quarta-feira, julho 27, 2016

O AMOR DE NAIPI & TAROBÁ


O AMOR DE NAIPI & TAROBÁ – As águas do rio Iguaçu paravam para a formosa Naipi se banhar. O Sol brilhava mais vivo, os pássaros alvoroçavam aos gorgeios de todos os tons, a Natureza inteira com todos os seus bichos, árvores, folhas e flores, irradiava pujança, tudo se tornava a mais maravilhosa felicidade para saudar a mais bela entre todas as mulheres da Terra: a filha do cacique da tribo Caingangue. A fascinante boniteza dela exalava ternura por todos os seus poros e, mais que feliz, distribuía com tudo e com todos a sua generosa alegria cativante. Era admirada por todos, mas o seu coração exultava de paixão por Tarobá, o jovem guerreiro, forte e valente que vivia naquela tribo. Ambos viviam enlaçados pelo mais profindo sentimento de amor. Eis que um dia, o cacique da tribo anunciou que era chegada a hora da festa de consagração para a escolha da jovem que serviria ao governante do mundo, Mboi, o filho de Tupã que possuía a forma de uma serpente. A escolhida passaria a viver exclusivamente a serviço do seu culto, garantindo a proteção do deus para eles. Reuniram-se todos para escolher entre as jovens e, por unânime resultado, Naipi fora escolhida. A tribo fez-se festa, o pajé e os caciques se embriagavam com cauim, os guerreiros dançavam e todos festejavam a escolhida. Ao saber disso, Tarobá entristeceu-se, viu seu amor ser destruído de uma hora pra outra. Então, num lance de coragem, enquanto todos se esbaldavam nos festejos, ele resolveu raptar a formosa Naipi, fugindo com ela numa canoa rio abaixo pela correnteza. Quando o deus Mboi chegou para se apossar da escolhida, verificou-se que ela havia desaparecido. Ele ficou furioso e com todo seu poder contraiu os anéis do seu corpo para remover as entranhas da Terra e das profundas do mundo abriu uma fenda tão gigantesca, produzindo uma terrível e extensa catarata. Todos estavam amedrontados com a ira do deus que ao dar conta dos fugitivos, fez com que as águas revoltas emergissem até a maior altura dos céus e da lá despencar em queda por uma grandiosa cachoeira. Os amantes sem saída e levados pela fúria do deus, desaparecem entre as águas para sempre. Mboi vai caçá-los e recupera os corpos dos deles, transformando Naipi em uma grande rocha no centro das cachoeiras, e Tarobá em uma árvore inclinada à beira do abismo nas gargantas do rio. Assim fez e ficou ele radiante com a sua vingança. Foi do amor dos belos apaixonados que surgiram os Saltos do Iguaçu. (Recolhida da coleção Viagem através do Brasil, de Ariosto Espinheira). © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

 Imagem: a arte do pintor e desenhista do Cubismo francês e autor de litogragias, Fernand Léger (1881-1955). Veja mais aqui

 Curtindo o álbum Recomposed by Max Richter: Vivaldi - The Four Seasons (Deutsche Grammophon, 2012), do compositor germânico Max Richter, com Daniel Hope, André de Ridder & Konzerthaus Kammerorchester Berlin.

PESQUISA:
Todas as pessoas são capazes de atuar no palco. Todas as pessoas são capazes de improvisar. As pessoas que desejarem são capazes de jogar e aprender a ter valor no palco. Aprendemos através da experiência, e ninguém ensina nada a ninguém. [...] é no aumento da capacidade individual para experienciar que a infinita potencialidade de uma personalidade pode ser evocada. Experienciar é penetrar no ambiente, é envolver-se total e organicamente nele. [...].
Trecho do livro Improvisação para o teatro (Perspectiva, 1979), da autora e diretora Viola Spolin (1906-1994). Veja mais aqui e aqui.

LEITURA
[...] há seis anos escorria sua pálida magreza pelas poucas sombras das ruas tristes de muriaé cidade triste há cinco anos vestia-se com as primeiras neves de fairfield ohio graças  a uma bolsa do american fields ganha em concurso promovido pela loja do rotary club de muriaé cidade triste há quatro anos arranhava suas incertezas no Citibank suas certezas no citibank há dois anos ganha dinheiro pro o velho não vai deixar porra nenhuma pra mim há um ano cuida do caixa-dois da corretora vai ficar tudo pros ela desembarca london-gatwick um anel adquirido na portobello road  na palma da mão é seu londres como estava? tum-tum tum-tum tum-tum tum-tum [...]
Trecho da obra Eles eram muitos cavalos (Companhia das Letras, 2013), do premiado escritor Luiz Ruffato. Veja mais aqui e aqui.

PENSAMENTO DO DIA: 
[...] Se alguém quiser entender uma obra de arte, deve antes de tudo encará-la como um todo. O que acontece? Qual é o clima das cores, a dinâmica das formas? Antes de identificarmos qualquer um dos elementos, a composição total faz uma afirmação que não podemos desprezar. Procuramos um assunto, uma chave com a qual tudo se relacione. Se houver um assunto instruímo-nos o mais que pudermos a seu respeito, porque nada que um artista põe em seu trabalho pode ser negligenciado impunemente pelo observador. Guiado com segurança pela estrutura total, tentamos então reconhecer as características principais e explorar seu domínio sobre detalhes dependentes. Gradativamente, toda a riqueza da obra se revela e toma forma, e, à medida que a percebemos corretamente, começa a engajar todas as forças da mente em sua mensagem. É para isto que o artista trabalha. [...].
Trecho da obra Arte e percepção visual: uma psicologia da visão criadora (Pioneira, 2005), do psicólogo alemão Rudolf Arnheim (1904-2007), desenvolvendo os conceitos representativos da Psicologia da Forma.

IMAGEM DO DIA: 
A arte do fotógrafo francês Fernand Fonssagrives (1910-2003).

Veja mais sobre Duofel, Jean Baudrillard, Richard Wagner, Edgar Allan Poe, Roger Vadim, Vicente do Rego Monteiro, Alice Kaub-Casalonga, Tristão & Isolda, Pina Bausch, Miles Willaims Mathis & Jayme Griz aqui.

DESTAQUE:
A arte da bailarina Regina Kotaka.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Todo dia é dia da modelo e advogada espanhola Eugénia Silva.
Veja aqui e aqui.

CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Recital Musical Tataritaritatá - Fanpage.
Veja aqui e aqui.


VARGAS LLOSA, RANCIÈRE, BADIOU, WAGNER TISO, QUINET, BRUNO TOLENTINO, FRANCINE VAYSSE, FRESNAYE, NÁ OZZETTI & JOAQUIM NABUCO

A BARATA & O MONSTRO - Imagem: The Architect (1913), do pintor cubista francês Roger de la Fresnaye (1885-1925). - A noite e a solid...