domingo, maio 06, 2012

ELIZABETH BISHOP, CAMILLE PAGLIA, ISMAEL NERY, PSICONAVEGAÇÃO & LITERÓTICA


 Fonte (Letra & Música de Luiz Alberto Machado). Veja mais aqui.

 

TERRINA
– Imagem: art by Julio Pomar
- Quando essa menina chega do grotão, toda sem noção, toda cabotina, aí se mostra então a mais fogosa bailarina - flor agreste no Raso da Catirina. Ela nem imagina e faz que não. Solta o seu bordão de dissimulada catilina - ah, quanta possessão! Quanta divina tesão! É a mais trelosa das traquinas no raio da silibrina! Quando essa menina chega no porão, o seu clarão de estrela cristalina reluz no salão e me fascina com seus olhos de esverdeada turmalina. Que bão! É a mais revigorante vitamina! Tudo me ilumina em plena escuridão - o seu choque de luz na retina me enche de emoção. Quando essa menina vem de sopetão: pele fina, lábios de antemão. Carne cajuína prenhe de paixão. Logo azucrina, perde a compleição. Logo me abomina e me passa um carão. E faz jogatina, quer passar gamão. Enrola a cocaína, doura o canjirão. Dá um carreirão de bater em Santa Catarina. Quando volta dobra a esquina, finge mangação. Como arisca vem guenza canina, quer que eu cante uma canção. De preferência, Carolina – ou a com K debaixo da lamparina. Vira Zezulina toda manhosa e me faz alisar a sua rosa, acionar sua buzina pra me fazer prosa e sua ave de rapina toda ouriçada que ela alada se enrosca, entroncha e se entranha mais que feminina, com a sua candura franzina, feita meu pirão. É quando essa menina abre o coração, a terrina, ela é bela verde quente Teresina na minha desolação. É quando ela vai sestrosa se derretendo frochosa, toda feita cremosa margarina pra minha saboreação. É quando ela revira o chão e se amunta granfina, fica atrepada na minha caeselpina com toda gula de heroína da mais louca raça nordestina que manda ver no rojão, viva São João! E esquenta a bobina, vira o caminhão, sobe e desce repentina até grunhir feito um cão. Não findou não. Como ela não pára não, vira logo Catarina, depois vira Severina, quando apruma a direção. Ela se ajeita arguta. Toda ferina, ela me chupa, me exulta, sou a predileta tangerina que ela sorve com sofreguidão. Depois toma o meu coração, tudo refina: minha alma e minha vida, tudo ajeitado com a resina que escoa da sua mão para ser no vão da sua cabina o universo de sua taça servida. © Luiz Alberto Machado. Veja mais aqui, aquiaqui.

 


DITOS & DESDITOS - A arte de perder não é nenhum mistério; tantas coisas contém em si o acidente de perdê-las, que perder não é nada sério. Pensamento da poeta estadunidense Elizabeth Bishop (1911-1979). Veja mais aqui e aqui.

 

ALGUÉM FALOU: [...] fazer uma catarse, dizendo o que bem entende, embora não entenda bem por que o diz [...] a palavra doce, o “canto das palavras que encantam”. [...]. Trechos extraídos da obra A face oculta da palavra: o verbo se fez carne (Ícone, 1993), do ocultista yogue espanhol José Ramon Molinero (Yogakrisnanda, 1922-2004).

 

A DOR DE QUEM SOFREU - Logo que fui levada ao DOI-Codi/RJ – depois de três dias no Dops – recebi na cela onde estava, um pouco antes de a tortura começar, uma estranha ‘visita’: Amílcar Lobo, que se disse médico. Ele tirou minha pressão e perguntou se eu era cardíaca. Ou seja, preparou-me para a tortura para que esta fosse mais efi caz. Os guardas que me levavam, frequentemente encapuzada, percebiam minhafragilidade e constantemente praticavam vários abusos sexuais contra mim. Oschoques elétricos no meu corpo nu e molhado eram cada vez mais intensos. Me senti desintegrar: a bexiga e os esfíncteres sem nenhum controle. ‘Isso não pode estar acontecendo: é um pesadelo… Eu não estou aqui…’, pensei eu. O filhote de jacaré com sua pele gelada e pegajosa percorria meu corpo… ‘E se me colocam a cobra, como estão gritando que farão?’. Perdi os sentidos, desmaiei. Em outros momentos, era levada para junto de meu companheiro quando ele estava sendo torturado. Inicialmente, fi zeram-me acreditar que nosso fi lho, de três anos e meio, havia sido entregue ao Juizado de Menores, pois minha mãe e meus irmãos estariam também presos. Foi fácil cair nessa armadilha, pois vi meus três irmãos no DOI-Codi/RJ. Sem nenhuma militância política, foram sequestrados em suas casas, presos e torturados. O barulho das chaves nas mãos de algum soldado que vinha abrir alguma cela era aterrorizante. ‘Quem será dessa vez?’. Quando passavam por minha cela e seguiam adiante, fi cava aliviada. Alívio parcial, pois pensava: ‘Quem estará indo para a sala roxa dessa vez?’. Esse farfalhar de chaves me acompanha desde então. Numa madrugada, fui retirada da cela, levada para o pátio, amarrada, algemada e encapuzada. Aos gritos, diziam que eu seria executada e levada para ser ‘desovada’ como num ‘trabalho’ do Esquadrão da Morte. Acreditei. Naquele momento, morri um pouco. Em silêncio, aterrorizada, urinei-me. Aos berros, eles riram e me levaram de volta à cela. Parece que nessa noite não havia muito ‘trabalho’ a fazer. Depoimento da psicóloga, professora e fundadora do Grupo Tortura Nunca Mais, Cecília Coimbra, por ocasião de sua prisão em 28 de agosto de 1970, Rio de Janeiro. Veja mais aqui e aqui.

  

PSICONAVEGAÇÃO – [...] A história da humanidade é uma colagem de nossas decisões. As escolhas que fizemos durante os dois últimos séculos criaram uma grave ameaça ao nosso planeta: é hora de escolhermos de outra forma. A psiconavegação pode nos capacitar a entender melhor nossa posição atual. Deixando-nos penetrar nesse poço de conhecimento, ela pode nos mostrar como tomar decisões que nos permitirão indicar outro eumo. Sabemos que temos um problema. Podemos encontrar soluções. É importante entender as técnicas que estão disponiveis para nos ajudar em nossa tarefa. As técnicas têm sido repetidamente comprovadas. Elas eram usadas por nossos ancestrais. Elas “acederam” a inteligência de pessoas como Edison, Marconi, Einsteim, Gandhi e Chrchill. Atualmente elas são usadas por médicos, cientistas, artistas, líderes empresariais e pessoas dos mais variados estilos de vida. [...]. Trecho extraído da obra Psiconavegação: técnicas para desenvolver a sabedoria interior e vencer desafios (Gente, 1997), do escritor e ativista ambiental estadunidense John Perkins, autor da obra Confessions of an Economic Hit Man (Plume, 2004).

 

O ROCK COMO ARTEO rock está devorando os próprios filhos. [...] A música popular e o cinema são as duas grandes formas de arte do século XX. Nos últimos 25 anos, o cinema adquiriu prestígio acadêmico. [...] Mas o rock ainda não conquistou o respeito que merece como a autentica voz de nosso tempo. Onde vai o rock, segur atrás a democracia. [...] O rock não devia ser abandonado às darwinianas leis do mercado. [...] O rock é vítima do seu próprio sucesso. O que antes significava rebelião, hoje não passa de afetação ginasiana. [...] Hoje, os músicos do rock são predados por empresários abutres, que os pasteurizam, reempacotam e despem de seu rebelde livre-arbítrio. Como os astros do esporte, os músicos são ordenhados ao máximo, depois largados e postos de lado quando seu primeiro album não vende. Os empresários ofecerecem todas as tentações de Mammon aos grupos de rock jovens: riqueza, fama e sexo fácil. Não há uma única voz individual na ultura que diga ao músico: Você é um artista, não uma máquina de fazer dinheiro. Não assine o contrato. Não faça turnês. Só grave quando estiver pronto. Saia por aí sozinho, como Jimi Hendrix, e viva com sua guitarra até ela fazer parte de seu corpo. Como se deve treinar um artista? [...] Para o rock ir adiante como forma de arte, nossos músicos devem ter a oportunidade de desenvolver-se espiritualmente. Devem ser estimulados a ler, a ver pinturas e filmes estrangeiros, a ouvir jazz e música clássica. Os artistas com forte senso de vocação podem sobreviver aos desastres e triunfos com suas vidas interiores intactas. Nossos músicos precisam ser resgatados dos aventureiros e caça-dotes que os atacam quando eles são jovens e ingenuos. Carreiras longas e produtiva não se dão por acaso. [...]. Trechos extraídos da obra Sexo, arte e cultura americana (Companhia das Letras, 1993), da professora e acadêmica Ph.D, ensaísta crítica social e de arte estadunidense, Camille Paglia. Veja mais aqui e aqui.

 

TRES POEMASEU: Eu sou a tangência de duas formas opostas e justapostas / Eu sou o que não existe entre o que existe. / Eu sou tudo sem ser coisa alguma. / Eu sou o amor entre os esposos, / Eu sou o marido e a mulher, / Eu sou a unidade infinita / Eu sou um deus com princípio / Eu sou poeta! / Eu tenho raiva de ter nascido eu, / Mas eu só gosto de mim e de quem gosta de mim, / O mundo sem mim acabaria inútil. / Eu sou o sucessor do poeta Jesus Cristo / Encarregado dos sentidos do universo. / Eu sou o poeta Ismael Nery / Que às vezes não gosta de si. / Eu sou o profeta anônimo. / Eu sou os olhos dos cegos / Eu sou o ouvido dos surdos. / Eu sou a língua dos mudos, / Eu sou o profeta desconhecido, cego, surdo e mudo / Quase como todo mundo. A UMA MULHER: Só te quero para mim se te puder dar aos outros, / Porque os outros não são senão eu ampliado. / Quero ver-te beijada por todas as minhas bocas, / Quero ver-te abraçada por todos os meus braços, / Quero ver-te numa rótula e depois num altar / Distribuindo o castigo e o prêmio final / Que merece um poeta na escola da vida. / Quero ver-te no céu ou talvez no inferno. A UMA MULHER: Eu queria ser o ar que te envolve / Desde o teu nascimento. / Eu queria ser o teu vestido que te esconde dos outros. / Eu queria ser a tua camisa que te conhece em segredo, / Eu queria ser o teu leito onde te abandonas ao teu próprio frio. / Eu queria ser teu filho e teu amante, / Eu queria que fosses eu. / Eu queria ser teu amor e deu Deus. / Eu queria não existir. Poemas do pintor brasileiro Ismael Nery (1900-1934). Veja mais aqui, aqui e aqui.

 


PROGRAMA DOMINGO ROMÂNTICO – O programa Domingo Romântico que vai ao ar todos os domingos, a partir das 10hs (horário de Brasilia), é comandado pela poeta e radialista Meimei Corrêa na Rádio Cidade, em Minas Gerais. Confira a programação deste domingo aqui. Na edição deste 06/05 do programa Domingo Romântico, comandado pela radialista e poeta Meimei Correa, comemorando o Dia do Matemático, do Cartógrafo e da Coragem, traz uma série de atrações, confira: Tchaikovsky, Tom Jobim, Duofel, Paul McCartney, Yes, Alceu Valença recitando Ascenso Ferreira, Almir Sater e Renato Teixeira, Gonzaguinha, Ivan Lins, Toquinho, Sonekka, Beth Carvalho, Skank e Nando Reis, João Bosco, Leona Lewis, Capital Inicial, Maryah Carew, Vania Bastos, Renata Arruda, Claudio Nucci e Ze Renato, Vander Lee, Oswaldo Montenegro, Djavan, Dery Nascimento, Fal Out Boys, João Albrecht, Adryanna BB, Wilson Sideral & Jota Quest, Marianna Leporace, Soul ll Soul, SuperTramp, Terry Winter, Milton Nascimento, Marcelo D2, Art Popular, Zizi Possi & Gilberto Gil, Luiz Alberto Machado & muito mais! Confira mais aqui.




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