DUAS: AQUELA OUTRA DOS
DITOS & DESDITOS - A discriminação é altamente nefasta. Parece mais que ninguém se deu conta
das previsões constitucionais vigentes, nem o tanto de marco legal para combate.
A torto e a direito flagrantes inexoráveis, sem falar do disfarçado Efeito Matilda execrável. Lélia Gonzalez
nos dá o tom do descalabro: Estamos cansados de saber que nem na
escola, nem nos livros onde mandam a gente estudar, não se fala da efetiva
contribuição das classes populares, da mulher, do negro do índio na nossa
formação histórica e cultural. Na verdade, o que se faz é folclorizar todos
eles. No momento em que começamos a falar do racismo e suas práticas em termos
de mulher negra, já não houve mais unanimidade. Nossa fala foi acusada de
emocional por umas e até mesmo de revanchista por outras; todavia, as
representantes de regiões mais pobres nos entenderam perfeitamente (eram
mestiças em sua maioria).
É o que nos sobra destes tantos & muitos Brasis arrevirados e de porteiras
escancaradas, gentamiga!
TRÊS: DO CIRCO ITINERANTE - Hoje tem espetáculo? Tem, sim senhor! Todo dia terá! O Circo Itinerante flagra tudo do
Oiapoque ao Chuí, das beiradas do Atlântico até as bandas do Pacífico. Em cena
pode estar o que não é nada agradável aos olhos, o cotidiano das mazelas e o
imprevisível. O que nos salva é o solo do piano com Oblivion de Raul Passos:
Tua dúvida, minha
ciência / - Porque eu me debruço em ti / Pareces não estar ali - / Não fuja! /
És uma ilusão cristalizada / Amargo pensamento de amanhã / - Lamento ou lamúria
vã - / Não fale! / Madrugada imaterial - tesouro ardente / Tua sombra, vago
relance... / Te peço, para que eu descanse, / Não durma! Ou o recado inflamado Barbara Kruger: Ver
não é acreditar. A própria noção de verdade tem sido posta em crise. Em um
mundo inchado com imagens, estamos finalmente aprendendo que as fotografias de
fato são mentiras. Assim, a gente aprende a discernir do que é e não, o que
deve ser feito e o necessário para viver e deixar viver neste tempo e mundo.Ela se descalça esgalga, esquiva anfitriã estendida, desnuda, exata, como
quem furtiva, caluda, me pede ajuda, guarida, desamparada. Suplica que acuda, rendida,
estirada. E com afã, sou à deriva, no encalço de sua fuga temporã adelgaçada, remida,
celebrada. Vou na destemida pisada de seus percalços, pelo imã da subida, ao ápice
do pedestal, inebriado por sua carne nua e viva, adorada.



