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quarta-feira, julho 22, 2020

MARÍA ZAMBRANO, MERCEDES BAPTISTA, FLÁVIA PINHEIRO & A LUA NÃO PODE SER ROUBADA



DIÁRIO DE QUARENTENA – UM DIA & OUTRO, PARA ONDE... – Ruas que me levam, calçadas, estradas, caminhos. Não sei para onde vão, como se eu tão em vão tivesse para onde ir depois de tantos destinos idos e vindos. Já não sei mais. Hoje é como se encontrasse Carl Sandburg para me dizer: Não sei aonde vou, mas já estou a caminho. Para minha surpresa ele ainda poetaria: O tempo é a moeda da sua vida. É a única moeda que você tem, e somente você pode determinar como ela será gasta. Tome cuidado para não deixar que outras pessoas a gastem por você. Tenho apenas a luz do dia e a escuridão da noite, nada mais, vou terrares, voos para onde.

DUAS TIRADAS & UMA SÓ – Nestes tempos tão adversos, a revelação da tragédia. Confesso, jamais poderia sequer imaginar haver quem pudesse professar o umbigo do bloco do eu sozinho no maior acinte de terraplanista e carteirada negacionista com outros insultos preconceituosos e discriminatórios, nunca! Agora que saquei aquela do Florestan Fernandes: Um povo educado não aceitaria as condições de miséria e desemprego como as que temos. Contra as ideias da força, a força das ideias! Contudo, olhos arregalados: o inadmissível não é flagrado cometido por incultos ou pobretões – esses são coagidos e punidos severamente mesmo que nada devam, quando não recolhidos a um infecto amontoado nos presídios. Muito pelo contrário, são praticados por impunes e execráveis autoridades e ricaços que sob seu poder aviltam, sonegam, agridem e pisoteiam quem lhe aparecer pela frente, fardados ou sem. Quem o exemplo, incabível; o Brasil se dissolve e o complexo de vira-latas se avoluma inconcebível. Lembrei aquela do Manuel Puig: Esta vida é um sonho, o verdadeiro despertar é a morte que a todos torna iguais. Não, aqui não é um sonho, pesadelo que se desenrola já alguns anos e muitos sequer deram conta ainda da calamidade agora em dose dupla.

TRÊS TONS A MAIS & UMA CANÇÃO, ARDÊNCIA – O dedilhado do violão era o verão incendiando o peito fronteira afora, labaredas inextinguíveis da paixão. Acordes diminutos, bemóis e sustenidos de tons maiores ou menores, harmonia para uma melodia das entranhas. Era dela a inspiração com seu sorriso de Sol para iluminar minha vida e em minhas mãos o seu corpo para compor poemas capazes de celebrar o amor em toda sua dimensão e uma canção para eternizá-lo. Até amanhã. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo e aqui.

DITOS & DESDITOS: [...] Apesar do fato de que em alguns mortais de sorte, poesia e pensamento têm, poderia ter ocorrido ao mesmo tempo e em paralelo, apesar de em outros. Felizmente, poesia e pensamento poderiam ter se tornado um expressivamente, a verdade é que pensamento e poesia enfrentam todos em toda a nossa cultura. [...] E assim vemos mais claramente a condição da filosofia: admiração, sim, espanto. antes do imediato, para começar violentamente a partir dele e lançar em outra coisa, algo que deve ser buscado e perseguido, que não é dado a nós, que não revela sua presença. Trechos extraídos da obra Filosofía y poesia (México: Fondo de Cultura Económica, 2006), da filósofa e escritora espanhola María Zambrano (1904-1991), que expressa em seu pensamento que: O próprio do homem é abrir caminho, porque, ao fazê-lo, põe em exercício o seu ser; o próprio homem é caminho.

A LUA NÃO PODE SER ROUBADA
Ryokan, um mestre Zen, vivia o tipo mais simples possível de vida em uma pequena cabana no sopé de uma montanha. Uma noite, um ladrão visitou a cabana e surpreendeu-se ao descobrir que não havia nada nela para ser roubado. Ryokan voltou e o pegou. “Você provavelmente veio de longe para me visitar”, disse ele ao gatuno, “e você não deve voltar com as mãos vazias. Por favor, tome minhas roupas como um presente”. O ladrão ficou completamente desnorteado. Ele pegou as roupas e escapuliu. Ryokan sentou-se nu, observando a lua. “Pobre rapaz”, ele pensou, “eu gostaria de poder ter dado a ele esta bela lua.
HISTÓRIAS ZEN – Relato extraído da obra Histórias zen: uma coleção de escritos zen e pré-zen (Teosófica, 1999), compilada por Paul Reps e traduzida por Pedro Oliveira. Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte da bailarina e coreógrafa Mercedes Baptista (1921-2014), a primeira afrodescendente a integrar o corpo de baile do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, responsável pela criação do balé afro-brasileiro, inspirado nos terreorps de candomblé, elaborando uma codificação e vocabulário próprio para essas danças. Sobre ela a obra Mercedes Baptista: a criação da identidade negra na dança (Fundação Cultural Palmares, 2007), de Paulo Melgaço e o documentário
Balé de Pé no Chão – A dança afro de Mercedes Baptista (2007), dirigido por Lílian Sola Santiago e Marianna Monteiro, afora a escultura elaborada por Mario Pitanguy. Veja mais aquiaqui.

PERNAMBUCULTURARTES
A arte da performer, bailarina e coreógrafa Flávia Pinheiro.
&
O arranha-céu e outros poemas, do poeta, jornalista, professor e crítico literário Cesar Leal (1924-2013) aqui.
Letrados e ufanos: história do Club Litterario de Palmares (1882-1910), do historiador, poeta e professor Vilmar Antonio Carvalho aqui.
A música da Brasília Popular Orquestra (BRAPO), do maestro e professor palmarense da Escola de Música de Brasília, Manoel Carvalho aqui.
A arte de Cícero Santos aqui.
Porque era sábado no Una aqui.
&
O município de Pesqueira aqui & aqui.


terça-feira, maio 14, 2019

FRITZ PERSL, FLORESTAN FERNANDES, HUMBERTO MAURO, ROBERTO MANZANO & A GODIVA DE ALAGOINHANDUBA!


A GODIVA DE ALAGOINHANDUBA - Foi providencial o aparecimento de Lady Godiva para mudar os rumos na avareza do Zé Coiso que sobrecarregava sem misericórdia o povo. Ele só queria ouro e mais ouro, acabando com tudo. O bom disso tudo é que com a chegada dela, dia menos dia, um a um dos viris achegados tiveram todos de sufragar na sua urna para salvar a população da ira do tirano. Não fosse isso, estavam todos ferrados. Os que não eram lá muito simpáticos à causa ou os quase invalidados por já terem passado da idade, a veneravam engrossando o caldo da tietagem promovida por toda comunidade feminina e classe de rapagãos e bruguelos, principalmente por seus atos de caridade, acudindo aos pobres e oprimidos. Só ela podia enfrentá-lo, já que o Zé Coiso não tinha modos nem limites, a ponto de quebrar de pau o prefeito, meter dois balaços nas fuças do juiz, bater o pé pro carreirão do promotor, envergar as costelas do delegado e de fazer dançar de odalisca o comandante da Polícia Militar. O padre Quiba e o bispo que não eram besta nem nada, estavam juntos com pastores e outros religiosos, tudo do lado dele, abençoando suas estripulias. Por conta disso, autonomeou-se Nidisio Fricelo (vixe?!?), o Imperdador Salvador de Sucarisa (hem?!?), ampliando todos os seus domínios aos possíveis limites além de Alagoinhanduba: tudo meu além de onde a vista alcança, tenho dito! E era mesmo. É nessa hora que ela entra mesmo em cena para fazer a cabeça do endiabrado, colocando uns tantos de compromissos ao seu leito, dele ficar doidinho de não querer fazer mais nada além de sair de cima dela. Quando ela enjoava da babação dele, resolvia dar umas voltas pelos quatro cantos do mundo, completamente nua, para tomar pé da situação. Como todos comiam arroiado na mão do déspota, aproveitavam a ocasião para levar pra ela suas reivindicações. Ah, o casal teve uma quebra-de-braço, Zé Coiso espumava de raiva: Qual o lado que você está, hem? Sem o povo você não é nada. Ah, eu quero ouro, o povo que se dane. Então coma ouro! Eu quero comida! Não tem que você quer acabar com tudo e só quer riqueza! Ah, é? É. Esse povo não presta, só serve mesmo pra gente pisar e encarcar malvadeza neles. Vá gozar no ouro, entrei em greve. Como é que é? Isso mesmo. Estava Zé Coiso desafiado, não conseguia raciocinar direito, só mandando e desmandando, afinal sua vontade era a única lei do lugar, e não cochilava por vigiar as atividades escusas da mulher. Não havia como descobrir, o povo ciente das providências dela, botava ele para andar. Até o autocrata dar de cara com uma idosa que o saudou: Deus dê longa vida ao Imperador! Ah, ele encheu-se de empáfia, admirado, de chegar junto dela generosamente e perguntar: O que a senhora quer por tão elogiosa postura? Nada, meu filho, sou velha, muito velha, conheci o seu pai e o seu avô; seu avô era um pedra ruim malvado; seu pai era pior ainda; Vossa Majestade, desarreda, muito piormente que os anteriores, de modo que rogo ao bom Deus que lhe dê vida longa, porque temo por aquele que possa vir depois do senhor. Ele desconfiou, não entendeu se era ofensa ou elogio, preferiu seguir seu intento de saber em quantas andavam as tentativas da rainha! Enquanto cagava raio pelo território afora, deu de chegar um Oficial de Justiça com mandado do Tribunal de Justiça para moralizar a coisa. Deu de cara com a Lady que estava entediada – é que ela conhecia todos os seus súditos pelo pênis; primeiro amolegava: esse já conheço, esse deu pro gasto, esse nem tanto, esse vá lá que seja, ah, esse eu não conheço. Media e conferia: passava a língua e se certificava: Esse ainda não, venha! Pois bem, diante do oficial, ela quis saber o que procedia e soube que precisava intimar o desalmado gestor. Quem? Esse mesmo. Ah, meu filho, o Zé Coiso não vale mais que eu, não acha? O oficial irredutível. Ela então se chegou junto dele, arriou o seu zíper, abriu a sua braguilha, caçou o pau do cara, botou pra fora e olhou: Hum, fraquinho, hem? Ele assustado com aquilo. Aí ela desvestiu-se, expôs-se com caras e bocas, desfilando nuazinha pra endoidecer o juízo do cristão. Aí que o cara abilolou mesmo e já se punhetava: Pelamordeus, dona! Nananinanão, primeiro você tem que trazer mandado de prisão presse corno velho deixar de me atanazar, chispe! Oxe, o oficial arreou a lenha e sapecou certidão alegando que deixou de intimiar o réu porque ele rasgou o mandado judicial, impossibilitando ao juramentado que lavrasse o competente termo em local devido, forçando à utilização instrumental de ferramenta alternativa para certificar o seu desacato em atos obscenos e abusivos, esculhambando um a um dos desembargadores e corregedores do Tribunal e todo corpo autoritário do Poder Judiciário do país, ameaçando a cada um deles, atirando na lata do juiz, botando o promotor na roda e fazendo de gato e sapato com todas as demais autoridades da Comarca de Alagoinhanduba. Pronto e lavrado o presente termo, o Tribunal tomou ciência, virou escândalo na República e nas cortes superiores, resultando numa intervenção militar das forças armadas para dar fim àquele disparate. Atendendo ao pedido da Lady, o oficial apresentou-se: Pronto! Ela devolveu todos os poderes e liberdades à população alagoinhandubense, passando a ser venerada e mantida por todos como a santa da salvação deles. Passou a ser cantada por poetas e músicos, a distribuir bondades, ora sendo chamada de Dorcas, ora de Tabita, ou Beatriz, ou Natalie, ou mãe de todos. E eu Dona Lady? Ah, você oficial, por ter sido fiel a mim, assuma seu papel na defesa do povo que agora estou ocupada com um que dá três do seu, tá? E o povo lá na rua: Salve a redentora Lady Godiva! © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo & mais aquiaqui.

DITOS & DESDITOS:
[...] Eu nunca teria sido o sociólogo em que me converti sem o meu passado e sem a socialização pré e extra-escolar que recebi através das duras lições da vida. Para o bem e para o mal – sem invocar a questão do ressentimento que a crítica conservadora lançou sobre mim – a minha formação acadêmica sobrepôs-se a uma formação humana que ela não conseguiu destorcer nem esterilizar. Portanto, ainda que isso pareça pouco ortodoxo e intelectualista, afirmo que iniciei a minha aprendizagem sociológica aos seis anos, quando precisei ganhar a vida como se fosse um adulto e penetrei pelas vias da experiência concreta, no conhecimento de que a convivência humana e a sociedade em uma cidade na qual não prevalece a ordem das bicadas, mas a relação de presa, pela qual o homem se alimentava do homem, do mesmo modo que o tubarão come a sardinha ou o gavião devora os animais de pequeno porte. A criança estava perdida nesse mundo hostil e tinha de voltar-se para dentro de si mesma para procurar nas técnicas do corpo e nos ardis dos fracos, os meios de autodefesa para a sobrevivência. Eu não estava sozinho, havia minha mãe. Porém a soma de duas fraquezas não compõe uma força. Éramos varridos pela tempestade da vida e o que nos salvou foi o nosso orgulho selvagem. [...].
Trecho extraído de Ciências Sociais na ótica do intelectual militante (Estudos Avançados, 1994), do

O CINEMA DE HUMBERTO MAURO
A minha empresa foi fundada para edificar o verdadeiro cinema brasileiro. Ela foi lançada exclusivamente com o nosso esforço e nossos capitais. Vamos mostrar que podemos criar uma arte nossa nova e legítima, capaz de transformar o sorriso dos pessimistas num grito de entusiasmo.
A arte do cineasta Humberto Mauro (1897-1983) tem seu destaque em obras cinematográficas como Sangue mineiro (193), que conta a história de uma jovem apaixonada que flagra a traição do seu nomorado, salva do afogamento por dois primos que a desejam e digladiam por seu amor. O filme Lábio sem beijos (1930), conta a história da jovem Lelita que espera que o verdadeiro amor prevaleça. Além desses dois, também merece destaque Cidade mulher (1936) e Brasa dormida (1928) é considerado como um dos melhores filmes nacionais de todos os tempos. Veja mais aqui e aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte do premiado escultor espanhol Roberto Manzano Hernández. Veja mais aquiaqui.

LADY GODIVA
di Ego Godiva Comitissa diu istud desideravi
A aristocrata anglo-saxã Godiva (990-1067) tornou-se célebre pelo acordo com o seu marido Leofrico, o Duque de Mércia, desafiando-o para proteger o povo de Coventry, na Inglaterra, cavalgando nua pelas ruas. Tornou-se por isso personagem das Crônicas de Ely, que a descrevem como uma viúva mãe de Elgar de Mércia, e no Livro de Domesday, como a única possuidora de terras. Por conta de sua corajosa iniciativa, ela passou a ser cantada pelo poeta Tennyson, homegeada pelos pintores Lefebvre e Balir Laighton, virar filme e musa em canção das bandas Queen, Grant Lee Buffalo, Simply Red, Mother Love Bone, Havent Shall Burn & Velvet Underground, entre outras, bem como reverenciada na música Kátia Flávia, a Godiva do Irajá, do compositor e poeta Fausto Fawcett. Veja mais aqui.
&
A OBRA DE FRITZ PERLS
Eu sou eu. Você é você. Eu sou responsável pela minha vida e você pela sua. Eu não estou neste mundo para atender às suas expectativas, nem você para cumprir as minhas. Se os nossos caminhos se cruzarem, será maravilhoso, mas, caso contrário, teremos que continuar avançando separadamente. Porque eu não me amarei, se para lhe satisfazer precisar me trair, nem eu o amo se desejar que você seja como eu quero, em vez de aceitá-lo como você é. Você é você e eu sou eu
Oração da Gestalt, a obra do psiquiatra e psicoterapeuta Fritz Persl (1893-1970) aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.


quinta-feira, janeiro 18, 2018

WILLIAM BLAKE, CARLOS NEJAR, FLORESTAN, ORIDES FONTELA, LEON ELIACHAR, REGINA SILVEIRA, LOUIS MALLE, LUCIANO MAGNO & LIAH SOARES

AJUSTE DE CONTAS – Imagem: Abissal (2010), da artista plástica Regina Silveira. - Tirando por mim, a vida é curta e vale muito, a gente pouco e ela é demais pro que se quer. Pelejei muito, agora sozinho na noite só resta escrever cartas e mais cartas e colocá-las no fundo das garrafas para jogá-las às correntes dos rios, quem sabe, ou gravar versos confessionais às areias das praias entre sargaços ou nas encostas, nas rochas, estradas, para serem levados aos ventos à qualquer beira de fim, ou riscar meus sentimentos mais íntimos nas bordas do tempo, em voz alta no alto de um morro, ah, como agora escrevo nada que se aproveite porque nunca fiz nem fui nada, mesmo na tentativa de fazer nada melhores a todo instante e momento, mesmo que pra nada servissem nem sirvam meus préstimos, nunca serviram, valho-me da indolência de inventar histórias com os malassombros do mundo e fantasmas frequentes que rondam minha insônia a roubar meus pesares e anseios numa brincadeira sem fim. Só me resta de mesmo sentar num banco de praça a debulhar meus prantos e lavar-me a alma por ter sido vítima do injusto, a perdoar-me pela sordidez dos meus atos e vexames, como ajuste de contas pelo que fui e deixei de ser, ah, isso não, jamais. Certamente nunca fui lá achegado a lamúrias, pois ri demais e me esbaldei oportuno às condições favoráveis, quando permite uma folga por instantinho de nada que fiz valer séculos, confesso. Por isso, sempre me achei mal-agradecido, cada qual experimenta do doce e amargo, o castigo do remorso silencioso de quantos suicidas, solitários, eu mesmo nada disso, apesar das sobradas, eu morri muitas vezes e das cinzas renasci mais de mil vezes e cá estou prestando contas pra ver do que devo e do que sou credor, se é que crédito algum ainda me reste completamente ao rés do chão, reles espantalho, homiziado de pernoite, a me fazer débil entre moucos e cegos maçantes com seus parvos alcunhas e reuniões mundanas e secretas, grupelhos de interesses a ouvirem e espiarem para tudo e nada distinguirem, meros substantivos sem significado nem vergonha em seus rostos amargurados, arrogantes, cínicos, indóceis, portadores da palavra sem verdade e a rogarem favores em nome da graça de Deus e de clemência por seus degradantes dissabores, na voz gutural de duas dissimulações, sem pressa para fazer as malas enquanto se assustam com o fim do mundo daqui a pouco. Ignorado por todos sou na generosidade do sossego sem escapar de mim mesmo, no desabafo de sentimentos enterrados no mais profundo do íntimo, um acerto de contas feito e refeito comigo mesmo, já que dos outros paguei tudo até o pato alheio, foi tudo preto no branco, um ou outro, talvez, lembre tenha sido com folga, na maioria das vezes era ali mesmo justado e pesado com percentagem de usura por impagáveis falhas e deslizes, mal-entendidos, e levasse a sério era estouro das coronárias e eu já era esquecido e desmemoriado, sem buscar o muito e de tudo que persegui a vida toda, augurando êxito aqui e ali, lavando a alma e peito ao flagrar alguma cena na paisagem, sempre um vulto de mulher a chamar atenção na calçada, maravilha da vida a me empolgar e a confirmar que Deus existe naquela majestosa assimetria bem distribuída no balanço das ancas, no perfil gracioso dos seios, a cadência dos passos no mundo das pernas e coxas, o olhar fascinante que vê e não me reconhece atordoado, o prêmio do sorriso nos lábios de festa a confirmar que sou eu o premiado. Graças! Louros e salvas pra mim, pelo que escapei de traições e perigos, pelo que perdi e nem precisava, pelo que ganhei de afeto e me fez pronto pra seguir adiante, perseguir e perseverar, resiliente, pelo menos, até amanhã, se Deus quiser. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá é dia de especial com o guitarrista, compositor, cantor, arranjador e produtor musical Luciano Magno: A máquina, Marco Zero/Carnaval do Recife & De Olinda a Los Angeles; da cantora e compositor Liah Soares: Quatro cantos & As melhores; & muito mais nos mais de 2 milhões de acessos ao blog & nos 35 Anos de Arte Cidadã. Para conferir é só ligar o som e curtir.

PENSAMENTO DO DIA – [...] Baratas e formigas nos sobreviverão. Quando os átomos desintegrarem cidades e corpos, com capacetes de fereza, esses prestimosos insetos saberão o que fazer da terra, já que nós não sabemos. E talvez a concha perdida na praia restaure a última senha. [...] Toda barbárie principia na linguagem. E caminha para os gestos, fecundando a cotidiana convivência. Impõe-se uma tácita comunidade. A mais brutal selvageria é a da alma. [...] Toda ideologia é uma neblina. Envelhece à morte de um dia. [...]. Trechos extraídos da obra O túnel perfeito (Relume Dumará, 1994), do poeta, ficcionista, tradutor e crítico literário Carlos Nejar. Veja mais aqui.

REFLEXÃO PARA OS TEMPOS ATUAIS - [...] O recuo no tempo constitui uma função da cadeia de determinações causais e genéticas com que se opera. Raramente é aconselhável forçar a mão, na suposição de que “o passado explica o presente”. A sociedade se reconstitui e, se importa não perder os elos com o passado, nunca se deve perder de vista que é no presente que se encontram as determinações essenciais, que regulam a reprodução das estruturas e profundidade, a rapidez e a amplitude das transformações históricas em processo. No Brasil, porém, como em muitos outros “países capitalistas dependentes e atrasados” [...] O passado não se “repete” pura e simplesmente. Exigências e necessidades novas condicionam ou determinam a reprodução de comportamentos coercitivos e violentos, arcaicos ou semi-arcaidos, o que instaura um paradoxo histórico. [...] Assim, a violência institucional se cruza com a submissão reativa, a produção de apatia generalizada e a exclusão sistemática dos dominados, oprimidos e explorados. [...]. O que fica claro – e que as elites das classes possuidoras e dominantes procuram salvar do “caos” das mudanças – é que a monopolização do poder (de todas as formas de poder e, no caso, do poder especificamente político) se decide em um patamar pré-político. Os partidos apenas contam como agência de fruição, distribuição e centralização do poder entre facções dos estratos sociais privilegiados e “dirigentes”. [...] Os estudiosos do preconceito e da discrimanção raciais descobriram a essência de uma tradição mistificadora, arraigada no Brasil: o preconceito de não ter preconceito – uma fragilidade humana aparentemente universal, que deveria ser inerente a qualquer forma de ideologia e até mesmo ser assimilável aos mores inabaláveis de uma sociedade de origem escravista. É possível que a contradição entre o império da fé e as iniqüidades da escravidão tenha forjado uma espécie de entorpecimento infantil da consciência social e produzindo essa tendência complacente de dissimular as misérias humanas, transcendndo aos limites e às necessidades das ideologias. [...] De outro lado, embora não se possa separar o referido preconceito de não ter preconceito da violência sublimada e da violência elementar subjacente às relações estamentais-escravistas e às relações de classes de uma sociedade multiracial com fortíssima concentração racial da riqueza, do prestigio social e do poder, é evidente que o paradigma que vale para a representação do “não-preconceito” vale igualmente para outras representações essenciais à humanidade dos “mais humanos” (no calo, do que diz respeito à “não-violência”). A violência incorporada aos mores dos que se atribuem a responsabilidade da defesa da ordem, da moralidade ou da religião e de todo um padrão de civilização, objetiva-se como um direito natural – ou, na pior das hipóteses, como uma coação “legítima” e “necessária”, que se justifica por si mesma, por prevenir irrupções destrutivas da violência e por se institucionalizar como um “direito sacrossanto”. [...]. Trechos da obra A ditadura em questão (T.A. Queiroz, 1982) do

CASAMENTO DO CÉU E DO INFERNO – [...] As religiões dualistas sustentam que o homem possui dois princípios reais de existência, um corpo e uma alma; que a energia provem apenas do corpo, enquanto a razão, inteiramente da alma; e que Deus atormentará o homem por toda a eternidade por ele seguir suas energias. A verdade é que o homem não possui corpo distinto da alma – o chamado corpo é uma porção da alma discernida pelos cinco sentidos; que essa energia é a única vida que provém do corpo; que a razão é o limite externo ou circunferência da energia; e que a energia é o deleite eterno [...]. Extraído da obra O matrimônio do céu e do inferno (Iluminuras, 1995), do poeta, tipógrafo e pintor inglês William Blake (1757-1827). Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui.

TALENTOQuando completou dezoito, Ingrid saiu de casa com a disposição de entrar para o teatro: - Hei de vencer, custe o que custar. Não foi mole. Durante dois meses freqüentou tudo quanto é restaurante onde vão jantar os artistas, depois do espetáculo. Só que ela não jantava: roubava uma batatinha aqui, outra ali, e ia fazendo os contatos, que hoje chamam de relações públicas. Até que um dia surgiu a primeira oportunidade e arranjou sem primeiro emprego: tinha de bater palmas, de vez em quando, pra incentivar a plateia. Mas não durou muito: uma vez bateu palma fora de hora e acabou indo pra rua. Pra arranjar colocação em outro teatro, foi duro, pois essa é uma das raras profissões que não possibilitam a tal carta apresentação. – Mesmo assim, hei de arranjar. E arranjou mesmo, porque sempre aparece um brincalhão para tirar partido da agonia alheia. O fato é que Ingrid conseguiu uma carta nos seguintes termos: “Prezado diretor, pela presente quero lhe recomendar o extraordinário talento da jovem portadora desta carta, excelente batedora de palmas de nossa ‘claque’, com uma folha de serviços digna dos maiores elogios. Graças às suas palmas, sempre estridentes e oportunas, nossas peças têm sido muito bem aceitas, tanto pelo público como pela crítica ainda não se acostumou a gostar das peças aplaudidas. De qualquer forma, como o nosso objetivo direto é o público, peço-lhe que ouça com atenção as palmas desta jovem, cujo futuro está em suas mãos (dela é claro)”. – O senhor acha mesmo que posso fazer carreira? Ingrid tremia, quando o direitor lhe pediu para bater palmas. – O senhor gostou mesmo? – Demas. Agora pode vestir a saia e passe para a outra sala pra assinar o contrato: a senhoria será a nossa principal vedete. O que é o destino. Ingrid ingressou no teatro através das mãos, mas o seu talento estava todo nas pernas. Extraído da obra A mulher em flagrante (Círculo do Livro, 1986), do escritor e jornalista Leon Eliachar (1922-1987). Veja mais aqui e aqui.

AXIOMASSempre é melhor / saber / que não saber. / Sempre é melhor / sofrer / que não sofrer. / Sempre é melhor / desfazer / que tecer. / Sem mão / não acorda / a pedra / sem língua / não ascende / o canto / sem olho / não existe / o sol. Extraído da obra Teia: poemas (Geração, 1996), da poeta Orides Fontela (1940-1998).

ADEUS, MENINOS
Adeus, meninos foi inspirado na lembrança mais dramática da minha infância. Em 1944, eu tinha 11 anos e era interno num colégio católico, perto de Fontainebleu. Um de meus colegas, que havia chegado no começo do ano, me intrigava muito. Ele era diferente, discreto. Comecei a conhece-lo, a amá-lo, quando, certa manhã, nosso pequeno mundo desabou. Esta manhã de 1944 praticamente decidiu minha vocação de cineasta. É a minha fidelidade, minha referência. Deveria tê-la feito a matéria de meu primeiro filme, mas hesitava, esperava. O tempo passou, a lembrança se tornou mais aguda, mais presente. No ano passado, após dez anos nos Estados Unidos, senti que era chegado o momento e escrevi o roteiro de Adeus, meninos. A imaginação utilizou-se da memória como um trampolim, reinventei o passado, além da reconstituição histórica, em busca de uma verdade ao mesmo tempo lancinante e intemporal. Através do olhar desse garotinho que se parece comigo, tentei reencontrar esta primeira amizade, a mais forte, bruscamente destruída, e a descoberta do mundo absurdo dos adultos, com sua violência e preconceitos. 1944 está longe, mas eu sei que um adolescente de hoje pode partilhar a minha emoção. Louis Malle.
Extraído do livro Adeus, meninos (Bertrand Brasil, 1987), com o roteiro do premiado drama Au revoir les enfants (1987), dirigido, escrito e produzido pelo cineasta Louis Malle (1932-1995), baseado na própria infância ocorrida durante o inverno de 1943-44, quando na II Guerra Mundial a França é ocupada e dividida entre os invasores nazistas entre os “colaboracionistas” (cidadãos franceses que ajudam os alemães), os opositores resistentes e demais habitantes, meninos de diferentes idades assustem aulas dadas e organizadas por padres cristãos, descobrindo que um dos mais inteligentes e introspectivos alunos, veste solidéu e reza em língua hebraica. O filme revela a crueldade da guerra e a ocupação. Veja mais aqui, aqui e aqui.

Veja mais:
O mundo parou pro coração pulsar, o pensamento de Sêneca, a música de Liah Soares & a pintura de Jean Fautrier aqui.
Por você na Crônica de amor por ela, Safo, Gilles Deleuze & Félix Guattari, Autran Dourado, Regina Silveira, Khadja Nin, Alexandre Dáskalos, Sam Taylor-Wood, Erika Leonard James, Eduardo Schloesser, Dakota Johnson & Kel Monalisa aqui.
Darcy Ribeiro, Autran Dourado, Damaris Cudworth Masham, Loius Claude de Saint-Martin, Juan Orrego-Salas, Irina Vitalievna Karkabi, Doença & Saúde aqui.
Farra do Biritoaldo aqui.
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A ARTE DE REGINA SILVEIRA
A arte da artista plástica Regina SilveiraVeja mais aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
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terça-feira, novembro 15, 2016

A REPÚBLICA NO REINO DO FECAMEPA – LIÇÕES DE ONTEM E DE HOJE PRO QUE NÃO É

[...] Sabes que há tantas espécies de caráter como formas de governo? Ou pensas que essas formas provêm dos carvalhos e da rocha, e não dos costumes dos cidadãos, que arrastam todo o resto para o lado para que pendem? [...] não convirá passar em revista os caracteres inferiores: em primeiro lugar, o que ama a vitória e a honra, baseado no exemplo do governo da Lacedemônia; em segundo o oligárquico, o democrático e o tirânico? Depois de reconhecermos qual o mais injusto, oporemos este ao mais justo e poderemos aí terminar o nosso exame e ver como a pura justiça e a pura injustiça agem, respectivamente, no que diz respeito à felicidade ou à infelicidade do indivíduo, para que siga o caminho da injustiça, se nos deixarmos convencer por Trasímaco, ou a da justiça, se cedermos às razões que se manifestam a seu favor [...] Deste modo, de amantes que eram da conquista e das honras, os cidadãos acabam por tornar-se avarentos e ambiciosos, louvando o rico, admirando-o e levando-o ao poder, e desprezando o pobre. [...].
Trechos recolhidos da obra A República (Edições de Ouro, 1980), do filósofo e matemático grego racionalista, realista, idealista e dualista Platão (428-347aC). Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui.

[...] A liberdade, por exemplo, só pode existir verdadeiramente onde o povo exerce a soberania; não pode existir essa liberdade, que é de todos os bens o mais doce, quando não é igual para todos. [...] Pois bem: assim como o agricultor conhece a natureza do terreno e assim como um escritor sabe escrever, procurando ambos, na sua ciências, antes a utilidade do que o deleite, assim também o homem de Estado pode estudar o direito, conhecer as leis, beber nas suas próprias fontes, sob a condição de que as suas respostas, escritos e leituras o ajudem a administrar retamente a República. Certamente, deve conhecer o direito civil e natural, sem cujo conhecimento não pode ser justo. Mas deve ocupar-se com tais coisas como o piloto se ocupa com a astronomia, e o médico com as ciências naturais, referindo esses estudos à prática de sua profissão, aproveitando-se deles no que lhe possam ser úteis e sem se separar do verdadeiro caminho que empreendeu. [...].
Trechos extraídos da obra Da República (Escala, 2005), do filósofo, orador, escritor, advogado e político romano Marco Túlio Cícero (106 – 43aC).. Veja mais aqui, aqui e aqui.

[...] Porque em toda cidade se encontram estes dois humores diversos; e nasce disso
que o povo deseja não ser comandado nem oprimido pelos grandes, e os grandes
desejam comandar e oprimir o povo; e desses dois apetites diversos nascem nas cidades um dos três efeitos: ou principado ou liberdade ou licença. [...].
Trecho extraído da obra  O príncipe (Abril Cultural, 1979), do escritor, filósofo, historiador e dip0lomata italiano Nicolau Maquiavel (1469-1527). Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui.

[...] Num Estado, isto é, numa sociedade onde há leis, a liberdade só pode consistir em poder fazer-se o que se deve querer e em não estar obrigado a fazer o que não se deve querer. [...] A desgraça de uma república advém quando não há mais conluios e isso acontece quando se corrompe o povo pelo dinheiro: ele torna-se indiferente e afeiçoa-se ao dinheiro, porém não mais se afeiçoa aos negócios: sem se preocupar com o governo e com o que nele se propõe, espera tranquilamente seu salário. [...].
Trechos extraídos da obra Do espírito das leis (Abril, 1979), do filósofo e escritor francês Montesquieu (1689-1755). Veja mais aqui, aqui e aqui.

[...] Eu chamo, pois, república todo Estado regido por leis, independente da forma de administração que possa ter; porque então somente o interesse público governa, e coisa pública algo representa. Todo governo legítimo é republicano. [...].
Trecho extraído da obra Do contrato social (Abril Cultural, 1978), do escritor, teórico político, um dos principais filósofos do Iluminismo e precursor do Romantismo francês, Jean-Jacques Rousseau (1712-1778). Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui.

[...] A padronização formal da justiça, do estado, do funcionalismo público etc. significa objetivamente e factualmente uma redução comparável de todas as funções sociais aos seus elementos, uma busca comparável pelas leis racionais formais desses sistemas parciais cuidadosamente segregados [...].
Trecho extraído da obra História e consciência de classe: estudos sobre a dialética marxista (WMF Martins Fontes, 2012), do filósofo, crítico literário e pensador marxista húngaro Georg Lukács (1885-1971). Veja mais aqui e aqui.

[...] Embora os seres humanos não sejam civilizados por natureza, possuem por natureza uma disposição que torna possível, sob determinadas condições, uma civilização, portanto uma autorregulação individual de impulsos do comportamento momentâneo, condicionado por afetos e pulsões, ou o desvio desses impulsos de seus fins primários fins secundários, e eventualmente também sua reconfiguração sublimada. [...] Dado que os seres humanos, diferentemente de muitos outros seres vivos sociais, não possuem uma regulação nativa dos afetos e pulsões, eles não podem prescindir da mobilização de sua disposição natural rumo à autorregulação mediante o aprendizado pessoal dos controles dos afetos e pulsões, no sentido de um modelo de civilização específico da sociedade, a fim de que possam conviver consigo mesmos e com os outros seres humanos. O processo universal de civilização individual pertence tanto às condições de individualização de ser humano singular com às condições da vida social em comum dos seres humanos. [...].
Trechos extraídos da obra: Escritos e ensaios I: Estado, processo, opinião pública (Zahar, 2002), do sociólogo alemão Norbert Elias (1897-1990). Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui.

[...] No espaço social mapeado cognitivamente, o estranho é alguém do qual sabemos pouco e do qual desejamos saber ainda menos. No espaço moral, o estranho é alguém que nos importa pouco e nos sentimos tentados a que nos importe ainda menos. [... ].
Trecho extraído da obra Ética pós-moderna (XXI, 2004), do sociólogo polonês Zygmunt Bauman. Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui.

[...] As classes dominantes usam o Estado exatamente para criar e manter uma dualidade intrínseca da ordem legal e política, graças à qual o que é oligarquia e opressão para a maioria submetida, é automaticamente democracia e liberdade para a minoria dominante [...] Essa forma de participação, por cooptação, contribui "para a corrupção intrínseca e inevitável do sistema de poder resultante. [...].
Trecho extraído da obra A revolução burguesa no Brasil (Zahar, 1976),


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