quarta-feira, fevereiro 02, 2011

LÉO FERRÉ, CRISTINA DE PISANO, BYUNG-CHUL HAN, JOSÉ J. VEIGA, INGRID BERGMAN, CAROLYN WELTMAN, MULHER & LITERÓTICA


 
Não é se você realmente chora. É se a audiência pensa que você está chorando. Eu nunca busquei sucesso para adquirir fama e dinheiro; é o talento e a paixão que conta no sucesso. Sucesso é conseguir o que você quer; felicidade é querer o que você consegue. Você deve treinar sua intuição - você deve confiar na vozinha dentro de você que lhe diz exatamente o que dizer, o que decidir. Seja você mesmo. O mundo adora o original.
A arte da atriz sueca Ingrid Bergman (1915-1982).

UMA PROSA DE AMOR PARA INGRID – Naquela tarde ela veio como sempre: a bela de Estocolmo que herdou do pai fotógrafo o amor pelo teatro, na ausência da mãe que lhe deixara aos dois anos de idade. Vi-a fulgurante como no dia da estreia de Crime de Siwertz. Nem havia concluído o curso de Arte Dramática, já estreava no cinema pela mão de um caçador de talentos. Logo ficou famosa. Era ela exuberantemente bela: sobrancelhas grossas, muito alta, nome alemão: Eu Sou Ingrid. E se firmava cada vez mais determinada. De Landskamp, o primeiro passo; O conde Munkbro parecia levar-lhe mais longe e foi: Intermezzo – a love story. Daí foi acumulando prêmios e aplausos: À meia luz, uma mulher que acreditava estar louca; era a Ilsa Lund de Casablanca, a Maria de Por quem os sinos dobram, a doutora Constace Petersen de Quando fala o coração, a Clio Dulaine de Mulher exótica, a irmã Mary Benedict de Os sinos de Santa Maria, a Alicia Huberman de Interlúdio, a princesa esquecida Anastácia, a Greta Ohlsson do Assassinato no Orient Express, muitas e tantas elas nela por performances inesquecíveis, até chegar aos escândalos com Stromboli de Rossellini, denunciada em plenário no Senado estadunidense, acusada de adúltera e de mau exemplo para as mulheres. Eu sei, eu estava lá e sabia que estava casada e o divórcio virou uma batalha de custódia, até seguir sua vida, enfrentando o boicote da Legião de Decência dos Estados Unidos, a vagabunda pecadora que seguiu seu amor, acusada de cultuadora do amor livre e apóstola da degradação, a adúltera mais infame! Enquanto escorraçavam sua vida, eu seguia a vilã pública que amou muito, amou demais, profundamente apaixonada, passageira de uma montanha-russa de emoções, como as tantas que havia vivido e não abria mão de amar, nem se rendia a nada nem a ninguém fora do amor. Quando me deparei frente a frente, a vi cansada e tagarela, a dizer que felicidade é boa saúde e má memória. Respirou fundo, olhou nos meus olhos e falou: Eu era o ser humano mais tímido já inventado, mas tinha um leão dentro de mim que não parava de calar a boca! Não me contive e a beijei pela primeira vez, seus lábios corresponderam à minha paixão e disse-me: um beijo é um truque encantador desdenhado pela natureza para silenciar a fala para quando sobram palavras. Os anos haviam passado, estávamos maduros e ainda ouvi dizer-me que: Eu não tenho nenhum pesar, não estou arrependida. Eu não teria vivido minha vida no modo que eu fiz se eu fosse preocupar sobre o que pessoas iriam dizer. Envelhecer é como escalar uma montanha; fica um pouco sem fôlego, mas a vista é bem melhor! Era seu aniversário e você repetiu: Eu sou Ingrid. Eu lhe beijei para nunca mais nas cinzas pelo mar das ilhotas de Dannholmen. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.


DITOS & DESDITOSAh, criança e jovem, se você conhecesse a bem-aventurança que reside no sabor do conhecimento, e o mal e a feiura que reside na ignorância, quão bem você é aconselhado a não reclamar da dor e do trabalho do aprendizado. A pessoa de cabeça baixa e olhos pesados não consegue olhar para a luz. Quantas mulheres existem... que por causa da dureza de seus maridos passam suas vidas cansadas no vínculo do casamento em maior sofrimento do que se fossem escravas entre os sarracenos? Pensamento da poeta e filósofa italiana Cristina de Pisano (1363-1430), conhecida pela crítica veemente contra a misoginia predominante no meio literário da época, defendendo o papel das mulheres na sociedade. Veja mais aqui.

ALGUÉM FALOU: Nesta sociedade de compulsão, todo mundo carrega em si um campo de trabalho. Este campo de trabalho é definido pelo fato de que somos simultaneamente prisioneiros e guardas, vítimas e agressores. Exploramos a nós mesmos. Isso significa que a exploração é possível mesmo sem dominação. Homens e mulheres comuns, tendo a oportunidade de uma vida feliz, se tornarão mais gentis e menos persecutórios e inclinados a encarar os outros com suspeita. Sem a presença do outro, a comunicação degenera em um intercâmbio de informação: as relações são substituídas pelas conexões, e assim só se conecta com o igual; a comunicação digital é somente visual, perdemos todos os sentidos; vivemos uma fase em que a comunicação está debilitada como nunca: a comunicação global e dos likes só tolera os mais iguais; o igual não dói!. Pensamento do filósofo sul-coreano Byung-Chul Han. Veja mais aqui.

BELISÁRIO – [...] Mas o Relógio da Arara, esse ficou ali na sala, fascinando a todos, intrigando alguns, como foi o caso de dona Artemisa que passou uns dias evitando olhar para ele depois da conversa que tiveram com Belisário naquela tarde chuvosa. [...] Belisário chispou da cadeira como um foguete. Não era mais o médium, o interprete necessário de algum agente misterioso, mas um ajudante de cozinha muito do elétrico. [...]. Trechos extraídos da obra Relógio Belisário (Bertrand Brasil, 1995), do escritor do realismo fantástico brasileiro José J. Veiga (1915-1999). Veja mais aqui, aqui & aqui.

DOIS POEMASAVEC LE TEMPS: Com o tempo tudo vai embora / Esquecemos o rosto e esquecemos a voz / O coração, quando deixa de bater, já não vale a pena ir / Procurar mais longe é preciso deixar e tudo bem / Com o tempo / Com o tempo tudo vai embora / O outro que adorávamos que procurávamos à chuva / O outro que imaginávamos na sombra de um olhar / Entre as palavras nas entrelinhas e no cansaço / De um sermão maquiado que segue para a noite / Com o tempo tudo desvanece / Com o tempo / Com o tempo tudo vai embora / Mesmo as recordações mais ternas tem um desses momentos / Na galeria eu vasculho as prateleiras da morte / No sábado à noite quando a ternura parte sozinha / Com o tempo / Com o tempo tudo vai embora / O outro em que acreditávamos por um frio, por um nada / O outro a quem dávamos o vento e joias / Por quem teríamos vendido a alma por algumas moedas / À frente de quem rastejávamos como rastejam os cães / Com o tempo tudo se resolve / Com o tempo / Com o tempo tudo vai embora / Esquecemos as paixões e esquecemos as vozes / Que sussurravam palavras de gente pobre / Não volte muito tarde, sobretudo não apanhe frio / Com o tempo / Com o tempo tudo vai embora / E sentimo-nos pálidos com um cavalo cansado / E sentimo-nos gelados numa cama ao relento / E sentimo-nos sós, mas talvez conformados / E sentimo-nos enganados pelos anos perdidos / Então verdadeiramente / Com o tempo deixamos de amar. A ESCOLA DA POESIA: A poesia contemporânea já não canta…rasteja / Ela todavia tem privilégio da distinção / não freqüenta palavras mal afamadas, ignora-as / Só com luvas se pega nas palavras: ''a menstrual'' prefere-se “periódico”, e não se cansam de repetir que há termos médicos que não devem sair dos laboratórios e do códex / O snobismo escolar que consiste em só empregar, em poesia, certas e determinadas palavras, em privá-las de muitas outras, sejam técnicas, medicas populares ou argóticas, faz-me lembrar o prestígio do lava-dedos e do lava-mão / Não é o lava-dedos que faz as mãos limpas nem o beija-mão que faz a ternura / Não é a palavra que faz a poesia mas a poesia que faz a palavra / Os escritores que recorrem aos dedos para saber se os pés estão á conta, não são poetas, são datilógrafos / O poeta hoje em dia tem de pertencer a uma casta a um partido ou à «fina-flor» de Paris / O poeta que não se submete é um homem mutilado / A poesia é um clamor. Deve ser ouvida como se ouve a música. / Toda a poesia que apenas se destina a ser lida e fechada nos seus caracteres é uma poesia incompleta. Só as cordas vocais lhe dão o sexo, como o arco ao violino, tocando-lhe… / O filiamento é um sinal dos tempos. Do nosso tempo / Os homens que pensam em circulo têm ideias curvas. Sociedades literárias não deixam de ser Sociedade. Pensar em comum é pensar comezinho / Mozart morreu sozinho, acompanhado de um cão à uma vala comum, um cão e os fantasmas / Renoir tinha dedos tortos de reumatismos. / Ravel tinha um tumor que lhe sugou de vez toda a música / Beethoven era surdo / Aconteceu um peditório para o enterro de Bela Bertok / Rutebeuf tinha fome! / Villon roubava para comer! / Toda a gente se está nas tintas / A arte não é um gabinete de antropometria / Apenas sobre os túmulos se faz luz / Vivemos em tempos épicos e de épico nada temos. / Vende-se musica como creme de barbear. / E para que o próprio desespero também se venda bastará encontrar a fórmula / Está tudo apostado: os capitais / A publicidade / A clientela / O desespero quem o inventará? / Com os nossos aviões que levam a palma para sol / Com os nossos gravadores que se recordam das tais «vozes que já se calaram», com a nossa alma ancorada em meio a rua, nos encontram à beira do vazio, atados de pés e mãos no nosso embrulho de carne, ao ver as revoluções / Não esqueçam nunca que a Moral o que tem de mais avassalador é o ser sempre a Moral dos Outros / os mais belos cânticos são de reinvidicação / O verso deve fazer amor , faz a cabeça das pessoas. Na escola da poesia e da música ninguém aprende. TODOS SE BATEM! Poemas do compositor, músico, anarquista e poeta monegasco Léo Ferré (1916-1993). Veja mais aqui.

A ARTE CAROLYN WELTMAN
Minha arte é controversa. Eu pinto nu: feminino, masculino e transgênero. Eu também retrato casais intimamente, casais tendo sexo. E disso tenho muitos problemas com as mulheres porque eles me chamam de abusiva.
A arte da artista visual britânica Carolyn Weltman. Veja mais aquiaqui.





Imagem do pintor alagoano Fernando Santos


AS MULHERES SOLTAM O VERBO, O VERSO E O SEXO NA CAMPANHA TODO DIA É DIA DA MULHER – A campanha Todo dia é dia da mulher está de vento em popa com participação delas no projeto. Dessa vez elas soltam o verbo, o verso e o sexo para confirmar sua grandeza e felicidade da comunidade masculina. Confira:


























Imagem do pintor alagoano Fernando Santos








































Imagem do pintor alagoano Fernando Santos































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CRÔNICA DE AMOR POR ELA
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Paz na Terra:
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      TRÍPTICO DQP: Valuna, estaca zero. Imagem: COLAM , ao som dos álbuns Da idade da pedra (2002), Zabé da Loca (MDA, 2003) e Bom todo...