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sábado, agosto 15, 2026

LYGIA FAGUNDES TELLES, RIM BATTAL, MILTON HATOUM, BEATRIZ PAREDES RANGEL & ANASTÁCIA

 

 Imagem: Acervo ArtLAM.


 

Vênus da Lua de Fel na Serra das Russas... - Lá ia Tó Zeca, sobe-desce na sua fubica incrementada, todo ancho a viandar pela rodovia Gonzagão. Ah, chega ele devaneava pelas paradisíacas escarpas íngremes neblinosas do Planalto da Borborema. Ali atravessou túneis e, pela alta Ponte Cascavel, acelerou empáfia de piloto macho, amostrando-se pra si nas cantadas de pneus pelas curvas acentuadas, quando, ao destampar numa delas deu-se o desembesto: deparou-se com uma formosa estranha, com o braço estirado prum breque: Pare! Um desmantelo. Ela estava exatamente postada no meio da faixa, obrigando-o a morder a língua desastrado, numa frenagem cabulosa, dele se estabocar todo e botar pra valer toda sua perícia ineivada: virou bruscamente o volante, botou pro lado, puxou o freio de mão de quase arrancá-lo num cavalo de pau arretado, enrolou-se todo girando às piruetas tresloucadas, pronto para se espatifar de qualquer jeito, deus o livre e guarde, tei bei. Mas, não, bastante ágil, livrou-se duma barroada na barreira e, às rodadas vexaminosas, desaprumou-se de quase ser arremessado ao precipício, valha-me! Nada. Aí, retomou habilmente o tino e o que restou de prumo, acionou alucinado a tração nas 4 rodas, as traseiras estavam no ar já fora do asfalto pra rebentação e, numa acelerada brusca, cantou os dois pneus dianteiros que restavam no solo, vupte! E salvou-se de desabar ribanceira abaixo. Ufa! Depois de muito atrapalho, às reviravoltas, levantando poeira no saçaricado, finalmente, todo desarrumado estacionou atravessado diante da beldade. Mão enxugando o suor da testa, sacudia o corpo entrevado e, com ar de superioridade, esperou a poeira baixar. No meio da fuzarca apareceu a dita cuja firme e chistosa: Essa geringonça mata sapo e espalha merda, né? Hum, gracinha. Reconheceu-a e não era um bom sinal: É você mesma ou uma das irmãs Stepfoad, uma de seus clones? Indignada, cerrou as pestanas e fez uma careta de reprovação. Não, não era. De mesmo, era a indestrutível Rainha Branca, a supervilã do Helfire Club, tão difusa ali, personalidade fria, calculista, poliândrica, arrogante e, ao mesmo tempo, sarcástica, com todos os seus atavios charmosos e a ronronar sua repugnância: Você, humano, é uma criatura inferior! Êpa, calma aí! E ao vê-lo afastar-se do veículo, ela apontou o dedo, sinistra: Vou levá-lo pra Kroaka, é melhor não resistir, se poupe. Olhou dos pés à cabeça e lá estava ela, atraente catadura, com toda sua elegância de femme fatale, seu estilo marcante, seus cabelos louros esvoaçantes no olhar penetrante, sua atitude dominante nas vestes níveas, seus lábios carnudos proeminentes, seios opulentos, as botas nas coxas voluptuosas, um mulheraço dinamitando suas ideias. Veja só: não sou Ciclope nem Toy Stark, nem o Namor, muito menos Sebastian Shaw; também não sou aliado da Casandra Nova, nem de Esmee que atirou despedaçando sua forma diamante; sou de paz, saiba logo. Não resista, você não sabe com quem está lidando. Ora, se sei. Sabe mesmo? Claro. Sou Emma Grace Frost: é pro seu bem! Sei, Hazel Kendal, muito prazer! Ela arregalou o olho ao ouvir seu codinome. Reluta? Nunca. Dissimuladamente ela começou a deslizar o zíper das vestes, desabrochando sua nudez e ele sabia: Vai ser agora! E ao se aprumar no salto pra bater os calcanhares e gritar a palavra mágica, nem deu tempo balbuciar as primeiras sílabas: Sabari... Estava desprevenido pra vilania dela e, com asco estrangulador, atingiu-o com uma rajada de raios psiônicos, vixe! Lascou-se. Nele tascou todo o seu poder ameaçador de nível ômega, acometendo-o de ilusões telepáticas: Não resista! O golpe foi quase letal e, por um instante, ao voltar a si: Ela me nocauteou! Um reles humano diante de uma heroína sobre-humana: Perdi a parada! Ela achegou-se com toda cupidez e, revestida pela pele de diamante indestrutível, jogou-lhe seus poderes inigualavelmente aterradores. O cara inchou e bufou de quase estourar-se aos cacos pra todo lado, rendido a cumprir sua pena: nova carga dela aos golpes certeiros e ele se contorcia de dores, aos gritos. Enquanto isso, ela vasculhava sua mente, inutilizando-o. Quando, de repente: Peraí! Entre as memórias dele a presença dela: Como pode? Investigou melhor e reviu cenas: o ataque do viajante temporal, em que ela entrou em coma: Não pode, quem me socorreu? Quem me levou para ser cuidada na Mansão X? Não pode ser. E aprofundou-se na averiguação: Foi ele quem me levou para ser restaurada por Jean Gray; foi ele quem me avisou que o Dr. Sublime havia roubado meus óvulos e foi quem me deixou ciente de que fui traída por Ciclope, que roubou meus poderes. A certidão inevitável: Foi ele quem me salvou quando fui presa pelos Vingadores. E ao passar tudo por seu escrutínio, suspendeu o martírio. Era tarde, o cara parecia mais que já tinha partido dessa para melhor. Foi não! Agora, só na outra! Oxe! Bem, escapou dessa. Ao despertar, ele notou o silêncio ao redor: se sentia como se estivesse num Caixão da Tortura. Suspeitava, à espreita: Estou numa prisão inexpugnável. O hostil rondava e se sentia como coagido por um tridente invisível, aprisionado numa teia inextricável. E meio que alucinado, não dizia coisa que valesse: Estou debilitado demais... Não lembrava quem era nem do que havia passado. Teve um susto violento com a chegada repentina de uma bela mulher: Quem é você? Onde estou? Você já se restabeleceu, vou recuperar sua memória. Ah, você... O que houve? E ela silenciosa, depunha sobre a mesa uma tranqueira de coisas: uma mordaça, vendas, cordas, máscaras, chibatas, algemas, velas, gelo. adereços. Alguém vai ser castigado? Ela virou-se pra ele, era um álibi: brincadeira de adulto. E esbravejou pra ele: Sou Ishtar e você meu servo, sirva-me! Ora, você, uma heroína; eu, apenas herdei a maldição da minha vó. Obedeça-me: Sou Fílis, ajoelhe-se Aristóteles, tire minhas botas. À soberba dela, humilhado, ele se prostrou. Via-se insignificante diante daquele poderio persuasivo: irresistivelmente insinuante. Foi estapeado, puxado pela coleira no pescoço, engatinhando ao mando dela. Era questão de tempo arrumar um jeito de se esquivar disso, pensava. E ao tomá-lo servil, a Disciplinadora de Bétula mudou subitamente: Dessa vez, não. E agachou-se frente a frente, beijou-o e jogou-o pra lateral, aninhando-se podólatra mandona: A dominatrix se rende, quero pirá-lo. E não aceito não como resposta, nem seja analfabeto sexual, destrave-me! Do contrário, vou esmagá-lo: sou a vingativa Mimi Bouvier do Bitter Moon. Ele espantou-se, mas logo compelido a cumprir seu papel, atreveu-se mãos e pernas, bocas e sexo. Ela sussurrava soletrando: Amarelo!... E se engalfinhavam. Ela, agora, submissão em pessoa: Quero sempre mais, assim 24/7. Ele tomou seus pulsos, a crucificá-la nua. Ela rosnava medonha: Amarre-me, possua-me, ou eu o aniquilarei - sou Vanda Jourdain como La Vénus à la fourrure. Empolgado, usou de extrema força para domá-la, a maldizer entredentes coisas dos que mandam para os que são mandados, dos que pisam para os que são pisados, dos que chafurdam na coação e o doloroso prazer do coagido, os grunhidos dela: Mate-me, ou vou exterminá-lo! Ela rugia asfixiada, Vênus das Peles; ele, performático a supliciá-la na Cadeira de Judas, sodomizando a leoa que bramia estertorante, empalando-a com sua Pera da Angústia, como se estivesse suspensa num pau-de-arara. Deu-se o ápice, o desmaio: ali dormiam com o inimigo. No dia seguinte Tó Zeca despertou cabeça ao volante, no banco do motorista, acostamento da BR 232: Nossa, foi o maior rolê, hem?... Inacreditável! Virou as chaves, o ronco do motor, seguiu o passeio. Até mais ver.

 

Cora Coralina: O tempo muito me ensinou: ensinou a amar a vida, não desistir de lutar, renascer na derrota, renunciar às palavras e pensamentos negativos, acreditar nos valores humanos, e a ser otimista. Aprendi que mais vale tentar do que recuar… Antes acreditar do que duvidar, que o que vale na vida, não é o ponto de partida e sim a nossa caminhada... Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

Paulo Leminski: o tempo entre o sopro e o apagar da vela... Só uma nuvem te separa das estrelas... Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

Idea Vilariño: Tudo é muito simples muito mais simples e ainda. Ainda há momentos em que é demais para mim onde eu não entendo e não sei se rio em voz alta ou se chorar com medo ou estar aqui sem chorar sem risos em silêncio assumindo a minha vida meu trânsito meu tempo... Veja mais aqui & aqui.

 

VÊNUS

Imagem: Acervo ArtLAM.

Papai \ Aqui, aqui \ Babá \ Vovó \ Peitos. \ Tela os maiores mundo do peito, \ o mais cabelo comprido da cidade e uma penta enorme do esquerdo esquerdo. \ Quase um oleiro de terceiro, e mesmo assim, ela era míope. \ Um Nós chamsinós de Dada, não sei porça. \ Bem, Sim. \ Sim, claro: porque rosto o dela \ era sem \ graça, semona estética. \ Um dia, eu minha e irmã a maquiamos — com \ a cara maquiagem da mamãe. Mamãe ficou furiosa. \ Plebeu não tem um Dior. \ Eu adormecimentos muito da minha Dada com peitões. \ Com ela, a favor, assistência pela vez. \ Bebemos Coca-Cola, rimos, dissemos "Oh!". \ Na verdade, o nome dela era Zohra, \ assim o planeta \ Vênus. \ Minha Dada, com seios grandes, \ que não é mais aqui, aqui. \ Não, não.

Poema da escritora e artista visual marroquina Rim Battal, cuja obra poética e literária aborda com visceralidade a vivência do corpo feminino e as complexidades de crescer entre a tradição e a modernidade.

 

NOITE DA ESPERA - [...] Talvez seja isto o exílio: uma longa insônia em que fantasmas reaparecem com a língua materna, adquirem vida na linguagem, sobrevivem nas palavras... [...] O que o medo destrói e pode ensinar. Há momentos de medo. Há momentos de coragem... A melancolia é sentimento difuso, pois não se realiza. [...] Trechos extraídos da obra A Noite da Espera (Cia. das Letras, 2017), primeiro volume da trilogia O Lugar Mais Sombrio, do escritor, tradutor e professor Milton Hatoum (Milton Assi Hatoum). O segundo volume da trilogia é Pontos de Fuga (Cia. das Letras, 2019), que acompanha a formação sentimental, cultural e política do jovem Martim durante a ditadura militar brasileira, no qual o protagonista deixa Brasília e retorna a São Paulo, sua cidade, onde ingressa na faculdade de arquitetura da USP e passa a morar numa república de estudantes no bairro da Vila Madalena — um grupo que lhe trará novas vivências e grandes companheiros para a vida. Agora distante do pai opressor e dos amigos de Brasília, e sobretudo afastado de Dinah, a atriz militante com quem sua relação ficou estremecida, ele acompanha o endurecimento do regime autoritário no país, ao mesmo tempo que experimenta as agruras e adversidades da vida adulta, sempre assombrado pela incógnita do desaparecimento de sua mãe. Na obra ele expressa: [...] Não sei onde fiquei preso; fui proibido de telefonar, escutei barulho de motor de avião e com o zíper da calça marcava na parede cada dia que passava até desistir. Não quero falar dos interrogatórios. Melhor calar sobre o que se quer esquecer, mas é impossível esquecer [...] Não me machucaram quando fui detido em março de 68. Mas os pesadelos, a violência, e tudo que vem acontecendo na vida de muitas pessoas dão a Brasília um sentimento de destruição e morte que nem sequer os palácios, a Catedral, as cúpulas do Congresso e todas as curvas desta arquitetura conseguem dissipar.[...] Os convidados são deputados federais, menos Galindo, um gaúcho de uns cinquenta anos, cuja voz exaltada fala de brasileiros desaparecidos, tortura, insurgências populares [...] Só a Baronesa discorda do gaúcho, ela afirma que não tem tortura no Brasil, que os militares só matam os terroristas [...]. O terceiro volume da trilogia é Dança de Enganos (Cia. das Letras, 2025), em que o autor expressa: [...] É preciso dar tempo ao passado [...] depois da cantoria na igreja, meu pai me contou a história de um rei negro escravizado no Congo pelos portugueses. Foi vendido pro dono de uma mina em Ouro Preto e conseguiu comprar a alforria dele e de muita gente [...]. Veja mais aqui, aqui & aqui.

 

O UNIVERSO LITERÁRIO DE LYGIA FAGUNDES TELLES (Imagem: Quino – 1932-2020) - As personagens são como vampiros, cravam os caninos na nossa jugular e quando amanhece, voltam aos seus sepulcros até que anoiteça de novo. O fim do livro seria a pedra que ponho sobre esses visitantes. Definitivamente? Não. Um dia, de repente, com outro nome e outras feições e em outro tempo volta mascarada a mesma personagem, elas gostam da vida. Como nós... Ô literatura! Por que as coisas nos parecem sempre belas quando protegidas pela distância?... Pensamento da escritora Lygia Fagundes Telles (Lygia Fagundes da Silva Telles – 1918-2022), considerada a dama da literatura e a maior escritora brasileira, com suas obras que retratavam temas clássicos e universais como a morte, o amor, o medo, a loucura e a fantasia. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

 

POLÍTICA & RESPONSABILIDADE - [...] Não se deve travar lutas que você não vá vencer... [...]. Pensamento da socióloga, diplomata e política mexicana Beatriz Paredes Rangel (Beatriz Elena Paredes Rangel), que na entrevista Oficio y profesión. Una conversación con Beatriz Paredes (Nexos, 2024), ela expressou: […] Parece-me que essencialmente um político ou uma política deve ter um compromisso com os ideais. Os ideais em que ele acredita, que o ligam com as expectativas da sociedade. Nunca pensei que a política tivesse valor em si mesma. Penso que a política é instrumental. Políticos que estão interessados no poder para o próprio poder, por se sentirem poderosos, em satisfazer seu ego, por acumularem coisas, não compartilho dessa visão. Então, eu acredito que a política é um instrumento para transformar a realidade. Um político, uma política deve ter uma visão da realidade e deve lutar porque essa visão pode ser realizada. [...] Eu vou dizer algo muito estranho. O que eu gosto é de música e o que eu gosto é de arte. Política é o meu trabalho. É o cumprimento da minha responsabilidade pública. Vivo a política como uma responsabilidade, não a vivo como um prazer. Sei o que é prazer e não é política, para mim. Tem gente que gosta de poder, que bom... A política é sempre uma responsabilidade para mim. Nesse sentido, sou muito povo do Poder Legislativo, porque sou democrata. O poder legislativo é mais horizontal. Gosto do que afeta o médio e longo prazo. A lei, a boa lei, afeta o médio e longo prazo. Então eu gosto do Poder Legislativo. Penso que a legislatura mexicana deve passar por uma reforma muito profunda. Parece-me que é indispensável uma grande reforma do Estado mexicano. Mas eu tive responsabilidades muito interessantes no poder executivo. E claro, o privilégio de governar Tlaxcala, para alguém que é de sua região, pois é uma oportunidade extraordinária. [...].

 

A ARTE DE ANASTÁCIA

[...] Eu comecei minha carreira com 13 anos cantando em uma banca. E com menos de 15 anos fui descoberta por um ator pernambucana, e fiquei até os 20 anos no Recife cantando em uma rádio. Depois fui para São Paulo, onde estou até hoje, eu fui seguindo a vida e fui me alicerçando em São Paulo [...] Ultimamente tenho feito algumas coisas com Zeca Baleiro, que é um compositor maravilhoso, um artista sensacional. E o Chico César é uma pessoa muito inteligente que a gente sempre está junto. Agora estou na fase de compor com o filho de Gonzaguinha, ele vai produzir um disco de samba para mim. Essas pessoas que a gente tem afinidade, a gente se junta para fazer algum trabalho, e é uma maneira da gente juntar a força nordestina através da música [...].

Depoimento numa entrevista (G1, 2022), da cantora e compositora Anastácia (Lucinete Ferreira), a Rainha do Forró e parceira de Dominguinhos (1942–2013). Ela compôs mais de 250 canções, indicada ao Grammy por dias vezes e lançou seus álbuns a partir dos anos 1960, quando, com apenas 14 anos foi se apresentar na Rádio Jornal do Commercio, acompanhada por Hermeto Pascoal. Antes disso ela atuou no humor com Arlete Sales & Lúcio Mauro. E atuou com Dominguinhos acompanhando as turnês de Luiz Gonzaga. Entre os seus álbuns de sucesso estão Eu Sou Anastácia (DVD – 2018), Daquele Jeito (2017), 60 anos de Forró e MPB (2016), Amor Entre Quatro Paredes (2009), 50 anos de Forró (2004), Seresta (2001), Sangue Bom (2000), Coração de Mulher (1995), Coisa Querida (1994), Faz parte do Amor (1993), Saudade Matadeira (1992), Vem me Buscar (1991), Forró Bom é do Abc (1989), Tem que mexer para Adoçar (1988), Quero você pra mim (1987), Cheinho de Amor (1982), A Fulô do Forró (1981), Morrendo de Saudade (1979), Você é meu Xamêgo (1978), Vamos Xamegá (1972), Torrão de Ouro (1971), Canto do Sabiá (1970), Caminho da Roça (1969) e Anastácia no Torrado (1965), entre outros. Veja mais aqui.

 


EDUCAÇÃO NO DEBATE CONTEMPORÂNEO - A educação tem assumido o centro temático dos debates planetários, desde a década dos anos 1980, até o momento presente, refletindo-se sobre a sua importância na formação e desenvolvimento do ser humano. Diversas reflexões tem ocupado espaço no cenário educacional, dentre elas as ideias de Terry Eagleton, Jenny Odell, Ana Maria Machado, Judith Butler, Amanda Montell, Esther Pillar Grossi, Hwang Bo-reum, Elisa Loncón, Yurico Saito, Danica McKellar, Teresa Colomer, Zadie Smith, Claudia Werneck, Jason Stanley, entre outros, no sentido de nortear as conduções da relação ensino/pesquisa/extensão, do ensino & a aprendizagem, da educação linguística & estética decolonial, da inclusão, do papel da arte e da reflexão sobre o ódio, intolerância, violência & cristofascismo reinante nos dias atuais. Confira aqui.

 


O MUNDO MARAVILHOSO DO LIVRO – Desde menino bem pirrototinho, eu adorava ouvir hestórias cabeludas ou bem risíveis. Pedia pra quem chegasse que me contasse uma, a que fosse. Quando não, saía às carreiras pra onde tivesse embolada de coco ou desafio de repentista e, ficava lá aboletado, prestando atenção de nem piscar o olho, sem a noção do tempo que passava. Quando aprendi a ler, lá pelos meus 4 ou 5 anos de idade, foi por ficar impressionado com meu pai e o tanto de livros que ele lia a todo momento e todos os dias. E questionava pra ele: Qual o segredo que tem nesse livro? E invadia as estantes cheinhas de livros e pregava a vista neles. Foi aí que descobri o mundo maravilhoso dos livros. Quer saber mais? Clique aqui.

 

FÚRIA DOS INOCENTES - Reunião de dez noveletas em que conto como foi a maior Greia num Boi de Fogo, da Carta do Barbeiro, dum Fandango de quem foi e quase num volta, do santo Bode Frederiko, dum arretado Negócio Fechado, do cara que botou a Boca no Trombone, do Escândalo dum Corínha, do Estopô Calango e do diabo a quatro, tudo pra umas risadas sobre as diversas ações dos mais atiçados e recheadas de humor e situações vexatórias. Confira aqui.

 

GILVANÍCILA & AS SOMBRAS DO CORAÇÃO – Tudo começa com a felicidade do casal Suetônio & Deusdith, ampliada mais ainda com a chegada do irmão dele, Susdidido, há muitos anos no Iraque. A gravidez dela coroou o trio festivo e muito alvoroçado: nascia Gilvanícila. Porém, a felicidade do pai não previu a infelicidade de todos. Confira a historieta e o roteiro aqui.

 

PROS&VERSOS LAM – Reunião das diversas publicações autorais dimensionadas na Literatura & Teatro Infantis, Poemas, Contos, Noveletas, Literóticas & muito humor. Confira aqui.

 

E veja mais aqui.




quarta-feira, fevereiro 17, 2016

MAYANA ZATZ, RUMI, KRISHNAMURTI, ANTONIA PELLEGRINO & LITERÓTICA

 


AH, EMMA FROST... – Ela chegou supreendentemente avassaladora na ventania da noite para incendiar meu regaço. Uma femme fatale ameaçadora a me fazer refém: - Vou levá-lo pra Krakoa. Mas, antes... Aí posou elegantemente com o seu icônico jeito poderosíssimo, sua estatura escandalosamente fascinante, suas pernas esbeltas. Estalou os dedos e suas vestes ao chão, uma ajeitada nos cabelos sedosos com meneio da cabeça, descalça e longilínea, a constatação de seus poderes para brilhar no meu palco. O olhar profundamente azulado e angelical, a boca impudicamente provocante, o seu escultural corpo esgalgo gingando nas divinas ancas, a genitália formosa potencializando minhas taras e a permitir previsivelmente satisfazer todos os meus desejos. Aproximou-se retumbante pelo meu corpo entre suas pernas e em pé na cama, suas coxas em minhas faces. Arreou mansamente e repousou sua vagina à minha boca e suspirou às minhas caninas lambidas ousadas. E delirou com meus beijos nos seus lábios vaginais, minha língua explorando sua vulva, minhas mãos percorrendo suas pernas e seus apetitosos glúteos. Ela gemia com meus dedos se enfiando no seu ânus e gritava a cada esfregada em meu queixo e mais exaltava esfregando a própria face à parede, levando minhas mãos aos seus esplendorosos seios e, completamente extasiada, esfregou sua intimidade ao meu pescoço, sua umidade íntima em meu peito, deslizando a revirar-se, minha boca cheia com sua umidade do seu sexo, ela de 4, debruçada sobre o meu pênis a atiçá-lo com beijos afetados, lambidas vigorosas, sugando-o suspirante, sorvendo-o insaciável, saboreando-o desatinada, agigantando-o com sua chupada potente, dominadora apetitosa. De repente girou apressada e sem me largar, beijou-me os lábios e pousou sua fúria fogosa no meu ventre a quicar no meu sexo, a estertorar enlouquecida com seus orgasmos abundantes às enfiadas na minha penetrante gozada explosiva. Deitou-se ofegante sobre meu corpo, fechou os olhos e suas mãos alisavam minha pele. E assim ficou demoradamente, até relaxar aos poucos e me puxar estirada contra o seu peito, abrigando-me entre os seios faustos, como se me ninasse com todo seu mimo materno. Assim deitado a usufruir do seu dadivoso corpo, reiterou baixinho sua missão de levar-me o quanto antes. Não objetei, estava vencido por seu domínio, à mercê da sobrevivente professora amável solitária, minha feroz protetora. E levou-me pelas trilhas inexploradas dos seus prazeres mais arraigados, às fagulhas do seu gozo na cavalgada estonteante das imensidões sobrepujadas. Exaurida, dormiu de 4, debruçada. E ali enigmática, possuída vulnerável, estava a que ressuscitou tantas vezes e me premiou a sua ubiquidade de amante despojada de seus poderes, a me presentear todo seu legado para tornar-se eterno diamante inquebrável no meu coração. Veja mais abaixo & mais aqui & aqui.

 

DITOS & DESDITOS

Talvez não haja luta ao mesmo tempo tão antiga e tão justa do que a do povo palestino na busca de suas terras ocupadas, na busca de seu Estado nacional. Dos povos da terra, os palestinos seguramente estão entre os mais antigos e que vivem no mesmo espaço geográfico há milhares de anos...

Pensamento do sociólogo, escritor e professor Lejeune Mirhan (1956-2026).

 

ALGUÉM FALOU:

Deus criou este mundo, que é obscuridade, a fim de que sua luz pudesse manifestar-se...

Pensamento do poeta e teólogo sufi persa Rumi (Jalaladim Maomé Rumi ou Maulana Jalaladim Maomé – 1207-1273). Veja mais aqui, aqui, aqui & aqui.

 

SEPARAÇÃO - [...] Para se separar é preciso tanto desejo como para se constituir enquanto casal. É preciso a mesma determinação. O mesmo empenho, atenção, cuidado e desejo. Mas se no começo essa determinação é ativada por afetos alegres, numa separação o que conduz são os afetos tristes. É preciso tirar as forças das profundezas da terra, para onde o resultado do que for produzido por estas forças estará destinado. E por isso a narrativa é tão importante. Ela é como um rezo, uma história que cada um costura para si, em silêncio, mas que, ao invés de entregar aos céus, é entregue à terra. Essa história íntima só pode ser liberadora se houver nela generosidade com as nossas falhas. [...] Trecho do artigo Sem mágoas ou amor (Trip, 2016), da escritora e roteirista Antonia Pellegrino. Veja mais aqui.

 

VIOLÊNCIA & ESTUDOS DISTROFIA MUSCULAR - [...] começamos a estudar enzimas e descobrimos que algumas delas, como a creatina quinase, produzida pelos músculos, apresentavam níveis sanguíneos 60% a 70% mais elevados em pessoas com risco de ter filhos com distrofia muscular de Duchenne. Estudamos as pessoas afetadas, as mães, as irmãs e, posteriormente, explicamos tudo isso às famílias, ainda sob a orientação do professor Frota. Pouco depois de retornar, alguns alunos me procuraram e pediram para iniciar uma pesquisa, e uma das coisas que me intrigava era saber o que havia acontecido com essas famílias. [...] Bem espalhados, a maioria em favelas. Fomos a todos os lugares. O nível de violência era insignificante comparado ao de hoje, e as pessoas nos acolheram de braços abertos. Tivemos uma grata surpresa, pois as famílias compreendiam o alto risco e a maioria não tinha filhos. Mas fiquei chocada ao ver as condições das crianças que nasceram antes do aconselhamento genético e não tinham cadeira de rodas, acesso à fisioterapia ou à escola, porque ninguém queria adotá-las. Isso foi ainda mais chocante diante do enorme apoio que eu havia visto nos Estados Unidos para famílias com problemas idênticos. Então pensei: “Preciso fazer alguma coisa”, e assim fundei a Associação Brasileira de Distrofia Muscular. [...] No início, o professor Frota era o diretor científico da Associação e Maria Rita Passos-Bueno, se não me engano, era uma das nossas diretoras. Nós nos mobilizamos, eu usei o dinheiro da minha bolsa para elaborar o estatuto e pagar um advogado… A sede ficava aqui no meu escritório. Depois, começamos a organizar um bazar, a vender rifas [...] Todas essas doenças têm uma incidência de uma criança afetada a cada mil nascidos vivos. Dentre as doenças genéticas, que afetam 3% das crianças, talvez esta (neuromuscular) seja a mais comum. E o que se torna ainda mais importante é que a grande maioria dos casos é muito grave e progressiva. [...] Existem algumas formas que afetam adultos, mas em muitos casos são bebês ou jovens que morrem. E o que eu sempre digo é que não é apenas uma criança ou um adolescente que é afetado, mas toda a família. [...] E, quando as pessoas começam a discutir questões éticas nessa área, como se fossem um amontoado de teorias, acho interessante contar alguns casos práticos bem complicados. Lembro-me de outro caso… o de um casal que teve um filho com uma doença neuromuscular. O pai se sentia culpado porque acreditava ter transmitido a mutação ao filho. Através de um exame de DNA, descobriu-se que ele não era o pai biológico. Daí surgiu a angústia: contar ou não contar, eis a questão? Contei essa história em um congresso de bioética que só tinha advogados presentes, e eles me disseram: “Veja, você pode muito bem ser processado em ambas as situações, tanto se contar quanto se não contar [...] A grande esperança agora reside exatamente nas células-tronco, e foi por isso que lutei tanto por elas. Muito se falou há uma década sobre terapia genética, mas eu a vejo muito mais distante do que a terapia celular, que é uma evolução dos transplantes. Na terapia genética, é preciso manipular o gene, é preciso ter certeza de que se chegará ao gene correto, enquanto na terapia celular há uma substituição do tecido [...] Trechos extraídos da entrevista Mayana Zatz: Um olho na razão, o outro no coração (Revista Pesquisa Fapesp, abril 2005), concedida pela da bióloga molecular e geneticista Mayana Zatz. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

 


MABEL COLLINS – A escritora mística e teosofista britânica Mabel Collins (1851-1827), escreveu dezenas de romances, merecendo seu pensamento um estudo realizado pelo professor Prof. Dr. R. D. Pizzinga, Ph.D., sob a denominação de Luz da Consciência, do qual destaco os seguintes trechos: Quando o discípulo está preparado para aprender, então é aceito e reconhecido. Assim deve ser porque ele acendeu a sua Lâmpada, e esta não pode mais ficar oculta. [...] Absolutamente, cada homem é, para si mesmo, o Caminho, a Verdade e a Vida. [...] As Três Verdades absolutas: 1ª) A Alma do homem é imortal e o seu futuro é o de algo cujo crescimento e esplendor não têm limites; 2ª) O Princípio que dá a vida mora em nós e fora de nós; é imortal e eternamente benéfico; não é ouvido, nem visto, nem apreendido pelo olfato, mas pode ser percebido pelo homem desejoso de o perceber; e 3ª) Cada homem é seu absoluto legislador, o dispensador de glória ou de escuridão para si mesmo, o decretador de sua vida, recompensa e punição. Veja mais aqui, aqui e aqui.

VIAGEM POR UM MAR DESCONHECIDO, DE JIDDU KRISHNAMURTI - [...] necessitamos de paz. A paz e a liberdade são uma necessidade absoluta, porque nada pode florescer, funcionar plena e completamente, a não ser na paz, e a paz não é possível sem a liberdade. Há milhões Há milhões de anos que vivemos em conflito, não só interiormente, mas também exteriormente. Nos últimos cinco mil e quinhentos anos travaram-se catorze mil e tantas guerras – quase três guerras em cada ano, durante a histórica escrita do homem – e aceitamos tal maneira de viver, aceitamos a guerra como norma da vida. Mas, nada pode funcionar ou florescer no ódio, na confusão, no conflito. Como entes humanos, temos de encontrar uma diferente maneira de viver – de viver neste mundo sem conflito interior. Então, esse sentimento interior de paz poderá expressar-se, em ação, na sociedade. Cumpre, portanto, a cada um averiguar por si próprio se, vivendo em relação com o mundo, como ente humano, é capaz de encontrar aquela paz – não uma paz imaginária, mítica ou mística, fantástica; se é capaz de viver sem nenhuma espécie de conflito interior e de ser totalmente livre, não imaginaríamos livre, num certo mundo místico, porém realmente livre, interiormente – pois então esse estado se expressará exteriormente em todas as suas relações. Eis as duas questões principais. Cumpre-nos descobrir se o homem – vós e eu – tem possibilidade de viver e atuar neste mundo de maneira diferente, sem conflito de espécie alguma, tornando-se, assim, capaz de criar uma estrutura social não baseada na violência. Neste país pregou-se a não violência durante trinta, quarenta anos, ou mais, e todos vós aceitastes esse ideal da não violência, e incessantemente repetíveis essa frase. Durante milhares de anos vos disseram que não deveis matar. De repente, da noite para o dia, tudo isso desapareceu. Isto é um fato, e não uma opinião minha. E é bem estranhável que não hajam aparecido indivíduos capazes de dizer: - Não quero matar – e dispostos a enfrentar as consequências. Tudo isso – isto é, viver verbalmente, aceitar facilmente ideais e com igual facilidade abandoná-los – denota uma mente sem nenhuma seriedade, nenhuma gravidade, uma mente leviana e não uma mente interessada a sério nos problemas mundiais. VIAGEM POR UM MAR DESCONHECIDO – O livro Viagem por um mar desconhecido, do filósofo, escritor e educador indiano, Jiddu Krishnamurti (1895-1986), aborda temas como psicologia, conhecimento, meditação, liberdade, relações humanas, natureza da mente, a mutação da mente, viver em nova dimensão, existência repetitiva, o tempo, a energia e a inércia, silêncio criador, a relação entre imagens, viver em paz, o campo da consciência, o medo, o conflito da dualidade, que é ação, inclinações, temperamento, circunstâncias, peregrinação do homem, da insignificância do viver, da energia, entre outros assuntos. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.

REFERÊNCIA
KRISHNAMURTI, Jiddu. Por um mar desconhecido. São Paulo: Três, 1973.

EMMA FROST – Emma Grace Frost é uma personagem das histórias em quadrinhos estadunidense, criada pelo escritor Chris Claremont e pelo artista John Byrne, publicadas pela Marvel Comics. Ela apareceu pela primeira vez em The Uncanny X-Men #129 (janeiro de 1980) e pertence a uma subespécie de humanos chamados mutantes que nascem com habilidades sobre-humanas. Sua mutação concede a ela habilidades telepáticas de alto nível e o poder de se transformar em diamante orgânico. Ela evoluiu de uma supervilã e inimiga dos X-Men para se tornar uma super-heroína e um dos membros e líderes mais centrais da equipe. Também é conhecida como Rainha Branca, que integrou o Clube do Inferno, sendo rotulada como femme fatale. Foi interpretada por Finola Hughes no piloto televisivo GenerationX (1996), pela Tahyna Tozzi nos filmes X-Men Origens: Wolverine; January Jones no X-Men: First Class e Samara Weaving no Universo Cinematográfico da Marvel. Veja mais abaixo e mais aqui & aqui.

 


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