DUAS: COMO O MUNDO DÁ VOLTAS – Ainda ontem um poderio determinado, hoje
não mais: sombras de Goya. O mando
eterno, pensam; olvidam do efêmero. Frida Kahlo que o diga: Nada é absoluto.
Tudo muda, tudo se move, tudo gira, tudo voa e desaparece. Cada tictac é um
segundo da vida que passa, foge, e não se repete. E há nele tanta intensidade,
tanto interesse, que o problema é só sabê-lo viver. Que cada um o resolva como
puder. Para mim todo amanhã é agora; depois de amanhã, nunca mais.
TRÊS: O PATRIOTISMO BESTA QUADRADA DO BIRITOALDO – Escapulia
trocando as pernas altas horas da noite, furtivamente decilitrado, quando foi
instado por uma batida da patrulha. Queimou ruim ao ser encarcado: Sou bandido
não! Um dos policiais tentou explicar da necessidade de isolamento social e
utilização de máscara por conta da pandemia, ele se fazendo de mouco,
assomando-se nos gestos ao ser tratado por cidadão pela autoridade: Cidadão uma
porra! Calma, senhor. Sou o maior empeleiteiro da freguesia. Ao ser humano
requer cidadania, meu senhor. Cidadania é pra zé-ruela, sou patriota e estou
nos meus direitos! Como não houve como contê-lo, foi recolhido à delegacia. Lá,
o delegado que se achava poeta naquela noite, tascou Maupassant na lata dele: Se a
guerra é uma coisa horrível, não seria o patriotismo a ideia-mãe que a nutre?
Biritoaldo olhou pros lados, cuspiu no chão, encarou o casacudo e bafejou: Essa
ladainha eu não entendo não, sei que estou nos meus direitos. Recolhe esse aí
pra ele esfriar o quengo, soldado! Dia seguinte, pelas 11, saiu ele com a cara
mais lisa para se trancar no departamento da vergonha. Uma semana depois de
escondido sem dar as caras, lá ia todo murcho, com o rabinho entre as pernas: E
aí, Birito, onde tu tava, desgraçado? Tava comendo merda! Ora, só sendo, tu só
faz bosta mesmo, num é? Foi-se, lá com ele, remoendo tudo. Autran Dourado que o diga: Ninguém
sabe o que se passa dentro de ninguém, somos muralhas uns para os outros. Até
amanhã. © Luiz Alberto Machado. Direitos
reservados. Veja mais abaixo e aqui.

ALFAZEMA, DE SABRINA FIDALGO
[...] Trata do dilema da foliã Flaviana (Shirley
Cruz) que tenta se livrar de um amante (Victor Albuquerque) da noite anterior
que se recusa a sair debaixo de seu chuveiro. O filme é uma comédia que se
utiliza da metalinguagem do cinema para rir de si mesmo [...]
ALFAZEMA – O premiado curta-metragem de ficção, Alfazema (2019), é a segunda parte da Trilogia do Carnaval, da
cineasta Sabrina Fidalgo, iniciado
com o também premiado média-metragem Rainha
(2016). Ela iniciou sua carreira com o curta-documentário Sonar
2006 - Special Report (2006) e, sobre si mesma, ela se define: Sou uma artista, mulher, negra, brasileira,
latino-americana que escolheu o cinema nos papéis de diretora, roteirista e
atriz/performer para se expressar. Na verdade eu me expresso de várias maneiras
artisticamente. Sou desenhista autodidata e também tenho muita vontade de focar
nas artes-plásticas. Amo música, tanto que tenho como hobby a pesquisa musical
e sou DJ nas horas vagas. Na verdade eu tenho muitas referências e paixões e em
vários momentos artísticos, escolhi o cinema, dentre outros motivos, porque é
um lugar no qual posso estar diretamente envolvida com tudo o que eu gosto:
música, artes plásticas, interpretação, fotografia e o próprio cinema em si. Foi
um processo até chegar a essa conclusão. Mas o amor pelo cinema eu cultivo
desde criança. Veja mais aqui.
A ARTE DE DORIS
SALCEDO
Centrei toda minha obra na violência política. No início de cada
trabalho há um testemunho. Então todas as obras, todas as instalações que faço
estão relacionadas a isso. Parto sempre de um testemunho real e em cima disso
vou construindo algo que já não é tão precisamente sobre essa vítima, mas que
leva a uma memória que é algo um pouco mais amplo sobre esse tipo de eventos.
DORIS SALCEDO - A arte
da artista colombiana Doris Salcedo, que trabalha com instalações que
envolvem esculturas com objetos cotidianos, como móveis de madeira e peças de
vestuário, esculturas de memória, unindo o passado ao presente. Veja mais aqui.
PERNAMBUCULTURARTES
A arte da diretora, roteirista, produtora de cinema e TV,
Tila Chitunda (Alice Chitunda), que é autora de dos documentários Fotográfica (2016),
Nome de Batismo: Alice (2017) e Nome de Batismo: Frances (2019), afora
desenvolver projetos, entre eles Mulheres no Cinema – Encontro e Ciclo de
Formação (2018) e de ter atuado como produtora do documentário Pernambucanos
(2007), entre outros.
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A música de Lenine aqui.
A obra do escritor Pelópidas Soares (1922-2007)
aqui.
Pontes imaginárias sob o céu do manguetown: influências do Mangue Beach
sobre as políticas públicas no entorno do Rio Capibaribe – uma análise do
circuito da Poesia e do Carnaval Multicultural, do
geógrafo doutorando pela UFRJ, David Tavares Barbosa aqui.
A poesia de poeta e professor Admmauro Gommes aqui.
Os mortos de Sincorá aqui.
Proezas do Biritoaldo aqui.
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