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domingo, abril 25, 2021

GOMBROVICZ, VILA-MATAS, CIDA PEDROSA, BEATRIZ BRACHER & WALBER BARRETO

 

TRÍPTICO DQC: UM: No tempo que as coisas tinham graça – Era então menino presepeiro no Caçotinho, isso lá pela segunda metade dos anos 1960. A vizinhança era musical: no quintal ficava ouvindo o sax que soava intermitente pelas manhãs, finais de tarde e no meio da noite. Do lado esquerdo, um menino já solava a guitarra. Aí eu corria e me encostava à porta de sua casa para ouvi-lo: Bito, vamos tomar café? Vambora. A senhora mãe dele, com uma simpatia sorridente que era o maior afago no coração da gente, forrava a mesa, ajeitava tudo e me tinha como um da casa, servindo uma cumbuca de manteiga, pães e um apetitoso prato de batatinhas fritas. Santa mãe: ela achava a maior graça nossa gulodice, armados um duma faca de serra, lascava o pão verticalmente, tascava uma prastada de manteiga na banda do pão e inhac! Tome manteiga pra cima a cada mordida no pão. E isso enfiando o palito naquela que seria a melhor batata frita do universo! Verdade! Ainda hoje sinto o gosto na boca, inigualável. Bucho roliço, a gente corria da mesa para que ele executasse na guitarra os solos de sucessos que faziam a trilha sonora da nossa infância. Às vezes ele sapecava nas cordas umas gritadas raivosas segurando no cabo da distorção, só via seus dedos correndo dum lado pro outro no braço do instrumento e os cachorros uivavam fazendo coro do lado de fora. Nisso a gente ficava o dia inteiro, só suspendendo quando da chegada do pai dele pro almoço ou janta. À sesta, seu Louro sentava do meu lado e ficava apreciando o talento do filho nas cordas de aço. Quando não, era chutando a bola um pro outro, ou aprontando coisas de meninice. Anos de infância e adolescência, até que me mudei de lá e só o reencontrei já na segunda metade dos anos 1980, para integrar a equipe de músicos do meu show Por um novo dia. Ele já era músico prestigiado por todas as bandas e já se assinando Vavá de Aprígio. Festejamos e fizemos bonito, maior barato. Depois do evento, piquei a mula Brasil afora, só revendo o amigo muitos anos depois, para gravar os meus frevos da Folia Caeté. Comemoramos e pintou tudo às mil maravilhas, com a participação do maestro Maurício Malafaia e outros músicos da minha estima. Foi festejo que só em copos e rodadas. Tudo passou e agora é como se ouvisse o escritor espanhol Enrique Vila-Matas: Mais do que o vazio, o que importa é o conteúdo do vazio... Encontramo-nos em uma corrida louca rumo ao nada. Coisas do coração falam mais alto Marguerite Yourcenar: Quando se gosta da vida, gosta-se do passado, porque ele é o presente tal como sobreviveu na memória humana. É a hora nostálgica da qual fala Augusto Roa Bastos: Nesses momentos, quando a humanidade como um todo está em estado de decadência, sempre existem aqueles seres excepcionais como ponto de referência. Hoje vez em quando a gente se cruza, joga conversa fora e fala dos projetos adiados para quando o genocídio e a pandemia folgarem um pouco e a gente mandar ver numas estripolias boas lembrando as presepadas de infância e das últimas curtidas sonoras das nossas audições. Vamos nessa!

 


DOIS: Das lembranças no meio dos livros - Ao som de Saudações – Sertões Veredas (ECM, 2009), de Egberto Gismonti, com a Camerata Romeu, sob a regência de Zenaida Romeu. - Bordejava eu com meus vinte e poucos anos pela rua 7 do Livro, quando ela me deu a edição do Lítero-Pessimsta, com a publicação de um poema do meu primeiro livro. Foi uma verdadeira festa no meu coração. E trouxe junto Francisco Espinhara, Marcelo Mário Melo e Eduardo Martins pra gritaria performática duns versos independentes nos céus do Recife. Ô festa boa! Lá estávamos e eu me aprontava para Piratear recepcionando o abraço de Arnaldo Tobias e Cícero Melo, com a novidade me levaram para uma roda com Jaci, Juareiz e Paulo Caldas que ouviam as cipoadas poéticas de Ângelo Monteiro e Alberto da Cunha Melo. Era cada virada de copo e de noite, de me perder da Boa Vista e errar o caminho de volta para casa. Tempos bons. Ainda tenho entre meus livros nas estantes a coletânea Restos do fim e O cavaleiro da epifania, que são desta época. Depois que adquiri nas minhas passagens pelo Recife os livros Cântaro (2000) e Gume (2005). E agora folheando Solo para Vialejo, revejo na memória viva e verdadeira a premiada e votada poetamiga Cida Pedrosa como se me dissesse desde sempre: Eu acredito que o poema pode mudar o mundo ou uma pessoa, ou o dia de uma pessoa. E é por isso que eu escrevo. Essa é a minha maior militância de todas as minhas militâncias. E depois recitasse... : a mulher virou homem o trabalho / e a desigualdade por baixo da saia: trouxa / na cabeça camisa cáqui de mangas compridas / chapéu de palha quartinha de cabaça e só / calça comprida por baixo da saia / calça comprida por baixo da saia / calça comprida por baixo da saia. Aplausos de sempre. Beijabrações, sucesso & saudades.

 


TRÊS: Medo de fechar os olhos – Imagem do escultor, poeta e artista tcheco Gyula Kosice (1924-2016), ao som Prelude 4, de Heitor Villa-Lobos, na interpretação do violonista alemão Peter Graneis. – O medo de fechar os olhos na escuridão da infância até agora e não sabia. O medo de abrir os olhos e o bicho embaixo da cama e os monstros dos velórios do meu quarto, minha casa meu cárcere na lápide da catacumba de todo fausto que apenas ouvi dizer por que só havia decadência por todo lado desde sempre. Fechar os olhos e abri-los e o Sol tiver roubado o dia para que nunca mais amanheça e não ter como fazer as pazes com Deus no meio das alternativas de escolher e resistir, de errar e não mais. Ou abrir os olhos no fundo do mar ou no oco do abismo, no estômago de um mastodonte e perder a fronteira e cair do outro lado ou me envultar de vez porque perdi a guerra e não estou sozinho, embora não tenha ninguém por perto. Abrir os olhos e ouvir o escritor e dramaturgo polaco Witold Gombrovicz (1904-1969): Eu dei vazão à minha estupidez ... e aqui estou eu, renascido. Nosso elemento é a imaturidade sem fim. E fechá-los com o eco de Platão na cabeça: Podemos facilmente perdoar uma criança que tem medo do escuro; a real tragédia da vida é quando os homens têm medo da luz. E ao abri-los ficar encadeado de doer com Gandhi insistindo: O medo tem alguma utilidade, mas a covardia não. E eu que nunca fui covarde com o medo de fechar os olhos e ter de retornar para um lugar que não me cabe e nem reconheço mais porque havia não sei quantas maneiras de ser diferente e perder a sinarquia dos mistagogos, inescrupulosamente desesperançado das dúvidas inquietantes por ser derrotado pela ressurreição das arruinadas verdades sagradas nas ondas do ressentimento e no deserto das ausências. E abrir os olhos e não mais ouvir Clarice: Sim, minha força está na solidão. Não tenho medo nem de chuvas tempestivas nem das grandes ventanias soltas, pois eu também sou o escuro da noite... O medo de fechar os olhos como se a vida fosse uma causa perdida e eu nunca me resignei, nem me arrependi e agora é tarde recuperar o que perdi porque vi o que ninguém vu, senti o que ninguém sentiu. E enfim me salvar com a frase de Beatriz Bracher: Nenhuma palavra pode alcançara luz rosa e a transformação das pedras monumentais do amanhecer... E seguir cego sozinho sem ter para onde ir. Até mais ver.

 

A ARTE TEATRAL DE WALBER BARRETO


 

A arte do ator e professor Walber Barreto Pinheiro, que é ator e professor de Língua Portuguesa. Ele iniciou sua carreira no Projeto Arteatro, em 1996, participou do projeto Mais Educação e além de performances de teatro popular, realizou uma temporada exitosa com a encenação da peça O discurso da pura razão, do premiado dramaturgo, pintor e advogado Elmar Castelo Branco, com o qual foi premiado no Festeráguas 2019. Confira a entrevista que ele me concedeu aqui e mais Teatro aqui e aqui.

 

 

segunda-feira, março 05, 2018

RACHEL DE QUEIROZ, RIMBAUD, VILLA-LOBOS, IGNÁCIO DE LOYOLA BRANDÃO, FELICJA BLUMENTAL, CORNÉ AKKERS, VITAL CORRÊA DE ARAÚJO, LOUCAS DA MATA SUL & MEIO AMBIENTE

OS VENTOS & AS AMIZADES NEM SEMPRE SOPRAM A FAVOR – Imagens: arte do artista plástico e visual holandês Corné Akkers. - Um menino caçula se sentia sozinho e pedia por um irmãozinho. Como os pais haviam fechado a fatura da filharada, reduziram a família apenas ao casal de filhos. A menina era mais velha, não queria se misturar com o mindinho, por se achar já uma mocinha, embora tivesse não mais que seis anos. Destá. Depois de tanto pedir e nada dos pais atenderem, o infeliz solitário encontra, enfim, um amigo. Ah, que amizade! Fizeram pacto de sangue, brincaram de espada, fizeram de tudo, até cheirar os dedos indicadores com o odor da dedada no frosquete um do outro. Cheira aqui! Um acudia o outro, no bom sentido, é claro, viadagem de pirralhos. Ou então ao se estranharem, cara dum, cara doutro, murros, apertos, tapas e caneladas, até caírem bambos numa intriga da hora. Pois é. Dia menos dia lá estavam: um cheirando o cu do outro. Nisso, ia tudo bem, até o dia em que a irmã que nunca se interessara por nada pras bandas do irmão fedelho, achou de chamar o amigo para um particular. No outro dia, de novo; e no seguinte, mais uma vez. Que confidências são essas? O irmão de mutuca. Foi então que o solitário levantando as orelhas, achou de por bem deixar os pais a par das coisas: botaram o amigo pra fora! Como? Mexer com a irmãzinha do coração, tá doido, tá? Arriba! E ele ficou de novo solitário. A irmã, só lhe olhava de soslaio: Viu o que você fez, palerma? Você não tem com quem brincar, nem eu tenho em quem mandar! Mas ele estava se enxerindo pra você! Pra mim? Ah, bicho toleima és tu, bestão! Ele só estava fazendo o que eu mandava, mais nada. Eu estava com ciúme dele com você. Tu és um porqueira mesmo, hem? Ele estava fazendo os meus deveres da escola e o que mais eu quisesse, só isso. Ah, se é assim, vou pedir pro papai deixá-lo voltar. Já devia ter feito isso, seu molenga! E lá vai o menino desfazer o mal-entendido. Para isso teve que contar com o aval da irmã, o que foi um santo remédio pros pais, já que ela era do contra sempre, botando caroço no angu dele. Como se tratava de um bem que atendia aos dois, não havia razão pra impedir. E lá foi buscar do amigo que nem sabia mais por onde andaria, caçando pelos cantos, perguntando a um e a outro, quem viu-lo? Ninguém dava conta do paradeiro. Teve que esperar pela tarde para ver na escola. Foi justo lá que se encontraram, refizeram amizade e lá ia ele de novo reatando a amizade, dessa vez durando até a adolescência – eita, quase que num acaba mais de tão duradoura -, ao se desafiarem pelo amor de Genicilinda, a moça mais linda da época, ferro, sangue e ódio entre os amigos. E como ela tinha umas quedas pelo amigo, provocou ciúmes, por tabela, nos dois irmãos. A irmã agora estava privada de usar e abusar dele, enquanto o amigo entrava em conflito: era ela que ele queria, mas ele era seu amigo. Pra desatar esse nó que quase finda em morte matada, o amigo surpreendeu: apresentou a Genicilinda ao amigo para namorarem. Como? Surpresa dupla. Isso mesmo! Pronto, resolvido! Os irmãos voltavam às pazes, cada qual com sua paquera. Mas como nem tudo caminha sempre lá pelas rodas das mil maravilhas o tempo todo, ânimos e conflitos sempre enredam corações aos tédios e angústias, o amigo, de novo, se viu em palpos de aranha, por conta de ardis tramados pelas duas, sem que uma soubesse da armação da outra: a namorada queixou-se que ele estava dando em cima dela. Como? E a irmã delatou que ele andava forçando a barra com intimidades ameaçando estuprá-la, já quase em vias de fato de tanto abusá-la. Ele tá doido, é? O pai partiu com mais de mil e duas de quinhentos para agarrá-lo pelo cangote, não fosse a providente intervenção da filha em despachá-lo antes da fúria paterna. Quando o irmão soube das duas coisas: Como é que é? Que safado! Ah, vai me pagar! Não cumpriu a ameaça porque os pais providentes transferiram os filhos do colégio, o que acarretou que antes menino agora adolescente solitário ficasse sem amigo e sem namorada, por certo emendariam lá os dois os seus destinos pra azar dele. E a irmã, ah, a irmã, pra ela tanto faz como tanto fez, ela vivia trancada mesmo solitária com sua vidinha voltada só pro umbigo. E nunca mais eles se deram as caras, mudaram de cidade, de roupa, de jeito e pantins, foram cada qual pra faculdade – ele começou engenharia civil e terminou informática; ela foi fazer fisioterapia e findou secretária de um amigo besta que a queria por perto -, e cada um suas dores e vexames, umbigos pra que te quero. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá é dia de especial com a música do compositor Heitor Villa-Lobos (1887-1959): Suite Popular Brasileira, Bachianinha nº 5 com a Filarmonica de Berlim & Prelúdios, estudos & Modinha; ; da pianista e compositora polonesa Felicja Blumental (1908-1991): Piano Português/Espanhol, Concerto nº 5 de Villa-Lobos & Valsas completas de Chopin; & muito mais nos mais de 2 milhões de acessos ao blog & nos 35 Anos de Arte Cidadã. Para conferir é só ligar o som e curtir.

PENSAMENTO DO DIA – [...] A luta espiritual é tão brutal quanto a batalha dos homens; mas a justiça é prazer só de Deus. [...] eu vi o inferno das mulheres lá – e me será permitido possuir a verdade numa alma e num corpo. Trecho extrado da obra Uma temporada no inferno & iluminações (Francisco Alves, 1982), do poeta Arthur Rimbaud (1854-1891). Veja mais aqui, aqui e aqui.

COMPLEXIDADE AMBIENTAL - [...] Aprender a complexidade ambiental é uma pedagogia política de aprendizagens dialógicas, multiculturais e significativas para a construçãoplural de sujeitos e atores sociais capazes de abrir as possibilidades para a criação de mundos alternatitivos, guiados pelos valores da democracia e os princípios da sustentabilidade. [...]. trecho extraído da obra A complexidade ambiental (Cortez, 2003), coordenado pelo sociólogo ambiental mexicano Enrique Leff. Veja mais aqui.

COMO SUPORTAR O OLHAR DE QUEM SERÁ MORTO? – [...] parei de ler o texto e fiquei embargado, estava dificil. É o momento em que o pelotão de fuzilamento ergue as armas para matá-la e Hannah Senesh, com apenas vinte e três anos, recusa venda, para olhar nos olhos daqueles que iam tirar sua vida. Que força a mantinha! A crebça em seus país, a resistência ao nazismo que estava dizimando seu povo... [...] Alguns deles, por segundos, tornou-se humano e desviou os olhos, depois levou para a casa e para a vida aquele brilho que Jannah manteve com coragem e dignidade? Algum sobreviveu e carregou essa lembrança para sempre ou eram apenas assassinos frios e profissionais, agindo em nome da ideologia mais perversa que já houve sobre a terra? Algum suportou aquele olhar ou desmoronou? Algum entendeu que aquela jovem estava dizendo que os judeus não eram acomodados, nem o elhas, mas dotados de imensa força interior? [...] Os verdadeiros heróis não possuem poderes extraordinários, nem são imortais, imbativeis, indestrutíveis. [...] Há na multidão de rostos comuns pessoas dispostas a se imolar por nós, sem misticismos fraudulentos, sem vozes interiores inexplicáveis e sobrenaturais. [...] Posfácio de Ignácio de Loyola Brandão para a obra Hannah Senesh: diários, poesias, cartas (Tordesilhas, 2011), organizado e traduzido por Frida Milgrom. Veja mais aqui.

NHEENGARÊÇAUAHomem do Sul, você conhece a geada e o frio, / você que jpa viu primavera, / inverno, outono como na Europa, / você não sabe o que é o sol! / Você não imagina / o que é céu sem nuvens por meses seguidos; / o que é o sol bater de chapa na terra fulva / trezentos dias encarrilhados!... / Ao meio-dia / nos tempos de fogo em que o sol é rei, / o ar é tão fino e tão frágil, / que treme.... / o sol fura-o de luz, igualzinho á rendeira / pinicando de espinhos a trama dos bilros... / Você nunca veio até cá... / “-Ceará!... / Retirante, sol quente, miséria...” / O sol do Nordeste foi feito somente / pra os olhos com medo dos filhos da terra.... / o filho da terra, pequeno e feioso, / que é como o mandacaru: / quando a tragédia seca escorraça a vida e absorve as seivas, / só ele, isolado / no meio da caatinga que se apinha / e estende para o céu a lamúria em cinza dos galhos secos / luta, verdeja, encontra seiva e vive / macambúzio e eriçado... / E, entanto, essa gente que mora tão longe / é a mesma que mora nas terras do Norte... / Se o sangue do Sul caldeou-se com o branco imigrante / numa fecunda mistura, / ainda existe em suas veias mestiças / esta seiva que o Norte tem pura... / E, se somos irmãos, / por que um laço mais forte de amor não nos prende? / Irmão longínquo, senhor das fábricas, / dos cafeeiros, das minas, do ouro, / eu quero que o meu poema / faça as vezes de um vidro esfumado / através do qual seu olhar deslumbrado / possa ver esta terra candente do Norte... / Irmão longínquo, detentor da riqueza da Pátria, / que uero que as folhas abertas de meu poema / sejam mãos estendidas / para um abraço de fraternidade! Poema extraído da obra Mandacaru (Instituto Moreira Salles, 2010), da escritora, jornalista, dramaturga e tradutora Rachel de Queiroz (1910-2003). Veja mais aqui.

AS LOUCAS DA MATA SUL
[...] É muito gratificante pra mim, mostrar e ver no rosto das pessoas, que estávamos passando essas mensagens contra a violência, o racismo, etc., a elas que temos nossos direitos. Alguns se identificavam com alguma cena, porque já tinham passado por essa situação. E agora viu que tem as leis e seus direitos. As pessoas parabenizando todo o grupo, pelo trabalho feito. Eu me sinto muito feliz em lutar pelo fim da violência principalmente, de uma forma diferente: teatro! Kelly. [...]
Depoimento de Loucuras contra a violência na Mata Sul, de Janikelle Maria da Silva e Theóphila Lucena, extraído da obra Cirandas feministas na Zona da Mata: uma luta em movimento (SOS Corpo, 2018), tratando sobre o grupo teatral As Loucas da Mata Sul, antes Loucas de Pedra Lilás, formada pelas mulheres Janikelle, Érica, Ítala e Anarcélia de Joaquim Nabuco; de Palmares, Mauriceia e Cilene; de Água Preta, Nayara, Nikka, Vanessa, Theóphila e Alda. Veja mais aqui.

Veja mais:
História da Mulher, O amor no salto das sete quedas, a música de Taiguara & a arte de Luciah Lopez aqui.
O sonho do sequestro malogrado, a música de Juca Chaves, História do Cinema, História da Mulher, a fotografia de Étienne-Jules Marey & a arte de Leonid Afremov aqui.
História da mulher: da antiguidade ao século XXI aqui.
Do que foi pro que é quase nada, Friedrich Nietzsche, Vaughan Williams & Suzanne Valadon aqui.
Coisas do sentir que não pra entender, A República de Cícero, Emil Nolde & Nivian Veloso aqui.
A carta do barbeiro & Leda Catunda aqui.
Fandango do vai quase num torna & Cícero Dias aqui.
Piotr Ouspensky, Marcio Souza, Antonio Vivaldi, Ronald Searle, Adryan Lyne, Ademilde Fonseca & Inezita Barroso, Kim Basinger, A mulher que reina & O Lobisomem Zonzo aqui.
Patativa do Assaré, Heitor Villa-Lobos, Pier Paolo Pasolini, Turíbio Santos, Rosa Luxemburg, Cicero Dias, Rubem Braga & José Geraldo Batista, Bárbara Sukowa & Primeira Reunião aqui.
A cidade das torres & Antônio Cândido aqui.
Cordel na escola aqui.
Democracia aqui.
A cidade de Deus de Agostinho e a Psicologia do Turismo e Hotelaria aqui.
Incêndio das paixões & Programa Tataritaritatá aqui.
Thomas Kuhn, Alagoando, Sistema Nervoso & Neuroplasticidade aqui.
Jacinta Passos, Poeta Bárbara Inconfidente, Egornov, Ten & Programa Tataritaritatá aqui.
Quando a gente vai à luta não adianta trastejar: ou vai ou racha aqui.
Gregory Bateson, Leontiev, Pinel, Doro, Óleo de peroba & o horário puto eleitoral da silva aqui.
Eros & civilização de Herbet Marcuse & O condor voa de Cornejo Polar aqui.
Ela desprevenida & Programa Tataritaritatá aqui.
O lamentável expediente da guerra aqui.
Jorge Amado, Gonçalves Dias, Claudionor Germano, Al-Chaer, Dany Reis & Nina Kozoriz aqui.
Ismael Nery, Tomás Antônio Gonzaga, Juliana Impaléa & Keyler Simões aqui.
Miguel Torga, Alfred Gilbert, Pat Metheny, Luciene Lemos, Antonio Cabral Filho & Programa Tataritaritatá aqui.
Michel Foucault, John Coltrane, T. S. Eliot, Edina Sikora, Wender Nascimento & Programa Tataritaritatá aqui.
Nelson Rodrigues, Gauvreau, Antonio Menezes, Luiza Silva Oliveira, Luiz Fernando Prôa & Bárbara Lia aqui.
Jorge Luis Borges, Paulo Leminski, Jean-Michel Jarre, Jeanne Mas, Donizete Galvão, Fabio Weintraub & Regiane Litzkow aqui.
A refém do amor & Programa Tataritaritatá aqui.
Fritjof Capra, Instinto & Ismael Condição Humana aqui.
Loucura repulsiva aqui.
Jards Macalé, Renata Pallottini, Silvia Lane, Hanfstaengl, Louise Von Franz, Miranda Richardson & Programa Tataritaritatá aqui.
Marilena Chauí, Marilda Villela Imamoto, Nise da Silveira, Guimar Namo de Mello & Arriete Vilela aqui.
O presente na festa do amor aqui.
Tanatologia aqui.
Ricardo Alfaya, Direito de Família & Alimentos aqui.
A mulher na História aqui.
Todo dia é dia da mulher aqui.

BANDO DE MÔNADAS, DE VITAL CORRÊA DE ARAÚJO
NÓMINA DESSAS NOTAS: Ao conjunto, nomino-as nuamente Inexplicação ao Leitor, e dedico à Hipócrita Leitora de minha parca ou pobre obra. Porque são notas inexplícitas de um fazedor de poemas, que visam atordoar, ou melhor, clarear a treva textual, abrir caminhos sem rumo à selva significante, em que possíveis (mas improváveis) leitores se arrisquem tentar imiscuir-se ou inutilmente explorar.
RAZÃO DO POEMA: Escrevi esses poemas extremos porque vi o extremo numa viagem a bordo do abismo para o confim de mim mesmo. Fui além da alma, depois do corpo, quando os comecei. Não evitei os tiques estilísticos próprios de minha lavra poética nem a mania de montar sintagmas oximóricos, insensatos (para os sentidos comuns), esdrúxulos, não recomendáveis, para quem escreve em beneficio do leitor, o que não é meu caso, absolutamente. Escrevo poema para total desconforto do leitor (que se dane se quiser entender). Se o poeta entrega de mão beijada, numa bandeja dourada, o tal sentido do poema (tão ou mais procurado do que um malfeitor do velho oeste ianque), tão esperado que desespera o leitor, quando este não lhe é dado, de imediato, na primeira linha ou golpe de leitura; caso seja assim, assado não é, e poesia não o é também. O poema não deve ser uma resposta, uma lição, mas um questionamento, uma interrogação. Nada de resultados prosaicos, mas investimento literário. Escrevo poemas, portanto, para o desconforto extremo de quem casualmente me leia. Se fosse uma reforma de um prédio, a placa séria seria: desculpe o transtorno da leitura, estamos trabalhando ara desconforto total do seu entendimento.
Poemas extraídos da obra Bando de mônadas (Bagaço, 2011), do escritor, jornalista, advogado, professor, conferencista e tradutor Vital Corrêa de Araújo. Veja mais aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte do artista plástico e visual holandês Corné Akkers.
Veja mais aqui.
 

domingo, janeiro 10, 2016

É PRA ELA, SÁBATO, NERUDA, HORÁCIO, TOLSTOI, VILLA-LOBOS, MICHELLE RAMOS & ZINE BRASIL & MUITO MAIS!!!!


CRÔNICA DE AMOR POR ELA: É PRA ELA (Imagem: arte/vídeo de Meimei Corrêa) - É pra ela que eu canto e vivo em prosa e verso, navegante à sorte no mar, viajando o mais longe que seja ao seu encontro. Porque é nela que ressuscito quando todos os muros do abandono são removidos pra me salvar da torre do silêncio. É ela que revolve meu sangue e recolhe nas asas da manhã a luz do mundo com seu fogo aceso e bravio da montanha nos meus dias contados, a mostrar caminhos maravilhosos pros meus pés consumidos pela areia de sombrias ruas. É ela que retira os espinhos das travessias noturnas dos meus regressos. É ela que traz o meu pão de cada dia pelo forno do tempo e um pensamento a menos das coisas efêmeras e das duras marés por noite a fio, me ensinando a viver sonhos de nuvens em terra firme. É ela que na sua cheia preamar proclamada viaja comigo com seus sonhos sobre os meus tardios de escuros recintos intermitentes. É ela que renova o oxigênio quando respiro abandonado e atrevido cantor depois da canção. É ela com seus olhos indeléveis que celebro toda alma na cantiga e ela uma vez mais na toada e em revoada quando um beijo meu atalha todo seu talhe, longe das coisas que o tempo arrefece. É ela que à espreita e pronta, com seu manto de seda fina torna-se minha cidade e meu país pra conciliar meu sono difícil e toda insônia da minha vigília de louco. É dela que esbanja luz ao tê-la feita e desfeita por dares e tomares na gloria dos meus dias. É ela que se faz terna e carinhosa pra meu aconchego e toco sua palma até a ponta dos dedos e como pudera esquecer de ser-me entre os seus punhos delicados e altivos enovelando meu destino com suas pétalas de rosa e a apanhar as folhas que caem da minha cansada aventura errante. E roço sua pele que me protege das desventuras, para que eu não arraste meus pés na partida e eu não morra em nome do amor. E já não sou sem ela, pois ela é janeiro pra inventarmos o Ano Novo. É fevereiro pra frevarmos no carnaval. É março para semearmos os campos. É abril pra atravessarmos o outono das minhas difíceis horas. É maio pra festejarmos nossos anos. É junho pra colhermos todo milho no rastapé do São João. É julho para nos esquentarmos no inverno. É agosto pra vivermos outro semestre na estrada tempestuosa. É setembro pra amarmos na primavera. É outubro pra nossa pronta ressurreição. É novembro pra que não sejamos mais nem sempre, nem nunca mais. É dezembro porque só sei que vivo porque ela vive em mim para todo o sempre e sempre e sempre. (Luiz Alberto Machado). Veja mais aqui.

VEJA MAIS CRÔNICA DE AMOR POR ELA:
 
PICADINHO
Imagem: a arte de Aurélio D'Alincourt (1919-1990)


Curtindo as Bachianas Brasileiras (Complete), compositor e maestro Heitor Villa-Lobos (1887-1959), com a cantora lírica Rosana Lamosa & Nashville Symphony,Kenneth Schermerhorn, Jose Feghali &Andrew Mogrelia. Veja mais aqui.


EPÍGRAFE –Pulvist et umbra sumus, verso encontrado no livro As odes, epodos e carme secular, do filósofo, poeta lírico e satírico romano Quinto Horácio Flaco (65-8aC), significando: Não somos senão pó e sombra. Veja mais aqui, aqui e aqui.

O OFÍCIO DO ESCRITOR - Em seu livro O escritor e seus fantasmas(Companhia das Letras, 2003), o escritor e artista plástico argentino Ernesto Sábato (1911-2011), traz a expressão: [...] que o gênio criador de um romancista pode mais do que as ideias que conscientemente professa. [...] ou se escreve de brincadeira, para entretenimento próprio e dos leitores, para passar e fazer passar o tempo, para distrair ou procurar alguns momentos de evasão agradável; ou se escreve para investigar a condição humana, empresa que não serve de passatempo nem é uma brincadeira nem é agradável. [...]. Veja mais aqui, aqui e aqui.

GUERRA E PAZ – O romance Guerra e paz (Companhia das Letras, 2008), do escritor russo Liev Tolstói (1828-1910), narra a história da Rússia à época de Napoleão Bonaparte, criando um novo gênero de ficção. Da obra destaco o trecho: [...] Ana Pavlovna, com a sua finura especial de dama da corte e o seu tacto feminino, ao mesmo tempo- que dirigia um remoque ao príncipe por ter ousado exprimir-se tão livremente a respeito da conduta de uma pessoa recomendada à imperatriz, procurava de certo modo consolá-lo. - Mas, a propósito da sua família - disse-lhe ela -, não sei se sabe que a sua filha, desde que frequenta a sociedade, faz as delícias de toda a gente. Dizem que é linda como os deuses. O príncipe curvou-se em sinal de estima e gratidão. - Costumo dizer muitas vezes de mim para comigo - continuou Ana Pavlovna, depois de um momento de silêncio, aproximando-se do príncipe com um sorriso gracioso, como se quisesse significar que  estavam terminadas as conversas sobre assuntos políticos e mundanos e que as confidências íntimas iam principiar -, muitas vezes digo a mim mesma que a felicidade neste mundo é coisa muito desigualmente repartida. Porque seria que o destino lhe deu a si, meu amigo, dois filhos tão belos, à parte o Anatole, o seu benjamim, que não me agrada por aí além - tinha lançado esta observação num tom que não admitia réplica, franzindo as sobrancelhas... -, tão encantadores? Sim, quando o senhor, na verdade, é a pessoa que menos importância liga aos filhos; não os merece. E teve um sorriso vitorioso. [...]. Veja mais aqui e aqui.

SONETO DE AMOR – No livro Cem sonetos de amor (L&PM, 2013) do poeta chileno Pablo Neruda (1904-1973 – pseudônimo de Ricardo Eliezer Neftali Reyws Basoalto), recebeu o Prêmio Nobel de Literatura, em 1971, como umas das maiores vozes poéticas da humanidade, destaco o Soneto XXVII – Nua és tão simples como uma de tuas mãos, / lisa, terrestre, mínima, redonda, transparente, / tens linhas de lua, caminhos de maçã, / nua és magra como o trigo nu. / Nua és azul como a noite em Cuba, / tens trepadeiras e restrelas no pelo, / nua és enorme e amarela / como o verão numa igreja de ouro. / Nua és pequena como uma de tuas unhas, / curva, sutil, rosada até que nasça o dia / e te metes no subterrâneo do mundo / como num longo túnel de trajes e trabalhos: ~tua claridade se apaga, se veste, se desfolha / e outra vez volta a ser uma mão nua. Veja mais aqui, aqui e aqui.

BONECA DO BARCO - A peça teatral Boneca do Barco, texto da escritora e dramaturga argentina Délia Maunás, traz o enredo em que enquanto procura para mais uma jornada noturna, uma prostituta conta a sua história, e a de outras colegas, a um jovem que naquela noite se inicia. Tive oportunidade de assistir o espetáculo dirigido pela autora, no Centro Cultural São Paulo, em 1999, destacando a atuação da preamiada atriz Magali Biff. Veja mais aqui.

UM COPO DE CÓLERA – O drama Um Copo de Cólera (1999), dirigido por Aluizio Abranches e adaptado da obra de Raduan Nassar, conta a história de um ex-ativista que constrói um mundo à parte numa chácara nos arredores de São Paulo. Ele vive caso de amor com uma jornalista politizada. O encontro entre os dois é marcado por um clima de sensualidade. Mas no dia seguinte, um rombo feito por saúvas em sua cerca viva deflagra um ataque de cólera que leva a trocas de acusações entre os dois. O destaque do filme vai pro casal de atores Julia Lemmertz & Alexandre Borges. Veja mais aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Óleo sem título do artista plástico Alipio Barrio.
Veja mais aqui.

DEDICATÓRIA
A edição de hoje é dedicada à escritoramiga, writter & youtuber blogueira Michelle Ramos & Zine Brasil. Veja aqui, aqui e aqui.

TODO DIA É DIA DA MULHER
 (Imagem: arte/vídeo de Meimei Corrêa)
Veja as homenageadas aqui.


DIDI-HUBERMAN, LINDA DEANE, ADALYN GRACE & MARINÊS

    Imagem: Acervo ArtLAM .   Das loas & toadas no cavalo-marinho... - O afamado artesão Tirésia já nasceu assim: cego e vaticinado...