
RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá especial com a música do violonista e compositor Celso Machado: Brasil Violão, Violão & Jongo Lê; da cantora e
compositora britânica Katie Melua: On te road again, Avo Session & com a The Stuttgart
Philharmonic Orchestra; & muito mais nos mais de 2 milhões de acessos ao
blog & nos 35 Anos de Arte Cidadã. Para conferir é só ligar o som e curtir.
PENSAMENTO DO DIA – [...] O
que hoje mais nos comove talvez em seu tempo tenha parecido apenas mais uma
devastação. [...] É o tempo que os
faz olhar essas paisagens da mesma maneira que olhamos as obras de arte: como
configurações de outros mundos dos quais apenas podemos imitar interiormente o
porvir. [...]. Pensamento extraído da obra A estética da bela natureza:
problemas de uma estética da paisagem (CFUL, 2011), do filósofo francês Nicolas Grimaldi.
EDUCAÇÃO & PESQUISA - [...] Por
que existem atividades docentes? Por que a pedagogia é uma atribuição e uma
preocupação do homem? O ser humano se ocupa e se preocupa com o ensino por uma
razão tão simples quanto severa e tão severa quanto lamentável. Para viver com
firmeza, desenvoltura e honestidade é preciso saber enorme quantidade de
coisas. E o fato é que a criança e o jovem têm uma capacidade limitadíssima de
aprender [...] hoje mais do que nunca
o próprio excesso de riqueza cultural e técnica ameaça converter-se em uma
catástrofe para a humanidade, porquanto a cada nova geração lhe é mais difícil
ou impossível de absorvê-lo. Urge, pois, instaurar a ciência do ensinar, seus
métodos, suas instituições, partindo deste humilde e esmirrado princípio: a criança
ou o jovem é um discípulo, um aprendiz, e isto quer dizer que um ou outro não
pode aprender tudo o que teria de ser-lhe ensinado – Princípio da economia do ensino [...] não é ciência
aprender uma ciência nem ensiná-la,
nem tampouco usá-la ou aplicá-la [...].
Saber não é pesquisar. Pesquisar é descobrir uma verdade ou seu oposto:
demonstrar um erro [...]. A ciência é
criação, e a ação pedagógica se propõe apenas ensinar essa criação,
transmiti-la, injetá-la e digeri-la [...] é preciso, portanto, sacudir a árvore das profissões de um excesso de
ciência, a fim de que dela reste o estritamente necessário e se possa cuidar
das próprias profissões, cujo ensino
se acha por completo em estado silvestre. Neste ponto está tudo por
começar [...] o homem que não vive à
altura de seu tempo, vive debaixo daquilo que seria sua autêntica vida, ou
seja, falsifica ou rouba sua própria vida, ele a desvive. Hoje atravessamos –
indo de encontro a certas presunções e aparências – uma época de terrível
incultura [...] Urge que o homem de
ciência deixe de ser o que hoje é com deplorável frequência: um bárbaro que
sabe muito a respeito de uma determinada coisa [...]. Tudo preme para que se torne uma nova integração do saber, que hoje
anda em pedaços pelo mundo [...]. Trechos extraídos da obra Missão
da universidade (EDUERJ, 1999), do filósofo e ativista político
espanhol José Ortega y Gasset (1883-1955). Veja mais aqui.
A MENINA DOS BRINCOS DE OURO - Uma
Mãe, que era muito severa para os filhos, deu de presente a sua filhinha um par
de brincos de ouro. Quando a menina ia à fonte buscar água e tomar banho,
costumava tirar os brincos e botá-los em cima de uma pedra. Um dia ela foi à
fonte, tomou banho, encheu o pote e voltou para casa, esquecendo-se dos
brincos. Chegando em casa, deu por falta deles e com medo da mãe brigar com ela
e castigá-la correu à fonte para buscar os brincos. Chegando lá, encontrou um
velho muito feio que a agarrou, botou-a nas costas e levou consigo. O velho
pegou a menina, meteu ela dentro de um surrão (um saco de couro), coseu o
surrão e disse à menina que ia sair com ela de porta em porta para ganhar a
vida e que, quando ele ordenasse, ela cantasse dentro do surrão senão ele
bateria com o bordão. Em todo lugar
que chegava, botava o surrão no chão e dizia: Canta, canta meu surrão, Senão te
meto este bordão. E o surrão cantava: Neste surrão me meteram, Neste surrão hei
de morrer, Por causa de uns brincos de ouro Que na fonte eu deixei. Todo mundo
ficava admirado e dava dinheiro ao velho. Quando foi um dia, ele chegou à casa
da mãe da menina que reconheceu logo a voz da filha. Então convidaram Ele para
comer e beber e, como já era tarde, insistiram muito com ele para dormir. De
noite, já bêbado, ele ferrou num sono muito pesado. As moças foram, abriram o surrão e tiraram a menina que já estava muito
fraca, quase para morrer. Em lugar da menina, encheram o surrão de excrementos.
No dia seguinte, o velho acordou, pegou no surrão, botou às costas e foi-se embora.
Adiante em uma casa, perguntou se queriam ouvir um surrão cantar. Botou o
surrão no chão e disse: Canta,canta meu surrão, Senão te meto este bordão.
Nada. O surrão calado. Repetiu ainda. Nada. Então o velho meteu o cacete no
surrão que se arrebentou todo e lhe mostrou a peça que as moças tinham pregado.
Extraído da obra Contos tradicionais do
Brasil para jovens (Global, 2006), do historiador, antropólogo, advogado e
jornalista Luís da Câmara Cascudo (1898-1986). Veja mais aqui.
A GENTE TERRÍVEL – Gente
que tem o de que necessita gosta muito de dizer às pessoas / que não têm o de
que necessitam que estas realmente de nada necessitam. / Eu queria poder juntar
toda essa gente num Castelo sombrio no Danúbio e contratar meia dúzia de
Dráculas eficientes para aterrorizá-la. / Não me importa que tenham muito
dinheiro e não me importa como o empregam. / Mas penso que deviam admitir que
gozam do seu dinheiro. / Entretanto insistem em ser dissimulados acerca dos
prazeres da riqueza. / E a posse de uma boa renda anual lhes fazem pensar em que
dizer duro é / fazer os extremos se tocarem e isto é o seu sagrado dever. / Não
se concebe uma ocasião / em que se encontrem sem alguma evasiva apropriada. /
Sim, sem dúvida em argumentos são fecundos. / O primeiro ponto é que o dinheiro
não é tudo, / e que, de qualquer maneira, não possuem dinheiro, é o segundo. /
O dinheiro de alguns foi merecido / o de outros foi herdado. / Mas, venha donde
vier, / falam dele como se fosse alguma coisa junto com a qual contraíssem uma
doença. / Pode ser isso certo. / Mas se for assim por que não se livram / eles
desse peso, transferindo-o para os pobres necessitados, ou para mim? / Talvez a
posse de riquezas seja uma tristeza constante, / mas quase desejaria receber
toda a maldição da riqueza se pudesse ao mesmo / tempo receber todas as suas bênçãos.
/ Os únicos males incuráveis do rico são os males que o dinheiro não pode curar
/ e estes são males ainda mais maléficos para os que são pobres. / Certamente
já muitas coisas na vida que o dinheiro não compra, mas, é engraçado... / já
tentou alguém comprá-las sem dinheiro? Poema do poeta estadunidense Ogden Nash (1902-1971).
A ARTE DE ALESSANDRA FERRI
A arte da bailarina prima italiana Alessandra Ferri.
&
Vou
danado com Ascenso com vontade de voar!,
A escola, Eduardo Galeano, Oscar Niemeyer
& a fotografia de Ilona Shevchishina aqui.