quinta-feira, março 07, 2013

KATARINA FROSTENSON, SOFI OKSANEN, FOSTER WALLACE, GINESTÀ, SADAKO SASAKI, BJØRN LOMBORG & IDA TARBELL

 


NOVIDADES NA ÁREA – UMA: FOTO DA CAPA: Esta revendo um dia desses a história do ativismo da fotógrafa francesa Marina Ginestà (1919-2014), que atuou como membro da Resistência Francesa e da Juventude Socialista, como foi emblemática na Guerra Civil Espanhola. Hoje dei de cara com a foto dela, ocasião em que ela se pronunciou: Dizem que na foto de Colón tenho um olhar cativante. É possível, porque convivemos com a mística da revolução proletária e as imagens de Hollywood, de Greta Garbo e Gary Cooper... A respeito da experiência vivida ela disse: É uma boa foto, reflete o sentimento que tínhamos naquela época. O socialismo tinha chegado, os hóspedes do hotel tinham ido embora. Havia euforia. Instalamo-nos no Colón, comíamos bem, como se a vida burguesa nos pertencesse e tivéssemos mudou rapidamente... A juventude, a vontade de vencer, os slogans... Levei-os a sério. Acreditava que se resistíssemos venceríamos. Tínhamos a sensação de que a razão estava conosco e que acabaríamos por ganhar a guerra, nunca pensamos que terminaríamos a vida no exterior... Éramos jornalistas e nossa profissão era fazer com que a moral nunca caísse, difundíamos o lema de Juan Negrín 'com pão ou sem pão para resistir', haviam sido falsificados para manter viva a ilusão da vitória... É a lembrança mais terrível que tenho da guerra. Pela primeira vez tive uma ideia de morte. Vi uma mulher morta com seu filho nos braços... Essa lembrança ainda hoje me vem à mente... Lição de engajamento e de vida! Viva Marina Ginestà! DOIS: A PAZ DE SADAKO – Para quem esqueceu do fatídico dia 6 de agosto de 1945 (veja aqui), a sobrevivente japonesa da bomba atômica de Hiroshima, Sadako Sasaki (1943-1955), viveu normalmente até os 12 anos de idade, quando passou a ter daí graves problemas de saúde e foi diagnosticada com Leucemia Linfoide Aguda. Ao ouvir a Lenda dos Tsurus (veja aqui), ela pensou que, se fizesse mil deles, um pedido seu seria realizado e o fez: Vou escrever a paz nas suas asas e você vai voar por todo o mundo... E chegou a fazer 646 quando faleceu. Seus amigos comovidos fizeram mais 354 para completar os mil que foram enterrados juntos com ela. Em sua homenagem a cidade levantou um monumento representado por ela e um Tsuru com os dizeres: Este é o nosso grito. \ Esta é a nossa oração. \ Para a construção da paz no mundo. TRÊS: DESAFIOS DOS TEMPOS DE HOJE – Estava lendo uma entrevista concedida pelo escritor e cientista político dinamarquês, Bjørn Lomborg, em que ele asseverou que: Certamente o maior problema que temos no mundo hoje é que todos nós vamos morrer. Mas não temos uma tecnologia para resolver isso, certo? Então o ponto não é para priorizar problemas, o ponto é priorizar as soluções para problemas... Por causa disso sei que tem muito endinheirado investindo alto para viver uns 200 anos ou mais, até mesmo morrer e ressuscitar. Tem gente pra tudo. Mas o que ficou de importante na entrevista, para mim, foi quando ele disse: O principal desafio ambiental do século XXI é a pobreza. Quando você não sabe de onde virá sua próxima refeição, é difícil pensar no meio ambiente daqui a 100 anos. Aí, sim, este é um grave problema que deveria ser preocupação de todo mundo: a fome e a pobreza.

 


DITOS & DESDITOS - O trabalho da boa ficção é confortar o perturbado e perturbar quem está confortável... Pensamento do escritor estadunidense David Foster Wallace (1962-2008), a quem também são atribuídas as frases: A verdade liberta, mas só depois de acabar com você... Que todas as pessoas são iguais na sua secreta e silenciosa crença de que no fundo são diferentes de todas as outras... Ser imune ao tédio… É a chave da vida moderna. Se você não se deixar vencer pelo tédio, não existe nada, literalmente, que você não possa conquistar...

 

ALGUÉM FALOU: A imaginação é a única chave para o futuro. Sem ela não há nada - com ela todas as coisas são possíveis... Pensamento da jornalista e educadora estadunidense Ida Tarbell (1857-1944).

 

A PURGA, EXPURGO - [...] Ela achou difícil acreditar que haveria qualquer movimento ousado, porque muitas pessoas tinham farinha suja em suas sacolas e pessoas com dedos imundos dificilmente se entusiasmam em desenterrar o passado. [...] Pátria, contigo fico triste, sem ti fico mais [...] Jovens estúpidos, o que eles esperavam conseguir remexendo assim? Aqueles que bisbilhotam o passado levarão um soco no olho. Uma viga seria melhor, no entanto. [...] Os alunos da Free Estonia não se preocupavam com esse tipo de coisa. Eles não haviam cometido nenhum crime - que mal poderia lhes acontecer? Foi somente depois que os esquadrões soviéticos se espalharam pelo país que começaram a temer que seu futuro pudesse estar em perigo. [...] Trechos extraídos da obra Puhdistus (Werner Soderstrom, 2003), da escritora e dramaturga estoniana-finlandesa Sofi Oksanen, que se se expressou sobre o ato de escrever como: Para mim é um chamamento. Sinto-me mais viva quando escrevo, acho que nós todos, mas também escrever é representar no papel...

 

TRÊS POEMASI - As palavras que são rio \ salvando \ correndo dando \ rasgando todos os particípios \ amando \ são cavaleiros com prazer de luta \ as almas pequenas na prancha, balançando \ os vermelhos de volta, os hi ha ho \ vocês hoi mikroi \ esfarrapados cujas costas só o céu sabe ver \ de pé no rio, correm puxados por um tronco gritando \ para onde vamos? \ fora só para nos machucar \ aterrando no sufoco \ filhos do naufrágio gargansos gritantes CENÁRIO - o que é esse estranho \ trato paradisíaco ou o oposto o bater de asas da borboleta, \ amarelo Elísio eles solidificaram sobre os prados \ eles jazem pesadamente jogados fora \ couro de sapato do pó da terra \ um dedo do pé \ quebrado na escuridão do papel \ um sapato de dança, um dedo da terra \ e o brilho de anéis no sulco \ de casacos escuros, o molhado de lã \ varrendo \ enrolado com bocas em direção à tainha e cada um \ cheio de terra e o vermelho \ a caminho de casa entre bosques, campos e o alto aviso do pássaro \ chama uma mentira em um prado na raiz escura dos campos do mundo. PLACA VOTIVA - O espaço entre as orelhas é um gênero. Dedilhado: área genital \ em forma de crista de onda, ondulada. Ondulações nela, em \ linhas inéditas, em forma de casca. Um eco. É lá que \ tudo fica visível e nu para sentir. Lubrificar, \ deixar o dedo girar, até a gota rolar. Com o calor, \ ele se contrai e empurra seu fluido. Um riacho, \ silenciosamente desliza seu anel viário branco ungido, em direção ao local de acasalamento, \ onde as escamas caem há uma cobra na orelha. Poemas da escritora e dramaturga sueca Katarina Frostenson.

 



CAIO PRADO JÚNIOR – EVOLUÇÃO POLÍTICA DO BRASIL – COLONIA E IMPÉRIO

O advogado, historiador, geógrafo, escritor, político e editor Caio da Silva Prado Junior (1907-1990) foi livre-docente de Economia Políticas e por meio de suas obras deu inicio a uma tradição historiográfica identificada com o marxismo, buscando uma explicação diferenciada da sociedade colonial brasileira. Ele foi um intelectual que teve importante atuação política ao longo das décadas de 1930 e 1940, tendo participado das articulações para a Revolução de 1930. Entre as suas obras, em 1933, ele publicou a sua primeira obra - Evolução Política do Brasil -, uma tentativa de interpretação da história política e social do país.O livro é composto de quatro partes dedicadas à colonia, a revolução e o império. Na primeira parte ele aborda a colônia com uma abordagem acerca do caráter geral da colonização brasileira, economia, sociedade e estatuto político da colonia. Na segunda parte ele também aborda a colonia sob a ótica das novas condições economicas, sociais e políticas. Na terceira parte ele trata acerca da revolução a partir de D. João VI no Brasil, a organização do Estado Nacional e a Assembleia Constituinte de 1823, o primeiro reinado, a menoridade, a revolta dos cabanos no Pará e a regência de Feijó, findando com a revolta dos balaios e a agitação praieira e com a trajetória reacinária de 1837 a 1849. Por fim, na quarta parte ele aborda o segundo reinado e o fim do império.

FONTE:
PRADO JÚNIOR, Caio. São Paulo: Brasiliense, 1991.




O livro “Regiões culturais do Brasil”, escrito pelo eminente professor Manuel Diegues Júnior para a série Sociedade e Educação, traz uma série de questionamentos, dentre eles o sentido e desenvolvimento da ocupação humana, considerando o ambiente físico, as diversidades geografias e o processo de ocupação, bem como os fundamentos culturais da ocupação humana, a fazenda como ambiente de relações étnicas e de cultura e os núcleos urbanos com o aparecimento e desenvolvimento da vida atual. Em seguida ele aborda a questão das regiões culturais sob a ótica da formação, característica e condições atuais, a partir do Nordeste agrário do litoral, do Mediterrâneo pastoril, da Amazônia extrativista, da mineração no planalto, do Centro-Oeste extrativista e pastoril, o extremo-sul pastoral, colonização estrangeira e papel do imigrante, o café com sua tradição e influencia social, o cacau, o sal, a pesca e as populações respectivas, bem como as industrias, as cidades e as metrópoles. Logo após ele traz o panorama cultural do Brasil contemporâneo, observando a unidade pela diversidade, as transformações sociais e a inter-relação regional. Assim, neste livro, o autor estuda com profundidade os critérios de classificação cultural do Brasil.

FONTE:
DIÉGUES JÚNIOR, Manuel. Regiões culturais do Brasil. Rio de Janeiro: INEP, 1960.



PEDRINHO GUARESCHI: SOCIOLOGIA CRÍTICA – O livro “Sociologia crítica: alternativas de mudança” de Pedrinho A. Guareschi, aborda questões como teoria e ciência, ideologia, teorias e ideologia da sociologia, sistema ou modo de produção, a teoria do modo de produção, o capitalismo, o socialismo, o comunismo, classe social, infra-estrutura e superestrutura, os aparelhos de reprodução da sociedade, da escola, do direito, da família, das igrejas, dos sindicatos e das cooperativas, os meios de comunicação e o massacre da cultura, as belas mentiras, propaganda-publicidade, a comunicação alternativa e a força da utopia.

FONTE:
GUARESCHI, Pedrinho A. Sociologia crítica: alternativas de mudança. Porto Alegre: Mundo Jovem, 1984.


NICHOLAS HANS – EDUCAÇÃO COMPARADA

A obra “Educação comparada”, de Nicholas Hans, traduzida por José Severo de Camargo Pereira, traz na primeira parte,os fatores naturais, compreendendo no seu capítulo I a definição e objetivo da Educação Comparada, considerando os pioneiros, outros estudos comparativos, o ponto de vista estatístico, psicológico e histórico, as tradições nacionais e a definição de nação. No segundo capítulo traz o fator racial, definindo raça, a hereditariedade, os problemas raciais na educação, a política educacional nas colônias britânicas, no Império francês, na América Latina, a educação dos maori na Nova Zelândia, a complicação racial na África do Sul, a inteligência dos africanos brancos e a educação dos negros no EUA. No terceiro capítulo vem o fator lingüístico, abordando a língua como repositório da experiência racial e nacional, como meio de instrução, a imposição de uma língua estrangeira e os resultados dessa imposição, vários grupos lingüísticos, o bilingüismo na Bélgica, as quatro línguas da Suíça, as duas línguas do Canadá, o renascimento do irlandês, o bilingüismo no País de Gales, a solução dos problemas lingüísticos na União Soviética, as duas línguas nacionais na Noruega e o problema lingüístico na China. No capítulo quarto traz fatores geográficos e econômicos, abordando a influencia do clima e da geografia, o caso da Austrália, a história e geografia como fatores nos EUA e no Canadá, os fatores econômicos, a revolução industrial na Inglaterra e a adaptação gradual da educação ás novas condições, a Rússia antes da Revolução Soviética, a reconstrução socialista e industria e a rápida adaptação do sistema nacional, as finanças educacionais e a igualdade dos encargos e o sistema inglês. Na segunda parte aborda os fatores religiosos envolvendo as tradições religiosas da Europa, a tradição católica, anglicana e puritana. Na terceira parte vêm os fatores laicos como Humanismo, socialismo, nacionalismo e democracia e educação. Na quarta parte vem a educação em quatro democracias, o sistema educacional inglês, nos Estados Unidos, na França e na União Soviética. Por fim, traz a educação na América Latina abordando o problema racional, lingüístico, geográficos e econômicos, a tradição religiosa, os jesuítas, a tradição leiga, a guerra civil na América Espanholam a organização da educação e a estrutura escolar.

FONTE:
HANS, Nicholas. Educação comparada. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1971.



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