Mostrando postagens com marcador Cora Coralina. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Cora Coralina. Mostrar todas as postagens

sábado, agosto 15, 2026

LYGIA FAGUNDES TELLES, RIM BATTAL, MILTON HATOUM, BEATRIZ PAREDES RANGEL & ANASTÁCIA

 

 Imagem: Acervo ArtLAM.


 

Vênus da Lua de Fel na Serra das Russas... - Lá ia Tó Zeca, sobe-desce na sua fubica incrementada, todo ancho a viandar pela rodovia Gonzagão. Ah, chega ele devaneava pelas paradisíacas escarpas íngremes neblinosas do Planalto da Borborema. Ali atravessou túneis e, pela alta Ponte Cascavel, acelerou empáfia de piloto macho, amostrando-se pra si nas cantadas de pneus pelas curvas acentuadas, quando, ao destampar numa delas deu-se o desembesto: deparou-se com uma formosa estranha, com o braço estirado prum breque: Pare! Um desmantelo. Ela estava exatamente postada no meio da faixa, obrigando-o a morder a língua desastrado, numa frenagem cabulosa, dele se estabocar todo e botar pra valer toda sua perícia ineivada: virou bruscamente o volante, botou pro lado, puxou o freio de mão de quase arrancá-lo num cavalo de pau arretado, enrolou-se todo girando às piruetas tresloucadas, pronto para se espatifar de qualquer jeito, deus o livre e guarde, tei bei. Mas, não, bastante ágil, livrou-se duma barroada na barreira e, às rodadas vexaminosas, desaprumou-se de quase ser arremessado ao precipício, valha-me! Nada. Aí, retomou habilmente o tino e o que restou de prumo, acionou alucinado a tração nas 4 rodas, as traseiras estavam no ar já fora do asfalto pra rebentação e, numa acelerada brusca, cantou os dois pneus dianteiros que restavam no solo, vupte! E salvou-se de desabar ribanceira abaixo. Ufa! Depois de muito atrapalho, às reviravoltas, levantando poeira no saçaricado, finalmente, todo desarrumado estacionou atravessado diante da beldade. Mão enxugando o suor da testa, sacudia o corpo entrevado e, com ar de superioridade, esperou a poeira baixar. No meio da fuzarca apareceu a dita cuja firme e chistosa: Essa geringonça mata sapo e espalha merda, né? Hum, gracinha. Reconheceu-a e não era um bom sinal: É você mesma ou uma das irmãs Stepfoad, uma de seus clones? Indignada, cerrou as pestanas e fez uma careta de reprovação. Não, não era. De mesmo, era a indestrutível Rainha Branca, a supervilã do Helfire Club, tão difusa ali, personalidade fria, calculista, poliândrica, arrogante e, ao mesmo tempo, sarcástica, com todos os seus atavios charmosos e a ronronar sua repugnância: Você, humano, é uma criatura inferior! Êpa, calma aí! E ao vê-lo afastar-se do veículo, ela apontou o dedo, sinistra: Vou levá-lo pra Kroaka, é melhor não resistir, se poupe. Olhou dos pés à cabeça e lá estava ela, atraente catadura, com toda sua elegância de femme fatale, seu estilo marcante, seus cabelos louros esvoaçantes no olhar penetrante, sua atitude dominante nas vestes níveas, seus lábios carnudos proeminentes, seios opulentos, as botas nas coxas voluptuosas, um mulheraço dinamitando suas ideias. Veja só: não sou Ciclope nem Toy Stark, nem o Namor, muito menos Sebastian Shaw; também não sou aliado da Casandra Nova, nem de Esmee que atirou despedaçando sua forma diamante; sou de paz, saiba logo. Não resista, você não sabe com quem está lidando. Ora, se sei. Sabe mesmo? Claro. Sou Emma Grace Frost: é pro seu bem! Sei, Hazel Kendal, muito prazer! Ela arregalou o olho ao ouvir seu codinome. Reluta? Nunca. Dissimuladamente ela começou a deslizar o zíper das vestes, desabrochando sua nudez e ele sabia: Vai ser agora! E ao se aprumar no salto pra bater os calcanhares e gritar a palavra mágica, nem deu tempo balbuciar as primeiras sílabas: Sabari... Estava desprevenido pra vilania dela e, com asco estrangulador, atingiu-o com uma rajada de raios psiônicos, vixe! Lascou-se. Nele tascou todo o seu poder ameaçador de nível ômega, acometendo-o de ilusões telepáticas: Não resista! O golpe foi quase letal e, por um instante, ao voltar a si: Ela me nocauteou! Um reles humano diante de uma heroína sobre-humana: Perdi a parada! Ela achegou-se com toda cupidez e, revestida pela pele de diamante indestrutível, jogou-lhe seus poderes inigualavelmente aterradores. O cara inchou e bufou de quase estourar-se aos cacos pra todo lado, rendido a cumprir sua pena: nova carga dela aos golpes certeiros e ele se contorcia de dores, aos gritos. Enquanto isso, ela vasculhava sua mente, inutilizando-o. Quando, de repente: Peraí! Entre as memórias dele a presença dela: Como pode? Investigou melhor e reviu cenas: o ataque do viajante temporal, em que ela entrou em coma: Não pode, quem me socorreu? Quem me levou para ser cuidada na Mansão X? Não pode ser. E aprofundou-se na averiguação: Foi ele quem me levou para ser restaurada por Jean Gray; foi ele quem me avisou que o Dr. Sublime havia roubado meus óvulos e foi quem me deixou ciente de que fui traída por Ciclope, que roubou meus poderes. A certidão inevitável: Foi ele quem me salvou quando fui presa pelos Vingadores. E ao passar tudo por seu escrutínio, suspendeu o martírio. Era tarde, o cara parecia mais que já tinha partido dessa para melhor. Foi não! Agora, só na outra! Oxe! Bem, escapou dessa. Ao despertar, ele notou o silêncio ao redor: se sentia como se estivesse num Caixão da Tortura. Suspeitava, à espreita: Estou numa prisão inexpugnável. O hostil rondava e se sentia como coagido por um tridente invisível, aprisionado numa teia inextricável. E meio que alucinado, não dizia coisa que valesse: Estou debilitado demais... Não lembrava quem era nem do que havia passado. Teve um susto violento com a chegada repentina de uma bela mulher: Quem é você? Onde estou? Você já se restabeleceu, vou recuperar sua memória. Ah, você... O que houve? E ela silenciosa, depunha sobre a mesa uma tranqueira de coisas: uma mordaça, vendas, cordas, máscaras, chibatas, algemas, velas, gelo. adereços. Alguém vai ser castigado? Ela virou-se pra ele, era um álibi: brincadeira de adulto. E esbravejou pra ele: Sou Ishtar e você meu servo, sirva-me! Ora, você, uma heroína; eu, apenas herdei a maldição da minha vó. Obedeça-me: Sou Fílis, ajoelhe-se Aristóteles, tire minhas botas. À soberba dela, humilhado, ele se prostrou. Via-se insignificante diante daquele poderio persuasivo: irresistivelmente insinuante. Foi estapeado, puxado pela coleira no pescoço, engatinhando ao mando dela. Era questão de tempo arrumar um jeito de se esquivar disso, pensava. E ao tomá-lo servil, a Disciplinadora de Bétula mudou subitamente: Dessa vez, não. E agachou-se frente a frente, beijou-o e jogou-o pra lateral, aninhando-se podólatra mandona: A dominatrix se rende, quero pirá-lo. E não aceito não como resposta, nem seja analfabeto sexual, destrave-me! Do contrário, vou esmagá-lo: sou a vingativa Mimi Bouvier do Bitter Moon. Ele espantou-se, mas logo compelido a cumprir seu papel, atreveu-se mãos e pernas, bocas e sexo. Ela sussurrava soletrando: Amarelo!... E se engalfinhavam. Ela, agora, submissão em pessoa: Quero sempre mais, assim 24/7. Ele tomou seus pulsos, a crucificá-la nua. Ela rosnava medonha: Amarre-me, possua-me, ou eu o aniquilarei - sou Vanda Jourdain como La Vénus à la fourrure. Empolgado, usou de extrema força para domá-la, a maldizer entredentes coisas dos que mandam para os que são mandados, dos que pisam para os que são pisados, dos que chafurdam na coação e o doloroso prazer do coagido, os grunhidos dela: Mate-me, ou vou exterminá-lo! Ela rugia asfixiada, Vênus das Peles; ele, performático a supliciá-la na Cadeira de Judas, sodomizando a leoa que bramia estertorante, empalando-a com sua Pera da Angústia, como se estivesse suspensa num pau-de-arara. Deu-se o ápice, o desmaio: ali dormiam com o inimigo. No dia seguinte Tó Zeca despertou cabeça ao volante, no banco do motorista, acostamento da BR 232: Nossa, foi o maior rolê, hem?... Inacreditável! Virou as chaves, o ronco do motor, seguiu o passeio. Até mais ver.

 

Cora Coralina: O tempo muito me ensinou: ensinou a amar a vida, não desistir de lutar, renascer na derrota, renunciar às palavras e pensamentos negativos, acreditar nos valores humanos, e a ser otimista. Aprendi que mais vale tentar do que recuar… Antes acreditar do que duvidar, que o que vale na vida, não é o ponto de partida e sim a nossa caminhada... Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

Paulo Leminski: o tempo entre o sopro e o apagar da vela... Só uma nuvem te separa das estrelas... Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

Idea Vilariño: Tudo é muito simples muito mais simples e ainda. Ainda há momentos em que é demais para mim onde eu não entendo e não sei se rio em voz alta ou se chorar com medo ou estar aqui sem chorar sem risos em silêncio assumindo a minha vida meu trânsito meu tempo... Veja mais aqui & aqui.

 

VÊNUS

Imagem: Acervo ArtLAM.

Papai \ Aqui, aqui \ Babá \ Vovó \ Peitos. \ Tela os maiores mundo do peito, \ o mais cabelo comprido da cidade e uma penta enorme do esquerdo esquerdo. \ Quase um oleiro de terceiro, e mesmo assim, ela era míope. \ Um Nós chamsinós de Dada, não sei porça. \ Bem, Sim. \ Sim, claro: porque rosto o dela \ era sem \ graça, semona estética. \ Um dia, eu minha e irmã a maquiamos — com \ a cara maquiagem da mamãe. Mamãe ficou furiosa. \ Plebeu não tem um Dior. \ Eu adormecimentos muito da minha Dada com peitões. \ Com ela, a favor, assistência pela vez. \ Bebemos Coca-Cola, rimos, dissemos "Oh!". \ Na verdade, o nome dela era Zohra, \ assim o planeta \ Vênus. \ Minha Dada, com seios grandes, \ que não é mais aqui, aqui. \ Não, não.

Poema da escritora e artista visual marroquina Rim Battal, cuja obra poética e literária aborda com visceralidade a vivência do corpo feminino e as complexidades de crescer entre a tradição e a modernidade.

 

NOITE DA ESPERA - [...] Talvez seja isto o exílio: uma longa insônia em que fantasmas reaparecem com a língua materna, adquirem vida na linguagem, sobrevivem nas palavras... [...] O que o medo destrói e pode ensinar. Há momentos de medo. Há momentos de coragem... A melancolia é sentimento difuso, pois não se realiza. [...] Trechos extraídos da obra A Noite da Espera (Cia. das Letras, 2017), primeiro volume da trilogia O Lugar Mais Sombrio, do escritor, tradutor e professor Milton Hatoum (Milton Assi Hatoum). O segundo volume da trilogia é Pontos de Fuga (Cia. das Letras, 2019), que acompanha a formação sentimental, cultural e política do jovem Martim durante a ditadura militar brasileira, no qual o protagonista deixa Brasília e retorna a São Paulo, sua cidade, onde ingressa na faculdade de arquitetura da USP e passa a morar numa república de estudantes no bairro da Vila Madalena — um grupo que lhe trará novas vivências e grandes companheiros para a vida. Agora distante do pai opressor e dos amigos de Brasília, e sobretudo afastado de Dinah, a atriz militante com quem sua relação ficou estremecida, ele acompanha o endurecimento do regime autoritário no país, ao mesmo tempo que experimenta as agruras e adversidades da vida adulta, sempre assombrado pela incógnita do desaparecimento de sua mãe. Na obra ele expressa: [...] Não sei onde fiquei preso; fui proibido de telefonar, escutei barulho de motor de avião e com o zíper da calça marcava na parede cada dia que passava até desistir. Não quero falar dos interrogatórios. Melhor calar sobre o que se quer esquecer, mas é impossível esquecer [...] Não me machucaram quando fui detido em março de 68. Mas os pesadelos, a violência, e tudo que vem acontecendo na vida de muitas pessoas dão a Brasília um sentimento de destruição e morte que nem sequer os palácios, a Catedral, as cúpulas do Congresso e todas as curvas desta arquitetura conseguem dissipar.[...] Os convidados são deputados federais, menos Galindo, um gaúcho de uns cinquenta anos, cuja voz exaltada fala de brasileiros desaparecidos, tortura, insurgências populares [...] Só a Baronesa discorda do gaúcho, ela afirma que não tem tortura no Brasil, que os militares só matam os terroristas [...]. O terceiro volume da trilogia é Dança de Enganos (Cia. das Letras, 2025), em que o autor expressa: [...] É preciso dar tempo ao passado [...] depois da cantoria na igreja, meu pai me contou a história de um rei negro escravizado no Congo pelos portugueses. Foi vendido pro dono de uma mina em Ouro Preto e conseguiu comprar a alforria dele e de muita gente [...]. Veja mais aqui, aqui & aqui.

 

O UNIVERSO LITERÁRIO DE LYGIA FAGUNDES TELLES (Imagem: Quino – 1932-2020) - As personagens são como vampiros, cravam os caninos na nossa jugular e quando amanhece, voltam aos seus sepulcros até que anoiteça de novo. O fim do livro seria a pedra que ponho sobre esses visitantes. Definitivamente? Não. Um dia, de repente, com outro nome e outras feições e em outro tempo volta mascarada a mesma personagem, elas gostam da vida. Como nós... Ô literatura! Por que as coisas nos parecem sempre belas quando protegidas pela distância?... Pensamento da escritora Lygia Fagundes Telles (Lygia Fagundes da Silva Telles – 1918-2022), considerada a dama da literatura e a maior escritora brasileira, com suas obras que retratavam temas clássicos e universais como a morte, o amor, o medo, a loucura e a fantasia. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

 

POLÍTICA & RESPONSABILIDADE - [...] Não se deve travar lutas que você não vá vencer... [...]. Pensamento da socióloga, diplomata e política mexicana Beatriz Paredes Rangel (Beatriz Elena Paredes Rangel), que na entrevista Oficio y profesión. Una conversación con Beatriz Paredes (Nexos, 2024), ela expressou: […] Parece-me que essencialmente um político ou uma política deve ter um compromisso com os ideais. Os ideais em que ele acredita, que o ligam com as expectativas da sociedade. Nunca pensei que a política tivesse valor em si mesma. Penso que a política é instrumental. Políticos que estão interessados no poder para o próprio poder, por se sentirem poderosos, em satisfazer seu ego, por acumularem coisas, não compartilho dessa visão. Então, eu acredito que a política é um instrumento para transformar a realidade. Um político, uma política deve ter uma visão da realidade e deve lutar porque essa visão pode ser realizada. [...] Eu vou dizer algo muito estranho. O que eu gosto é de música e o que eu gosto é de arte. Política é o meu trabalho. É o cumprimento da minha responsabilidade pública. Vivo a política como uma responsabilidade, não a vivo como um prazer. Sei o que é prazer e não é política, para mim. Tem gente que gosta de poder, que bom... A política é sempre uma responsabilidade para mim. Nesse sentido, sou muito povo do Poder Legislativo, porque sou democrata. O poder legislativo é mais horizontal. Gosto do que afeta o médio e longo prazo. A lei, a boa lei, afeta o médio e longo prazo. Então eu gosto do Poder Legislativo. Penso que a legislatura mexicana deve passar por uma reforma muito profunda. Parece-me que é indispensável uma grande reforma do Estado mexicano. Mas eu tive responsabilidades muito interessantes no poder executivo. E claro, o privilégio de governar Tlaxcala, para alguém que é de sua região, pois é uma oportunidade extraordinária. [...].

 

A ARTE DE ANASTÁCIA

[...] Eu comecei minha carreira com 13 anos cantando em uma banca. E com menos de 15 anos fui descoberta por um ator pernambucana, e fiquei até os 20 anos no Recife cantando em uma rádio. Depois fui para São Paulo, onde estou até hoje, eu fui seguindo a vida e fui me alicerçando em São Paulo [...] Ultimamente tenho feito algumas coisas com Zeca Baleiro, que é um compositor maravilhoso, um artista sensacional. E o Chico César é uma pessoa muito inteligente que a gente sempre está junto. Agora estou na fase de compor com o filho de Gonzaguinha, ele vai produzir um disco de samba para mim. Essas pessoas que a gente tem afinidade, a gente se junta para fazer algum trabalho, e é uma maneira da gente juntar a força nordestina através da música [...].

Depoimento numa entrevista (G1, 2022), da cantora e compositora Anastácia (Lucinete Ferreira), a Rainha do Forró e parceira de Dominguinhos (1942–2013). Ela compôs mais de 250 canções, indicada ao Grammy por dias vezes e lançou seus álbuns a partir dos anos 1960, quando, com apenas 14 anos foi se apresentar na Rádio Jornal do Commercio, acompanhada por Hermeto Pascoal. Antes disso ela atuou no humor com Arlete Sales & Lúcio Mauro. E atuou com Dominguinhos acompanhando as turnês de Luiz Gonzaga. Entre os seus álbuns de sucesso estão Eu Sou Anastácia (DVD – 2018), Daquele Jeito (2017), 60 anos de Forró e MPB (2016), Amor Entre Quatro Paredes (2009), 50 anos de Forró (2004), Seresta (2001), Sangue Bom (2000), Coração de Mulher (1995), Coisa Querida (1994), Faz parte do Amor (1993), Saudade Matadeira (1992), Vem me Buscar (1991), Forró Bom é do Abc (1989), Tem que mexer para Adoçar (1988), Quero você pra mim (1987), Cheinho de Amor (1982), A Fulô do Forró (1981), Morrendo de Saudade (1979), Você é meu Xamêgo (1978), Vamos Xamegá (1972), Torrão de Ouro (1971), Canto do Sabiá (1970), Caminho da Roça (1969) e Anastácia no Torrado (1965), entre outros. Veja mais aqui.

 


EDUCAÇÃO NO DEBATE CONTEMPORÂNEO - A educação tem assumido o centro temático dos debates planetários, desde a década dos anos 1980, até o momento presente, refletindo-se sobre a sua importância na formação e desenvolvimento do ser humano. Diversas reflexões tem ocupado espaço no cenário educacional, dentre elas as ideias de Terry Eagleton, Jenny Odell, Ana Maria Machado, Judith Butler, Amanda Montell, Esther Pillar Grossi, Hwang Bo-reum, Elisa Loncón, Yurico Saito, Danica McKellar, Teresa Colomer, Zadie Smith, Claudia Werneck, Jason Stanley, entre outros, no sentido de nortear as conduções da relação ensino/pesquisa/extensão, do ensino & a aprendizagem, da educação linguística & estética decolonial, da inclusão, do papel da arte e da reflexão sobre o ódio, intolerância, violência & cristofascismo reinante nos dias atuais. Confira aqui.

 


O MUNDO MARAVILHOSO DO LIVRO – Desde menino bem pirrototinho, eu adorava ouvir hestórias cabeludas ou bem risíveis. Pedia pra quem chegasse que me contasse uma, a que fosse. Quando não, saía às carreiras pra onde tivesse embolada de coco ou desafio de repentista e, ficava lá aboletado, prestando atenção de nem piscar o olho, sem a noção do tempo que passava. Quando aprendi a ler, lá pelos meus 4 ou 5 anos de idade, foi por ficar impressionado com meu pai e o tanto de livros que ele lia a todo momento e todos os dias. E questionava pra ele: Qual o segredo que tem nesse livro? E invadia as estantes cheinhas de livros e pregava a vista neles. Foi aí que descobri o mundo maravilhoso dos livros. Quer saber mais? Clique aqui.

 

FÚRIA DOS INOCENTES - Reunião de dez noveletas em que conto como foi a maior Greia num Boi de Fogo, da Carta do Barbeiro, dum Fandango de quem foi e quase num volta, do santo Bode Frederiko, dum arretado Negócio Fechado, do cara que botou a Boca no Trombone, do Escândalo dum Corínha, do Estopô Calango e do diabo a quatro, tudo pra umas risadas sobre as diversas ações dos mais atiçados e recheadas de humor e situações vexatórias. Confira aqui.

 

GILVANÍCILA & AS SOMBRAS DO CORAÇÃO – Tudo começa com a felicidade do casal Suetônio & Deusdith, ampliada mais ainda com a chegada do irmão dele, Susdidido, há muitos anos no Iraque. A gravidez dela coroou o trio festivo e muito alvoroçado: nascia Gilvanícila. Porém, a felicidade do pai não previu a infelicidade de todos. Confira a historieta e o roteiro aqui.

 

PROS&VERSOS LAM – Reunião das diversas publicações autorais dimensionadas na Literatura & Teatro Infantis, Poemas, Contos, Noveletas, Literóticas & muito humor. Confira aqui.

 

E veja mais aqui.




quinta-feira, agosto 20, 2020

CORA CORALINA, DÉCIO PIGNATARI, KARL KRAUS, MARTHA MEDEIROS, ROMAN VISHNIAC & ARGEMIRO PASCOAL


DIÁRIO DO GENOCÍDIO NO FECAMEPA – UMA: SABE AQUELA... O EXTRA NO HORROR DE CADA DIA... Passos errantes, de mil em mil, todo dia, conto nos dedos. Sigo na cidade a céu aberto e gente de gelo por ruas e descampados nem sabem dos que morreram desde anteontem, ou melhor, desde o outono, depois das festas do carnaval. As minhas mãos são rios florestais, raios e trovoadas, auroras de mares boreais e geografias inventadas ao deleite, porque a vida está difícil, quase impossível respirar nessa hora de zoadas, indiferenças e aflições. Se colho frutas na estrada, dos galhos não sei envenenados e insetos que nunca vi na fuligem negra do asfalto, enquanto meus pés varrem o mundo na poeira dos ventos e na faixa de pedestre o semáforo apita iminência, para Cora Coralina avisar: O que vale na vida não é o ponto de partida e sim a caminhada. Caminhando e semeando, no fim terás o que colher. Desço a ladeira de pedras e quebro a redoma, a cidade desaba do céu escuro, com todas as paisagens dissolvidas, como se a amanhã fosse a tarde anoitecida e daí, não sei mais de nada.

DE DOIS PARA MAIS DE MIL A CADA DIA (Imagem: The Last Days of Mankind – A Visual Guide to Karl Kraus’ Great War Epic, Artwork by Deborah Sengl). – Dois mundos saem do labirinto, e daí eu não sei qual deles sobreviverá, talvez nenhum. Qual é. Sou esse trânsito louco engasgado na encruzilhada, aos gritos e buzinas, ninguém se entende, estranhos com ofensas mútuas de desumanos aos esparros, todos aos esculachos recíprocos, a nossa barbárie, quantos selvagens, isso somos afinal, reduzidos a isso – a amígdala cerebral encolhida, tão se encolhendo mais, num estalo, sumiu e não mais Homo sapiens ou faber ou ludens ou Deus de Harari, nem nada mais. O chão é móvel e me leva para longe deles. Do zoadeiro da gente de gelo e dos sorridentes de Arcimboldo, em cada esquina uma medusa atônita com o Grito deMunch repete em eco de Décio Pignatari: Poesia é a arte do anticonsumo, e ele, logo atrás me diz: O que me interessa hoje? Passar da tecnologia para a sabedoria. E passam por mim, e são muitos os vultos e envultados multicores e o riso de cada um deles é um quebra-cabeça cheios de charadas, enigmas de não sei quando, ah esse mundo não é mais o mesmo, eu sei; essa vida a qualquer hora vai parar, eu sei, o mundo já parou e ninguém sabe é se haverá quem esteja vivo depois que tudo isso passar, ou se a espécie humana se salvará da extinção daqui mais algumas décadas, não sei, que o diga Karl Kraus: A guerra, a princípio, é a esperança de que a gente vai se dar bem; em seguida, é a expectativa de que o outro vai se ferrar; depois, a satisfação de ver que o outro não se deu bem; e finalmente, a surpresa de ver que todo mundo se ferrou. Ele sorri e ironicamente arremata: O progresso técnico deixará apenas um problema: a fragilidade da natureza humana. Baixei os olhos diante disso e ele se foi com ar de desencanto. Eu sei, quando não somos os carrascos de nós próprios, somos as vítimas para todos nós. Coisas de humanos.

TRÊS IDAS & QUASE NENHUMA VOLTA – Diante da ameaça de extermínio que nos ronda há tempos, me bate aquela sensação sentida ao ler as obras do fotógrafo e microbiologista russo Roman Vishniac (1897-1990), famoso por filmar a cultura judia antes do Holocausto: Estes são os rostos de crianças que abracei, beijei e amei. Não posso imaginar que eles estejam mortos, que ninguém sobreviveria... Um milhão e meio de crianças entre os seis milhões... Mas isso eu sabia... Eu queria salvar seus rostos, não suas cinzas. Você pode fazer alguma coisa com isso? Sim, você pode chorar. E chorei muito, tanto até e Martha Medeiros sussurrou na minha desolação: Faça o que for necessário para ser feliz. Mas não se esqueça que a felicidade é um sentimento simples, você pode encontrá-la e deixá-la ir embora por não perceber sua simplicidade. Não é a altura, nem o peso, nem os músculos que tornam uma pessoa grande, é a sua sensibilidade sem tamanho. Sim, eu sei. E pude abraçá-la para dizer sim e sou pau-brasil solitário na devastação, em extinção e pronto. Celebro a vida sobre todos os mortos do outono ao inverno, a vida deles para todos viverem. E os levo, pé na estrada, cidade a céu aberto. Gente de gelo nas ruas ermas, passos errantes conto nos dedos. Até mais ver.

ARGEMIRO PASCOAL
A arte do dramaturgo Argemiro Pascoal (1948-2012), criador do Teatro Amadores de Caruaru (TAC), em 1957, e do Teatro Experimental de Arte (Arte), em 1962, criador e realizador do Festival de Teatro Estudantil do Agreste (FETEAG), a partir de 1982, e é autor das peças O testamento, Festa de casamento, O bordel, A epopeia do beato, Um canto de amor, País de Caruaru. Veja mais aqui, aqui, aqui & aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Veja mais aqui.


sexta-feira, abril 10, 2020

BELLA AKHMADÚLINA, JUDITH ROSSNER, SOLANGE MAGALHÃES, SUSANNAH MARTIN, LIGIA MARLY GOMES & RACHEL CORRIE


COMO É MESMO, HEM? - UMA: LIÇÕES CATADAS EM TUDO QUANTO É CANTO & LUGAR – A cada vez de ida ou vinda, uma encruzilhada. Haja dicotomia no vaivém. Fui demais, voltei outras tantas. Não perdi a viagem, mesmo quando errei de lugar. Já fui bater no fim do mundo e foi aí que vi que, na verdade, era só outro começo. Nada de terminar. Quando não, tudo de novo. Quantos degraus, ladeiras, tantas reviravoltas, maiores que o beiço virado de tão longe que se chega ou vai. Nas quebradas era o meio da curva para contornar. Na passagem um verso de Cora Coralina: Recria tua vida, sempre, sempre. Remove pedras e planta roseiras e faz doces. Recomeça. Era só um tiquinho, um taco de nada da vida, mas valiosíssima no cômputo geral. Desses poucos que me acrescenta. Aí me dava a vontade de cantar e seguir, ora se. Não sei se por teimosia ou por adivinhação, eu ia mesmo. E ela, outro fiapinho de sabedoria: O que vale na vida não é o ponto de partida e sim a caminhada. Caminhando e semeando, no fim terás o que colher. Demorei a aprender. Oxe, quando caiu a ficha dei de falar com todo mundo. E ela: Feliz aquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina. Oxe, num é que é essa mulher é sábia, nem sabia, mas ela adivinha até o que penso ou deveria. Ora, ora. DUAS: QUANTAS PÁGINAS, BOTE ESTRADA NA VIDA! - Em cada passada, uma virada de página. O que percorri, divaguei. Em cada trajeto, um capítulo. Em cada chegada, uma história vivida. Entre frases e catombos, me desloquei; entre versos, topadas e meio-fio, me movi; arrastado pelos parágrafos e esquinas, zarpei; a claudicar por narrativas e depoimentos, peregrinei; a baldear passagens e textos, atravessei. O tanto de quilômetros andados, nem lembro o quanto de folhas impressas se acumulavam, devaneei. Sei que assuntei demais, deveras; paisagens, paragens, leituras. Aliás, corro sempre. Mesmo quando acho às carreiras ou se nem saio do lugar, aboletado que seja, bote viração. Pelo que bordejei na vera, deu nem pra saber se avancei ou não. Sei que fui e voo, como François Rabelais: Vou em busca de um grande talvez. Tudo porque jamais parei quieto assim nas coisas e vida; ir além, saber mais e tentar ser maior que o meu próprio tamanho, tomara, pudera. Como eu disse: se avancei ou não, pouco importa. Dele sempre ouvi: No mundo existem muito mais tolos do que homens. A ignorância é a mãe de todos os males. Um tolo a mais eu sou, acho, voo aprendendo, então. TRÊS: PRA QUÊ TANTA CORRERIA, HEM? - O que aprendi da vida? Foi sempre no pé do ouvido: tome jeito e se endireite feito gente! Maior cantiga de grilo no juízo. Também que tinha que trabalhar e muito para ser alguém na vida - era o outro nome que davam para escravagismo, eufemismos tantos. E trabalhei ou servi, não sei direito, pilha toda, vesti e suei a camisa. E preguei os olhos nos livros, ressalvavam não endoidasse, era só para saber o devido. Ou melhor, que eu me moldasse. Aí quando saquei, ora, era Émile Zola: O homem vale tanto quanto o valor que dá a si próprio. Puxa, vida! Demorou, caiu a ficha. Só peguei no ar depois de pular num pé só que só todas as provas de fogo! Muito penei mesmo. E como fui imolado: bote sal na moleira, nó pelas costas, arrastado de mala e canseira nos cambitos. Nada não, ele apaziguou: O sofrimento é o melhor remédio para acordar o espírito. É. O que sofri fiz de lição e vou aprendendo: o futuro chegou agora e em preto e branco. O passado, hoje não mais. Vou aprumando a conversa. Vamos? © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo e aqui.

DITOS & DESDITOS: Devemos ser inspirados por pessoas... que mostram que os seres humanos podem ser gentis, corajosos, generosos, bonitos, fortes - mesmo nas circunstâncias mais difíceis. Sou uma palavra boa e forte doadora, sou uma guarda ciumenta dos meus próprios segredos. A liberdade é a regra, estou com fome de algo bom que posso fazer. Eu acredito que a liberdade para a Palestina pode ser uma fonte incrível de esperança para as pessoas que lutam em todo o mundo. Eu acho que também poderia ser uma inspiração incrível para os árabes do Oriente Médio, que estão lutando sob regimes antidemocráticos, que os EUA apóiam. Eu realmente aprecio as palavras. Eu realmente tento ilustrar e deixar as pessoas tirarem suas próprias conclusões. Siga seus sonhos, acredite em si mesmo e não desista. Trecho do depoimento da estudante, voluntária e ativista estadunidense, Rachel Corrie (1979-2003), membro do International Solidarity Movement (ISM), que decidiu interromper seus estudos para passar um ano na Faixa de Gaza. Nesse periodo, reuniu-se com outros ativistas que tentavam impedir as demolições de casas de palestinos pelas forças de ocupação israelense. Por conta disso ela escreveu: Destroem as casas mesmo com gente dentro, não têm respeito por nada nem por ninguém. Durante a Intifada de Al-Aqsa, ela e seus companheiros tentavam impedir mais uma das demolições, na cidade Rafah, fronteira entre Gaza e o Egito, quando acabou morrendo esmagada por uma escavadeira das Forças Armadas de Israel. O Tzahal alegou que a sua morte foi acidental, apesar da contestação de todos os presentes ao incidente, além de todos terem sido acusados pelas Forças de Defesa de Israel de agirem de forma ilegal, irresponsável e perigosa. O exército do país foi isentado por um tribunal israelense de qualquer responsabilidade, por ter sido uma ação em tempo de guerra. A história está contada na publicação My name is Rachel Corrie (Theatre Communications Group, 2006), reunindo os textos da jovem vítima, numa edição organizada por Alan Rickman e Katharine Viner.

DE BAR EM BAR, À PROCURA – [...] era alto e muito magro, com cabelo encaracolado preto-grisalho, um jeito suavemente sarcástico e belos olhos tristes, nos quais só reparava quando ele tirava os óculos e passava a mão pelo rosto. Era poeta e editara, por conta própria, um livro de poesia, conforme ela soube mais tarde através de duas colegas de classe, Carol e Rhoda, que também estavam apaixonadas pelo professor. [...] Quase todos os alunos ficaram calados, sentindo-se vagamente colocados em seus lugares, mas sem saber precisamente que lugares eram esses. Carol e Rhoda pareciam aniquiladas. Deviam escrever, na primeira pessoa, uma breve descrição de uma experiência desagradável. Não deveriam enfeitá-la com bobagens, como essas franjas de papel prateado que se põem nas coxas dos perus. A adjetivação, quando exigida por motivo de clareza, deveria ser simples e direta: bonito, feio, verde, roxo, etc. As portas seriam abertas ou fechadas, não escancaradas. Não haveria luar derramando-se por entre venezianas; derramamentos, só líquidos. Estavam entendidos? Aproximou-se da janela e olhou para o pátio. O sol derramava-se pela janela escancarada e fulgia na aliança dele. [...]. Trechos extraídos da obra De bar em bar (Record, 1975), da escritora estadunidense Judith Rossner (1935-2005), que conta a história verifica de um assassinado que é considerado o retrato fiel de um meio social comum nas grandes cidades. Foi levado para o cinema, Looking for Mr. Goodbar (À procura de Mr. Goodbar, 1977), drama dirigido por Richard Brooks.

A POESIA DE BELLA AKHMADÚLINA
SEPARAÇÃO: Hoje nos separamos para sempre / e isso faz o mundo transformar-se. / Tudo nele anuncia a traição: / os rios vão se afastando das margens, / as nuvens vão se afastando do céu, / a mão direita olha para a esquerda / e arrogante diz: “Vou embora, adeus!” / Abril não mais prepara o mês de maio, / mês de maio que nunca mais verás, / e as flores se desfolham, feitas pó. /É a derrota do azul para o amarelo! / Já as últimas flores se esturricam, / comprimento e largura não há mais, / o branco, em estertor, já agoniza, / deixando um arco-íris de orfãzinhas. / A natureza afoga em sua tristeza, / a maré baixa sobe pela margem, / calam-se os sons e isso porque nós, / você e eu, pra sempre nos deixamos.
OUTRA COISA: Que me acontece que não posso já, / Desde há um ano inteiro, sem demora / Fazer meus versos? Sim... porque será / Que tal mudez meus lábios sela agora? / Dir-me-ão alguns: mas já tem aqui, / Letra após letra, já fez um versinho. / Mas não. Há muito o hábito adquiri / De com letras fazer um fiozinho. / A mão fá-lo sozinha, sem querer... / Não falo disso. Outrora, o que ocorria? / Não sentia a estrofe aparecer, / Mas outra coisa. Sim, o que seria? / Saberia essa coisa o que é temor, / Quando o seu verbo se elevava ousado, / Ria como de risos portador / E, se queria, soluçava irado?
BELLA AKHMADÚLINA - A escritora e tradutora russa Bella Akhmadulina (Izabella Akhatovna Akhmadulina – 1937-2010), que fez parte do movimento literário New Wave, escreveu muitas obras e teve vários casamentos com Yevgene Yevtushenko, Yuri Nagibin, Eldar Kuliev e Boris Messerer. Alguns dos seus livros são Lições de música (1969), Versos (1975), Vela e Tempestade de neve (do mesmo ano, 1977), Sonhos com a Geórgia (1979), Segredo (1983), O jardim (1987), O escrínio e a chave (1994), O ruído do silêncio e Cadeia de pedras (1995). Veja mais aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
É a ascensão do mundo virtual que permitiu aos artistas ignorar qualquer mandato de plausibilidade na pintura representacional. Se o homem agora pode aparecer como um androide intergaláctico envolvido em batalha com uma espécie alienígena, ele também pode tomar banho em um riacho local. É realismo, se aceitarmos que o realismo agora inclui realismo virtual, ou seja, ele incorpora um alto grau de improbabilidade, um realismo hiperbólico. O homem pode voltar mais uma vez à sua paisagem original, seu lar eterno, tudo desta vez como turista, um turista primordial. Eu sou do realismo figurativo.
SUSANNAH MARTIN - A arte da artista visual alemã nascida nos Estados Unidos, Susannah Martin. Veja mais aqui.
&
LIGIA MARLY GOMES
A arte da artista plástica Ligia Marly Gomes. Veja mais aqui & aqui.

CULTUR’ARTES PERNAMBUCARRETADAS!!!
Na vida a gente acaba fazendo o que a gente é. Constato, na verdade, que o ser humano é feito de coisas antagônicas.
A ARTE DE SOLANGE MAGALHÃES
A arte da pintora francesa radicada no Brasil, Solange Magalhães, apaixonada por temas nordestinos e pernambucanos.
A imagem e seus labirintos: o cinema clandestino do Recife 1930-1964, de Paulo Carneiro da Cunha Filho aqui.
A arte de Paulo Bruscky aqui e aqui.
A música de Nando Lauria aqui e aqui.
A literatura de Frederico Spencer aqui, aqui & aqui.
A poesia de Natanael Lima aqui, aqui & aqui.
A literatura infantil de Abigail Souza aqui & aqui.
Ximênia, a prinspa do Coité aqui.
Literatura Pernambucana aqui.
&
OFICINAS ABI – 2º SEMESTRE 2020
Veja detalhes das oficinas da ABI aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.


terça-feira, agosto 20, 2019

PUSCHKIN, CORA CORALINA, DÉCIO PIGNATARI, MEDINA AYLLÓN & BAILE PERFUMADO


NATALIE DE PUSCHKIN – Ah, Natalie, para quem sempre celebrou a liberdade, você surpreendeu minha vida de exilado pelas guerras e insurreições. Aquele inverno no mundo e na minha vida, uma menina tímida naquele baile, já cobiçada deusa da aldeia Karian, rainha de Tambov, o presente do meu destino: nunca tinha visto ninguém mais linda, nunca. Não bastava seu pai no mundo da lua, a sua mãe irritadiça, religiosa fanática, difícil, e eu um reles sujeito com versos no coração e nada nos bolsos. Que podia além da minha perseverança, se nem havia chão para abrigo. Quando me disseram não, deprimi – o oco do mundo no peito e a dor lancinante da desgraça. Na solidão do Cáucaso, escrevi: Quando a vi pela primeira vez, me apaixonei. Eu pedi a sua mão, pleno de rosas no ar, a resposta de quase enlouquecer. Graças a Tolstoi pude acessar sua casa. Ainda bem, enfim, o consentimento: renasci e me tornei feliz, apesar do anel no chão e a vela se apagar aos maus presságios. Nada podia superar minha felicidade ao seu lado. Não havia de ser nada. A ida para Moscou me deixou estúpido, sei. Ainda bem que em São Petersburgo estávamos felizes e você radiante, a mais linda do lugar: era a minha vida, a vida de poeta libertário e descendente feio de negros, não valia nada. Na sua ausência escrevi setenta e oito cartas para a madona do meu poema – avistei o Bridgewater Madonna de Raphael e a sua presença era real. As senhoras ao meu redor implicavam para ver-lhe o retrato. Elas não perdoaram por não tê-lo. Insistiam. Usei de Rafael e do poema, diante da imagem da minha Madona loira por consolo. Ela se parecia com você como duas gotas de água, e eu compraria se não custasse tanto. Nunca esperei por um amor grande e puro do centésimo décimo terceiro amor. Nunca esperei nada. Minha musa, o meu eterno amor, a cigana previu que seria exatamente por isso que eu morreria: de amor. Você me deu vida, eu só a morte. Estava escrito. Ao vê-la de joelhos, chorosa: Use luto por um tempo. Então se case com um bom homem. Sangro. Sangro no coração e nas vísceras. Lutei, lutaria com quem mais aparecesse; e lutarei por você até me tornar, apenas, uma estátua ao seu lado. Até sempre. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo & mais aqui e aqui.

DITOS & DESDITOS:
[...] Povo infeliz, terra infeliz. ...Nós começamos com a ideia de "revolução agrária", que depois foi amenizada para "reforma agrária", que virou "revisão agrária", que se transformou em "estatuto da terra" - que já não significa mais nada. [...] Terra desgraçada, povo desgraçado. [...] Para nós, o osso - para os outros, o filé. A nós, só nos são dados assistir os primeiros ensaios, as primeiras fofocas, os primeiros cortes, os primeiros jogos de entrosamento contra esparros de categoria inferior e média. Assim que o quadro começa a tinir - vai-se embora. Cobre-se de biglórias lá fora e volta para recepções apoteóticas e mal tem tempo para algumas exibições extras (a maioria, no exterior), porque logo os clubes reclamam os direitos sobre os seus craques - e a seleção se desfaz. E começamos tudo de novo: embora mais desdentados do que tamanduá, já nos acostumamos a roer ossos. Para o povo brasileiro, o desespero-é-um-hábito - e a esperança, um vício. Povo infeliz, terra desgraçada. [...] Terra infeliz, terra desgraçada. [...] Povo infeliz, desgraçada terra. Acredito que os leitores, sorrindo mentalmente, gostariam de lembrar-me que, nisto tudo, voltei a esquecer do tutu, dos dólares. Não, não esqueci - esquecer quem há-de? Mas relembro também que já fomos campeões do mundo de futebol antes de começarem a rolar as auríferas águas. Se não soubermos nem pudermos fazê-lo de novo, então - chega de campeões! De que vale tê-los apenas como saltimbancos pelas estradas do mundo, de que vale tê-los apenas como medalhas de nossa pro-sápia, sem lhes ter visto os heróicos feitos? Quem quiser, que aceite o nosso bagulho: chega de campeões! Não vamos mais exportar campeões, não vamos mais exportar coisa nenhuma, não vamos mais exportar nossa gente - nem mesmo presidentes-da-república, como tem sido nosso luxo e moda ultimamente. É isto mesmo: não vamos exportar mais nada - pelo menos enquanto guaraná não for coca-cola. [...].
Trecho de Chega de campeões! – 2, extraído da obra Contracomunicação (Ateliê, 2004), do escritor, advogado, sociólogo, professor, tradutor e teórico da comunicação Décio Pignatari (1927-2012). Veja mais aqui, aqui & aqui.

BAILE PERFUMADO
[...] O filme recria uma história real: a trajetória do fotógrafo e cinegrafista libanês Benjamin Abrahão (Duda Mamberti), a única pessoa que ousou se aproximar e filmar Lampião (Luiz Carlos Vasconcelos) e seu bando de cangaceiros. O enredo foi sugerido a Lírio Ferreira e Paula Caldas pelo crítico e cineasta Fernando Spencer. Transformado em roteiro em parceria com Hilton Lacerda, com a consultoria do historiador Frederico Pernambucano de Mello, o projeto ganhou o Prêmio Resgate do Cinema Brasileiro. As filmagens foram feita em seis cidades de Alagoas, Sergipe, Bahia e Pernambuco. [...].
Trecho extraído do livro A aventura do Baile Perfumado: 20 anos depois (CEPE, 2016), organizado por Amanda Mansur e Paulo Cunha, sobre o filme Baile Perfumado (1996), dirigido por Lirio Ferreira e Paulo Caldas, que narra a história do envolvimento do mascate libanês Benjamin Abrahão com o bando de Lampião no sertão brasileiro. Veja mais aqui, aqui & aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte do escultor espanhol Juan María Medina Ayllón. Veja mais aqui & aqui.

TRES POEMAS DE PUSHKIN
AMEI-TE... Amei-te – e pode ainda ser que parte / do amor esteja viva na minha alma. / Mas isto, pois em nada hei de magoar-te, / não deve mais tirar a tua calma. / Sem esperança e mudo em meu quebranto, / morto de ciúme e timidez também, / eu te amei tão sincero e terno quanto / permita Deus que te ame um outro alguém.
POEMA: Se um dia esta vida te desiludir, / Não fiques triste ou aborrecida! / Num dia sombrio, resigna-te: / Tem confiança, dias melhores virão. / O coração vive no futuro; então; / E se a sombra invade o presente: / Tudo é efémero, tudo passará; / E o que passou torna-se, então saudoso.
MADONA: Eu nunca quis decorar minha morada média / Com linhas e filas de fotos finas e célebres, / Tirar dos convidados alguns reclusos aduladores e supersticiosos, / Atender como visões inteligentes dos especialistas têm fluído. / Não, no canto simples onde meu trabalho é feito, / Eu só queria, mas uma testemunha pintada / E apenas um: a partir dos céus, da lona, / A Virgem pura, apresentando seu amado Filho / Majestosa, ela e ele com sabedoria em seus olhos - / Há calmamente assistir em glória, sob um céu radiante, / Sozinho em Sião, sem anjos presentes. / Eles são o suficiente para mim. Madonna, você foi / Revelado para mim pela doce / Transcendência de Deus Todo Poderoso, / O modelo mais puro, da mais pura alegria da rainha. / Não há muitas pinturas de mestres antigos / Eu sempre quis decorar minha morada / De modo que o visitante se maravilhou com eles supersticiosamente, / Ouvindo o importante julgamento dos conhecedores. / Em um simples canto meu, em meio a um trabalho lento,/ Uma foto que eu queria ser para sempre uma espectadora / Um: para mim da tela, como nuvens, / Nosso Abençoado e Nosso Divino Salvador - / Ela é com grandeza, ele é com razão em seus olhos - / Eles pareciam mansos, na glória e nos raios, / Sozinho, sem anjos, sob a palma de Sião. / Meus desejos se tornaram realidade. Criador / Ele te enviou para mim, minha Madona, / O mais puro encanta a mais pura amostra.
Poemas do poeta, dramaturgo e fundador da moderna literatura russa Alexander Pushkin (1799-1837), dedicado à sua amada Natalie – Natalia Nikolayena Pushkina-Lanskaya (1812-1863). Veja mais aqui, aqui & aqui.

A OBRA DE CORA CORALINA
Poeta não é somente o que escreve. É aquele que sente a poesia, se extasia sensível ao achado de uma rima à autenticidade de um verso.
A obra da poeta Cora Coralina (1889-1985) aqui, aqui, aqui & aqui.


GONÇAL MAYOS, MARINE PETROSSIAN, PÉTER NÁDAS & IRANDHIR SANTOS

  Imagem: Arrostar aporias , da série Caosmose & O poema nasce do visinvisível - Acervo ArtLAM .   Fábula dos embeiçados desavindos... ...