
ANO NOVO
Ficção de que começa alguma coisa!
Nada começa: tudo continua.
Na fluida e incerta essência misteriosa
Da vida, flui em sombra a água nua.
Curvas do rio escondem só o movimento.
O mesmo rio flui onde se vê.
Começar só começa em pensamento.
Poema do
poeta e filósofo português Fernando Pessoa (1888-1935). Veja mais aqui,
aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.
RECEITA DE ANO NOVO
Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor do arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já
vivido
(mal vivido talvez ou sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às
carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser;
novo até no coração das coisas menos
percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se
nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer
outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegramas?)
Não precisa fazer lista de boas intenções para
arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar arrependido pelas
besteiras consumadas
nem parvamente acreditar que por decreto de
esperança
a partir de janeiro as coisas mudem e seja
tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,liberdade
com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando pelo direito
augusto de viver.
Para ganhar um Ano Novo que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo, tem de
fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo cochila e
espera desde sempre.
Poema do
poeta, contista e cronista Carlos
Drummond de Andrade (1902-1987). Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.
ANO NOVO
Lá bem no alto do décimo segundo andar do ano
Vive uma louca chamada Esperança
E ela pensa que quando todas buzinas
Todos os tambores
Todos os reco-recos tocarem:
– Ó delicioso vôo!
Ela será encontrada miraculosamente incólume
na calçada – outra vez criança
E em torno dela indagará o povo:
– Como é o teu nome, meninazinha dos olhos
verdes?
E ela lhes dirá
( É preciso dizer-lhes tudo de novo )
Ela lhes dirá bem alto, para que não se
esqueçam:
O meu
nome é ES – PE – RAN – ÇA …
Poema do
poeta, tradutor e jornalista Mário
Quintana (1906-1994). Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.
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