quinta-feira, março 07, 2013

PATRIZIA CAVALLI, KARIN BOYE, NGŨGĨ WA THIONG'O, TINA MODOTTI, ALAGOAS & LITERÓTICA

 

LITERÓTICA: A FESTA TODA É NELA – Três vezes ao dia ou mais que isso, nem bem amanhece pra ela mexer meu membro maciço, e se achega feito cunhatã faceira, vadia sentinela, se ajeitando pro meu café da manhã completo e faustoso. E se estira de bandeja sobre o meu elo fogoso, a se espalmar capitosa, com suas mãos humosas e quase alinhadas ao carinho extremoso delas na minha manivela como se fosse o colosso que mais lhe apetece e em paga enxuta e repousada com azo se estatela nua desbussolada em decúbito laboral só para me servir e mandar ver nela. Três vezes ao dia e nem entardece logo ela minha benfeitora toda se enlanguesce toda inflada vigia com seu decote vertiginoso a mostrar dois melões mais que saboridos e volumosos pra encher minhas mãos contundentes a conspurcar, às sacudidelas, seu recato indecente em decúbito dorsal que exploro arguto todo seu manjar colossal como se fosse o almoço descomunal que imoderado devoro com alvoroço no seu ninho inguinal. Três vezes ao dia e nem anoitece lá está ela erradia cheia de graça enrolada na toalha com passo de garça e em ebulição a me ofertar provocante a sua tarântula acesa com o eflúvio de seu púbis de todos os cheiros lascivos como se fosse a minha janta que mais se amplia e se agiganta para que seu seja o vilão afiando os dentes amolados para voar ao seu esconderijo ofertado para capturá-la a exorbitar bebedouro por sua cachoeira e torço a revolvê-la e sorvo do torso altaneiro e remexo de verso a reverso, assídua gentil de averso ao avesso, e no dorso frugal se derrama toda água represada sem comedimento e desmanchada na minha língua sedenta. Ela quase grita que não mais aguenta e toda agitada remexe e já se ajeita de quatro pra minha pontaria e a me dar seus braços por arreios em marcha a galope, sou destro no lanche pra montaria, todo seu tope e trote faceiro, a disparada correria das horas maduras de todas as polpas, a esfolar sua popa em decúbito ventral, ah, ela égua mexedeira enganchada no meu bambual. Três vezes ao dia e ela quase madruga como quem chega feito verduga e faz do meu sexo amolegado um sorvete de morango entre os lábios, passeando a língua luxuriosa e depois abocanhando com voraz excitação como se matasse a sede com beijos alucinadamente incuráveis e a inventar mimos por toda glande agarrada vibrante como se fosse a comemoração do seu momento de amor e se fez a louvar o amanhecido prazer de estar viva comigo. Já é outro dia e isso nem conta, ela chega meio tonta e nada mais digo, tudo outra vez. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui e aqui.


 

DITOS & DESDITOS -  Eu não acredito no casamento. Acho que, na pior das hipóteses, é um ato político hostil, um caminho para os homens de mente pequena para manter as mulheres na casa e fora do caminho, embrulhadas no disfarce da tradição e no absurdo religioso conservador. Na melhor das hipóteses, é uma feliz ilusão - essas duas pessoas que realmente se amam e não têm ideia de quão verdadeiramente infeliz eles estão prestes a fazer um ao outro. Mas, mas, quando duas pessoas sabem disso, e decidem os olhos bem abertos para se enfrentarem e se casarem de qualquer maneira, então eu não acho que é conservador ou delirante. Eu acho que é radical e corajoso e muito romântico. Pensamento da fotógrafa, atriz e ativista italiana Tina Modotti (1896-1942). Veja mais aqui.

 

ALGUÉM FALOU: O melhor dia é aquele em que a alma tem fome e sede. Antigamente, quando as riquezas eram feitas na guerra, a guerra era um negócio; agora que as fortunas são feitas nos negócios, é uma guerra. Pensamento da escritora e artista visual sueca Karin Boye (1900-1941). Veja mais aqui.

 

NOME DA MÃE - [...] Ser é uma coisa; tornarmo-nos conscientes disso é um ponto de chegada de uma consciência desperta, e isso envolve uma viagem. [...]. Trecho extraído da obra In the Name of the Mother: Reflections on Writers and Empire (James Currey, 2013), do escritor e dramaturgo queniano Ngũgĩ wa Thiong'o, que em outra de sua obra Wizard of the Crow (Anchor Books, 2007), expressa que: […] Eu cheguei a um ponto na minha vida em que comecei a ver as palavras de forma diferente. Um olhar mais profundo na linguagem pode revelar o segredo da vida. [...].

 

DOIS POEMAS - NÃO POSSO AMAR O QUE VOCÊ É - Não posso amar o que você é, não, \ o que você é é mesmo um erro. \ Mas há em ti uma graça que supera \ o que obstinadamente és. \ Algo que é seu e não lhe pertence, \ em você desde o início, mas separado de você, \ que se aproxima de você cautelosamente, com medo \ de seu próprio esplendor incontrolável. DEUSES PREGUIÇOSOS, DESTINO PREGUIÇOSO - Deuses preguiçosos, destino preguiçoso, \o que não faço para encorajá-los, \pensem nas chances que me esforço para lhes oferecer \ só para que apareçam! \ Eu me desnudo para você e limpo o campo \ não para mim, não é do meu interesse, \ só para que você exista, eu me torno \ um alvo fácil e visível. Até te dou \ um handicap, a ti o último lance \ não respondo, a ti aquele imprevisto \ último lance, uma revelação \ de força e graça: se houvesse algum mérito \ seria só teu. Porque não quero \ ser a fábrica do meu próprio destino, a \ covarde virtude \ operária me entedia. Eu tinha ambições diferentes, sonhava \ com outros tipos de julgamentos, outras harmonias: maior \ rejeições, predileções obscuras, \ os benefícios marginais do amor imerecido. Poemas da poeta italiana Patrizia Cavalli (1947- 2022).

 



ALAGOAS E O IMPÉRIO COLONIAL PORTUGUÊS – O livro organizado pelo professor Antonio Felipe Pereira Caetano, Alagoas e o Império Colonial Portugues, reúne uma série de textos começando pelo organizador que traz Nos confins, nas vilas e na Comarca – A construção da autonomia política, administrativa e jurisdicional alagoana (séc. XVI-XVIII), Arthur Almeida Santos de Carvalho Curvelo com Os Conselhos da Comarca: Constituição e especificidades administrativas das câmaras municipais da Comarca de Alagoas (sec. XVIII), Lanuza Maria Carnaúba Pedrosa com Entre prestígios e conflitos: formação e estrutura da Ouvidoria alagoana por intermédio de seus ouvidores-gerias (sec. XVII-XVIII), Dimas Bezerra Marques com Elites administrativas e a dinâmica da distribuição de cargos na Comarca de Alagoas (sec. XVII-XVII) e Alex Rolim com Por via da administração para salvação das almas: o clero secular e a Comarca de Alagoas. Todos os textos, conforme anotado no prefácio do organizador, traz a compreensão da formação histórica da região alagoana. O curioso para é ter sido publicado o livro pelo selo da Cepal ao invés de ser publicado pela Edufal, uma vez que se trata de professor e alunos do curso de História da Universidade Federal de Alagoas. Indicação feita, leitura imperdível para quem quer compreender a formação histórica alagoana. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.

FONTE:
CAETANO, Antonio Felipe (Org.). Alagoas e o Império Colonial Portugues. Maceió: Cepal, 2010.



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