
PICADINHO
Imagem
Leda
And The Swan, do pintor
austríaco Hans Makart (1840-1884).
Curtindo o álbum She Was Too Good to Me (CTI Records, 1974), do trumpetista e cantor
de jazz estadunidense Chet Baker
(1929-1988).
EPÍGRAFE – Do poeta inglês John Keats (1795-1821): Não
existe nada estável no mundo; tumulto é a nossa única música. [...] Se a poesia não vier tão naturalmente como
folhas em uma árvore, seria melhor que não viesse. Veja mais aqui, aqui e
aqui.
ENFIM...
O INÍCIO – No livro Fatos: a tragédia do conhecimento em
psicanálise (Imago, 1989), do psiquiatra e psicanalista Paulo Cesar Sandler, encontro que: Quando uma intuição é seguida, um sentimento
é sentido, quando um pensamento é agarrado pelo seu pensador, existe a dor, pelo
menos parcialmente ligada a uma escolha. Todos os outros sentimentos, todos os
outros pensamentos são perdidos. Existe dor quando se abandonam certas ilusões
de onipotência. Experimentar sentimentos de amor traz consigo o risco de
excluir algumas contrapartidas que são sinônimos de prazer. além disso, amar
implica dar, o que pode renovar a dor caso prevaleça a voracidade. Não estou
sugerindo que a pessoa tenha de alucinar o seio para sentir que está sendo
alimentada, mas aquele que não pode intuir e fantasiar o seio e só recebe leite
concreto também não pode se perceber alimentado. Uma busca interminável de
coisas e objetos concretos no mundo externo é a consequência. [...]. Veja
mais aqui e aqui.
DOS
CONFLITOS ENTRE O CORPO E A FÉ RELIGIOSA – O livro O leopardo
(Abril, 1979), do escritor italiano Giuseppe
Tomasi, o príncipe de Lampedusa
(1896-1957), traça um panorama da evolução social da Sicília durante a segunda
metade do século XIX, tratando a decadência de uma família aristocrática. Da
obra destaco o trecho: [...] Sou um
pecador, sei-o, e duas vezes: perante a lei divina e perante o amor humano de
Stella. E disso não pode haver dúvidas [...] É verdade que peco, mas peco para pôr termo ao pecado, para não
continuar a excitar-me, para arrancar este espinho que me atormenta a carne,
para não ser levado a cometer maiores pecados. O Senhor sabe-o bem. [...] Sou fraco e ninguém me ajuda. Stella!
Diga-me a verdade! O Senhor sabe como a amei: casamos aos vinte anos. Mas ela
agora é tão tirânica e tão velha! Ainda sou um homem vigoroso; como posso,
pois, contentar-me com uma mulher que na cama, antes de apertá-la nos meus
braços, faz sempre o sinal-da-cruz e que, depois nos momentos de maior emoção
não sabe dizer mais do que: Jesus-Maria! Quando casamos, quando ela tinha
dezesseis anos, tudo isto me exaltava, mas agora... Tive sete filhos dela,
sete, e nunca lhe vi o umbigo. Será isto justo? [...]. Veja mais aqui.
SONETO
DA BAHIA – Na obra do poeta brasileiro Gregório de Matos Guerra (1633-1696), muitas
de suas poesias se destacam, inclusive este soneto que fala da realidade da
Bahia à sua época: A cada canto um
grande conselheiro / que nos quer governar cabana, e vinha, / não sabem
governar sua cozinha, / e podem governar o mundo inteiro. / E cada porta um
frequentado olheiro, / que a vida do vizinho, e da vizinha / pesquisa, escuta,
espreita, e esquadrinha, / para levar à Praça, e ao Terreiro. / Muitos mulatos
desavergonhados, / trazidos pelos os homens nobres, / posta nas palmas toda a
picardia. / Estupendas usuras nos mercados, / todos, os que não furtam, muito
pobres, / e eis aqui a cidade da Bahia. Veja mais aqui e aqui .
TEATRO
RENASCENTISTA - - Na
obra Teatro Vivo (Civita, 1976),
organizada por Sábato Magaldi, encontro que: Desde o final da Idade Média, as grandes casas senhoriais contratavam
seus próprios atores em substituição aos antigos menestréis. Nas datas
festivas, sobretudo no Natal e nos casamentos, esses comediantes domésticos
encenavam peças especialmente escrita para a ocasião. Mesmo quando se organizavam
em companhias independentes, continuavam respeitando a relação de serviço, pois
submetendo-se ao patronato ganhavam proteção contra a animosidade das
autoridades da cidade. Além disso, recebiam uma pequena anuidade e somas extras
quando representavam na casa do amo. Os atores domésticos são herdeiros direto
dos menestréis e bobos da corte e estabelecem o elo com os artistas
profissionais da Renascença, do Barroco e da Idade Moderna. Com a gradual
decadência das velhas famílias e o progressivo fortalecimento do poder real, os
comediantes tiveram a principio de se sustentar por si mesmos. No entanto, a
centralização da vida cultural e palaciana em cidades como Florença, Londres,
Madri e Paris serviu de poderoso incentivo para a formação de companhias regulares
de teatro. os países europeus – uns mais, outros menos – achavam-se então em
plena Renascença, quando as artes começaram a se emancipar dos dogmas
eclesiásticos para se ligar intimamente à filosofia humanista. O teatro sofreu
de alguma forma essa evolução, embora o drama religioso despontasse ainda com
certa insistência na obra de portugueses, como Gil Vicente e de autores
espanhóis do chamado Século de Ouro (XVI e XVII), entre eles Diego Sanchez de
Badajoz, Juan de Timoneda, Lope de Vega, Tirso de Molina, Mira de Amescua,
Josef de Valdivielso, Calderón de La Barca e o próprio Miguel de Cervantes. Veja
mais aqui e aqui.
O
CINEMA E A TELEVISÃO –
No livro O novo mundo das imagens
eletrônicas (70, 1985), de Guido e Teresa Aristarco, o cineasta italiano Franco Zeffirelli, deu o seguinte
depoimento: Ninguém parece dar-se conta
de que, depois de decênios de maravilhosas ilusões e de legitimas esperanças, a
televisão (ou, mais precisamente, o consumismo televisivo) está a fazer das
nossas ilusões e das nossas esperanças carne para canhão. Quotidianamente,
assistimos ao massacre, ignaros ou, pior, cegos, estúpidos. Perseguimos as
nossas ilusões. E entretanto, os toalhetes Lines intrometem-se prepotentemente
nas nossas sofridas narrativas, tolhem as palavras das nossas personagens, um
pensamento dos seus olhos, interrompem uma fantasia, um sonho, para nos
recordarem que vivemos num mundo de patrocínios, de computadores, de
executivos. Remetem-nos para a realidade mais aviltante, mais humilhante. Desta
trágica situação, ninguém ousou ainda falar. Estamos todos preocupados em fazer
boa figura perante os outros e em falar do sexo dos anjos enquanto Roma está a
arder. E entretanto, o cinema acaba por ficar irremediavelmente à mercê do
consumo eletrônico, de um passatempo televisivo. E continuará a manter de pé
meritórias estações televisivas para delícia digestiva dos deserdados,
desiludidos com a TV do estado, que nunca vieram um filme de Fellini e que
agora podem gozá-lo na santa paz das suas casas. E durante a publicidade – pelo
menos – podem ir à casa de banho, ou meter os filhos na cama, ou dar uma
olhadela à panela da sopa para amanhã, que ferve em cima do fogão. E veja
mais aqui e aqui.
IMAGEM DO DIA
A arte do
fotógrafo belga Willy Kessels
(1898-1974).
DEDICATÓRIA
O desenvolvimento humano só existirá se a
sociedade civil afirmar cinco pontos fundamentais: igualdade, diversidade,
participação, solidariedade e liberdade.
A edição de hoje é dedicada ao Natal Sem
Fome, criada pelo sociólogo Herbert de
Souza, o Betinho (1937-1977), na Ação da Cidadania Contra a Fome e a
Miséria e Pela Vida. Veja aqui, aqui e aqui.
AS PREVISÕES DO DORO PARA 2016
LEITORA TATARITARITATÁ