que racional e dedutiva, a ciberarte tenta produzir novos espaços de experiências estéticas e interativas, sob a energia do digital. Veja mais aqui.

COMO O “HOMEM” CHEGOU – No livro Clara dos Anjos (1948), e do escritor Lima Barreto (1881-1922), encontro o conto Como o homem chegou, que narra a busca absurda por um prisioneiro demente que deve ser trazido da Amazônia para o Rio de Janeiro. Da obra destaco o trecho: [...] Tomava a condução que o devia trazer à cidade, quando a lembrança do meio de transporte do dementado lhe foi presente. Ao guarda-civil, ao representante da Sili na zona, perguntou por um instante: - Como há de vir o “sujeito”? O guarda, sem atender diretamente à pergunta, disse: - É... é, doutor; ele está muito furioso. Cursono pensou um instante, lembrou-se dos seus estudos e acudiu: - Talvez um couraçado... o “Minas Gerais” não serve? Vou requisitá-lo. Hane, que tinha prática do serviço e conhecimento dos compassivos processos policiais, refletiu: - Doutor: não é preciso tanto. O “carro-forte” basta para trazer o “homem”. Concordou Cursono e olhou as alturas um instante sem notar as nuvens que vogavam sem rumo certo, entre o céu e a terra. [...]. Veja mais aqui e aqui.

PRESENTE – No livro Mar de sargaços (1985), da poeta Regine Limaverde, destaco o poema Presente: Hei de me dar a ti / em nada mais / do que sou: / em alegria, esperança, / - itinerário do amor. / Aqui estou: / (um presente a mais / dos muitos que te dei). / Minha vida acesa / chama, interminável / carregada de verdes. / Um ponto de pó / carrego comigo. / Um ponto de pó / molhado de lágrimas! / Hás de me ter mais / em risos do que em lágrimas / não sou vertente de rios. / Minhas águas são navegáveis. / Tu me verás mais / ao dia. / Sou bicho diurno; / A noite me mete medo. / Dar-me-ei a ti / em nada mais do que sou. Veja mais aqui.

LA BARCA D’AMÉRICA – Tive oportunidade de assistir em 2000, no aconchegante Teatro Crowne Plaza, em São Paulo, à montagem da peça teatral La Barca D’América, do dramaturgo, escritor e comediante italiano Dario Fo, com direção de Herson Capri e Susan Garcia, um monólogo que conta a descoberta e a colonização da América, contada por um marinheiro italiano que naufraga na costa americana e é aprisionado pelos índios. O monologo acompanha a gradual mistura de cultura europeia com a nativa. Veja mais aqui e aqui.

LA FEMME DE CHAMBRE DU TITANIC – O drama La Femme de chambre du Titanic (A Camareira do Titanic, 1997), do cineasta e roteirista espanhol Bigas Luna (1946-2013), é baseado no romance homônimo de Didier Decoin, contando a história da de um casal, um trabalhador de fundição que é caso com a mulher mais bonita da cidade e ela é cobiçada pelo proprietário da fundição. Quando o marido ganha o bilhete para ver a navegação do Titanic, ele conhece uma linda jovem é uma das camareiras da embarcação. Essa jovem não tem onde dormir porque todos os hotéis estão lotados e ele concorda em partilhar o seu quarto, ela dormindo na cama e ele na poltrona. Contudo, no meio da noite ela tenta seduzi-lo e finda ele com uma foto dela e, ao regressar, ele é promovido e ao mesmo tempo encara rumores de envolvimento entre a sua esposa e o patrão. Torna-se um bêbado para afogar as mágoas, lembrando-se da camareira quando recebe a notícia do naufrágio. O destaque do filme fica por conta da belíssima atriz espanhola Aitana Sánchez. Veja mais aqui e aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Laudanum (1998), fotogravuras da artista australiana Tracey Moffatt - O título é uma ironia à droga láudano, usada no século XIX para acalmar os nervos femininos. 
Veja mais aqui, aqui & aqui.

DEDICATÓRIA
A edição de hoje é dedicada à escritora e compositora Ana Terra. Veja mais aqui e aqui.

TODO DIA É DIA DA MULHER
Veja as homenageadas aqui.


RAQUEL VARELA, OMAIMA AL-KHAMIS, OLIVE SENIOR & SANDRA RIBEIRO

  Imagem: Contornos da ubiquidade , da série Caosmose & O poema nasce do visinvisível - Acervo ArtLAM .   Ressaca aluada de panacei...