
RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá especial com a música do músico, linguista e professor
universitário Luiz Tatit: Rodopio, Depois melhora & A companheira; da cantora e
compositora Luiza Possi: Sobre o amor e o tempo, A vida é mesmo agora & Seguir
cantando; & muito mais nos mais de 2 milhões de acessos ao blog & nos 35 Anos de Arte Cidadã. Para conferir é só ligar o som e curtir.
PENSAMENTO DO DIA – [...] A
questão não é a de saber se conseguimos esgotar um potencial disponível ou a
ser ainda desenvolvido, mas a de saber se escolhemos aquilo que podemos querer
para os fins de uma pacificação e satisfação da existência. [...]. Trecho
extraído da obra Técnica e ciência enquanto ideologia (Edições 70,
1968), do filósofo e sociólogo alemão Jürgen Habermas. Veja mais aqui.
LÉVINAS & A EDUCAÇÃO – [...] Pensar
a educação como acontecimento ético implica fazer da experiência educativa um
lugar de encontro com o Outro; significa, de modo contrário à relação que visa
à objetivação do Outro na educação, estar disposto a lançar-se a novos
horizontes desconhecidos, expondo-se, com isso, ao inesperado, ao imprevisível,
ao irredutível do Outro, com todos o riscos que o encontro exige e toda
insegurança e inquietação que ele provoca. Na educação, o sujeito que não se
expõe ao desconhecido é incapaz de sentir a força transformadora do encontro
com o Outro, a qual está na base da experiência educativa. Lá onde acontece a
educação, produz-se um encontro do professor (não como um sujeito que sabe) com
o aluno (não como aquele que não sabe). Uma relação que não pressupõe o
exercício de transmissão de saberes, mas o encontro do que se sabe responsável
pelo outro, obrigado a dar-lhe uma resposta na situação de radical alteridade.
[...]. Trecho extraído do artigo Lévinas e a reconstrução da subjetividade ética aproximações
com o campo da educação (Revista
Brasileira de Educação, 2014), de José
Valdinei Albuquerque de Miranda. Veja mais aqui e
aqui.
GIOVANI - [...] Impaciente,
fico imaginando o motivo pelo qual ela parece tão preocupada. Mas a mulher
sorri assim que abro a porta, num sorriso que emana a coquete e a matrona. Ela
já é bastante idosa e, na realidade, não é francesa. Veio para a França já
muitos anos, “quando era muito novinha, senhor”, cruzando a fronteira e saindo
da Itália. Como a maioria das mulheres dali, parece ter entrado em luto assim
que o último filho deixou de ser criança. Hella achava que eram todas viúvas,
mas verificamos que a maioria tinha maridos ainda vivos. Esses maridos pareciam
seus filhos e às vezes jogavam belote num campo próximo à nossa casa e seus
olhos, quando viam Hella, continham a vigilância orgulhosa de um pai e a
especulação vigilante de um homem. [...] Tratavam-me como o filho há pouco iniciado na idade adulta, mas ao
mesmo tempo com grande distância, pois eu realmente não pertencia a qualquer um
deles, e eles também sentiam (ou eu achava que sim) alguma coisa em mim, coisa essa
que não era de sua conta aprofundar. [...]. Trechos extraídos da obra Giovanni (Civilização Brasileira, 1968),
do escritor norte-americano James
Baldwin (1924-1987), contando a história de dois jovens em Paris para
resolverem a relação de todos os problemas da existência, angustiada e cheia de
variados sentimentos. Veja mais aqui.
TRÊS POEMAS - RILKE SHAKE: salta um rilke shake / com
amor & Ovomaltine / quando passo a noite insone / e não há nada que ilumine
/ eu peço um rilke shake / e como um toasted Blake / sunny side pra cima / quando
estou triste / & sozinha enquanto / o amor não cega / eu bebo um rilke shake
/ e roço um toasted Blake / na epiderme da manteiga / nada bate um rilke shake
/ no quesito anti-heartache / nada supera a batida / de um rilke com sorvete / por
mais que você se deite / se deleite e se divirta / tem noites que a lua é fraca
/ as estrelas somem no piche / e aí quando não há cigarro / não há cerveja que
preste / eu peço um rilke shake / engulo um toasted blake / e danço que nem
dervixe. A MINA DE OURO DE MINHA MÃE & DE MINHA TIA: se chamava / ilha da
feitoria / ou ilha do meio / onde as duas vendiam / cosméticos avon / chegavam
de bote / motorizado / com fardos de produtos / batons rímeis perfumes / e
sobretudo rouges / eram recebidas / pelas donas de casa / cabeludas / bigodudas
/ panos de prato no ombro / filhos ranhentos no colo / minha mãe & minha
tia procediam / ao embelezamento das nativas / devolviam-lhes cores / às faces
/ todo o espectro de cores / de um céu de fim de tarde / na lagoa dos patos / azuis
e roxos e laranjas e rosas / e depois lhes emprestavam / espelhos / as donas de
casa da ilha do meio / compravam muita maquiagem / minha mãe & minha tia / enchiam
sacos de dinheiro. MULHER DE ROLLERS: no condomínio querem saber / se ela pirou
de vez / ou se vai competir / nalguma espécie de jogos olímpicos / porque deu
para andar de rollers / na área comum do prédio / prejudicando a saída / e a
entrada de veículos / ainda por cima anda mal / nem ganhou velocidade / pirueta
é coisa então / para a próxima encarnação / consternação entre condôminos / com
seu senso do ridículo / “essa daí vai acabar / como na música do chico ”/ “vai
passar na avenida / um samba popular?” / “não, atrapalhando o tráfego”. Poemas
da poeta e tradutora Angélica Freitas, autora dos livros Rilke Shake
(São Paulo: Cosac Naify, 2007) e um útero é do tamanho de um punho (São
Paulo: Cosac Naify, 2013).
A ARTE DE ANTONIO TORRES
O premiadíssimo
escritor, jornalista e ocupante da cadeira 23 da Academia Brasileira de Letras,
Antônio Torres, é autor de diversas
obras, entre as quais destacamos Essa Terra, relato emocionante de um homem que
retorna à cidade natal depois de vinte anos de ausência, desiludindo-se com
tudo que reencontra, enforcando-se, por conta disso no gancho de uma rede. A
obra já foi destacada neste espaço, como também alguns dos seus títulos
infanto-juvenis. Por conta disso, veja mais aqui, aqui e aqui.
Exposição
Em-Cantos de Palmares, do artista plástico José Durán y Duran & muito mais
na Agenda aqui.
&
A arte da escultora e
artista visual Cristina Ripper aqui.
&
Tudo dela pra mim, O livro vermelho de Carl Gustav Jung, a música de Livio Tragtenberg & a arte de Luciah Lopez aqui.
&
Das coisas & coisas, a literatura de Paul Auster, a coreografia de Luciana
Achugar, a arte de Debbie Lee & a música de Marisa Ricco aqui.