segunda-feira, novembro 08, 2010

JOHN HOLLANDER, LÉLIA GONZALEZ, FERENC FEHÉR, JARON LANIER, DONNA LEWIS, TOQUE RETAL & TESTE DA GOMA

 
Curtindo a arte da cantora, compositora e produtora galesa Donna Lewis, autora dos álbuns Now in a Minute (1996), Blue Planet (1998), Be Still (2002) In the Pink (2008) e Brand New Day (2015).

DITOS & DESDITOS - A gente não nasce negro, a gente se torna negro. É uma conquista dura, cruel e que se desenvolve pela vida da gente afora. Aí entra a questão da identidade que você vai construindo. Essa identidade negra não é uma coisa pronta, acabada. Então, para mim, uma pessoa negra que tem consciência de sua negritude está na luta contra o racismo. As outras são mulatas, marrons, pardos etc. Pensamento da filósofa, antropóloga, professora, escritora, intelectual, militante do movimento negro e feminista Lélia Gonzalez (1935-1994). Veja mais aqui

ALGUÉM FALOU: Eu temo que estejamos começando a nos mudar para nos adequamos a modelos digitais de nós mesmos, e eu me preocupo que possamos perder empatia e humanidade nesse processo. As redes sociais são tendenciosas, não para a esquerda ou para a direita, mas para baixo. Pensamento do músico e cientista da computação estadunidense Jaron Lanier, um dos precursores da realidade virtual e um dos maiores conhecedores de realidade virtual no mundo, por ser um dos primeiros a estudar o tema e construir produtos de realidade virtual desde o início dos anos 1980.

O ROMANCE ESTÁ MORRENDO? – [...] Com sua “informidade”, seu “prosaísmo, seu caráter não canônico, o romance não ocupa um lugar inferior nesta escala de valores das formas artísticas estabelecida a propósito da substancialidade humana. Não se trata somente do fato de que o romance é uma expressão “adequada” de sua época, que serve à auto-expressão da sociedade burguesa com meios de que a epopéia do tipo antigo não dispunha, pois isto seria limitar-nos a uma resposta digna do relativismo sociológico. Não há dúvida alguma de que Ranke não tinha razão: todas as épocas não são igualmente próximas de Deus. Pelo contrário, o que é especificamente perfeito no romance, este gênero artístico original produzido pela sociedade burguesa, é que comporta, na essência de sua estrutura, todas as categorias que resultam do capitalismo, a primeira sociedade fundada sobre formas de vida “puramente sociais”, que então não são mais, doravante, “naturais”. Toda a “informidade”, todo o caráter “prosaico” do romance, apresentam aproximadamente uma correspondência estrutural com a disformidade do progresso caótico no seio do qual a sociedade burguesa aniquilou as primeiras ilhas de realização da substância humana, trazendo consigo o desenvolvimento infinitamente desigual das forças inerentes. Deste modo, o romance exprime uma etapa de emancipação do homem não somente em seu “conteúdo”, isto é, nas noções coletivas estruturadas por suas categorias, mas também em seu continente, a forma. Essa forma do romance não poderia aparecer sem o surgimento das categorias de sociedade “puramente social”; ora, o nascimento desta sociedade significa um enriquecimento, mesmo levando em conta sua evolução desigual. [...]. Trecho extraído da obra O Romance está morrendo?: contribuição à teoria do romance (Paz e Terra, 1997), do filósofo húngaro Ferenc Fehér (1933-1994).

UM POEMA - O inverno empunha apenas as espadas, / o verão brilha, clubes negros e quentes, / corações de chuva de primavera e shows de outono / Uma queda de diamantes em nosso clima de extremos. Poema do poeta e crítico literário estadunidense John Hollander (1929–2013), que expressa: Um professor de poesia precisa saber e sentir o que é poesia e ser capaz - e isso é crucial - de lê-la em voz alta de maneira eficaz.




TOQUE RETAL, TESTE DA GOMA E A HOMÊNCIA ONDE É QUE FICA?




Gente, uma bronca da porra! Verdade!

Um dia lá eu conheço o poeta doutor Eduardo Caminha, um catarinense, sujeito dos bons & para lá de fuleiro nas zonas mais cabeludas que ficou zoando da minha cara. Induibitavelmente um cidadão cheio das virtudes, só que tem uma coisinha meio que desagradável: ele é proctologista!

Aí, me encontro com ele – tudo por culpa do poetamigo Tchello d´Barros - e no meio da conversa vem o assunto mais chatoso: o exame de próstata. Pode? Quase tenho um troço!

Papo vai, papo vem e falei que fiz o meu exame de próstata por meio de ultrassonografia. Pronto.

Ôxe, o cabra provou por a + b com todas as provas dos 9 que não vale pirocas nenhuma. Danou-se! E eu: de jeito maneira, com a maior cara de tacho.

Confesso: papo desse só fico ronceiro. Tapiando. Cai fora! Tô noutra, ora.

Mas a insistência da conversa me ingicava mais. Blá blá blá. E eu telengotengo. Nem aí.

Como as risadas eram insistentes, passei a desconfiar de chapa porque acho que o negócio dele era mesmo querer botar o dedão dele no meu furico. E, ainda por cima, quis me convencer a todo custo do exame com o toque retal.

Eu olhei pro anular dele e disse logo que ele ia precisar de muito papo, perfume, poesia, carinho e dinheirama para poder aprochegar aquele despropósito na minha cumbuca. E garanti que brigaria até as últimas no meio de pernadas, bofetadas, cacetadas e outras formas de proteção, mesmo que ele viesse com 5 negãos pesados.

- Pode tirar o seu cavalinho da chuva -, disse-lhe já irritadiço –, não haverá lindo do mundo que se ajeite de futucar meu fiofó! Nunca, nunquinha.

Aí que ele se ria. Por isso vi que se tratava de uma zona. E eu:

- Nem morto, meu! Aviso logo: nem lavo o catimbofá direito porque posso pegar uma desacertada briga com uns 5 fortões, e se eles quiserem me desmoralizar, vão correr da catinga que deixo no rastro da rodagem dos fundilhos.




Papo vai, papo vem, mas o pior era o que ainda estava por vir. Sempre assim, né? Foi quando ele desarrumou por vingança geral:

- Olha só, não se engane, meu fio, para evitar problemas de próstata você vai ter que morrer com dois dedos no quiba: um do proctologista e outro do urologista.

Eita! Tá doido, é?

Oxe, pra cima de mim?

Logo eu que deixo o quiba sujo para que ninguém queira se enfiar nele, sabendo dessa, foi de lascar: dois dedos no oiti-goroba, meu? Nunca, nunquinha. Como é que vou passar no teste da goma, hem? Tire o olho gordo do meu furico, ora. Se avie.

Aí, lá vem.

Dia desses peidei e doeu como a porra. O quiba queimou pior rajada saindo e fodendo tudo.

Lasquei-me, pensei.

A namorada do lado disse logo: - tem que cuidar!

- Será que estou com a crise braba de hemorróidas? -, segurei a onda.

Piorava a cada dia, nem podia soltar uma bufazinha de nada que doía tudo. Cagar, nem podia. Sentar, só de ladinho.

A namorada insistia:

- Qualé, rapaz? Não é homem não? Vamos pro medico.

E eu me esquivando, podia ser que a coisa melhorasse por si só.

Depois de 20 dias de sofrimento, fui levado na marra prum proctologista: o Carlinhos Cabus. Olhei logo pros dedos dele. E depois fitei bem nos olhos para ver se havia alguma insinuação na catrevagem toda. Nada. Mandou-me deitar na maca.

- Você tem que arriar as calças para eu poder conferir -, reclamou-me com certa antipatia porque eu não queria tirar a cueca.

Levantei-me angustiado com o frosquete doendo que só e um cara sapecando insistência para eu mostrar a bunda atrepado ali de 4.

Não há constrangimento maior.

Logo eu que tive uma infância vigiada para não ter jeitinhos de baitolagem, cresci com o alarme de ameaça o tempo todo para não desmunhecar, insistência macha para que eu não desse de acender a fluorescente. Avalie.

Meu pai mesmo só me cortava o cabelo de menino no estilo Jacques Demys.

Adolescente, o dedo em riste: você está com jeito de fruita! Eu? E a bronca:

- Não vá pender pra fresco, viu?

Logo eu desde bruguelo achegado às mulheres, como podia?

Bastava o meu cabelo cair nos ombros, os familiares logo sentenciavam:

- Você está com um jeitinho muito delicado de viado!

Era um coral de trocentas vozes.

Destá, mas vamos lá.




Desajeitado, me deitei de lado na maca e senti o dedo do médico se aproximando.

- Tá doendo -, disse logo.

- Mas eu ainda nem toquei para fazer o exame.

Senti que o cara abria minha bunda. Um desgosto!

- Esse é arroxado, não dá pra ver nada -, disse-me sem notar se seria ou não zombaria.

Foi aí que senti o futucado do dedo, gemi.

- Dá não! –, finalizou ele arrancando as luvas.

E sapecou:

- Tem dois furúnculos saindo do seu ânus. Mas não dá para ver nada direito.

Vixe-Maria! Logo dois? De novo essa pinóia? Eita, castigo da gota! E me explicou no amiudado que cada um estava alojado frente a frente, ornando as pregas do meu escape. Tradução: as cabeças-de-prego queriam eram atrapalhar o trânsito da bosta e me deixar com os pentelhos do rabo prontos para começar uma tortura das brabas. E aí? Passou um antibiótico e mandou que tomasse de 6 em 6 horas para poder tratar. Tomei. Mais 5 dias depois, estourou tudo, um meladeiro da porra. Pensei logo que o bicho tinha vazado tudo e que a partir de então a bosta sairia sem controle. E agora?

- Lasquei-me o bocal da quartinha!?!

Quando conferi na cueca, só tinha sangue e pus. Nada de merda.

Tranquilizei, afinal, as pregas do papeiro estavam salvaguardadas. Menos mal.

Incentivado pela namorada, tomei coragem e fui lá de novo!

- Você já está bom, já pode sentar e fazer o que quiser.

Encarei o cara de frente e percebi tratar-se de profissional sério. Mas no meu sofrimento moral, vi logo que tinha que acabar com a frescura da homência e cuidar logo disso. Perdi a vergonha e nem morri. Não sei se passo mais no teste da goma, mas uma coisa eu asseguro: cuidar da saúde é fundamental. Essa coisa de preconceito, oxe, não dá. E vamos aprumar a conversa & tataritaritatá!!!! © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.






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