DUAS: CUIDANDO ENTRE OLHO ABERTO & OUTRO FECHADO - Entre
um piscado e outro dos olhos, constato: o que há entre o desiderato e o alarido
dos tormentos, só dão em prevalecentes aporias. Ou, melhor dizendo: o mesmo que
um meio de campo embolado pela retranca de desalmados aventureiros que não
estão nem aí pra gente na geral com o coração na mão e sem nem saber para que
lado torcer. Aí tudo é só pesadelo e manadas se formam umas atrás das outras e
quem fica com o olho aberto fica feito os 7 gols alemães. Sinto que aí a gente
foi sacaneado de um jeito ou de outro. Vamos lá. Quando me bate alguma emoção
onírica, recorro logo ao Jacques Derrida:
Eu sempre sonho com uma caneta que seria
uma seringa. O que não pode ser dito acima de tudo não deve ser silenciado, mas
escrito. Como ninguém me ouve nem deve, meto as catanas para cima e arrocho
nos garranchos até não querer mais de tão rouco. É isso.
TRÊS: MISTURANDO AS TINTAS DAS LETRAS & CORES - Nada
me basta mesmo, afoito que só! Nem bem comecei a soletrar umas escritas
recorrentemente desmanchadas por escansões inapropriadas, mormente confusão
entre os sintagmas e outros tantos solecismos, coisa de poetastro metido a
beletrista. Pois é. Ainda por cima, inventei de pincelar sem o devido domínio nem
das cores primárias – resultaram inúteis as repetidas consultas ao manual do Israel Pedrosa -, meti as mãos pelas
pernas e findei colando imagens sob tintas, o que deu na maior seboseira. Aí, tentando
esconder minha imperícia, achei melhor deixar meio que quase monocromático
abstrato para passar a ilusão dum p&b lá que meio desaprumado. É que eu
havia levado ao pé da letra Rembrandt:
Tente colocar em prática o que você já
sabe e fazendo isso, você descobrirá, com o tempo, as coisas escondidas sobre
as quais agora você se questiona. Pratique o que você sabe e isso ajudará a
tornar claro o que agora você não sabe. Quanto mais perigoso, mais belo! Ah,
ledo engano esse meu. Só que eu não sabia, esse o detalhe e a questão,
confesso. Taí, todo dia emplaco uma no cabeçalho daqui, mesmo convencido de que
nunca levei jeito para nada, sempre o imprestável: vai ser desajeitado assim no
raio que parta, broco! Digo pra mim mesmo: desculpa de amarelo é comer barro,
hehehehehe. Até amanhã. © Luiz Alberto
Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo e aqui.

A MULHER
DO ALGODÃO
[...] em uma escola particular, onde começaram a
circular boatos sobre uma tal mulher loura que aparecia no banheiro das
crianças em busca de seu filho morto. [...] E todos os dias estudantes saiam correndo do banheiro gritando: “Eu vi
a loura! Eu vi a loura!” O pavor era grande. [...] Certa vez, minha irmã mais velha – que estudava na mesma escola que eu –
sentiu vontade de ir ao banheiro durante a aula. Mas ninguém poderia acompanhá-la
naquele momento. As escadarias do colégio estavam desertas: já no caminho ela
sentiu um calafrio! E o banheiro estava escuro. Ao entrar, minha irmã
dirigiu-se ao cubículo mais próximo da porta, pois já pensava em ter que fugir.
Trancou-se na tentativa de ficar segura, usou o sanitário de olhos fechados e,
de repente, sentiu uma presença. Abriu os olhos e lá estava a loura parada em
sua frente. Tinha cabelos longos e claros, e uma expressão muito triste que só
não chamava mais atenção do que os chumaços de algodão ensanguentados no nariz.
Por um momento, a minha irmã pensou em fugir, mas a passagem estava bloqueada
pela mulher. Tentou se acalmar um pouco e ficou ali durante alguns segundos
observando o fantasma que, do mesmo jeito que apareceu, desapareceu sem deixar
nenhum vestígio. [...].
A MULHER
DO ALGODÃO - Trechos de um relato extraído da obra Histórias medonhas d’O Recife Assombrado
(Bagaço, 2002), organizado por Roberto Beltrão. Veja mais aqui.
A DANÇA DE CRISTINA MOURA
A confusão da arte contemporânea, o lugar do público e do intérprete, o
processo artístico, o estar em cena. O espetáculo fala do que vivemos hoje.
CRISTINA MOURA - A arte da coreógrafa, atriz, diretora, bailarina
e artista múltipla Cristina Moura,
que estudou e tornou-se membro da companhia EnDança e, depois, ingressou no
Coletivo Improviso. Desenvolveu as performances Como um idiota (Like an Idiot
- 2003), Im-Pulso e o mais recente solo
Agô. Veja mais aqui.
PERNAMBUCULTURARTES
RecorDança, um acervo do projeto de pesquisa,
documentação e difusão da memória da dança, realizado pela Associação Reviva,
desde 2003, reunindo o registro digitalizado de fotos, vídeos e programas de
espetáculos produzidos na Região Metropolitana do Recife.
&
Os ambulantes de deus, do escritor, dramaturgo, tradutor e
advogado Hermilo Borba Filho. (1917-1976) aqui.
A obra do
médico, professor catedrático, pensador, ativista político e embaixador do
Brasil na ONU, Josué de Castro (1908-1973) aqui & aqui.
A música
do pianista, maestro e compositor Marlos Nobre aqui.
Sísifo, do poeta Marcus Accioly (1943-2017) aqui.
Das
quedas, perdas e danos aqui.
&