Mostrando postagens com marcador Madalena. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Madalena. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, abril 21, 2025

MALALAI JOYA, SARAH HOLLAND-BATT, ESTHER GROSSI & MÁRCIA MEIRA BASTO

 

 Imagem: CoLAM – Acervo ArtLAM.

Ao som dos álbuns The Naked Violin (2008) e Elgar: Violin Concerto (2011), da violinista, recitalista e musicista de câmara inglesa Tasmin Elizabeth Little.

 

Meu coração, ave de arribação pelas pedras de Madalena... - Da beira do rio ganhei o mundo como quem nasceu na enchente às margens perdidas e o umbigo na correnteza escorresse do agreste à deriva singrando a mata pro litoral atlântico. Do que boiava ao léu, juntava ais porque não era trinta-réis-ártico ou papagaio-do-mar, ao menos um pintassilgo-goianinho ou merganso, nada, reles xexéu náufrago e o que poderia ter sido porque mergulhava incapaz do que circundava na exaltação de latitudes, na perdição longitudinal do Antártico ao Ártico. Era errante sem ter onde semear nem colher, ao sabor dos ventos e temporais, a rotação da Terra às próprias translações, o rastro cislunar, os sinais estelares pela subida de morro, descendo serras, pelas marés, correntes, quedas d’água, vicinais, torrentes e insolações. Era mas que cúmplice da hora pelas rotas migratórias, todas as precipitações no frio da barriga pelas correntes de ar, a perder de vista o prumo, o leme, a proa, a popa, o reino de nenhuma bússola ou embarcação, ao passo que nascia no dia e já era fim de tarde, alagados e pântanos no mapa da sobrevivência. Cada viagem revivia a ancestralidade e era o que me valia a resistência e adaptação pelas estações, desafios e perigos de nenhum pouso na solidão maciça, mastigando lonjuras e engolindo o país e o dia seguinte, esculpindo calendários a mudar de lugar e a cada chegada oferecia minhas vísceras ao espetáculo de partir e voltar. Em vão perscrutava as estrelas porque não havia cicerone algum às cascatas e soava o alarme para mimetizar percursos inventados. Bastava um fiapo de coragem e a jornada épica aos suspensos bocados de comoção pungente pelas demoras eclipsadas e o horror logo ali adiante: o mundo era um turbilhão e o tempo a serpente devoradora. Meus olhos choviam na aridez do mormaço e foi o bastante para que ela aparecesse com veraneio no sorriso e o cheiro das coisas, quantos sabores para quem não tinha nenhum. Era ela elevada como se chegasse da torre longínqua de Magdala, com a Pistis Sophia para que eu aprendesse a vencer a morte implacável e partilhasse talvez o que quisesse dizer às pedras conjugadas. E ela me fez beija-flor no seu êxtase de Caravaggio, mãos servidas à mesa, porque ali era-me lícito saber-me na Paranoia de Piva, no Catatau de Leminski, voleios e iterações, fadigas e alucinações, curvas e volteios, o que se dilatava e contraía, sem que precisasse saber de mais nada. Era pleno domingo no peito: um eco e aliterações de feriado na pedraria, porque nela o lugar propício, o tempo certo, o momento preciso: a plenitude da plenitude, a conclusão da conclusão. Até mais ver.

 

Jennifer Weiner: Você tem que se abrir para as possibilidades do universo... Veja mais aqui & aqui.

Jane Hawking: Minha filosofia é que enquanto há vida, há esperança. Simples assim... Veja mais aqui.

Silvia Federici: Nossa luta não terá sucesso se não reconstruirmos a sociedade... Veja mais aqui & aqui.

 

ESTA PAISAGEM DIANTE DE MIM

Imagem: CoLAM – Acervo ArtLAM.

Não é escrito, embora tenha vivido na violência. \ Primeiro a fábrica ficou de pé, silenciosa como um asilo. \ Então o mallee aniquilador com seus punhos vermelhos de flores \ e as cinzas da montanha rastejando sobre ela como uma mancha. \ Não tenho provas, mas te digo \ Antigamente havia janelas de vidro aqui, com grades. \ Elas lançam uma pequena luz listrada sobre as mulheres. \ Agora, em arbustos e vassouras amarelas, estou em uma história \ trançados e desfeitos por pulsos rígidos irlandeses. \ A corda, o vão e a lã cardada são desfiados \ assim como seus rostos e nomes. \ Londonderry, Cork, Galway, Kildare— \ enquanto eu digo as palavras elas são sugadas \ para um hemisfério na escuridão. \ Não vou presumir dizer \ o que é sofrimento ou como ele foi distribuído neste lugar. \ Não sei dizer em que ponto um corpo se rompe. \ Mas esta manhã eu vi um coelho jovem \ curvado no mato e na sombra. \ Eu vi seu rosto ferido, suas pernas finas demais para escalar, \ a crosta vermelha e rosa do olho. \ Ele havia contraído a doença \ nós trouxemos aqui para isso \ e queria um lugar tranquilo para morrer. \ E teve sorte, ou tanta sorte quanto possível. \ havia tempo e luz, os falcões e os cães \ ainda não tinham sido escritas e ainda estavam fora de vista.

Poema da premiada poeta, crítica, editora e acadêmica australiana Sarah Holland-Batt, autora de obras como Aria (2008), The Hazards (2016) e The Jaguar (2022).

 

LEVANTANDO A VOZ - [...] Não tenho medo da morte; tenho medo de permanecer em silêncio diante da injustiça. Sou jovem e quero viver. Mas digo àqueles que querem silenciar a minha voz: estou pronta, onde e quando vocês atacarem. Podem cortar a flor, mas nada pode impedir a chegada da primavera. [...]. Trecho extraído da obra Raising my Voice: The extraordinary story of the Afghan woman who dares to speak out (Ebury, 2009), da escritora e ativista afegã Malalai Joya, que no documentário Uma mulher entre senhores da guerra: a história extraordinária de uma afegã que ousou levantar a voz, ela expressa que: [...] Os direitos não são fáceis de obter e, uma vez que entendamos isso, devemos trabalhar com atenção e persistência - e nunca nos tornarmos descuidados ou preguiçosos. [...].

 

TODOS PODEM APRENDER... - [...] o principal é a dimensão social do ser humano e das aprendizagens. O fato de que a gente aprende com os outros e com o nosso Outro, porque nós somos geneticamente sociais. Mas, um segundo aspecto importante do pós-construtivismo é que a gente aprende a partir das situações, ou seja, que a aprendizagem é intrinsecamente antropológica. [...] Eu penso que um outro aspecto importante do pós-construtivismo é a questão de que não aprendemos diretamente na forma predicativa, mas que essa forma predicativa normalmente é precedida de uma forma operatória: eu sei agir, eu sei fazer coisas, mas eu não sei explicar porque eu sei fazer. [...]. Trechos da entrevista Todos podem aprender, mas não é fácil (Dossiê, 2018), concedida às professoras e pesquisadoras Nair Cristina da Silva Tuboiti e Candy Estelle Marques Laurendon, pela educadora Esther Pillar Grossi, que no livro Democracia e Educação em Tempos de Caos (Geempa, 2017), expressou que: [...] Um dos componentes para democratizar as aprendizagens, é de que aprende-se na e com a vida e que a escola precisa identificar que saberes os alunos já trazem do seu dia a dia. [...]. Essas interpretações são um dos grandes trunfos pedagógicos hoje, porque, conhecendo-se, o professor pode intervir de maneira muito direta e eficiente [...]. E na obra A teoria dos campos conceituais é algo extraordinário (Geempa, 2017), expressou que: [...] Pensar não é fácil. Exige a humildade de confrontar-se com nossas ignorâncias e a ousadia de transgredir, deixando o velho, aceito socialmente, pelo novo, elaborado pessoalmente. A primeira transgressão que um professor pós-construtivista precisa fazer é por em prática o pós-construtivismo, pois ele não é aceito ainda socialmente [...]. Veja mais aqui & aqui.

 

AMAR ELOS VERMELHOS

[...] Talvez o tempo quisesse entrar em sintonia com suas emoções. Na alma, um inverno de ventanias pressentindo chuvas. Águas que não lavariam mágoas e formariam uma correnteza, carregando o que fosse encontrando pela frente: lembranças e emoções. [...].

Trecho do conto O caminho, extraído da obra Amar elos Vermelhos (Labrador, 2024), da premiada escritora, advogada, arte-terapeuta e pesquisadora Márcia Meira Basto. Veja mais aqui.

 

ITINERARTE – COLETIVO ARTEVISTA MULTIDESBRAVADOR:

Veja mais sobre MJ Produções, Gabinete de Arte & Amigos da Biblioteca aqui.

& mais:

Livros Infantis Brincarte do Nitolino aqui.

Diário TTTTT aqui.

Literatura Indígena: Cosmovisões & Pela Paz aqui & aqui.

Poemagens aqui.

Cantarau Tataritaritatá aqui.

Teatro Infantil: O lobisomem Zonzo aqui.

Faça seu TCC sem traumas – consultas e curso aqui.

VALUNA – Vale do Rio Una aqui.

&

Crônica de amor por ela aqui.

 


quarta-feira, março 26, 2025

ERICA JONG, JUNG CHANG, GABOR MATÉ & CANTINHO DO BAR BRASIL

 

 Imagem: O céu azul de Madalena – Acervo ArtLAM.

Ao som dos álbuns Hiromi Live in Concert (2005), Hiromi’s Sonicbloom Live in Concert (2007), Another (2003), Brain (2004), Spiral (2006), Place too Be (2009) e Spark (2016), da pianista e compositora japonesa Hiromi Uehara. Veja mais aqui & aqui.

 

O primeiro de muitos dias no céu de Madalena... - Ontem ouvi estrelas e o mundo era ela crepuscular, insuspeitavelmente caleidoscópica, na varanda de todos os momentos. Sorriu intensidade pacífica e seus olhos teciam sonhos habitáveis na mansidão das nuvens acolhedoras e apontavam o túmulo do jardim, como se revelasse a promessa de que ali também estaria comigo para presenciar a minha ressurreição e o meu semblante duplo: de um lado, aquele que se valia da magnificência imprescindível - a minha face serena com as quedas das águas, as brisas da tarde, o desabrochar das flores e folhas, a frieza da noite estrelada, o silêncio das pedras... Do outro, o que sou de deteriorado com todas as muitas máscaras superpostas pelo intransponível à fronteira do escancaro, o intransferível e as intercessões, o flagelo e as distorções do tempo, a vertigem dos espaços, a compulsão das esquinas e encruzilhadas, os gatilhos dos instantes encurralados, o estresse estampado nas vitrines, a degeneração das fisionomias e das coisas, pensamentos intrusos, situações aversivas, ruminações nos sentimentos dos defeitos e o caos na paleta de cores: eram as mordidas de ferro e aço, fedor de gasolina – os motores trituravam minha carne e fizeram desaparecer o meu agora. Caindo em qual lugar, ali era tudo que conhecia porque comigo memórias redivivas, o que fui e serei enquanto sendo, como se ressignificasse o privativo nas minhas transcendências e invisibilidade - um diário de temores e inquietações. Nela me via e exorcizava a vida como arte – era o que dela sou muitos em mim –, a vida e o que há de impaciente, como se eclodisse minha autorrepresentação, meu autorretrato, alter ego ambulante, apenas voo. Até mais ver.

 

Shirin Neshat: A arte é nossa arma. A cultura é uma forma de resistência... Arte não é crime. É responsabilidade de todo artista fazer arte que seja significativa... Veja mais aqui & aqui.

Marge Piercy: Nunca duvide que você pode mudar a história. Você já mudou... Veja mais aqui & aqui.

Lauren Weisberger: Não há pânico que você não possa acalmar, nenhum problema que você não possa resolver... Concentre-se em si mesmo: faça o que quiser, quando quiser, sem ter que considerar a agenda de ninguém... Veja mais aqui & aqui.

 

NÓS APRENDEMOS

Imagem: Acervo ArtLAM.

Nós aprendemos o decoro do fogo, \ Simetria curiosa da chama, \ o calor azul no centro das coxas, \ o vermelho cintilante dos quadris, \ & o ouro do sebo dos seios \ iluminado de dentro \ pela lanterna nas costelas. \ Você se afasta de mim \ Como um ramo que anseia por ser enxertado \ em uma árvore frutífera, \ pêssego e pera \ cruzados uns com os outros, \ figo & banana servido em um prato, \ a folha e o caracol luminoso \ Isso se apega a isso. \ Nós aprendemos que o rasgo \ Pode ser uma adesão, \ Que o fogo está cintilando \ Pode ser um acendimento, \ que o velho decoro do amor... \ para morrer no poema, \ Deixando o amante solitário com a caneta... \ Era tudo uma mentira antiga. \ Então nós banimos o mau-olhado: \ você tem que ser infeliz para criar; \você tem que deixar o amor morrer antes que ele escreva; \ você tem que perder a alegria de ter o poema... \ E reexaminamos as nossas vidas com fogo. \ Veja este manuscrito coberto \ com palavras cor de carne? \ Ele foi escrito em tinta invisível \ E apertou a nossa chama. \ As palavras escureceram na página \ Enquanto afundamos um no outro. \ Nós somos tinta e sangue \ e todas as coisas que fazem manchas. \ Nós nos tornamos dourados enquanto nos repassamos, \ Dourar as peles um do outro como sóis. \ Segure-me até a luz; \ Você vai ver poemas. \ Segure-me no escuro; \ Você verá a luz.

Poema da escritora e educadora estadunidense Erica Jong. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

 

IRMÃS: A MAIS VELHA, A MAIS NOVA... [...] Aprendemos com a observação que nenhuma nação pode se destacar a menos que suas mulheres sejam educadas e consideradas iguais aos homens moralmente, socialmente e intelectualmente... [...]. Trecho extraído da obra Big Sister, Little Sister, Red Sister: Three Women at the Heart of Twentieth-Century China (Jonathan Cap, 2019), da escritora chinesa Jung Chang, que na sua obra Empress Dowager Cixi: The Concubine Who Launched Modern China (Knopf; Primeira, 2013), expressou que: […] Talvez não se possa confiar na magia deles; mas não podemos confiar nos corações e mentes das pessoas? […] Temos apenas os corações e mentes das pessoas para depender. Se os deixarmos de lado e perdermos os corações das pessoas, o que podemos usar para sustentar o país? […] Se apenas cruzarmos os braços e nos rendermos a eles, eu não teria rosto para ver nossos ancestrais após a morte. Se devemos perecer, por que não lutar até a morte? […]. Veja mais aqui, aqui & aqui.

 

O MITO DO NORMAL & CULTURA TÓXICA – [...] O trauma não é o que acontece com você, mas o que acontece dentro de você [...] Quer percebamos ou não, é a nossa ferida, ou a forma como lidamos com ela, que dita muito do nosso comportamento, molda os nossos hábitos sociais e informa as nossas formas de pensar sobre o mundo […] Se pudéssemos começar a ver muitas doenças em si não como uma reviravolta cruel do destino ou algum mistério nefasto, mas sim como uma consequência esperada e, portanto, normal de circunstâncias anormais e não naturais, isso teria implicações revolucionárias para a forma como abordamos tudo relacionado à saúde […] Uma das coisas que muitas doenças têm em comum é a inflamação, agindo como uma espécie de fertilizante para o desenvolvimento de doenças. Descobrimos que quando as pessoas se sentem ameaçadas, inseguras — especialmente por um longo período de tempo — nossos corpos são programados para ativar genes inflamatórios. […] Pressões de trabalho, multitarefas, mídias sociais, atualizações de notícias, multiplicidade de fontes de entretenimento — tudo isso nos induz a nos perder em pensamentos, atividades frenéticas, gadgets, conversas sem sentido. Somos pegos em buscas de todos os tipos que nos atraem não porque são necessárias, inspiradoras ou edificantes, ou porque enriquecem ou acrescentam significado às nossas vidas, mas simplesmente porque obliteram o presente. […] Na ausência de alívio, a resposta natural de um jovem — sua única resposta, na verdade — é reprimir e se desconectar dos estados de sentimento associados ao sofrimento. A pessoa não conhece mais seu corpo. Estranhamente, esse autoestranhamento pode aparecer mais tarde na vida na forma de uma força aparente, como minha capacidade de ter um desempenho de alto nível quando estou com fome, estressado ou fatigado, avançando sem consciência da minha necessidade de pausa, nutrição ou descanso. […] As crianças, especialmente as altamente sensíveis, podem ser feridas de várias maneiras: por coisas ruins que acontecem, sim, mas também por coisas boas que não acontecem, como suas necessidades emocionais de sintonia não serem atendidas [...] Não importa se podemos apontar para outras pessoas que parecem mais traumatizadas do que nós, pois não há comparação de sofrimento. Nem é apropriado usar nosso próprio trauma como uma forma de nos colocar acima dos outros — “Você não sofreu como eu” — ou como um porrete para rebater as queixas legítimas dos outros quando nos comportamos de forma destrutiva. Cada um de nós carrega suas feridas à sua maneira; não há sentido nem valor em compará-las com as dos outros. […] Nossa outra necessidade essencial é a autenticidade. As definições variam, mas aqui está uma que eu acho que se aplica melhor a esta discussão: a qualidade de ser verdadeiro consigo mesmo e a capacidade de moldar a própria vida a partir de um profundo conhecimento desse eu. […]. Trechos extraídos da obra The Myth of Normal: Trauma, Illness and Healing in a Toxic Culture (Avery Publishing, 2022), do medico húngaro-canadense Gabor Maté, autor de obras como In the Realm of Hungry Ghosts: Close Encounters with Addiction (2008), When the Body Says No: The Cost of Hidden Stress (2003) e Scattered: How Attention Deficit Disorder Originates and What You Can Do About It (1999).

 

CANTINHO DO BAR BRASIL

O Cantinho do BarBrasil é uma realização do Projeto Chá da Vida Brasil, comandado pelo escritor, músico, compositor e ativista cultural Jones Pinheiro - Hupomone Vilanova, que em parceria com a Biblioteca Pública Municipal Prof. Felenon Barreto, realizou o Sarau Castro Alves, com a participação de Zé Ripe, do historiador Alcides Alves e os alunos do 8º ano B, do Ginásio Municipal dos Palmares, entre outros participantes.

&

COLETÂNEA DE SENTIMENTOS POÉTICOS

[...] Foi por todos estimado \ com carinho e muito amor \ sempre será aqui lembrado \ como o grande e querido PROFESSOR.

Poema Ao mestre, com carinho, extraído da obra Coletânea de sentimentos poéticos (Alumiá, 2023) do poeta Manoel Vitor, em que homenageia o saudoso poeta e professor Amaro Matias. Veja mais aqui, aqui & aqui.

 

ITINERARTE – COLETIVO ARTEVISTA MULTIDESBRAVADOR:

Veja mais sobre MJ Produções, Gabinete de Arte & Amigos da Biblioteca aqui.

& mais:

Livros Infantis Brincarte do Nitolino aqui.

Diário TTTTT aqui.

Literatura Indígena: Cosmovisões & Pela Paz aqui & aqui.

Poemagens aqui.

Cantarau Tataritaritatá aqui.

Teatro Infantil: O lobisomem Zonzo aqui.

Faça seu TCC sem traumas – consultas e curso aqui.

VALUNA – Vale do Rio Una aqui.

&

Crônica de amor por ela aqui.

 


quinta-feira, fevereiro 20, 2020

MARIA MADALENA, MOLIERE, SARAH KANE, AURADON & GENINHA DA ROSA BORGES



NESSES TEMPOS DE FALSO-MORALISMO, SÓ APERTO O PITOCO DO FODA-SE & BABAU! – LÁ VAI UMA NA BASE DO ÓLEO DE PEROBA: Eita! Haja gente dissimulada nesses tempos líquidos! Não sei como a fábrica de óleo de peroba dá vencimento! O que há de camuflagem não dá para prever em nossa vã hipocrisia. Rolou, tá rolado. Os caras colocam a culpa na provocação: É que ela veio toda reboladeira, com quase tudo de fora, toda exibida e facilzinha, aí o juízo encurtou e a doidice lambeu os beiços! Como é? Por causa disso usam da licenciosidade e avançam no que acham que é moleza, assediam no maior chaveco e blá blá blá de derrubar avião, para sair cantando de galo: Abriu a guarda, mando ver; passo o rodo e como todas! Na horagá: a descompostura! Não é bem assim não, maloqueiro. Ela fecha a cara, a polícia bate na porta e o lero rola na defesa com ar de seriedade: Como é que é? Na caradura: assim e assado. Engaloba delegado, juiz e toda macharia engravatada (se o Coisonário insinua libidinagem com qualquer uma que lhe seja do contra, ora! Que é que se pode esperar?). Pudera, neste tempo de neopentecostal fundamentalismo as coisas quando andam vão para onde mesmo, hem? Pelo jeito, fica tudo pelo dito e não dito – só pra eles, os coisominios, né? E ainda posam de puritanos. Lembrei do Mencken: Mostre-me um puritano e eu lhe mostrarei um filho da puta! LÁ VÃO DUAS, APERTURAS: Moliére mesmo passou por maus bocados! Para ter uma ideia, os atores da época eram mal vistos pela opinião pública e excomungados pela igreja. Ele herdou do pai: tapeceiro da corte; trocou o palácio pelo teatro: foi ator toda sua vida. Tentou abrir um teatro, não deu; empepinou-se tanto que, por conta das dívidas, foi preso duas vezes. Solto, não deixou de causar e tanto e à beça, que até a sua morte virou uma lenda: morreu no palco representando o papel principal de sua última peça, Le Malade imaginaire! Melhor dizendo: encarnava ele um doente imaginário em cena, teve lá um troço e bateu as botas na ribalta, aí de verdade. Dois padres recusaram-lhe a extrema unção e um terceiro chegou quando já era tarde demais. Foi impedido de ser sepultado, porque era acusado pelo clero de representar o falso e o imoral. Graças à esposa dele, Armande, o rei Luís XIV conseguiu que ele fosse enterrado entre os nados-mortos, ou seja, os não batizados e, com um detalhe, durante a noite. Assim foi. E ele: Morre-se apenas uma vez, mas por tanto tempo! Eu prefiro viver dois dias na terra do que mil anos na história. EITA, EXPLICANDO: À BEÇA? Ah, a expressão deve-se a um teitei medonho de brabo! Seguinte: uma treta que envolvia o Tratado de Petrópolis, entre o cabeçudo Ruy Barbosa e o maior da lábia Barão do Rio Branco, fez o prosopopaico ministro demitir-se para advogar a causa do Amazonas de incorporação do Acre, apresentando, inclusive, projeto no senado. O Ruy era fodão mesmo, todo mundo sabe disso! Não perdia uma. Aliás, perdeu uma sim. Foi que um advogado sergipano virado na trepeça, Gumercindo Bessa (1859-1913), sabedor da barra mais que pesada, armou-se como pôde e apresentou argumentos esmagadores tão numerosos e abundantes em favor dos acreanos, que ganhou a causa na maior, tornando-se, por isso, figura respeitada nos meios forenses. O cara desbancou o Ruy, gente! Virou máxima: Você tem argumentos à Bessa, hem?... com o tempo, passou a ser à beça, demasiado, abundante, demasiado. E boco-moco, pacas! Serviu para encher linguiça & vamos aprumar a conversa! © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo e aqui.

DITOS & DESDITOS: [...] O apego à matéria gera uma paixão contra a natureza. É então que nasce a perturbação em todo o corpo; é por isso que eu vos digo: Estejais em harmonia… Se sois desregrados, inspirai-vos em representações de vossa verdadeira natureza. Que aquele que tem ouvidos para ouvir, ouça. Após ter dito aquilo, o Bem-aventurado saudou-os a todos dizendo: Paz a vós – que minha Paz seja gerada e se complete em vós! Velai para que ninguém vos engane dizendo: Ei-lo aqui. Ei-lo lá. Porque é em vosso interior que está o Filho do Homem; ide a Ele: aquele que o procuram o encontram. Em marcha! Anunciai o Evangelho do Reino. [...]. Trecho extraído da obra O evangelho de Maria Madalena (EME, 2018), de José Lázaro Boberg, reunindo o texto gnóstico encontrado no Codex Akhmin e adquirido por Carl Rheinhardt, em 1896. Este evangelho foi publicado em 1955, após o aparecimento da Biblioteca de Nag Hammadi. Trata-se do evangelho de Madalena ou Maria de Madgala, um texto encontrado no Egito do século IV, confrontando com o que sobreviveu em dois fragmentos gregos do século IIII e numa tradução mais longa para o copta do século V, por ser ela a figura feminina mais citada no Novo Testamento. Madalena era um dos apóstolos que narra episódio de Jesus, e que se comunicava com ele por meio de visões depois da ressurreição. Nesta obra, destaca-se ainda o trecho: [...] Maria Madalena se calou, pois até aqui o Salvador lhe tinha falado. Mas André respondeu e disse aos irmãos:"Dizei o que tendes para dizer sobre o que ela falou. Eu, de minha parte, não acredito que o Salvador tenha dito isso. Pois esses ensinamentos carregam ideias estranhas". Pedro respondeu e falou sobre as mesmas coisas. Ele os inquiriu sobre o Salvador:" Será que ele realmente conversou em particular com uma mulher e não abertamente conosco? Devemos mudar de opinião e ouvirmos ela? Ele a preferiu a nós?" Então Maria Madalena se lamentou e disse a Pedro: "Pedro, meu irmão, o que estás pensando? Achas que inventei tudo isso no mau coração ou que estou mentindo sobre o Salvador?" Levi respondeu a Pedro: "Pedro, sempre fostes exaltado. Agora te vejo competindo com uma mulher como adversário. Mas, se o Salvador a fez merecedora, quem és tu para rejeitá-la? Certamente o Salvador a conhece bem. Daí a ter amado mais do que a nós. É antes, o caso de nos envergonharmos e assumirmos o homem perfeito e nos separaremos, como Ele nos mandou, e pregarmos o Evangelho, não criando nenhuma regra ou lei, além das que o Salvador nos legou." Depois que Levi disse essas palavras, eles começaram a sair para anunciar e pregar. [...]. Há uma outra obra Maria Madalena - da Bíblia ao Código Da Vinci: companheira de Jesus, deusa, prostituta e ícone feminista (Zahar, 2018), de Michael Haag, analisando a forma como ela tem sido reinterpretada a cada época, desde a sua exaltação como esposa e principal apóstolo de Jesus, tornando-se no Renascimento a deusa da beleza e do amor, e na modernidade uma mulher forte e independente que se transformou em ícone feminista. Por fim, a obra Maria Madalena - O Evangelho Segundo Maria (Geração, 2018), de Armando Avena, um romance em que ela é tratada por Jesus como sua discípula amada e que se nega a casar com ele para salvá-lo da cruz. Imagem do pintor francês Jules Joseph Lefebvre (1834-1912). Veja mais aqui e aqui.

AS MÁXIMAS DE MOLIÉRE - A virtude é o primeiro título de nobreza; eu não presto tanta atenção ao nome desta ou daquela pessoa, mas antes aos seus atos. A virtude neste mundo é sempre maltratada; os invejosos morrerão, mas a inveja é poupada. Todos os vícios, quando estão na moda, passam por virtudes. Quase nos inspiram o desejo de pecar, os mil e um cuidados para o evitar. Prefiro um vício cômodo a uma virtude que fatigue. O escândalo do mundo é o que faz a ofensa, e pecar em silêncio não é pecar totalmente. Viver sem amor significa realmente não viver. Convém em certas ocasiões ocultar o que se traz no coração. Pensamento do dramaturgo, ator e encenador francês Molière (Jean-Baptiste Poquelin – 1622-1673). Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

PSICOSE 4: 48, O TEATRO DE SARAH KANE
[...] Estou triste. Sinto que não há esperança no futuro e que as coisas não podem melhorar. Estou farta e insatisfeita com tudo. Sou um fracasso completo como pessoa. Sou culpada, estou a ser castigada. Gostaria de me matar. Sabia chorar mas agora estou para além das lágrimas. Perdi o interesse nas outras pessoas. Não consigo tomar decisões. Não consigo comer. Não consigo dormir. Não consigo pensar. Não consigo ultrapassar a minha solidão, o meu medo, o meu desgosto. Sou gorda. Não consigo escrever. Não consigo amar. O meu irmão a morrer, o meu amante a morrer, estou a matá-los aos dois. Invisto na direção da minha morte. Estou aterrorizada com a medicação. Não consigo fazer amor. Não consigo foder. Não consigo estar sozinha. Não consigo estar com os outros. As minhas ancas são grandes de mais. Não gosto dos meus órgãos genitais. Às 4:48, quando o desespero me visitar, enforco-me, ao som da respiração do meu amante. [...]
SARAH KANE - Trecho da peça teatral Psicose 4:48 – Teatro completo (Campo das Letras, 2001), da dramaturga inglesa Sarah Kane (1971-1999). Trata-se da última peça da autora que marca sua investigação da forma e nela as convenções usuais do teatro são fragilizadas, pois faz referência ao horário do dia em que “a vontade de se matar é mais intensa”, em que a relação entre corpo e mente é rompida entre espaçamentos, a falta de pontuação, a não-definição de onde falam as vozes e até mesmo a não-identificação de determinados trechos da peça. Em sua curta existência, escreveu apenas cinco peças de teatro, das quais a mais conhecida é, sem dúvida, Psicose 4.48, a derradeira delas, visto que, pouco tempo depois de finalizá-la, ela acabou se matando, enforcando-se no banheiro de um hospital de Londres, onde estava internada por causa de problemas psiquiátricos. Dela, alguns pensamentos recolhidos: Sou um plágio emocional, roubando a dor de outras pessoas, incorporando-a à minha, até não me lembrar mais de quem é. O que às vezes confundo com êxtase é simplesmente a ausência de pesar. Depois de perceber que a vida é muito cruel, a única resposta é viver com o máximo de humanidade, humor e liberdade possível. Abrace belas mentiras - a insanidade crônica dos sãos. Eu sou a fera no fim da corda. Veja mais aqui, aqui & aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte do fotógrafo francês Jean-Marie Auradon (1887-1958). Veja mais aqui & aqui.

A ARTE PERNAMBUCANA
A arte da atriz Geninha da Rosa Borges que participou de 63 peças teatrais, 10 gilmes e dirigiu 21 espetáculos aqui.
Fome: um tema proibido (CEPE, 1996), do médico, professor catedrático, pensador, ativista político e embaixador do Brasil na ONU, Josué de Castro (1908-1973) aqui.
O cordel de Leandro Gomes de Barros (1865-1918) aqui e aqui.
A poesia de Rita Isadora Pessoa aqui.
A arte de Flaira Ferro aqui
Retratos de chumbo aqui
O Pastoril do Rabeca aqui
O município de Jucati aqui & aqui
&
OFICINAS ABI
Veja detalhes das oficinas da ABI aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.


quarta-feira, março 01, 2017

MAGDALENA, PABLO MILANÉS, RUTH KLIGMAN, JOSÉ CONDÉ, JOAQUÍN SABINA & CRÔNICA DA MULHER

Veja a Fanpage  aqui, os vídeos aqui e os poemas & canções aqui.

CRÔNICA DE AMOR PARA ELA – Foi ela, coração de mãe, quem me deu a vida quando eu não sabia nada, quem me deu sorriso quando eu tomava pé do mundo e das coisas, olhos grandes para tudo. Dela aprendi a lição do amor quando tudo era novo e eu dependente do seu jeito, agarrado ao cós da saia sem saber de onde vinha nem para onde ia. E me fiz menino atado ao seu estímulo, crescendo como dádiva dos que precisam. E virei garoto atento e fascínio aos 40 graus de curiosidade e perseguição. A nudez dela, alma de mulher, me levou pelas frestas das portas, olhos miúdos às fechaduras, escondido pelas brechas, entre combongós, pelas cumeeiras e basculantes, escondido por cima do muro no quintal da vizinha, até saber-me pronto para o deleite. Era ela sempre a minha festa com seus cabelos sedosos aos ventos, seus olhos de manha cheios de ternura, suas feições dóceis de pele macia, seus lábios salientes dos beijos mais expostos. Ela, meu porto seguro, sempre o meu refúgio nas horas perdidas por seus ombros aconchegantes, seus seios angelicais de todas as frutas do pomar, seu ventre de Sol alumiando meu destino e sina. Foi dela que recolhi todas as estrelas brilhantes que me encantavam os sonhos e a esperança, quando eu cantava Fonte como se não tivesse mais saída. Foi dela que aprendi a acolhida na cilada das horas, quando eu andava perdido saindo pra outra depois de um chega pra lá. Pra mim ela se fez meu tudo e eu grato dei meu coração e toda minha vida. © Luiz Alberto Machado. Veja mais aqui & aqui.

UNA CANCIÓN PARA LA MAGDALENA
Si, a media noche, por la carretera que te conté,
detrás de una gasolinera donde llené,
te hacen un guiño unas bombillas azules, rojas y amarillas,
pórtate bien y frena.
Y, si la Magdalena pide un trago,
tú la invitas a cien que yo los pago.
Acércate a su puerta y llama si te mueres de sed
si ya no juegas a las damas ni con tu mujer.
Sólo te pido que me escribas, contándome si sigue viva
la virgen del pecado, la novia de la flor de la saliva,
el sexo con amor de los casados.
Dueña de un corazón, tan cinco estrellas,
que, hasta el hijo de un Dios, una vez que la vio, se fue con ella.
Y nunca le cobro la Magdalena.
Si estás más solo que la luna, déjate convencer,
brindando a mi salud, con uma que yo me sé.
Y, cuando suban las bebidas, el doble de lo que te pida
dale por sus favores, que, en casa de María de Magdala,
las malas compañías son las mejores.
Si llevas grasa en la guantera u un alma que perder,
aparca, junto a sus caderas de leche y miel.
Entre dos curvas redentoras la más prohibida de las frutas
te espera hasta la aurora, la más señora de todas las putas,
la más puta de todas las señoras.
Con ese corazón, tan cinco estrellas,
que, hasta el hijo de un Dios, una vez que la vio, se fue con ella.
Y nunca le cobro la Magdalena.
Música de Pablo Milanés & Joaquin Sabina, extraída do álbum 19 dias y 500 noches (BMG/Ariola, 1999), do cantautor espanhol Joaquín Sabina. Veja mais aqui.

Veja mais sobre:
O Trabalho da Mulher aqui.

E mais:
Saúde da Mulher aqui.
Kid Malvadeza aqui.
Tzvetan Todorov, Oduvaldo Vianna Filho, Os epigramas de Marcial, Jacques Rivette, Frédéric Chopin & Artur Moreira Lima, Sandro Botticelli, Carmen Silvia Presotto & Egumbigos no país dos invisíveis aqui.
Antonio Gramsci aqui.
Fecamepa, Psicologia Escolar, Sonhoterapia, Direito & Família Mutante aqui.
O Monge & o executivo, Neuropsicologia, Ressocialização Penal &Educação aqui.
Sexualidade na terceira idade aqui.
Homossexualidade e Educação Sexual aqui.
Globalização, Educação & Formação, Direito Ambiental & Psicologia Escolar aqui.
Federico Garcia Lorca aqui.
Aids & Educação aqui.
Sincretismo Religioso aqui.
Racismo aqui.
Levando os direitos a sério de Ronald Dworkin aqui.
Ética & moral aqui.
A luta pelo direito de Rudolf Von Ihering aqui.
Abuso sexual, Sonhos lúcidos, Antropologia & Psicologia Escolar aqui.
Cândido ou o otimismo de Voltaire aqui.
A liberdade de Espinosa aqui.
Cantarau Tataritaritatá: vamos aprumar a conversa aqui.
Todo dia é dia da mulher aqui.
A croniqueta de antemão aqui.
Fecamepa aqui e aqui.
Palestras: Psicologia, Direito & Educação aqui.
Livros Infantis do Nitolino aqui.
&
Agenda de Eventos aqui.

DESTAQUE: A VELHA SENHORA MAGDALA
[...] Estavam todos na sala de visitas, para onde foram levados os castiçais. Magdala sentia-se envolvida por um agradável torpor, em conseqüência do copo de vinho que havia bebido. Escutava, de uma das mulheres, a narrativa das aventuras da troupe ambulante. Há mais de três meses – contava a loura – que se encontravam fora do Rio, visitando cidades do interior de Minas Gerais e São Paulo. Regressavam agora ao ponto de partida. Era uma vida de sacrifícios. Fora um fracasso a temporada e voltavam mais pobres do que quando partiram. Acrescentou sua decisão firma de abandonar aquela existência errante e boêmia; já não era criança, precisava pensar no dia de amanhã. Foi interrompida pelas primeiras notas do acordeão. Uma polca. O homem cantava: Tive um amor na vida, / Um velho amor lá no sul. / E quando a tarde vem, Leontina... Todos entraram alegremente em coro. Magdala havia cerrado os olhos. O vento frio da noite atravessava as janelas abertas. E quando a tarde vem, Leontina... Magdala abre os olhos: bem à sua frente, sobre o consolo de jacarandá, parece contemplá-la a imagem do avô Felipe. Não o conhecera, é verdade. Mas pela descrição que dele costumava fazer o pai, facilmente lhe reconstituía os traços na memória. Via-o, assim, como nos velhos tempos, enchendo a fazenda de escravos, multiplicando as terras, arrancando riquezas do solo. Em poucos anos transformara os poucos alqueires de sua sesmaria, naquele mundo de serras, de vales e planícies  que as plantações de café e de cana-de-açúcar dominavam em dezenas e dezenas de léguas. A vasta casa-grande, quadrada, simples, fora erguida por ele. Também a capela. A música silenciara. – Que deseja ouvir agora? – indagou o homem do acordeão. Magdala pensou um pouco e pediu o Doce Amélia. Era uma cantiga triste e Magdala dançara muitas vezes. Também costumava cantá-la ao piano, acompanhada pela irmã Tereza. Oh! Doce Amélia / quem pode ver-te... Vieram-lhe lágrimas aos olhos. Sentia-se ainda tonta, e não sabia se era do vinho ou de emoção. Mentalmente, acompanhava a melodia, recordando os versos: a doce Amélia fora obrigada a casar-se com um velho conde, porque assim lhe ordenara o pai. Mas o grande amor de sua vida era o mancebo que todas as tardes passava à frente do sobrado e suspirava por lhe tocar nos longos cabelos negros. Um dia, por intermédio da mucama de confiança, conseguem ajustar a fuga para daí a três noites. O pai descobre o plano e manda assassinar o jovem. Amélia suicida-se, apertando entre os dedos o lenço de renda que o amado lhe remetera pouco antes de atingi-lo o punhal assassino. Oh! Doce Amélia / quem pode ver-te... As lágrimas escorrem pelas faces de Magdala. Não sabe se chora pela infeliz Amélia, ou por ela mesma – pelas suas lembranças. Soluça. Todo o seu corpo estremece como uma folha sacudida pelo vento. [...].
A velha senhora Magdala (1958), trecho de conto do escritor e jornalista José Condé (1917-1971). Veja mais aqui e aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte da pintora estadunidense Ruth Kligman (1930-2010), artista e musa de vários importantes artistas como Jackson Pollock e Willen de Kooning, entre outros.
Veja mais aqui, aqui e aqui.

CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Paz na Terra
Recital Musical Tataritaritatá - Fanpage.
Veja os vídeos aqui & mais aqui e aqui.
 

ANNE CARSON, FRANÇOISE VERGÈS, TAHMIMA ANAM & SETÍGONO

    Imagem: Pulsações caósmicas , da série Caosmose & O poema nasce do visinvisível - Acervo ArtLAM .   Em rota de colisão, a sorte...