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sexta-feira, abril 10, 2020

BELLA AKHMADÚLINA, JUDITH ROSSNER, SOLANGE MAGALHÃES, SUSANNAH MARTIN, LIGIA MARLY GOMES & RACHEL CORRIE


COMO É MESMO, HEM? - UMA: LIÇÕES CATADAS EM TUDO QUANTO É CANTO & LUGAR – A cada vez de ida ou vinda, uma encruzilhada. Haja dicotomia no vaivém. Fui demais, voltei outras tantas. Não perdi a viagem, mesmo quando errei de lugar. Já fui bater no fim do mundo e foi aí que vi que, na verdade, era só outro começo. Nada de terminar. Quando não, tudo de novo. Quantos degraus, ladeiras, tantas reviravoltas, maiores que o beiço virado de tão longe que se chega ou vai. Nas quebradas era o meio da curva para contornar. Na passagem um verso de Cora Coralina: Recria tua vida, sempre, sempre. Remove pedras e planta roseiras e faz doces. Recomeça. Era só um tiquinho, um taco de nada da vida, mas valiosíssima no cômputo geral. Desses poucos que me acrescenta. Aí me dava a vontade de cantar e seguir, ora se. Não sei se por teimosia ou por adivinhação, eu ia mesmo. E ela, outro fiapinho de sabedoria: O que vale na vida não é o ponto de partida e sim a caminhada. Caminhando e semeando, no fim terás o que colher. Demorei a aprender. Oxe, quando caiu a ficha dei de falar com todo mundo. E ela: Feliz aquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina. Oxe, num é que é essa mulher é sábia, nem sabia, mas ela adivinha até o que penso ou deveria. Ora, ora. DUAS: QUANTAS PÁGINAS, BOTE ESTRADA NA VIDA! - Em cada passada, uma virada de página. O que percorri, divaguei. Em cada trajeto, um capítulo. Em cada chegada, uma história vivida. Entre frases e catombos, me desloquei; entre versos, topadas e meio-fio, me movi; arrastado pelos parágrafos e esquinas, zarpei; a claudicar por narrativas e depoimentos, peregrinei; a baldear passagens e textos, atravessei. O tanto de quilômetros andados, nem lembro o quanto de folhas impressas se acumulavam, devaneei. Sei que assuntei demais, deveras; paisagens, paragens, leituras. Aliás, corro sempre. Mesmo quando acho às carreiras ou se nem saio do lugar, aboletado que seja, bote viração. Pelo que bordejei na vera, deu nem pra saber se avancei ou não. Sei que fui e voo, como François Rabelais: Vou em busca de um grande talvez. Tudo porque jamais parei quieto assim nas coisas e vida; ir além, saber mais e tentar ser maior que o meu próprio tamanho, tomara, pudera. Como eu disse: se avancei ou não, pouco importa. Dele sempre ouvi: No mundo existem muito mais tolos do que homens. A ignorância é a mãe de todos os males. Um tolo a mais eu sou, acho, voo aprendendo, então. TRÊS: PRA QUÊ TANTA CORRERIA, HEM? - O que aprendi da vida? Foi sempre no pé do ouvido: tome jeito e se endireite feito gente! Maior cantiga de grilo no juízo. Também que tinha que trabalhar e muito para ser alguém na vida - era o outro nome que davam para escravagismo, eufemismos tantos. E trabalhei ou servi, não sei direito, pilha toda, vesti e suei a camisa. E preguei os olhos nos livros, ressalvavam não endoidasse, era só para saber o devido. Ou melhor, que eu me moldasse. Aí quando saquei, ora, era Émile Zola: O homem vale tanto quanto o valor que dá a si próprio. Puxa, vida! Demorou, caiu a ficha. Só peguei no ar depois de pular num pé só que só todas as provas de fogo! Muito penei mesmo. E como fui imolado: bote sal na moleira, nó pelas costas, arrastado de mala e canseira nos cambitos. Nada não, ele apaziguou: O sofrimento é o melhor remédio para acordar o espírito. É. O que sofri fiz de lição e vou aprendendo: o futuro chegou agora e em preto e branco. O passado, hoje não mais. Vou aprumando a conversa. Vamos? © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo e aqui.

DITOS & DESDITOS: Devemos ser inspirados por pessoas... que mostram que os seres humanos podem ser gentis, corajosos, generosos, bonitos, fortes - mesmo nas circunstâncias mais difíceis. Sou uma palavra boa e forte doadora, sou uma guarda ciumenta dos meus próprios segredos. A liberdade é a regra, estou com fome de algo bom que posso fazer. Eu acredito que a liberdade para a Palestina pode ser uma fonte incrível de esperança para as pessoas que lutam em todo o mundo. Eu acho que também poderia ser uma inspiração incrível para os árabes do Oriente Médio, que estão lutando sob regimes antidemocráticos, que os EUA apóiam. Eu realmente aprecio as palavras. Eu realmente tento ilustrar e deixar as pessoas tirarem suas próprias conclusões. Siga seus sonhos, acredite em si mesmo e não desista. Trecho do depoimento da estudante, voluntária e ativista estadunidense, Rachel Corrie (1979-2003), membro do International Solidarity Movement (ISM), que decidiu interromper seus estudos para passar um ano na Faixa de Gaza. Nesse periodo, reuniu-se com outros ativistas que tentavam impedir as demolições de casas de palestinos pelas forças de ocupação israelense. Por conta disso ela escreveu: Destroem as casas mesmo com gente dentro, não têm respeito por nada nem por ninguém. Durante a Intifada de Al-Aqsa, ela e seus companheiros tentavam impedir mais uma das demolições, na cidade Rafah, fronteira entre Gaza e o Egito, quando acabou morrendo esmagada por uma escavadeira das Forças Armadas de Israel. O Tzahal alegou que a sua morte foi acidental, apesar da contestação de todos os presentes ao incidente, além de todos terem sido acusados pelas Forças de Defesa de Israel de agirem de forma ilegal, irresponsável e perigosa. O exército do país foi isentado por um tribunal israelense de qualquer responsabilidade, por ter sido uma ação em tempo de guerra. A história está contada na publicação My name is Rachel Corrie (Theatre Communications Group, 2006), reunindo os textos da jovem vítima, numa edição organizada por Alan Rickman e Katharine Viner.

DE BAR EM BAR, À PROCURA – [...] era alto e muito magro, com cabelo encaracolado preto-grisalho, um jeito suavemente sarcástico e belos olhos tristes, nos quais só reparava quando ele tirava os óculos e passava a mão pelo rosto. Era poeta e editara, por conta própria, um livro de poesia, conforme ela soube mais tarde através de duas colegas de classe, Carol e Rhoda, que também estavam apaixonadas pelo professor. [...] Quase todos os alunos ficaram calados, sentindo-se vagamente colocados em seus lugares, mas sem saber precisamente que lugares eram esses. Carol e Rhoda pareciam aniquiladas. Deviam escrever, na primeira pessoa, uma breve descrição de uma experiência desagradável. Não deveriam enfeitá-la com bobagens, como essas franjas de papel prateado que se põem nas coxas dos perus. A adjetivação, quando exigida por motivo de clareza, deveria ser simples e direta: bonito, feio, verde, roxo, etc. As portas seriam abertas ou fechadas, não escancaradas. Não haveria luar derramando-se por entre venezianas; derramamentos, só líquidos. Estavam entendidos? Aproximou-se da janela e olhou para o pátio. O sol derramava-se pela janela escancarada e fulgia na aliança dele. [...]. Trechos extraídos da obra De bar em bar (Record, 1975), da escritora estadunidense Judith Rossner (1935-2005), que conta a história verifica de um assassinado que é considerado o retrato fiel de um meio social comum nas grandes cidades. Foi levado para o cinema, Looking for Mr. Goodbar (À procura de Mr. Goodbar, 1977), drama dirigido por Richard Brooks.

A POESIA DE BELLA AKHMADÚLINA
SEPARAÇÃO: Hoje nos separamos para sempre / e isso faz o mundo transformar-se. / Tudo nele anuncia a traição: / os rios vão se afastando das margens, / as nuvens vão se afastando do céu, / a mão direita olha para a esquerda / e arrogante diz: “Vou embora, adeus!” / Abril não mais prepara o mês de maio, / mês de maio que nunca mais verás, / e as flores se desfolham, feitas pó. /É a derrota do azul para o amarelo! / Já as últimas flores se esturricam, / comprimento e largura não há mais, / o branco, em estertor, já agoniza, / deixando um arco-íris de orfãzinhas. / A natureza afoga em sua tristeza, / a maré baixa sobe pela margem, / calam-se os sons e isso porque nós, / você e eu, pra sempre nos deixamos.
OUTRA COISA: Que me acontece que não posso já, / Desde há um ano inteiro, sem demora / Fazer meus versos? Sim... porque será / Que tal mudez meus lábios sela agora? / Dir-me-ão alguns: mas já tem aqui, / Letra após letra, já fez um versinho. / Mas não. Há muito o hábito adquiri / De com letras fazer um fiozinho. / A mão fá-lo sozinha, sem querer... / Não falo disso. Outrora, o que ocorria? / Não sentia a estrofe aparecer, / Mas outra coisa. Sim, o que seria? / Saberia essa coisa o que é temor, / Quando o seu verbo se elevava ousado, / Ria como de risos portador / E, se queria, soluçava irado?
BELLA AKHMADÚLINA - A escritora e tradutora russa Bella Akhmadulina (Izabella Akhatovna Akhmadulina – 1937-2010), que fez parte do movimento literário New Wave, escreveu muitas obras e teve vários casamentos com Yevgene Yevtushenko, Yuri Nagibin, Eldar Kuliev e Boris Messerer. Alguns dos seus livros são Lições de música (1969), Versos (1975), Vela e Tempestade de neve (do mesmo ano, 1977), Sonhos com a Geórgia (1979), Segredo (1983), O jardim (1987), O escrínio e a chave (1994), O ruído do silêncio e Cadeia de pedras (1995). Veja mais aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
É a ascensão do mundo virtual que permitiu aos artistas ignorar qualquer mandato de plausibilidade na pintura representacional. Se o homem agora pode aparecer como um androide intergaláctico envolvido em batalha com uma espécie alienígena, ele também pode tomar banho em um riacho local. É realismo, se aceitarmos que o realismo agora inclui realismo virtual, ou seja, ele incorpora um alto grau de improbabilidade, um realismo hiperbólico. O homem pode voltar mais uma vez à sua paisagem original, seu lar eterno, tudo desta vez como turista, um turista primordial. Eu sou do realismo figurativo.
SUSANNAH MARTIN - A arte da artista visual alemã nascida nos Estados Unidos, Susannah Martin. Veja mais aqui.
&
LIGIA MARLY GOMES
A arte da artista plástica Ligia Marly Gomes. Veja mais aqui & aqui.

CULTUR’ARTES PERNAMBUCARRETADAS!!!
Na vida a gente acaba fazendo o que a gente é. Constato, na verdade, que o ser humano é feito de coisas antagônicas.
A ARTE DE SOLANGE MAGALHÃES
A arte da pintora francesa radicada no Brasil, Solange Magalhães, apaixonada por temas nordestinos e pernambucanos.
A imagem e seus labirintos: o cinema clandestino do Recife 1930-1964, de Paulo Carneiro da Cunha Filho aqui.
A arte de Paulo Bruscky aqui e aqui.
A música de Nando Lauria aqui e aqui.
A literatura de Frederico Spencer aqui, aqui & aqui.
A poesia de Natanael Lima aqui, aqui & aqui.
A literatura infantil de Abigail Souza aqui & aqui.
Ximênia, a prinspa do Coité aqui.
Literatura Pernambucana aqui.
&
OFICINAS ABI – 2º SEMESTRE 2020
Veja detalhes das oficinas da ABI aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.


terça-feira, abril 02, 2019

ÉMILE ZOLA, JUNE SINGER, MARY VIEIRA, TEMPO DE RESISTÊNCIA & SALA DE AULA


SALA DE AULA - Hoje acordei com vontade de falar da minha experiência escolar. Logo me veio o tanto da alegria do primário: a infância embalada pela professora que era atriz e conduzia os conteúdos como se fizesse arte, era o centro de todas as minhas atenções. Era como se a sala de aula fosse um enorme palco teatral e todos protagonizassem as lições aprendidas. Como era feliz em aprender. Tanto é que o preparo me levou direto para o exame de admissão, aprovado com nota máxima. Dos quase cinquenta colegas, conta-se nos dedos os reencontros. Lá estava eu menino, na virada de ano, aluno do primeiro ginasial, com o ânimo e a dedicação dos anos anteriores. No segundo ano, ah, o encanto se quebrou: o afeto foi pro espaço, o respeito para a lata de lixo, uma relação impessoal imprimia a marcha dos anos em uma classe com quase centenas de colegas, professores ora esfíngicos, ora rígidos, não possuíam aquela candura inaugural na condução das aulas, resultado: perdia o nexo e desaprendia. Excetuando-se um ou outro mestre, a maioria ficava devendo com tanta coisa para decorar e ao pé da letra. Gostava da prova oral ou com questões abertas em que se podia fugir da resposta simples. A maioria era dono da verdade e queria tudo tintim por tintim. Tropecei na matemática, emperrei nas ciências, os assuntos não se amarravam, fazia leituras extras para poder entender aquilo tudo. Tive que amargar desapontamentos, apesar de já determinado como assíduo leitor, não por conta da perda de estímulo no ambiente escolar, porém pela curiosidade por desvendar os mistérios contidos nos livros da biblioteca de meu pai e pelos papos com os amigos que devoravam livros em casa. E se não fossem as atividades extracurriculares do educandário, com certeza, não haveria como conciliar as dicotomias, passando a entender o motivo da evasão escolar. Dos anos de turma, a maioria seguiu a carreira dos pais no comércio, agricultura ou outras carreiras. Enquanto isso, aos trancos e barrancos fui pro colegial, levava tudo na esportiva adolescente porque também não era lá essa coisa tão estimulante, a arte já tomava conta e o incentivo de alguns poucos excelentes professores, deu para me arrastar no científico. Como já gostava de ler Filosofia, saía juntando e costurava as matérias para poder entender as informações. Não era nada fácil, valia-me das conversas e discussões com os mestres fora da sala de aula – imagino a situação de quem não pudesse dispor essa oportunidade informal de trocar ideias. Não fosse isso, possivelmente preferiria fazer qualquer outra coisa na vida, menos estudar. Havia mesmo perdido o gosto. A sacada do Ziraldo me pegou em cheio: ler é gostoso; estudar é chato demais. Foi o que aconteceu com tantos outros da sala, faziam de tudo criativamente, alma de brasileiros, contudo guardaram a repulsa por estudo e leitura, preferindo as moças arrumarem logo seus príncipes encantados para cuidar da casa e das crianças, e os rapazes comprarem aquela de que é melhor ter dinheiro no bolso e ser rico, do que liso de anel no dedo. Isso era o que vigorava. Fui pra faculdade com a sensação de quem saía de uma camisa de força, escolhi o que mais gostava: Letras. A Literatura na ponta da língua, afinco para aprender Latim, empancado no Inglês: enquanto eu levava de Shakespeare, o professor me escanteava com pobres diálogos cotidianos de estadunidenses. No mais, na boa, deu pra sair de uma licenciatura curta para uma plena. Não foi menor o desencanto. Deveria fazer jornalismo para ser escritor, e fiz; desisti no meio do caminho pela completa falta de talento e porque persistia empolgado com o processo de redemocratização que se anunciava à época da ditadura. Fui fazer Direito numa classe com outros quinhentos estudantes. No segundo ano, a decepção com o curso já era flagrante e me arrastei, só concluindo anos depois de abandonado, não antes passar por Pedagogia, que não foi muito diferente: eu me sentia um ciborgue programado para responder o que queriam ouvir, apenas. Aprendia apenas que a Justiça não era lá tão justa, o direito ninguém sabia mesmo o que poderia ser, e aprender só se for marra. Não muito diferente quando décadas depois fui encarar a Psicologia: aprendia-se tudo, menos como tratar gente, muito menos qualquer brasileiro no Brasil. Estuda-se como se o país que vivemos fosse outro. A casa emburrecedora do Rubem Alves me pegou de cheio e concluí: a escola deseduca. E o pior: encaram educação como se fosse apenas escolarização. Não é à toa que se ouve, a torto e a direito, muita gente dizer por aí: Se eu descobrir quem inventou estudo, eu mando matar. Hoje advogo a heutagogia. Principalmente porque o que há de tanto equívoco faz com a educação seja, na verdade, deseducação. Podemos fazer diferente por iniciativa própria, depende de nós, apenas. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo e aqui.

DITOS & DESDITOS:
[...] A mensagem de Androginia é que a psique humana é constituída de muitas dualidades diferentes que precisam ser mantidas em equilíbrio para que o indivíduo seja íntegro, para que ele seja verdadeiramente humano. [...] É um estado em que: [...] o Um que contém o Dois, a saber o masculino (andro) e o feminino(gyne). A androginia é um arquétipo inerente na psique humana. [...] O arquétipo da androginia aparece em nós como senso inato da unidade cósmica primordial, ou seja, a unicidade ou inteireza da androginia antecede qualquer separação. A psique humana é testemunha dessa unidade primordial e é portanto, o meio através do qual podemos obter certa percepção da totalidade que inspira espanto e maravilha. [...] Inicialmente, não há existência alguma exceto o nada, o vazio indescritível, a inefabilidade do vácuo. Surge então unidade primordial, o Um no qual estão contidos todos os contrários, ainda não diferenciados. Como a gema e a clara dentro do ovo, estão entrelaçados, presos e inamovíveis. No momento estipulado, a unidade primordial é rompida e passa a existir Dois, como contrários. Somente quando os Dois se estabelecerem como entidades separadas é que podem se afastar para se unirem de outra maneira, criando e disseminando assim a multiplicidade. [...].
Trechos extraídos da obra Androginia: rumo a uma nova teoria da sexualidade (Cultrix, 1990), da psicóloga estadunidense June Singer (1920 - 2004), fundadora do Clube de Psicologia Analítica de Chicago, do Instituto Jung de Chicago e da Sociedade Inter-Regional de Analistas Junguianos, defendendo que a androginia é o mais antigo arquétipo, resultante do “arquétipo do Absoluto”, que excede a experiência humana por ter a sua essência na ancestralidade psíquica e divina da Humanidade.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte da premiada escultora, professor e designer gráfica representante da arte cinética, Mary Vieira (1927-2001). 
Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.

TEMPO DE RESISTÊNCIA
O documentário Tempo de Resistência: lembranças do período mais negro da História do Brasil (2003), dirigido por André Ristum, é baseado no livro homônimo de Leopoldo Paulino (Oswaldo Cruz, 2001), contando a luta guerrilheira contra a ditadura militar no final dos anos 1960 e início dos anos 1970. O filme aborda o processo desde o golpe militar até a anistia e as Diretas. Veja mais aqui.
&
A OBRA DE ÉMILE ZOLA
Se você me perguntar o que eu vim fazer neste mundo, eu lhe direi: eu vim para viver em voz alta.
A obra do escritor naturalista e libertário francês Émile Zola (1840-1902) aqui & aqui.
&
Educação no Brasil aqui, aqui  aqui e aqui.


sexta-feira, maio 01, 2015

CHAPLIN, RODIN, BORGES, HESÍODO, VINICIUS, ZOLA, NELSON, PORTINARI, CHICO, HÉRCULES & PROJETO DE EXTENSÃO.

Imagem: Canavial, de Cândido Portinari

SALMO DA CANA (Luiz Alberto Machado)

Trabalhar a cana sempre nos olhos do amanhã
Trabalhar a cana sempre no breu da barriga
Havendo luz ou sol sempre e o adubo perfeito
Cogitando nas mãos para a cana florescer
A cana e a febre se confundem nas docas
Como canção de cambiteiros que cantam solar
O suor e a cana atravessada no peito
Como tortura de sangue na terra de ninguém
A casa e a cana divisam seu sonho
Transformam a fome em nó de espingarda
O trabalho perfeito justinho nas sementes
Que floram no verde de sangue escondido
Trabalhar a cana sempre nos olhos do amanhã
Enquanto a roupa já se esqueceu de viver
O cangaço a carcaça o trabuco já se faz ofegante
Não suja a cabeça nem trai coração
Sem horizonte sem festa sem ninar
Trabalhar a cana sempre no breu da barriga
Fazendo crescer a desdita risonha
De quem nem na cana pega pra chupar
Trabalhar a cana esmolando um sorriso
À beira da penúria de quem já se foi
Enterrado entre a cana e o bocejo
Trabalhar a cana sempre nos olhos do amanhã
Ilhando a cidade o ventre e o coração
O lacre dos sinos de ventos felizes
São campos de ares senis
A cana. E o ventre já não se refaz
A cara a mesma a cana a mesma
O sol o mesmo a luz e o luar
Somente a cana não pode mudar.
(Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui)

Imagem: a escultura A Porta do Inferno - em gesso. 576 x 380 x 130 cm, (séculos XIX-XX). Museu Rodin, Paris, do escultor francês Auguste Rodin (1840-1917). Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

Ouvindo a antológica Construção & todo premiado álbum duplo Chico ao Vivo (1999, disco de ouro) de Chico Buarque. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.


OS DOZE TRABALHOS – O poema épico Heracleia (600-aC), do escritor Peisândro de Rodes, conta uma série de episódios que submeteu o herói grego Hércules ou Herácles à penitência na realização de um ciclo de doze trabalhos para Eristeu, representante de Hera – também descritos nas métopes do Templo de Zeus, em Olímpia. Conta que Hércules, filho de Zeus e da princesa de Alcmena, era odiado por Hera, irmã e esposa de Zeus. Quando o herói casou-se com a princesa tebana Mégara, a deusa por causa disso, fez com que ele enlouquecesse e ateasse fogo em sua casa, matando mulher e filhos. Recuperando a razão, foi ter com o oráculo de Delfos, no qual tomou ciência de que ele deveria servir ao seu primo Eristeu, o rei de Argos, na realização de doze trabalhos. O primeiro deles, consistiu em matar o leão de Nemeia, com o qual ele passou a usar como armadura a pele resistente do leão. O segundo, matar a serpente de sete cabeças venenosas, a Hidra de Lerna, queimando seis das suas cabeças e enterrando a que era imortal, como também usando do veneno para as suas flechas. O terceiro era capturar o javali de Erimanto. O quarto, capturar a corsa de Cerinéia, que tinha os cascos de bronze e os chifres de ouro. O quinto, expulsar as aves do lago Estinfale, na Arcádia. O sexto, limpar os estábulos do rei Augias, da Élida, em um só dia, vez que os mesmos estavam muito sujos, tendo o herói de desviar o curso de dois rios para passarem por dentro deles para realização desse trabalho. O sétimo, capturar o touro selvagem de Minos, rei dos cretenses. O oitavo, capturar os cavalos devoradores de homens do rei Diomedes da Trácia, matando esse rei e distribuindo sua carne aos cavalos. O nono, obter o cinto de Hipólita, rainha das Amazonas, as mulheres guerreiras. O décimo, buscar o gado do monstro Gerião, que vivia além das colunas do Estreito de Gibraltar. O décimo primeiro, levar as maçãs de ouro – os frutos da Árvore da Vida - do jardim das Hespérides para Eristeu. E o décimo segundo, capturar Cérbero, o cão de três cabeças que representava a morte e que guardava o Hades, e mostrá-lo a Eristeu. Com a realização dos três últimos trabalhos, ele alcançou a imortalidade. Certa feita, em viagem com a sua esposa Dejanira, permitiu que o centauro Nesso a carregasse na travessia de um rio; nessa travessia, o centauro tentou violentá-la, levando Hércules a mata-lo com uma flecha envenada e, morrendo avisou Dejanira que guardasse seu sangue como filtro do amor. Assim ela o fez. Tempos depois, o herói apaixonou-se por uma prisioneira de nome Iole, provocando ciúmes na esposa que depositou uma túnica no sengue de Nesso e deu-lhe para vestir, queimando a sua carne, o que o levou a solicitar dos amigos que o colocasse numa pira funerária, sendo, pois carbonizado e levado para a morada dos deuses, o Olimpo (fonte: GRIMAL, Pierre. A mitologia grega. São Paulo: Brasiliense,1987). Veja mais aqui & aqui.

OS TRABALHOS E OS DIAS – O poema épico Os trabalhos e os dias (Segesta, 2012), do poeta oral grego Hesíodo que viveu entre os anos 750-650aC., em seus oitocentos e vinte e oito versos trata do mundo dos mortais e sua organização sob os temas do trabalho e da justiça, enfocando o período clássico da Grécia Antiga. Destaco na obra o trecho Uma ética do trabalho: Eu falarei com a melhor das intenções, ó Perses, grande tolo: miséria aos montes te é possível tomar facilmente: plano é o caminho, e ela mora bem perto. Mas na frente da prosperidade colocaram o suor os deuses imortais, e longa e íngreme é a estrada para ela, e espinhosa no início; quando chega-se ao alto, em seguida já é fácil, por difícil que seja. Este é o homem de todo excelente: quem tudo compreende por si só, pensando no futuro e nas coisas que levam a um fim melhor.Também é nobre quem é convencido por quem diz boas coisas; mas quem nem compreende por si só nem, ouvindo a outro, coloca no espírito seus conselhos, esse é um homem inútil. Mas tu, sempre lembrado do meu conselho, trabalha, Perses, ó divina prole, para que a Fome te odeie, e te ame Deméter de bela coroa, a venerável, e encha o teu celeiro de alimento. A Fome é em tudo a companheira do homem ocioso; deuses e homens se indignam com quem ocioso vive, semelhante em caráter aos zangões sem ferrão, que consomem o esforço das abelhas, ociosos a comer; para ti seja caro organizar os trabalhos regrados, de modo que os teus celeiros se encham de alimento no tempo certo. Com trabalho os homens tornam-se ricos em rebanhos e opulentos, e trabalhando serás muito mais querido dos imortais e dos mortais: muito eles odeiam os ociosos. O trabalho não é nenhuma desonra; desonra é não trabalhar. E se trabalhares, logo o ocioso procurará igualar tua riqueza: ao rico acompanham mérito e prestígio. Qualquer que seja tua fortuna, trabalhar é preferível, se o teu louco espírito dos bens alheios desvias para o trabalho e atentas para a subsistência, como te ordeno. A vergonha não é boa para cuidar de um homem necessitado, a vergonha, que aos homens muito prejudica e beneficia: a vergonha liga-se à pobreza tal como a audácia à prosperidade. Bens não são para roubar: os presentes dos deuses são bem melhores. Pois se alguém pela força do braço grande fortuna conquista, ou a arrebata pela língua, coisas que muitas vezes acontecem, toda vez que a cobiça engana a inteligência dos humanos, e a Impudência expulsa a Reverência, facilmente os deuses enfraquecem tal homem e rebaixam sua casa, e a prosperidade o acompanha por pouco tempo. O mesmo acontece a quem maltratar um suplicante ou um hóspede, ou subir à cama de seu próprio irmão para os abraços clandestinos da esposa deste, ato sem cabimento, ou quem impensadamente ofender teus filhos órfãos, ou quem ao pai idoso no malvado limiar da velhice injuriar, dirigindo-se a ele com palavras duras. Contra eles indigna-se o próprio Zeus, e no fim dá uma dura resposta às ações injustas. Tu, porém, delas afasta por completo o louco espírito. De acordo com tua capacidade faz sacrifícios aos deuses imortais de modo limpo e puro, e queima brilhantes coxas; outras vezes torna-os favoráveis com libações e incenso, tanto ao te deitares como quando a sagrada luz do dia chegar, de forma que eles tenham coração e espírito para ti favoráveis, e tu compres a gleba dos outros, não os outros a tua [...]. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.

GERMINAL – O romance Germinal (1885 - Abril, 1979), é o décimo terceiro volume da série Les Rougon-Macquart, do escritor do Naturalismo francês Émile Zola (1840-1902), narra a greve provocada pelos trabalhadores das extrações minerais pela redução dos salários e condições de vida nos agrupamentos de trabalho, descrevendo o princípio da organização política e sindical da classe operaria. Da obra destaco os trechos: Na planície rasa, sob a noite sem estrelas, de uma escuridão e espessura de tinta, um homem caminhava sozinho pela estrada real que vai de Marchiennes a Montsou, dez quilômetros retos de calçamento cortando os campos de beterraba. A sua frente, não enxergava nem mesmo o solo negro e somente sentia o imenso horizonte achatado através do sopro do vento de março, rajadas largas como sobre um mar, geladas por terem varrido léguas de pântanos e terras nuas. Nem sombra de árvore manchava o céu; a estrada desenrolava-se reta como um quebra-mar em meio à cerração ofuscante das trevas. [...] E, sob seus pés, continuavam as batidas cavas, obstinadas, das picaretas. Todos os companheiros estavam lá no fundo; ouvia-os seguindo-o a cada passo. Não era a mulher de Maheu sob aquele canteiro de beterrabas, curvada, com uma respiração que chegava até ele tão rouca, fazendo acompanhamento ao ruído do ventilador? A esquerda, à direita, mais adiante, julgava reconhecer outros, sob os trigais, as cercas vivas, as árvores novas. Agora, em pleno céu, o sol de abril brilhava em toda a sua glória, aquecendo a terra que germinava. Do flanco nutriz brotava a vida, os rebentos desabrochavam em folhas verdes, os campos estremeciam com o brotar da relva. Por todos os lados as sementes cresciam, alongavam-se furavam a planície, em seu caminho para o calor e a luz. Um transbordamento de seiva escorria sussurrante, o ruído dos germes expandia-se num grande beijo. E ainda, cada vez mais distintamente como se estivessem mais próximos da superfície, os companheiros cavavam. Sob os raios chamejantes do astro rei, naquela manhã de juventude, era daquele rumor que o campo estava cheio. Homens brotavam, um exército negro, vingador, que germinava lentamente nos sulcos da terra, crescendo para as colheitas do século futuro, cuja germinação não tardaria em fazer rebentar a terra. Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui.



O OPERÁRIO EM CONSTRUÇÃO – O poema O operário em construção (Rio de Janeiro, 1959), do poeta, dramaturgo, jornalista, compositor e diplomata brasileiro Vinicius de Moraes (1913-1980), traz a narrativa do cotidiano de um operário da construção civil que não percebe a importância do seu trabalho para a sociedade, expondo a necessidade de tomada de consciência social na função produtiva social e da percepção das condições de vida: Era ele que erguia casas / Onde antes só havia chão. / Como um pássaro sem asas / Ele subia com as asas / Que lhe brotavam da mão./ Mas tudo desconhecia / De sua grande missão: / Não sabia por exemplo/ Que a casa de um homem e' um templo / Um templo sem religião / Como tampouco sabia ;/ Que a casa quer ele fazia/ Sendo a sua liberdade / Era a sua escravidão./ De fato como podia / Um operário em construção / Compreender porque um tijolo / Valia mais do que um pão? / Tijolos ele empilhava / Com pá, cimento e esquadria / Quanto ao pão, ele o comia / Mas fosse comer tijolo! / E assim o operário ia / Com suor e com cimento / Erguendo uma casa aqui / Adiante um apartamento / Alem uma igreja, à frente / Um quartel e uma prisão: / Prisão de que sofreria / Não fosse eventualmente / Um operário em construção. / Mas ele desconhecia / Esse fato extraordinário: / Que o operário faz a coisa / E a coisa faz o operário. / De forma que, certo dia / `A mesa, ao cortar o pão / O operário foi tomado / De uma súbita emoção / Ao constatar assombrado / Que tudo naquela mesa / - Garrafa, prato, facão / Era ele quem fazia / Ele, um humilde operário / Um operário em construção. / Olhou em torno: a gamela / Banco, enxerga, caldeirão / Vidro, parede, janela / Casa, cidade, nação! / Tudo, tudo o que existia / Era ele quem os fazia / Ele, um humilde operário / Um operário que sabia / Exercer a profissão. / Ah, homens de pensamento / Não sabereis nunca o quanto / Aquele humilde operário / Soube naquele momento / Naquela casa vazia / Que ele mesmo levantara / Um mundo novo nascia / De que sequer suspeitava. / O operário emocionado / Olhou sua propria mão / Sua rude mão de operário / De operário em construção / E olhando bem para ela / Teve um segundo a impressão / De que não havia no mundo / Coisa que fosse mais bela. / Foi dentro dessa compreensão / Desse instante solitário / Que, tal sua construção / Cresceu tambem o operário / Cresceu em alto e profundo / Em largo e no coração / E como tudo que cresce / Ele nao cresceu em vão / Pois alem do que sabia / - Exercer a profissão - / O operário adquiriu / Uma nova dimensão: / A dimensão da poesia. / E um fato novo se viu / Que a todos admirava: / O que o operário dizia / Outro operário escutava. / E foi assim que o operário / Do edificio em construção / Que sempre dizia "sim" / Começam a dizer "não" / E aprendeu a notar coisas / A que não dava atenção: / Notou que sua marmita / Era o prato do patrão / Que sua cerveja preta / Era o uisque do patrão / Que seu macacão de zuarte / Era o terno do patrão / Que o casebre onde morava / Era a mansão do patrão / Que seus dois pés andarilhos / Eram as rodas do patrão / Que a dureza do seu dia / Era a noite do patrão / Que sua imensa fadiga / Era amiga do patrão. / E o operário disse: Não! / E o operário fez-se forte / Na sua resolução / Como era de se esperar / As bocas da delação / Começaram a dizer coisas / Aos ouvidos do patrão / Mas o patrão não queria / Nenhuma preocupação. / - "Convençam-no" do contrário / Disse ele sobre o operário / E ao dizer isto sorria. / Dia seguinte o operário / Ao sair da construção / Viu-se subito cercado / Dos homens da delação / E sofreu por destinado / Sua primeira agressão / Teve seu rosto cuspido / Teve seu braço quebrado / Mas quando foi perguntado / O operário disse: Não! / Em vão sofrera o operário / Sua primeira agressão / Muitas outras seguiram / Muitas outras seguirão / Porem, por imprescindivel / Ao edificio em construção / Seu trabalho prosseguia / E todo o seu sofrimento / Misturava-se ao cimento / Da construção que crescia. / Sentindo que a violência / Não dobraria o operário / Um dia tentou o patrão / Dobra-lo de modo contrário / De sorte que o foi levando / Ao alto da construção / E num momento de tempo / Mostrou-lhe toda a região / E apontando-a ao operário / Fez-lhe esta declaração: / - Dar-te-ei todo esse poder / E a sua satisfação / Porque a mim me foi entregue / E dou-o a quem quiser. / Dou-te tempo de lazer / Dou-te tempo de mulher / Portanto, tudo o que ver / Será teu se me adorares / E, ainda mais, se abandonares / O que te faz dizer não. / Disse e fitou o operário / Que olhava e refletia / Mas o que via o operário / O patrão nunca veria / O operário via casas / E dentro das estruturas / Via coisas, objetos / Produtos, manufaturas. / Via tudo o que fazia / O lucro do seu patrão / E em cada coisa que via / Misteriosamente havia / A marca de sua mão. / E o operário disse: Não! / - Loucura! - gritou o patrão / Nao vês o que te dou eu? / - Mentira! - disse o operário / Não podes dar-me o que é meu. / E um grande silêncio fez-se / Dentro do seu coração / Um silêncio de martirios / Um silêncio de prisão. / Um silêncio povoado / De pedidos de perdão / Um silencio apavorado / Com o medo em solidão / Um silêncio de torturas / E gritos de maldição / Um silêncio de fraturas / A se arratarem no chão / E o operário ouviu a voz / De todos os seus irmãos / Os seus irmãos que morreram / Por outros que viverão / Uma esperança sincera / Cresceu no seu coração / E dentro da tarde mansa / Agigantou-se a razão / De um homem pobre e esquecido / Razão porem que fizera / Em operário construido / O operário em construção. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.


INFÂNCIA, IMAGEM & LITERATURA – Realizou-se nesta quinta, 30 de abril, mais uma reunião ordinária do Projeto de Extensão Infância, Imagem e Literatura: uma experiência psicossocial na comunidade do Jacaré – AL, realizado pelos graduandos dos cursos de Psicologia, Jornalismo e Publicidade do Centro Universitário Cesmac, sob a coordenação do Professor Ms Cláudio Jorge Gomes de Morais. Veja detalhes aqui.

INFORME DE BRODIE – O livro O informe de Brodie (Globo, 1976), do escritor, tradutor, crítico literário e ensaísta argentino Jorge Luis Borges (1899-1986), traz onze narrativas em que predominam os temas tema da religião da coragem, do culto do valor desinteressado e da perspectiva do fantástico como ressonância que ultrapassam a mera realidade. Da obra destaco a narrativa homônima, na tradução do escritor Hermilo Borba Filho: [...] da região infestada pelos homens-macacos (Apemen) têm sua morada os Mlch, que chamarei Yahoos, para que meus leitores não esqueçam sua natureza bestial e porque uma transliteração exata é quase impossível, dada a ausência de vogais em sua áspera linguagem [...] Outro costume da tribo são os poetas. Ocorre a um homem ordenar seis ou sete palavras, geralmente enigmáticas. Não se pode conter e grita-as, de pé, no centro de um circulo que formam, estendidos por terra, os feiticeiros e a plebe. Se o poema não excita, nada acontece, mas se as palavras do poeta os comovem, todos se separam dele, em silêncio, sob o mando de um horror sagrado (under a holy dread). Sentem que o espírito o tocou; ninguém falará com ele nem o olhará, nem mesmo a sua mãe. Já não é um homem mas um deus e qualquer um pode mata-lo. O poeta, se puder, buscará refúgio nos areais do Norte [...]. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.

TODA NUDEZ SERÁ CASTIGADA – A peça teatral Toda nudez será castigada (1966), do escritor, dramaturgo e jornalista Nelson Rodrigues (1912-1980), traz a história de viúvo que pertence a uma família conservadora de beatas e que recebe pedido do filho órfão de um juramento de nunca mais casar-se, quando, apresentado pelo irmão insolvente, é apresentado a uma prostituta porque se apaixona perdidamente e, consequentemente, se casa. No seio da família, a esposa passa se envolver com o enteado que deseja acabar com o casamento do pai para manter uma relação livre com a madrasta. A obra foi adapatada para o cinema em 1972, pelo cineasta Arnaldo Jabor, com música composta por Astor Piazzolla, sendo premiado com o Urso de Prata no Festival de Berlim, dois Kikitos – melhor filme, melhor atriz e menção especial pela trilha sonora – no Festival de Gramado, ambos em 1973, e, também, a melhor cenografia no Troféu APCA de 1974. Destaque meritório de aplausos para a atriz Darlene Glória interpretando o papel da Geni, protagonista da história. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui. 

TEMPOS MODERNOS – O filme Modern Times (Tempos Modernos, 1936), do ator, diretor, escritor, comediante, músico, roteirista e compositor britânico Charlie Chaplin (1889-1977), no qual ele atuou, dirigiu, escreveu o roteiro e musicou, traz o personagem Carlito, o vagabundo - notabilizado pelo cinema mudo com uso de mímica e da comédia pastelão -, na tentativa de sobreviver em um mundo industrializado e moderno, fazendo uma crítica forte ao capitalismo, ao stalinismo, ao nazifascimos, ao fordismo e ao imperialismo, além de uma crítica aos maus tratos impostos aos empregados durante a Revolução Industrial, tornando-se um escravo que é substituído pela máquina, vitimando-se por um colapso nervoso. O momento mais singelo do filme é o surgimento do amor do vagabundo pela menina de rua órfã que se encontra realizando pequenos furtos para sobreviver e é perseguida pela polícia para adoção. Imperdível. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.

IMAGEM DO DIA
 A charge de As aventuras do homem assalariado, uma foto da mulher no trabalho & Carnival of human bondage de Magda Mraz. Veja mais aqui.


Veja mais sobre:
Mãe é mãe & Deus proteja a minha, a sua, a nossa & o da mãe-joana & e das mães (do guarda, do juiz de futebol e dos políticos) que são coitadas!, Inteligência emocional de John Gottman, o teatro de Máximo Gorki, a poesia de Jorge Tufic, a música de Caetano Veloso, Travessuras de mãe de Denise Fraga, a arte de Luciah Lopez , a pintura de Gustav Klimt & Lena Gal aqui.

E mais:
A literatura de Aníbal Machado, Teoria da alienação de István Mészarós, Semiologia da representação de André Helbo, o cinema de Roberto Rossellini & Anna Magnani, a música de Keith Jarret, Erótica pornográfica de J. J. Sobral, a pintura de Jean-Léon Gérome.& Almeida Junior aqui.
Direitos humanos fundamentais aqui.
A arte de Dhara - Maria Alzira Barros aqui.
Exercício de admiração de Emil Cioran. Abril despedaçado de Ismail Kadaré, O teatro de arte de Meyerhold, Fridha Khalo, A música de Badi Assad, A pintura de Karel Appel, Carlota Joaquina & Clube Caiubi de Compositores aqui.
Brincarte do Nitolino, Tratado lógico-filosófico de Ludwig Wittgenstein, o teatro futurista de Filippo Marinetti, a literatura de Azar Nafisi, a música de Nelson Freire, a pintura de Eugène Delacroix, Augustine de Charcot, a arte de SoKo, a fotografia de John De Mirjian, a cangaceira Dadá & O eco da trombeta de Maria Iraci Leal aqui.
A sina de Agar, A nascente de Ayn Rand, o teatro de Jean-Louis Barrault, Mundos oscilantes de Adalgisa Nery, a literatura de Anita Loos, a música de Cláudia Riccitelli & The Bossa Nova exciting Jazz Samba Rhythms, a pintura de Jose Gutierrez de la Vega & Amor como princípio de Delasnieve Daspet aqui.
Canto de circo de Osman Lins, a arte de Paul Éluard, a música de Paulo César Pinheiro, o teatro de Adolphe Appia, a poesia de Alberto de Oliveira, o cinema de Pedro Almodóvar & Penélope Cruz, a pintura de Francesco Hayez & José Malhoa, A travessia poética de Valéria Pisauro & Programa Tataritaritatá aqui.
Três poemas & a dança revelou o amor... aqui.
A dança dos meninos, a poesia de Manuel Bandeira & João Cabral de Melo Neto, A dançarina de Yasunari Kawabata, A dança poética de Amiri Baraka, A dançarina do Kama Sutra de Kama Sutra, de Vatsyayana, a música de Isabel Soveral & António Chagas Rosa, a pintura de Jose Manuel Abraham, Pas de Deux & a fotografia de M. Richard Kirstel, Dança Alagoas & Ary Buarque aqui.
O voo da mulher & mulheres no mundo, o teatro de Federico Garcia Lorca, Os adoradores de cabras de Gianni Guadalupi & Alberto Manguel, a música de Duke Ellington, o cinema de Lars von Trier & Nicole Kidman, a arte de Tatiana Parcero & Caco Galhardo, Como veio a primeira chuva & Pétalas do Silêncio de Rô Lopes aqui.
O dono da razão, a poesia de Murilo Mendes, Identidade e etnia de Carlos Rodrigues Brandão, Fundamentos da educação de Maria Sérgio Michaliszyn, a pintura de Mônica Alves Torres & Jules Pascin, a arte de Francisco Zúñiga & a música de Ju Martins aqui.
Não era pra ser, nem foi, Entre a vida e a morte de Nathalie Sarraute, a música de Galina Ustvolskaya, a fotografia de Takashi Aman, o ativismo de Emmeline Parnkhurst, o cinema de Sarah Gravon & Carey Mulligan, a gravura de Jean-Frédéric Maximilien de Waldeck, a arte de Paul-Émile Chabas & Carlos Alberto Santos aqui.
A esperança equilibrista, O espaço da cidadania de Milton Santos, Admirável mundo novo de Aldous Huxley, Os saberes da educação de Edgar Morin, a música de Vivaldi & Michala Petri, a fotografia de Andreas Feininger, a pintura de Gianluca Mantovani & Jose De la Barra, a arte de Daniele Lunghin & Dave Stevens aqui.
Eita! Vou por ali no que vem e que vai, a literatura de Ítalo Calvino, Os tempos da Praieira de Costa Porto, a poesia de Louise Glück, Neurofilosofia & Neurociências, a música de Edson Zampronha, Betina Muller & Mike Edwards, a arte de Laszlo Moholy-Nagy & Anke Catesby aqui.
O aperto que virou vexame trágico, As estratégias sensíveis de Muniz Sodré, a poesia de Sophia de Mello Breyner Andresen, Tecnologias: memórias e esquecimentos de Maria Cristina Franco Ferraz, a fotografia de Alexander Yakovlev, a arte de William Mulready & Doris Savard, a pintura de Angelo Hasse, a música de Asaph Eleutério, Ricardo Loureiro & Rádio Estrada 55 aqui.
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GONÇAL MAYOS, MARINE PETROSSIAN, PÉTER NÁDAS & IRANDHIR SANTOS

  Imagem: Arrostar aporias , da série Caosmose & O poema nasce do visinvisível - Acervo ArtLAM .   Fábula dos embeiçados desavindos... ...