sexta-feira, março 08, 2013

PAPA HIGHIRTE DE ODUVALDO VIANNA FILHO




DA PEÇA PAPA HIGHIRTE DE ODUVALDO VIANNA FILHO (1936-1974)

Papa Highirte: [...] pão de gente que não é amada... só resta cuspir o pão. [...] democracia é isso um vento, papaventos no mundo, cada um faça o que quiser! E o noho da autoridade por todo mundo, democracia não é uma aventura, não é pic-nic, não é mundo dos adiamentos, das desculpas, não é um baile das regalias, demcoracia é também uma procissão dos deveres, entendeu, Grissa? Você quando você vai entender vocês todos? [...] e quem pode saber de que lado Deus está? [...] Foi sim. Os homens em Alhambra agora resolveram se sentir injustiçados, todos se acham capazes agora, os políticos vão à televisão dizer que há injustiça, os poetas escrevem que há injustiça e todos sentaram nos botequins e resmungam, ninguém tem coragem de lutar e trabalhar feito macho, trabalhar virou servilismo, bater relógio de ponto é servilismo, eficiência é servilismo, os técnicos americanos me diziam: “Papa, a grande dificuldade é fazer os operários latino-americanos se concentrarem, Papa, trabalham em media trinta segundos, quarenta, depois conversam, olham, dizem graça”, sabe por que nós somos pobres? Por que ninguém se concentra durante mais do que quarenta segundos na America Latina, eu devia ter usado a violência, sabe? Ferro e fogo, com vocês só ferro e fogo.... [...} Os filhos? Como vocês tratam dos filhos? Noventa, noventa casos por mês de crianças que morrem desidratadas porque as mães levam os filhos ao hospital já tarde demais. Noventa, noventa! Vejam, não estou criticando meu povo, vejam, mas entendam; mas gostamos mais das flores que dos frutos, gostamos mais do por do sol que da aurora, não sabemos prever, não levantamos a máquina de somar, inventamos os violões, as guitarras; ficamos para trás e reclamamos dos que estão na frente, mas eles trabalham em regime de quatro turnos, nós trabalhamos dois turnos; sessenta por cento do que poderíamos produzir fica perdido nas nossas eternas madrugadas, nas nossas eternas esquinas....

PAPA HIGHIRTE DE ODUVALDO VIANNA FILHO - (1936-1974) – Compositor. Dramaturgo. Ator. Conhecido também pelo apelido de Vianinha. Filho do dramaturgo Oduvaldo Vianna e de Deuscélia Vianna. Ao lado de Gianfrancesco Guarnieri e Augusto Boal foi um dos principais nomes do Teatro de Arena, em São Paulo, no final da década de 1950 e também participou da fundação do Centro Popular de Cultura (CPC) e do Grupo Opinião, no Rio de Janeiro, na década de 1960. Aos dois anos de idade participou das filmagens de "Alegria", dirigido por seu pai. Dos três aos cinco anos, morou com a família em Buenos Aires, na Argentina. Aos dez anos, começou a escrever sua primeira história, abandonada ainda no segundo capítulo. Morando em São Paulo, matriculou-se na Faculdade de Arquitetura da Universidade Mackenzie, em 1953, mas interromperia o curso antes de se formar. Em 1955, estreou como ator, depois de integrar o Teatro Paulista do Estudante, sob a dieção de Ruggero Jacobbi. Seu pai fora anteriormente casado com a atriz e cantora Abigail Maia, com quem teve duas filhas. Tinha oficialmente o mesmo nome do pai que se esqueceu de acrescentar a palavra filho na hora de registrá-lo no cartório. A semelhança dos nomes faria com que na década de 1960, durante a ditadura militar, seu pai fosse detido para interrogatório por engano, pois era Vianinha, então tido como autor subversivo, que os agentes da repressão queriam interrogar. Casou-se pela primeira vez, aos 21 anos, com a atriz e jornalista Vera Gertel (sua companheira no Teatro de Arena), com quem teve o filho Vinicius Vianna, que se tornaria mais tarde escritor e roteirista. De seu segundo casamento, com Maria Lúcia Marins, em 1970, nasceram Pedro Ivo e Mariana. Em 1972, ao fazer uma abreugrafia para ser contratado como roteirista pela TV Globo, constatou estar com câncer, mal do qual viria a morrer dois anos depois, dias após terminar no hospital sua última peça, "Rasga Coração", que permaneceria censurada por cinco anos. Ao todo, escreveu cerca de 17 peças, além de roteiros para a televisão, destacando-se, no teatro, "Chapetuba Futebol Clube", "Moço em Estado de Sítio", "Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come" (c/ Ferreira Gullar), "Papa Higuirte", "A Longa Noite de Cristal", "Corpo a Corpo" e "Rasga Coração". Na televisão, as estórias "O Matador", "O Morto do Encantado", a adaptação de "Medéia", de Eurípedes, e episódios da série "A Grande Família" estão entre as principais realizações de Vianinha. Para o cinema, escreveu o roteiro de "O casal", filmado por Daniel Filho, em 1975, com José Wilker e Sônia Bgraga à frente do elenco. Já dizia Mauro Trindade: O que sabemos é que a verdade é o caminho da verdade, e este foi justamente o caminho que o Vianinha percorreu, com muito trabalho, como homem e como artista.

FONTE:
TRINDADE, Mauro. Vianinha, Brasil. Revista Bravo, ano V, 117-121, janeiro 2002.
VIANNA FILHO, Oduvaldo. O melhor teatro de Oduvaldo Vianna Filho. São Paulo:Global, 1984.

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