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sábado, julho 11, 2026

DRUMMOND, DAD SQUARISI, LENINE & STELLA MARIS REZENDE

 

Imagem: Acervo ArtLAM.


 

Interlúnio do inominado marupiara pé-frio... - Insosso não tinha nome, só sobrenome e duplo: os finados pais, Maria Combreia e Zé Caralâmpio, compuseram, às turras, o batizado: Caralâmpio Combreia; vingou-lhe o apelido desenxabido, colecionando remoques, outro Zé à toa. Isso há muito tempo, até tinha perdido as feições avoengas, desconhecia até então qualquer parentesco. Era amanhecido vistoso quando aventou, na curva da ideia, névoas oníricas, repisando pretéritos; se duvidava, segurou o espirro, escamoteava, acocorado matutando, tanto retardava coisas de sua, nem podia do dever. Cismava sozinho no mundo, ressuscitando olvidadices, o protelado na urgência da hora, irrespondível. Sentia-se viver noutras situações nunca vista, coisas estranhas que nem eram suas, de quem seria, ignorava; só que passava com ele, destá. Providenciou tirar a prova dos 9 fora e acelerou a ida. Foi a pé, mochila ao sovaco pendurada nos redondos ombros, água na moringa, toda pressa no dia arejado de um céu da rotina, pelo capinzal das ervas, a poeira do chão na areia dos pés, as alpercatas nos vestígios de passagens, as folhas e a passarada, sombreada jaboticabeira, as flores na brisa que vinha dos morros limítrofes, as moitas pelas nuvens dos arredores. Saboreava serelepe vasta fruteira farta pelas beiradas da estrada, ah, jaboticabas, chupava, se enchia. Subiu a serra, desceu o morro, esticou as orelhas: o ermo longe ia pelo demais. Deu em Catuama, o portão. Naquela instância as lápides, benzeu-se, cerrou os punhos, quanto tempo, nenhuma data, jaziam no sacrilégio do seu quase esquecimento. Deteve-se com gastura, tossiu seco, prosternado no primeiro batente, serôdio, soçobrava. Puxou do bisaco um par de velas, acendeu-as e o tempo amoitou nas escurezas de Deus, instantaneamente. Cegou paradeiro e um redemoinho medonho, danou-se! Aos giros, perdia-se, de cabeça pra baixo; de tanto rodar, foi jogado, estendido. Onde estou? Diante da Pedra Letrada: Já estive aqui? Parece. Deu fé de recorrentes anemoias: Será que só sou eu que tenho esses pantins, ou essa paranoia é geral? Cada qual sua loucura. Era seu paradoxo do ônibus: Vou ou não vou, lascou. Viu-se aos trocentos pedaços, desassossegado. Coçava a palma da mão: Sarna da moléstia, essa; será que estou com mau-olhado? Subitamente a coisa mudou de figura: o céu atroou, trovões ribombaram aos raios e o diabo pintou assombração. Estarrecido, comediu-se. O chio das coisas. Era o tempestuoso Bicho do Vau: Leia! Lufadas de tornado iminente. E agora? Leia, vá! A ameaça, o alerta. O prenúncio de um ciclone, já quase tragado e alguém o puxou pela beca. Volteava desgovernado, derreou. Pisou o chão ignorado, apaziguou-se e, ao levantar a vista, outro susto, de escorregar desajeitado em fuga afora. Peraí. De novo? Torou aço, um frio na coluna, arrepiou-se: Ave! Era gente ou bicho mesmo? Sou teriana! E fala? Vamos, aqui não é seguro. Hem? Vem logo! Foram rasgando matadentro: ela ágil rojava aos voos pelos galhos e troncos, ele amedrontado seguindo-a, aos pinotes, pés na bunda. Deram numa clareira e ela atrepada, na copa dum eucalipto gigante, gesticulava, como sinais de avisos aos apitos e guturais. Obrigou-o a esconder-se. Refugiou-se no medo e esperou arfante. Logo apareceram muitos outros seres esquisitos: Que é que é isso? Ela desceu ladina: Venha, são aliados. Aí foi tomando pé do que pra ele era maior bizarrice, uma tropa interminável de furries, kingêneros, queers, cosplays, goblincores e otherkins - fadas, goblins, elfos e duendes, mesmo? -, licantropos, vampiros, nefilins, nunca tinha visto do tanto, ora. Mais tulpamancistas, zentais, otakus, kawaiis, clowncores divertidos, pastafarianos da Igreja do Monstro do Espaguete Voador, haul girls, biohackers – Eita! Gente com antena na cabeça, smartwatches, pitocos nos dedos -, vaporwaves, neo-tribalistas, plankings, Barbies e GothLolis, tecktoniks, sílfides, ironistas – Ué, passadores radicais de roupa? -, esportistas de quadribol, skinheads, hardcore punks, metaleiros, grunges, emos, bod-mods – Vôte! Tem até com implantes de chifres, língua bífida, tatuagens e piercings! -, sneakerheads, caçadores de fantasmas, dândis, fetichistas, colecionistas estranhos – do tipo colecionador de escova de dentes usada, avalie -, sugestionados, adeptos da pneuteologia, sobreviventes afetivos, retrôs – preservacionistas do passado, pode? -, imperadores das cócegas, mergulhadores de lixeira, fashionistas, Toy Voyagers, fantasistas disfuncionais, delirantes, disforistas, paleoterios, fictórios, teriomíticos... Deu o créu! Havia quem incorporasse o Kholstomér do Tolstói, ou o urso-polar da Tawada, o polvo da Despret, a sardinha do Bill François, maior piração! Seria coisa de outro mundo que estava metido ou falseamentos, tudo perdido, modelos com figurinos excêntricos, cada qual mergulhados na sua sandice, ora! Boba da peste! Plantassem batatas, penteassem macacos, lambessem sabões nos seus folguedos exóticos, dislates, tinha de tudo! Eita, pêga! Logo um boi solene mugia Guimarães Rosa: O homem é um bicho esmochado, que não devia haver. Depois recitava o de Drummond quando se deparava com humanos. E lá estavam Quidim & marquês Rabicó, quem Orlando de Woolf, o furacão da Hilda, as diminutas criaturas de Lilipute de Swift, quem falasse do Magnum Opus nos portais de Tlön, do Mutus Liber, do poema celta do Graal, de Atlântida, até personagens de Arantza Sestayo. Quem? Que carnaval é esse? Agora sabia: bicho gente é um bocado de doidices arrodeado de perigo por todos os lados. Céus, em que fui me meter? À caça, aos gritos, muitos correram, alguns pouquíssimos ficaram. Tremia: Pronde foram? Caçar, já já voltam pra comilança, fica aí. Ela tinha ido com os outros, hem hem. Sozinho cismou: Com certeza era mais fácil entender a razão áurea ou a sequência de Fibonacci, do que sacar maluquice dessa. Não dava pra entender essa gente. Com o tempo foi se acostumando, quase pariceiros íntimos. Ela retornou da caça com os que foram e sorria na chegada. Aí ele virou-se do lado, ao mais próximo, puxou conversa para enturmar-se: Como é mesmo o nome dela? Sei-que-lá-de-tal! Fodeu! Ouvindo a conversa, ela soletrou: Meu nome é N-o-no-r-i-ri-e-l-a-la, Noriela Hentai, euzinha aqui, muito prazer, de novo! E o seu? Ih!... Ela riu-se do insípido, contida. É mesmo? Alcunha. E como se chama de mesmo? Uh!... Gracejou irônica: Também, com um nome desse, melhor o pseudônimo! Quem fala, ó, e o seu, hem? Acomodou-se relaxado ao lado dela e matutou consigo: Ela é coisa de bicho da muita estimação, maior xerimbabado, cheia das amorosidades. Mesmo insólita, a alma dela conjugava certinho com a sua, airosa no seu jeito peculiar, toda sacudida, dócil, os dentes de fora, recheada de franqueza e amabilidades. Diante dela todo inédito ímpeto, precipitava-se, saltava aos olhos, timidez dele apreciou, aliás e talvez, conjugou o verbo direitinho, zelava por ela, tomava conta, ela destinatária, ele insulso encurralado respeitoso, premente. Era o que podia fazer ali. Embevecia-se aos palmos dela, o traje, o quiasma: zilhões de anos-luz do seu sorriso, ô garapa boa! Cabeça sempre ocupada com chamegos de xodó, pouco importando se de segunda mão. Pronde vocês estão indo? Pra Pasárgada. Fazer o quê lá? Somos amigos do rei! Como assim? Ciclones devastadores se anunciam prenunciando um gigantesco tufão! O quê? Vem com a gente! Quando? Depois do repasto a gente vai zarpar, no certo, o mundo está ficando inabitável! O quê? Ora, você não sabe? Não. Vamos encher a pança logo, depois explicarei. Para quem desdenhava agouros, abolia crendices e conspirações extravagantes, estar ali no meio de tão tribais tão diversos, dava-lhe a impressão de já ter vivido ou sonhado com aquilo. Será? Além do mais: o que Deus num quis, não se deve dar ao diabo, né! Se revivia ou ressonhava, não sabia se por serendipidade entusiasmada ou desdita amaldiçoadora, só saberia no depois qual. A bem dizer, decerto, suspeitou do havido, encardiu-se, às pausas, comprava fiado o futuro. Um lampejo e decidiu-se: Vou virar bicho! Seria mais uma vazada das quantas jornadas, vezes quisesse até nenhum enfim. Já era tarde, oxe, ela partiu com muitos. Ih! Foi? Foi. Apartou-se, a ideia nascia do absurdo fortuitamente encadeada com movimento do impalpável e da ausência dela ali compondo silêncios ensurdecedores. Hem, hem. Néscio, afeiçoou-se dela à socapa e uma saudade arroxeava já dentro dele: Seria ingrata ao tanto da desconsideração, em paga devagar, sem socorro à vista, como se o dia de anteontem não passasse desde ontem até agora, o quanto pudesse suportar de se doer, mais condoía! Não era mais Pernambuco dali por diante, outro lugar que não sabia, era capaz de ser doutra banda desconhecida, uma confusão dentro de si. E ela já tinha ido, ficava só com os outros desapegados, afora o repuxo tristonho da ausência dela. E se ali o verão era longo, o inverno seria pior, precavia-se. Como proceder: este mundo dá medo, as leviandades, o verossímil, o abandono, as sobras, aos desperdícios, ninguém está a salvo, tudo do contra, a dor das coisas retine seu ricocheteado na gente mesmo. Aí desancou-se de todo, por enquanto, episódio custoso aquele, meios vãos, só faltava sair puxando a venta alheia a cada motejo pela feiúra. Cadê-la! Abscônditas evocações suas. Ela escapuliu furtiva, foi-se o que era doce. Devia a vida a ela, fujona, creditava. Roía-se por dentro, macambúzio, o que havia avinagrado em demasia sua existência tão pantagruelicamente. Ainda não seria daquela vez, que pena. Pesaroso: Era provável que as desventuras fosse só um brinquedo da sorte, era a vida e suas consequências. Reconhecia a exatidão da tristeza: Mas por quê? O futuro trazia respostas aos pouquinhos, o que haveria de vir? Por derradeiro a áspera, bis e tris, quantos mais à infinitude, dava baixa, até que a morte astuta viesse à tona das perpetuidades. Ficava o escrito pelo não dito: perdia o coração no mal resolvido. Não havia prazo pras descobertas, bastava o momento entroutros e pronto, se desvelando aos pouquinhos, o esmiuçado, só nas tristecências, o comum. Revivescente marupiara, quem dera. Ouviu longe: Vai ficar aí quarando com a morte da bezerra, ou vem com a gente! Hem? Até mais ver.

 

Vladimir Maiakóvski: Antigamente, eu acreditava que os livros eram feitos assim: um poeta chegava, entreabria os lábios e o tolo inspirado irrompia em canto — vejam só! Mas parece que, antes de poderem lançar uma canção, os poetas precisam caminhar por dias com os pés calejados, enquanto o peixe lento da imaginação se debate suavemente na lama do coração. E, enquanto eles cozinham um caldo de amores e rouxinóis ao som de rimas que chilreiam, a rua muda apenas se contorce, na falta de algo para gritar ou dizer... Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

Espido Freire: E sempre fora assim. Ninguém dava muita atenção... Na verdade, ninguém ouvia ninguém... Escrevemos e lemos para fugir, para viajar além dos nossos meios... Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

Denise Stoklos: Não dá pra fazer nada pela metade ou por três quartos ou um tanto ou se proteger de entregar. A entrega tem que ser cem por cento, que grau estiver você dos seu cem por cento. Ela tem que ser os cem por cento que você tenha... Veja mais aqui, aqui & aqui.

 

UM BOI VÊ OS HOMENS

Imagem: Acervo ArtLAM.

Tão delicados (mais que um arbusto) e correm \ e correm de um para outro lado, sempre esquecidos \ de alguma coisa. Certamente, falta-lhes \ não sei que atributo essencial, posto se apresentem nobres \ e graves, por vezes. Ah, espantosamente graves, \ até sinistros. Coitados, dir-se-ia não escutam \ nem o canto do ar nem os segredos do feno, \ como também parecem não enxergar o que é visível \ e comum a cada um de nós, no espaço. E ficam tristes \ e no rasto da tristeza chegam à crueldade. \ Toda a expressão deles mora nos olhos — e perde-se \ a um simples baixar de cílios, a uma sombra. \ Nada nos pelos, nos extremos de inconcebível fragilidade, \ e como neles há pouca montanha, \ e que secura e que reentrâncias e que \ impossibilidade de se organizarem em formas calmas, \ permanentes e necessárias. Têm, talvez, \ certa graça melancólica (um minuto) e com isto se fazem \ perdoar a agitação incômoda e o translúcido \ vazio interior que os torna tão pobres e carecidos \ de emitir sons absurdos e agônicos: desejo, amor, ciúme \ (que sabemos nós?), sons que se despedaçam e tombam no campo \ como pedras aflitas e queimam a erva e a água, \ e difícil, depois disto, é ruminarmos nossa verdade.

Poema do escritor Carlos Drummond de Andrade (1902-1987), considerado o mais influente poeta brasileiro do século 20. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

 

A FILHA INJUSTIÇADA, DE STELLA MARIS REZENDE

Me inspirei na história verídica de uma mocinha de 15 anos, de Dores do Indaiá, que foi internada à força no Hospital Colônia de Barbacena. Motivo: Não concordava em trabalhar escondida dos fregueses do armazém do pai machista, violento e cruel. Maria da Soledade era obrigada a trabalhar no galpão, cuidando do estoque, carregando peso, sem receber nada, enquanto os três irmãos trabalhavam na loja em frente à rua, e recebiam salário. Ela queria ser respeitada, só isso.

Depoimento da autora sobre o seu recentemente lançado e elogiado romance A filha injustiçada (Faria e Silva, 2026), da premiada escritora e atriz Stella Maris Rezende, mestre em Literatura Brasileira pela UnB, que participa de feiras literárias e ministra a oficina Letras Mágicas. Ela é detentora de 4 prêmios Jabuti, afora outras tantas premiações de sua exitosa carreira. Ela concedeu uma entrevista exclusiva pra gente, falando de sua trajetória, seus livros publicados e estudados no meio acadêmico, da Fada da Palavra, da Oficina Letras Mágicas e de suas perspectivas literárias. Confira a entrevista aqui.

 

ESCREVER É MANDAR RECADO - Redigir é técnica. Pode ser aperfeiçoada. Nem sempre a atração reside no que você diz. Mas no jeito de dizer. Uma frase particularmente elegante, capaz de veicular com clareza e simplicidade a mensagem que você quer transmitir, é conquista pessoal, exercício diário de desapego e humildade. [...] Os segredos do estilo mais eficiente podem ser resumidos em dez preceitos. UM - Seja natural: fique à vontade. Imagine que o leitor esteja à sua frente. Converse com ele. Não fale difícil. Espaceje suas frases com pausas. Confira ao texto um toque humano. Você está escrevendo para pessoas. DOIS - Vá direto ao assunto: não enrole. Comece pelo mais importante. E comece bem, com uma frase atraente, que lhe desperte o interesse e o estimule a prosseguir a leitura. No final, dê-lhe o prêmio – um fecho de ouro, como inesquecível sobremesa a coroar um lauto almoço. TRÊS - Use frases curtas: a pessoa só consegue dominar determinado número de palavras antes que os olhos peçam uma pausa. A frase muito longa dá trabalho, confunde. Por isso, use sentenças de, no máximo, uma linha e meia. Lembre-se: uma frase longa nada mais é do que duas curtas. QUATRO - Prefira palavras breves e simples: vocábulos longos e pomposos funcionam como cortina de fumaça entre você e o leitor. Seja simples. Entre duas palavras, prefira a mais curta. Entre duas curtas, a mais simples. Em vez de falecer, escreva morrer; em lugar de somente, só; de matrimônio, casamento; de féretro, caixão; de morosidade, lentidão. CINCO - Ponha as sentenças na forma positiva: diga o que é, não o que não é. Quer exemplos? “Não ser honesto” é “ser desonesto”; “não lembrar” é “esquecer”; “não dar atenção” é  “ignorar”; “não comparecer” é “faltar”; “não pagar em dia” é “atrasar o pagamento”. SEIS - Opte pela voz ativa: ela é mais direta, vigorosa e concisa que a passiva (a passiva, como o nome diz, parece sem força, desmaiada). Prefira “um raio provocou o blecaute” a “o blecaute foi provocado por um raio” SETE - Abuse de substantivos e verbos: escreva com a convicção de que no idioma só existem essas duas classes de palavras. As demais, sobretudo adjetivos e advérbios, devem ser usadas com a sovinice do Tio Patinhas. Na dúvida, deixe-os pra lá: (Normalmente) ao escrever textos (informativos), use substantivos (fortes) e verbos (expressivos). OITO - Seja conciso: não diga nem mais nem menos do que você precisa dizer. Cultivar a economia verbal sem prejuízo da completa e eficaz expressão do pensamento tem dupla vantagem. Uma: respeita a paciência do leitor. Outra: poupa tempo e espaço. NOVE - Dê clareza às citações: dificultar a compreensão do texto é colocar uma pedra no caminho do leitor. Para quê? Facilite-lhe a vida. Nas declarações longas, não o deixe ansioso. Identifique o autor imediatamente antes da citação ou depois da primeira frase. [...] Nas declarações curtas, identifique o autor no começo ou no fim da fala: “Toda questão tem dois lados”, escreveu Pitágoras. DEZ - Escolha termos específicos [...]. Trechos do artigo Dez ideias úteis para usar a palavra escrita com clareza e eficiência (FilosofiaEsotérica, 2026), da escritora e professora libanesa Dad Squarisi (Dad Abi Chahine Squarisi – 1946-2923), autora do livro Dicas da Dad: português com humor (Contexto, 2003), Mais dicas da Dad: português com humor‎ (Contexto, 2003), Deuses e heróis - mitologia para crianças (LGE, 2004), Manual de redação e estilo para mídias convergentes (Geração, 2011), Sete pecados da língua (Contexto, 2017), entre outros.

 

A ARTE DE LENINE

(Imagem: Alexandre Loureiro/Getty Images)

[...] Não tenho a mínima ideia nem ouso descrever quem é o ser humano contemporâneo. Agora, diante da contemporaneidade em que estou inserido, existe uma constatação para mim que é clara, cristalina: é uma desconstrução da realidade. Isso me causa espanto, porque, não por acaso, a primeira música do disco "Eita" vai nesse tema, da confiança. Nós perdemos a confiança. E isso é um problema, eu acho. Na minha formação, fui educado a confiar na pessoa. Se não conheço alguém, eu confio nela, até que me provem o contrário. Hoje é completamente o oposto. Hoje a gente vive numa época de dissimulação. As pessoas não têm o mínimo escrúpulo, não têm a mínima educação. Falam uma coisa, pregam essa coisa, mas agem de forma oposta, completamente oposta. É muito dissimulado, é muito mentiroso o que a gente está vivendo hoje em dia. É como se a gente tivesse voltado a uma certa Idade Média, desacreditar das coisas que a gente já tinha conquistado. Não sei quem é esse ser humano contemporâneo. Torço para que ele tenha uma tomada de consciência e volte a escolher um caminho do bem comum. [...].

Trecho da entrevista Eita! Uma conversa com Lenine sobre o espanto, o tempo e o futuro (Fast Company Brasil, 2026), concedida pelo premiadíssimo cantor, compositor, arranjador, multi-instrumentista, letrista, ator, escritor, produtor musical, engenheiro químico e ecologista, Lenine (Oswaldo Lenine Macedo Pimentel), autor de mais de 500 canções, 9 álbuns de estúdios e 4 álbuns ao vivo e em vídeo. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.


 

MÚSICA: CRIANÇA - O Brincarte do Nitolino conta e canta hestórias para o público infantil e infanto-juvenil, ofertando, ainda, conteúdos de Literatura, Psicologia, Educação, Direito, Teatro, Música, contação de histórias, brincadeiras, artes dos estudantes e uma agenda de recreações, oficinas e palestras para a área. Confira a música & letra Criança & muito mais aqui.

 


TEATRO: HISTÓRIA & AUTORES / DE PALMARES (PERNAMBUCO) PRO MUNDO – No Música, Teatro & Cia um estudo sobre o que é o teatro, abordando a história desta arte milenar, desde os primórdios até a contemporaneidade, destacando autores e peças teatrais, bem como uma abordagem sobre os movimentos no decorrer dos séculos, destacando, sobretudo, a arte no Brasil, em Pernambuco e Palmares, com extensa indicação bibliográfica. Confira clicando aqui.

 


PESQUISA & CIA – No Pesquisa & Cia reflexões de célebres personalidades por meio de suas obras, pensamentos e feitos sobre temas que vão desde das Neurociências, passando por ativismo, injustiça, crise climática, sustentabilidade, violência, ecofeminismo, simbiossexualidade, entre tantos outros, que constituem o debate contemporâneo. Confira aqui.

 


REUNIÃO SETIGONAL – Levado pela provocação dos criadores Admmauro Gommes, José Durán y Durán e Cícero Felipe, cometi alguns setígonos. Gostei. E quando vi uma penca de gente da melhor cepa cultuando e dando pitaco acerca dessa novidade poética, não me fiz rogado e soltei o verbo. Quer saber como é que o setígono? Ora, confira aqui.

  

E veja mais Pernambuco aqui.

 


domingo, setembro 14, 2025

NOÉMIA DE SOUSA, PAMELA DES BARRES, URSULA KARVEN, SETÍGONO & MARCONDES BATISTA

 

Imagem: Acervo ArtLAM.

Ao som dos álbuns Sempre Libera (Deutsche Grammophon, 2004), Violetta - Arias and Duets from Verdi's La Traviata (Deutsche Grammophon, 2005), Verdi’s La Traviata (Deutsche Grammophon, 2006), The Opera Gala (Deutsche Grammophon, 2007) & Anna Netrebko Live At The Metropolitan Opera (Deutsche Grammophon, 2011), da soprano russa Anna Netrebko (Anna Yuryevna Netrebko). Veja mais aqui.

 

Reiteramentos setigonais: só a poesia torna a vida suportável!... - O fim foi anunciado na escatologia da contemporaneidade, detectado pela frase de Theodor Adorno: Depois de Auschwitz, a poesia não é mais possível! Ninguém mais poderia olvidar nem mesmo ficar indiferente à barbárie e o que já vinha desde o século 19, convencionando-se que o poema, depois de Mallarmé, era um inevitável fracasso, uma obra falhada. Em meados do século 20, na Die Panne (A Pane – uma história ainda possível) de Dürrenmatt, a indagação: Existem ainda histórias possíveis? – e a obra foi adaptada para o cinema com o título La più bella serata della mia vita (ou seja, A mais bela noite de minha vida), dirigido pelo Ettore Scola. E o tempo passou, como dizia Mário Faustino, neste mundo infame como ainda é o nosso. O estardalhaço das mortíferas bombas deixou escapulir o recado de Apollinaire: a de que a função social do poeta era renovar incessantemente a aparência de que se reveste a natureza aos olhos dos homens. E acompanhado de um puxão de orelha do Ernst Fischer: a função da arte é abrir portas fechadas. Aí Salman Rushdie pegou pesado: É a função do poeta: nomear o inominável, apontar as fraudes, tomar partido, despertar discussões, dar forma ao mundo e impedir que adormeça. Estávamos em plena guerra fria e atravessando sucessivas crises capitalistas, até nos deparar com a tão fartamente anunciada pandemia. Nessa barafunda toda, eis que surge o Setígono! E o que é isto? Apesar de novíssimo - só tem 5 aninhos e uma antologia festejada pela Noi Soul -, há uma vastíssima definição. Veja-se: para o cocriador Admmauro Gommes é um poema formado por 7 versos: um novo mundo criado em 7 dias. Para outro cocriador, Cicero Felipe: poema perfeito. Já para outros participantes do modelo poético, como Pedro Henrique: transcende a vida. Daí por diante, para Wilson Santos: uma obra de arte! Mari Rima o definiu como: uma arte viva terapêutica, em sete doses sem contraindicação, além de unir povos. Sylvia Beltrão: vacina e cura; Ivon das Aldeias: é ser no presente: o passado e o futuro; Caio Vitor Lima: um exercício complexo de metalinguagem; Enoque Gabriel, o Lorde Égamo: uma constelação brilhante com sete notas musicais, sete fôlegos de felino, sete astros brilhantes no espaço poético sideral – inclusive, ele está lançando um livro com e sobre o tema. Para Adailton Lima: é vida que pulsa, um mundo em sete versos. Para Pamella Emanuella: uma reinvenção exibindo não só poesia e forma, como também uma filosofia implícita. Já no dizer de Romilda Andrade: é a criação e resposta perfeitas para o nosso tempo, uma vez que o leitor, ao decodificá-lo, imprime suas sensações e denota para si o significado. Doutro modo expõe Patuska Quokka: instiga diálogos poéticos, oferta inúmeras possibilidades para inspirações a revigorar o sentir, o criar e o idioma. Na ótica de Rosa Custódia: conecta corações, tantos corações apaixonados. Na definição de Hanna da Hora: sempre pede bis! E Carlos Roberto alerta: Leia com atenção! Aí a Maria de Lourdes Joana Ribeiro saúda: é bom, muito bom, é muito bom setigonar. E na visão da designer gráfica do livro Setigonando a vida, Ana Luisa Monteiro: é o imagético em 7 pedaços, o vermelho nas extremidades realçando as cores do arco-íris na bandeira pernambucana. Enfim, sintetiza o cocriador Durán: uma festa, um vulcão em erupção! Daí o convite da Jaque Monteiro: Vamos setigonar, esse brasileirinho ousado! – ela também está lançando, em parceria com a Noi Soul, um livro com diversas formas de setígonos: fractal, prosa setigonal e o sui gêneris. (E só para constar: já são cometidas variadas tipologias setigonais, como o concatenado, o maior, o de rima única, o cruzado, o concatenado fechado, e por aí vai). Em resumo: um eflúvio num mundo entre a pandemia devastadora, a iminência de uma estúpida 3ª guerra mundial e a reboque do letal domínio de capital caprichoso do zilionário umbigocentrismo mercadológico. Cabum! Ou seja: pelo visto, parece mais atrevido ramo de pujante florzinha brotando serelepe numa rachadura tumular de asfalto bruto. Tá. E eu digo: Néstogas! (outra invenção do AG). Sim e digo deixando de pacutia e passando a régua, a reiterar: Antes do Fiat Lux havia apenas néstogas! E por isso tive de vivenciar uma iniciática condução alquímica pelo Graal na Tábua de Esmeralda do Corpus Hermeticum, alinhando os planetas à luz dos princípios matemáticos das mônadas e cheguei à conclusão: o setígono é mesmo néstogas! – o que foi, é e será mutuamente progressivo em número, grau e gênero! E é um enigma cabalístico: 2*5&5*7 - Dois versos saltam do escuro. Cinco emoções exorcizam as dores. Eis as sete razões pro poema salvar sua vida! Até mais ver.

 

Judith Schalansky: Ao escrever, assim como ao ler, uma pessoa pode escolher seus próprios ancestrais e estabelecer uma segunda linha hereditária intelectual para rivalizar com a herança biológica convencional... A escrita não pode trazer nada de volta, mas pode permitir que tudo seja vivenciado.... Veja mais aqui & aqui.

Anna Deavere Smith: Cada pessoa tem uma literatura dentro de si... Este momento se insere na tradição da poesia e da arte de protesto que remonta a séculos. Espero que essa dor leve a belas obras de arte... Veja mais aqui, aqui & aqui.

Tamika Mallory: Estamos em estado de emergência... Veja mais aquí.

 

SÚPLICA

Imagem: Acervo ArtLAM.

Tirem-nos tudo, \ mas deixem-nos a música! \ Tirem-nos a terra em que nascemos, \ onde crescemos \ e onde descobrimos pela primeira vez \ que o mundo é assim: \ um labirinto de xadrez… \ Tirem-nos a luz do sol que nos aquece, \ a tua lírica de xingombela \ nas noites mulatas \ da selva moçambicana \ (essa lua que nos semeou no coração \ a poesia que encontramos na vida) \ tirem-nos a palhota  ̶ humilde cubata \ onde vivemos e amamos, \ tirem-nos a machamba que nos dá o pão, \ tirem-nos o calor de lume \ (que nos é quase tudo) \ - mas não nos tirem a música! \ Podem desterrar-nos, \ levar-nos \ para longes terras, \ vender-nos como mercadoria, \ acorrentar-nos \ à terra, do sol à lua e da lua ao sol, \ mas seremos sempre livres \ se nos deixarem a música! \ Que onde estiver nossa canção \ mesmo escravos, senhores seremos; \ e mesmo mortos, viveremos. \ E no nosso lamento escravo \ estará a terra onde nascemos, \ a luz do nosso sol, \ a lua dos xingombelas, \ o calor do lume, \ a palhota onde vivemos, \ a machamba que nos dá o pão! \ E tudo será novamente nosso, \ ainda que cadeias nos pés \ e azorrague no dorso… \ E o nosso queixume \ será uma libertação \ derramada em nosso canto! \ - Por isso pedimos, \ de joelhos pedimos: \ Tirem-nos tudo… \ mas não nos tirem a vida, \ não nos levem a música!

Poema da escritora, jornalista, tradutora e ativista política moçambicana Noémia de Sousa (Carolina Noémia Abranches de Sousa Soares – 1926-2002), autora do livro Sangue Negro (2001), condensando a sua produção poética de 1948 a 1951.

 

VIVER A VIDA – [...] Tive que lutar essa batalha como se estivesse em um ringue de boxe — com o público e a imprensa... e ainda sou chamada de vagabunda... [...] Eles definitivamente me veem como uma mulher empoderada fazendo o que queria fazer contra todas as probabilidades naquela época... [...]. Trechos da entrevista How Pamela Des Barres Finally Transcended ‘The Band (Los Angeles Magazine, 2025), concedida pela escritora, atriz e musicista estadunidense Pamela Des Barres (Pamela Ann Miller), autora do livro de memórias I'm with the Band: Confessions of a Groupie (1987), no qual detalha suas experiências na cena musical dos anos 1960 e 1970, em que atuou produzindo os GTOs, grupo de música experimental de Frank Zappa. Ela também publicou outro livro de memórias, Take Another Little Piece of My Heart: A Groupie Grows Up (1993), inspirando o filme Almost Famous (2000), de Cameron Crowe. É autora de outras obras como Rock Bottom: Dark Moments in Music Babylon (1996); Let's Spend the Night Together: Backstage Secrets of Rock Muses and Supergroupies (2007) e Let It Bleed: How to Write a Rockin' Memoir (2017). Veja mais aqui & aqui.

 

A VIDA AOS 50... – [...] Adoro novos desafios e cresço com eles... [...] Nasci assim, com um forte senso de perfeccionismo. Por outro lado, tenho a capacidade de me perder completamente na natureza. Quando estou na floresta, realmente sinto meu eu interior. É uma mistura de alta aspiração e completa modéstia... [...] Um dos meus objetivos é ajudar a fazer a diferença na educação de meninas em outro país. Quero me envolver em uma organização beneficente que se concentre na educação feminina, porque a educação é o bem maior. É muito importante.... [...] Eu celebro minha vida e todos que fazem parte dela. Só quero agradecer a todos que viajaram comigo ao longo dos muitos anos... [...] Eu sempre tento aproveitar ao máximo minha situação e entender a mensagem. Sempre há uma mensagem. [...] Trechos recolhidos da entrevista (Discover Germany, Switzerland and Austria), concedida pela escritora, atriz e modelo alemã Ursula Karven, autora dos livros Yoga für die Seele (2003), Sina und die Yogakatze (2005), Das große Babybuch (2006), Das große Schwangerschaftsbuch (2006), Sinas Yogakatze und der singende Weihnachtsbaum (2007), Yoga für Dich (2007), yoga für dich und überall (2007), Yoga del Mar – Power Yoga II (2009), Mein Kochbuch für Kochmuffel (2011) e Loslassen Yoga-Weisheiten für dich und überall (2013).

 

AULA-ESPETÁCULO DE MARCONDES BATISTA

Neste 16 de setembro, das 14 às 17h, o IbaValeUna promove a Oficina de Desenho & Pintura – aula-espetáculo gratuita com o artista Marcondes Batista. Imperdível. Veja mais aqui, aqui & aqui.

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SEMINÁRIO MALUNGUINHO & CATIMBÓ NA JUREMA

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segunda-feira, fevereiro 03, 2025

TUNGA, ALICE WALKER, JOHAN ROCKSTRÖM, ÅSNE SEIERSTAD & SETÍGONO

 

Ao som do álbum Pacífico (YB Music, 2022), da flautista, clarinetista, arranjadora e compositora, Aline Gonçalves, que é bacharel em flauta pela UniRio, licencianda em música pela UFRJ e pós-graduada em Educação Musical pelo Conservatório Brasileiro de Música. Ela integrou o Camerata Brasilis, criou a Escritas Musicais de Mulheres Brasileira (EMMBRA) e participou da fundação do Coletivo Essa Mulher.

 

Setígonos no toitiço & na caixa do espinhaço... - Já fiz os meus, uns 3 em 23. Aí revisei, corrigi, ajeitei e agora ficaram tinindo! Acho que vou cometer uns 4 pra fechar a conta. Gostei. É muito legal. Aí você pode, então, perguntar que escambau da rotônica é esse tal de setígono!?! Pra começo de conversa pode ser néstogas! Não é conversa mole nem mijando fora do caco: dá no mesmo! Ora, ora! Reitere: que raio de coisa é essa, meu? E um triz passou de relance, vupt! Ah, então vou fincar pé pra sapecar abelhudice esmerada. Como assim? Meta bronca! Lá vai: é que pode ser a representação dos Amesha Spentas do Zaratustra, ou os escorpiões da guarda pessoal de Ísis. Nossa! Hum-hum. Afiando o chute e o pé na jaca: pode fazer referência ao símbolo da vida eterna de Osíris, ou sobre os sábios da Grécia. Como é que é? Tô enrolando não, veja: também as causas aristotélicas das ações humanas, as paixões de Descartes, as propriedades da matéria, o Plano de Fano, até mesmo a progressão geométrica do papiro de Ahmes ou Rhind! O quê? Sim, claro! Ou o desafio do puzzle do simples de Will Shortz ou, ainda, o manifesto das artes de Ricciotto Canudo! Não? Sim! Pode representar o Universo, ou a Perfeição Sagrada, os princípios teosóficos humanos, as pontes de Konigsbertg, as ilhas do Arquipélago dos Açores, as pétalas de uma rosa do deserto de Cristata ou de Tripla, ou mesmo as cabeças da Hidra de Lerna! Danou-se! Ih! Aí arreio a lenha na maior cipoada: pode guardar referência com as virtudes, os ofícios, a semana, as maravilhas do mundo, os mares, as cores do arco-íris, as notas musicais, os chakras metafísicos, as glândulas endócrinas, os hormônios, os verdadeiros sentidos, ou os anos de perdão para quem rouba ladrão! Vixe! Ou mesmo as cabeças do bicho, os pés da fuga, o quarto número primo, as chaves que fecham, os palmos abaixo da terra, a conta dos domingos pro carnaval ou da mentira, as pedras da mão! Sai pra lá!... Evidentemente como os anões da Branca de Neve, as vidas dos gatos, os fantasmas da torre, a bota das léguas, ou mesmo pintar o número ou dar aqueles pulinhos da sorte! Né, não? Era só o que faltava! Agora deu! Fui fundo, num foi? Nada. Pois é. Aí, você ainda não sabe: levei na lata um volume com teorizações feitas por Admmauro Gommes, José Durán y Durán e Cícero Felipe, mais Sylvia Beltrão, Caio Vitor Lima, Romilda Andrade, Pamella Emanuella Gomes de Lima, Wilson Santos, Kevelly Kassandra, Neilton Lins, Libene Tenório, João Constantino Gomes Ferreira, e que parece lançado nacionalmente online com Pedro Henrique, Aparecida Villas Bôas, Davi Motta, Tony Antunes, Adriano Sales, Zé Ripe e Inaldo Soares, juntando tudo pra Primeira Antologia de Setígonos, reunindo mais: Chirles Oliveira, Hanna da Hora, Carlos Onkowe, Patuska Quokka, Ivon das Aldeias, Rosa Custódia, Aureliano Gomes Simões, Renato Lemos Chagas, Adeilsonpoetapinto, Lorde Égamo, Adailton Lima e Noi Soul. Eita pau! Gente como a praga! O negócio é sério! E eu? Ah, cometi uma arte setigonal usando pigmentos naturais com acrílica num canson. Foi, ficou legal! Afora isso, dos que fiz pro que ainda vou fazer, na torcida aos aplausos pela festa geral de fevereiro & vamos aprumar a conversa! Até mais ver!

 

Maruja Torres: A maioria das pessoas tende a repensar sua trajetória de vida todo dia 1º de janeiro, mas essa vestimenta treme com o bom tempo... Veja mais aqui & aqui.

Tawakel Karman: Paz não significa apenas acabar com as guerras, mas também acabar com a opressão e a injustiça... Veja mais aqui & aqui.

Amy Lowell: O ódio é como bicos de abutres vorazes descendo sobre um lugar de crânios... O estigma da estranheza é o preço que um mundo míope sempre cobra da genialidade... Veja mais aqui, aqui & aqui.

 

DOIS POEMAS

Imagem: Acervo ArtLAM.

DESEJO - Meu desejo \ é sempre o mesmo; onde quer que a Vida \ me deposite: \ quero enfiar meu dedo do pé \ e logo meu corpo inteiro \ na água. \ Quero sacudir uma vassoura grossa \ e varrer folhas secas, \ flores machucadas, \ insetos mortos \ e poeira. \ Quero cultivar \ algo. \ Parece impossível que o desejo \ às vezes possa se transformar em devoção; \ mas isso aconteceu. \ E é assim que sobrevivi: \ como o buraco \ que cuidei cuidadosamente \ no jardim do meu coração \ criou um coração \ para preenchê-lo.

ELA - Ela é quem \ vai notar \ que o primeiro boca-de-leão \ da primavera \ está \ florescendo; \ Ela é quem \ vai contar a piada mais \ engraçada \ e \ complicada. Ela é quem vai te surpreender \ ao saber a diferença entre nabos e couve; \ e entre biscoitos e scones. \ Ela é quem sabe onde te levar para dançar \ ou onde a comida e a decoração \ do restaurante não podem ser perdidas. \ Ela é quem é santa. \ Ela é quem se reserva o direito \ de se vestir como uma vagabunda. \ Ela é quem te leva para fazer compras; \ Ela é quem sabe onde as melhores roupas são compradas baratas. \ Ela é quem aquece sua casa com sua fragrância; \ aquela que traz música, magia e alegria. \ Ela é quem fala a verdade do seu coração. \ Ela é quem está na cabeceira do casamento, \ funerais ou divórcio de todas as melhores pessoas \ que você ama profundamente. \ Ela é quem tem coragem. \ Ela é quem fala sua mente brilhante; \ Ela é quem encoraja jovens e velhos a fazerem o mesmo. \ Ela é a que está na linha de piquete, na barricada, \ na prisão, na cadeia; \ Ela é a que está lá. \ Se eles vierem atrás de mim \ e eu estiver na casa dela, \ sei que ela vai me esconder. \ Se eu contar a ela onde escondi meu coração, \ ela vai ficar.

Poemas da premiada escritora e ativista estadunidense Alice Walker. Veja mais aqui, aqui, aqui & aqui.

 

DUAS IRMÃS – [...] ponderou sobre a natureza da guerra. Todos tinham certeza de que tinham direito à terra e os outros deveriam ser forçados a sair. Que eles tinham Deus do seu lado enquanto os outros estavam em conluio com o diabo. Todos acreditavam que possuíam a verdade, e todos pareciam sedentos por sangue. [...]. Trecho extraído da obra Two Sisters: A Father, His Daughters, and Their Journey into the Syrian Jihad (Farrar, Straus and Giroux, 2019), da escritora e jornalista norueguesa Åsne Seierstad, que na sua obra One of Us: The Story of a Massacre in Norway—and Its Aftermath (Farrar, Straus and Giroux, 2016), ela expressou que: […] Queremos ser amados; na falta disso, admirados; na falta disso, temidos; na falta disso, odiados e desprezados. A todo custo, queremos despertar algum tipo de sentimento nos outros. Nossa alma abomina o vácuo. A todo custo, ela anseia por contato. [...] Nossa resposta é mais democracia, mais abertura e mais humanidade. Mas nunca ingenuidade. [...]. Ela também é autora da frase: Não dizer nada significa dar o seu consentimento... Veja mais aqui.

 

QUEBRANDO LIMITES - […] A energia nuclear, por exemplo, já foi vista como uma tecnologia essencial para um futuro limpo, mas agora seu próprio futuro está em dúvida. [...]. Trecho extraído da obra Breaking Boundaries: The Science Behind our Planet (DK, 2021), do cientista sueco Johan Rockström, defendendo que: O valor da biodiversidade é que ela torna nossos ecossistemas mais resilientes, o que é um pré-requisito para sociedades estáveis; sua destruição arbitrária é semelhante a incendiar nosso bote salva-vidas. Para reduzir o risco de uma catástrofe ambiental global e evitar reverter o curso do progresso humano, o mundo deve dobrar urgentemente a curva das emissões globais dos combustíveis fósseis. Emissões de gases de efeito estufa aquecem o planeta, alterando os ciclos de carbono e água. Um oceano mais quente armazena mais calor, fornecendo mais combustível para furacões. Uma atmosfera mais quente contém mais água, trazendo dilúvios perigosos. O aumento do nível do mar ameaça as zonas costeiras. Fundamentalmente, precisamos de uma mudança mental que reconecte nosso desenvolvimento à biosfera para garantir uma vida boa e segura para todos no futuro. Assim como exigimos que nossos governos abordem os riscos associados ao terrorismo ou às epidemias, devemos colocar uma pressão concertada sobre eles para agir agora para preservar nosso ambiente natural e conter as mudanças climáticas. Proteger o nosso planeta é um imperativo moral. Vivemos em um planeta dominado por humanos, colocando uma pressão sem precedentes sobre os sistemas na Terra. No seu livro Big World, Small Planet: Abundance Within Planetary Boundaries (Yale University Press, 2015), ele expressou que: […] Os líderes políticos reunidos em Copenaghen finalmente reconheceram que a mudança climática não é apenas uma questão ambiental, mas também social e econômica. Conseqüentemente, qualquer solução para o problema do clima enriqueceu também as mudanças fundamentais [...].

 

TUNGANDO A VIDA!

[...] Um artista que se aplica à sua prática, sua personalidade, suas questões mais íntimas, é simplesmente uma em uma longa linhagem de artistas que ele é ou pode se tornar. Poderíamos dizer que ele é apenas um entre a multidão, em meio a uma multidão de pessoas, onde todos podem ser ele, embora com um rosto diferente. [...] Portanto, devemos nos colocar nessa ascensão, o modo de viver em dúvida, questionando o que nos parecem as coisas mais seguras e seguras em nossa existência. A disciplina do artista consiste nesta ascese. Tentar entender como um sim e um não pode viver juntos, ou como Sim E um Sim, a Não E um Não, pode viver juntos. [...] Eu acho que uma pessoa pode viver sem a ideia de arte, sem a ideia de amor, mas não sem arte, e não sem amor. [...] São momentos humanos de viver simbolicamente, ou poeticamente. Viver amorosamente é viver na realização deste universo simbólico. [...] A tarefa do artista é não se especializar e comprometer-se a tentar transformar as coisas de maneira não especializada. [...] No entanto, no fundo da coisa moderna, há um problema sério, o de encontrar o heterogêneo no fundo do poço. E essa pergunta permanece a mesma. Precisamos formular e reformular novas estratégias para encontrar o assunto perdido que é o assunto moderno, que ainda não encontrou um lar. [...].

Trecho da entrevista concedida pelo escultor, desenhista e artista performático Tunga (Antônio José de Barros Carvalho e Mello Mourão – 1952-2016), ao escritor e performer Simon Lane, para a revista Bomb Magazine (Winter 2002 Issue). Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

 

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GONÇAL MAYOS, MARINE PETROSSIAN, PÉTER NÁDAS & IRANDHIR SANTOS

  Imagem: Arrostar aporias , da série Caosmose & O poema nasce do visinvisível - Acervo ArtLAM .   Fábula dos embeiçados desavindos... ...