domingo, maio 27, 2012

ANNE WIAZEMSKY, MORGAN LLYWEELYN, ELSE LASKER-SCHULER, LUÍS JARDIM & LITERÓTICA

TRAQUINAGENS DO AMOR – Imagem: art by Rodolfo Barral - No mormaço de toda tarde eu fico agarrado no tempo volúvel de nossas mais acentuadas vontades. E mais quero porque tudo em nós arde além da conta. Não é para menos. É a hora da nossa rixa, quando a gente namora e sou seu carrapato e o inquisidor que acolhe a presa no auto-da-fé de todos os seus sacrifícios imolados para minha real libação. E tudo começa quando ela chega secreta. Atacada até os olhos. Quando meu olhar vira a pá que escava a sua artificial superfície, logo revira os olhos, entreabre os lábios de quem deixa tudo correr e que está pronta para queimar nas funduras de todos os meus infernos. Incendiada, logo rasteja no meu tope, destamaínho com a sua língua de fora, faminta e diabólica, se arrastando feito uma lagartixa insone na minha vigília ardente dos meus quereres abalados. E mais se espicha pra suprir nossa mais tresloucada entrega. É a hora do vamos ver. Somos a caça um do outro, uma avença, um litígio. E, ao mesmo tempo, os caçadores: a presa e o predador, um no outro, dois em um. Vencemos e perdemos, cedemos e nos enfincamos. E é quando ela parte de cabeça, viro seu esgoto, o seu refrigério. E também revertério, tudo bem. Não vacilo e acerto seu Maceió e vou lá na sua Alagoas, ô que mina boa. E ela ronrona leoa, toda fulaninha travessa. Mas logo acende o facho e logo se faz de besoura com ronco sussuarana, toda invocada, cu-doce, que na hora agá é jumenta que arrebita o pau da venta toda não-me-toques, cheia dos fricotes, maior provocação. Ah, não, nada disso, sou eu maior que sua presunção. E com meio safanão, dou-lhe cabo dos pés no litoral, da cabeça em sertão, do seu corpo agreste, perseguindo sua mata, dá licença, e logo tão grata fica de quatro na dispensa. Paga promessa, não deixa por menos e apruma a conversa. Feliz por ser meu sanduíche, vixe! Minha ceia, meu pirão. E no beliche das horas aplico meus golpes. Ela mais me namora de comer o menu, de me fazer seu menir e se estirar nua mesa posta. Meto as catanas e ela é minha rapadura. E do jeito que ela gosta: o meu paladar na sua vulva endemoniada que vai da tarde até alvorada, até a gente se perder no meio da sua chave de pernas. Ah, gostosura eterna de ganhar e perder. Não soou o gongo, tudo longo na prorrogação de gozar até soluçar perturbada e eu encravado na espessura de seu orgasmo. © Luiz Alberto Machado. Veja mais aqui, aquiaqui.

 


DITOS & DESDITOS - Há um mar de som no búzio do meu canto. Pensamento extraído da obra Da profissão do poeta (IOERJ, 2002), do escritor, jornalista e tradutor Geir Campos (1924-1999), autor de obras como Rosa dos rumos (1950), Arquipélago (1952), Coroa de Sonetos (1953), Da Profissão do Poeta (1956), Canto Claro e Poemas Anteriores (1957), Operário do Canto (1959), Canto Provisório (1960), Cantigas de Acordar Mulher (1964), Canto ao Homem da ONU (1968), A Meus Filhos (1969), Metanáutica (1970), Canto de Peixe e Outros Cantos (1977), Cantos do Rio (1982), Cantar de Amigo ao Outro Homem da Mulher Amada (1983), entre outros. Do poema Operário do Canto destaco o trecho: Operário do canto, me apresento / sem marca ou cicatriz, limpas as mãos, / minha alma limpa, a face descoberta, / aberto o peito, e – expresso documento – / a palavra conforme o pensamento. Veja mais aqui.

 

ALGUÉM FALOU: Estou quase convencido de que certas situações em que me encontrei têm semelhança com alguma porventura enfrentada por essa ou aquela criança. Outras, admito, talvez que riam de si mesmas, vendo-se pelo menos em parte retratadas em algumas das minhas doidices, necessárias e compreensíveis em crianças. Pensamento do escritor e artista plástico Luís Jardim (Luís Inácio de Miranda Jardim, 1901-1987), autor de obas como Maria Perigosa (1938), O Boi Aruá (1940), O Tatu e o Macaco (1940), As Confissões do Meu Tio Gonzaga (romance, 1949), Isabel do Sertão (teatro, 1959), Proezas do Menino Jesus (1968), Aventuras do Menino Chico de Assis (1971), Meu Pequeno Mundo (1977, memórias), Façanhas do Cavalo Voador (1978), Outras Façanhas do Cavalo Voador (1978) e O Ajudante de Mentiroso (1980, romance).

 

UM ANO DE ESTUDANTE – [...] Na saída do restaurante, ele passou o braço sob o meu. Foi natural para ele, para mim, perambular assim junto um do outro pelas ruas daquela cidadezinha próxima a Avignon. Será que parecíamos um casal para aqueles com quem cruzávamos? Eu não sabia, nem me fazia nenhuma pergunta. Só pensava em saborear o prazer que experimentava, sentindo-o contra mim, escutando-o falar, porque ele falava, falava... [...] Em uma loja de discos, ele comprou para mim quartetos de Mozart; em uma livraria, Nadja, de André Breton. E ele teria me dado outros presentes se eu não tivesse implorado para que parasse, de repente constrangida com a generosidade excessiva. [...]. Trecho extraídos da obra Une anné estudieuse (Galimmard, 2012), da atriz, diretora de cinema e escritora francesa Anne Wiazemsky (1947-2017).

 

UM AMOR PROIBIDO – [...] Luz da Minha Vida Diz uma antiga lenda que os Sidhe são espíritos celtas, criaturas egoístas que levam uma vida superficial, marcada por irresponsabilidades e excessos. Sendo uma Sidhe, Lasair nunca se interessou por amar alguém, até o dia em que fica conhecendo Cormac Casey... Cormac é um artista itinerante, um desenhista que observa locais místicos para reproduzi-los em ilustrações para um livro, quando é repentinamente atingido pela flecha do amor ao deparar com a deslumbrante Lasair, uma jovem com a beleza de uma fada... Mas Lasair corre um sério risco se entregar seu coração a Cormac, um perigo que provém não só de sua própria gente como do simples fato de amar um homem que não faça parte de seu povo, pois assim como uma fada pode extrair forças de um humano, um humano pode ceifar a vida de uma fada... Será o amor de Cormac e Lasair suficientemente poderoso para vencer as forças inclinadas a destruí-lo?... [...] Dizem que as fadas não são imortais. Elas vivem muito, mas também conhecem a morte. E quando uma delas morre, a melodia de seu pesar é o som mais doce e triste do mundo. [...] Conforme a luz se enfraquecia, tão insubstâncial quanto os sonhos, Lasair flutuava pelos ares. Vez ou outra parava para sentir o perfume de uma rosa silvestre, ou para observar a inusitada luta da luz do sol e das sombras das nuvens na tentativa de cobrir a maior extensão das montanhas verdejantes. De vez em quando ela suspirava melancólica. Não que estivesse triste, mas sentia uma lacuna dentro do peito que nem a beleza resplande­cente dos verdes campos irlandeses no verão conseguia suprir. Ela havia identificado aquilo como uma sensação de espera, embora não soubesse exatamente o que aguardava. Se voltasse para casa com aquele humor, seu povo com certeza iria rir dela. — Venha dançar conosco! Seja feliz! — clama­riam em uníssono. — Você não faz o gênero da melancolia. Lasair era freqüentemente criticada por ser diferente dos demais de sua espécie em diversos aspectos. Embora eles jamais ficassem bravos ou entrassem em conflito com ela. Pois ela era de uma beleza inebriante. Passeando e sonhando, ela parou diante de um lago para admirar seu reflexo na água espelhada. [...]. Para melhorar os movimentos dos braços, ele tirou o casaco, jogando-o no chão. Os músculos bem definidos dos braços ficaram mais eviden­tes através da camisa de linho branco, bem como os ombros largos. As calças de uma lã fina marcavam também as pernas musculosas. Lasair concentrou-se na mão dele, que moviam-se rapidamente, os dedos ágeis pareciam dançar ao dar mais forma ao desenho. — Você gosta de dançar? — perguntou ela. — Dançar? — ele indagou, levantando os olhos do papel. — Não me sobra... [...]. Trechos extraídos da obra Um amor proibido (Nova Cultural, 2010), da escritora estadunidense Morgan Llyweelyn. Veja mais aqui e aqui.

 

MINHA CANÇÃO, MEU SILÊNCIO - Meu coração é um tempo triste, / Num tique-taque emudecido. / Minha mãe tinha asas douradas, / Que não encontravam mundo. / Ouçam, ela se pôsa minha procura, / Com seus dedos de luz e pés de sonho errante. / E o tempo bom que brisa azul / Sempre aquece meu sono / Nas noites, / Cujos dias usama coroa de minha mãe. / Bêbada lua o vinho tranquilo, / Quando a noite cai só. / Minhas canções tinham do verão os azuis / E voltavam sombrias para casa. / De meu lábio vocês debochavam, / Mas ainda falam com ele. / Sim, tentei segurar suas mãos, / Pois meu amor é uma criança e quer brincar. / O primeiro, tomei-o de vocês, / E também o segundo, beijei-o, / Mas meus olhares se voltam para trás / Na direção de minha alma. / Tornei-me pobre / De seus favores mendicantes. / Ignorava o estar doente, / E agora estou doente de vocês, / E nada é mais furtivo que a doença, / Que da vida quebra os pés, / Rouba a luz ao caminho da cova. Poema da poeta alemã Else Lasker-Schuler (1869-1945). Veja mais aqui.

 


PROGRAMA DOMINGO ROMÂNTICO – O programa Domingo Romântico que vai ao ar todos os domingos, a partir das 10hs (horário de Brasilia), é comandado pela poeta e radialista Meimei Corrêa na Rádio Cidade, em Minas Gerais. Confira a programação deste domingo aqui. Na edição deste 27/05 do programa Domingo Romântico, comandado pela radialista e poeta Meimei Correa, está com uma programação maravilhosa, confira quem está participando do programa de hoje: Silviane Bellato & Gaitano Donizzetti, Yes, Nicolo Paganini, Milton Nascimento, Lenine, Maria Rita, Chico Buarque, Elis Regina, Paulinho da Viola, Djavan, Dino 7 Cordas, Maria Bethânia, Geraldo Azevedo, All Jarreau, Cantoras do Rádio, Manu Santos & João Pinheiro, Jorge Vercilo, Manuela Rodrigues, Zelia Duncan, Joana, Dulce Quental, Paralamas do Sucesso, Félix Porfírio, Santana, o Cantador, Walter Pepê, especial de aniversário da Ivete Sangalo, Gilliard, Auri Viola, Mazinho e Zé Linaldo, Sônia Mello, Ozi dos Palmares, Luiz Alberto Machado & muito mais! Confira mais aqui.





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