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sexta-feira, agosto 23, 2019

GAUGUIN, NAZIK AL-MALAIKA, ASCENSO & OSCAR MENDES, DANI ACIOLI, ALOISE BAHIA & INJUSTIÇA


TEHURA DE GAUGUIN – Chega uma hora em que se tem que se valer só de si e o que fazer da vida. Emigrei com Le mariage de Loti, e o meu diário de viagem, Noa Noa. Na busca incessante por criar, saí de casa para ter paz e tranquilidade, me livrar do mundo decadente, abandonado por todos. Atravessei privações, doenças, indigência e incompreensões. Estava sufocado, tudo podre ao redor, enregelante situação. A quem amava, via-me pelas costas, intolerante, esperneio de mimada. Tudo numa degradação física e psicológica, entediado com o mundo das artes, aventurar além-mar era o que podia: havia vida além da contaminada civilização, tinha certeza. Viagens e boêmia mundo afora, o que pude, e nele todas as mulheres do Panamá, Peru, Copenhagen, Bretanha, Martinica, Brasil, Polinésia, até o Taiti, onde encontrei colorido, inspiração e liberdade. Insulado, descurava: a podridão colonial espancava uma prostituta à beira-mar. Indignação de encarar meu arredado exílio voluntário, miserável entre o bucólico exótico e selvagem erótico. Era tudo isso. Permaneci entre as ninfas de Corot, dançando no bosque sagrado de Ville-d'Avray e os infinitos mistérios cambiantes. Não havia como escapar e a vida na pobreza de Papeete, ao lado da doença, falência e miséria. Sem mantimentos, incapaz de pescar no Platô de Taravao, tropecei faminto, exausto, até desmaiar na volta para La Maison du Jouir, minha cabana, meu abrigo solitário com a diabete, a sífilis e um ataque cardiovascular. Ao acordar, a bela jovem Tehura dançava sensualmente à luz do fogo, na ilha vulnerável de Fa’ane, inspirando Manao tupapau - Espírito dos mortos em vigília. Uma menina-moça de Huahine, era ela, na verdade, Teha’amana, a doadora da força, impenetrável, com a flor tiare vermelha no ouvido, uma cicatriz na sobrancelha direita, de uma queda dum pônei na infância. Realçava essa Eva primitiva, nativa vahine, entre mangas maduras, glifos, o mar azul-turquesa, paisagens verdejantes, montanhas sombrias e rostos de pedra divididos por cachoeiras espumantes, um paraíso edênico. Durante a refeição formalizei meu amor por ela, ao dispor de frutas silvestres, sabores de fruta-pão, bananas, peixes, camarões e porcos. Ofereciam comida aos forasteiros, um ato de caridade. Cheio de felicidade, entre beijos e sexo, conversamos sobre as estrelas e me contou histórias de sua gente, para embalar meu coração exilado: O enigma que se esconde no fundo de seus olhos infantis ainda é incomunicável para mim. Ela deslizava por um bosque daquela desabitada beleza num vestido branco sensual, para ir à igreja. Os seus olhos azuis nórdicos agitou-me a rebeldia: essa barbárie me rejuvenesceu. Esculpi seu semblante, o meu terno amor. Dei-lhe colares de miçangas e anéis de latão, e para ela fiz a Merahi metua no Tehamana, o busto Tête tahitienne e uma escultura em madeira. Uma paixão tão dolorosa, circunstâncias terríveis, a vida explodiu. Deu-me o místico pensar: De onde viemos? O que somos? Para onde vamos? Meus olhos se fechavam e, sem entender, viam o sonho no espaço infinito que se estende, esquivo, diante de mim. A natureza exuberante e indomável, intimamente. Permanentemente empobrecido, me vi numa frustrada tentativa de suicídio com arsênio: sou escravo da sensualidade febril das mulheres polinésias. As minhas feridas sifilíticas fizeram-na me recusar. Conflitos, efeitos da doença, as manchas de pele ao Sol, a barba mal feita, um olhar alucinado, a penúria de uma vida marcada por frustrações. Não era pouco, pior a sua recusa. Passava fome, trabalhava como estivador, a saúde extremamente debilitada. Falo francamente: sou difícil e podem me chamar de hedonista. Fiz para me livrar das convenções e desbravar a vida libertária. Sei das minhas questionáveis escolhas entre o sonho e a loucura, era o meu projeto de vida inteira. Nunca fui fácil nem herói incólume, um vasto abismo: tudo muito delicado. Eu amei, muito. Dei-me o direito de ousar tudo e não neguei meus mestres. Amei com a minha possessividade sexual, a alma invadida por lembranças profundas. Amei demais e nunca me contentei em sonhar: a vida vinga o sonho na poesia. Amei desmedidamente e embora pensem que sou um mito ou algo inventado por todos, sou apenas o amor e a quem amo, mesmo incompreensível. Contudo, sou forte porque nunca sou jogado fora do curso por outras pessoas e porque faço o que há em mim. Tanto sofrimento me fez aprender e me libertar no amor e para me enterrar aqui nas remotas ilhas de Marquesas, a morrer de amor. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo & mais aqui e aqui.

DITOS & DESDITOS:
[...] Utilizando a temática que a vida nordestina lhe fornecia, compôs seus poemas, cheios de ternura e de ironia, de romantismo e de malícia, fixando, muitas vezes, num verso, numa frase, um aspecto típico da região, de um personagem, da psicologia de uma sociedade e de um povo. Gostava de, ele próprio, declamar seus versos, numa toada de jeito popular, que dava um sabor e um toque todo especial à sua poesia. [...] em que reevoca a vida nordestina, o seu folclore, os seus costumes, as suas figuras típicas, tudo numa misturada de malícia, de sensualidade, de ironia, de sátira, de sentimentalismo, de romantismo, de alegria e de tristeza, que tornava sua poesia de sabor inesquecível. [...] Escrevia, sim, em muitos dos seus poemas, na linguagem simples do povo, com seus modismos, seus idiotismos, mas não descurava de fazer poemas em linguagem correta e letrada. A sua poesia estava toda impregnada da sua terra, do seu barro, das águas de seus rios, de seus mangues, das suas frutas, da sua viração, das suas noites de luar, do dengue de suas mulheres, de suas alegrias e de suas dores.
Trechos da crônica O grande descanso de Ascenso, extraído da obra Tempo de Pernambuco – ensaios críticos (EdUFPE, 1971), do advogado, crítico literário, tradutor e escritor Oscar Mendes (1902-1983). Veja mais da obra aqui & de Ascenso Ferreira aqui.

A POESIA DE NAZIK AL-MALAIKA
CALENDÁRIO: Para os nossos passos houve um passado; está morto / Por centenas de anos. / Os anos apagaram sua memória / E eles o colocaram entre os mortos. / Nós procuramos por muito tempo / Suas estrelas desaparecidas / Nós recorremos ao impossível / Para restaurar sua vida. / Nós tentamos, atravessando os séculos, / Traga-o de volta ao seu começo, / Na esperança de recuperar nossos sentimentos, / E nós retornamos de mãos vazias. / Nós passamos pela escuridão / Franked o impassível, imóvel, / Desenterrando ossos empilhados / E nós não encontramos o perdido. / Nós vimos frentes lá / Que eles não viram porque eram cegos, / Olhos auto-absorvidos na vida / Silencioso, porque eles eram mudos. / Nós vimos restos de corações / Embalsamado com a memória. / Em vão tentaram encontrar / O significado... eram restos. / Nós vimos lábios vazios / Eles não fizeram reclamações ou sentem fome / E mãos murchas e dobradas / Cujo infortúnio não causou lágrimas. / Nós nos perguntamos sobre o nosso passado / E nós nos deparamos com um caixão. / Lá, no túmulo, o tempo se desvaneceu. / Voltamos ao calendário: / Você pode enganar os dias? / E ouvimos gritos nos restos / Depois do sarcasmo das figuras. Nós vimos o esperado amanhã / Arrastando sua metade paralisada, / Arrastando sua metade desprezada, / Está meio congelado, inerte. / Lá, um livro fechado / E a velha música acabou. / Amanhã a vida germinará / Nas feridas do tempo doloroso. / A voz de ontem será perdida / No turbilhão profundo do tempo / E nos sentiremos em nossos óculos / A palpitação do sonho que acorda. /
Poemas da obra Faíscas e cinzas (1949), da poeta iraquiana Nazik Al-Malaika (1923-2007). Veja mais aqui & aqui.
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POEMAS DE JOSÉ ALOISE BAHIA
O PAÍS QUE NÃO CONHEÇO DEU-ME UM BISAVÔ: o país que não conheço deu-me um bisavô, / navegante simples em seu barco cheio/ de peixes, que sempre volta à terra firme. / o país que não conheço deu-me um bisavô, / encantador de histórias do céu, fogo e ar. / lá no meio da baía vislumbra um castelo./ lá no meio da baía vislumbra um cardume./ o país que não conheço deu-me um bisavô, / bisavô dourado feito sol em ondas extensas, / bisavô que tarda e não falha a içar às velas, / bisavô que cedo madruga: que faz despertar / o mar que em mim se agita, me embarca / em tamanha travessia e liberta imagens / que chegam num turbilhão de norte a sul...
SONETOS NUM CORPO DILACERADO: Pelas fagulhas cortantes do desejo, de tão quente, queimam o rosto. Bambeiam as pernas. Faz amolecer os braços. Dispara a circulação. Ofega o pulmão. Decepa tudo. O tronco subsiste devido à presença do suco gástrico recheado de 14 linhas apropriadas contra o ataque de qualquer veneno disponível no campo do olhar.
NOVELO NUM CARRETEL: De uma infância distante e radical, onde rolavam cilindros dinâmicos, para um fluxo maduro: a desintegração num encontro explosível em manchas de cores aleatórias. Fundo, forma espaço — embate pessoal nas entranhas. Evidências do impossível no labirinto branco da tela revelam uma ponte: Minotauro palpitante.
Poemas do poeta e jornalista mineiro José Aloise Bahia. Veja mais aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Eu tenho uma produção que surge num repertório. É um repertório de construção do feminino, da mulher no mundo, na história, sobre como a gente sempre foi subjugada na construção de uma identidade cultural feminina. O lugar do feminino nessa relação sempre foi uma construção social de subjugação, de ser colocada no lugar da castidade ou no oposto disso.
A arte da artista visual e jornalista Dani Acioli. Veja mais aquiaqui.

A OBRA DE GAUGUIN
Devo confessar que também sou mulher e que estou sempre preparado para aplaudir uma mulher que é mais ousada do que eu e é igual a um homem na luta pela liberdade de comportamento Eu fecho meus olhos para ver.
A arte inspirada na sua musa Tehura – a vahine, ou seja, a esposa nativa taitiana também nomeada Teha'amana, que é tratada no filme Gauiguin: Voyage to Tahiti (2017), dirigido por Edouard Deluc e inspirado no diário Noa Noa (Poseidon, 1943), quando o pintor Paul Gauguin decidiu por conta próprio exilar-se no Taiti. Lá ele espera reencontrar a pintura livre, selvagem, fora dos códigos morais, políticos e estéticos europeus, enfrentando a solidão, a pobreza e a doença. É quando ele se reúne com Tehura, a quem dedica terno amor e a transforma em tema de suas obras.
Veja a obra do pintor do pós-impressionismo francês Paul Gauguin (1848-1903) aqui, aqui & aqui.
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Dia Internacional de Combate a Injustiça aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.


quinta-feira, maio 09, 2019

ASCENSO FERREIRA, HUMBERTO MATURANA, CICI PINHEIRO, CASS BIRD, CARNEIRO VILELA & O DISFARCE DA EMPAREDADA


O DISFARCE DA EMPAREDADA – Naquela rua, um olhar invisível e imantado, perseguia meus passos. Todos os dias e vezes, a qualquer hora, essa impressão me acossava por todo percurso. Não conseguia identificar, tanto que procurasse. Foi preciso um dia de chuva torrencial. Ao me abrigar, meus sentidos se aguçaram. Pude vê-la, ali ao meu lado, com seu olhar cândido em minha direção. Era ela. A ventania e o molhadeiro trouxeram-na mais para perto. Ali estávamos espremidos com outros desabrigados. Fui me ajeitando e encostei nela, trêmula e delicada, inquieta e achegada. Ousei falar: Que chuvada! Ela encolheu-se de frio, vulnerável. E fitou-me firme, desamparada. Ajeitei-me para deixá-la mais confortável, de repente virou-se como se procurasse algo distante, deu-me as costas e apoiou-se a mim. Senti seu perfume, minhas mãos tímidas à sua cintura, tateando delicadamente, deu-me a dimensão de sua escultural emanação. Logo, com a aproximação e contato, ela se arrepiava com minha respiração à nuca e melhor se acomodava indefesa e comprimida entre meus braços. Aproveitamos o possível desse longo tempo de intimidade. Retirei meu casaco e coloquei sobre seus ombros aquiescentes, protegendo-a. Tomou-me as mãos, recolhendo-as aos fartos seios, agradecida. Cada vez mais íntima com o temporal que trazia mais gente para ali se abrigar no aperto. Demoramos assim e ao estiar, de repente, puxou-me por uma das mãos apressadamente, seguimos sem saber para onde me levasse, entramos por uma íngreme e estreita escadaria que deu num corredor mal-iluminado de muitas portas fechadas, até alcançarmos uma área livre do primeiro andar que dava para o mundo e lá, volveu seu corpo de costas contra a parede e puxou-me para beijá-la prolongadamente. Ela arfava enquanto minhas mãos audaciosas e buliçosas contornavam sua geografia, a concavidade dos seus seios de deusa luxuriante, gigantesca e admirável. Levantei seu vestido, não usava roupa íntima, nuínha por baixo das vestes, sexo úmido, entregue, lânguida, inebriada, indulgente, pronta para ser penetrada flutuando com a intromissão do meu sexo no seu, toda resplandescente e tantalizada. Gozamos despudoradamente. Abraçados, ela me sussurrou: Preciso de você. Assim, todos os dias seguintes, o vício, o amor, o desejo imperioso por escadarias, vãos, corredores, recantos, cortinados, esquinas, genuflexório, pilastras. Obcecada por minha virilidade, ela se dissolvia aos meus toques e apertos, contagiada por minhas estocadas e repetia sussurrando: Não consigo ficar longe disso. Como um animal selvagem no cio, ela se agachava a se masturbar, enquanto sua língua sedenta deslizava suavemente a minha glande com lambidas prazerosas, as mãos friccionavam todo meu pênis que pulsava febril para que pudesse beber meu sêmen, recolhendo o líquido precioso do amor. Dias, semanas, meses, um ano depois, quase nenhuma palavra, até me dizer que nela jazia oculta tragédia. Contou-me. Ao completar 15 anos, o presente de aniversário: Fui molestada por meu pai. Todas as noites ele me estuprava no quarto escuro do quintal. Indaguei da minha mãe, ela completamente anulada. Sofri sua dor, sofremos juntas. Ao me flagrar no sexo com meu namorado, supliquei-lhe não delatar ao meu pai, nosso acordo: o meu amor tornou-se seu amante. Nossa cumplicidade. A relação incestuosa perdurou até o dia em que engravidei, meu pai soube e queria saber quem me emprenhou. Delações deram-lhe o paradeiro, o assassinato. Perdi meu amor e, minha mãe, seu amante. Meu pai tomou ciência de tudo, era estéril e eu não era sua filha, não sabia disso. Procurei minha mãe, ela em estado de choque, omitiu mergulhada em lágrimas. Por vingança, meu pai me atacou pela última vez e encerrou-me num cubículo, emparedada, fui enterrada viva. Meu pai fugiu com minha mãe e deixou-me ali sufocada, agonizante. Isso há mais de um século. Minha mãe morreu louca, meu pai voltou para me ver anos depois e eu o atormentei até ele se jogar no precipício da sua ruindade para nunca mais. Desde então, preciso falar: sou viciada e incorrigivelmente insaciável, atraída e fixada por um belo e duro pênis, ah, que lindeza, preciso de homem a todo instante, uma necessidade sórdida de ser demolida e seviciada, sou obstinada pelo prazer. Preciso ser violentamente possuída, subjugada, corrompida, aniquilada, espremida contra a parede, ardendo para ser penetrada e devastada pelas carícias de sexo bestial, preciso, suplico, imploro. Estou perdida. E desapareceu com todo pesar na sua voz, criada por uma lenda. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo & mais aqui e aqui.

DITOS & DESDITOS:
[...] Então, a ciência, como um domínio cognitivo, existe e se desenvolve como tal sempre expressando os interesses, desejos, ambições, aspirações e fantasias dos cientistas, apesar de suas alegações de objetividade e independência emocional [...] somos observadores no observar, no suceder do viver cotidiano na linguagem, na experiência da linguagem. Experiências que não estão na linguagem, não são. Não há modo de fazer referência a elas, nem sequer fazer referência ao fato de tê-las tido [...] A existência é independente do observador. [...] há tantas realidades – todas diferentes, mas igualmente legítimas – quantos domínios de coerências operacionais explicativas, quantos modos de reformular a experiência, quantos domínios cognitivos pudermos trazer à mão [...] As explicações científicas não se referem à verdade, mas configuram um domínio de verdade. A ciência é um domínio cognitivo válido para todos aqueles que aceitam o critério de validação das explicações científicas [...] Assim, pensar é agir no domínio do pensar, refletir é agir no domínio do refletir, falar é agir no domínio do falar, e assim por diante, e explicar cientificamente é agir no domínio do explicar científico [...] A diferença entre nossa operação na vida cotidiana como cientistas e como não-cientistas depende de nossas diferentes emoções, de nossos diferentes desejos de consistência e impecabilidade em nossas ações e de nossos diferentes desejos de reflexão sobre o que fazemos [...] As noções de falseabilidade, verificabilidade ou confirmação aplicar-se-iam à validação do conhecimento científico apenas se este fosse um domínio cognitivo que revelasse, direta ou indiretamente, por denotação ou conotação, uma realidade transcendente independente do que o observador faz, e se a segunda condição do critério de validação das explicações científicas fosse um modelodessa realidade transcendente, em vez de um mecanismo gerativo que faz surgir a experiência a ser explicada tal como é apresentada na primeira condição [...].
Trechos extraídos da obra Cognição, ciência e vida cotidiana (Ed UFMG, 2001), do neurobiólogo chileno e criador da teoria da autopoiese e da biologia do conhecer, Humberto Maturana, que na obra A ontologia da realidade (EdUFMG, 2002), explica que o sistema autopoiético é o acoplamento estrutural e a deriva natural, uma vez que tal sistema é uma unidade definida pela sua estrutura autopoiética, que constitui um domínio fechado de relações especificadas e que compõem essa organização. Estas relações, segundo o autor, são: constitutivas, cujos componentes constituem a materialização da autopoiese, seus limites físicos, sua topologia; de especificação, cujos componentes são definidos por sua participação na autopoiese, por sua identidade, pelas propriedades de seus componentes; e de ordem, cuja concatenação dos componentes nas três relações sejam especificadas pela dinâmica da organização autopoiética. Assim sendo, o sistema autopoiético é definido a partir das condições para se estabelecer um espaço autopoiético, o que se dá através da organização autopoiética num ambiente, onde os componentes podem atuar. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

O TEATRO DE CICI PINHEIRO
Não dou confiança para mágoas. Minha luta no teatro foi tão desigual. Fui perseguida, fui massacrada, mas saí íntegra.
O teatro da teatróloga, cineasta e atriz Cici Pinheiro (Floracy Alves Pinheiro - 1929-2002), fundadora da primeira Companhia de Teatro Profissional de Goiás, a Cia. Cici Pinheiro, atuando como diretora de radionovelas e telenovelas, bem como pioneira do cinema naquele estado. Sua estreia foi na peça Vila Rica, da Agremiação Goiana de Teatro, em Goiânia, em 1949, passando em seguida a integrar o elenco do Teatro Brasileiro de Comédia (TBC), enveredou pelo cinema com a produção do filme O Ermitão de Muquém, até encerrar sua carreira em 1989, com a peça teatral Gimba, O Presidente dos Valentões. Veja mais aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte da fotógrafa e artista visual e multimídia estadunidense, Cass Bird. Veja mais aquiaqui.

A EMPAREDADA DA RUA NOVA
[...] Durante as noites, acontecia-lhe acordar sobressaltado como se houvessem soado ao pé de si gemidos lúgubres e abafados. Outras vezes parecia-lhe ver surgir ao seu lado o espectro esquálido e medonho da sua mulher ou a figura branca e vaporosa de sua filha. [...].
Trecho do romance A emparedada da Rua Nova (1886), republicado entre os anos 1909-1912, como folhetim no Jornal Pequeno, de Recife, pelo escritor Joaquim Maria Carneiro Vilela (1846-1913). A obra inpirou George Moura, Sérgio Goldenberg, Flávio Araújo e Teresa Frota a escreverem a minissérie Amores Roubados (2014), da Rede Globo. Depois, foi transformada na minissérie Jugar com fuego (2019), adaptada por Julia Montejo e José Luis Acosta, para a Telemundo. Veja mais aqui.
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A OBRA DE ASCENSO FERREIRA
Minha filhinha, Papai Noel! É uma figura tragicômica! Não se iluda com os seus enredos! Pois que no meio dos seus brinquedos! Virá um dia a bomba atômica!
A obra do poeta Ascenso Ferreira (1895-1965) aqui, aqui, aqui & aqui.


quarta-feira, maio 09, 2018

ORTEGA Y GASSET, OGDEN NASH, GRIMALDI, ALESSANDRA FERRI, CÂMARA CASCUDO, ARTUR GRIZ, CELSO MACHADO & KATIE MELUA

A LUTA DO RESGATE, OU: EITA, ATÉ QUE ENFIM! – (Prefácio do livro Cantos, contos, crônicas. Palmares/PE: Fundação Casa da Cultura Hermilo Borba Filho/Bagaço, 1988). - Quando conheci a obra de Artur Griz, de sopetão me deparei com um volume enciclopédico que mal se conseguia apalpar, anunciando-se outros volumes à referida pesquisa. Era a famigerada Enciclopédia Griz. Afora isto, alguns poemas publicados n´A Notícia, artigos avulsos, crônicas. Depois o Zé Ripe, cantor das modas mais brejeiras, compôs uma canção próxima da beleza real, sobre o poema “Resto de Caminho”. Foi a partir de então que se sentiu a necessidade de conhecer melhor a obra deste poeta, escritor, enciclopedista, etc. Artur Griz, pessoa que não tive oportunidade de conhecer mais de perto, exceto quando passava apressado pela praça Maurity onde eu residia, ou quando caiu rebentadamente e armado de um penico e escova de dentes da escadaria fatídica de sua residência. Só foi mesmo por meio de Jessiva Savino, nobre madrinha da atividade cultural jovem da cidade dos Palmares, que se conhecia algo mais. Mas o bolo grosso estava entulhado entre roupas, detritos, traças e abandono, num recanto amaldiçoado da casa. Amigo próximo da família herdeira do poeta, é que tive oportunidade de vasculhar mais algumas obras de Artur, além de conhecer livros que até então sequer havia colocado a vista. De imediato me deparei com a primeira edição do livro “Caminhos da solidão”, de Hermilo Borba Filho, além de livros de Juan Ramon Jimenez, Otto Maria Carpeaux, Aldous Huxley, edições primárias de Erico Veríssimo, livros raros e traduções antigas. Nessa época estávamos editando a Revista A Região que fez publicar um artigo na procura inicial de resgatar e fazer sensibilizar as autoridades competentes para a necessidade de se publicar sua obra, a exemplo do que deve ser feito com o Fenelon Barreto, ainda longe de se conhecer sua obra teatral, poética e prosaica. Quando tomei nas mãos este volume, um compromisso assumido entre as Edições Bagaço e o prefeito de então, Luis Portela de Carvalho havia sido firmado no sentido de resgatar, antes que o tempo o consumisse, fiquei deveras surpreso. Passando a vista em artigos como “Hermilo Borba Filho”, “Palmares do Passado”, Um jornal para Palmares” e “A condição adversa do escritor pobre” e poemas como “Saudação a Palmares”, Decreptude” próximo do “Resto de Caminho” e o poemeto “Estrofe”, entre outros poemas já apresentados na edição dos Poetas dos Palmares, organizada pelo poeta Juarez Correya, havia, sim, constatado o valor literário do poeta em questão. Por fim, prosa e verso reunidos num só volume, dando conta parcialmente da obra deste autor que fez parte da história dos tempos do Clube Literário, trazendo a lembrança do tempo em que Palmares fervilhava na desenvoltura artística. De certa forma traduz-se uma dor: a dor da reminiscência. Mas é com satisfação que tais páginas possam revelar o talento literário do autor. No mais, com a palavra: Artur Griz. Palmares/PE, junho de 1987. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá especial com a música do violonista e compositor Celso Machado: Brasil Violão, Violão & Jongo Lê; da cantora e compositora britânica Katie Melua: On te road again, Avo Session & com a The Stuttgart Philharmonic Orchestra; & muito mais nos mais de 2 milhões de acessos ao blog & nos 35 Anos de Arte Cidadã. Para conferir é só ligar o som e curtir. 

PENSAMENTO DO DIA – [...] O que hoje mais nos comove talvez em seu tempo tenha parecido apenas mais uma devastação. [...] É o tempo que os faz olhar essas paisagens da mesma maneira que olhamos as obras de arte: como configurações de outros mundos dos quais apenas podemos imitar interiormente o porvir. [...]. Pensamento extraído da obra A estética da bela natureza: problemas de uma estética da paisagem (CFUL, 2011), do filósofo francês Nicolas Grimaldi.

EDUCAÇÃO & PESQUISA [...] Por que existem atividades docentes? Por que a pedagogia é uma atribuição e uma preocupação do homem? O ser humano se ocupa e se preocupa com o ensino por uma razão tão simples quanto severa e tão severa quanto lamentável. Para viver com firmeza, desenvoltura e honestidade é preciso saber enorme quantidade de coisas. E o fato é que a criança e o jovem têm uma capacidade limitadíssima de aprender [...] hoje mais do que nunca o próprio excesso de riqueza cultural e técnica ameaça converter-se em uma catástrofe para a humanidade, porquanto a cada nova geração lhe é mais difícil ou impossível de absorvê-lo. Urge, pois, instaurar a ciência do ensinar, seus métodos, suas instituições, partindo deste humilde e esmirrado princípio: a criança ou o jovem é um discípulo, um aprendiz, e isto quer dizer que um ou outro não pode aprender tudo o que teria de ser-lhe ensinado – Princípio da economia do ensino [...] não é ciência aprender uma ciência nem ensiná-la, nem tampouco usá-la ou aplicá-la [...]. Saber não é pesquisar. Pesquisar é descobrir uma verdade ou seu oposto: demonstrar um erro [...]. A ciência é criação, e a ação pedagógica se propõe apenas ensinar essa criação, transmiti-la, injetá-la e digeri-la [...] é preciso, portanto, sacudir a árvore das profissões de um excesso de ciência, a fim de que dela reste o estritamente necessário e se possa cuidar das próprias profissões, cujo ensino se acha por completo em estado silvestre. Neste ponto está tudo por começar [...] o homem que não vive à altura de seu tempo, vive debaixo daquilo que seria sua autêntica vida, ou seja, falsifica ou rouba sua própria vida, ele a desvive. Hoje atravessamos – indo de encontro a certas presunções e aparências – uma época de terrível incultura [...] Urge que o homem de ciência deixe de ser o que hoje é com deplorável frequência: um bárbaro que sabe muito a respeito de uma determinada coisa [...]. Tudo preme para que se torne uma nova integração do saber, que hoje anda em pedaços pelo mundo [...]. Trechos extraídos da obra Missão da universidade (EDUERJ, 1999), do filósofo e ativista político espanhol José Ortega y Gasset (1883-1955). Veja mais aqui.

A MENINA DOS BRINCOS DE OURO - Uma Mãe, que era muito severa para os filhos, deu de presente a sua filhinha um par de brincos de ouro. Quando a menina ia à fonte buscar água e tomar banho, costumava tirar os brincos e botá-los em cima de uma pedra. Um dia ela foi à fonte, tomou banho, encheu o pote e voltou para casa, esquecendo-se dos brincos. Chegando em casa, deu por falta deles e com medo da mãe brigar com ela e castigá-la correu à fonte para buscar os brincos. Chegando lá, encontrou um velho muito feio que a agarrou, botou-a nas costas e levou consigo. O velho pegou a menina, meteu ela dentro de um surrão (um saco de couro), coseu o surrão e disse à menina que ia sair com ela de porta em porta para ganhar a vida e que, quando ele ordenasse, ela cantasse dentro do surrão senão ele bateria com o bordão. Em todo lugar que chegava, botava o surrão no chão e dizia: Canta, canta meu surrão, Senão te meto este bordão. E o surrão cantava: Neste surrão me meteram, Neste surrão hei de morrer, Por causa de uns brincos de ouro Que na fonte eu deixei. Todo mundo ficava admirado e dava dinheiro ao velho. Quando foi um dia, ele chegou à casa da mãe da menina que reconheceu logo a voz da filha. Então convidaram Ele para comer e beber e, como já era tarde, insistiram muito com ele para dormir. De noite, já bêbado, ele ferrou num sono muito pesado. As moças foram, abriram o surrão e tiraram a menina que já estava muito fraca, quase para morrer. Em lugar da menina, encheram o surrão de excrementos. No dia seguinte, o velho acordou, pegou no surrão, botou às costas e foi-se embora. Adiante em uma casa, perguntou se queriam ouvir um surrão cantar. Botou o surrão no chão e disse: Canta,canta meu surrão, Senão te meto este bordão. Nada. O surrão calado. Repetiu ainda. Nada. Então o velho meteu o cacete no surrão que se arrebentou todo e lhe mostrou a peça que as moças tinham pregado. Extraído da obra Contos tradicionais do Brasil para jovens (Global, 2006), do historiador, antropólogo, advogado e jornalista Luís da Câmara Cascudo (1898-1986). Veja mais aqui.

A GENTE TERRÍVELGente que tem o de que necessita gosta muito de dizer às pessoas / que não têm o de que necessitam que estas realmente de nada necessitam. / Eu queria poder juntar toda essa gente num Castelo sombrio no Danúbio e contratar meia dúzia de Dráculas eficientes para aterrorizá-la. / Não me importa que tenham muito dinheiro e não me importa como o empregam. / Mas penso que deviam admitir que gozam do seu dinheiro. / Entretanto insistem em ser dissimulados acerca dos prazeres da riqueza. / E a posse de uma boa renda anual lhes fazem pensar em que dizer duro é / fazer os extremos se tocarem e isto é o seu sagrado dever. / Não se concebe uma ocasião / em que se encontrem sem alguma evasiva apropriada. / Sim, sem dúvida em argumentos são fecundos. / O primeiro ponto é que o dinheiro não é tudo, / e que, de qualquer maneira, não possuem dinheiro, é o segundo. / O dinheiro de alguns foi merecido / o de outros foi herdado. / Mas, venha donde vier, / falam dele como se fosse alguma coisa junto com a qual contraíssem uma doença. / Pode ser isso certo. / Mas se for assim por que não se livram / eles desse peso, transferindo-o para os pobres necessitados, ou para mim? / Talvez a posse de riquezas seja uma tristeza constante, / mas quase desejaria receber toda a maldição da riqueza se pudesse ao mesmo / tempo receber todas as suas bênçãos. / Os únicos males incuráveis do rico são os males que o dinheiro não pode curar / e estes são males ainda mais maléficos para os que são pobres. / Certamente já muitas coisas na vida que o dinheiro não compra, mas, é engraçado... / já tentou alguém comprá-las sem dinheiro? Poema do poeta estadunidense Ogden Nash (1902-1971).

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte da bailarina prima italiana Alessandra Ferri.
Veja mais aqui.


Semana Ascenso Ferreira & muito mais na Agenda aqui.
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Vou danado com Ascenso com vontade de voar!, A escola, Eduardo Galeano, Oscar Niemeyer & a fotografia de Ilona Shevchishina aqui.

sábado, fevereiro 10, 2018

A PARNASO-SIMBOLISTA & A MODERNISTA POESIA DE ASCENSO


ASCENSO FERREIRA – Conheci Ascenso, "rei dos mestres, que aprendeu sem se ensinar", ou melhor, a sua obra, com a publicação da antologia "Poetas de Palmares", uma iniciativa do Juarez Correia e Eloi Pedro, editado pela Editora Palmares, em 1973, ano do primeiro centenário municipal. Eu, nesse tempo, contava com 13 anos de idade e saía recitando sua "Filosofia": "Hora de comer, - comer! Hora de dormir, - dormir! Hora de vadiar, - vadiar! Hora de trabalhar? - Pernas pro ar que ninguém é de ferro!". E já me esgueirava fazendo jograis com a turma do colégio com seus poemas engraçados e que representavam a realidade daquele lugar: as feiras, as iguarias locais, a vida besta, a putaria, a risadagem, o adiantamento, as invencionices peculiares ao local onde nasci.
Na antologia estavam Raimundo Alves de Souza (alfaiate, Don Juan inveterado, noventa e tantos anos nas costelas, um poeta que morreu criando a maior polêmica por ser o pai biológico de Vinicius de Morais), o poeta e folclorista Jayme Griz, o artista plástico Teles Júnior, o teatrólogo e poeta Fenelon Barreto, meu pai Rubem Machado, e toda uma plêiade que consagravam à terra dos Palmares a verdadeira "Terra dos Poetas".
No volume ainda podia conhecer a obra dos mais novos poetas que surgiam à época com belíssimos poemas, como Eniel Sabino de Oliveira, Afonso Paulins e Juarez que, ao organizar a antologia, fechava o volume.
Com o livro tive contato com poesias como "Cinema", "A Sucessão de São Pedro", "Predestinação", "Folha Verde", "Graff Zeppelin" e "Black-out" que me levaram a buscar nos cafundós de Judas, qualquer edição dos livros publicados de Ascenso. Foi incensante porque não o conheci pessoalmente, vez que, como honra, apenas podia ser seu conterrâneo por ele haver nascido na rua dos Tocos, no dia 9 de maio de 1895, em Palmares e de ter morrido no dia 05 de maio de 1965, no Recife, quando eu contava apenas com cinco anos de idade.
Pois bem, em 81, o incansável poeta Juareiz Correya lançou pela Nordestal, o livro "Poemas de Ascenso Ferreira", reunindo seus livros "Catimbó", "Cana Caiana" e "Xenhenhém". Além dos poemas de Ascenso, estavam ali ensaios de, nada mais nada menos, que Manuel Bandeira, Sérgio Milliet, Mário de Andrade, Luís da Câmara Cascudo, Roger Bastide, um depoimento "Minha vida com Ascenso", da companheira dele Maria de Lourdes Medeiros e ilustrações de Gilvan Samico, Wellington Virgolino, Tereza Costa Rego, Abelardo da Hora, Bajado, Sílvia Pontual, Gl Vicente e muitos outros artistas plásticos pernambucanos de renome.
Ao folhear suas páginas, fiquei logo embevecido com as palavras de Manuel Bandeira: "os poemas de Ascenso são verdadeiras rapsódias do Nordeste, nas quais se espelha moravelmente a alma ora brincalhona, ora pungentemente nostálgica das populações dos engenhos e do sertão". E o Sérgio Milliet declarando que a contribuição de Ascenso para o modernismo brasileiro era "das mais originais".
Não menor a satisfação ao ler as palavras de Mário de Andrade: "[...] depois que as personalidades dos iniciadores se fixaram, só mesmo Ascenso Ferreira trouxe pro modernismo uma originalidade real, um ritmo verdadeiramente novo. Esse é o mérito principal dele a meu ver, um mérito inestimável".
Luís da Câmara Cascudo, por sua vez, sentenciou: "[...] e não há quem o ouça para não sentir o encanto irresistível duma poesia estranha e doce, bravia e sincera, cheia de vitalidade e de força evocadora. [...] Ascenso Ferreira, Ascensão... guardem o nome de um grande poeta!" E Roger Bastide arrematou: "[...] uma beleza que merecia ter seu poeta, e este poeta é Ascenso Ferreira".
A companheira Lourdes, que conheci anos depois, viu primeiro o poeta. E tomou com ele uma cerveja preta, depois duma queda assustada com aquele volumão de gente. Ela adolescente, ele cinquentão. Desse encontro veio Maria Luiza, iluminando o casal.
Em 1985, portanto, a Fundação Casa da Cultura Hermilo Borba Filho, de Palmares, sua terra natal, em convênio com a Secretaria de Educação do Estado de Pernambuco, publicou um outro livro com o título do mais célebre de seus poemas parnasianos, na afirmação de Luíz da Câmara Cascudo, "Eu voltarei ao sol da primavera", uma pesquisa organizada pela professora Jessiva Sabino de Oliveira, então diretora da Biblioteca Pública Municipal Fenelon Barreto, também de Palmares, resultado de 10 anos de estudos nos arquivos do jornal "A Notícia", onde Ascenso adolescente rimava parnasiano.
Nesse ínterim, Alceu Valença musica dois poemas seus, "O trem das Alagoas" e "Oropa, França e Bahia", duas belas páginas do cancioneiro nordestino. Agora outras iniciativas, como a de Chico Anysio gravar um disco com seus poemas e meio mundo de gente incluir seus poemas em shows, teatros, cinema e espetáculos.
Nunca que poderia esquecer desse grande poeta, que um dia, segundo relato da própria Lourdes, chegando em casa em época natalina, viu a ornamentação da sala e saiu destruindo tudo. Um espanto, porque aquele homenzarrão era de uma ternura singular. Depois da revolta, trancou-se no quarto. Horas mais tarde, saiu carinhosamente procurando por Maria Luiza com um poema intitulado "A Festa": "Minha filhinha, Papai Noel! É uma figura tragicômica! Não se iluda com os seus enredos! Pois que no meio dos seus brinquedos! Virá um dia a bomba atômica!". Salve, Ascenso!

A OBRA DE ASCENSO FERREIRA - [...] Depois, passados os recitais, tempos vivenciados no Sul e a voracidade e velocidade modernista, a figura do homem suplantou a obra. Passou a ser mais conhecido por sua figura diferente, por sua récita, por sua nordestinidade, por sua boemia. Alvo de falas que às vezes beiravam a folclorização da personalidade artística. Não que isso seja ruim, muito pelo contrário, feliz do poeta que é amado e conhecido. Mas, como sempre há um mas... [...]. Trecho do texto Leituras sobre Ascenso (SESC/LAL, 2016), da poeta e curadora do Laboratório de Autoria Literária Ascenso Ferreira, Cida Pedrosa. É com as palavras da poetamiga mencionada, que inicio aqui uma descrição da trajetória parnaso-simbolista e a modernista de Ascenso Ferreira. Pra quem nasceu na mesma cidade do poeta, muito se ouvia e dizia a respeito dele. Prefiro destacar aqui a seu respeito, o que disse Cavalcanti (2001, p. 117) [...] Grande poeta do povo, catador das alegrias e das tragédias sociais da zona do açúcar. Ascenso, o menestrel do movimento antropofágico, tem sido subestimado pelos historiadores da literatura nacional, pelos críticos de arte, além de, atualmente, pouco conhecido das novas gerações de leitores. [...].


A VIDA

Ascenso Ferreira

O dia nasce, o sol desponta, a terra toda
Acorda para a luta infinita da vida.
E do sono da noite ainda enlanguescida
Sacia-se da luz na formidável boda.

A abelha faz o mel; a formiga incansável
Segue para o labor fecundo do trabalho,
Palpita na floresta a serva em cada galho
E cada flor canta um hino incomparável.

O mar soluça; o vento ruge; as nuvens correm
Azuis, tal como se no anil as mergulhassem,
E se cruzam no espaço os risos dos que nascem
Com a nênia profunda e triste dos que morrem!

É a vida no zênite; é a vida em todo o imenso
Triunfal esplendor de sua luta insana,
Na qual se digladia a grande prole humana
Um ao outro querendo ultrapassar o Ascenso.

E tudo luta. E tudo busca; e tudo sonda
Qual o modo melhor de poder triunfar:
A gota d’água aspira a glória de ser onda
Enquanto a onda aspira a glória de ser mar.

O PARNASO-SIMBOLISMO NA POESIA DE ASCENSO FERREIRA – A reunião dos poemas parnasianos de Ascenso Ferreira foi realizado por Sabino (1985), recolhido do acervo do jornal A Notícia, do qual o autor foi um dos colaboradores por mais de meio século, iniciando em 1913. Quase diariamente eu visitava a professora Jessiva na Biblioteca e via-lhe debruçada por inúmeras edições do Jornal A Notícia. Ela conversava comigo da pesquisa de décadas nessas publicações, ressaltando a carreira inicial do poeta Ascenso. A respeito dessa fase do poeta, Benjamin (2001, p. 107) assinala que: [...] Antes de aderir ao Modernismo, Ascenso Ferreira já se tornara conhecido no Recife. Primeiro pela repercussão do poema Pro Face e, depois, pela divulgação do Soneto (Eu voltarei ao sol da primavera) que teve uma calorosa acolhida, especialmente entre acadêmicos de direito (segundo depoimento de Câmara Cascudo), entrando para o repertório dos improvisados recitais boêmios da estudantada e dos saraus da burguesia recifense. [...]. A razão da aceitação da poesia pré-modernista de Ascenso, está na sua fidelidade aos modelos consagrados da época – um parnasianismo, às vezes de gosto simbolista, que ele soube trabalhar com maestria de fatura e inspiração, que nada ficava a dever aos seus contemporâneos. [...] de exaltação decadentista da forma levada às últimas consequências na métrica e na rima, no vocabulário rebuscado – nobre, requintado, erudito – de difícil compreensão, mesmo para os letrados da época. As fontes de inspiração serão as mesmas dos outros poetas do tempo: amores contrariados, descrições de paisagens de cromos e postais, pensamentos de filosofia exóticas, personagens e enredos literários e cinematográficos (Salambô, Salomé, a Vampira Indiana, Spartacus) e uns poucos de fervor político. [...]. Alguns poemas são de ocasião – perfis de pessoas conhecidas com a identidade oculta e versos a pedido, para ilustração dos álbuns de recordação de senhoritas e senhoras. [...]. Este período poético também foi registrado por Cascudo (1981): Quando fui estudar Direito na Faculdade do Recife conheci Ascenso Ferreira, Ascensão, olhando a vida do alto de um metro e noventa e pisando com cem quilos as ruas velhas. [...] Ascenso fazia sonetos e um deles ficou célebre: - “Adeus! Eu voltarei ao sol da primavera”. Chovesse, ou encadeasse sol, fatalmente, na despedida, vinha a chave de ouro: - - “Adeus! Eu voltarei ao sol da primavera”. Ascenso, durante cinco anos, foi um companheiro dileto, solidário, com as caminhadas sem rumo, namorando casario colonial, calcando as pedras que viram Nassau e ceando peixe frito num frege ou devorando abacaxis no cais que se chamava abacaxis. Essas horas era, delirantemente poéticas. Assisti Ascenso largar o “Sol da Primavera” e escrever e dizer seus versos iniciais, absolutamente copyright by Ascensão. [...].
Correya (2001, p. 11) registra um depoimento de Ascenso para o livro “Testamento de uma geração”, de Edhard Cavalheiro, acerca do início de sua carreira: [...] As obras da literatura clássica greco-romana traduzidas por Latino Coelho. Todas as obras da literatura francesa. Obras completas de Nina Rodrigues, Aluisio de Azevedo, Machado de Assis, José de Alencar e Eça de Queiroz. E tudo isso eu fui devorando numa ânsia tremenda de beber instrução, fazendo confusões absurdas e saltando em 24 horas de simbolismo de Flaubert para o naturalismo de Balzac e caindo no lirismo dos Simples de Guerra Junqueiro ou de Goethe, tradução de Feliciano de Castilho, foi para mim floresta selvagem cujo intrincado nunca pude transpor. [...] E danei-me logo a escrever sonetos, baladas, madrigais... [...]. A respeito desse período, acrescenta Correya (2001) que: “[...] As mulheres do poeta foram muitas [...] É bem verdade que os arrebatamentos, os arroubos românticos que constituíam o ideal do amor no jovem poeta, ainda parnasiano, determinaram, verso por verso, a sua produção iniciante”.
Quando o livro “Eu voltarei ao sol da primavera”, eu estava presente e não poderia ser diferente, duas conquistas eram comemoradas: a publicação dos estudos de décadas da professora Jessiva Sabino de Oliveira e a luta consistente e diuturna do poetamigo Juareiz Correya.
Da minha parte, só posso concordar com o que expressa Gomes (2016, p. 138): [...] Se pudéssemos resumir a poesia de Ascenso em uma única palavra, não estaríamos longe de errar se respondêssemos: polifônica. Essa é uma característica já presente em sua fase parnaso-simbolista e que se acentua, formidavelmente, em sua produção madura. Acrescente-se a observação apropriada de Vitor (2016, p. 182): [...] Nessa fase mais parnasiana do escritor, ainda preso aos modelos clássicos, é fácil notar a centralização de sua poesia nas donzelas brancas, o que vem a mudar justamente com o contato de Ascenso com o Modernismo e as novas teses freyrianas. [...] o qual inova na forma de um discurso mais crítico da personagem feminina colocando-a como sujeito das próprias ações ao contrário das personagens estáticas alvo de admirações ou exaltações da beleza. [...].
Não menos valioso o depoimento de Bandeira (1981, p. 10) [...] Por esse tempo Ascenso não era ainda, como é hoje, grande em três dimensões. Até os vinte e quatro anos foi tão magro que lhe puseram o apelido de “tabica de senhor de engenho”. Depois é que principiou a botar corpo. Meteu-se na política e por causa dela teve de deixar a cidade natal. No Recife, onde se fixou, entrou a recitar nas ruas e em casa de amigos os seus primeiros versos.


MINHA TERRA

Ascenso Ferreira

Minha terra não tem terremotos...
nem ciclones... nem vulcões...
As suas aragens são mansas e as suas chuvas esperadas:
chuvas de janeiro... chuvas de caju... chuvas-de- santa-luzia..

Que viço mulato na luz do seu dia!
Que amena poesia, de noite, no céu!

– Lá vai São Jorge esquipando em seu cavalo na lua!
– Olha o Carreiro-de-São-Tiago!
– Eu vou cortar a minha íngua na Papa-Ceia!
O homem de minha terra, para viver, basta pescar!
e se tiver enfarado de peixe, arma o mondé
e vai dormir e sonhar...
que pela manhã
tem paca louçã,
tatu-verdadeiro
oujurupará...
pra assá-lo no espeto
e depois comê-lo
com farinha de mandioca
ou com fubá.

O homem de minha terra arma o mondé
e vai dormir e sonhar...
O homem de minha terra tem um deus de carne e osso!
– Um deus verdadeiro,
Que tudo pode, tudo manda e tudo quer...
E pode mesmo de verdade.
Sabe disso o mundo inteiro:
– Meu Padinho Pade Ciço do Joazero!
O homem de minha terra tem um deus de carne e osso!
Um deus verdadeiro..
Os guerreiros de minha terra já nascem feitos.
Não aprenderam esgrima e nem tiveram instrução...
Brigar é do seu destino:
– Cabeleira!
– Conselheiro!
– Tempestade!
– Lampião!
Os guerreiros de minha terra já nascem feitos:
– Cabeleira!
– Conselheiro!
– Tempestade!
– Lampião!

MODERNISMO - Com relação ao movimento modernista, Coutinho (1978), Martins (1965), Lima (1951), Castelo (1961), Chiachio (1951), Franceschini (2006), Barros (1977), Benjamin (1988), Correia (2016), Salazar (2016), Lamenha (2016), e Pedrosa (2016), assinalam a inclusão de Ascenso Ferreira entre os seus integrantes, depois da fundação do Centro Regionalista do Nordeste de 1924 e do I Congresso Regionalista do Recife, de 1926. Observa Milliet (1981) que: [...] Na revolução poética do Brasil, já o observou Manuel Bandeira, o grupo do Recife escapou à influência imediata e imperialista dos modelos europeus. Da revolução que se iniciou em São Paulo só lhes interessou a liberdade conquistada. Graças a ela pôde não apenas assenhorear-se de novas técnicas mas ainda ir pesquisar as solução tradicionais e populares. Daí o valor brasileiro – talvez intraduzível – de poetas como Joaquim Cardozo e Ascenso Ferreira. [...]. Mas foi o depoimento de Andrade (1981, p. 17) que esclareceu o verdadeiro nível de Ascenso no movimento: No Brasil, fazia tempo que a poética modernista andava sem novidade. [...] Depois que as personalidades dos iniciadores se fixaram, só mesmo Ascenso Ferreira com este Catimbó trouxe pro modernismo uma originalidade real, um ritmo verdadeiramente novo. Esse é o mérito principal dele a meu ver, um mérito inestimável. [...]. É partir dessas declarações que muito começa a ser dito e falado sobre Ascenso, a exemplo do que se refere Bastide (1981): [...] A poesia é a escada que vai da terra ao céu. Ascenso Ferreira finca seu pé na gleba do Recife e no seu background fortemente, carnalmente [...]. É o que assegura Litrento (1978), ao mencionar que se trata de um expressivo poeta de acentuada vinculação folclórica, cantor das assombrações e dos engenhos, figurando entre Manuel Bandeira, João Cabral de Melo Neto e Joaquim Cardozo, como grandes expressões poéticas do Brasil.
Os poemas de Ascenso Ferreira foram reunidos em volumes organizados por inicialmente por Correya (FERREIRA, 1981), reunindo as obras Catimbó, Cana Caiana e Xenhenhém, e, posteriormente, por Silva (2015). Trata-se de uma poética que, segundo Gomes (2016, p. 138): [...] Há um certo antilirismo nessa polifonia, que muitas vezes rebaixa a voz do eu-lírico, ou mesmo a oculta totalmente. A multiplicidade de vozes, entrecortada, por narrações configuram um acento épico aos seus versos. Mas o conteúdo das histórias narradas por Ascenso, as vezes em versos heroicos, são opostos aos temas sérios, aos homens ditos superiores da epopeias clássicas. [...]. É dessa contradição entre o lírico, o dramático e o épico que surge a estranha poesia de Ascenso. [...]. Conforme Lamenha (2016, p. 32), [...] colocava em versos o dia, um versificador de crônicas, que via a vida do dia a dia [...], e que, no dizer de Barros (1977, p. 93): [...] primeiro que outro no Brasil, incluiu no recitativo um trecho musical popular, um refrão, um trecho de embolada, com impressão sonora de cor e ambientes local [...] E não há quem o ouça para não sentir o encanto irresistível duma poesia estranha e doce, bravia e sincera, cheia de vitalidade e de força evocadora. [...]. Por conta disso, Guilhermino (2016, p. 59) assevera que Ascenso [...] como um autor que congrega em sua escrita elementos tipicamente nordestino, reflexos do meio no qual esteve inserido. Seus poemas são verdadeiras rapsódias do Nordeste, nas quais se espelha moravelmente a alma ora brincalhona, ora pungentemente e nostálgica das populações do engenho e do sertão. [...]. Acrescenta Coelho (2016, p. 73) que: [...] recorre aos ditos populares, cantigas, canções e lendas para configurar a sua poética com uma forte carga brasileira. Ao apropriar-se dos temas da cultura popular, o autor revisitou memórias coletivas que se tornaram artifícios estéticos de recriação do ethos pernambucano. [...] confirma-se um projeto identitário brasileiro, que se realiza pelo diálogo de várias linguagens comuns à vivência do nordestino e, mais precisamente, de Pernambuco.
Por conta disso, Vitrolira (2016, p. 93) observa que: [...] a frente do seu tempo, inovou em estética e temática, permanecendo atual para a contemporaneidade [...] estabelecendo uma relação dialógica entre os dois universos e avaliando suas divergências ideológicas por meio da ironia de modo sutil que motivam, no leitor, o riso, embora discreto. [...]. Tal condução leva Martins (2016, p. 113) a expressar que: [...] prova que é possível produzir uma poesia única, unindo a literatura nacional com a cultura popular, sobretudo com a cultura regional. A poesia de Ascenso relaciona harmoniosamente as correntes que supostamente não poderiam convergir. Sua poesia triunfa uma vez que quebra com os paradigmas da época em que as duas correntes não poderiam dialogar. [...]. Além do mais, observa Durán e Azevedo (2005) que [...] A obra de Ascenso é, dessa forma, documental porque registra um espírito de um povo com suas lendas, mitos, tradições e história. Consegue mapear os costumes e a espacialidade, mesclando os falares numa linguagem contrastante do coloquial ao erudito e até do dialetal. Uma poesia essencialmente universalizante, porém, como se percebe, enraizada no solo da sua terra e na alma da sua gente. [...]. O que leva Gomes (2016, p. 146) a concluir que: [...] a maior fecundidade de Ascenso Ferreira está, pois, em sua declamação. A força de seu dizer, ecoa ainda hoje, na poesia falada nas ruas e becos do Recife. O dizer cantando, acentuado e dramático resiste até hoje. [...].

REFERÊNCIAS

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BANDEIRA, Manuel. Ascenso Ferreira. In: Poemas de Ascenso Ferreira: Catimbó, Cana Canaiana, Xenhenhém. Recife: Nordestal, 1981.
BARROS, Souza. 50 anos de Catimbó. Rio de Janeiro: Cátedra, 1977.
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CHIACHIO, Carlos. Modernistas e ultramodernistas. Salvador: Progresso, 1951.
COELHO, Laiane. A tradução cultural da memória coletiva de Pernambuco por meio da obra Catimbó de Ascenso Ferreira: uma análise do contexto sociocultural em suas maleáveis raízes. In: Palavras para Ascenso: coletânea de artigos. Recife: SESC/LAL, 2016.
CORREIA, Severino. Uma visão melopoética sobre a obra de Ascenso Ferreira. In: Palavras para Ascenso: coletânea de artigos. Recife: SESC/LAL, 2016.
CORREYA, Juareiz. Ascenso Ferreira: o Nordeste em carne e osso – perfis pernambucanos. Recife: Bagaço, 2001.
COUTINHO, Afrânio. Introdução à literatura no Brasil. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1978.
DURÁN, Socorro; AZEVEDO, Avani. A contribuição sociológica da poesia de Ascenso Ferreira. Palmares: Gil, 2005.
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GOMES, Ricardo. Ascenso Ferreira, muito prazer. In: Palavras para Ascenso: coletânea de artigos. Recife: SESC/LAL, 2016.
GUILHERMINO, Josicleide. Ascenso Ferreira: sentimento da terra. In: Palavras para Ascenso: coletânea de artigos. Recife: SESC/LAL, 2016.
LAMENHA, Antonio. A poesia sentimental de Ascenso Ferreira. In: Palavras para Ascenso: coletânea de artigos. Recife: SESC/LAL, 2016.
LIMA, Alceu Amoroso. Introdução à literatura brasileira. Rio de Janeiro: Agir, 1956.
LITRENTO, Oliveiros. Apresentação da literatura brasileira. Rio de Janeiro: Forense-Universitária, 1978.
MARTINS, Wilson. A literatura brasileira: o Modernismo. São Paulo: Cultrix, 1965.
MARTINS, Maria. A voz africana na poesia de Ascenso Ferreira: considerações acerca da influência da cultura negra em Catimbó. In: Palavras para Ascenso: coletânea de artigos. Recife: SESC/LAL, 2016.
MILLIET, Sérgio. Ascenso Ferreira, rei dos mestres. In: Poemas de Ascenso Ferreira: Catimbó, Cana Canaiana, Xenhenhém. Recife: Nordestal, 1981.
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SALAZAR, Jussara. Entre cafunés e tambores: Ascenso, Bopp and Wally... In: Palavras para Ascenso: coletânea de artigos. Recife: SESC/LAL, 2016.
SILVA, Valéria (Org.). Como polpa de ingá maduro: poesia reunida de Ascenso Ferreira. Recife: CEPE, 2015.
VITOR, Zé. A representação do feminino na poesia de Ascenso Ferreira. In: Palavras para Ascenso: coletânea de artigos. Recife: SESC/LAL, 2016.
VITROLIRA, Luna. As surpresas da ironia em Ascenso Ferreira. In: Palavras para Ascenso: coletânea de artigos. Recife: SESC/LAL, 2016.

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