terça-feira, julho 19, 2016

A ESPERANÇA EQUILIBRISTA

A ESPERANÇA EQUILIBRISTA (Equilibrista by Daniele Lunghin) – Bestinha nunca foi lá flor que se cheire. Pudera, com uma carga kármica pesada nos costados, tudo pra ele só finda em revertério. E ele parece que nem se dá conta, ou nem está aí pra quem pintou a zebra, sempre enrolado no seu sisifismo, aos trancos e barrancos. Quem sabe, um dia chega lá. Mesmo com o cotidiano carregado de um compromisso sempre irredutível e insuperável, uma espada de Dâmocles implacável: se não pagou no dia, fodeu; cadê a feira, o aluguel, mixaria pra condução, desata o nó cego, segura o trupe, seinadimpliu de mesmo, perde tudo e recomeça do zero, de ficar com uma mão na frente e outra atrás, quando não mãos à cabeça, arramcamdo os cabelos. Quando é benefício, se previsto para dia 1º, pode ser para 11, 21, 31 ou nunca mais; se perder, nunca mais acha. Foi, já era. Pois é; objetivos e metas traçados e pensados, mesmo que ao alcance da mão, viram sempre inalcançáveis: só língua de fora e espinhaço envergado. Quando tá achando pertinho o alvo, na horagá, mais distante é que fica. Estás vendo? Só no ver como é que faz, para ver como é que fica. Semáforo pra ele quando não está no vermelho, tá quebrado; se precisa, ou o sistema está inoperante, ou fora do ar; quando chega a sua vez, acabaram-se as fichas ou o expediente: só amanhã – e que nunca chega. E quando chega, não serve mais pra nada. Mas, sempre a esperança equilibrista, mesmo que só tenha meio fio pra caminhada e que tudo o mais seja só buraqueira na volta dos catombos. E ciente que não adianta estar armado de prumo, compasso, régua, cronogramas, afinal, pra ele, é tudo de viés e pro revestrés. Tudo cis, por um triz. Onde bota a mão é só arame farpado; vai comer, tá passado; se cozinha, passa do ponto; se vai colher, ou tá verde ou apodreceu; na hora de ficar cheiroso, solta um peido e a catinga come no centro. Bota tudo a perder. Que sina! Pronto, finda sozinho na rua da amargura. Quando procura uma mão amiga, só depara figa; basta uma brecha, a porta é fechada; se anda nas nuvens, pisa na merda; e se vai no embalo da onda, vê-se estrepado a cuidar das perebas. Fosse outro, já tinha desistido. Ele não, em riba da fivela, bate no peito e vai com fé. Um dia Deus dará. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui e aqui.


Imagem: a arte do desenhista estadunidense de história em quadrinhos Dave Stevens (1955-2008).


Curtindo o álbum Vivaldi - Concertos Op. 10 / Sammartini - Concerto In F Antonio Vivaldi: Concertos, Op. 10, Nos. 1-6, da flautista dinamarquesa Michala Petri.

PESQUISA:
 [...] O homem moderno é, talvez, mais desamparado que os seus antepassados, pelo fato de viver em uma sociedade informacional que, entretanto, lhe recusa o direito a se informar. A informação é privilégio do aparelho do Estado e dos grupos econômicos hegemônicos, constituindo uma estrutura piramidal. No topo, ficam os que podem captar as informações, orientá-las a um centro coletor, que as seleciona, organiza e redistribui em função do seu interesse próprio. Para os demais não há, praticamente, caminho de ida e volta. São apenas receptores, sobretudo os menos capazes de decifrar os sinais e os códigos com que a mídia trabalha. [...].
Trecho extraído da obra O espaço da cidadania e outras reflexões (Fundação Ulysses Guimarães, 2011), do geógrafo e professor Milton Santos (1926-2001). Veja mais aqui.

LEITURA
[...] castidade quer dizer paixão, neurastenia. E paixãoe neurastenia significam instabilidade. E a instabilidade é o fim da civilização. Não se pode ter uma civilização duradoura sem muitos vícios agradáveis. [...]
Trecho extraído da obra Admirável mundo novo (1932), romance distópico do escritor inglês Aldous Huxley (1894-1963), narrando um hipotético futuro no qual as pessoas são pré-condicionadas biologicamente e condicionadas psicologicamente a viverem em harmonia com leis e regras gerais, numa sociedade organizada por castas. Veja mais aqui e aqui.

PENSAMENTO DO DIA: 
[...] Nunca se sabe até que ponto eu falo, até que ponto eu faço um discurso pessoal e autônomo, ou até que ponto, sob a aparência que acredito ser pessoal e autônoma. Eu faço mais que repetir as idéias impressas em mim.
Extraído do livro Os sete saberes necessários à educação do futuro (Cortez/Unesco, 2000), do antropólogo, sociólogo e filósofo francês Edgar Morin. Veja mais aqui, aqui e aqui.

IMAGEM DO DIA:

 
A arte do fotografo e escritor estadunidense Andreas Feininger (1906 - 1999).

Veja mais sobre Brincarte do Nitolino, Herbert Marcuse, Vladimir Maiakovski, Jerzy Grotowski, Ken Loach, O Lobisomem Zonzo, Os saltimbancos de Chico Buarque, Edgar Degas & Meimei Corrêa aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
 Nude, do pintor italiano Gianluca Mantovani.
Veja aqui e aqui.

CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
 Equilibrista, by Jose De la Barra.
Recital Musical Tataritaritatá - Fanpage.
Veja aqui e aqui.



ERNESTO SÁBATO, EDWIGES DE SÁ PEREIRA, MARIA FIRMINA DOS REIS, ADMAURO, LUCIAH, FENELON & PNTANDO NA PRAÇA

PINTANDO NA PRAÇA - Manhã ensolarada de sábado, nuvens em trânsito e chuva passageira para amainar o calor, olhares dispersos, muita conve...