TATARITARITATÁ: VAMOS APRUMAR A CONVERSA - Literatura, Teatro, Música & Pesquisas de Luiz Alberto Machado (LAM). Show, cantarau, recital, palestras, oficinas, dicas & informações. Contato & Chave Pix: luizalbertomachado@gmail.com
sexta-feira, agosto 09, 2019
MAHMOUD DARWICH, VINICIUS, TRACY EMIN, USINA DE JULIO BELO & PARTE DO VOO
quinta-feira, outubro 19, 2017
VINICIUS, MIGUEL ASTURIAS, ORTEGA Y GASSET, CAMILLE CLAUDEL & RICHARD MARTIN
IARA, IARAVI – Um dia
Fiietó se apaixonou. E ele com a sua força e firmeza no braço, altivez de porte
e agudez de vista, dominava a mataria brava, seguindo a caça e afrontando o
inimigo, aremessando o arco de sua flecha certeira cortando as carreiras ou os
pulos dos animais, abatendo o voo de carniceiros, estava perdidamente
apaixonado. Justo aquele que ao vogar sobre as águas silenciosas do Una, velejava
alteroso, braços abertos e, ao passar junto ao barranco do rio, as brisas
folionas sacudiam os galhos e derramavam uma chuva de flores sobre seus cabelos
negros e todos os peixes, pássaros e demais seres viventes das profundezas e
das margens fluviais, saudavam-no nas suas peripécias. Justo ele, estava
enamorado. Por conta disso, todas as tardes a sua canoa aparecia no poente,
seguindo solitário pelas sombras da noite adentro, pescaria essa que todos
interrogavam pela vigência dos fantasmas noturnos saltarem das profundas dos
infernos para atomentarem seres viventes que jaziam medrosos escondidos nas
suas moradas. Indagavam do intrépido Fiietó se não ouvira os temerosos
presságios pelos ventos gemedores com suas dores que matam, ele quase nem ouvia
sua mãe aos prantos pela audácia do filho de desafiar os gênios malignos que se
aproveitavam da indomável juventude de suas presas nas horas mortas. Contavam pra
ele histórias repetidas vezes de quantos não houveram encontrados insones com
seus olhos fundos e tristes, cotovelos fincados nos joelhos, pernas pendentes
da rede selvagem, aprisionados pela má sorte, pungentemente hipnotizados na
escuridão. Até sua mãe lamentava com enternecidas palavras, meu filho, não vejo
alegria nos seus olhos, só vagos gestos de quem fora picado no coração, aquele
a quem as moças admiravam, os velhos e guerreiros festejavam as astúcias com
seus cantos entoando seu nome que um dia gozaria supremo na mansão dos bravos. O
que está havendo, meu filho? Estou amando, mãe, quero encontrá-la. Não me diga
que é a Iara! Mãe, quero encontrá-la. Não, meu filho, a Iara não, ela envenenou
seu coração? Mãe, eu a vi, eu a vi, mãe, boiando em flor, linda como a lua nas
noites claras, eu vi, mãe, os cabelos de flores, brilho do Sol, era ela, mãe!
Meu filho! As suas faces, mãe, são formosas que ninguém jamais viu! Ela olhou
pra mim, mãe, estendeu-me os braços, repartiu as águas e me levou encantado
pelas estrelas do céu. Meu filho! Foge, meu filho, foge! Aquela que você viu é
a Iara, aquela que canta a agonia e dos seus olhos só a morte espia. Mãe, eu
vi, é linda! A mãe chorava a perda de filho tão valoroso. Não vá, meu filho,
fuja, fuja enquanto pode, foge da Iara. E ele resoluto, pisou na água e começou
a deslizar mansa e tranquilamente, estava decidido, estava verdadeiramente
apaixonado. E todos na tribo caeté viram-no passar como quem vai pescar nas
trevas. E seguia sozinho no espelho das águas. Logo depois, ouviam-se gritos:
Vem ver, gente! Vem ver, corre, gente, vem ver! Todos pararam atônitas à beira
do Rio Una, Fiietó fendendo as águas, braços abertos como se fosse voar, quando
surgiu ao lado do jovem guerreiro, enlaçando-o a beijá-lo, completamente
ensolarada com sua majestade e corpo harmonioso coroado por sua beleza
indescritível de tão grandiosa maravilha, cabelos esvoaçantes e a jurar de amor
por ele, aquela que cativara o seu coração. A Iara! É ela, a Iara! Todos gritavam
estupefatos com a cena, em uníssono: É Iara! É ela mesmo! E todos correram para
acompanhar o trajeto do casal que iluminava todos os arredores, escondendo-se
para não serem flagrados pela deusa. Dali mais um pouco, Fiietó abraçou-a e
beijaram-se ardentemente, provocando faíscas, relâmpagos e trovões vindos dos céus
e retumbando por toda redondeza. Beijavam-se e o amor celebrava a festa dos
amantes, enquanto os nativos fugiam para mais distante, amedrontados com a cena
e tudo que acontecia. Era Iara, na verdade, era Iaravi, a índia caingang que é bela
como as frescas manhãs de Sol nas águas do Una, transformada em Iara para
demonstrar o seu amor e para ser aquela a quem Fiietó, perdidamente apaixonado,
jurava morrer de amor. (Recriação a partir de A Iara (Selva, 1947), de Afonso
Arinos. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui & aqui.Uma mulher ao sol - eis todo o meu desejo
Vinda do sal do mar, nua, os braços em cruz
A flor dos lábios entreaberta para o beijo
A pele a fulgurar todo o pólen da luz.
Uma linda mulher com os seios em repouso
Nua e quente de sol - eis tudo o que eu preciso
O ventre terso, o pêlo úmido, e um sorriso
À flor dos lábios entreabertos para o gozo.
Uma mulher ao sol sobre quem me debruce
Em quem beba e a quem morda e com quem me lamente
E que ao se submeter se enfureça e soluce
E tente me expelir, e ao me sentir ausente
Me busque novamente - e se deixa a dormir
Quando, pacificado, eu tiver de partir...
Extraído do livro Para viver um grande amor (Companhia das Letras, 1984),
sábado, agosto 06, 2016
BACHELARD, VINICIUS, BENCICOVA, NECKER, WEBERN, NELINA, OELZE & VERMEER
sexta-feira, fevereiro 12, 2016
TARSILA DO AMARAL, AULNOY, ANI DIFRANCO & VALSINHA
DITOS &
DESDITOS
Quando olho para
baixo, sinto falta de todas as coisas boas. E quando olho para cima,
simplesmente tropeço nas coisas... Não gosto que minha linguagem seja diluída,
não gosto que minhas arestas sejam arredondadas... Eu não criei este jogo; não
dei nome às apostas. Acontece que eu gosto de maçãs; e não tenho medo de
cobras... A arte é a razão pela qual acordo de manhã, mas a definição termina
aí. Não me parece justo viver por algo que nem consigo definir.
Pensamento da cantora
& compositora estadunidense Ani
DiFranco, um ícone dos
direitos das mulheres e do feminismo.
VALSINHA
Um dia ele
chegou tão diferente do seu jeito de sempre chegar \ Olhou-a dum jeito muito
mais quente do que sempre costumava olhar \ E não maldisse a vida tanto quanto
era seu jeito de sempre falar \ E nem deixou-a só num canto, pra seu grande
espanto convidou-a pra rodar \ Então ela se fez bonita como há muito tempo não
queria ousar \ Com seu vestido decotado cheirando a guardado de tanto esperar \
Depois os dois deram-se os braços como há muito tempo não se usava dar \ E
cheios de ternura e graça foram para a praça e começaram a se abraçar \ E ali
dançaram tanta dança que a vizinhança toda despertou \ E foi tanta felicidade
que toda a cidade se iluminou \ E foram tantos beijos loucos \ Tantos gritos
roucos como não se ouvia mais \ Que o mundo compreendeu \ E o dia amanheceu \ Em
paz.
Música da
parceria de Vinicius de Moares & Chico Buarque. Veja mais da
dupla aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.
FEITIÇOS DE ENCANTAMENTO – [...] Era uma vez uma grande rainha que, tendo dado à luz duas
filhas gêmeas, convidou doze fadas que moravam perto para virem e
presenteá-las, como era o costume naquela época. De fato, era um costume muito
útil, pois o poder das fadas geralmente compensava as deficiências da natureza.
Às vezes, porém, elas também estragavam o que a natureza havia feito de tudo
para aperfeiçoar, como veremos em breve. [...] Embora as fadas fossem bastante ricas, sempre gostaram que as
pessoas lhes dessem algo. Em todo o mundo, esse costume foi transmitido desde
aquela época até os nossos dias, e o tempo não o alterou em nada [...]. Trechos
extraídos da obra Spells Of Enchantment - Wondrous Fairy Tales Of Western
Culture (Viking Adult, 1991), da escritora farncesa Madame Aulnoi (Marie-Catherine Le Jumel de Barneville,
Baronesa d'Aulnoy – 1652-1705), que ficou famosa por seus contos de fadas e por
uma conspiração acompanhada por sua mãe e cúmplices, que proporcionou a acusação
de crime de lesa-majestade do barão d’Aulnoy, passível de pena de morte. Preso,
o marido barão foi solto e os amigos dela foram condenados à decapitação por
calúnia. Com o malogro da conspiração, a baronesa perpetrou uma fuga em circunstâncias
rocambolescas, por uma escada secreta e refugiando-se sob o cadafalso de uma
igreja. Constrangida pelo exílio, ela viajou pela Europa para escapar da condenação.
Já
no seu livro Fiabe d'Amore (Giunti, 2013), ela expressou que: [...] Seus olhos roubavam corações, e sua doçura os mantinha
presos. [...].
HILDA HILST, HANNAH CRITCHLOW, DANIELLE STEEL & ONILDO ALMEIDA
Imagem: Acervo ArtLAM . Fábula hodierna ... - Dois irmãos uterinos, duas irmãs órfãs consanguíneas. Assim: Prometeu brechava fascín...
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A FEBRE DA PAIXÃO – I - Em tua carne febril de manhãs amorosas a libertação do poema pelo canto que ensaio presente em meu querer desp...
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SUJEITO, INDIVÍDUO, QUEM? - Imagem: Emigrantes , do pintor, escultor e gravurista Lasar Segall (1891-1957) – O Doro estava ingicado c...
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Imagem: Capriccio with a Bridge , do pintor italiano Francesco Guardi (1712-1793) Curtindo o álbum Najljepše ljubavne pjesme ...
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PACIÊNCIA – A belíssima canção Paciência , uma parceria musical de Lenine e Dudu Falcão, traduz uma reflexão intro-extrospectiva dos ...

























