quinta-feira, março 07, 2013

A VIOLÊNCIA NO MUNDO & A PSICOLOGIA DE GORDON ALLPORT




A VIOLÊNCIA DO MUNDO – é um livro que reúne as idéias de Jean Baudrillard e Edgar Morin, numa tradução de Leneide Duarte-Plon. Inicialmente o livro traz uma entrevista concedida por Edgar Morin para a tradutora. Em seguida, Maati Kabbal comenta acerca da violência do mundo. Logo após vem o texto de Jean Baudrillard: A violência mundial, onde ele assinala que “A hipótese terrorista é que o sistema se suicide como resposta ao desafio da morte e do suicídio (...) o que é insuportável é muito menos a infelicidade, o sofrimento ou a miséria do que a potencia e sua arrogância. O que é insuportável e inaceitável é a emergência dessa recente potência mundial”. E de Edgar Morin os textos: Introdução à conferência, No cerne da crise planetária e Debate, onde ele assinala que “Pela primeira vez na história do homem, graças à ciência e à técnica, pode-se aniquilar irremediavelmente toda a humanidade. A biosfera também está ameaçada de degradação: os perigos são os frutos do nosso progresso”. Segundo Maati Kabbal, o livro coloca em discussão o momento da violência depois dos atentados de 11 de setembro de 2001, em Nova York. A reflexão deles, segundo o jornalista e escritor, sobre a hecatombe ocorrida contrasta fortemente com aquela que foi sumariamente formatada de forma redutora por pseudo-especialistas ou pensadores autoproclamados do Islã, do islamismo e do terrorismo.

FONTE:
BAUDRILLARD, Jean; MORIN, Edgar. A violencia do mundo. Rio de Janeiro: Anima, 2004.



A TEORIA DA PERSONALIDADE DE GORDON ALLPORTE - Gordon Allport (1897-1967) nasceu em Montezuma, Indiana, caçula de quatro filhos. Seu pai que estudava Medicina, estava numa situação difícil contrabandeando drogas do Canadá para Baltimore, tendo de fugir da polícia e retornar para sua cidade para abrir uma clinica particular. A mãe era uma devotada religiosa que dominava a família, severa, com forte senso do que é certo ou errado, rigorosa em seus ideais morais. Ainda criança, Allport se isolou de outras crianças fora da família, inventando o seu próprio circulo de atividades, pois que não se dava bem com seus irmãos que não gostavam dele, esforçando-se para ser o centro das atenções com seus poucos amigos. Foi daí que ele propôs a sua teoria da personalidade baseada no fato de que os ecologicamente saudáveis não são afetados por eventos da infância. A partir das suas condições de isolamento e rejeição na infância, ele desenvolveu sentimentos de inferioridade compensando com luta para se sobressair, buscando a identidade resultante desse sentimento. Na idade adulta, ele continuou a se sentir inferior em relação ao seu irmão mais velho, com cujas realizações tentava rivalizar, vez que ele obteve Ph.D em Psicologia e tornou-se um famoso profissional, tornando-o a sombra de seu irmão. Para afirmar sua individualidade, ele afirmava seus interesses eram independentes dos sentimento na infância, formalizando a ideia com o conceito de autonomia funcional. Formou-se e se encontrou com Freud num momento constrangedor de silencio e sob a nomeação de que ele possuía uma personalidade compulsiva. Abalado com esse fato, o encontro foi traumático, passando a dar mais atenção ao consciente ou às motivações visíveis. A PERSONALIDADE – Para Allport, a personalidade é uma organização dinâmica, dentro do individuo, dos sistemas psicofísicos que determinam comportamento e pensamentos característicos. Essa organização dinâmica sinaliza que a personalidade estando sempre mudando e crescendo, esse crescimento é organizado e não aleatorio. Na questão psicofísica, a personalidade é composta de mente e corpo atuando juntos como uma unidade. Todas as facetas da personalidade ativam ou orientam comportamentos e ideais específicas, significando que tudo o que se pensa e faz é característico ou típico da pessoa e que cada pessoa é diferente. HEREDITARIEDADE E AMBIENTE – Enfatizando a singularidade da personalidade, ele afirma que a hereditariedade fornece a matéria prima da personalidade, como o físico, a inteligência e o temperamento, podendo ser moldada, ampliada ou limitada pelas condições do ambiente, demonstrando a importância da genética e aprendizagem. E que essa dotação genética é responsável pela maior parte da singularidade e interage com o ambiente social. Com isso ele considerava que a personalidade pode ser distinta ou descontinua. E que existem duas personalidades: uma para a infância e outra para a idade adulta. A personalidade adulta não é limitada pelas experiências da infância. Ao enfatizar o consciente e não o inconsciente, o presente e o futuro, e não o passado, reconheceu a singularidade da personalidade optando por estudar a personalidade normal. TRAÇO DE PERSONALIDADE – São reais e existem em cada ser humano, não são constructos teóricos criados para explicar comportamentos. Os traçados determinam ou causam o comportamento. Os traços podem ser demonstrados empiricamente. São inter-relacionados e variam de acordo com a situação. Enfim, traços são características diferenciadas que regem o comportamento e são medidos num continuum, estando sujeitos a influencias sociais, ambientais e culturais. Esses traços podem ser individuais, que são peculiares da pessoa e definem o seu caráter; e os comuns, que são compartilhados por uma serie de indivíduos, como os membros de uma cultura. DISPOSIÇÕES PESSOAIS – São traços peculiares à pessoa, o contrário dos traços compartilhados por uma série de pessoas. Um traço cardinal é tão penetrante e influente que afeta que todos os aspectos da vida, mais difundidos e poderosos. Os traços centrais são aqueles temas que melhor descrevem o comportamento humano, como agressividade, autopiedade e cinismo. Esses traços são uma serie de traços especiais que descreve o comportamento de uma pessoa. Os traços secundários são menos importantes que uma pessoa pode apresentar tênue ou inconscientemente. O comportamento expressivo é um comportamento espontâneo e aparentemente sem proposito, geralmente exibido sem se estar ciente disso. O comportamento instrumental é aquele conscientemente planejado pelas necessidades de uma dada situação e elaborado para uma certa finalidade, geralmente para provocar mudanças no ambiente. HÁBITOS E ATITUDES – Os hábitos são respostas especificas e inflexíveis a determinados estímulos. Vários hábitos podem se combinar para formar um traço. As atitudes são semelhantes aos traços, mas elas tem objetos de referencia especificos e envolvem avaliações positivas ou negativas, levando as pessoas a gostar ou odiar, aceitar ou rejeitar, ser a favor ou contra, entre outras. MOTIVAÇÃO – Considerou Allport que é o estado atual da pessoa que é importante, uma vez que planos e interações conscientes que são processos cognitivos são um aspecto vital para a personalidade. As intenções deliberadas são uma parte essencial da personalidade: o que se quer e aqui que se luta são chaves para entender-se o comportamento. A autonomia funcional dos motivos: os motivos dos adultos maduros e emocionalmente saudáveis traz a ideia de que os motivos no adulto normal e maduro são independentes das experiências da infância nas quais eles originalmente surgiram. A autonomia funcional perservativa: é o nível mais elementar, está voltada para comportamentos como vícios e ações físicas repetitivas como formas costumeiras de executar tarefas diárias. Assim, trata-se do grau de autonomia funcional relacionada a comportamentos de nível inferior ou rotineiros. A autonomia funcional do proprium: é fundamental para a compreensão da motivação adulta, uma vez é derivada do proprium que é o ego ou o self, sendo, portanto, o grau de autonomia funcional associado aos valores, o que se gosta de fazer e o que se faz bem. O proprium inclui os aspectos da personalidade que são distintos e próprios da vida emocional. Esses aspectos são peculiares a cada um e unem as atitudes, percepções e intenções. O funcionamento autônomo é um processo de organização que mantem o senso de self e determina a forma como se percebe o mundo, o que se lembra das experiências e a direção que se toma na vida. Esses processos perceptivos e cognitivos são seletivos, selecionam apenas os motivais que são relevantes aos interesses e valores da massa de estímulos existente no ambiente. Esse processo de organização é regido por três princípios: organização do nível de energia, domínio e competência, e padronização autônoma. A organização do nível de energia explica a aquisição dos novos motivos que surgem de uma necessidade para ajudar a consumir o excesso de energia que poderia ser expressa de formas destrutivas ou prejudiciais.
Domínio e competência refere-se ao nível em que se decide satisfazer os motivos. Padronização autônoma descreve uma luta pela coerência e integração da personalidade. FASES DE DESENVOLVIMENTO DA PERSONALIDADE – São identificadas sete fases que compreendem a infância até a adolescência, denominada de desenvolvimento do proprium. A fase do eu corporal surge durante os primeiros três anos, quando as crianças ficam cientes da sua existência e distinguem o seu próprio corpo dos objetos do ambiente. A fase do Self-Identify ocorre quando as crianças percebem que sua identidade permanece intacta apesar das várias mudanças que estão ocorrendo. A fase da autoestima é quando as crianças aprendem a ter orgulho das suas realizações. A fase de extensão do eu, surge no período entre o quarto e o sexto ano, quando as crianças passam a reconhecer os objetos e pessoas que fazem parte do seu mundo. A fase da autoimagem ocorre quando as crianças elaboram uma imagem real e uma outra idealista de si mesmas e do seu comportamento e ficam cientes do fato de satisfazerem ou não as expectativas do pai. A fase do self como uma solução racional é a fase que ocorre durante as idades de 6 a 12 anos, quando as crianças começam a aplicar a razão e alógica à solução dos problemas cotidianos. A fase da luta pela autonomia ocorre durante a adolescência, os jovens começam a traçar metas e planos de longo prazo. Idade adulta quando os adultos normais e maduros são funcionamento autônomos, independente dos motivos da infância. Eles funcionam racionalmente no presente e criam conscientemente os seus próprios estilos de vida. A PERSONALIDADE ADULTA SAUDÁVEL – O adulto maduro estende o seu senso de self para as pessoas e as atividades além do self. Relaciona-se carinhosamente com as outras pessoas, exibindo intimidade, compaixão e tolerância. A autoaceitação do adulto maduro o ajuda a obter segurança emocional. Tem uma percepção realista da vida, desenvolve habilidades pessoais e se compromete com algum tipo de trabalho; conserva um senso de humor e objetivação do self (compreensão ou insight do próprio self)/ adota uma filosofia de vida unificadora, que é responsável pela condução da personalidade na direção de metas futuras. CONCLUSÃO – Allport divergiu da Psicanalise de Freud, não aceitando a teoria de que forças inconscientes dominavam a personalidade de adultos normais e maduros; acreditava que pessoas emocionalmente saudáveis agem de forma racional, consciente, cientes e controlando várias das forças que as motivam. Para ele, o inconsciente só é importante no comportamento neurótico ou problemático, alegando que todo ser humano é guiado pelo presente e pela visão do futuro, ocupado em conduzir sua vida para o futuro. Também se opôs a coletar dados de pessoas emocionalmente perturbadas, vendo uma clara diferença: a personalidade anormal age num nível infantil. A única maneira correta de estudar a personalidade seria coletar dados de adultos emocionalmente saudáveis. Entendia que não há semelhanças funcionais na personalidade de crianças e adultos, pessoas normais e anormais ou animais e humanos. Ele dá ênfase na singularidade da personalidade de acordo com o definido pelos traços de cada pessoa, particulares e específicos de cada individuo.

REFERÊNCIAS
ATKINSON, Richard; HILGARD, Ernest; ATKINSON, Rita; BEM, Daryl; HOEKSENA, Susan. Introdução à Psicologia. São Paulo: Cengage, 2011.
BOCK, A.M et al.  Psicologias: uma introdução ao estudo da psicologia. São Paulo: Saraiva, 2001
DAVIDOFF, Linda. Introdução à Psicologia. São Paulo: Pearson Makron Books, 2001.
GAZZANIGA, Michael; HEATHERTON, Todd. Ciência psicológica: mente, cérebro e comportamento. Porto Alegre: Artmed, 2005.
LAPLANCHE; Jonh; PONTALIS, J. B. Vocabulário de psicanálise. São Paulo: Martins Fontes, 1996.
MEZAN, Renato. Interfaces da psicanálise. Rio de Janeiro: Companhia das Letras, 2002.
MORRIS, Charles; MAISTO, Alberto. Introdução à psicologia. São Paulo: Pretence Hall, 2004.
MYERS, David. Psicologia. Rio de Janeiro: LTC, 2006.
ROUDINESCO, Elisabeth. Dicionário de psicanálise. Rio de Janeiro: Zahar, 1998.
SCHULTZ, Duane; SCHULTZ, Sydney. Historia da psicologia moderna. São Paulo: Cengage Learning, 2012.
______. Teorias da personalidade. São Paulo: Cengage Learning, 2014.
ZIMERMAN, David. Vocabulário contemporâneo de psicanálise. Porto Alegre: Artemd, 2008.
______. Fundamentos psicanalíticos: teoria, técnica, clínica – uma abordagem didática. Porto Alegre: Artmed, 2007.
______. Manual de técnica psicanalítica. Porto Alegre: Artmed, 2004.
 

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