Mostrando postagens com marcador Leminski. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Leminski. Mostrar todas as postagens

sábado, agosto 15, 2026

LYGIA FAGUNDES TELLES, RIM BATTAL, MILTON HATOUM, BEATRIZ PAREDES RANGEL & ANASTÁCIA

 

 Imagem: Acervo ArtLAM.


 

Vênus da Lua de Fel na Serra das Russas... - Lá ia Tó Zeca, sobe-desce na sua fubica incrementada, todo ancho a viandar pela rodovia Gonzagão. Ah, chega ele devaneava pelas paradisíacas escarpas íngremes neblinosas do Planalto da Borborema. Ali atravessou túneis e, pela alta Ponte Cascavel, acelerou empáfia de piloto macho, amostrando-se pra si nas cantadas de pneus pelas curvas acentuadas, quando, ao destampar numa delas deu-se o desembesto: deparou-se com uma formosa estranha, com o braço estirado prum breque: Pare! Um desmantelo. Ela estava exatamente postada no meio da faixa, obrigando-o a morder a língua desastrado, numa frenagem cabulosa, dele se estabocar todo e botar pra valer toda sua perícia ineivada: virou bruscamente o volante, botou pro lado, puxou o freio de mão de quase arrancá-lo num cavalo de pau arretado, enrolou-se todo girando às piruetas tresloucadas, pronto para se espatifar de qualquer jeito, deus o livre e guarde, tei bei. Mas, não, bastante ágil, livrou-se duma barroada na barreira e, às rodadas vexaminosas, desaprumou-se de quase ser arremessado ao precipício, valha-me! Nada. Aí, retomou habilmente o tino e o que restou de prumo, acionou alucinado a tração nas 4 rodas, as traseiras estavam no ar já fora do asfalto pra rebentação e, numa acelerada brusca, cantou os dois pneus dianteiros que restavam no solo, vupte! E salvou-se de desabar ribanceira abaixo. Ufa! Depois de muito atrapalho, às reviravoltas, levantando poeira no saçaricado, finalmente, todo desarrumado estacionou atravessado diante da beldade. Mão enxugando o suor da testa, sacudia o corpo entrevado e, com ar de superioridade, esperou a poeira baixar. No meio da fuzarca apareceu a dita cuja firme e chistosa: Essa geringonça mata sapo e espalha merda, né? Hum, gracinha. Reconheceu-a e não era um bom sinal: É você mesma ou uma das irmãs Stepfoad, uma de seus clones? Indignada, cerrou as pestanas e fez uma careta de reprovação. Não, não era. De mesmo, era a indestrutível Rainha Branca, a supervilã do Helfire Club, tão difusa ali, personalidade fria, calculista, poliândrica, arrogante e, ao mesmo tempo, sarcástica, com todos os seus atavios charmosos e a ronronar sua repugnância: Você, humano, é uma criatura inferior! Êpa, calma aí! E ao vê-lo afastar-se do veículo, ela apontou o dedo, sinistra: Vou levá-lo pra Kroaka, é melhor não resistir, se poupe. Olhou dos pés à cabeça e lá estava ela, atraente catadura, com toda sua elegância de femme fatale, seu estilo marcante, seus cabelos louros esvoaçantes no olhar penetrante, sua atitude dominante nas vestes níveas, seus lábios carnudos proeminentes, seios opulentos, as botas nas coxas voluptuosas, um mulheraço dinamitando suas ideias. Veja só: não sou Ciclope nem Toy Stark, nem o Namor, muito menos Sebastian Shaw; também não sou aliado da Casandra Nova, nem de Esmee que atirou despedaçando sua forma diamante; sou de paz, saiba logo. Não resista, você não sabe com quem está lidando. Ora, se sei. Sabe mesmo? Claro. Sou Emma Grace Frost: é pro seu bem! Sei, Hazel Kendal, muito prazer! Ela arregalou o olho ao ouvir seu codinome. Reluta? Nunca. Dissimuladamente ela começou a deslizar o zíper das vestes, desabrochando sua nudez e ele sabia: Vai ser agora! E ao se aprumar no salto pra bater os calcanhares e gritar a palavra mágica, nem deu tempo balbuciar as primeiras sílabas: Sabari... Estava desprevenido pra vilania dela e, com asco estrangulador, atingiu-o com uma rajada de raios psiônicos, vixe! Lascou-se. Nele tascou todo o seu poder ameaçador de nível ômega, acometendo-o de ilusões telepáticas: Não resista! O golpe foi quase letal e, por um instante, ao voltar a si: Ela me nocauteou! Um reles humano diante de uma heroína sobre-humana: Perdi a parada! Ela achegou-se com toda cupidez e, revestida pela pele de diamante indestrutível, jogou-lhe seus poderes inigualavelmente aterradores. O cara inchou e bufou de quase estourar-se aos cacos pra todo lado, rendido a cumprir sua pena: nova carga dela aos golpes certeiros e ele se contorcia de dores, aos gritos. Enquanto isso, ela vasculhava sua mente, inutilizando-o. Quando, de repente: Peraí! Entre as memórias dele a presença dela: Como pode? Investigou melhor e reviu cenas: o ataque do viajante temporal, em que ela entrou em coma: Não pode, quem me socorreu? Quem me levou para ser cuidada na Mansão X? Não pode ser. E aprofundou-se na averiguação: Foi ele quem me levou para ser restaurada por Jean Gray; foi ele quem me avisou que o Dr. Sublime havia roubado meus óvulos e foi quem me deixou ciente de que fui traída por Ciclope, que roubou meus poderes. A certidão inevitável: Foi ele quem me salvou quando fui presa pelos Vingadores. E ao passar tudo por seu escrutínio, suspendeu o martírio. Era tarde, o cara parecia mais que já tinha partido dessa para melhor. Foi não! Agora, só na outra! Oxe! Bem, escapou dessa. Ao despertar, ele notou o silêncio ao redor: se sentia como se estivesse num Caixão da Tortura. Suspeitava, à espreita: Estou numa prisão inexpugnável. O hostil rondava e se sentia como coagido por um tridente invisível, aprisionado numa teia inextricável. E meio que alucinado, não dizia coisa que valesse: Estou debilitado demais... Não lembrava quem era nem do que havia passado. Teve um susto violento com a chegada repentina de uma bela mulher: Quem é você? Onde estou? Você já se restabeleceu, vou recuperar sua memória. Ah, você... O que houve? E ela silenciosa, depunha sobre a mesa uma tranqueira de coisas: uma mordaça, vendas, cordas, máscaras, chibatas, algemas, velas, gelo. adereços. Alguém vai ser castigado? Ela virou-se pra ele, era um álibi: brincadeira de adulto. E esbravejou pra ele: Sou Ishtar e você meu servo, sirva-me! Ora, você, uma heroína; eu, apenas herdei a maldição da minha vó. Obedeça-me: Sou Fílis, ajoelhe-se Aristóteles, tire minhas botas. À soberba dela, humilhado, ele se prostrou. Via-se insignificante diante daquele poderio persuasivo: irresistivelmente insinuante. Foi estapeado, puxado pela coleira no pescoço, engatinhando ao mando dela. Era questão de tempo arrumar um jeito de se esquivar disso, pensava. E ao tomá-lo servil, a Disciplinadora de Bétula mudou subitamente: Dessa vez, não. E agachou-se frente a frente, beijou-o e jogou-o pra lateral, aninhando-se podólatra mandona: A dominatrix se rende, quero pirá-lo. E não aceito não como resposta, nem seja analfabeto sexual, destrave-me! Do contrário, vou esmagá-lo: sou a vingativa Mimi Bouvier do Bitter Moon. Ele espantou-se, mas logo compelido a cumprir seu papel, atreveu-se mãos e pernas, bocas e sexo. Ela sussurrava soletrando: Amarelo!... E se engalfinhavam. Ela, agora, submissão em pessoa: Quero sempre mais, assim 24/7. Ele tomou seus pulsos, a crucificá-la nua. Ela rosnava medonha: Amarre-me, possua-me, ou eu o aniquilarei - sou Vanda Jourdain como La Vénus à la fourrure. Empolgado, usou de extrema força para domá-la, a maldizer entredentes coisas dos que mandam para os que são mandados, dos que pisam para os que são pisados, dos que chafurdam na coação e o doloroso prazer do coagido, os grunhidos dela: Mate-me, ou vou exterminá-lo! Ela rugia asfixiada, Vênus das Peles; ele, performático a supliciá-la na Cadeira de Judas, sodomizando a leoa que bramia estertorante, empalando-a com sua Pera da Angústia, como se estivesse suspensa num pau-de-arara. Deu-se o ápice, o desmaio: ali dormiam com o inimigo. No dia seguinte Tó Zeca despertou cabeça ao volante, no banco do motorista, acostamento da BR 232: Nossa, foi o maior rolê, hem?... Inacreditável! Virou as chaves, o ronco do motor, seguiu o passeio. Até mais ver.

 

Cora Coralina: O tempo muito me ensinou: ensinou a amar a vida, não desistir de lutar, renascer na derrota, renunciar às palavras e pensamentos negativos, acreditar nos valores humanos, e a ser otimista. Aprendi que mais vale tentar do que recuar… Antes acreditar do que duvidar, que o que vale na vida, não é o ponto de partida e sim a nossa caminhada... Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

Paulo Leminski: o tempo entre o sopro e o apagar da vela... Só uma nuvem te separa das estrelas... Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

Idea Vilariño: Tudo é muito simples muito mais simples e ainda. Ainda há momentos em que é demais para mim onde eu não entendo e não sei se rio em voz alta ou se chorar com medo ou estar aqui sem chorar sem risos em silêncio assumindo a minha vida meu trânsito meu tempo... Veja mais aqui & aqui.

 

VÊNUS

Imagem: Acervo ArtLAM.

Papai \ Aqui, aqui \ Babá \ Vovó \ Peitos. \ Tela os maiores mundo do peito, \ o mais cabelo comprido da cidade e uma penta enorme do esquerdo esquerdo. \ Quase um oleiro de terceiro, e mesmo assim, ela era míope. \ Um Nós chamsinós de Dada, não sei porça. \ Bem, Sim. \ Sim, claro: porque rosto o dela \ era sem \ graça, semona estética. \ Um dia, eu minha e irmã a maquiamos — com \ a cara maquiagem da mamãe. Mamãe ficou furiosa. \ Plebeu não tem um Dior. \ Eu adormecimentos muito da minha Dada com peitões. \ Com ela, a favor, assistência pela vez. \ Bebemos Coca-Cola, rimos, dissemos "Oh!". \ Na verdade, o nome dela era Zohra, \ assim o planeta \ Vênus. \ Minha Dada, com seios grandes, \ que não é mais aqui, aqui. \ Não, não.

Poema da escritora e artista visual marroquina Rim Battal, cuja obra poética e literária aborda com visceralidade a vivência do corpo feminino e as complexidades de crescer entre a tradição e a modernidade.

 

NOITE DA ESPERA - [...] Talvez seja isto o exílio: uma longa insônia em que fantasmas reaparecem com a língua materna, adquirem vida na linguagem, sobrevivem nas palavras... [...] O que o medo destrói e pode ensinar. Há momentos de medo. Há momentos de coragem... A melancolia é sentimento difuso, pois não se realiza. [...] Trechos extraídos da obra A Noite da Espera (Cia. das Letras, 2017), primeiro volume da trilogia O Lugar Mais Sombrio, do escritor, tradutor e professor Milton Hatoum (Milton Assi Hatoum). O segundo volume da trilogia é Pontos de Fuga (Cia. das Letras, 2019), que acompanha a formação sentimental, cultural e política do jovem Martim durante a ditadura militar brasileira, no qual o protagonista deixa Brasília e retorna a São Paulo, sua cidade, onde ingressa na faculdade de arquitetura da USP e passa a morar numa república de estudantes no bairro da Vila Madalena — um grupo que lhe trará novas vivências e grandes companheiros para a vida. Agora distante do pai opressor e dos amigos de Brasília, e sobretudo afastado de Dinah, a atriz militante com quem sua relação ficou estremecida, ele acompanha o endurecimento do regime autoritário no país, ao mesmo tempo que experimenta as agruras e adversidades da vida adulta, sempre assombrado pela incógnita do desaparecimento de sua mãe. Na obra ele expressa: [...] Não sei onde fiquei preso; fui proibido de telefonar, escutei barulho de motor de avião e com o zíper da calça marcava na parede cada dia que passava até desistir. Não quero falar dos interrogatórios. Melhor calar sobre o que se quer esquecer, mas é impossível esquecer [...] Não me machucaram quando fui detido em março de 68. Mas os pesadelos, a violência, e tudo que vem acontecendo na vida de muitas pessoas dão a Brasília um sentimento de destruição e morte que nem sequer os palácios, a Catedral, as cúpulas do Congresso e todas as curvas desta arquitetura conseguem dissipar.[...] Os convidados são deputados federais, menos Galindo, um gaúcho de uns cinquenta anos, cuja voz exaltada fala de brasileiros desaparecidos, tortura, insurgências populares [...] Só a Baronesa discorda do gaúcho, ela afirma que não tem tortura no Brasil, que os militares só matam os terroristas [...]. O terceiro volume da trilogia é Dança de Enganos (Cia. das Letras, 2025), em que o autor expressa: [...] É preciso dar tempo ao passado [...] depois da cantoria na igreja, meu pai me contou a história de um rei negro escravizado no Congo pelos portugueses. Foi vendido pro dono de uma mina em Ouro Preto e conseguiu comprar a alforria dele e de muita gente [...]. Veja mais aqui, aqui & aqui.

 

O UNIVERSO LITERÁRIO DE LYGIA FAGUNDES TELLES (Imagem: Quino – 1932-2020) - As personagens são como vampiros, cravam os caninos na nossa jugular e quando amanhece, voltam aos seus sepulcros até que anoiteça de novo. O fim do livro seria a pedra que ponho sobre esses visitantes. Definitivamente? Não. Um dia, de repente, com outro nome e outras feições e em outro tempo volta mascarada a mesma personagem, elas gostam da vida. Como nós... Ô literatura! Por que as coisas nos parecem sempre belas quando protegidas pela distância?... Pensamento da escritora Lygia Fagundes Telles (Lygia Fagundes da Silva Telles – 1918-2022), considerada a dama da literatura e a maior escritora brasileira, com suas obras que retratavam temas clássicos e universais como a morte, o amor, o medo, a loucura e a fantasia. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

 

POLÍTICA & RESPONSABILIDADE - [...] Não se deve travar lutas que você não vá vencer... [...]. Pensamento da socióloga, diplomata e política mexicana Beatriz Paredes Rangel (Beatriz Elena Paredes Rangel), que na entrevista Oficio y profesión. Una conversación con Beatriz Paredes (Nexos, 2024), ela expressou: […] Parece-me que essencialmente um político ou uma política deve ter um compromisso com os ideais. Os ideais em que ele acredita, que o ligam com as expectativas da sociedade. Nunca pensei que a política tivesse valor em si mesma. Penso que a política é instrumental. Políticos que estão interessados no poder para o próprio poder, por se sentirem poderosos, em satisfazer seu ego, por acumularem coisas, não compartilho dessa visão. Então, eu acredito que a política é um instrumento para transformar a realidade. Um político, uma política deve ter uma visão da realidade e deve lutar porque essa visão pode ser realizada. [...] Eu vou dizer algo muito estranho. O que eu gosto é de música e o que eu gosto é de arte. Política é o meu trabalho. É o cumprimento da minha responsabilidade pública. Vivo a política como uma responsabilidade, não a vivo como um prazer. Sei o que é prazer e não é política, para mim. Tem gente que gosta de poder, que bom... A política é sempre uma responsabilidade para mim. Nesse sentido, sou muito povo do Poder Legislativo, porque sou democrata. O poder legislativo é mais horizontal. Gosto do que afeta o médio e longo prazo. A lei, a boa lei, afeta o médio e longo prazo. Então eu gosto do Poder Legislativo. Penso que a legislatura mexicana deve passar por uma reforma muito profunda. Parece-me que é indispensável uma grande reforma do Estado mexicano. Mas eu tive responsabilidades muito interessantes no poder executivo. E claro, o privilégio de governar Tlaxcala, para alguém que é de sua região, pois é uma oportunidade extraordinária. [...].

 

A ARTE DE ANASTÁCIA

[...] Eu comecei minha carreira com 13 anos cantando em uma banca. E com menos de 15 anos fui descoberta por um ator pernambucana, e fiquei até os 20 anos no Recife cantando em uma rádio. Depois fui para São Paulo, onde estou até hoje, eu fui seguindo a vida e fui me alicerçando em São Paulo [...] Ultimamente tenho feito algumas coisas com Zeca Baleiro, que é um compositor maravilhoso, um artista sensacional. E o Chico César é uma pessoa muito inteligente que a gente sempre está junto. Agora estou na fase de compor com o filho de Gonzaguinha, ele vai produzir um disco de samba para mim. Essas pessoas que a gente tem afinidade, a gente se junta para fazer algum trabalho, e é uma maneira da gente juntar a força nordestina através da música [...].

Depoimento numa entrevista (G1, 2022), da cantora e compositora Anastácia (Lucinete Ferreira), a Rainha do Forró e parceira de Dominguinhos (1942–2013). Ela compôs mais de 250 canções, indicada ao Grammy por dias vezes e lançou seus álbuns a partir dos anos 1960, quando, com apenas 14 anos foi se apresentar na Rádio Jornal do Commercio, acompanhada por Hermeto Pascoal. Antes disso ela atuou no humor com Arlete Sales & Lúcio Mauro. E atuou com Dominguinhos acompanhando as turnês de Luiz Gonzaga. Entre os seus álbuns de sucesso estão Eu Sou Anastácia (DVD – 2018), Daquele Jeito (2017), 60 anos de Forró e MPB (2016), Amor Entre Quatro Paredes (2009), 50 anos de Forró (2004), Seresta (2001), Sangue Bom (2000), Coração de Mulher (1995), Coisa Querida (1994), Faz parte do Amor (1993), Saudade Matadeira (1992), Vem me Buscar (1991), Forró Bom é do Abc (1989), Tem que mexer para Adoçar (1988), Quero você pra mim (1987), Cheinho de Amor (1982), A Fulô do Forró (1981), Morrendo de Saudade (1979), Você é meu Xamêgo (1978), Vamos Xamegá (1972), Torrão de Ouro (1971), Canto do Sabiá (1970), Caminho da Roça (1969) e Anastácia no Torrado (1965), entre outros. Veja mais aqui.

 


EDUCAÇÃO NO DEBATE CONTEMPORÂNEO - A educação tem assumido o centro temático dos debates planetários, desde a década dos anos 1980, até o momento presente, refletindo-se sobre a sua importância na formação e desenvolvimento do ser humano. Diversas reflexões tem ocupado espaço no cenário educacional, dentre elas as ideias de Terry Eagleton, Jenny Odell, Ana Maria Machado, Judith Butler, Amanda Montell, Esther Pillar Grossi, Hwang Bo-reum, Elisa Loncón, Yurico Saito, Danica McKellar, Teresa Colomer, Zadie Smith, Claudia Werneck, Jason Stanley, entre outros, no sentido de nortear as conduções da relação ensino/pesquisa/extensão, do ensino & a aprendizagem, da educação linguística & estética decolonial, da inclusão, do papel da arte e da reflexão sobre o ódio, intolerância, violência & cristofascismo reinante nos dias atuais. Confira aqui.

 


O MUNDO MARAVILHOSO DO LIVRO – Desde menino bem pirrototinho, eu adorava ouvir hestórias cabeludas ou bem risíveis. Pedia pra quem chegasse que me contasse uma, a que fosse. Quando não, saía às carreiras pra onde tivesse embolada de coco ou desafio de repentista e, ficava lá aboletado, prestando atenção de nem piscar o olho, sem a noção do tempo que passava. Quando aprendi a ler, lá pelos meus 4 ou 5 anos de idade, foi por ficar impressionado com meu pai e o tanto de livros que ele lia a todo momento e todos os dias. E questionava pra ele: Qual o segredo que tem nesse livro? E invadia as estantes cheinhas de livros e pregava a vista neles. Foi aí que descobri o mundo maravilhoso dos livros. Quer saber mais? Clique aqui.

 

FÚRIA DOS INOCENTES - Reunião de dez noveletas em que conto como foi a maior Greia num Boi de Fogo, da Carta do Barbeiro, dum Fandango de quem foi e quase num volta, do santo Bode Frederiko, dum arretado Negócio Fechado, do cara que botou a Boca no Trombone, do Escândalo dum Corínha, do Estopô Calango e do diabo a quatro, tudo pra umas risadas sobre as diversas ações dos mais atiçados e recheadas de humor e situações vexatórias. Confira aqui.

 

GILVANÍCILA & AS SOMBRAS DO CORAÇÃO – Tudo começa com a felicidade do casal Suetônio & Deusdith, ampliada mais ainda com a chegada do irmão dele, Susdidido, há muitos anos no Iraque. A gravidez dela coroou o trio festivo e muito alvoroçado: nascia Gilvanícila. Porém, a felicidade do pai não previu a infelicidade de todos. Confira a historieta e o roteiro aqui.

 

PROS&VERSOS LAM – Reunião das diversas publicações autorais dimensionadas na Literatura & Teatro Infantis, Poemas, Contos, Noveletas, Literóticas & muito humor. Confira aqui.

 

E veja mais aqui.




segunda-feira, abril 21, 2025

MALALAI JOYA, SARAH HOLLAND-BATT, ESTHER GROSSI & MÁRCIA MEIRA BASTO

 

 Imagem: CoLAM – Acervo ArtLAM.

Ao som dos álbuns The Naked Violin (2008) e Elgar: Violin Concerto (2011), da violinista, recitalista e musicista de câmara inglesa Tasmin Elizabeth Little.

 

Meu coração, ave de arribação pelas pedras de Madalena... - Da beira do rio ganhei o mundo como quem nasceu na enchente às margens perdidas e o umbigo na correnteza escorresse do agreste à deriva singrando a mata pro litoral atlântico. Do que boiava ao léu, juntava ais porque não era trinta-réis-ártico ou papagaio-do-mar, ao menos um pintassilgo-goianinho ou merganso, nada, reles xexéu náufrago e o que poderia ter sido porque mergulhava incapaz do que circundava na exaltação de latitudes, na perdição longitudinal do Antártico ao Ártico. Era errante sem ter onde semear nem colher, ao sabor dos ventos e temporais, a rotação da Terra às próprias translações, o rastro cislunar, os sinais estelares pela subida de morro, descendo serras, pelas marés, correntes, quedas d’água, vicinais, torrentes e insolações. Era mas que cúmplice da hora pelas rotas migratórias, todas as precipitações no frio da barriga pelas correntes de ar, a perder de vista o prumo, o leme, a proa, a popa, o reino de nenhuma bússola ou embarcação, ao passo que nascia no dia e já era fim de tarde, alagados e pântanos no mapa da sobrevivência. Cada viagem revivia a ancestralidade e era o que me valia a resistência e adaptação pelas estações, desafios e perigos de nenhum pouso na solidão maciça, mastigando lonjuras e engolindo o país e o dia seguinte, esculpindo calendários a mudar de lugar e a cada chegada oferecia minhas vísceras ao espetáculo de partir e voltar. Em vão perscrutava as estrelas porque não havia cicerone algum às cascatas e soava o alarme para mimetizar percursos inventados. Bastava um fiapo de coragem e a jornada épica aos suspensos bocados de comoção pungente pelas demoras eclipsadas e o horror logo ali adiante: o mundo era um turbilhão e o tempo a serpente devoradora. Meus olhos choviam na aridez do mormaço e foi o bastante para que ela aparecesse com veraneio no sorriso e o cheiro das coisas, quantos sabores para quem não tinha nenhum. Era ela elevada como se chegasse da torre longínqua de Magdala, com a Pistis Sophia para que eu aprendesse a vencer a morte implacável e partilhasse talvez o que quisesse dizer às pedras conjugadas. E ela me fez beija-flor no seu êxtase de Caravaggio, mãos servidas à mesa, porque ali era-me lícito saber-me na Paranoia de Piva, no Catatau de Leminski, voleios e iterações, fadigas e alucinações, curvas e volteios, o que se dilatava e contraía, sem que precisasse saber de mais nada. Era pleno domingo no peito: um eco e aliterações de feriado na pedraria, porque nela o lugar propício, o tempo certo, o momento preciso: a plenitude da plenitude, a conclusão da conclusão. Até mais ver.

 

Jennifer Weiner: Você tem que se abrir para as possibilidades do universo... Veja mais aqui & aqui.

Jane Hawking: Minha filosofia é que enquanto há vida, há esperança. Simples assim... Veja mais aqui.

Silvia Federici: Nossa luta não terá sucesso se não reconstruirmos a sociedade... Veja mais aqui & aqui.

 

ESTA PAISAGEM DIANTE DE MIM

Imagem: CoLAM – Acervo ArtLAM.

Não é escrito, embora tenha vivido na violência. \ Primeiro a fábrica ficou de pé, silenciosa como um asilo. \ Então o mallee aniquilador com seus punhos vermelhos de flores \ e as cinzas da montanha rastejando sobre ela como uma mancha. \ Não tenho provas, mas te digo \ Antigamente havia janelas de vidro aqui, com grades. \ Elas lançam uma pequena luz listrada sobre as mulheres. \ Agora, em arbustos e vassouras amarelas, estou em uma história \ trançados e desfeitos por pulsos rígidos irlandeses. \ A corda, o vão e a lã cardada são desfiados \ assim como seus rostos e nomes. \ Londonderry, Cork, Galway, Kildare— \ enquanto eu digo as palavras elas são sugadas \ para um hemisfério na escuridão. \ Não vou presumir dizer \ o que é sofrimento ou como ele foi distribuído neste lugar. \ Não sei dizer em que ponto um corpo se rompe. \ Mas esta manhã eu vi um coelho jovem \ curvado no mato e na sombra. \ Eu vi seu rosto ferido, suas pernas finas demais para escalar, \ a crosta vermelha e rosa do olho. \ Ele havia contraído a doença \ nós trouxemos aqui para isso \ e queria um lugar tranquilo para morrer. \ E teve sorte, ou tanta sorte quanto possível. \ havia tempo e luz, os falcões e os cães \ ainda não tinham sido escritas e ainda estavam fora de vista.

Poema da premiada poeta, crítica, editora e acadêmica australiana Sarah Holland-Batt, autora de obras como Aria (2008), The Hazards (2016) e The Jaguar (2022).

 

LEVANTANDO A VOZ - [...] Não tenho medo da morte; tenho medo de permanecer em silêncio diante da injustiça. Sou jovem e quero viver. Mas digo àqueles que querem silenciar a minha voz: estou pronta, onde e quando vocês atacarem. Podem cortar a flor, mas nada pode impedir a chegada da primavera. [...]. Trecho extraído da obra Raising my Voice: The extraordinary story of the Afghan woman who dares to speak out (Ebury, 2009), da escritora e ativista afegã Malalai Joya, que no documentário Uma mulher entre senhores da guerra: a história extraordinária de uma afegã que ousou levantar a voz, ela expressa que: [...] Os direitos não são fáceis de obter e, uma vez que entendamos isso, devemos trabalhar com atenção e persistência - e nunca nos tornarmos descuidados ou preguiçosos. [...].

 

TODOS PODEM APRENDER... - [...] o principal é a dimensão social do ser humano e das aprendizagens. O fato de que a gente aprende com os outros e com o nosso Outro, porque nós somos geneticamente sociais. Mas, um segundo aspecto importante do pós-construtivismo é que a gente aprende a partir das situações, ou seja, que a aprendizagem é intrinsecamente antropológica. [...] Eu penso que um outro aspecto importante do pós-construtivismo é a questão de que não aprendemos diretamente na forma predicativa, mas que essa forma predicativa normalmente é precedida de uma forma operatória: eu sei agir, eu sei fazer coisas, mas eu não sei explicar porque eu sei fazer. [...]. Trechos da entrevista Todos podem aprender, mas não é fácil (Dossiê, 2018), concedida às professoras e pesquisadoras Nair Cristina da Silva Tuboiti e Candy Estelle Marques Laurendon, pela educadora Esther Pillar Grossi, que no livro Democracia e Educação em Tempos de Caos (Geempa, 2017), expressou que: [...] Um dos componentes para democratizar as aprendizagens, é de que aprende-se na e com a vida e que a escola precisa identificar que saberes os alunos já trazem do seu dia a dia. [...]. Essas interpretações são um dos grandes trunfos pedagógicos hoje, porque, conhecendo-se, o professor pode intervir de maneira muito direta e eficiente [...]. E na obra A teoria dos campos conceituais é algo extraordinário (Geempa, 2017), expressou que: [...] Pensar não é fácil. Exige a humildade de confrontar-se com nossas ignorâncias e a ousadia de transgredir, deixando o velho, aceito socialmente, pelo novo, elaborado pessoalmente. A primeira transgressão que um professor pós-construtivista precisa fazer é por em prática o pós-construtivismo, pois ele não é aceito ainda socialmente [...]. Veja mais aqui & aqui.

 

AMAR ELOS VERMELHOS

[...] Talvez o tempo quisesse entrar em sintonia com suas emoções. Na alma, um inverno de ventanias pressentindo chuvas. Águas que não lavariam mágoas e formariam uma correnteza, carregando o que fosse encontrando pela frente: lembranças e emoções. [...].

Trecho do conto O caminho, extraído da obra Amar elos Vermelhos (Labrador, 2024), da premiada escritora, advogada, arte-terapeuta e pesquisadora Márcia Meira Basto. Veja mais aqui.

 

ITINERARTE – COLETIVO ARTEVISTA MULTIDESBRAVADOR:

Veja mais sobre MJ Produções, Gabinete de Arte & Amigos da Biblioteca aqui.

& mais:

Livros Infantis Brincarte do Nitolino aqui.

Diário TTTTT aqui.

Literatura Indígena: Cosmovisões & Pela Paz aqui & aqui.

Poemagens aqui.

Cantarau Tataritaritatá aqui.

Teatro Infantil: O lobisomem Zonzo aqui.

Faça seu TCC sem traumas – consultas e curso aqui.

VALUNA – Vale do Rio Una aqui.

&

Crônica de amor por ela aqui.

 


sexta-feira, agosto 24, 2018

LEMINSKI, LUC FERRY, LYGIA CLARK, NELSON RODRIGUES, HELENA MEIRELLES, IOLE DE FREITAS, VALLY NAMIDOU & PENÉLOPE


BRINCOTOSENTILÓQUIO – Imagem: Glass pieces (1975-76), da artista visual e fotógrafa Iole de Freitas. - Sejalaqueforademais, diadia qualequale, ah cabiolharanatuhumesmo, quetudopossanessaterraviva seminguar nemperecer. Sabiacantoufaztempo, seieuxexeu, quenasabesabe, sabenão. Ontemesmo, tempatrás, tuderesquisito: delapralá, decapracá. Tinhadivinhadeser, laouloa, acertapostar, umaoutra, muitoutras erescondidas. Tomouma, discartoutra. Agoroutra, muitoutroutas. Tantadenesaberaqual: primeirultima, segundavez, terceiralgo, ah trintês, quarenquatro, tempespaço queviujamorreu. Mesmassim, assadassim, obrasilabrilandapratrazempre! Remoquemangar, hahahehe! Coisaquecoisa! Piadadeprimesemgraçabril! Tampabriu, valhamedeus! Esporcorrupada, tomaladacá, essemeuesseteuessemeu, porsicadaum, maisabidispõe, lesotario chorerorô, quebrazil! Cabecendoidada tudiviés, orora, quenejeitem, neném. Tronchabu, verana. Tudofalocentricamente, tempereitoralista, voteu choralguém, tuditudinho! Vendavoto, assinembaixo, façacordo, livreseuprocto, retroutros lasquemsejá. Tudeuhem! Justinjustiça festaseja, praquem, pingagatos, privilevianagiameiduzia, soesó, seimaginodava mafegafinhos fraudestorvo, judicaviloso sobrenevolente povatrasavai, salvaflogistico compadrinhos carniçurubuquaquá, arrevali! Seutivessabracomperformatividade, cordiscernimento, dizabotoaja meimundiverdiva, adiantanão, tãotão maso ciclunar catanabólicas lualada. Gluteandam educultural, denada, postidentes, protesilha, moletaipa, paliativalvula, placebundante, volvai volteluridente, quecoisamascoisa, golpeitonatimoraticadas, eoqa, flagrotemidamente governavalha. Tardagora? Nuncanunquinha! Ah voo nenhumedo, condecisão nenhumais passerela, trevilusão sentidalgum. Apenasei, solitamanhecente, olhoje bocantos ruabertráfego novisão globamadurecer vastidabertura divinessência hojamanhã, esoteritmo pulsangue misticonsciência, sentinaveclodivina. Enquantisso, salvaime, benzodeus, maisestavali, meninamada, choventos, umpunhadágua cominhoseco, saiatrás closesquiva obscenascida sexostensivo, pelamordedeus! © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá especial com a música da violeira, cantora e compositora Helena Meirelles (1924-2005): Raiz pantaneira, Flor da Guavira, Ao vivo & Estreia álbum & muito mais nos mais de 2 milhões & 600 mil acessos ao blog & nos 35 Anos de Arte Cidadã. Para conferir é só ligar o som e curtir. Veja mais  aqui.

PENSAMENTO DO DIA – [...] quanto mais os valores tradicionais se corroem, mais ficamos dependentes e mais nos tranquilizamos consumindo. É o que já se chamava nos anos 1960 de ‘dessublimação repressiva’ [...] Como criar nossos filhos, como ‘equipá-los’ para que vençam na vida do melhor modo possível? O que significa, aliás, a expressão ‘vencer na vida’, se não a reduzirmos à dimensão puramente social e material? Que mundo nós queremos lhes deixar, legar às gerações futuras, não apenas em termos de ecologia, mas também de economia, de política, de cultura? [...]. Trechos extraídos da obra A revolução do amor: por uma espiritualidade laica (Objetiva, 2012), do filósofo francês Luc Ferry. Veja mais aqui.

CARTA A MONDRIAN - [...] a natureza me alimentou, me equilibrou quase que de uma forma panteística. Mas com o tempo, numa outra crise, já isto não adiantou e foi o “vazio pleno”, a noite, o silêncio dela que se tornou a minha moradia. Através deste “vazio-pleno” me veio a consciência da realidade metafísica, o problema existencial, a forma, o conteúdo (espaço pleno que só tem realidade em função direta da existência desta forma...). [...] não sonho porque não acredito. Não por excesso de realismo mas para mim o coletivo só existe na razão desta desordem de ordem prática e social. Se o homem não pode sentir como é importante esse desenvolvimento interior – chamemos de uma forma que nasce com a pessoa como um punho fechado, talvez se abrindo no primeiro tempo com o próprio nascimento – então ele jamais poderá atingir sua plenitude como a rosa que se abre dentro do seu próprio tempo e morre amorosamente realizada, inteligente e feliz... [...] um segredo eu vou te contar: às vezes me sinto tão desesperada, porque no momento em que “checo” este problema a solidão, o frio, “o medo do medo” me envolvem com todos os seus braços e procuram fechar este novo tempo que desabrocha na minha forma interior, amassando pétalas frescas e delicadas que levarão novo tempo para se abrirem como se abre um olho devagar, depois de ter levado um bom murro. [...] encarar esta realidade às vezes tão insuportável - "o artista é um solitário". Não importam filhos, amor, pois dentro dele ele vive só. Ele nasce dentro dele, parto difícil a cada minuto, só irremediavelmente só. [...] No momento em que o grupo foi formado havia uma identificação profunda, a meu ver. Era a tomada de consciência de um espaço-tempo, realidade nova, universal como expressão, pois abrangia poesia, escultura, teatro, gravura e pintura. Até prosa [...] Hoje a maioria dos elementos do grupo se esquecem desta afinidade (o mais importante) e querem imprimir um sentido menor a ele, quando preferem que ele cresça sem esta identidade para mim imprescindível, numa tentativa de dar continuidade superficial a este movimento. [...] Só o tempo a meu ver traria continuidade real a este movimento. [...] meu desejo é deixar o grupo e continuar fiel a esta minha convicção, respeitando a mim mesma, embora mais só que ontem e hoje, eu serei amanhã, pois as pessoas que se aproximaram um dia, há bem pouco tempo, se afastam desorientadas sem enfrentarem a dureza de estar só num só pensamento, sem resguardar o sentido maior, ético, de morrer amanhã, sozinha mas fiel a uma ideia. Diga, meu amigo: é duro, é terrível porque é deixar de ter, mesmo sem me afastar realmente do grupo, pois já se fragmentou a unidade, a verdade dura e terrível feita a sete para se multiplicar em realidades pequenas - reconfortantes por certo, às centenas. Hoje eu choro - o choro me cobre, me segue, me conforta e acalenta, de um certo modo, esta superfície dura, inflexível e fria da fidelidade a uma ideia. Carta da pintora e escultora Lygia Clark (1920-1988), extraída da obra Escritos de artistas: anos 60/70 (Jorge Zahar, 2006), organizada por Glória Ferreira e Cecília Cotrim. Veja mais aqui e aqui.

COMPLEXO DE VIRA-LATAS – [...] Mas o que nos trava é o seguinte: — o pânico de uma nova e irremediável desilusão. E guardamos, para nós mesmos, qualquer esperança. [...] E só uma coisa nos atrapalha e, por vezes, invalida as nossas qualidades. Quero aludir ao que eu poderia chamar de “complexo de vira-latas”. Estou a imaginar o espanto do leitor: “O que vem a ser isso?” Eu explico. Por “complexo de vira-latas” entendo eu a inferioridade em que o brasileiro se coloca, voluntariamente, em face do resto do mundo. Isto em todos os setores e, sobretudo, no futebol. Dizer que nós nos julgamos “os maiores” é uma cínica inverdade. [...] Absolutamente. É um problema de fé em si mesmo. O brasileiro precisa se convencer de que não é um vira-latas [...] Uma vez que ele se convença disso, ponham-no para correr em campo e ele precisará de dez para segurar, como o chinês da anedota. Crônica do escritor, jornalista e dramaturgo Nelson Rodrigues (1912-1980). Veja mais aqui.

CESTA FEIRA - cesta feira / oxalá estejam limpas / as roupas brancas de sexta / as roupas brancas da cesta / oxalá teu dia de festa / cesta cheia / feito uma lua / toda feita de lua cheia / no branco / lindo / teu amor / teu ódio / tremeluzindo / se manifesta / tua pompa / tanta festa / tanta roupa / na cesta / cheia / de sexta / oxalá estejam limpas / as roupas brancas de sexta / oxalá teu dia de festa / mesmo / na idade / de virar / eu mesmo / ainda / confundo / felicidade / com este / nervosismo / eu / quando olho nos olhos / sei quando uma pessoa / está por dentro / ou está por fora / quem está por fora / não segura / um olhar que demora / de dentro do meu centro / este poema me olha. Poema extraído da obra Caprichos & relaxos (Companhia das Letras, 2016), do escritor, critico literário, tradutor e professor Paulo Leminski (1944-1989). Veja mais aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte da artista grega Vally Namidou. 
Veja mais aqui.

AGENDA
Penélope, videodança - exibição 29/agosto, 18hs, no sarau do Centro Cultural OAB Barra -  Av. das Américas, 3.959. Barra da Tijuca, Rio de Janeiro, RJ. Entrada franca & muito mais na Agenda aqui.
&
O Brasil às avessas na hora da crise, a literatura de Lewis Carroll, a poesia de Cesar Leal, a psicoterapia de Carl Rogers, A loucura do trabalho de Christophe Dejours, A ansiedade de Cecil A. Poole, o Ginásio Municipal de Brivaldo Leão de Almeida, Cidade & Mobilidade Urbana aqui.


sexta-feira, maio 04, 2018

OSMAN LINS, LEMINSKI, LUC FERRY, LAFARGUE, RENATA BRZOZOWSKA & NOEL ROSA

EU SOUL VOO - Imagem: arte da pintora polonesa Renata Brzozowska. - Tudo são dois, quando não três que é igual a um. A lógica do ilógico, a ética do círculo, em ondas, dimensões, espirais, como desordenado, aliás, aleatório, senão paradoxal. Nem por isso cessa a eternidade na finitude, a fecundar e a reproduzir desde a primeira geração, o primeiro princípio, o sopro do sopro, o fogo e a terra, a água e o ar, a força de toda força a mover o céu e as estrelas da minha boca pro infinito. Estar acima ou embaixo, à direita ou esquerda, entre o sereno e o alegre, o sombrio e o assustador, o sutil e o espesso, e ir, além disso, não só como o que fala e o que escuta, mas a trilhar o visinvisível que não é só ver ou entender o que há por trás do que é visto ou visualizado, e sim o outro das coisas, um zoom pro íntimo de cada coisa e ser, e ser cada coisa e ser, e ir para além do olhar e viver cada coisa e cada ser, eu e outros e tudo, todos em todo lugar: a união é a vida, o Um contém tudo e é todo, com seus contínuos eflúvios de um lado aos demais, diversos, a pluralidade singular a dar o abraço da Natureza, a ventar em mim os raios brilhantes do éter a passar e perpassar o meu corpo, enquanto o ouro do Sol acende o leste, Fiat Lux, até ser-me o rumo formidável da profundidade com a prece a me impelir para a luz do inominável de portas abertas e acordo, permanece comigo o resplandecente beijo dos versos e cantos livres e soltos que levo e soul voo. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá especial com a música do sambista, cantor, compositor, bandolinista, violonista e um dos maiores e mais importantes artista da música no Brasil, Noel Rosa (1910-1937), com Ivan Lins, Maria Bethania, Maria Rita, Mauro Senise & Gilson Peranzzeta & muito mais nos mais de 2 milhões de acessos ao blog & nos 35 Anos de Arte Cidadã. Para conferir é só ligar o som e curtir. Veja mais aqui e aqui.

PENSAMENTO DO DIA – [...] a dignidade de um ser não depende dos talentos recebidos com o nascimento, mas do que ele faz deles, não da natureza e dos dons naturais, mas da liberdade e da vontade da pessoa humana, quaisquer que sejam seus dotes iniciais [...] a dignidade moral de um ser reside não em sua natureza, que é neutra e sem valor algum do ponto de vista estritamente moral, mas na liberdade [...]. Pensamento extraído da obra A revolução do amor: por uma espiritualidade laica (Objetiva, 2012), do filósofo francês Luc Ferry. Veja mais aqui e aqui.

O DIREITO À PREGUIÇA – […] Homens cegos e limitados, quiseram ser mais sábios do que o próprio Deus deles; homens fracos e desprezíveis, quiseram reabilitar aquilo que até mesmo o Deus deles amaldiçoara. Eu, que não professo o credo cristão, nem tenho posição econômica e moral como a deles, recuso-me a admitir as pregações dessa moral religiosa, econômica, livre-pensadora, considerando as terríveis consequências do trabalho na sociedade capitalista [...] Uma estranha loucura dominou as classes operárias das nações onde reina a civilização capitalista. Essa loucura traz como consequência misérias individuais e sociais que há séculos torturam a triste humanidade. Essa loucura é o amor ao trabalho, a paixão moribunda que absorve as forças vitais do indivíduo e de sua prole até o esgotamento [...] A nossa época é, dizem, o século do trabalho; na verdade, é o século da dor, da miséria e da corrupção [...] Tal é a lei inexorável da produção capitalista. Porque, por prestarem atenção às falaciosas palavras dos economistas, os proletários se entregaram de corpo e alma ao vício do trabalho, precipitam toda a sociedade numa dessas crises de superprodução que convulsionam o organismo social [...] embrutecidos pelo dogma do trabalho, não compreendem que é o sobretrabalho que infligiram a si próprios durante o tempo da pretensa prosperidade a causa da sua miséria presente [...] Em vez de aproveitar os momentos de crise para uma distribuição geral de produtos e uma manifestação universal de alegria, os operários, morrendo de fome, vão bater com a cabeça contra as portas da fábrica. Com rostos pálidos e macilentos, corpos emagrecidos, discursos lamentáveis, assediam os fabricantes: [...] dêem-nos trabalho, não é a fome, mas a paixão do trabalho que nos atormenta! E esses miseráveis, que mal têm forças para se manter em pé, vendem doze a catorze horas de trabalho duas vezes mais barato do que quando tinham trabalho durante um certo período. E os filantropos da indústria continuam a aproveitar as crises de desemprego para fabricar mais barato [...] E, no entanto, apesar da superprodução de mercadorias, apesar das falsificações industriais, os operários entulham o mercado, implorando: trabalho! trabalho! [...] Uma vez que o vício do trabalho está diabolicamente encravado no coração dos operários; uma vez que as suas exigências abafam todos os outros instintos da natureza; uma vez que a quantidade de trabalho exigida pela sociedade é forçosamente limitada pelo consumo e pela abundância de matéria-prima, por que razão devorar em seis meses o trabalho de todo o ano? [...]. Trechos extraídos da obra O direito à preguiça (Claridade, 2003), do jornalista, escritor e ativista político Paul Lafargue (1842—1911).

EVANGELHO NA TABA – [...] Enquanto 0 vitral se resignava às suas limitações de vitral, ao chumbo e ao vidro colorido, ele esplendia com toda a força. Mas aos poucos os vitralistas começaram a achar que aquilo era insuficiente e começaram a pintar 0 vidro, começaram a levar apara a arte do vitral a arte da pintura. A partir daí 0 vitral degenera. Isso me levou a uma crença da qual estou firmemente convencido: de que as coisas fulguram, vamos dizer, nas suas limitações. As limitações não são necessariamente uma limitação no sentido corrente, mas uma força. Quer dizer que 0 vitralista era forte enquanto estava limitado e aceitava a sua limitação [...] Um quadro de Rafael, e realmente visto de uma perspectiva humana centralizada, ligada ao que há de perecível no olho humano. Enquanto que num quadro de Picasso, em sua fase cubista, por exemplo, nos vemos a cara do personagem de frente e essa mesma cara com um olho de lado. Neste esforço a gente nota a tentativa de romper com a condição mortal do olho humano, de ver através de um ponto de vista espiritual. O que se aproxima da visão do homem religioso da Idade Media. [...]. Trechos extraídos da obra Evangelho na taba: outros problemas inculturais brasileiros (Summus, 1979), do escritor e dramaturgo Osman Lins (1924-1978). Veja mais aqui.

CINCO POEMAS - I - Meus amigos / quando me dão a mão / sempre deixam outra coisa / presença / olhar / lembrança calor / meus amigos / quando me dão / deixem na minha / a sua mão. II - Eu tão isósceles / Você ângulo / Hipóteses / Sobre o meu tesão / Teses sínteses / Antíteses / Vê bem onde pises / Pode ser meu coração. BEM NO FUNDO - No fundo, no fundo, / bem lá no fundo, / a gente gostaria / de ver nossos problemas / resolvidos por decreto / a partir desta data, / aquela mágoa sem remédio / é considerada nula / e sobre ela — silêncio perpétuo / extinto por lei todo o remorso, / maldito seja quem olhar pra trás, / lá pra trás não há nada, / e nada mais / mas problemas não se resolvem, / problemas têm família grande, / e aos domingos / saem todos a passear / o problema, sua senhora / e outros pequenos probleminhas. RAZÃO DE SER - Escrevo. E pronto. / Escrevo porque preciso, / preciso porque estou tonto. / Ninguém tem nada com isso. / Escrevo porque amanhece, / E as estrelas lá no céu / Lembram letras no papel, / Quando o poema me anoitece. / A aranha tece teias. / O peixe beija e morde o que vê. / Eu escrevo apenas. / Tem que ter por quê? AMAR VOCÊ É COISA DE MINUTOS… - Amar você é coisa de minutos / A morte é menos que teu beijo / Tão bom ser teu que sou / Eu a teus pés derramado / Pouco resta do que fui / De ti depende ser bom ou ruim Serei o que achares conveniente / Serei para ti mais que um cão / Uma sombra que te aquece / Um deus que não esquece / Um servo que não diz não / Morto teu pai serei teu irmão / Direi os versos que quiseres / Esquecerei todas as mulheres / Serei tanto e tudo e todos / Vais ter nojo de eu ser isso / E estarei a teu serviço / Enquanto durar meu corpo / Enquanto me correr nas veias / O rio vermelho que se inflama / Ao ver teu rosto feito tocha / Serei teu rei teu pão tua coisa tua rocha / Sim, eu estarei aqui. Poemas do escritor, critico literário, tradutor e professor Paulo Leminski (1944-1989). Veja mais aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte da pintora polonesa Renata Brzozowska.
Veja mais aqui.


VI Congresso Internacional Sesc de Arte/Educação & muito mais na Agenda aqui.
&
Os dias estão assim, o cinema de Rogério Sganzerla & Helena Ignez, o teatro de José Cañas Torregrosa, a música de Roberta Peters & a arte de Fábio R. Mesquita aqui.
Você, procê, docê & nocê: o querer dos quereres além da possessão, a literatura de Marcos Carías Reyes, a arte de J K Chillar & Luciah Lopez aqui.

GONÇAL MAYOS, MARINE PETROSSIAN, PÉTER NÁDAS & IRANDHIR SANTOS

  Imagem: Arrostar aporias , da série Caosmose & O poema nasce do visinvisível - Acervo ArtLAM .   Fábula dos embeiçados desavindos... ...