Mostrando postagens com marcador Cícero. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Cícero. Mostrar todas as postagens

terça-feira, novembro 15, 2016

A REPÚBLICA NO REINO DO FECAMEPA – LIÇÕES DE ONTEM E DE HOJE PRO QUE NÃO É

[...] Sabes que há tantas espécies de caráter como formas de governo? Ou pensas que essas formas provêm dos carvalhos e da rocha, e não dos costumes dos cidadãos, que arrastam todo o resto para o lado para que pendem? [...] não convirá passar em revista os caracteres inferiores: em primeiro lugar, o que ama a vitória e a honra, baseado no exemplo do governo da Lacedemônia; em segundo o oligárquico, o democrático e o tirânico? Depois de reconhecermos qual o mais injusto, oporemos este ao mais justo e poderemos aí terminar o nosso exame e ver como a pura justiça e a pura injustiça agem, respectivamente, no que diz respeito à felicidade ou à infelicidade do indivíduo, para que siga o caminho da injustiça, se nos deixarmos convencer por Trasímaco, ou a da justiça, se cedermos às razões que se manifestam a seu favor [...] Deste modo, de amantes que eram da conquista e das honras, os cidadãos acabam por tornar-se avarentos e ambiciosos, louvando o rico, admirando-o e levando-o ao poder, e desprezando o pobre. [...].
Trechos recolhidos da obra A República (Edições de Ouro, 1980), do filósofo e matemático grego racionalista, realista, idealista e dualista Platão (428-347aC). Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui.

[...] A liberdade, por exemplo, só pode existir verdadeiramente onde o povo exerce a soberania; não pode existir essa liberdade, que é de todos os bens o mais doce, quando não é igual para todos. [...] Pois bem: assim como o agricultor conhece a natureza do terreno e assim como um escritor sabe escrever, procurando ambos, na sua ciências, antes a utilidade do que o deleite, assim também o homem de Estado pode estudar o direito, conhecer as leis, beber nas suas próprias fontes, sob a condição de que as suas respostas, escritos e leituras o ajudem a administrar retamente a República. Certamente, deve conhecer o direito civil e natural, sem cujo conhecimento não pode ser justo. Mas deve ocupar-se com tais coisas como o piloto se ocupa com a astronomia, e o médico com as ciências naturais, referindo esses estudos à prática de sua profissão, aproveitando-se deles no que lhe possam ser úteis e sem se separar do verdadeiro caminho que empreendeu. [...].
Trechos extraídos da obra Da República (Escala, 2005), do filósofo, orador, escritor, advogado e político romano Marco Túlio Cícero (106 – 43aC).. Veja mais aqui, aqui e aqui.

[...] Porque em toda cidade se encontram estes dois humores diversos; e nasce disso
que o povo deseja não ser comandado nem oprimido pelos grandes, e os grandes
desejam comandar e oprimir o povo; e desses dois apetites diversos nascem nas cidades um dos três efeitos: ou principado ou liberdade ou licença. [...].
Trecho extraído da obra  O príncipe (Abril Cultural, 1979), do escritor, filósofo, historiador e dip0lomata italiano Nicolau Maquiavel (1469-1527). Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui.

[...] Num Estado, isto é, numa sociedade onde há leis, a liberdade só pode consistir em poder fazer-se o que se deve querer e em não estar obrigado a fazer o que não se deve querer. [...] A desgraça de uma república advém quando não há mais conluios e isso acontece quando se corrompe o povo pelo dinheiro: ele torna-se indiferente e afeiçoa-se ao dinheiro, porém não mais se afeiçoa aos negócios: sem se preocupar com o governo e com o que nele se propõe, espera tranquilamente seu salário. [...].
Trechos extraídos da obra Do espírito das leis (Abril, 1979), do filósofo e escritor francês Montesquieu (1689-1755). Veja mais aqui, aqui e aqui.

[...] Eu chamo, pois, república todo Estado regido por leis, independente da forma de administração que possa ter; porque então somente o interesse público governa, e coisa pública algo representa. Todo governo legítimo é republicano. [...].
Trecho extraído da obra Do contrato social (Abril Cultural, 1978), do escritor, teórico político, um dos principais filósofos do Iluminismo e precursor do Romantismo francês, Jean-Jacques Rousseau (1712-1778). Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui.

[...] A padronização formal da justiça, do estado, do funcionalismo público etc. significa objetivamente e factualmente uma redução comparável de todas as funções sociais aos seus elementos, uma busca comparável pelas leis racionais formais desses sistemas parciais cuidadosamente segregados [...].
Trecho extraído da obra História e consciência de classe: estudos sobre a dialética marxista (WMF Martins Fontes, 2012), do filósofo, crítico literário e pensador marxista húngaro Georg Lukács (1885-1971). Veja mais aqui e aqui.

[...] Embora os seres humanos não sejam civilizados por natureza, possuem por natureza uma disposição que torna possível, sob determinadas condições, uma civilização, portanto uma autorregulação individual de impulsos do comportamento momentâneo, condicionado por afetos e pulsões, ou o desvio desses impulsos de seus fins primários fins secundários, e eventualmente também sua reconfiguração sublimada. [...] Dado que os seres humanos, diferentemente de muitos outros seres vivos sociais, não possuem uma regulação nativa dos afetos e pulsões, eles não podem prescindir da mobilização de sua disposição natural rumo à autorregulação mediante o aprendizado pessoal dos controles dos afetos e pulsões, no sentido de um modelo de civilização específico da sociedade, a fim de que possam conviver consigo mesmos e com os outros seres humanos. O processo universal de civilização individual pertence tanto às condições de individualização de ser humano singular com às condições da vida social em comum dos seres humanos. [...].
Trechos extraídos da obra: Escritos e ensaios I: Estado, processo, opinião pública (Zahar, 2002), do sociólogo alemão Norbert Elias (1897-1990). Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui.

[...] No espaço social mapeado cognitivamente, o estranho é alguém do qual sabemos pouco e do qual desejamos saber ainda menos. No espaço moral, o estranho é alguém que nos importa pouco e nos sentimos tentados a que nos importe ainda menos. [... ].
Trecho extraído da obra Ética pós-moderna (XXI, 2004), do sociólogo polonês Zygmunt Bauman. Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui.

[...] As classes dominantes usam o Estado exatamente para criar e manter uma dualidade intrínseca da ordem legal e política, graças à qual o que é oligarquia e opressão para a maioria submetida, é automaticamente democracia e liberdade para a minoria dominante [...] Essa forma de participação, por cooptação, contribui "para a corrupção intrínseca e inevitável do sistema de poder resultante. [...].
Trecho extraído da obra A revolução burguesa no Brasil (Zahar, 1976),


Veja mais sobre:
Fecamepa à República aqui, aqui e aqui.
Isto é Brasilsilsilsilsilsil aqui, aqui, aqui e aqui.

E mais:
Direitos Humanos aqui.
Erro Médico & Dano Estético aqui.
Empreendedorismo & empreendedor aqui.
Padre Bidião & as duas violências aqui.
A literatura de Rubem Fonseca aqui.
Direito Ambiental aqui.
Das bundas & estudos bundológicos aqui.
A injustiça braba de todo dia aqui.
Musa Tataritaritatá aqui.
Humanismo & Educação Humanista aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Veja mais aqui, aqui e aqui.

CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Recital Musical Tataritaritatá - Fanpage.
Veja  aqui e aqui.

sábado, dezembro 12, 2015

FLAUBERT, SÊNECA, CÍCERO, CATHARINO, MUNCH, WAGNER TISO & LÁ VAI TEIBEI!

VAMOS APRUMAR A CONVERSA? DAS TRETAS E PENCÓ: JOGANDO CONVERSA FORA! – Ora, ora, ou eu virei Brasília, ou tô num pandemônio com todas as bruxas soltas! Vixe que 2015 tá uma barra pra lá de pesada desde o ano passado! Tô contando nos dedos a hora da virada! Tudo que tinha de acontecer, danou-se. Será que ainda resta alguma coisa pior? Sei lá. Não sei como, não sobrou nadica de nada, só os farelos dos que se espatifaram no chão: perspectivas, sonhos, considerações, amizades, relações. Eita! Sobrou nada mesmo. E isso dói - e como dói, meu! Grandes decepções, avalie. Apostar tudo: recursos, esforços, adiantou nada. Não deu nem um tiquinho de cloro por valia. Tudo desabou, tei bei! Nem muxiba no moquém. Só o frio da madrugada por cobertor e alento, do tipo Saudosa Maloca. Coisas que nem tinha visto. Ah, por fora, bela viola; por dentro molambos. Só decepção, indignação. Parece mais que bati com a cabeça na porta fechada de quase lascar o quengo e endoidar atirando pedras ao leu. Foi como ter dado um murro na parede de quase arrebentar o punho. Sobraram uns tantos de erros e equívocos, abandono. E bote apuros nisso. Pois, o que faltava para fechar o ano com chave de ouro – para não dizer ao contrário –, aconteceu. Fiquei no picado e sem chance: todo mundo tem uma segunda, nem tive a primeira, tome no pau da venta! Se tivesse história, pelo menos, nada, foi tudo pro lixo naquela do sem retorno: ou vai ou racha das pregas voarem no já era. Tome, desgraçado, quer mais o quê? É como se tivesse levado um certeiro bem dado de cair num nocaute tipo enfiada de estaca no coração dum vampiro. Fiquei estatelado no chão, me levantei e fiquei firme de pé – ou quase. Ao invés de voltar pro ringue, me dei por vencido e arrumei as malas com todos meus mijados – ora, enfrentar mulher é pior que o Mike Tyson furioso. Só faltou mesmo eu tirar minhas tripas ao Sol. Eu mesmo me pergunto como é que fui cair numa dessa, hem? Bem empregado. Ah, nunca diga coisas assim do nada, cuspiu pra cima e não saiu, o cuspe na cara caiu. Arrependido? Não tenho do que reclamar, nem estou posando de vítima: tô só jogando conversa fora, os meus miolos de pote! O que passou, passou; quem mandou, coração? Sem mágoas, nem ressentimentos. Agora é seguir em frente se livrando das punhaladas pelas costas. Vê se toma jeito e não fica marcando bobeira à toa, acreditando em tudo que dizem, prometem e juram, viu? Porco sabido não se coça em pau de espinhos. A vida não é brinquedo não. Agora é lamber as feridas para sará-las. Nada não. Destá. Mantenho a fé no ser humano, contudo, sei que poucos resistem à tentação, logo viram casaca, se vendem, procuram suas melhoras em detrimento do besta que fica falando sozinho no reino da indiferença, do pouco caso, das desconsiderações. O melhor mesmo é deixar pra lá as traições, quebra de contratos, incompreensões, desistências, mutilações e a porratoda. Chega de lengalenga! Ou é ou não é. Agora é hora de passar a limpo, refazer a vida, passar borracha no passado, deixar pra lá o que não serve e não vingou! Hora de recomeçar do zero. E avante! Alô, alô, chicólatras, tô na área! E obrigado pelas mensagens de apoio e carinho – serviu de curativo pra remendar meu coração desmiolado. E vamos aprumar a conversa aqui. 

Imagem: Nude Girl on Red Cloth (1902), do pintor norueguês Edvard Munch (1863-1944)

 Curtindo o álbum Manu çaruê: uma aventura holística (Philips Records, 1988), do compositor, músico, arranjador, regente e pianista Wagner Tiso.

DA REPÚBLICA – Na obra Da República, do filósofo, orador, escritor, advogado e político romano Marco Túlio Cícero, (106 – 43aC), trata das bases fundacionais do Estado de um sistema político ideal, mas impregnado pelo pragmatismo romano, trazendo temas à discussão, desde as características do verdadeiro estadista, a injustiça, a tirania, a dissolução dos costumes, elegendo a forma de diálogo (como nos diálogos platónicos), em que algumas personalidades, reunidas, debatem esses vários assuntos. Da obra destaco o Livro Primeiro: Sem o amor pátrio, não teriam Duílio, Atílio e Metelo libertado Roma do terror de Cartago; sem ele, não teriam os dois Cipiões apagado o incêndio da segunda guerra púnica, e, quando seu incremento foi ainda maior, não o teria debilitado Quinto Máximo, nem extinguido M. Marcelo, nem impelido P. Africano às próprias muralhas inimigas. Certamente a Catão, homem desconhecido, de quem, não obstante, todos os que estudam as mesmas verdades invejam a glória que alcançou com sua virtude e trabalho, pode ser lícito deleitar-se ociosamente no saudável e próximo sítio de Túsculo. Mas, o homem veemente prefere, embora seja chamado de louco e a necessidade não o obrigue, arrostar as tempestades públicas entre suas ondas, até sucumbir decrépito, a viver no ócio prazenteiro e na tranquilidade. Deixo de nomear os inúmeros varões que salvaram a República, e passo em silêncio aqueles de que se conserva recente memória, temeroso de suscitar queixas com a omissão de algum. Afirmarei, sim, que tamanha é a necessidade de virtude que o gênero humano experimenta por natureza, tão grande o amor à defesa da saúde comum, que essa força triunfa sempre sobre o ócio e a voluptuosidade. Mas, não é. bastante ter uma arte qualquer sem praticá-la. Uma arte qualquer, pelo menos, mesmo quando não se pratique, pode ser considerada como ciência; mas, a virtude afirma-se por completo na prática, e seu melhor uso consiste em governar a República e converter em obras as palavras que se ouvem nas escolas. Nada se diz, entre os filósofos, que seja reputado como são e honesto, que não o tenham confirmado e exposto aqueles pelos quais se prescreve o direito da República. De onde procede a piedade? De quem a religião? De onde o direito das gentes? E o que se chama civil, de onde? De onde a justiça, a fé, a equidade, o pudor, a continência, o horror ao que é infame e o amor ao que é louvável e honesto? De onde a força nos trabalhos e perigos? Daqueles que, informando esses princípios pela educação, os confirmaram pelos costumes e os sancionaram com as leis. Perguntando-se a Xenócrates, filósofo insigne, que conseguiam seus discípulos, respondeu: "Fazer espontaneamente o que se lhes obrigaria a fazer pelas leis". Logo, o cidadão que obriga todos os outros, com as penas e o império da lei, às mesmas coisas a que a poucos persuadem os discursos dos filósofos, é preferível aos próprios doutores. Onde se poderá encontrar discurso de tanto valor que se possa antepor a uma boa organização do Estado, do direito público e dos costumes? Assim, julgo preferíveis as cidades magnas e dominadoras, como as denomina Ênio, aos castelos e praças fortes; creio, igualmente, que, aos que governam a República com sua autoridade, se deve antepor a sabedoria dos peritos em negócios públicos. Já que nos inclinamos a aumentar a herança da humanidade; já que para isso se encaminham nossos estudos e trabalhos, estimulados pela própria natureza, e mais, para tornar mais poderosa e opulenta a vida do homem, sigamos o caminho que os melhores empreenderam, e não escutemos as vozes e sinais que nos chamam por detrás e a que os nossos predecessores fecharão os ouvidos. [...] Veja mais aqui.

UM CORAÇÃO SIMPLES - No livro Um coração simples (Un Cœur Simple - Paz e Terra, 1996), do escritor francês Gustave Flaubert (1821-1880), é oriundo de um conto sugerido pela escritora George Sand, tratando sobre a história de homem sensível, em que, sem pregar a bondade, sem anunciar a bondade com frases de autor, fizesse com que ela aparecesse nos gestos inconscientes da criatura mais humilde e obscura. Da obra destaco o trecho: [...] Ela tivera, como qualquer outra, sua história de amor. O pai, pedreiro, morreu quando caiu de um andaime. Depois, a mãe faleceu, as irmãs se dispersaram, um arrendatário recolheu-a e empregou-a, ainda pequena, para cuidar das vacas no pasto. Ela tremia de frio em seus farrapos, bebia, deitada no chão, a água das poças, apanhava por qualquer motivo; por fim, acabou sendo expulsa por causa de um furto de trinta soldos, que não havia cometido. Foi para uma outra propriedade, onde trabalhava no fundo do quintal, cuidando dos animais; e, como agradava aos patrões, os outros criados invejavam-na. Numa noite do mês de agosto (tinha, então, dezoito anos), eles a levaram à feira em Colleville. Imediatamente ficou atordoada, estupefata pela balbúrdia dos violeiros, pelas luzes nas árvores, pela miscelânea de cores das roupas, pelas rendas, crucifixos de ouro, pela multidão indo e vindo ao mesmo tempo. Mantinha-se a distância, modestamente, quando um jovem, de aparência abastada, fumando cachimbo, com os dois cotovelos sobre o timão de uma carroça, veio tirá-la para dançar. Pagou-lhe sidra, café, bolo, um lenço e, imaginando que ela o adivinharia, ofereceu-se para levá-la para casa. Ao lado de um aveal, ele a derrubou brutalmente. Ela teve medo e se pôs a gritar. Ele se afastou. Uma outra noite, na estrada de Beaumont, ela quis ultrapassar uma grande carroça de feno que avançava lentamente; e, ao esbarrar nas rodas, reconheceu Teodoro. Ele a abordou com um ar tranqüilo, dizendo que precisava perdoar tudo, pois era "culpa da bebida". Ela não soube o que responder e teve vontade de fugir. Logo em seguida, ele falou das colheitas e das pessoas importantes da comuna, pois seu pai tinha deixado Colleville pelas terras de Écots, de modo que, agora, eram vizinhos. - Ah! - disse ela. Acrescentou que desejavam casá-lo. Porém não estava apressado e aguardava uma mulher do seu agrado. Ela abaixou a cabeça. Então, ele lhe perguntou se pensava em casamento. Ela respondeu, sorrindo, que não era bom debochar. - Mas, não, eu lhe juro! - e, com o braço esquerdo ele lhe enlaçou a cintura. Ela caminhava amparada pelo seu abraço; diminuíram o passo. O vento estava suave, as estrelas brilhavam, a enorme carroça de feno balançava diante deles; e os quatro cavalos arrastando os passos, levantavam poeira. Em seguida sem comando, viraram à direita. Ele a beijou ainda uma vez. Ela desapareceu na penumbra. Teodoro, na semana seguinte, conseguiu marcar encontros com ela. Viam-se no fundo dos pátios, atrás de um muro, sob uma árvore isolada. Ela não era inocente à maneira das moças finas - os animais haviam-na instruído; - mas a razão e o instinto de honra impediram-na de se entregar. Essa resistência exasperou o amor de Teodoro, de modo que para satisfazê-lo (ou ingenuamente talvez) ele lhe propôs casamento. Ela hesitava em acreditar. Ele fez grandes juras. Logo em seguida, confessou-lhe algo desagradável: seus pais, no ano anterior, haviam pago a um homem para se alistar em seu lugar; contudo, cedo ou tarde, poderiam chamá-lo; a idéia do recrutamento assustava-o. Essa covardia foi para Felicidade uma prova de afeto; seu sentimento por ele redobrou. Ela escapava de noite, e uma vez juntos, Teodoro torturava-a com suas inquietudes e insistências. Enfim, Teodoro anunciou que ele mesmo iria à administração para obter informações e as traria no domingo seguinte, entre onze horas e meia-noite. [...] Transformado em filme no ano de 2008, com direção de Marion Laine, com Sandrine Bonnaire no destaque como protagonista. Veja mais aqui, aqui e aqui.


DE ADEUS E BORBOLETAS – No livro De adeus e borboletas (Cátedra/INL, 1985), da poeta Maria do Carmo Barreto Campello de Melo (1924-2008), destaco inicialmente o Poema em dor maior: Andante se o poema tento dizer-te nem um som: só de mim afloram rebanhos de nuvens dunas de sal pálidos lírios no amanhecer prestíssimo Se o poema te digo este som dilacerado dentro de mim emergindo é soluço é dor é grito ou a corda de um violino se partindo? Também o poema De dar e de poema: Se te dou o poema mais que minha carne a alma: reduto além do sangue além da trama de nervo/dor/amor em que me teço. Se o poema te dou se me te dou-eu mesma dádiva ele te dando que me resta dar se te dou o poema? Ainda o poema título De adeus e borboletas: Assim eu digo adeus. E as borboletas voam sobre o mar A-D-E-U-S eu digo e o desencontro das sílabas se faz eu digo adeus e as borboletas voam na tarde coagulada de vogais. Eu digo A-D-E-U-S atordoados os sons se desencontram (voam borboletas sobre o mar) e o adeus que digo não é mais um adeus de ir mas de ficar. Por fim o Poema pra o homem adormecido em tarde lenta: Enquanto dormes as coisas acontecem. Um ar expectante e lúcido passeia em torno enquanto dormes. Pássaros sobrevoam teu sono e teu corpo dobrado sobre o mistério de ti mesmo. Enquanto dormes as coisas acontecem: um poema faz-se em pauta e parou ante tuas pálpebras descidas temeroso de rumor para o teu sonho. A tarde fez-se em cores ventos se recolheram ao ninho flores se fecharam e tu dormias irmão do mar estátua derreada em teu leito de sombras e enquanto dormias as coisas simplesmente aconteciam. E entanto dormes plateia de ti eu aconteço. Veja mais aqui.


MEDEIA – Na tragédia Medeia, do tragediógrafo e filósofo estoico latino Lúcio Aneu Sêneca (4ac-65), um dos célebres advogados, escritores e intelectuais do Império Romano, é baseada na tragédia homônima de Eurípedes, da qual destaco o Prólogo: MEDEIA: Ó deuses do himeneu, e tu, ó Lucina, vigilante do leito nupcial. E tu que ensinaste a Tífis a arte de guiar o primeiro navio para conquistar os mares; e tu, altivo dominador do pélago; e tu, ó Sol, que distribuis sobre a terra a luz do dia; e tu, ó tríplice Hécate, que dás às misteriosas cerimonias uma cúmplice claridade; ó vós, divindades que Jasão quis como testemunhas de seus juramentos para comigo, e vós, que Medeia deve suplicar entre todas as divindades, caos da eterna noite, reino oposto àquele do céu, ímpio Manes, e tu, dono do triste império, e tu, sua esposa, raptada por um mais fiel amante – invoco-vos com as minhas imprecações. Agora, agora deveis assistir-me, ó deusas, vingadoras do crime: os cabelos desarrumados, entrelaçados de serpentes, firme nas mãos sanguinolentas um lúgubre archote, assisti-me, ó deusas, tão terríveis como quando ficastes perto de meu leito nupcial. Matai a nova esposa, matai o sogro e toda a família real. E a mim, dai um outro mal, mais terrível que a morte, para que eu possa oferece-lo ao meu esposo: que ele viva, errando pobre por cidades desconhecidas, desterrado, espantado, abominado, sem lar; que ele me deseje como esposa e encontre a porta fechada, hóspede já muito conhecido. E – não é possível pensar nada mais horrível – possa ele gerar filhos semelhantes ao pai, semelhantes à mãe. Quando eu dava à luz os meus filhos, dava à luz a minha vingança. Mas em vão lamento-me e falo. Não irei contra os meus inimigos? Arrancarei de suas mãos os archotes, arrancarei ao céu a luz. O ancestral de minha raça, o Sol, contempla este espetáculo: não se deixa ele contemplar e não percorre, sentado como de costume em sua carruagem, os serenos espaços do céu? Não volta ele ao lugar de onde se levantou, não faz ele recuar o dia? Concede-me, concede-me ser transportada através das nuvens pela carruagem paterna, concede-me as tuas rédeas, ó pai; permite-me guiar com teus chicotes flamejantes os cavalos de fogo. Corinto, que apresenta a dois mares o obstáculo de sua dupla praia, será queimada pelas chamas, deixando reunir as ondas. Não me resta senão eu mesma levar a tocha de pinho que precede o cortejo nupcial e, depois das preces para o sacrifício, golpear sobre o altar as vítimas consagradas: em suas vísceras procura o caminho da vingança, ó minha alma, se tu és ainda viva e te resta uma sombra da antiga força. Deixa de lado o medo feminino e reveste teu espirito com todas as crueldades do Cáucaso. Todos os crimes que o Ponto e o Fásis puderam ver serão vistos pelo Istmo. Insensatos, incríveis, horríveis, espantosos para o céu e a terra são os designios que se agitam no amago do meu cérebro: feridas, mortes, membros esparsos e sem exéquias. Mas são demais medíocres os crimes que agora estou lembrando... tudo isso eu fiz, quando virgem; é preciso que minha dor se levante ainda mais terrível; agora que sou mãe, meus crimes devem ser maiores. Arma-te de cólera, prepara-te para aniquilar com um furor que vai até ao paroxismo. Que a cena de tua renúncia seja igual à de tuas núpcias! Como deixarás o teu esposo? Como o seguiste. Sufoca tuas moles perplexidades! Esta casa, onde tu entraste por um crime, por um crime deves deixa-la. (Sai). [...] Veja mais aqui.

O CASAMENTO – O drama O casamento (1976), dirigido pelo cineasta, escritor, jornalista, roteirista e dramaturgo Arnaldo Jabor, é baseada na peça homônima de Nelson Rodrigues, contando a história de um rico industrial da construção civil que nutre um amor incestuoso pela filha de 18 anos, que vai se casar em dois dias. O médico da família diz que o futuro genro foi visto beijando outro homem na boca e ela ao saber das denúncias, faz um retrospecto doloroso de seus 18 anos de sexo, violências e dilemas, com flashbacks e ações entrelaçadas, que fazem aparecer as verdades que se escondem sob a aparente felicidade burguesa: injustiças, perversões sexuais, adultérios e crimes. O destaque do filme é para a atriz Adriana Prieto (1950-1974) que faleceu num acidente de trânsito provocado por uma viatura policial logo após as filmagens. Veja mais aqui, aqui e aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte do cartunista estadunidense Dan DeCarlo (1919-2001).
Veja mais aqui.

DEDICATÓRIA
A edição de hoje é dedicada à pioneira feminista e educadora Henriqueta Martins Catharino (1886-1969).
 

quarta-feira, outubro 29, 2014

GERALDINE BROOKS, RACHEL CORRIE, HOBHOUSE, CHARLES WILLIAMS, SALIE NICHOLS, FANNIE PERKINS & LITERÓTICA

 


UM LOUCO AMOR... – Ao vê-lo brilhando no palco por cenas engraçadas, logo ela estremeceu. Era ele bulindo no seu coração. Ao final do espetáculo seguiu para o camarim e na fila ele a viu e logo aproximou-se: Sou primo do velho Sábio! Disse-lhe com ares de andarilho enérgico, como quem chegasse varrendo tudo à frente, levando tudo de roldão com seus ventos fortes.  Beijou-lhe as faces e saiu. Alguém na fila logo insinuou: Manter um louco por perto afasta o mau-olhado. Ela sorriu com o gracejo. Advertiram cochichando: É um embusteiro. Ele ficou séria reprovando a insinuação. Abandonou a fila e dirigiu-se de volta para sua residência. No meio do caminho sentiu passadas ao seu encalço. Era ele risonho: Vai pra onde, moça? Sou um pobre diabo na dança da vida dos grandes trunfos de Charles Williams e perseguindo seus passos. Como assim? Deixe-me apresentar: Sou Le Fou: Eu sou luz e viajo leve... Cheguei de Marselha! O espalhafato dele parecia invadir suas entranhas de forma gostosa. Chamou-a de Squeaky Fromme. E repetiu silabicamente: Lynette Alice Squeaky Fromme. E acrescentou: Agora dará certo. Sou il Matto. Ela sorria sem entender nada daquilo tudo. Ele então com um ar enigmático e ubíquo fez-se príncipe Mishkin do Idiota de Dostoiewsky: Oh! Tempo é que não me falta; é inteiramente propriedade minha... E firmou seus olhos no dela: Tens a beleza enlouquecedoura de Nastácia Filíppovna. E a seduziu convencendo-a de que foi tocado pela mão de Deus. Continuaram às passadas e ele mais incisivo: Sou de Tarocchi, bem recebido em toda parte! Sabe o que é? Não. Sou Coringa: sei todas as faces do diabo! Estou nos dois mundos de Puck e com o rei Oberon e, quando quero, sou o bobo do Rei Lear de Shakespeare: Tenho os ossos do universo e o Ovo do Mundo! Ela espantava-se com loquacidade dele, abrindo bem os olhos, admirada. Aquilo tudo para ela ere muito encantador. E seguiram dela nem notar direito os passeios por Stonehenge, pela Hagia Sophia e o Templo de Delphos. Disse-lhe Lao-tzu: Nós fazemos vasos de barro, mas a verdadeira natureza deles está no vazio interior... Ela estava encantada com sua fanfarrice e mais ainda com os ensinamentos Ouroboros: Deus é uma esfera inteligível, cujo centro está em toda parte e cuja circunferência não está em parte alguma. Vamos? Pra onde? Quem não tem meta fixa nunca perde o caminho. Ela olhou de lado e era como se estivesse no salão de um castelo escuro. Como chegamos aqui? Ele estalou os dedos, as luzes acenderam; novamente os dedos, fez-se escuridão: apenas um raio de luar sobre as faces deles. Ele sorrateira e diligentemente de forma enfeitiçante desabotoou cada um dos botões de sua blusa e a retirou para contemplar seus atraentes seios rijos. Tocou delicadamente o bico de um seio e a sentiu estremecer fechando os olhos como resignada refém. Deixou-a apenas com a sua longa saia vermelha, afastando-se para admirá-la, entregando-se um buquê de flores, ornou-a com uma coroa de flores à cabeça e, ao seu pescoço, colocou-lhe um cordão com uma insígnia realçada entre os seios nus. Ajoelhou-se aos seus pés e com juras desmesuradas prometeu ensinar-lhe a voar com salvo-conduto sagrado pelo universo num tapete mágico que a presentearia tão logo anuísse com todo o seu ritual. Sorridente e com nuto positivo ela deixou-se levar. Ele fez-se The Pied Piper e expôs a flauta mágica de Papageno: Vamos pros jogos que a gente joga? Tomou-lhe as mãos e a fez amolegar seu sexo sussurrando-lhe ao ouvido: Você é a minha coringa, verá minha face idiota risonha ao espelho. Sejamos loucos pelo amor de Jesus. Fez-se bufão despudorado e enredou-a nas cenas do Parsifal de Wagner, pelas colinas do Monte Salvat, como se fosse um cavaleiro do Santo Graal: Vamos ao jardim mágico do mago negro Klingsor! Ela segurava seu pênis enquanto ele estertorava ferindo cisnes no ar. Estava seduzido por ela: Você é a escrava amazona Kundry. Ousou beijá-la novamente para se desviar das lanças que destruíram o castelo mágico. Entre os escombros ele afastou-se descendo degraus, tocou-lhe os pés e suas mãos se atreveram a contornar suas pernas trêmulas por baixo da saia, alisando os joelhos à mostra e intrometendo-as entre as coxas dela, alisando sua calcinha escarlate, cuidadosamente removida para cheirar o aroma de sua intimidade e guardá-la ao bolso. Desabotoou então as presilhas da saia para desnudá-la e nela fez a festa da epifania The Swabian-Alemannic Fastnacht, e celebrou a Mardi Gras, fez do seu corpo as ruas de Hamelim e envolveu-a numa onírica viagem ao Getsêmani para ser azeitada por sua prensa no jardim ao sopé do Monte das Oliveiras. E ela suou o sangue em grandes gotas a correrem até o chão. Estava premiada com a fertilidade quebrando seus votos de castidade. Disse-lhe ele sussurrante que ali se tornara imortal: Alguém lá em cima está do meu lado, sou agora mais amigo de Deus. Veja mais aqui.

 


DITOS & DESDITOS - A maioria dos problemas do homem neste planeta, na longa história da raça, foram enfrentados e resolvidos, parcial ou totalmente, através de experiências baseadas no bom senso e realizadas com coragem. Não é da natureza do homem, a meu ver, estar sempre bastante satisfeito com o que tem na vida... O contentamento tende a gerar relaxamento, mas um descontentamento saudável mantém-nos alertas às novas necessidades do nosso tempo... A porta poderia não ser aberta novamente para uma mulher por muito, muito tempo, e eu tinha uma espécie de dever para com outras mulheres de entrar e sentar na cadeira que foi oferecida, e assim estabelecer o direito dos outros por muito tempo e muito distantes na geografia para sentar nos assentos altos. Feminismo significa revolução e eu sou uma revolucionária. A acusação de que sou mulher é incontestável... Pensamento da socióloga estadunidense Fannie Perkins (1880-1965).

 

ALGUÉM FALOU: Um grande número de pessoas amontoadas em pequenas tendas: alguns doentes, alguns moribundos, ocasionalmente um morto entre eles; rações escassas distribuídas cruas; falta de combustível para cozinhá-los; falta de água para beber, para cozinhar, para lavar; falta de sabão, escovas e outros instrumentos de limpeza pessoal; falta de roupa de cama ou de camas para manter o corpo longe da terra nua; A conclusão é que todo o sistema é cruel e deveria ser abolido. Trecho do relatório Para o Fundo de Socorro SA, Relatório de uma visita aos campos de mulheres e crianças nas Colônias do Cabo e do Rio Orange (1901), escrito pela enfermeira e ativista britânica Emily Hobhouse (1860-1926), durante a Guerra Anglo-Boer. Veja mais aqui.

 

OS GRANDES TRUNFOS – […] Nada era certo, mas tudo estava seguro – isso fazia parte do mistério do Amor. [...] São mãos lindas; embora tenham arruinado o mundo, são mãos lindas. [...] Toda beleza retorna. Espere um pouco. [...] é chamado de Louco porque a humanidade julga tratar-se de loucura até conhecê-la. É soberano ou não é nada e, se não for nada, o homem nasceu morto. [...] Diz-se que o embaralhar das cartas é a terra, e o bater das cartas é a chuva, e o bater das cartas é o vento, e o apontar das cartas é o fogo. Esse é um dos quatro naipes. Mas dizem que os Grandes Trunfos são o significado de todo o processo e a medida da dança eterna.[...]. Trechos extraídos da obra The Greater Trumps (Victor Gollancz, 1932), do escritor britânico Charles Williams (Charles Walter Stansby Williams – 1886-1945), uma narração vívida e apaixonada de uma tentativa de usar as cartas originais do Tarô para descobrir o significado de todos os processos cósmicos, tanto microscópicos quanto macroscópicos, que o autor chama de "A Dança da Vida". Uma advertência do autor: O uso egoísta e egocêntrico dessas imagens arquetípicas mostra-se desastroso; seu uso adequado revela o Amor no cerne da Dança. As decisões dos protagonistas de aceitar ou rejeitar o Amor onipresente como o centro de todo o ser tornam-se o foco para a conclusão dramática do romance, ao longo do qual explora dois dos principais temas de seus escritos - o Caminho da Afirmação e o Caminho da Negação.

 

BOBO DA CORTE & O LOUCO - [...] Era função do bobo do rei recordar-lhes as suas loucuras, a mortalidade de todos os homens e ajudá-lo a guardar-se do pecado da arrogância e do orgulho jactancioso. Um bobo quase idêntico ao rei não pode exercer adequadamente essas funções, nem pode afastar o “mau-olhado”. E, como o demonstrou a “tragédia de Watergate” do início dos anos setenta, uma corte composta inteiramente de pessoas que sempre concordam com o rei está destinada à ruína [...] Se dermos ao louco as boas-vindas ao nosso mundo, ele talvez nos ensine a voar e nos ofereça salvo-conduto para viagens semelhantes ao seu mundo, contanto, naturalmente, que o ajudemos a arrumá-lo um pouco. [...] A doença mental está aumentando num ritmo alarmante. Ironicamente, mas não inesperadamente, a coisa que mais temíamos desceu sobre nós. Paradoxalmente, o caminho para a verdadeira sanidade passa através da infantilidade e da loucura. [...] Como assinalou muitas vezes Margaret Mead, quem quer que tenha nascido depois da Segunda Guerra Mundial está ingressando num clima científico cultural desconhecido de seus pais e para eles sempre incognoscível. [...]. Trechos extraídos da obra Jung e o tarô: uma jornada arquetípica (Cultrix, 1980), da escritora britânica Salie Nichols. Veja mais aqui, aqui e aqui.

 

MARÇO - [...] Conhecer a biblioteca de um homem é, em certa medida, conhecer a mente de um homem. [...] Você continua. Você coloca um pé na frente do outro e, se uma voz fina grita, em algum lugar atrás de você, você finge não ouvir e segue em frente. [...] Eu não estou sozinho nisso. Eu apenas o deixei fazer comigo o que os homens já fizeram com as mulheres: marchar para a glória vazia e a aclamação vazia e nos deixar para trás para juntar os cacos. As cidades destruídas, os celeiros queimados, os animais inocentes feridos, os corpos arruinados dos meninos que geramos e dos homens com quem nos deitamos. O desperdício disso. Eu sento aqui e olho para ele, e é como se cem mulheres estivessem sentadas ao meu lado: a esposa revolucionária da fazenda, a camponesa inglesa, a mãe espartana - 'Volte com seu escudo ou sobre ele', ela gritou, porque era isso que se esperava que ela chorasse. E então ela se inclinou sobre o corpo quebrado do filho e as palavras viraram pó em sua garganta. [...]. Trechos extraídos da obra March (‎Penguin, 2006), da escritora australiana Geraldine Brooks.

 

DOIS POEMAS - I – Estou aqui por outras crianças. Estou aqui porque me importo. Estou aqui porque as crianças de todo o mundo estão sofrendo e porque quarenta mil pessoas morrem de fome todos os dias. Estou aqui porque essas pessoas são, em sua maioria, crianças. Temos de compreender que os pobres estão à nossa volta e que os ignoramos. Precisamos entender que essas mortes são evitáveis. Temos de compreender que as pessoas nos países do terceiro mundo pensam, preocupam-se, sorriem e choram tal como nós. Temos que entender que eles sonham os nossos sonhos e nós sonhamos os deles. Temos que entender que eles somos nós. Nós somos eles. O meu sonho é acabar com a fome até ao ano 2000. Meu sonho é dar uma chance aos pobres. Meu sonho é salvar as 40 mil pessoas que morrem todos os dias. Meu sonho pode e se tornará realidade se todos olharmos para o futuro e vermos a luz que lá brilha. Se ignorarmos a fome, essa luz se apagará. Se todos ajudarmos e trabalharmos juntos, ele crescerá e se libertará com o potencial de amanhã. II – Todos nascemos e um dia todos morreremos. Provavelmente até certo ponto sozinho. E se a nossa solidão não for uma tragédia? E se a nossa solidão for o que nos permite falar a verdade sem ter medo? E se a nossa solidão for o que nos permite aventurar-nos – experimentar o mundo como uma presença dinâmica – como algo mutável e interativo? Se eu morasse na Bósnia ou em Ruanda ou sabe-se lá onde mais, a morte desnecessária não seria um símbolo distante para mim, não seria uma metáfora, seria uma realidade. E não tenho direito a esta metáfora. Mas eu uso isso para me consolar. Para dar uma fração de significado a algo enorme e desnecessário. Esta realização. Essa constatação de que viverei minha vida neste mundo onde tenho privilégios. Não consigo resfriar águas ferventes na Rússia. Não posso ser Picasso. Eu não posso ser Jesus. Não posso salvar o planeta sozinho. Posso lavar louça. Poemas da ativista estadunidense Rachel Corrie (1979-2003), que era membro do Movimento de Solidariedade Internacional (MSI), e atuava nos territórios palestinos da Faixa de Gaza ocupados por Israel, quando foi emagada até a morte por uma escavadeira blindada israelense.

 

MAIS DICAS & HUMOROUTROS


E O DORO: BOM DILMA, GENTE!
– Na última semana ouvi tudo: maior barraco geral. Esta semana, não deu menos: só baixaria. Parece mais que tem gente feito o que o Doro diz: - “Quando pensa, peida. Quando fala, caga!”. Até ouvi o desaforo de que Pernambuco traiu a memória de Eduardo Campos. E foi o Doro quem enredou: - “Tumém, esse tarzinho de Aercio da Capitinga foi gruvernadô, senadô, deputadô e tudo o mais lá de dor nas Minas e nem lá ganhô! A Marina, coitada, pra mim si interrô-se de veizi, avalie! A genti dexa o PSDêBê-que-foi-pra-pqp-cum-Fegacê pra SumPaulo e pro Sú! Afora isso, nem aqui nem na China!”. Tá dito. Veja mais aqui e aqui.

PSICOLOGIA DA ARTE – Um livro mais que recomendável para quem milita na arte é Psicologia da arte, de Lev Semenovitch Vygotsky (Martins Fontes, 1999) que aborda o problema psicológico da arte, estética e teoria marxista da arte, psicologia social e individual da arte, psicologia subjetiva e objetiva da arte, método objetivo-analítico e sua aplicação, a arte como conhecimento, a arte como conhecimento, psicologia da forma, dependência em face da psicologia associativa e sensualista, a arte como procedimento, psicologia do enredo e da personagem, psicologia do formalismo, arte e psicanálise, a psicanálise da arte, análise da reação estética, análise da fábula, a novela, a tragédia, Lessing e Potiebnya, a fabula em poesia e prosa, alegoria, as fábulas de Krilov, a tragédia de Hamlet, a arte como catarse, a teoria das emoções e da fantasia, a lei do menor esforço, a teoria do tom emocional e da empatia, a lei da dupla expressão das emoções, psicologia do verso, heróis e personagens, o drama, o teatro, a pintura, a escultura, a arquitetura, arte e vida, teoria do contágio, sentido social da arte, arte e pedagogia, arte do futuro, entre outros importantes assuntos. Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui.

A ARTE DE ENVELHECER – Uma valiosa lição essa de Marco Túlio Cícero: “Assim como estimo um adolescente no qual se encontra algo de um velho, assim aprecio um ancião no qual se encontra alguma coisa de um adolescente; aquele que seguir esta regra, poderá ser velho de corpo, não o será jamais da alma”.

FAZENDO SEU ERRADO DAR CERTO – Uma leitura recomendável é a do livro Fazendo seu errado dar certo: um método simples para transformar problemas em soluções, de Dawna Markova (Summus, 2000), trata da cura como libertação, o eu limitado, momento decisivo, coração aberto, pensando para mudar, a mente mutável, aprendendo com as feridas, compaixão, tecendo um futuro possível, explorando padrões de prevenção, conexão com a comunidade, assumindo e encenando compromissos, integração por meio de símbolos e cerimônias, entre outros diversos assuntos.

OS IDEAIS E AS AMBIÇÕES – Já dizia Heniz Kohut: “O homem é conduzido por seus ideais e empurrado por suas ambições”.

DO PLAYBACK THEATRE AO TEATRO DE CRIAÇÃO – Uma dica de leitura é o livro Do playback theatre ao teatro de criação, de Albor Vives Reñones (Ágora, 2000), aborda temas como o diretor, aquecimento de atores e plateia, direção de cenas ou representando a história, atores e músicos, narração, musicalização, participar da representação, ensaios, multiplicações, ressonância, raízes e rizomas, trocas de experiências, reforçar a integração e a coesão do grupo, repertório de técnicas de impacto, música e teatro, arte dramática, composição, psicodrama, entre outros importantes assuntos. Veja mais aqui e aqui.

O FUTURO DE UMA ILUSÃO, DE SIGMUNDO FREUD - [...] A civilização humana, expressão pela qual quero significar tudo aquilo em que a vida humana se elevou acima de sua condição animal e difere da vida dos animais - e desprezo ter que distinguir entre cultura e civilização -, apresenta, como sabemos, dois aspectos ao observador. Por um lado, inclui todo o conhecimento e capacidade que o homem adquiriu com o fim de controlar as forças da natureza e extrair a riqueza desta para a satisfação das necessidades humanas; por outro, inclui todos os regulamentos necessários para ajustar as relações dos homens uns com os outros e, especialmente, a distribuição da riqueza disponível. As duas tendências da civilização não são independentes uma da outra; em primeiro lugar, porque as relações mútuas dos homens são profundamente influenciadas pela quantidade de satisfação instintual que a riqueza existente torna possível; em segundo, porque, individualmente, um homem pode, ele próprio, vir a funcionar como riqueza em relação a outro homem, na medida em que a outra pessoa faz uso de sua capacidade de trabalho ou o escolha como objeto sexual; em terceiro, ademais, porque todo indivíduo é virtualmente inimigo da civilização, embora se suponha que esta constitui um objeto de interesse humano universal. É digno de nota que, por pouco que os homens sejam capazes de existir isoladamente, sintam, não obstante, como um pesado fardo os sacrifícios que a civilização deles espera, a fim de tornar possível a vida comunitária. A civilização, portanto, tem de ser defendida contra o indivíduo, e seus regulamentos, instituições e ordens dirigem-se a essa tarefa. Visam não apenas a efetuar uma certa distribuição da riqueza, mas também a manter essa distribuição; na verdade, têm de proteger contra os impulsos hostis dos homens tudo o que contribui para a conquista da natureza e a produção de riqueza. As criações humanas são facilmente destruídas, e a ciência e a tecnologia, que as construíram, também podem ser utilizadas para sua aniquilação. Fica-se assim com a impressão de que a civilização é algo que foi imposto a uma maioria resistente por uma minoria que compreendeu como obter a posse dos meios de poder e coerção. [...] Assim, a religião seria a neurose obsessiva universal da humanidade; tal como a neurose obsessiva das crianças, ela surgiu do complexo de Édipo, do relacionamento com o pai. A ser correta essa conceituação, o afastamento da religião está fadado a ocorrer com a fatal inevitabilidade de um processo de crescimento, e nos encontramos exatamente nessa junção, no meio dessa fase de desenvolvimento. Nosso comportamento, portanto, deveria modelar-se no de um professor sensato que não se opõe a um novo desenvolvimento iminente, mas que procura facilitar-lhe o caminho e mitigar a violência de sua irrupção. Decerto nossa analogia não esgota a natureza essencial da religião. Se, por um lado, a religião traz consigo restrições obsessivas, exatamente como, num indivíduo, faz a neurose obsessiva, por outro, ela abrange um sistema de ilusões plenas de desejo juntamente com um repúdio da realidade, tal como não encontramos, em forma isolada, em parte alguma senão na amência, num estado de confusão alucinatória beatífica. Mas tudo isso não passa de analogias, com a ajuda das quais nos esforçamos por compreender um fenômeno social; a patologia do indivíduo não nos provê de um correspondente plenamente válido. [...] É possível que a educação libertada do ônus das doutrinas religiosas não cause grande mudança na natureza psicológica do homem. [...] Acreditamos ser possível ao trabalho científico conseguir um certo conhecimento da realidade do mundo, conhecimento através do qual podemos aumentar nosso poder e de acordo com o qual podemos organizar nossa vida. Se essa crença for uma ilusão, então nos encontraremos na mesma posição que você. Mas a ciência, através de seus numerosos e importantes sucessos, já nos deu provas de não ser uma ilusão. Ela conta com muitos inimigos manifestos, e muitos outros secretos, entre aqueles que não podem perdoá-la por ter enfraquecido a fé religiosa e por ameaçar derrubá-la. É censurada pela pequenez do que nos ensinou e pelo campo incomparavelmente maior que deixou na obscuridade. Nisso, porém, as pessoas se esquecem de quão jovem ela é, quão difíceis foram seus primórdios e quão infinitesimalmente pequeno foi o período de tempo que decorreu desde que o intelecto humano ficou suficientemente forte para as tarefas que ela estabelece. Não nos achamos todos nós em falta, ao basear nossos julgamentos em períodos de tempo que são curtos demais? Deveríamos tomar os geólogos como modelo. As pessoas queixam-se da infidedignidade da ciência, do modo como ela anuncia como lei hoje o que a geração seguinte identifica como erro e substitui por uma nova lei cuja validade aceita não perdura por mais tempo. Mas isso é injusto e, em parte, inverídico. As transformações da opinião científica são desenvolvimentos, progressos, e não revoluções. Uma lei que a princípio foi tida por universalmente válida, mostra ser um caso especial de uma uniformidade mais abrangente ou é limitada por outra lei, só descoberta mais tarde; uma aproximação grosseira à verdade é substituída por outra mais cuidadosamente adaptada, a qual, por sua vez, fica à espera de novos aperfeiçoamentos. Existem diversos campos em que ainda não superamos uma fase de pesquisa na qual fazemos experiências com hipóteses que em breve têm de ser rejeitadas como inadequadas; em outros campos, porém, já possuímos um cerne de conhecimento seguro e quase inalterável. Finalmente, tentou-se desacreditar o esforço científico de maneira radical, com o fundamento de que, achando-se ele ligado às condições de sua própria organização, não poderia produzir nada mais senão resultados subjetivos, ao passo que a natureza real das coisas a nós externas permanece inacessível. Mas isso significa desprezar diversos fatores de importância decisiva para a compreensão do trabalho científico. Em primeiro lugar, nossa organização - isto é, nosso aparelho psíquico - desenvolveu-se precisamente no esforço de explorar o mundo externo, e, portanto, teria de ter concebido em sua estrutura um certo grau de utilitarismo; em segundo lugar, ela própria é parte constituinte do mundo que nos dispusemos a investigar e admite prontamente tal investigação; em terceiro, a tarefa da ciência ficará plenamente abrangida se a limitarmos a demonstrar como o mundo nos deve aparecer em consequência do caráter específico de nossa organização; em quarto, as descobertas supremas da ciência, precisamente por causa do modo pelo qual foram alcançadas, são determinadas não apenas por nossa organização, mas pelas coisas que influenciaram essa organização; finalmente, o problema da natureza do mundo sem levar em consideração nosso aparelho psíquico perceptivo não passa de uma abstração vazia, despida de interesse prático. Não, nossa ciência não é uma ilusão. Ilusão seria imaginar que aquilo que a ciência não nos pode dar, podemos conseguir em outro lugar. O FUTURO DE UMA ILUSÃO – A obra O futuro de uma ilusão, de Sigmund Freud, trata sobre a civilização humana, instinto, frustração, renúncias instintuais, privação, opressão, hostilidades, os ideais, a cultura, a satisfação narcísica e o ideal cultural, a arte e as satisfações substitutivas, educação, a humanização da natureza, o desamparo humano, o destino, os vales da civilização as ideias religiosas, o totemismo, a significação psicologia dos ideais religiosos, os ensinamentos da religião, as ilusões derivam do desejo humano, as doutrinas religiosas, o espírito científico, as leias e as convenções humanas, o pai primevo, entre outros assuntos. No mesmo volume encontram-se ainda O mal-estar da civilização, fetichismo, o humor, uma experiência religiosa, Dostoievski e o parricídio, alguns sonhos de Descartes, o prêmio Goethe, relação dos trabalhos de Freud que tratam da arte, literatura e teoria da estética, tipos libidinais, sexualidade humana e breves escritos. REFERÊNCI: FREUD, Sigmund. O futuro de uma ilusão. Rio de Janeiro: Imago, 1996. Veja mais aqui e aqui.

O SEMINÁRIO – O EU NA TEORIA DE FREUD E NA TÉCNICA DA PSICANÁLISE, DE JACQUES LACAN - O livro O seminário o eu na teoria de Freud e na técnica da psicanálise, de Jacques Lacan, trata inicialmente acerca da psicologia e metapsicologia, a verdade e saber, o cogito dos dentistas, a crise de 1920, a natureza do eu, origem da linguagem, Sócrates, a literatura, Descartes, a cacofonia teórica, além do princípio do prazer. Em seguida trata do saber, verdade, opinião, a psicanálise e seus conceitos, forma e símbolo, Péricles psicanalista, instinto e o simbólico. Logo após trata de além do principio do prazer, a repetição, o universo simbólico, diálogos sobre Lévi-Strauss, a vida e a máquina, Deus, a natureza e o símbolo, o imaginário material, o dualismo freudiano, uma indefinição materialista do fenômeno da consciência, a vivência e o destino, o núcleo do ser, o eu é um objeto, fascinação, rivalidade, reconhecimento, as resistências, a família, homeostase e insistência, idolatria, autocontagem do sujeito, heterotipia da consciência, análise do não eu é análise do inconsciente ao avesso, Freud, Hegel, a máquina, o instinto de morte, racionalismo de Freud, alienação do sonho, a psicanálise não é um humanismo, Freud e a energia, o circuito, Maurice Merleau-Ponty e a compreensão, conservação, entropia, informação, princípio do prazer e princípio da realidade, a aprendizagem do Griboville, reminescencia e repetição, Kierkgaard, introdução ao Entwurf, sobre o nível das reações psicossomáticas, o real é sem fissura, a redescoberta do objeto, jogo de escrituração, loucura não é sonho, quatro esquemas, oposição e mediação, o processo primário, a entificação da percepção-consciência, da Entwurf à Traumdeutung, a entropia ao pé da letra, os paradoxos de ômega, tudo está sempre aí, sonho e sintoma, a conversa com Fleiss, a censura não é resistêcia, a mensagem como discurso interrompido e que insiste, o rei da Inglaterra é um babaca, Freud e Fechner, os embaraços da regressão, paradoxos dos esquemas freudianos, percepção e alucinação, função do ego, o sonho da injeção de Irma, o imaginário, o real e o simbólico, par ou impar, para além da intersubjetividade, um quod derradeiro, a máquina que joga, memória e rememoração, introdução à carta roubada, perguntas àquele que ensina, o discurso comum, a realização de desejo, o desejo de dormir, o verbo e as tripas, a questão do realismo, o desejo, a vida e a morte, a libido, desejo sexual, instinto, resistência da análise, o para além de Édipo, a vida só pensa em morrer, introdução do grande outro, a paranoia pós-analítica, o esquema em Z, para além do muro da linguagem, para se formam os analistas, a análise objetivada, critica a Fairbain, a fala na análise, economia imaginária e registro simbólico, o universo irracional, sósia, o marido e a mulher, a mulher objeto de troca, o eu que boto pra fora, desdobramento obsessivo, o apólogo do marciano, o apólogo dos três prisioneiros, psicanálise e cibernética ou da natureza da linguagem, a.m.a.s, verbum a dabar, a máquina e a intuição, esquema do tratamento, o libidinal e o simbólico. REFERÊNCIA: LACAN, Jacques. O seminário: o eu na teoria de Freud e na técnica da psicanálise. Rio de Janeiro: Zahar, 1978. Veja mais aqui, aqui e aqui. 


Veja mais sobre:
As mulheres soltam o verbo, o verso & o sexo porque todo dia é dia delas aqui.

E mais:
William Shakespeare, Émile Zola, Giovani Casanova, Federico Fellini, Emmylou Harris, Hans Christian Andersen, Harriet Hosmer, Max Ernst, Raínha Zenóbia & Os contos de Magreb aqui.
Literatura e História do Teatro aqui.
Pequena história da formação social brasileira, de Manoel Maurício de Albuquerque aqui.
A linguagem na Filosofia de Marilena Chauí aqui.
A poesia de Chico Buarque aqui.
Vigiar e punir de Michel Foucault aqui.
Norberto Bobbio e a teoria da norma jurídica aqui.
Como se faz um processo, de Francesco Carnelutti aqui.
As misérias do processo penal, de Francesco Carnelutti aqui.
Boca no trombone aqui.
Todo homem que maltrata uma mulher não merece jamais qualquer perdão aqui.
Teóphile Gautier, Ricardo Machado, Neurodesenvolvimento & transdisciplinaridade aqui.
James Baldwin, Naná Vasconcelos, Raul Villalba, Wanderlúcia Welerson Sott Meyer, Ronald Augusto, Monique Barcello & Lia Rosatto aqui.
A literatura de Antonio Miranda aqui.
Biziga de amor & Programa Tataritaritatá aqui.
O Teatro da Espontaneidade & Psicodrama aqui.
Walt Withman, Mariza Sorriso, Holística, Psicologia Social & Direito Administrativo aqui.
História da mulher: da antiguidade ao século XXI aqui.
Palestras: Psicologia, Direito & Educação aqui.
A croniqueta de antemão aqui.
Fecamepa aqui e aqui.
Livros Infantis do Nitolino aqui.
&
Agenda de Eventos aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Ela...
Veja mais aqui, aqui e aqui.

CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Recital Musical Tataritaritatá - Fanpage.
Veja os vídeos aqui & mais aqui e aqui.



GONÇAL MAYOS, MARINE PETROSSIAN, PÉTER NÁDAS & IRANDHIR SANTOS

  Imagem: Arrostar aporias , da série Caosmose & O poema nasce do visinvisível - Acervo ArtLAM .   Fábula dos embeiçados desavindos... ...