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sexta-feira, agosto 23, 2019

GAUGUIN, NAZIK AL-MALAIKA, ASCENSO & OSCAR MENDES, DANI ACIOLI, ALOISE BAHIA & INJUSTIÇA


TEHURA DE GAUGUIN – Chega uma hora em que se tem que se valer só de si e o que fazer da vida. Emigrei com Le mariage de Loti, e o meu diário de viagem, Noa Noa. Na busca incessante por criar, saí de casa para ter paz e tranquilidade, me livrar do mundo decadente, abandonado por todos. Atravessei privações, doenças, indigência e incompreensões. Estava sufocado, tudo podre ao redor, enregelante situação. A quem amava, via-me pelas costas, intolerante, esperneio de mimada. Tudo numa degradação física e psicológica, entediado com o mundo das artes, aventurar além-mar era o que podia: havia vida além da contaminada civilização, tinha certeza. Viagens e boêmia mundo afora, o que pude, e nele todas as mulheres do Panamá, Peru, Copenhagen, Bretanha, Martinica, Brasil, Polinésia, até o Taiti, onde encontrei colorido, inspiração e liberdade. Insulado, descurava: a podridão colonial espancava uma prostituta à beira-mar. Indignação de encarar meu arredado exílio voluntário, miserável entre o bucólico exótico e selvagem erótico. Era tudo isso. Permaneci entre as ninfas de Corot, dançando no bosque sagrado de Ville-d'Avray e os infinitos mistérios cambiantes. Não havia como escapar e a vida na pobreza de Papeete, ao lado da doença, falência e miséria. Sem mantimentos, incapaz de pescar no Platô de Taravao, tropecei faminto, exausto, até desmaiar na volta para La Maison du Jouir, minha cabana, meu abrigo solitário com a diabete, a sífilis e um ataque cardiovascular. Ao acordar, a bela jovem Tehura dançava sensualmente à luz do fogo, na ilha vulnerável de Fa’ane, inspirando Manao tupapau - Espírito dos mortos em vigília. Uma menina-moça de Huahine, era ela, na verdade, Teha’amana, a doadora da força, impenetrável, com a flor tiare vermelha no ouvido, uma cicatriz na sobrancelha direita, de uma queda dum pônei na infância. Realçava essa Eva primitiva, nativa vahine, entre mangas maduras, glifos, o mar azul-turquesa, paisagens verdejantes, montanhas sombrias e rostos de pedra divididos por cachoeiras espumantes, um paraíso edênico. Durante a refeição formalizei meu amor por ela, ao dispor de frutas silvestres, sabores de fruta-pão, bananas, peixes, camarões e porcos. Ofereciam comida aos forasteiros, um ato de caridade. Cheio de felicidade, entre beijos e sexo, conversamos sobre as estrelas e me contou histórias de sua gente, para embalar meu coração exilado: O enigma que se esconde no fundo de seus olhos infantis ainda é incomunicável para mim. Ela deslizava por um bosque daquela desabitada beleza num vestido branco sensual, para ir à igreja. Os seus olhos azuis nórdicos agitou-me a rebeldia: essa barbárie me rejuvenesceu. Esculpi seu semblante, o meu terno amor. Dei-lhe colares de miçangas e anéis de latão, e para ela fiz a Merahi metua no Tehamana, o busto Tête tahitienne e uma escultura em madeira. Uma paixão tão dolorosa, circunstâncias terríveis, a vida explodiu. Deu-me o místico pensar: De onde viemos? O que somos? Para onde vamos? Meus olhos se fechavam e, sem entender, viam o sonho no espaço infinito que se estende, esquivo, diante de mim. A natureza exuberante e indomável, intimamente. Permanentemente empobrecido, me vi numa frustrada tentativa de suicídio com arsênio: sou escravo da sensualidade febril das mulheres polinésias. As minhas feridas sifilíticas fizeram-na me recusar. Conflitos, efeitos da doença, as manchas de pele ao Sol, a barba mal feita, um olhar alucinado, a penúria de uma vida marcada por frustrações. Não era pouco, pior a sua recusa. Passava fome, trabalhava como estivador, a saúde extremamente debilitada. Falo francamente: sou difícil e podem me chamar de hedonista. Fiz para me livrar das convenções e desbravar a vida libertária. Sei das minhas questionáveis escolhas entre o sonho e a loucura, era o meu projeto de vida inteira. Nunca fui fácil nem herói incólume, um vasto abismo: tudo muito delicado. Eu amei, muito. Dei-me o direito de ousar tudo e não neguei meus mestres. Amei com a minha possessividade sexual, a alma invadida por lembranças profundas. Amei demais e nunca me contentei em sonhar: a vida vinga o sonho na poesia. Amei desmedidamente e embora pensem que sou um mito ou algo inventado por todos, sou apenas o amor e a quem amo, mesmo incompreensível. Contudo, sou forte porque nunca sou jogado fora do curso por outras pessoas e porque faço o que há em mim. Tanto sofrimento me fez aprender e me libertar no amor e para me enterrar aqui nas remotas ilhas de Marquesas, a morrer de amor. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo & mais aqui e aqui.

DITOS & DESDITOS:
[...] Utilizando a temática que a vida nordestina lhe fornecia, compôs seus poemas, cheios de ternura e de ironia, de romantismo e de malícia, fixando, muitas vezes, num verso, numa frase, um aspecto típico da região, de um personagem, da psicologia de uma sociedade e de um povo. Gostava de, ele próprio, declamar seus versos, numa toada de jeito popular, que dava um sabor e um toque todo especial à sua poesia. [...] em que reevoca a vida nordestina, o seu folclore, os seus costumes, as suas figuras típicas, tudo numa misturada de malícia, de sensualidade, de ironia, de sátira, de sentimentalismo, de romantismo, de alegria e de tristeza, que tornava sua poesia de sabor inesquecível. [...] Escrevia, sim, em muitos dos seus poemas, na linguagem simples do povo, com seus modismos, seus idiotismos, mas não descurava de fazer poemas em linguagem correta e letrada. A sua poesia estava toda impregnada da sua terra, do seu barro, das águas de seus rios, de seus mangues, das suas frutas, da sua viração, das suas noites de luar, do dengue de suas mulheres, de suas alegrias e de suas dores.
Trechos da crônica O grande descanso de Ascenso, extraído da obra Tempo de Pernambuco – ensaios críticos (EdUFPE, 1971), do advogado, crítico literário, tradutor e escritor Oscar Mendes (1902-1983). Veja mais da obra aqui & de Ascenso Ferreira aqui.

A POESIA DE NAZIK AL-MALAIKA
CALENDÁRIO: Para os nossos passos houve um passado; está morto / Por centenas de anos. / Os anos apagaram sua memória / E eles o colocaram entre os mortos. / Nós procuramos por muito tempo / Suas estrelas desaparecidas / Nós recorremos ao impossível / Para restaurar sua vida. / Nós tentamos, atravessando os séculos, / Traga-o de volta ao seu começo, / Na esperança de recuperar nossos sentimentos, / E nós retornamos de mãos vazias. / Nós passamos pela escuridão / Franked o impassível, imóvel, / Desenterrando ossos empilhados / E nós não encontramos o perdido. / Nós vimos frentes lá / Que eles não viram porque eram cegos, / Olhos auto-absorvidos na vida / Silencioso, porque eles eram mudos. / Nós vimos restos de corações / Embalsamado com a memória. / Em vão tentaram encontrar / O significado... eram restos. / Nós vimos lábios vazios / Eles não fizeram reclamações ou sentem fome / E mãos murchas e dobradas / Cujo infortúnio não causou lágrimas. / Nós nos perguntamos sobre o nosso passado / E nós nos deparamos com um caixão. / Lá, no túmulo, o tempo se desvaneceu. / Voltamos ao calendário: / Você pode enganar os dias? / E ouvimos gritos nos restos / Depois do sarcasmo das figuras. Nós vimos o esperado amanhã / Arrastando sua metade paralisada, / Arrastando sua metade desprezada, / Está meio congelado, inerte. / Lá, um livro fechado / E a velha música acabou. / Amanhã a vida germinará / Nas feridas do tempo doloroso. / A voz de ontem será perdida / No turbilhão profundo do tempo / E nos sentiremos em nossos óculos / A palpitação do sonho que acorda. /
Poemas da obra Faíscas e cinzas (1949), da poeta iraquiana Nazik Al-Malaika (1923-2007). Veja mais aqui & aqui.
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POEMAS DE JOSÉ ALOISE BAHIA
O PAÍS QUE NÃO CONHEÇO DEU-ME UM BISAVÔ: o país que não conheço deu-me um bisavô, / navegante simples em seu barco cheio/ de peixes, que sempre volta à terra firme. / o país que não conheço deu-me um bisavô, / encantador de histórias do céu, fogo e ar. / lá no meio da baía vislumbra um castelo./ lá no meio da baía vislumbra um cardume./ o país que não conheço deu-me um bisavô, / bisavô dourado feito sol em ondas extensas, / bisavô que tarda e não falha a içar às velas, / bisavô que cedo madruga: que faz despertar / o mar que em mim se agita, me embarca / em tamanha travessia e liberta imagens / que chegam num turbilhão de norte a sul...
SONETOS NUM CORPO DILACERADO: Pelas fagulhas cortantes do desejo, de tão quente, queimam o rosto. Bambeiam as pernas. Faz amolecer os braços. Dispara a circulação. Ofega o pulmão. Decepa tudo. O tronco subsiste devido à presença do suco gástrico recheado de 14 linhas apropriadas contra o ataque de qualquer veneno disponível no campo do olhar.
NOVELO NUM CARRETEL: De uma infância distante e radical, onde rolavam cilindros dinâmicos, para um fluxo maduro: a desintegração num encontro explosível em manchas de cores aleatórias. Fundo, forma espaço — embate pessoal nas entranhas. Evidências do impossível no labirinto branco da tela revelam uma ponte: Minotauro palpitante.
Poemas do poeta e jornalista mineiro José Aloise Bahia. Veja mais aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Eu tenho uma produção que surge num repertório. É um repertório de construção do feminino, da mulher no mundo, na história, sobre como a gente sempre foi subjugada na construção de uma identidade cultural feminina. O lugar do feminino nessa relação sempre foi uma construção social de subjugação, de ser colocada no lugar da castidade ou no oposto disso.
A arte da artista visual e jornalista Dani Acioli. Veja mais aqui & aqui.

A OBRA DE GAUGUIN
Devo confessar que também sou mulher e que estou sempre preparado para aplaudir uma mulher que é mais ousada do que eu e é igual a um homem na luta pela liberdade de comportamento Eu fecho meus olhos para ver.
A arte inspirada na sua musa Tehura – a vahine, ou seja, a esposa nativa taitiana também nomeada Teha'amana, que é tratada no filme Gauiguin: Voyage to Tahiti (2017), dirigido por Edouard Deluc e inspirado no diário Noa Noa (Poseidon, 1943), quando o pintor Paul Gauguin decidiu por conta próprio exilar-se no Taiti. Lá ele espera reencontrar a pintura livre, selvagem, fora dos códigos morais, políticos e estéticos europeus, enfrentando a solidão, a pobreza e a doença. É quando ele se reúne com Tehura, a quem dedica terno amor e a transforma em tema de suas obras.
Veja a obra do pintor do pós-impressionismo francês Paul Gauguin (1848-1903) aqui, aqui & aqui.
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Dia Internacional de Combate a Injustiça aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.


quinta-feira, agosto 23, 2018

NAZIK AL-MALAIKA, SCHILLER, AGNÈS VARDA, MENOTTI DEL PICCHIA, ANTÔNIO MENESES, READ, KIM SUNG JIM & INJUSTIÇA


O RISO DELA - Imagem do artista coreano Kim Sung Jim. - Quando ela está triste, nada tem a menor graça: chuva na escuridão, destroços no caminho, velas ao vento. Fico todo à deriva nas insossas horas, fel nas palavras, janelas de portas fechadas no ermo das coisas. Quando ela se aparta recôndita, bandeira arriada, olhos no chão, aperto na alma estrangulando o coração. Quando ela vira as costas e sai às pressas, leva mais que a metade de mim não sei para onde e me perco de tudo, sou alma penada sem vez pra viver. Quando ela se tranca cofre lacrado, sou refém aprisionado no que não tem mais saída, escondida das minhas vistas em fuga pros astros a me deixar sem teto nem piso e tímida intimida o afeto e me deixa sozinho ao desencanto, desguarnecido da alheia estima, clarão que se apagou, as mãos minguadas no instante nublado. Mas quando ela sorri, tudo se enaltece e me embriaga, porque o riso dela é alameda pro passeio aprazível pela brisa da tarde e vegetissombras perfumadas pelo natural eflúvio dos frufolhas e rosabores; é a margem de rio porto seguro das manhãs ensolaradas no mormaço estival de todos sonhacordares; é a ponte entre o íntimo e o anímico a reverberar apaziguamento para todas as revelações cósmicas; é alvo que se acerta no afã da pontaria, gesto que desarma a ruindade do coração humano. O riso dela é o Sol que reina no esplendor das manhãs, flor que desabrocha para alegria dos jardins, brilho de estrela radiante iluminando o céu, cachoeira que deságua irrigando o mundo, vulcão eruptivo no espetáculo da Terra, onda que se joga rebentando pro baque nos arrecifes, correnteza que leva o rio pro mar. O riso dela cabe na palma da mão e no oco do mundo, irradiando luz por todos os quadrantes e anima meu coração para labuta de todos os dias e guerras de sobrevivência. O riso dela são fogos de artifícios nas festas que em mim se agigantam como girândolas de todas as comemorações. Não há quem não se renda, lábios entreabertos desnudando a fisionomia, a largada pro bem sentir, a chegada pra se sentir bem. O riso é dela, o prêmio é meu; sou o espelho da alegria folgando acorçoo até os seios de Nut a descobrir quantas galáxias se aninham no seu corpo, porque sou mais que a imensidão mais longínqua. Isso só por ela sorrir e com seu lindo sorriso esqueço de mim pra ser só dela. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo & mais aqui & aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá especial com a música do violoncelista Antônio Meneses: Sonata de Schubert, Concerto para violoncelo de Shostakovich, Concerto para violoncelo de Edward Elgar & Suíte Brasileira de Mehmari & muito mais nos mais de 2 milhões & 600 mil acessos ao blog & nos 35 Anos de Arte Cidadã. Para conferir é só ligar o som e curtir. Veja mais aqui, aqui e aqui.

PENSAMENTO DO DIA – [...] A natureza essencial da arte não se há de encontrar nem na produção de objetos destinados a satisfazer necessidades práticas, nem na expressão de ideias religiosas ou filosóficas, mas na capacidade do artista para criar um mundo sintético e de existência própria, que não é das necessidades e desejos práticos, nem o dos sonhos e da fantasia, mas um mundo composto por essas contradições: uma representação convincente da totalidade da expressão, ou seja, por conseguinte, um modo de encarar a percepção individual de algum aspecto da verdade universal. [...]. Trecho extraído da obra Arte e alienação: o papel do artista na sociedade (Zahar, 1983), do poeta e crítico de arte britânico Herbert Read (1893-1968). Veja mais aqui.

ARTE & POPULAÇÃO - [...] Nas classes mais baixas e numerosas, são expostos impulsos grosseiros e sem lei, que, pela dissolução do vínculo da ordem civil, se libertam e buscam, com furor indomável, sua satisfação animal. [...] Sua dissolução já é sua justificação. A sociedade desregrada recai no reino elementar em vez de ascender à vida orgânica. Do outro lado, as classes civilizadas dão a visão ainda mais repugnante da languidez e de uma depravação do caráter, tanto mais revoltante porque sua fonte é a própria cultura. [...] E não vemos aqui apenas sujeitos isolados, mas também classes inteiras de pessoas que desenvolvem apenas uma parte de suas potencialidades, enquanto as outras, como órgãos atrofiados, delas mal se vêm esboçar débeis indícios. [...] Eternamente acorrentado a um pequeno fragmento do todo, o homem só pode configurar-se a si mesmo como fragmento; ouvindo eternamente o mesmo ruído monótono da roda que ele aciona, não desenvolve a harmonia de seu ser e, em lugar de imprimir a humanidade em sua natureza, torna-se mera reprodução de sua ocupação, de sua ciência. [...]. Trechos extraídos da obra A educação estética do homem: numa série de cartas (Iluminuras, 1995), do poeta, dramaturgo, filósofo e historiador alemão Friedrich Schiller (1759-1805). Veja mais aqui.

NATAL - Já o burrinho ruma para a manjedoura. A estrela – seria, este ano, aquele enigmático cometa com nome japonês? – fulge no céu.  Bate um pastor na porta da choça do compadre: “Olá Esdras! Acorda, camarada! Vamos para Belém!” As ovelhas balam. Toda a terra é um advento. Até flores estranhas rebentam nos cálices e as corolas atônitas perscrutam na noite um milagre. Os lírios do vale já devassaram o mistério e murmuram com seus lábios imaculados: — Vai nascer Deus! Aí está. Vai nascer Deus. “Fenômeno de rotina” – dirá um político despistando um repórter. “Nada demais, senhor jornalista. Todos os anos nasce Deus”. O repórter, apressado e superficial, registra a declaração numa caderneta e telefona os seus apontamentos para o redator de plantão. “O doutor Chuvisco disse que não há novidade: o nascimento de Deus é fenômeno de rotina”. O redator aceita essa explicação bocejando e gosta da palavra “rotina” aplicada ao mistério do Natal, porque a palavra está na moda. E ninguém dá pela transcendência do prodígio. Meu vizinho, Felisbino de Freitas Trancoso, excelente pai de família, saiu cedo para a fila das castanhas. D. Ordália Lopes, que é sentimental e fidelíssima, mesmo porque pesa perto de seis arrobas, comprou uma gravata de seda italiana e uns suspensórios de matéria plástica para presentear o marido. Tenho uma sensível admiradora que me mandou um cromo – sempre fui louco por cromos! – representando o presepe.  Ali tudo é lindo: Jesus, tenro e sorridente, de cabelo cacheadinho e grandes olhos azuis abertos, como se um pimpolho que nasce, geralmente tão cheio de rugas e tão feio, pudesse ter aquele tamanho e aquela cabeleira de ouro… São José é um carpinteiro alinhado de túnica e talvez tenha saído nesse instante de uma arca. Maria Santíssima é um amor. — No Natal do ano passado – diz-me a D. Celestina – meu marido me deu uma geladeira. Fico pensando dentro da noite mágica: “No Natal do ano passado…” Há perfumes no ar que vêm dos cedrinhos do Jardim América e, por causa das árvores do Natal, a gente liga o cheiro da resina ao oriente místico, à chegada daquela divina mãe grávida, morta de canseira na sua marcha ao lado do velho e santo marido, até a cocheira que serviu de berço à salvação do mundo. A imaginação trabalha. Percebe que nos palácios distantes, acordadas pelo fulgor da estrela, os reis poderosos preparam suas caravanas de mirra, ouro e incenso, para ver a criança estranha que uma vaca aquece com seu hálito e um burrinho manso humaniza com a bondade que irradia dos seus olhos… — “Jornal da noite!” “Jornal da noite!” – berra um garoto sobraçando os últimos vespertinos. Compro uma folha. Não preciso ler pois a manchete metralha os meus olhos: “Dez mil árabes e cinco mil judeus em luta mortal na Palestina. Milhares de mortos e feridos…” Os sinos de Natal bimbalham. “Glória a Deus na altura e paz na terra aos homens de boa vontade.” Nasceu um Deus! Este ano nasceu outra vez um Deus! E me ocorre, fulmineia a interrogação trágica: — mas por que nasce um Deus todos anos? Um arrepio me percorre o corpo.  O calendário salta-me à memória pontilhada de guerras, brigas, roubos, bombas atômicas, crises econômicas, manobras políticas ditadas pela cobiça e ambição. No meio dessas memórias os sinos bimbalham. “Paz!” “Paz!” – brada Cristo, o Cristo que nascendo todos os 25 de dezembro há mil novecentos e quarenta e sete anos! Então, percebo a razão do Natal!  Dada a cruel desmemória dos homens é preciso que todos os anos nasça um Deus! Conto extraído da obra Entardecer (MPM, 1978), do poeta, jornalista, advogado e pintor brasileiro Menotti Del Picchia (1892-1988). Veja mais aqui.

NOTURNO - A noite desliza pelos campos, / As mãos das nuvens passam pelo horizonte / E a escuridão dorme, / Em impressionante calmaria, / Sob as asas do silêncio. / Só se ouve o arrulho das pombas, / O murmúrio gemente dos córregos / E um ruído de passos na escuridão / Que caminham suavemente. / Sento, entregando-me à calma da noite, / Contemplo a cor da triste escuridão, / Lanço meus cantos ao espaço / E choro por todos os corações ingênuos. / Ouço o sussurro das palmeiras, /A chuva que cai na noite, / Os gemidos de uma rola na escuridão / Que canta longe entre os galhos / E a queixa distante de um moinho / Que geme na noite e chora de fadiga. / Seus gritos atravessam meus ouvidos / E vai morrer por trás das colinas. / Escuto... só se ouve as plantas. / Olho... só se vê a escuridão. / Nuvens, silêncio e uma noite triste. / Como não me sentir aflita? / A vida para mim é como esta noite: / Trevas, melancolia, desesperança, / Enquanto os demais sonham com clareza / Numa profunda e impressionante noite. / Choro contínuo da natureza, / Silêncio da escuridão, gemido dos ventos, / Suspiros da brisa noturna, / Lágrimas de orvalho nos olhos da manhã. / Vejo nas ribeiras da desgraça / A multidão dos aflitos, / O cortejo dos famintos / Afugentados pelos uivos do destino, / Sem poder pronunciar palavras de despedida. / Escuto: só os soluços / Mandam seu eco aos meus ouvidos / Por detrás das fortalezas e sobre os campos. / Então, quem pode cantar comigo? / No futuro levarei minha lira, / Chorarei a desgraça do universo / E declamarei minha compaixão pelo seu infortúnio / Aos ouvidos do cruel tempo. Poema da poeta iraquiana Nazik Al-Malaika (1923-2007). Veja mais aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte da cineasta, fotógrafa e professora belga, radicada na França, Agnès Varda merece destaque. Desta feita quero apenas destacar dois filmes dela: Cléo from 5 to 7 (1962) e Response de femmes: notre corps, notre sex (1975).
Veja mais aqui.

AGENDA
Festival Internacional de Teatro em Canoas (8º Festia), de 31/08 a 9/09 UTC – Canoas & muito mais na Agenda aqui.
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Dia Internacional de Combate a Injustiça aqui, aqui, aqui & aqui


terça-feira, junho 18, 2013

ANNA J. COOPER, BRODSKY, JULIA HOWE, ADLER, ROMIJN & ZETTERLING

 


TRIBUTO À POETATIVISTA JULIA WARD HOWE (1819-1910) – Já havia passado o tempo, ela sozinha falava das lembranças das palestras que assistira, o estudo de muitas línguas e que escrevia dramas e ensaios anônimos sobre Goethe, Schiller e Lamartine. As estultices matrimonias a fez escrever peças teatrais como Leonora e outras, enquanto as viagens incluíam missões e o Hino de Batalha da República. Já havia escrito anonimamente o Maracujá e era abolicionista. Com Palavras para a hora era além de sufragista. Tornou-se defensora das mulheres e não poupava de suas críticas o seu próprio casamento e o lugar das mulheres na sociedade. A separação a fez tomar pé da situação: estava quase falida: “O objetivo ideal da vida é aprender, ensinar, servir, desfrutar”. Foi quando me mostrou os poemas antigos e novos de Sunset Ridge e de quando escreveu seu "Apelo à feminilidade em todo o mundo", este que ficou conhecido como a Proclamação do Dia das Mães: mulheres que deviam se unir em favor da paz. Com as Letras posteriores me disse: “Eu vou ficar com a minha resolução de escrever sempre o que eu acho que não importa quem ofende”. Com as viagens Do Carvalho à Oliveira vieram depois a Moderna Sociedade, a biografia da Marchesa Ossoli – Margaret Fuller, O Trabalho da Mulher no seu país, E questionou: A sociedade polida é polida? - um eufemismo para a alta sociedade. Com as autobiográficas Reminiscências: “Na natureza das coisas, devo em breve perder a visão dessa sensação de metamorfose constante cujos limites vinculam nossa vida humana”. E me deixou O hermafrodita inconcluso no Pôr do Sol, com seus muitos anos de luta aguerrida. Veja mais aqui e aqui.

 


DITOS & DESDITOS - A sensualidade máxima é alcançada quando você está bem consciente de si mesmo e, ao mesmo tempo, não se leva muito a sério. Pensamento da atriz holandesa Rebecca Romijn.

 

ALGUÉM FALOU: As mulheres são mais sensuais do que sexualmente atraentes, enquanto o oposto acontece com os homens. Pensamento da atriz e cineasta sueca Mai Zetterling (1925—1994).

 

UMA VOZ DO SUL POR UMA NEGRA – [...] Para mim, fé significa tratar a verdade como verdadeira. [...] Nosso Deus é poder; força, nosso padrão de excelência, herdado de ancestrais bárbaros através de uma longa linhagem de progenitores masculinos, a Lei Sálica não permitindo modificações femininas. [...] Desde que a ideia de ordem e subordinação sucumbiu à força e brutalidade bárbara no século V, o mundo civilizado tem sido como uma criança criada por seu pai. Ela precisou do grande coração de mãe para ensiná-la a ser misericordiosa, amar a misericórdia, socorrer os fracos e cuidar dos humildes [...] Quando pessoas de cor foram empregadas, muitas vezes foi como máquinas ou como manequins. Não tem havido disposição, geralmente, para obter o ideal do homem negro ou para deixar sua individualidade trabalhar por sua própria gravidade. [...] Eu sou o guardião da minha irmã! Deve ser a resposta sincera de todo homem e mulher da raça, e essa convicção deve purificar e exaltar os objetivos pessoais estreitos, egoístas e mesquinhos da vida em um propósito nobre e sagrado. [...] Muitas vezes confundimos a honra individual com o desenvolvimento da raça e, portanto, estamos prontos para substituir belas realizações por bom senso e propósito sério. [...] O respeito pela mulher, o muito elogiado cavalheirismo da Idade Média, significava o que temo que ainda signifique para alguns homens em nossos dias - respeito pelos poucos eleitos entre os quais eles esperam se relacionar. [...]. Trechos extraídos da obra A Voice from the South by a Black Woman of the South (1892 - Oxford University Press, 1988), da escritora, educadora, sociologa e ativista estadunidense Anna J. Cooper (1858-1964).

 

CANÇÃO DE BOAS VINDAS - Aqui está sua mãe, aqui está seu pai. \ Bem-vindo a ser sua carne e sangue. \ Por que você parece tão triste? \ Aqui está sua comida, aqui está sua bebida. \ Também alguns pensamentos, se você quiser pensar. \ Bem-vindo a tudo. \ Aqui está sua ardósia praticamente limpa. \ Bem-vindo, embora seja um pouco tarde. \ Bem-vindo de qualquer maneira. \ Aqui está o seu salário, aqui está o seu aluguel. \ O dinheiro é o quinto elemento da natureza. \ Bem-vindo a cada centavo. \ Aqui está seu enxame e sua enorme colméia. \ Bem-vindo ao local com cerca de cinco \ bilhões como você vivo. \ Bem-vindo à lista telefónica com o seu nome. \ Os dígitos são o objetivo secreto da democracia. \ Bem-vindo à sua reivindicação à fama. \ Aqui está o seu casamento e aqui está o divórcio. \ Essa é a ordem que você não pode inverter. \ Bem-vindo a ele; o seu, \ Aqui está sua lâmina, aqui está seu pulso. \ Bem-vindo ao jogar seu próprio terrorista; \ chame de seu Oriente Médio. \ Aqui está seu espelho, seu brilho dental. \ Aqui está um polvo em seu sonho. \ Por que você tenta gritar? \ Aqui está sua espiga de milho, seu aparelho de TV. \ Seu candidato sofrendo um transtorno. \ Bem-vindo ao que ele disse. \ Aqui está a sua varanda, veja os carros passarem. \ Aqui está o olho culpado do seu cachorro cagando. \ Bem-vindo ao seu álibi. \ Aqui estão suas cigarras, depois um chapim, \ a lágrima seca do bulbo em seu chá de limão. \ Bem-vindo ao infinito. \ Aqui estão suas pílulas na bandeja de plástico, \ seu decepcionante e nítido raio-X. \ Você é bem-vindo para orar. \ Aqui está o seu cemitério, um vale bem cuidado. \ Bem-vindo a uma voz que diz “Amém”. \ O fim da corda, velho. \ Aqui está a sua vontade, e aqui estão alguns \ tomadores. Aqui está um banco vazio. \ Aqui está a vida depois de você. \ E aqui estão suas estrelas que parecem ainda interessadas \ em brilhar como se você nunca tivesse existido. \ Eles podem ter razão, velho. \ Aqui está sua vida após a morte, sem deixar vestígios \ de você, especialmente do seu rosto. \ Bem-vindo e chame de espaço. \ Bem-vindo onde não se pode respirar. \ Assim, o espaço se assemelha ao que está por baixo, \e Saturno segura a coroa. Poema do poeta russo Joseph Brodsky (1940-1996). Veja mais aqui.

 

PSICOLOGIA INDIVIDUAL – Alfred Adler desenvolveu a sua teoria analisando seus pacientes: avaliando o que eles verbalizavam e o seu comportamento durante as sessões de terapia, numa abordagem mais relaxada e informal, usando o humor. A psicologia individual de Adler se concentra na singularidade de cada pessoa, negando a universalidade dos motivos e metas biológicas e que as pessoas não vitimadas pelos instintos e conflitos e condenadas por forças biológicas, nem pelas experiências da infância. A personalidade é moldada pelo ambiente e pelas interações sociais. O consciente é o centro da personalidade: estamos ativamente envolvidos na criação do nosso self no direcionamento do nosso futuro. As pessoas são mais motivadas pelo interesse social do que pelas necessidades de poder e domínio. A teoria de Adler é otimista ao defender que as pessoas não são motivadas por forças inconscientes porque possui o livre-arbítrio de moldar as forças sociais que influenciam e usá-las criativamente para construir um estilo de vida singular. A experiência determina como as tendências herdadas serão realizadas. As influencias da infância são importantes, principalmente a posição na ordem de nascimento e a interação com os pais. Os portões de entrada da vida mental são os métodos básicos de avaliação: são a posição na ordem do nascimento, as primeiras lembranças e a análise dos sonhos. A INFÂNCIA DE ADLER – A infância de Adler foi marcada por intensos esforços para compensar seus sentimentos de inferioridade. Assim, tendo uma infância marcada pela doença, consciência de morte e ciúme de seu irmão mais velho, uma vez que sofria de raquitismo e impedido de brincar com outras crianças, Adler foi mimado pela mãe por causa das doenças e destronado pela chagada do bebê. Gradativamente ele desenvolveu um senso de autoestima e aceitação social, superando as franquezas do sentimento de inferioridade para moldar o seu destino, mesmo tendo uma estatura baixa e limitações físicas. Estudou Medicina, interessando-se por doenças incuráveis que o levou a se especializar em neurologia e psiquiatria, quando tornou-se discípulo de Freud até romper com a Psicanálise e a desenvolver a sua própria teoria da personalidade mais voltada para o consciente e minimizando o papel do inconsciente. Introduziu na sua pratica profissional procedimentos de treinamento e orientação de grupos que foram precursoras das técnicas modernas de terapia de grupo. O seu pensamento traduz a ideia de que a infância é caracterizada pela falta de amor e segurança, quando os pais são indiferentes ou hostis, devolvendo sentimentos de falta de valor ou arte de raiva e encaram os outros com desconfiança. As crianças que são negligenciadas ou rejeitadas pelos pais podem desenvolver um sentimento de menos valia. Os mimos na infância podem levar a um estilo de vida mimado no qual a pessoa demonstra pouco ou nenhum sentimento social pelos outros. Os quatro tipos de mimo são: excesso de indulgência, que envolve uma gratificação persistente por parte dos pais em relação aos desejos e necessidades das crianças, o que leva a sentimentos de direito legitimo e a comportamentos manipuladores; o excesso de permissividade, que significa permitir que a criança se comporte como bem quiser, sem consideração pelos efeitos de seu comportamento sobre os outros, provocando a quebra das regras sociais e infringindo o direito dos demais; excesso de dominação, que significa que todas as decisões são tomadas apenas pelos pais, levado à falta de confiança da criança e à tendência de se tornar dependente de outros quando adultos; e superproteção, que significa prudência por parte dos pais, excesso de avisos sobre os perigos potenciais no ambiente, levando a uma ansiedade generalizada e à tendência de evitar situações sociais ou se esconder delas. SENTIMENTO DE INFERIORIDADE – É o estado normal de todas as pessoas, a fonte de toda a luta humana: estão sempre presentes como força motivadora no comportamento. o crescimento individual é resultado da compensação, da tentativa de superação da inferioridade real ou imaginária, impulsionado pela necessidade de superar a sensação de inferioridade e lutar por níveis cada vez mais altos de desenvolvimento. A compensação é a motivação para superar a inferioridade, lutando por níveis mais altos de desenvolvimento. É um processo que começa na infância porque as crianças são indefesas e totalmente dependentes dos adultos. A meta da compensação é uma vontade ou um impulso para o poder, no qual a agressão desempenha um papel importante. A inferioridade não é determinada pela genética, mas em função do ambiente de desamparo e dependência dos adultos: impossível escapar do sentimento de inferioridade, mas ele é necessário para a motivação na luta para crescer. Os sentimentos de inferioridade são a fonte da motivação e da luta, resultante das tentativas de compensar esses sentimentos, que são universais e determinados pelo desamparo da criança e da sua dependência dos adultos. COMPLEXO DE INFERIORIDADE – É a incapacidade de superar o sentimento de inferioridade intensificado. É a situação que surge quando uma pessoa não consegue compensar seu sentimento normal de inferioridade. As três fontes do complexo de inferioridade estão na infância e são: inferioridade orgânica, mimo excessivo e negligência. A inferioridade orgânica: as partes do corpo ou órgãos do corpo moldam 7a personalidade por meio do esforço da pessoa para compensar o defeito ou a fraqueza na infância. Os esforços para superar a inferioridade orgânica podem resultar em extraordinários feitos artísticos, atléticos e sociais, mas se não forem bem-sucedidos poderão levar a um complexo de inferioridade. Mimar uma criança suscita um complexo de inferioridade porque elas são o centro das atenções em casa. Todos os seus desejos e necessidades são satisfeitos e pouco lhes é negado. Desenvolve-se a ideia de que são as pessoas mais importantes em qualquer situação e que os demais precisam sempre se submeter a elas. Quando passam a não ser mais o foco das atenções, é um choque para o qual não estão preparadas, sendo, pois, pessoas com pouco traquejo social, impacientes com os outros. Nunca aprenderam a esperar pelo que querem nem a superar dificuldades, achando que devem ter alguma deficiência que as está frustrando. Nesse complexo as pessoas possuem uma opinião ruim sobre si mesmas, sentem-se incapazes de lidar com as demandas da vida. COMPLEXO DE SUPERIORIDADE – É a situação que se cria quando uma pessoa supercompe3nsa sensações de inferioridade normais. Envolve uma supercompensação e uma opinião exagerada da capacidade e realizações da pessoa, que pode se sentir internamente satisfeita e superior, e não ter necessidade de demonstrar a sua superioridade com realizações, ou sentir essa necessidade e se empenhar para se tornar extremamente bem-sucedida. São pessoas que são dadas a se gabar, à vaidade, ao egocentrismo e a uma tendência a denegrir os outros. A noção de luta pela superioridade: é a ânsia pela perfeição ou inteireza que motiva cada uma das pessoas. É a meta inerente, a busca de inteireza ou conclusão orientada para o futuro e traz o fato de que é fundamental da vida, pois é o ideal objetivo a ser perseguido. O significado de superioridade é o de um impulso para buscar a perfeição: busca-se a superioridade num esforço para aperfeiçoar e tornar completo ou inteiro. A motivação é vista como expectativas para o futuro, sob o argumento de que os instintos e impulsos primordiais são insuficientes. Só a meta principal da superioridade ou perfeição explica a personalidade e o comportamento. A luta pela superioridade aumenta a tensão ao invés de diminuir e a busca pela perfeição requer um grande dispêndio de energia e esforço; a luta pela superioridade é manifestada tanto pelo individuo como pela sociedade. FINALISMO DE FICÇÃO – É a ideia que existe uma meta imaginada ou potencial que rege o comportamento humano. Para Adler, os seres humanos buscam constantemente a meta ficcional e ideal de perfeição. As ideias ficcionais regem o comportamento humano. O finalismo é a ideia de meta principal, um estado final de ser e uma necessidade de caminha na direção dele. As metas são as potencialidades: lutamos por ideais que existem em nós subjetivamente. A melhor formulação desse ideal criada pelos seres humanos até agora foi o conceito de Deus: meta final subjetiva ou guia do self ideal. ESTILO DE VIDA – É a estrutura ou padrão de comportamentos e características de caráter peculiar pelo qual se busca a perfeição. O estilo de vida torna-se a estrutura guia de todos os comportamentos posteriores. As categorias de problemas universais: os que envolvem o nosso comportamento para os outros; os ocupacionais e os amorosos. Entre os estilos de vida básicos estão o dominador, o dependente, o esquivo e os tipos socialmente úteis. O estilo de vida dominador: é aquele que apresenta uma atitude dominadora com pouca consciência social e sem consideração pelos outros. Quando chega a ser extremo torna-se sádico, delinquente ou psicopata. O menos violento se torna alcoólatra, viciado em drogas ou suicida. Acreditam que podem magoar os outros atacando a si mesmos. O estilo de vida dependente é o mais comum e que espera ser satisfeito por outras pessoas e, portanto, se torna dependente delas. O estilo de vida esquivo não tenta enfrentar os problemas da vida, evitando dificuldades e, ao mesmo tempo, evitando qualquer possibilidade de fracasso. Os estilos de vida dominador, dependente e esquivo não estão preparados para lidar com os problemas da vida cotidiana, não conseguem colaborar com outras pessoas e o choque entre o seu estilo de vida e o mundo real resulta num comportamento anormal, que se manifesta na forma de neuroses e psicoses, faltando-lhes o interesse social. O estilo de vida socialmente útil colabora com os outros e age de acordo com as necessidades deles, sabe lidar com os problemas dentro de uma estrutura bem desenvolvida de interesse social. INTERESSE SOCIAL – É o potencial inato da pessoa em ajudar outra a atingir as metas pessoais e sociais. O papel da mãe é fundamental no desenvolvimento do interesse social: a mãe precisa ensinar à criança a colaboração, o companheirismo e a coragem. A ausência desse interesse social podem tornar as pessoas neuróticas e até criminosas, bem como trazer malefícios que vão desde a guerra até o ódio racional e embriaguez em público. A Escala de Interesse Social (SIS) é composta de pares de adjetivos, no qual os participantes da pesquisa escolhem a palavra de cada par que melhor descreve um atributo que eles gostariam de ter. O Índice de Interesse Social (SII) é um inventario no qual os participantes da pesquisa julgam até que ponto as afirmações são uma representação de si mesmas ou de suas características pessoais. As Escalas Adlerianas Básicas de Sucesso Interpessoal (Versão A – BASIS-A) é um inventário de sessenta e cinco itens planejado para avaliar o estilo de vida e o grau de interesse social. As cinco dimensões de personalidade medidas são: ter interesse social, acompanhar, assumir o comando, querer reconhecimento, ser cauteloso. O interesse social pode ser bom para a saúde de modo geral e com seus sentimentos relativos de pertencer, cooperar e com senso de contribuir ou de receber apoio de uma rede social tem sido associado positivamente ao bem-estar psíquico e mental. PODER CRIATIVO DO SELF – É a habilidade de criar um estilo de vida apropriado. A ORDEM DO NASCIMENTO  - A ordem do nascimento tem grande influencia social na infância, influencia a partir da qual é criado o estilo de vida. O primeiro filho ou primogênito encontra-se numa posição singular e invejável porque, em geral, os pais felizes com o seu nascimento, dedicam-lhe tempo e atenção consideráveis, o que os leva a ter uma existência feliz e segura até o surgimento do segundo filho. Todos os primogênitos sentem o choque da mudança da sua posição na família, mas os que foram excessivamente mimados sentem muito mais. O segundo filho é aquele que causa revolta na vida do primogênito e se encontra numa situação singular: nunca teve a posição de poder usufruída pelos primogênitos, não tendo a sensação de destronamento e vivem a mudança de experiência dos pais. Ele tem no irmão mais velho um determinador do ritmo, sendo o seu modelo, ameaça ou fonte de competição. O filho caçula nunca enfrenta o choque do destronamento e geralmente se tornam os queridinhos da família. Eles se desenvolvem muito rapidamente e se forem excessivamente mimados passam a char que não precisam aprender a fazer nada por conta própria, razão pela qual podem preservar o desamparo da infância e na condição de não habituadas a lutar e de serem cuidadas, passam a ter dificuldade em se ajustar à idade adulta. O filho único é o centro da atenção, amadurecem cedo e manifestam comportamentos e atitudes adultos. Tendem a enfrentar dificuldades quando descobrem que não são o centro das atenções fora de casa, não aprendem a compartilhar e a competir e se sentirão desapontados que suas habilidades não lhe trouxerem reconhecimento e atenção suficientes. AS PRIMEIRAS LEMBRANÇAS – Técnica de avaliação de personalidade no que se presume que as primeiras lembranças, quer seja de eventos reais, quer seja de fantasia, revelam o interesse básico da vida. São, portanto, os indicadores individuais mais satisfatórios do estilo de vida. Assim, a personalidade é criada durante os primeiros quatro ou cinco anos de vida. As primeiras lembranças revelam aspectos importantes e influentes na personalidade. ANÁLISE DOS SONHOS – Os sonhos envolvem os sentimentos sobre um problema atual e o que se planeja fazer a respeito. Na fantasia dos sonhos acredita-se que se pode superar os obstáculos mais difíceis da vida ou simplificar o problema mais complexo. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.

REFERÊNCIAS
ADLER, Alfred. A ciência da natureza humana. Rio de Janeiro: Companhia Editora Nacional, 1957.
ATKINSON, Richard; HILGARD, Ernest; ATKINSON, Rita; BEM, Daryl; HOEKSENA, Susan. Introdução à Psicologia. São Paulo: Cengage, 2011.
DAVIDOFF, Linda. Introdução à Psicologia. São Paulo: Pearson Makron Books, 2001.
FADIMAN, James; FRAGER, Robert. Teorias da personalidade. São Paulo: Harbra, 2002.
GAZZANIGA, Michael; HEATHERTON, Todd. Ciência psicológica: mente, cérebro e comportamento. Porto Alegre: Artmed, 2005.
MORRIS, Charles; MAISTO, Alberto. Introdução à psicologia. São Paulo: Pretence Hall, 2004.
MYERS, David. Psicologia. Rio de Janeiro: LTC, 2006.
SCHULTZ, Duane; SCHULTZ, Sydney. Historia da psicologia moderna. São Paulo: Cengage Learning, 2012.
______. Teorias da personalidade. São Paulo: Cengage Learning, 2014.




O POVO NA RUA, ABAIXO A INJUSTIÇA!!!! Não são apenas 20 centavos ou quanto seja de aumento, nem tampouco a passagem do transporte público que é um dos piores serviços públicos ofertados para todos que aumentou! Porém, são 20 motivos dados para combater o manto sujo da injustiça enquanto políticos mandam e desmandam nas tetas e tudo da Nação, enquanto os gestores públicos se arrumam em detrimento de todos, enquanto a polícia cumpre decisões judiciais injustas que institucionalizam a injustiça em detrimento de todos, enquanto tudo corrói o direito em detrimento de todos para satisfação de pouquíssimos que não estão nem aí pra quem pintou a zebra! E sob o manto dessa injustiça estão a impunidade, a corrupção, a falta de educação e saúde, a falta de transporte público digno, a falta de segurança e tudo que todos os brasileiros em sua esmagadora maioria deseja: um Brasil melhor paratodos!!!!



Vamos aprumar a conversa: abaixo a injustiça e o Fecamepa!


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