quinta-feira, março 07, 2013

GUSTAVE FLAUBERT




"Madame Bovary sou eu"

Gustave Flaubert (1821-1880), escritor francês e mestre do Realismo, tornou-se um dos maiores nomes da literatura ocidental ao publicar a sua obra mais famosa, Madame Bovary. Este romance escandalizou a França sendo o autor alvo do conservadorismo francês da época, processado e, posteriormente, absolvido, mas sendo considerada uma “obra execrável sob o ponto de vista moral". É ele também autor de obras como Salambô, La Tentation de Saint Antoine, Trois Contes, Bouvard ey Pécuchet e L´Éducation Sentimentale. Em suas obras ele buscava a perfeição, o “le mot juste”.
Tratando sobre a traição feminina no casamento, o primeiro romance do realismo universal, Madame Bovary, foi publicado em 1857, onde o autor demonstra a intenção de destruir o arquétipo da mulher romântica e, por conseqüência, o mundo romântico idealizado. No entanto, vale considerar que os personagens não se desenvolvem segundo a vontade do autor, e sim em face da dialética interna de sua existência social e psicológica, refletindo a visão de mundo do autor.
A personagem principal da história, Emma Bovary, encarna o retrato fiel da incapacidade intelectual, emocional e insensibilidade moral que, para o autor, eram os principais componentes das sociedades provincianas, se constituindo no arquétipo do herói quixotesco, cujo maior problema da heroína era escurecimento da visão e detectando o seu estado de devaneio lírico e romântico: "(...) atraída para o homem pela ilusão da personagem, ela tentou imaginar a sua vida, essa vida retumbante, extraordinária, esplêndida, e que poderia ter sido a sua se a sorte o tivesse querido. Eles ter - se - iam conhecido, ter - se - iam amado! Com ele, por todos os reinos da Europa, ela teria viajado de capital em capital, partilhando - lhe as fadigas e os triunfos, colhendo as flores que lhe arremessavam, bordando- lhe ela própria os seus fatos de cena; depois, todas as noites, no fundo de um camarote, atrás da grade com a sua rede de ouro, teria recolhido, boquiaberta, as expansões dessa alma que cantaria só para ela; da cena, enquanto representava, ele olharia para ela. Mas uma alucinação apoderou - se de Emma; o cantor estava realmente com os olhos postos nela .Sentiu ânsias de correr para os seus braços e refugiar - se na sua força, como na própria encarnação do amor, e de lhe dizer, de lhe gritar: «Arrebata - me, leva - me, partamos! Para ti, para ti todos os meus ardores e todos os meus sonhos". Pelo que se pode ver o livro conta a história de Ema, uma jovem simples do interior da França, que um certo dia tem a chance de dar um chega pra lá a toda rotina que a consumia, pois fora convidada à casa do Marques d’Andersvilliers, em Vaubyessard. É claro que o convite não foi à toa, pois: "O coração de Ema palpitou, quando o seu cavalheiro lhe pegou a mão, pela ponta dos dedos, e colocou-se em linha, esperando o sinal de partida (...) logo, desapareceu a comoção e balouçando-se ao ritmo da orquestra, deslizou para frente com ligeiros movimentos de pescoço. O sorriso assomava-se aos lábios...". Depois aparece Leon com quem Ema pretende fugir, ir embora e entregar-se, quando ocorre a surpresa: a partida de Leon para Paris deixou-a desnorteada, e colocou-se apenas a pensar nele. Até aí, tudo na vontade até que aparece Rudolfo e Ema enfim trairia Carlos: "E ele declarou, por fim, num ar sério, que suas visitas se tornaram imprudentes e que ela se comprometia (...) Entretanto, como a luz das velas o ofuscava ele se voltava para a parede e adormecia, ela escapulia então retendo o fôlego, sorridente, palpitante, nua". Ema era só ambição, queria riquezas e devaneios, enquanto que o marido traído era voltado para tratar dos seus clientes. Seu marido Carlos ao tentar cuidar de um paciente, viu-se humilhado por outro médico. O pior era ter que agüentar a reprovação de Ema: "Ema a sua frente, olhava-o. Não compartilhava da sua humilhação; experimentava outra: a ter imaginado que semelhante homem pudesse valer alguma coisa; como se já vinte vezes ela não houvesse suficientemente percebido sua mediocridade". Depois de mais uma decepção, Ema procura o amante. Ema já não liga para horários e nem faz questão de esconder o que acontece. Num desses encontros, veio então a proposta de morarem longe, ele desconversou. Ema pede ao amante que fujam juntos. Combinaram tudo. Só faltavam os preparativos. Mas um arrependimento se abateu sobre Rudolfo, que escreveu uma carta renunciando a tudo o que havia combinado e a mandou para Ema, a carta estava em uma cesta de frutas. "Ema não se conteve mais: saiu como que para levar os frutos, despejou o cesto, arrancou as folhas, achou a carta, abriu-a e, como se não ouvisse atrás de si um pavoroso incêndio, pôs-se a fugir em direção ao quarto esbaforida". Mais tarde: "Pegou no frasco azul, destapou-o, meteu-lhe dentro a mão, tirou um punhado de pó branco e pôs-se a come-lo". Carlos então soubera da penhora, e quando encontrou Ema, quis explicações acerca do assunto. Mas a agonia do veneno já tomava conta do seu corpo. Carlos chorava, e ela quase desfalecia. Carlos manda chamar Homais, e apesar dos esforços após entoar uma canção, Ema deixou de existir.
Pouco compreendido em sua época, o romance Madame Bovary é considerado como o mais importante romance da literatura francesa.

FLAUBERT, Gustave. Madame Bovary. São Paulo: Abril Cultural, 1979.  Confira mais do autor aqui, aqui e aqui




Veja mais sobre:
A mulher na Roma antiga, William Faulkner, Victor Hugo, Jacqueline Du Pre, Helena Saffioti, Brian De Palma, Jean-Baptiste Pigalle, Carmen Tyrrel, Elizabeth Short, Mia Kirshner, Lenita Estrela de Sá & Lia Helena Giannechini aqui.

E mais:
Antonio Callado, Angela Yvonne Davis, Giovanni Lanfranco, Tavito Carvalho & Jane Fonda aqui.
A violência aqui.
O pensamento de Demócrito aqui.
O pensamento de Anaxágoras aqui.
O pensamento de Empédocles aqui.
O pensamento de Zenão de Eleia aqui.
O pensamento de Parmênides aqui.
O pensamento de Xenófanes aqui.
O pensamento de Heráclito aqui.
A fenomenologia de Husserl aqui.
O pensamento de Pitágoras aqui.
O pensamento de Anaxímenes aqui.
O pensamento de Anaximandro aqui.
Autoestima aqui.
A croniqueta de antemão aqui.
Todo dia é dia da mulher aqui.
Fecamepa aqui e aqui.
Palestras: Psicologia, Direito & Educação aqui.
Livros Infantis do Nitolino aqui.
&
Agenda de Eventos aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Veja aqui e aqui.

CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Paz na Terra: 
Recital Musical Tataritaritatá - Fanpage.
Veja  aqui e aqui.



JUNG, BAUMAN, QUINTANA, GONZAGA, JOÃO CABRAL, DOROTHY IANNONE & ESCADA

UMA COISA DENTRO DA OUTRA – Imagem: Blue and wihte sunday morning , da artista estadunidense Dorothy Iannone . - Olá, gentamiga, um dia ra...