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terça-feira, maio 21, 2019

KEATS & FANNY, LAING, JANE CAMPION & ALEXANDER ARCHIPENKO


FANNY, O TESTEMUNHO DERRADEIRO – Agora o meu testemunho derradeiro: compartilho definitivamente meu sofrimento com esta ode, para que meu sangue seja a vida na corrente do seu coração que esvoaça ubíquo por todo meu corpo e lugar. Você mudou a minha vida e aliviou meu coração com sua presença para começar meu sonho. A sua beleza é a música que respira a alegria brilhante na queimadura amorosa do meu peito e rechaça a minha dor sufocante na esperança do seu amor. Eu sei, um homem apaixonado é a mais triste figura do mundo, estou à sua mercê, deslumbrado com a sua confessa mão macia a premiar minha vida subjugada, tudo é gracioso em seus movimentos, voa em todas as direções dos meus sentidos. Sou apenas um aprendiz de cirurgião que desistiu da saúde para ser poeta, um pobre poeta que vive do nosso grande segredo e dele sobrevivo a enlouquecer, minha doce Fanny. Para você, a miniatura do meu retrato e todos os meus poemas e cartas que são seus, porque os seus mil beijos estarão sempre comigo. Só você é o meu prazer, minha docê Fanny, minha bela dama Sans Merci, a vida do meu amor confinado, cavaleiro desmontado pelos infortúnios, desassossegado, não há nada no mundo tão delicado, meu credo é o amor e você é seu único princípio, na paixão submetida a uma quarentena, chafurdando desesperado em autopiedade. Com a minha partida as autoridades sanitárias queimarão toda minha mobília, rasparão as paredes do meu quarto para novas portas, janelas e chão, meus poemas entre labaredas, minhas cartas incendiadas, ah, meus olhos se fecharão com você em mim, doce Fanny, que plantem margaridas sobre minha sepultura! © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo & mais aquiaqui.

DITOS & DESDITOS:
[...] A existência é uma chama que constantemente ataca e revivifica as nossas teorias. O pensamento existencial não oferece qualquer segurança,nenhum abrigo ao sem-abrigo. Não se dirige a ninguém, salvo a vocês e a mim. Encontra a sua justificação quando, por cima do abismo das nossas linguagens, dos nossos erros, dos nossos devaneios e das nossas perversidades, fazemos, na comunicação com outrem, a experiência de uma relação estabelecida, perdida, destruída ou reencontrada. Esperamos partilhar a experiência de uma relação, mas o único ponto de partida honesto (e talvez o único fim) é talvez partilhar a experiência da ausência de relação. [...].
Trecho extraído da obra A psiquiatria em questão (Presença, 1972), do psiquiatra escocês Ronald David Laing (1927-1989), que na sua obra O eu dividido (Vozes, 1978), expressa que: [...] o principal agente na integração do paciente, no fazer com que as peças se reunam de modo coerente, é o amor do médico, um amor que lhe reconhece o ser total e o aceita sem quaisquer limitações. [...]. Ele também é autor de obras tais como A política da experiência: a ave do paraíso (Vozes, 1978), Fatos da vida (Nova Fronteira, 1982), Laços (Vozes, 1977), O eu e os outros: o relacionamento interpessoal (Vozes, 1989), Percepção interpessoal (Eldorado, 1972), A política da família (Martins Fontes, 1983), entre outros. Veja mais aqui e aqui.

BRIGHT STAR
Fosse eu imóvel como tu, astro fulgente!
Não suspenso da noite com uma luz deserta,
A contemplar, com a pálpebra imortal aberta,
– Monge da natureza, insone e paciente –
As águas móveis na missão sacerdotal
De abluir, rondando a terra, o humano litoral,
Ou vendo a nova máscara – caída leve
Sobre as montanhas sobre os pântanos – da neve,
Não! mas firme e imutável sempre, a descansar
No seio que amadura de meu belo amor,
Para sentir, e sempre, o seu tranquilo arfar
Desperto, e sempre, numa inquietação-dulçor,
Para seu meio respirar ouvir em sorte,
E sempre assim viver, ou desmaiar na morte.
(Soneto Bright Star, de John Keats)
O drama Bright Star (Brilho de uma Paixão, 2009), da cineasta neozelandesa Jane Campion, é baseado nos três últimos anos de vida do poeta do Romantismo inglês John Keats (1795-1821), focando seu relacionamento amoroso entre os anos de 1818-1821, com a inglesa Fanny Brawne (1800-1865), interpretado pela atriz australiana Abbie Cornish. O poeta por ela se apaixonou e se casaram em 18 de outubro de 1819, mantendo o enlace em segredo, porque ele havia desistido de sua carreira na medicina e passou a se dedicar somente à poesia, fato que levou a família dela a se opor. Separados por conta das dificuldades financeiras e saúde precária do poeta, eles trocaram correspondências mútuas. Veja mais aqui e aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte do escultor e artista plástico ucraniano Alexander Archipenko (1887-1964). 
Veja mais aquiaqui.
&
A OBRA DE JOHN KEATS
Eu sou a morte, trilhada sob os pés de uma bela dama.
A obra do poeta do Romantismo inglês John Keats (1795-1821) aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.


sexta-feira, fevereiro 12, 2016

TARSILA DO AMARAL, AULNOY, ANI DIFRANCO & VALSINHA


TODO DIA É DIA DA MULHER: TARSILA DO AMARAL - A pintora brasileira Tarsila do Amaral (1897-1973), começou a estudar pintura em 1917, seguindo para Paris, em 1920, para estudar na Academie Julien, ocasião em que estruturou uma personalidade artística a partir das influências cubistas, oportunizando a sua participação, em 1922, no Salão dos Artistas Franceses. Acompanhada de Blaise Cendrars, percorreu o Brasil e assimilou a tradição barroca brasileira às teorias e práticas cubistas, criando uma pintura denominada de Pau-Brasil, inspirando o movimento de mesmo nome e a obra de Cândido Portinari, integrando-se ao movimento modernista. Veja mais aqui, aqui e aqui.

 

DITOS & DESDITOS

Quando olho para baixo, sinto falta de todas as coisas boas. E quando olho para cima, simplesmente tropeço nas coisas... Não gosto que minha linguagem seja diluída, não gosto que minhas arestas sejam arredondadas... Eu não criei este jogo; não dei nome às apostas. Acontece que eu gosto de maçãs; e não tenho medo de cobras... A arte é a razão pela qual acordo de manhã, mas a definição termina aí. Não me parece justo viver por algo que nem consigo definir.

Pensamento da cantora & compositora estadunidense Ani DiFranco, um ícone dos direitos das mulheres e do feminismo.

 

VALSINHA

Um dia ele chegou tão diferente do seu jeito de sempre chegar \ Olhou-a dum jeito muito mais quente do que sempre costumava olhar \ E não maldisse a vida tanto quanto era seu jeito de sempre falar \ E nem deixou-a só num canto, pra seu grande espanto convidou-a pra rodar \ Então ela se fez bonita como há muito tempo não queria ousar \ Com seu vestido decotado cheirando a guardado de tanto esperar \ Depois os dois deram-se os braços como há muito tempo não se usava dar \ E cheios de ternura e graça foram para a praça e começaram a se abraçar \ E ali dançaram tanta dança que a vizinhança toda despertou \ E foi tanta felicidade que toda a cidade se iluminou \ E foram tantos beijos loucos \ Tantos gritos roucos como não se ouvia mais \ Que o mundo compreendeu \ E o dia amanheceu \ Em paz.

Música da parceria de Vinicius de Moares & Chico Buarque. Veja mais da dupla aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

 

FEITIÇOS DE ENCANTAMENTO – [...] Era uma vez uma grande rainha que, tendo dado à luz duas filhas gêmeas, convidou doze fadas que moravam perto para virem e presenteá-las, como era o costume naquela época. De fato, era um costume muito útil, pois o poder das fadas geralmente compensava as deficiências da natureza. Às vezes, porém, elas também estragavam o que a natureza havia feito de tudo para aperfeiçoar, como veremos em breve. [...] Embora as fadas fossem bastante ricas, sempre gostaram que as pessoas lhes dessem algo. Em todo o mundo, esse costume foi transmitido desde aquela época até os nossos dias, e o tempo não o alterou em nada [...]. Trechos extraídos da obra Spells Of Enchantment - Wondrous Fairy Tales Of Western Culture (Viking Adult, 1991), da escritora farncesa Madame Aulnoi (Marie-Catherine Le Jumel de Barneville, Baronesa d'Aulnoy – 1652-1705), que ficou famosa por seus contos de fadas e por uma conspiração acompanhada por sua mãe e cúmplices, que proporcionou a acusação de crime de lesa-majestade do barão d’Aulnoy, passível de pena de morte. Preso, o marido barão foi solto e os amigos dela foram condenados à decapitação por calúnia. Com o malogro da conspiração, a baronesa perpetrou uma fuga em circunstâncias rocambolescas, por uma escada secreta e refugiando-se sob o cadafalso de uma igreja. Constrangida pelo exílio, ela viajou pela Europa para escapar da condenação. Já no seu livro Fiabe d'Amore (Giunti, 2013), ela expressou que: [...] Seus olhos roubavam corações, e sua doçura os mantinha presos. [...].


PSICOPATOLOGIA: A CONSCIÊNCIA E SUAS ALTERAÇÕESCONSCIÊNCIA: Para Paim (1993), a consciência é um complexo de fenômenos psíquicos elementares ou complicados, afetivos e intelectivos, que se apresentam na unidade de tempo e que permitem conhecimento do próprio eu e do mundo exterior. O termo consciência, para Dalgalarrondo (2008), origina-se da junção de dois vocábulos latinos: cum (com) e scio (conhecer), indicando o conhecimento compartilhado com outro e, por extensão, o conhecimento “compartilhado consigo mesmo”, apropriado pelo indivíduo. As definições de consciência, segundo Dalgalarrondo (2008), são consideradas sobre três aspectos: 1 - A definição neuropsicológica emprega o termo consciência no sentido de estado vígil (vigilância), o que, de certa forma, iguala a consciência ao grau de clareza do sensório. Consciência aqui é fundamentalmente o estado de estar desperto, acordado, vígil, lúcido. Trata-se especificamente do nível de consciência. 2. A definição psicológica a conceitua como a soma total das experiências conscientes de um indivíduo em determinado momento. Nesse sentido, consciência é o que se designa campo da consciência. É a dimensão subjetiva da atividade psíquica do sujeito que se volta para a realidade. 3. A definição ético-filosófica é utilizada mais frequentemente no campo da ética, da filosofia, do direito ou da teologia. O termo consciência refere-se à capacidade de tomar ciência dos deveres éticos e assumir as responsabilidades, os direitos e os deveres concernentes a essa ética. Assim, a consciência ético-filosófica é atributo do homem desenvolvido e responsável, engajado na dinâmica social de determinada cultura. Trata-se da consciência moral ou ética. Do ponto de vista da psicologia, segundo Paim (1993) é um processo de coordenação e de síntese da atividade psíquica. Nesse processo se encontra a consciência do eu, como conhecimento que se tem da existência como individualidade distinta das demais coisas do mundo, e da consciência dos objetos, significado tudo que é apreendido ou que se encontra, em dado mento, no campo da consciência, seja uma percepção, uma representação ou um conceito. A consciência subjetiva é a propriedade de serem os fenômenos conscientes conhecidos pelo individuo. A consciência objetiva por seu conteúdo, que se reflete no plano subjetivo sob a forma de percepções, representações e conceitos. Ao campo da consciência chega também uma série de sensações cinestésicas que orientam o individuo sobre a própria personalidade. A consciência é um todo único e indivisível. O INCONSCIENTE - O inconsciente, para Paim (1993) designa os processos nervosos que escapam inteiramente ao conhecimento pessoal, como a maior das regulações orgânicas; em sentido amplo, é tudo quanto num determinado momento escapa à consciência, sem diferenciar entre o subconsciente e o inconsciente essencial; e no sentido de Freud, qualifica os processos dinâmicos que atuam eficazmente sobre a conduta sem que atinjam a consciência. Em psicologia, o inconsciente é empregado como adjetivo para qualificar determinado fato psicológico que escapa ao conhecimento do individuo, sendo, pois, o conjunto de processos psicológicos que estão fora da consciência. A maior parte da vida anímica se desenvolve no inconsciente. O inconsciente, segundo Dalgalarrondo (2008), funciona regido pelo princípio do prazer por meio do processo primário em forma de condensação e  deslocamento. É isento de contradições mútuas e não possui referência ao tempo: 1. Atemporalidade = No inconsciente, não existe tempo; ele é atemporal. Os processos inconscientes não são ordenados temporalmente, não se alteram com a passagem do tempo, não têm qualquer referência ao tempo.  2. Isenção de contradição = no sistema inconsciente, não há lugar para negação ou dúvida, nem graus diversos de certeza ou incerteza. Tudo é absolutamente certo, afirmativo. 3. Princípio do prazer = o funcionamento do inconsciente não segue as ordens da realidade, submete- se apenas ao princípio do prazer. Toda a atividade inconsciente visa evitar o desprazer e proporcionar o prazer, independentemente de exigências éticas ou realistas. A busca do prazer se dá por meio da descarga das excitações, diminuindo-se ao máximo a carga de excitações no aparelho psíquico. 4. Processo primário = as cargas energéticas (catexias) acopladas às representações psíquicas, às ideias, são totalmente móveis. A repressão, para Paim (1993), é um processo que se inicia na primeira infância, sob a influencia dos princípios éticos dominantes no ambiente, perdurante durante toda a vida do individuo. O inconsciente contém apenas as partes da personalidade que poderiam ser conscientes se o processo da cultura não as tivesse reprimido. Para Paim (1993), existem dois tipos de inconsciente: um latente, capaz de tornar-se consciente; e outro reprimido, que não é, em si próprio e sem mais trabalho, capaz de tornar-se consciente. ALTERAÇÕES DA CONSCIÊNCIA - As alterações da consciência – patologia – são devidas a perturbações da atividade fisiológica dos hemisférios cerebrais. Para Dalgalarrondo (2008), a obnubilação ou turvação da consciência é o rebaixamento da consciência em grau leve a moderado. Para Paim (1993) os estados patológicos da consciência são obnubilação, coma, delírio oniróide, amência ou confusão mental, estados crepusculares e onirismo. OBNUBILAÇÃO - A obnubilação da consciência é um desvio mórbido do curso normal dos processos psíquicos. Caracteriza-se, essencialmente, pela diminuição do grau de clareza do sensório, com lentidão da compreensão, dificuldade da percepção e da elaboração das impressões sensoriais. Os processos psíquicos são fragmentários e os sentimentos muito imprecisos, sem que possam conduzir à execução de qualquer ato volitivo.  A obnubilação da consciência representa um sintoma obrigatório na maior parte dos transtornos mentais sintomáticos. Nesses casos, a obnubilação tem valor de sintoma objetivo, visto que ela se reflete na expressão fisionômica da conduta do enfermo. COMA - Para Dalgalarrondo (2008), o coma é o grau mais profundo de rebaixamento do nível de consciência. No estado de coma, não é possível qualquer atividade voluntária consciente. Além da ausência de qualquer indício de consciência, os seguintes sinais neurológicos podem ser verificados: movimentos oculares errantes com desvios lentos e aleatórios, nistagmo, transtornos do olhar conjugado, anormalidades dos reflexos oculocefálicos (cabeça de boneca) e oculovestibular (calórico) e ausência do reflexo de acomodação. Para Paim (1993), o coma, em grego quer dizer sono profundo, é o estado mais acentuado de perda da consciência, que se acompanha, geralmente, de perturbações neurológicas e somáticas gerais. O enfermo conserva apenas a vida vegetativa, estando bastante alterados, de acordo com a intensidade do estado, os automatismos reflexos da vida de relação. No estado comatoso a consciência se acha profundamente alterada ou quando abolida, tanto assim que o enfermo não dispõe da capacidade de se manter aberto ao mundo externo e, desse modo, ter consciência do vivo. Os estados de coma são observados em todas as formas diretas ou indiretas de lesão cerebral. DELÍRIO ONIRÓIDE – Para Paim (1993), o delírio oniróide é uma síndrome observada no curso de doenças febris, intoxicações crônicas e enfermidades cerebrais orgânicas. Em sua fase de pleno desenvolvimento, caracteriza-se por estes sintomas fundamentais: obnubilação da consciência, desorientação e alucinações. Após uma fase premonitória, de curta duração, em que o doente apresenta mal-estar, sono inquieto, sensações imprecisas, intranquilidade, cefaleia e hiperestesia, surge no quadro clinico a excitação psicomotora. A percepção do mundo exterior está completamente deformada pelas ilusões. As reações afetivas são muito vivas e adequadas ao conteúdo da consciência. O enfermo participa ativamente das cenas produzidas pela imaginação, as quais, geralmente, são angustiosas. O delírio oniróide apresenta-se no curso de enfermidades tóxicas e infecciosas. AMÊNCIA - A amência ou confusão mental é uma perturbação caracterizada principalmente por turvação mais ou menos acentuada da consciência, acompanhada de fenômenos de excitação psicomotora. É uma manifestação sintomática que se desenvolve de forma aguda com um quadro de confusão fantástica, acompanhada de transtornos ilusórios e alucinatórios, e inquietação motora. O quadro clínico corresponde em grande parte à loucura alucinatória do puerpério. A amência aparece nas doenças infeccionais e evolui para cura dentro de poucas semanas. ESTADOS CREPUSCULARES - Os estados crepusculares, segundo Dalgalarrondo (2008), são os estados patológicos transitórios nos quais uma obnubilação da consciência (mais ou menos perceptível) é acompanhada de relativa conservação da atividade. Nos estados crepusculares, há, portanto, estreitamento transitório do campo da consciência, afunilamento da consciência (que se restringe a um círculo de ideias, sentimentos ou representações de importância particular para o sujeito acometido), com a conservação de uma atividade psicomotora global mais ou menos coordenada, permitindo a ocorrência dos chamados atos automáticos. Para Paim (1993), os estados crepusculares são um estreitamento transitório da consciência, com a conservação de uma atividade mais ou menos coordenada. Acompanha-se de falsa compreensão da situação. Em geral, a percepção do mundo exterior é imperfeita ou de todo inexistente. Em alguns casos é possível observar a presença de alucinações e ideias deliroides. A conduta do enfermo durante o episódio pode parecer ordenada, principalmente quando a obnubilação da consciência não é muito acentuada. Costumam desaparecer rapidamente, mas em alguns podem durar muitos dias, apresentando-se e terminando de modo súbito, acompanhando-se de amnesia em relação às vivências acessuais. ONIRISMO - O onirismo é empregado para designar os estados de sonho patológico, caracterizado pela predominância extraordinária das representações imaginadas sobre as perturbações sensoriais e sensitivas, que são acentuadamente deformadas e amplificadas. No onirismo muitas imagens aparecem como nitidamente alucinatórias, isto é, com uma contribuição sensorial nula, mesmo quando são experimentadas como estéticas. O problema se coloca então na origem dessas estasias. Os estados de onirismo costumam apresentar-se nas perturbações mentais exógenas e na esquizofrenia. ALTERAÇÕES DA CONSCIÊNCIA DO EU - As alterações da consciência do eu são relacionadas com a identidade pessoal, incluindo-se os transtornos de êxtase, vivência de transformação do eu. ÊXTASE - O êxtase representa o mais elevado grau do sentimento vital. É a vivência de sentir-se fora-de-si, uma transformação da consciência do eu e da consciência do mundo que, em estado normal, se caracteriza pelo conhecimento das limitações da própria existência pela individualização do confinamento em um corpo e uma consciência individual. Como fenômeno psicopatológico é observado em alguns enfermos histéricos e esquizofrênicos. Na maior parte dos casos de êxtase psicogênico muito contribui para a autossugestão. O êxtase é observado com maior frequência em enfermos histéricos e mais raramente na esquizofrenia. A VIVÊNCIA DE TRANSFORMAÇÃO DO EU - A vivência de transformação do eu são sentimentos de transformação intima e interna, de metamorfose dos pensamentos e sentimento, como algo vago e indefinido do eu empírico e sente o seu eu mudado ou transformado sobrevém a vivencia de transformação da própria pessoa, que consiste no fato de que o enfermo já não pensa, não sente e nem age como antes, pois experimentou uma profunda mutação de sua personalidade, fenômeno observado no inicio da esquizofrenia. O mesmo pode ocorrer em alguns quadros neuróticos, quando o paciente se queixa de experimentar sentimentos de transformação dos traços característicos de sua individualidade, especialmente durante o tratamento pela psicoterapia. TRANSITIVISMO - O transitivismo é o fenômeno que consiste em o enfermo sentir-se transformado em outra pessoa. Em psicopatologia, o termo serve para designar as alterações observadas em alguns enfermos, que consistem no desaparecimento da relação entre o corpo e os objetos do meio exterior. trata-se da impossibilidade de estabelecer a distinção entre aquilo que é próprio do individuo e aquilo que pertence ao meio exterior. POSSESSÃO - A possessão, segundo Paim (1993) é a alteração da consciência do eu caracterizada pelo fato de individuo sentir-se possuído por entidades sobrenaturais, especialmente, espíritos ou pelo demônio. Possui um caráter universal e é explicado em termos de sugestão e como resultado de múltiplos desdobramentos do eu. A crença em espíritos desempenha papel importante no aparecime3nto da possessão, sendo, portanto, através da provocação artificial da possessão, o homem primitivo até certo ponto apossou-se dela para procurar voluntariamente a presença consciente do metafisico, e o desejo de gozar essa consciência da presença divina oferecendo forte incentivo para cultivar estados de possessão. Na clinica, observa-se que a possessão é acompanhada do sentimento de desdobramento da personalidade e se manifesta em sua forma típica no delírio e possessão demoníaca. As manifestações de possessão são encontradas habitualmente nos médiuns espíritas e os casos que chegam ao hospital psiquiátrico estão relacionados com enfermos histéricos e epilépticos. Existem casos de possessão demoníaca em enfermos que havia padecido de encefalite letárgica. TRANSE - Para Dalgalarrondo (2008) é o estado de dissociação da consciência que se assemelha a sonhar acordado, diferindo disso, porém, pela presença de atividade motora automática e estereotipada acompanhada de suspensão parcial dos movimentos voluntários. O estado de transe ocorre em contextos religiosos e culturais (espiritismo kardecista, religiões afro-brasileiras e religiões evangélicas pentecostais e neopentecostais). Os estados de transe e possessão culturalmente contextualizados e sancionados são fenômenos muito difundidos nas várias culturas em todo o mundo, vistos, na atualidade, como um recurso religioso e sociocultural que permite às pessoas, sobretudo às mulheres, lidar com as dificuldades da vida por meio de estratégias religiosas socialmente legitimadas. ESTADOS SEGUNDOS - Para Dalgalarrondo (2008) é o estado patológico transitório semelhante ao estado crepuscular, caracterizado por uma atividade psicomotora coordenada, a qual, entretanto, permanece estranha à personalidade do sujeito acometido e não se integra a ela. Para Paim (1993), os estados segundos é uma alteração da consciência vigil que surge em consequência de acontecimentos desagradáveis. O enfermo vivencia estados de consciência alternantes, correspondentes a duas personalidades distintas: a consciente e a inconsciente ou reprimida, sem que uma conserve lembrança da outra. CONVICÇÃO DE INEXISTÊNCIA PESSOAL - A convicção de inexistência pessoal é uma convicção do próprio corpo ou de certos órgãos, ou de que o enfermo não se encontra vivo e sim morto. O paciente apresenta uma forma de aniquilamento da própria corporalidade. Encontra-se essa anomalia em enfermos esquizofrênicos ou em casos de depressão grave. ALCOOLISMO - Os transtornos mentais alcoólicos ou embriaguez patológica observam-se habitualmente alterações da consciência. Nos casos graves, verificam-se a obnubilação muito acentuada, alucinações e impulsos patológicos. No delirium de abstinência alcoólica, além do cortejo sintomático constituído pelas alucinações visuais e táteis, desorientação alopsiquica, ideias deliroides e alterações de humor, notam-se profundas alterações do sensório. A síndrome de Korsakov acompanha-se de ligeira obnubilação da consciência. EPILEPSIA - Na epilepsia observam-se as alterações características da consciência. A supressão rápida da consciência é uma das mais frequentes formas de inicio da crise generalizada. A ausência se caracteriza, essencialmente, pela perda súbita e momentânea da consciência. ESQUIZOFRENIA - Nos casos de esquizofrenia, observam-se alguns sintomas típicos como a vivência de transformação do eu. Verifica-se, ainda, no transitivismo, que representa um sintoma de primeira ordem para o diagnóstico da enfermidade. EXPERIÊNCIA DE QUASE-MORTE – Segundo Dalgalarrondo (2008), a experiência de quase-morte, EQM (near death experience –NDE) é um estado especial de consciência é verificado em situações críticas de ameaça grave à vida, como parada cardíaca, hipóxia grave, isquemias, acidente automobilístico grave, entre outros, quando alguns sobreviventes afirmam ter vivenciado as chamadas experiências de quase-morte (EQM). São experiências muito rápidas (de segundos a minutos) em que um estado de consciência particular é vivenciado e registrado por essas pessoas. ALTERAÇÕES NORMAIS DA CONSCIÊNCIA - O sono normal. Para Dalgalarrondo (2008), o sono é um estado especial da consciência, que ocorre de forma recorrente e cíclica nos organismos superiores. É também, ao mesmo tempo, um estado comportamental e uma fase fisiológica normal e necessária do organismo. Dividem-se as fases do sono em duas, o sono sincronizado, sem movimentos oculares rápidos (sono NREM), e o sono dessincronizado, com movimentos oculares rápidos – rapid eye movements (sono REM). O SONHO – Para Dalgalarrondo (2008), o sonho, fenômeno associado ao sono, pode ser considerado uma alteração normal da consciência. É, sem dúvida, uma experiência humana fascinante e enigmática. Os sonhos são vivências predominantemente visuais, sendo rara a ocorrência de percepções auditivas, olfativas ou táteis. Veja mais aqui, aqui e aqui.
REFERÊNCIAS
DALGALARRONDO, Paulo. Psicopatologia e semiologia dos transtornos mentais. Porto Alegre: Artmed, 2008.
PAIM, Isaías. Curso de psicopatologia. São Paulo: EPU, 1993.

PROTEÇÃO DO CONSUMIDOR NO COMÉRCIO ELETRÔNICO – Para tratar sobre este assunto num trabalho acadêmico, faz-se conveniente efetuar uma revisão da literatura por meio de uma abordagem histórica da proteção das relações de consumo, o CDC como lei de ordem pública e de interesse social, a defesa do consumidor como direito fundamental, a relação de consumo no comércio eletrônico, a responsabilidade no âmbito civil e a formação dos contratos eletrônicos, conceito e objeto dos contratos celenrados na internet, classificação dos contratos, legislação, direito de arrependimento, princípios da proteção, princípio da vulnerabilidade e da hipossufiência, princípio da boa-fé objetiva e da transparência e da informação, destacando-se a importância do sistema nacional de defesa do consumidor, as regulações administrativas dos serviços públicos, composição e competência dos órgãos e aplicabilidade das sanções administrativas. Veja mais aqui e aqui.


Veja mais sobre:
Cikó Macedo & Santa Folia, James Joyce, Marilena Chauí, Charles Darwin, Auguste Rodin, Henri Matisse, Arto Lindsay, Frank Capra, Mademoiselle George, Donna Reed, Revista Acervum, Graça Graúna & Irina Costa aqui.

E mais: 
Walter Smetak, Costa-Gavras, Burrhus Frederic Skinner, Herbert George Wells, George Bernard Shaw, Ivan Petrovich Pavlov, Olga Benário, Kazimir Malevich, Pegada de Carbono, Camila Morgado & muito mais aqui.
James Joyce, Ayn Rand, Enrique Simonet, Lenine, Alina Zenon, Elisa Lucinda, Paula Burlamaqui & O sonho de Orungan aqui.
Platão, Literatura Pernambucana, As várias vidas da alma, Padre Bidião & Oração do Justo Juiz, Serpente de Asas, Educação, Psicologia & Sociologia, Responsabilidade Civil & Crimes Ambientais aqui.
As mulheres soltam o verso: Joyce Mansour, Elizabeth Barret Browning, Lya Luft, Laura Amélia Damous, Ana Terra, Gerusa Leal, Rosa Pena, Lilian Maial, Clevane Pessoa, Branca Tirollo, Mariza Lourenço, Xênia Antunes, Soninha Porto, Aíla Sampaio & muito mais aqui.
Psicologia no Brasil, Armélia Sueli Santos, Carmen Queiroz, Bárbara Rodrix, Verônica Ferriani, Paula Moreno & Liz Rosa aqui.
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sexta-feira, fevereiro 13, 2015

VANIA VARGAS, ANNA DEAVERE, TATIANA NICULESCU & RITA RUDNER

 


OS PECADOS DA MARICICA DE TANACU... – Aquela jovem bela nasceu em Perieni e, ainda muito jovem na Romênia, teve sua vida revolvida pela tragédia: o pai se suicidara e a família desfeita. Ela foi prum orfanato em Arad. Ao adolescer começou a trabalhar de babá na Alemanha e, depois, para uma outra família de Banat. Uma amiga do orfanato tornou-se freira e ela foi visita-la, ocasião em que foi encorajada a seguir o mesmo caminho. Ponderou: a falta de trabalho e as dificuldades materiais levavam os jovens à vocação religiosa. Ela precisava de ajuda espiritual, afora comida e abrigo. Tornou-se então freira, o claustro em Tanacu - uma comunidade isolada de cerca de mil pessoas em uma área montanhosa cultivada com vinhedos e milho. De repente os sussurros começaram na sua mente acusando-a de pecadora. O seu estado mental se deteriorou durante uma missa. Foi encaminhada a um hospital psiquiátrico, recebendo tratamento de esquizofrênica por duas semanas, sendo liberada para os cuidados do mosteiro. O irmão a condenava por sofrer de possessão demoníaca, dizendo, inclusive, que viu o diabo entrar nela. Noutro dia ela insultou a igreja durante uma missa e foi amordaçada sob a alegação de que seria salva daquele temperamento incomum por meio de orações, a medicina não poderia curá-la: Os demônios não podem ser curados com pílulas. Se tratava do diabo e não de um distúrbio psíquico... Ela teve uma recaída e, na comemoração da Ascensão de Jesus, foi acorrentada e levada para o centro da igreja para ser ungida, porque diziam: Ela poderia ter se matado ou matado outra pessoa... Sua testa e pulso ungidos com óleo sagrado e mantida ali por três dias, molhavam seus lábios com água benta, sob orações para expulsar o diabo. Depois levada para o seu quarto e desamarrada, tida por curada. Qual não, para quem foi sequestrada pelo padre para o monastério Santa Trinidad e com a ajuda de quatro freiras, amarraram suas mãos e pernas, taparam sua boca e foi mantida refém e torturada, completamente imobilizada, acorrentada em uma cruz de madeira. Ela não aguentou os requintes de crueldade e desmaiou, sofreu um infarto: brutalmente morta ao ser exorcizada. Diziam que ela estava possuída por espíritos demoníacos: demonstrava constantemente comportamentos violentos, rejeitando água benta e espumando pela boca. Tudo em nome da Ordem da Santíssima Trindade em um quarto úmido do convento por três dias sem comida. Diagnóstico: morte causada por insuficiência aguda cardiorrespiratória e asfixia mecânica, com traumas físicos e desidratação. Ela sofria de esquizofrenia e com uma letal overdose de adrenalina durante o socorro na ambulância: um duplo assassinato. As marcas das correntes em seus pulsos e tornozelos. O padre ouvira trovões no seu sadismo e dissera: A vontade de Deus foi feita... Foram seis dias sem comida nem água, até que aos vinte três anos de idade, sucumbia de vez Maricica Irina Cornici (1982-2005). Veja mais abaixo e mais aqui e aqui.

 


DITOS & DESDITOS - Sempre fico impressionada com o poder da mente humana de reter todos os tipos de detalhes, enquanto situações e eventos que selam nosso destino são completamente esquecidos... O melhor sabor da comida da vida é, sem dúvida, o humor... Pensamento da escritora romena Tatiana Niculescu (Tatiana Niculescu Bran), autora da obra Deadly Confession - Spovedanie la Tanacu (Humanitas, 2006), contando a tragédia da jovem Maricica Irina Cornici, levado para o cinema sob o premiado título Beyond the hills (2012), dirigido por Cristian Mungiu. Ela também é autora do romance As noites do patriarca (2011) e Na terra de Deus (2012), este último uma história africana sobre o ritual de mutilação genital de meninas.

 

ALGUÉM FALOU: Neuróticos constroem castelos no ar, psicóticos vivem neles. Minha mãe os limpa... Algumas pessoas acham que ter seios grandes torna uma mulher estúpida. Na verdade, é bem o oposto: uma mulher com seios grandes torna os homens estúpidos... Pensamento da comediantescritora estadunidense Rita Rudner. Veja mais aqui e aqui.

 

FALE COMIGO: OUVINDO NAS ENTRELINHAS - [...] Acho que podemos aprender muito sobre uma pessoa no exato momento em que a linguagem falha com ela. No exato momento em que ela tem que ser mais criativa do que imaginaria para se comunicar. É o exato momento em que ela tem que cavar mais fundo do que a superfície para encontrar palavras e, ao mesmo tempo, é um momento em que ela quer muito se comunicar. Ela está cavando fundo e projetando ao mesmo tempo. [...]. Trecho extraído da obra Talk to Me: Listening Between the Lines (Random House. 2000), da dramaturga e atriz estadunidense Anna Deavere Smith, que na obra Letters to a Young Artist: Straight-up Advice on Making a Life in the Arts-For Actors, Performers, Writers, and Artists of Every Kind (Vintage, 2006), expressou que: […] Nós que estamos nas artes corremos o risco de estar em um concurso de popularidade em vez de uma profissão. Se esse fato lhe causa desespero... escolha outra profissão. Seu desejo de se comunicar deve ser maior do que seu relacionamento com as realidades caóticas e injustas... Temos que criar nossos próprios padrões de disciplina […] Comprometa-se a encontrar a verdadeira natureza da arte. Vá atrás daquela coisa que ninguém pode lhe ensinar. Vá atrás daquela comunhão, daquela comunhão real com sua alma, e da disciplina de expressar aquela comunhão com os outros. Isso não vem da competição. Isso vem de ser um com o que você está fazendo [...] Até o ciúme é baseado em fantasias: a fantasia de que outra pessoa tem o que lhe pertence. [...] Meu trabalho não é adquirir poder; é questionar o poder. [...]. Veja mais aqui e aqui.

 

DOIS POEMAS - A BALADA DE BONNIE PARKER - Não, \ o que você vê não é nem mesmo a sombra do meu lado selvagem \ Eu poderia ter sido Bonnie Parker \ com essa vontade de espiar pela janela \ para fugir constantemente, \ assistir o passado se destruir \ como as cidades noturnas fazem \ quando o espelho retrovisor treme\ Eu também sonhei com uma vida perigosa \ colecionando histórias \ Sonhei com as vezes que escapei da morte \ mostrando as cicatrizes que os \ dias deixaram para trás\ Eu a vejo e me vejo \ com minha altura média \ Eu me vejo escrevendo poemas ruins \ com saudades da minha mãe \ Eu me vejo saindo dos caminhos perigosos \ mirando o futuro na cabeça \ sempre sorrindo\ Eu poderia ter sido Bonnie Parker \ se não fosse porque eu me agarro \ às costas daqueles \ que nunca \ andarão ao meu lado nas estradas\ A vida ainda está lá fora \ e eu não a alcanço\ O que você vê aqui \ ainda não são cicatrizes\ Dê-me um tempo \ e eu lhe contarei sobre como sobreviver \ sem que minhas palavras se desintegrem. II - Minha mãe às vezes passa as tardes \ relembrando, assistindo a fitas antigas \ que ainda funcionam em um aparelho \ que treme e reclama como um velho \ antes de passar uma história de faz de conta.\ Aquela menina \ que para momentaneamente \ diante das cenas vertiginosas \ que minha mãe diz que sou eu \ ou pelo menos aquela que queriam que eu fosse \ cabelos longos presos por duas tranças \ testa larga \rosto pequeno e limpo/ corado e sardento \ os mesmos olhos \ fixos numa grande pinhata \ que prometia/ como a vida promete \ algo que achávamos colorido e doce \ Um menino \ que eu não consigo ver \ porque seus olhos estão cobertos \ balança primeiro \ e a piñata balança\ outro balanço \ ele rasga\ mais um \ e transborda\ Eu teria corrido como os outros \ se não fosse pela mão do meu pai \ e sua voz severa\ me dizendo\ Não você\ você é uma menina grande agora \ ele abaixa a câmera \ e nesse movimento minha confusão desaparece \ como a confusão dele vinte anos depois \ quando ainda temos dificuldade \ em concordar. Poemas da escritora, editora e jornalista guatemalteca Vania Vargas, autora de obras tais como Cuentos infantiles (Catafixia, 2010), Quizá ese día tampoco sea hoy (Cultura 2010), Los habitantes del aire (Cultura 2014) e Señas particulares y cicatrices (Catafixia, 2015).

 

SACADOUTRAS

 

PSICOPATOLOGIA & MEMÓRIA - A memória, para Dalgalarrondo (2008), é a capacidade de registrar, manter e evocar as experiências e os fatos já ocorridos. A capacidade de memorizar relaciona-se intimamente com o nível de consciência, com a atenção e com o interesse afetivo. Os processos da memória são codificação, armazenamento e recuperação. TIPOS DE MEMÓRIA – Para Dalgalarrondo (2008), os tipos de memória são: cognitiva, genética, imunológica, coletiva ou cultural. Memória cognitiva (psicológica), que permite ao indivíduo registrar, conservar e evocar, a qualquer momento, os dados aprendidos da experiência. A memória cognitiva é composta de três fases ou elementos básicos: Fase de registro (percepção, gerenciamento e início da fixação) Fase de conservação (retenção) Fase de evocação (também denominada de lembranças, recordações ou recuperação). Memória genética (genótipo): conteúdos de informações biológicas adquiridos ao longo da história filogenética da espécie, contidas no material genético (DNA, RNA, cromossomos, mitocôndrias) dos seres vivos. Memória imunológica: informações registradas e potencialmente recuperáveis pelo sistema imunológico de um ser vivo. Memória coletiva ou cultural: conhecimentos e práticas culturais (costumes, valores, habilidades artísticas e estéticas, preconceitos, ideologias, estilo de vida, etc.) produzidos, acumulados e mantidos por um grupo social minimamente estável. FATORES PSICOLÓGICOS DO PROCESSO DE MEMORIZAÇÃO - Dalgalarrondo (2008) assinala que do ponto de vista psicológico, o processo de fixação (engramação) depende de: nível de consciência e estado geral do organismo (o indivíduo deve estar desperto, não muito cansado, bem-nutrido, calmo, etc.); atenção global e capacidade de manutenção de atenção concentrada sobre o conteúdo a ser fixado (capacidade do indivíduo concentrar-se); sensopercepção preservada; interesse e colorido emocional relacionado ao conteúdo mnêmico a ser fixado, assim como do empenho do indivíduo em aprender (vontade e afetividade); conhecimento anterior (elementos já conhecidos ajudam a adquirir elementos novos); capacidade de compreensão do conteúdo a ser fixado; organização temporal das repetições (distribuição harmônica e ritmada no tempo auxilia na fixação de novos elementos); canais sensoperceptivos envolvidos na percepção, já que, quanto maior o número de canais sensoriais, mais eficaz a fixação (p. ex., o método audiovisual de ensino de línguas). A conservação (retenção) dos elementos mnêmicos depende de: repetição (pois, de modo geral, quanto mais se repete um conteúdo, mais facilmente este se conserva); associação com outros elementos (cadeia de elementos mnêmicos). A evocação é a capacidade de recuperar e atualizar os dados fixados. Esquecimento é a denominação que se dá à impossibilidade de evocar e recordar. Segundo Dalgalarrondo (2008), oesquecimento (o oposto da evocação) se dá por três vias: esquecimento normal, fisiológico: por desinteresse do indivíduo ou por desuso; esquecimento por repressão: quando se trata de conteúdo desagradável ou pouco importante para o indivíduo, podendo, no entanto, o sujeito, por esforço próprio, voltar a recordar certos conteúdos reprimidos (que ficam estocados no préconsciente); e esquecimento por recalque: certos conteúdos mnêmicos, devido ao fato de serem emocionalmente insuportáveis, são banidos da consciência, podendo ser recuperados apenas em circunstâncias especiais (ficam estocados no inconsciente). Segundo a lei de Ribot, o indivíduo que sofre uma lesão ou doença cerebral, sempre que esse processo patológico atinge seus mecanismos mnêmicos de registro e recordação, tende a perder os conteúdos da memória (esquecimento) seguindo algumas regularidades: o sujeito perde as lembranças e seus conteúdos na ordem e no sentido inverso que os adquiriu; consequência do item anterior, ele perde primeiro elementos recentemente adquiridos e, depois, os elementos mais antigos; perde primeiro elementos mais complexos e, depois, os mais simples; perde primeiro os elementos mais estranhos, menos habituais e, só posteriormente, os mais familiares; primeiramente, perde os conteúdos mais neutros; depois, perde os elementos afetivos e, apenas no fim, os hábitos e os comportamentos costumeiros mais profundamente enraizados no repertório comportamental e mental. O reconhecimento é a capacidade de identificar o conteúdo mnêmico como lembrança e diferenciá-la da imaginação e de representações atuais. FASES OU TIPOS DE MEMÓRIA - Dalgalarrondo (2008) observa que em relação ao processo temporal de aquisição e evocação de elementos mnêmicos, a neuropsicologia moderna divide a memória em quatro fases ou tipos: imediata ou de curtíssimo prazo, recente ou de curto prazo, remota ou de longo prazo. A memória imediata ou de curtíssimo prazo (de poucos segundos até 1 a 3 minutos). Este tipo de memória confunde-se com a atenção e com a memória de trabalho (que será vista adiante), pois é a capacidade de reter o material (palavras, números, imagens, etc.) imediatamente após ser percebido. A memória imediata tem capacidade limitada e depende da concentração, da fatigabilidade e de certo treino. As memórias imediata e de trabalho dependem sobretudo da integridade das áreas pré-frontais. A memória recente ou de curto prazo (de poucos minutos até 3 a 6 horas). Refere-se à capacidade de reter a informação por curto período. Também é um tipo de memória de capacidade limitada. A memória recente depende de estruturas cerebrais das partes mediais dos lobos temporais, como a região CA1 do hipocampo, do córtex entorrinal, assim como do córtex parietal posterior. A memória remota ou de longo prazo (de meses até muitos anos). É a capacidade de evocação de informações e acontecimentos ocorridos no passado, geralmente após muito tempo do evento (pode durar por toda a vida). É um tipo de memória de capacidade bem mais ampla que a imediata e a recente. Acredita-se que a memória remota relaciona-se tanto ao hipocampo (no processo de transferência de memórias recentes para remotas) como a amplas e difusas áreas corticais, principalmente frontais, incluindo todos os outros lobos cerebrais, sobretudo em suas áreas corticais de associação. ALTERAÇÕES DA MEMÓRIA – As alterações da memoria são classificadas em quantitativas e qualitativas. ALTERAÇÕES QUANTITATIVAS – As alterações quantitativas compreendem a hipermnesia, a hipmnesia e a amnesia. A HIPERMNESIA – Conforme Paim (1993), a hipermnesia ocorre quando se evocam lembranças casuais com mais vivacidade e exatidão que ordinariamente, ou quando se recordam particularidades que comumente não surgem. Não existe na realidade aumento da memoria; verifica-se apenas maior facilidade na evocação, limitada habitualmente a períodos específicos, a eventualidades específicas ou a experiências realizadas com afetos particularmente intensos. As hipermnésias, para Dalgalarrondo (2008), são as representações (elementos mnêmicos) afluem rapidamente, em tropel, ganhando em número, perdendo, porém, em clareza e precisão. A hipermnésia traduz mais a aceleração geral do ritmo psíquico que uma alteração propriamente da memória. A HIPOMNESIA – A hipomnesia, para Paim (1993), é a diminuição do numero de lembras evocáveis na unidade de tempo. A AMNÉSIA – A amnesia, segundo Paim (1993), é a desaparição completa das representações mnêmicas correspondentes a um determinado tempo da vida do individuo. Denomina-se amnésia, para Dalgalarrondo (2008), a perda da memória, seja a da capacidade de fixar ou a da capacidade de manter e evocar antigos conteúdos mnêmicos. A amnésia anterógrada designa a amnesia que se refere aos fatos transcorridos depois da causa determinante do distúrbio, como sinônimo de perturbação da fixação. Ocorre nos casos de ofuscamento da consciência, nos estados de agitação, na síndrome de Korsakov. Os doentes com amnesia anterógrada não podem relembrar os fatos recentes, conservando entretanto a capacidade para recordar acontecimentos do passado mais remoto. Observa-se como fato geral que os defeitos pronunciados da fixação se acompanham frequentemente de fabulações. Na amnésia anterógrada, Dalgalarrondo (2008) identifica que o indivíduo não consegue mais fixar elementos mnêmicos a partir do evento que lhe causou o dano cerebral. A amnésia anterógrada é um distúrbio-chave e bastante frequente na maior parte dos distúrbios neurocognitivos. A amnesia retrógrada refere-se à perda da memoria dos fatos ocorridos antes de um insulto cerebral (traumatismos cranianos, apoplexia, ictus paralítico, eclampsia, tentativas e enforcamento, intoxicação por óxido de carbono, embriaguez grave) e que se estende a dias ou semanas para trás da lesão. Consiste habitualmente, na perda da memoria relativa a um espaço de tempo limitado: algumas horas, dias, mais raramente semanas ou anos. Em alguns casos, a amnesia retrógrada pode compreender todos os acontecimentos anteriores da vida do enfermo. Segundo Dalgalarrondo (2008), na amnésia retrógrada, o indivíduo perde a memória para fatos ocorridos antes do início da doença (ou trauma). Sua ocorrência sem amnésia anterógrada pode ser observada em quadros dissociativos (psicogênicos), como a amnésia dissociativa e a fuga dissociativa. A amnesia retroanterógrada é a que se refere aos fatos ocorridos antes e depois da causa determinante. Trata-se de uma alteração simultânea da fixação e da evocação. Encontra-se nos casos graves de demências orgânicas, de amência e de traumatismo cranioencefálicos. Se é de instalação súbita e total, privando o individuo da capacidade de compreensão e de orientação no tempo e no espaço, toma o nome de psicorrexe. A amnesia transitória se caracteriza pela incapacidade de fixar acontecimentos recentes. Os enfermos conservam a capacidade de evocação, porém revelam transtornos da orientação têmporo-espacial, fabulações e perseveração. A amnesia lacunar ocorre nos casos de traumatismos cranioencefálicos. Esta perda de memória esteve na razão inversa do tempo que decorreu entre as ações e a queda, e a volta da memoria operou-se numa ordem determinada, do mais longínquo para o mais próximo. ALTERAÇÕES QUALITATIVAS – Para Paim (1993), os transtornos qualitativos da memória de evocação denominam-se de paramnésias, as quais são divididas em ilusões mnêmicas, alucinações mnêmicas, fabulações, fenômeno do já visto, cruotomnesia e ecmnesia. As ilusões mnêmicas são constituídas pela formação das lembranças em virtude do acréscimo de elementos falsos ao núcleo da imagem mnêmica, razão pela qual esta adquire o caráter de lembrança fictícia. Segundo Dalgalarrondo (2008), nas ilusões mnêmicas há o acréscimo de elementos falsos a um núcleo verdadeiro de memória. Por isso, a lembrança adquire caráter fictício. Muitos pacientes informam sobre o seu passado indicando claramente deformação de lembranças reais. Ocorre na esquizofrenia, na paranóia, na histeria grave, nos transtornos da personalidade (borderline, histriônica, esquizotípica, etc). As alucinações mnêmicas são as criações imaginativas com aparência de reminiscência, que não correspondem a nenhuma imagem de épocas passadas. Segundo Dalgalarrondo (2008), as alucinações mnêmicas são verdadeiras criações imaginativas com a aparência de lembranças ou reminiscências que não correspondem a qualquer elemento mnêmico, a qualquer lembrança verdadeira. Podem surgir de modo repentino, sem corresponder a qualquer acontecimento. Ocorrem principalmente na esquizofrenia e em outras psicoses funcionais. As fabulações consistem no relato de coisas fantásticas que, na realidade, nunca aconteceram. Em grande parte, resultam de uma alteração da fixação e de uma incapacidade para reconhecer como falsas as imagens produzidas pela fantasia. Segundo Dalgalarrondo (2008), as fabulações (ou confabulações), os elementos da imaginação do doente ou mesmo lembranças isoladas completam artificialmente as lacunas de memória, produzidas, em geral, por déficit da memória de fixação. Além do déficit de fixação, o doente não é capaz de reconhecer como falsas as imagens produzidas pela fantasia. As fabulações (ou confabulações) são invenções, produtos da imaginação do paciente, que preenchem um vazio da memória. O paciente não tem intenção de mentir ou enganar o entrevistador. É possível produzi-las, direcioná-las ou estimulá-las ao perguntar ao doente se ele lembra de um encontro há dois anos, em um bar de seu bairro, ou perguntando-lhe o que fez no domingo anterior (ou na noite passada). As fabulações são entendidas como um déficit de “monitoração da realidade”. Ocorrem frequentemente na síndrome de Korsakoff, secundária ao alcoolismo crônico, associado a déficit da tiamina (vitamina B1), traumatismo craniano, encefalite herpética, intoxicação pelo monóxido de carbono, etc. A síndrome de Korsakoff é caracterizada por déficit intenso de memória de fixação (sobretudo do tipo episódica), que geralmente vem acompanhado de fabulações e desorientação temporoespacial. O fenômeno do já visto consiste no fato de o individuo ter a impressão de que a vivencia atual foi experimentada no passado. A criptomnésia é um falseamento da memória em virtude do qual as lembranças perdem suas qualidades e aparecem ao paciente como fatos novos. A ecmnesia consiste na revivescência muito intensa, às vezes de duração breve, de lembranças anteriores que pareciam esquecidas. Esses indivíduos podem perder a identidade atual e vivem as cenas evocadas como se estivessem recolocados na época de sua existência em que elas sucederam. Veja mais aqui, aqui & aqui.

REFERÊNCIAS
DALGALARRONDO, Paulo. Psicopatologia e semiologia dos transtornos mentais. Porto Alegre: Artmed, 2008.
PAIM, Isaías. Curso de psicopatologia. São Paulo: EPU, 1993.


Imagem: Nu, óleo sobre tela, do artista plástico Vicente Caruso (1912-1986).

Ouvindo Us (1992), álbum do músico inglês Peter Gabriel. Veja mais aqui.


DIA MUNDIAL DO RÁDIO – A radiodifusão surgiu como desdobramento, em novo campo, da aplicação da radioeletricidade. Para seu desenvolvimento contribuíram cientistas e técnicas de muitos países, com seus estudos sobre o eletromagnetismo. E quando este surgiu, já os continentes estavam ligados por cabos transoceânicos. Em 1860, James C. Maxwell (1831-1879) previu as ondas de rádio, que viriam a chamar-se ondas hertzianas, do nome de Henrich Rudolf Hertz (1857-1894), que as descobriu e nelas identificou, em 1887, propriedades semelhantes às ondas luminosas. Pouco depois, Edouard Branly abriu caminho às radiocomunicações, concebendo um aparelho graças ao qual foi possível assinalar a presença das ondas elétricas de Hetz. No Brasil, a primeira emissão radiofônica oficial teve lugar no Rio de Janeiro, em 7 de setembro de 1922, como parte das comemorações do centenário da independência. Uma estação de 500 watts, montada no alto do Corcovado, pela Westinghouse Eletric International, em combinação com a Companhia Telefônica Brasileira, irradiou músicas e um discurso do presidente Epitácio Pessoa, ouvido com surpresa pelos visitantes da Exposição Internacional do Rio de Janeiro, através de oitenta receptores vindos dos USA, que haviam sido distribuídos às autoridades ou instalados em pontos centrais da cidade. Desde então, a radiodifusão vem passando por uma séria transformação. Tendo, com orgulho, a profissão de radialista filiado ao Sindicato dos Radialistas de Pernambuco, evidentemente que nesta data, faço a minha saudação. Viva o Rádio! Veja mais aquiaqui.

A INJUSTIÇA REINA, UMA MULHER MORTA - A ceifeira portuguesa Catarina Efigénia Sabino Eufémia, ou simplesmente, Catarina Eufémia (1928-1954), era analfabeta, mãe de três filhos e participante de um reivindicação por aumento de salário e, aos vinte e seis anos de idade, foi assassinada a tiros pelo tenente Carrajola, da Guarda Nacional Republicana. Com a autópsia constatou-se que os tiros foram à queima roupa pelas costas. Por isso, as autoridades temendo reação popular, providenciaram a realização do funeral às escondidas e de forma apressada. Na saída antecipada, a população invadiu com protestos sendo reprimida violentamente pelas forças policiais, resultando em espancamentos de trabalhadores rurais de Baleizão. O enterro foi levado sob escolta policial para Quintos, dez quilômetros do local, sendo seus restos mortais trasladados apenas em 1974. O assassino jamais fora julgado, falecendo em 1964. O brutal assassinato da trabalhadora personificou a resistência ao regime salazarista, adotada pelo Partido Comunista Português. Em sua homenagem, a poeta portuguesa Sophia de Mello Breyner Anderson (1919-2004) escreveu-lhe o poema: O primeiro tema da reflexão grega é a justiça /E eu penso nesse instante em que ficaste exposta / Estavas grávida porém não recuaste / Porque a tua lição é esta: fazer frente / Pois não deste homem por ti / E não ficaste em casa a cozinhar intrigas / Segundo o antiquíssimo método obíquo das mulheres / Nem usaste de manobra ou de calúnia / E não serviste apenas para chorar os mortos / Tinha chegado o tempo / Em que era preciso que alguém não recuasse / E a terra bebeu um sangue duas vezes puro / Porque eras a mulher e não somente a fêmea / Eras a inocência frontal que não recua / Antígona poisou a sua mão sobre o teu ombro no instante em que morreste / E a busca da justiça continua. Veja mais aquiaqui.

DE PROFESSORES E ALUNOS – No segundo volume da coleção Mil platôs: capitalismo e esquizofrenia, do filósofo francês Gilles Deleuze (1925-1995) e do filósofo, psicanalista e militante revolucionário francês Félix Guattari (1930-1992), é tratada a temática dos postulados da linguística e sobre alguns regimes de signos. No que concerne à relação professor x aluno, os autores expressam que: [...] A professora não se questiona quando interroga um aluno, assim como não se questiona quando ensina uma regra de gramática ou de cálculo. Ela "ensigna", dá ordens, comanda. Os mandamentos do professor não são exteriores nem se acrescentam ao que ele nos ensina. Não provêm de significações primeiras, não são a consequência de informações: a ordem se apoia sempre, e desde o início, em ordens, por isso é redundância. A máquina do ensino obrigatório não comunica informações, mas impõe à criança coordenadas semióticas com todas as bases duais da gramática (masculino-feminino, singular-plural, substantivo-verbo, sujeito do enunciado-sujeito de enunciação etc). A unidade elementar da linguagem — o enunciado — é a palavra de ordem. Mais do que o senso comum, faculdade que centralizaria as informações, é preciso definir uma faculdade abominável que consiste em emitir, receber e transmitir as palavras de ordem. [...] As palavras não são ferramentas; mas damos às crianças linguagem, canetas e cadernos, assim como damos pás e picaretas aos operários. Uma regra de gramática é um marcador de poder, antes de ser um marcador sintático. Veja mais aqui, aquiaqui.

ANIMAIS QUE PLANTAM GENTE & CERRADO CAPITAL - A escritoramiga e ambientalista Sandra Fayad é criadora de uma Horta Comunitária na Asa Norte (DF), após catorze anos de experiência com o cultivo de ervas medicionais e condimentos em um sítio no Lago. O foco do seu trabalho literário é resultante da observação e da efetiva atuação junto ao meio ambiente. Sobre essa temática, ela publicou o seu primeiro livro Animais que plantam gente (LGE, 2008) e Cerrado Capital: a vida em duas estações (ArteLetras, 2011). No seu segundo livro, destaco o poema Rainha do Cerrado: Sou árvore de raiz profunda, / primogênita da valentia, / meus galhos finos, contorcidos / enfrentam ventos, com galhardia. / Sou rainha gerada no cerrado, / nascida na seca do inverno, / crescida no aguaceiro do verão / pela graça do Padre Eterno. / Vem ser meu ipê na primavera, / pintar de roxo, rosa e amarelo, / essa amor que já foi quimera. / Acredita na paixão que te revelo. / Liberta-me da maldita espera / e acorrenta-me a ti, elo por elo. Veja mais aqui.



AMERICAN BEAUTY – O premiadíssimo filme American Beauty (Beleza Americana, 1999), dirigido e roteirizado por Sam Mendes, escrito por Alan Ball e música de Thomas Newman, ganhou quase todos os Oscars de 2000: melhor filme, melhor diretor, melhor roteiro original, melhor fotografia e melhor ator. Trata-se de uma sátira sobre as noções de beleza e satisfação pessoal, sendo inspirado no julgamento de Anny Fisher, em 1992. Pra mim, o melhor mesmo foi o destaque do papel desenvolvido pela atriz e modelo norte-americana Mena Suvari, numa das cenas inesquecíveis da película.  Veja mais aqui.

 

HOMENAGEM ESPECIAL

Como todo dia é dia da mulher, hoje também é dia da Professora Universitária Janne Eyre Melo Sarmento. Veja mais aqui.


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