PICADINHO
Imagem: Hoje é comemorado o dia de
nascimento de Freya, a senhora das Valquírias. Na mitologia nórdica, ela é a
deusa do amor, sexualidade, beleza, fertilidade, ouro, guerra e morte. É a dona
do colar Brísingamen, com seu javali do lado, seu manto de penas de falcão e
montando uma carruagem puxada por dois gatos. Ela com seus vários nomes governa
a vida após a morte e atua no auxilio da fertilidade e do amor.
Curtindo o álbum Sinfonia
nº 10 – Ameríndia (1954 – Naxos, 2011), do compositor e maestro Heitor Villa-Lobos (1887-1959), com a
Orquestra e coro Osesp, sob a regência do maestro Isaac Karabtchevsky. Veja
mais aqui.
EPÍGRAFE – He
jests at scars that never felt a wound, frase da tragédia Romeu e Julieta (1597), do poeta,
dramaturgo e ator inglês William
Shakespeare (1564-1616). Tradução: Zomba das cicatrizes quem nunca foi
ferido. Veja mais aqui e aqui.
O
ACERVO DAS LEIS TRANSCENDENTAIS
– O matemático e astrônomo Johannes
Kepler (1571-1630), é com justiça considerado o pai da astronomia moderna,
autor das três leis transcendentais, a primeira de que as orbitas dos planetas
em torno do Sol são elipses, nas quais o Sol ocupa um dos focos; a segunda, no
movimento de cada planeta, as áreas varridas pelo raio vector que une o planeta
ao Sol, são proporcionais ao tempo gasto para percorrê-las; e a terceira, os
quadrados dos tempos das revoluções siderais dos planetas são proporcionais aos
cubos dos grandes eixos de suas órbitas. Do copioso acervo de teorias e
sistemas deixados por Kepler, muitos levariam anos para serem devidamente
compreendidos e esclarecidos. Dentre eles, cita-se sua observação de que as velocidades
dos astros aumentam em relação direta à proximidade de seu ponto de atração –
conforme elucidado pela lei da gravitação e posteriores observações do cosmo.
De modo aproximativo, Kepler assegura que tais velocidades são inversamente
proporcionais às raízes quadradas daquelas distancias. Essas observações
abririam largo caminho para futuros estudos sobre força e massa inerte. Veja
mais aqui .
CONTOS
DOS BOSQUES DE CURITIBA
– No livro de contos O vampiro de
Curitiba (Record, 1965), do escritor Dalton Trevisan, encontro
Contos dos bosques de Curitiba: Nelsinho encostou a porta, encurralada a moça no canto:–É hoje. Roçou a
sombra do lábio, a espinha na asa do nariz. Ela voltou-lhe a face: beijoua
ferozmente na boca. Fechou a porta, empurrando-a com o pé. Certa que iriam
ficar nos toques e blandícias, pendurou-se ao seu pescoço. Pousou a mão no
peitinho, ela se encolheu: vergonha do seio pequeno? Era dona experiente, sem
provocála nã o conseguia nada: – Duvido seja carne – é borracha! –Não faça
isso. Vem gente. –Suspirosa, pesando cada vez mais no seu ombro. –Se vem gente?
O herói estendeu a mão, deu volta à chave: – Vem não. Arquejante, estalou os
dois colchetes, ergueu-lhe a blusa. Ela que baixou o sutiã. Surgiram dois
bocados cor-de-rosa: – Nunca vi coisinha mais linda! Ai, mãezinha do céu,
aquilo sim era seio –dois de uma vez, sem mentira. Se apertasse o biquinho
espirrava leite? Brasão de família, ela confidenciou que o da mãe era mais
bonito. – Depressa. Vem gente. Risinho abafado, queixou-se de cócega. – Que
maravilha – a mão cheia, ele sopesava o fruto. – Ó perfeição da natureza! Ares
de distraída, olho ausente no teto: – Sou nervosa. Hoje estou fria. – Como é
que você gosta? – Sem inspiração eu não posso. – Ah, é... Beijava-a raivoso,
lábio inchado de mordida. Ela titilou a língua no céu da boca. O herói, sem
sair do lugar, descreveu duplo salto mortal. Deslizou a mão no joelho, debaixo
da saia cinza. Magra, usava anágua. Assustadiça, arregalou o olho: – Não. Não.
Aqui não. –Seja boba. Conversinha em sussurro, na ânsia louca do mais cobiçado
prêmio da terra. –Querido, pode vir alguém. Na última resistência, vencida pela
surpresa. Levantou-lhe a anágua e viu –o que ele viu? Babados, brincos e rendas
da ilha da Madeira. – Ai, você me machuca. Da vacina contra varíola, queixou-se
de íngua no braço. – Já faço benzedura de íngua. A bela soltou o botão da saia
e correu o fecho. Agora de blusa e anágua. Sem blusa. Sem anágua, desfeita aos
pés. Magrinha e branca, dava pena – deitou-a no sofá de couro vermelho.
–Espere, meu bem. Ela derrubou o sapato, raspando na beirada o calcanhar. De
joelho no tapete, Nelsinho babujou-lhe o seio. –Me olhe. Abra o olho. Toda
trêmula, escondeu o rosto no seu ombro: –Sinto vergonha. Gemido abafado de
terror: – Tenha pena de mim! –Juro que... Quem me dera um espelho, uma
almofada, um anel mágico. – ...não faço mal. Sem inspiração, a bela
enterrou-lhe a unha no pescoço: – Me beije. Ai, meu amor – e rilhando com fúria
os dentes. – Ai, me beije. Veja mais aqui e aqui.
AS
JANELAS & DESDE AS NOVE
- No livro Poemas (Nova Fronteira, 1982), do poeta grego Konstantínos
Kaváfis (1863-1933), traduzido pelo também poeta José Paulo Paes, encontrei
os seus belíssimos poemas, entre os quais As janelas: Nestes quartos sombrios, os dias de estupor / que eu passo, a procurar
em vão janelas por / toda parte. Que alivio não seria / uma janela aberta à
minha frente. / Mas não as há, ou não posso acha-las. Seja como for, / melhor
talvez não ter janelas ao dispor. / Talvez a luz trouxesse dores mais pungentes.
/ Quem sabe as novas coisas que não mostraria. Também o poema Desde as
nove: Nove e vinte. Passou depressa o
tempo / desde as nove, quando acendi a lâmpada / e me sentei aqui. Fiquei
sentado sem ler / e sem falar. Com quem falar / se estou sozinho nesta casa? /
A imagem do meu corpo jovem, / desde as nove, quando acendi a lâmpada, / veio
rondar-me, veio me lembrar / de quartos fechados cheios de perfume / e de
prazeres idos – que prazeres audazes! / Pôs-me também diante dos olhos / ruas
que ora se me tornaram estranhas, / locais cheios de rumor que se findaram, / e
cafés e teatros que existiram outrora. / A imagem do meu corpo jovem / veio
rondar-me, trazer-me coisas tristes; / lutos de família, afastamentos, / as
saudades dos meus, saudades / de mortos tão pouco lamentados. / Meia-noite e
meia. Como o tempo passa. / Meia-noite e meia. Como passam os anos. Veja
mais aqui e aqui.
LOPE
DE VEGA & A COMEDIA NUEVA
- Ao poeta e dramaturgo espanhol Lope de Vega (1562-1635), Se deve o
estabelecido das formulas da Comedia Nueva, que reduziu a três o número de
atos, fundiu os elementos trágicos e cômicos, dinamizou a ação e a intriga, e
repeliu as unidades aristotélicas de tempo e lugar. Suas comédias, que se
caracterizam pelo lirismo e improvisação, dão mais importância ao dinamismo da
ação do que à caracterização sociológica. Essas tendências foram inicial
combatidas por Cervantes, que se manteve fiel às técnicas clássicas para criar
os seus dramas de caracteres e paixões, entre os quais Numância, considerada a
melhor tragédia espanhola do século XVI. A Comedia Nueva era encenada nos
Corrales, teatros públicos urbanos surgidos na Espanha. Consistiam de um pátio
cercado de casas, que as ordens religiosas alugavam às companhias. Tratava-se
de um teatro a céu aberto, com um pequeno palco coberto e simples cenário, nem
sempre existente. Na época em que Madrid já contava com oito companhias
reconhecidas, os mais importantes Corrales eram o Teatro de la Cruz (1579) e o
Teatro del Príncipe (1582). As funções, que geralmente duravam duas ou três
horas, terminavam pouco antes do pôr-do-sol, e eram repetidas duas ou três
vezes por semana. Esse foi um dos primeiros teatros a se diferençar das
representações da igreja e dos espetáculos encenados na corte. Veja mais aqui e
aqui.
CAPTURE
THE FRIEDMANS – O filme
documentário Capture the Friedmans (Na
Captura dos Friedmans, 2003), dirigido por Andrew
Jarecki, com música de Andrea Morricone, está concentrado na investigação
ocorrida na década de 1980 por abuso sexual infantil de supostas vítimas de pai
e filho da família Fridman condenados pela prática de pedofilia, tendo pai se
suicidado na prisão em 1995. Veja mais aqui.
IMAGEM
DO DIA: QUEM SE LEMBRA?
Charge do Henfil que ilustra a matéria na seção
Ensaio da Bravo de março 2004, Meninos, eu vi, assinada pelo jornalista Sérgio
Augusto, na qual está narrado: [...] Em
breve a coisa ia começar a feder, pois os verdadeiros moleques estavam no
poder. Um deles chamava-se Darci Lázaro e era coronel. Fora ele quem, durante a
invasão de Brasília, rosnara esta ameaça: “Se essa história de cultura vai-nos
atrapalhar a endireitar o brasil, vamos acabar com a cultura durante 30 anos”.
Se a cultura não acabou, não foi por negligência do coronel. Ele e seus
jagunços bem que se esforçaram, e a invasão dos campus de Brasília foi apenas
um dos prelúdios da guerra santa contra a inteligência nacional a que desde
cedo os golpistas de 64 se dedicaram de corpo, alma e metralhadora na mão,
ameaçando, demitindo, prendendo e torturando professores, estudantes, artistas,
jornalistas e intelectuais, recolhendo e incinerando livros, submetendo à
censura todo tipo de publicação. Pela primeira vez eu tive vergonha de aqui ter
nascido. A segunda vez foi quando Collor e D. Zélia nos impuseram aquele
confisco e ninguém sequer propôs uma marcha até Brasília com porrete na mão. [...].
Veja mais aqui.
DEDICATÓRIA
A edição de hoje é dedicada à cantora e
compositora Amelinha. Veja aqui.
AS PREVISÕES DO DORO PARA 2016
LEITORA TATARITARITATÁ