segunda-feira, agosto 24, 2020

JORGE LUIS BORGES, CRISTINA PISANO, LEMINSKI, CAROLYN WELTMAN, LEO FERRÉ & BETE GOUVEIA


DIÁRIO DO GENOCÍDIO NO FECAMEPA – UMA: SABE AQUELA... OPERA OMNIA - O quê de ontem no que é tão recente, pouco mais de um ano e a modorra preme, espreme a fadiga, o horror transmuda-se camaleônico, enquanto alguns tantos se estapeiam e negam aos gritos: não há nenhum reparo a ser feito! Como não, cara pálida? As cloacas se escancaram e nem rangem insuspeitas, nem se sabe direito o que é: algo não está conforme. Só excreções e quem sucumbe nelas, das homofagias: cada qual só excreta o que tem na bolsa da valsa e valores, na balsa e nas bolhas, só o sentido do inferno e a cegueira de quem vê e nada, tudo como um simples jogo eletrônico, um peteleco ou tiras de quadrinhos. Nem é para dá a mínima, a cada um o que lhe falta, qual fronteira a se romper, só a do procto, enfim, ou se matam ou se danam. Jorge Luís Borges vem na sirene de alerta das ambulâncias: A democracia é um erro estatístico, porque na democracia decide a maioria e a maioria é formada de imbecis. As ditaduras fomentam a opressão, as ditaduras fomentam o servilismo, as ditaduras fomentam a crueldade; mas o mais abominável é que elas fomentam a idiotia. Por isso todas as cabeças enlouqueceram no muitos e tantos Brasis. E a peste dizima na desimportância de cento e tantos que serão duzentos ou milhões de mortos e quantos mais, e daí, nada demais.

DOIS ANTEONTENS & OUTRO ONTEM HOJE - Olhei no espelho e não era, tudo como em campo minado, como se não houvesse o que retratar no cotidiano, nenhuma beleza, nenhum prazer e lembranças escuras que se reviram com o verso de Paulo Leminski: Haja hoje para tanto ontem. Acordei e me olhei no espelho ainda a tempo de ver meu sonho virar pesadelo. Nada além do quarto escuro na noite enluarada de nuvens pesadas. Baixinho escuto La Solitud de Leo Ferré: Eu sou de um outro país, de um outro bairro, de uma outra solidão. Eu invento atalhos. Eu não pertenço mais... Já não há nada... Na verdade não é outro país é o meu com minha gente nem sei como, e o asceta perdeu o dia e as horas, porque um teve um derrame e nunca mais viu, outro enfartado e o tempo lhe comeu o tutano do talento e correu os demais, enquanto eu só queria a maçã de Cézanne, as tintas no chão de Pollock, quase nada sobrou além da hora minguante e solitária.

TRÊS MINUTOS & NADA MAIS DE NADA - Tudo muito decadente, esse o meu desencanto: a extinção inevitável. Valho-me agora da ternura de sempre da Cristina de Pisano: Assim como os corpos das mulheres são mais suaves que os dos homens, sua compreensão é mais aguçada. Claro, sou dela e sempre serei porque se não fosse a nudez de Carolyn Weltman com a promessa do amor na minha noite desastrada, não teria mais razão para viver, nenhuma mesmo. Quem ao desejo não se submete se é o vetor da loucura com tensão entre códigos e quereres, os pactos conjurados, estereótipos, reacionarismo, crises existenciais, ascensão e queda disso e daquilo, tudo se desmoronando porque é muito falso, quando não hostil: esperanças viram pragas; vida humana ou pedra, tanto faz; um migrante carregando um sonho que seja despido de outros tantos e muitos sonhos que se dissolveram e nunca deixaram de existir. Voo e até mais ver.

A ARTE DE BETE GOUVEIA
[...] a família, muito conservadora, nunca apoiou a opção pela arte. Queria que fosse dona-de-casa ou, no caso de ter uma formação acadêmica, que seguisse Arquitetura ou Direito. [...].
Trecho do depoimento concedido pela premiada artista, pesquisadora e professora universitária Bete Gouveia (Ana Elisabete de Gouveia) para Mulheres nas artes visuais em Pernambuco: um resgate (Comitê de História, Teoria e Crítica de Arte da ANPAP – 25º Encontro – Porto Alegre, 2015), de Madalena Zaccara. Bete Gouveia é professora do Departamento de Artes da UFPE e como artista já realizou exposições individuais e coletivas nacionais e internacionais e contemplada com um vídeo da série Versa do Departamento de Teoria da Arte e Expressão Artística, produzido pelo Núcleo de Audiovisual da Pró-Reitoria de Comunicação, Informação e Tecnologia da Informação (Procit) da UFPE. Veja mais aqui, aqui & aqui.


ADA LIMÓN, MÓNICA BUSTOS, LETÍCIA CESARINO, ANUNA DE WEVER & O RECIFE DE CESAR LEAL

    Imagem: Acervo ArtLAM . Ao som dos álbuns Olho D'água (1979), Revivência (1983), Rio Acima (1986), Ihu - Todos Os Sons (1996),...