Mostrando postagens com marcador Luc Ferry. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Luc Ferry. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, agosto 24, 2018

LEMINSKI, LUC FERRY, LYGIA CLARK, NELSON RODRIGUES, HELENA MEIRELLES, IOLE DE FREITAS, VALLY NAMIDOU & PENÉLOPE


BRINCOTOSENTILÓQUIO – Imagem: Glass pieces (1975-76), da artista visual e fotógrafa Iole de Freitas. - Sejalaqueforademais, diadia qualequale, ah cabiolharanatuhumesmo, quetudopossanessaterraviva seminguar nemperecer. Sabiacantoufaztempo, seieuxexeu, quenasabesabe, sabenão. Ontemesmo, tempatrás, tuderesquisito: delapralá, decapracá. Tinhadivinhadeser, laouloa, acertapostar, umaoutra, muitoutras erescondidas. Tomouma, discartoutra. Agoroutra, muitoutroutas. Tantadenesaberaqual: primeirultima, segundavez, terceiralgo, ah trintês, quarenquatro, tempespaço queviujamorreu. Mesmassim, assadassim, obrasilabrilandapratrazempre! Remoquemangar, hahahehe! Coisaquecoisa! Piadadeprimesemgraçabril! Tampabriu, valhamedeus! Esporcorrupada, tomaladacá, essemeuesseteuessemeu, porsicadaum, maisabidispõe, lesotario chorerorô, quebrazil! Cabecendoidada tudiviés, orora, quenejeitem, neném. Tronchabu, verana. Tudofalocentricamente, tempereitoralista, voteu choralguém, tuditudinho! Vendavoto, assinembaixo, façacordo, livreseuprocto, retroutros lasquemsejá. Tudeuhem! Justinjustiça festaseja, praquem, pingagatos, privilevianagiameiduzia, soesó, seimaginodava mafegafinhos fraudestorvo, judicaviloso sobrenevolente povatrasavai, salvaflogistico compadrinhos carniçurubuquaquá, arrevali! Seutivessabracomperformatividade, cordiscernimento, dizabotoaja meimundiverdiva, adiantanão, tãotão maso ciclunar catanabólicas lualada. Gluteandam educultural, denada, postidentes, protesilha, moletaipa, paliativalvula, placebundante, volvai volteluridente, quecoisamascoisa, golpeitonatimoraticadas, eoqa, flagrotemidamente governavalha. Tardagora? Nuncanunquinha! Ah voo nenhumedo, condecisão nenhumais passerela, trevilusão sentidalgum. Apenasei, solitamanhecente, olhoje bocantos ruabertráfego novisão globamadurecer vastidabertura divinessência hojamanhã, esoteritmo pulsangue misticonsciência, sentinaveclodivina. Enquantisso, salvaime, benzodeus, maisestavali, meninamada, choventos, umpunhadágua cominhoseco, saiatrás closesquiva obscenascida sexostensivo, pelamordedeus! © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá especial com a música da violeira, cantora e compositora Helena Meirelles (1924-2005): Raiz pantaneira, Flor da Guavira, Ao vivo & Estreia álbum & muito mais nos mais de 2 milhões & 600 mil acessos ao blog & nos 35 Anos de Arte Cidadã. Para conferir é só ligar o som e curtir. Veja mais  aqui.

PENSAMENTO DO DIA – [...] quanto mais os valores tradicionais se corroem, mais ficamos dependentes e mais nos tranquilizamos consumindo. É o que já se chamava nos anos 1960 de ‘dessublimação repressiva’ [...] Como criar nossos filhos, como ‘equipá-los’ para que vençam na vida do melhor modo possível? O que significa, aliás, a expressão ‘vencer na vida’, se não a reduzirmos à dimensão puramente social e material? Que mundo nós queremos lhes deixar, legar às gerações futuras, não apenas em termos de ecologia, mas também de economia, de política, de cultura? [...]. Trechos extraídos da obra A revolução do amor: por uma espiritualidade laica (Objetiva, 2012), do filósofo francês Luc Ferry. Veja mais aqui.

CARTA A MONDRIAN - [...] a natureza me alimentou, me equilibrou quase que de uma forma panteística. Mas com o tempo, numa outra crise, já isto não adiantou e foi o “vazio pleno”, a noite, o silêncio dela que se tornou a minha moradia. Através deste “vazio-pleno” me veio a consciência da realidade metafísica, o problema existencial, a forma, o conteúdo (espaço pleno que só tem realidade em função direta da existência desta forma...). [...] não sonho porque não acredito. Não por excesso de realismo mas para mim o coletivo só existe na razão desta desordem de ordem prática e social. Se o homem não pode sentir como é importante esse desenvolvimento interior – chamemos de uma forma que nasce com a pessoa como um punho fechado, talvez se abrindo no primeiro tempo com o próprio nascimento – então ele jamais poderá atingir sua plenitude como a rosa que se abre dentro do seu próprio tempo e morre amorosamente realizada, inteligente e feliz... [...] um segredo eu vou te contar: às vezes me sinto tão desesperada, porque no momento em que “checo” este problema a solidão, o frio, “o medo do medo” me envolvem com todos os seus braços e procuram fechar este novo tempo que desabrocha na minha forma interior, amassando pétalas frescas e delicadas que levarão novo tempo para se abrirem como se abre um olho devagar, depois de ter levado um bom murro. [...] encarar esta realidade às vezes tão insuportável - "o artista é um solitário". Não importam filhos, amor, pois dentro dele ele vive só. Ele nasce dentro dele, parto difícil a cada minuto, só irremediavelmente só. [...] No momento em que o grupo foi formado havia uma identificação profunda, a meu ver. Era a tomada de consciência de um espaço-tempo, realidade nova, universal como expressão, pois abrangia poesia, escultura, teatro, gravura e pintura. Até prosa [...] Hoje a maioria dos elementos do grupo se esquecem desta afinidade (o mais importante) e querem imprimir um sentido menor a ele, quando preferem que ele cresça sem esta identidade para mim imprescindível, numa tentativa de dar continuidade superficial a este movimento. [...] Só o tempo a meu ver traria continuidade real a este movimento. [...] meu desejo é deixar o grupo e continuar fiel a esta minha convicção, respeitando a mim mesma, embora mais só que ontem e hoje, eu serei amanhã, pois as pessoas que se aproximaram um dia, há bem pouco tempo, se afastam desorientadas sem enfrentarem a dureza de estar só num só pensamento, sem resguardar o sentido maior, ético, de morrer amanhã, sozinha mas fiel a uma ideia. Diga, meu amigo: é duro, é terrível porque é deixar de ter, mesmo sem me afastar realmente do grupo, pois já se fragmentou a unidade, a verdade dura e terrível feita a sete para se multiplicar em realidades pequenas - reconfortantes por certo, às centenas. Hoje eu choro - o choro me cobre, me segue, me conforta e acalenta, de um certo modo, esta superfície dura, inflexível e fria da fidelidade a uma ideia. Carta da pintora e escultora Lygia Clark (1920-1988), extraída da obra Escritos de artistas: anos 60/70 (Jorge Zahar, 2006), organizada por Glória Ferreira e Cecília Cotrim. Veja mais aqui e aqui.

COMPLEXO DE VIRA-LATAS – [...] Mas o que nos trava é o seguinte: — o pânico de uma nova e irremediável desilusão. E guardamos, para nós mesmos, qualquer esperança. [...] E só uma coisa nos atrapalha e, por vezes, invalida as nossas qualidades. Quero aludir ao que eu poderia chamar de “complexo de vira-latas”. Estou a imaginar o espanto do leitor: “O que vem a ser isso?” Eu explico. Por “complexo de vira-latas” entendo eu a inferioridade em que o brasileiro se coloca, voluntariamente, em face do resto do mundo. Isto em todos os setores e, sobretudo, no futebol. Dizer que nós nos julgamos “os maiores” é uma cínica inverdade. [...] Absolutamente. É um problema de fé em si mesmo. O brasileiro precisa se convencer de que não é um vira-latas [...] Uma vez que ele se convença disso, ponham-no para correr em campo e ele precisará de dez para segurar, como o chinês da anedota. Crônica do escritor, jornalista e dramaturgo Nelson Rodrigues (1912-1980). Veja mais aqui.

CESTA FEIRA - cesta feira / oxalá estejam limpas / as roupas brancas de sexta / as roupas brancas da cesta / oxalá teu dia de festa / cesta cheia / feito uma lua / toda feita de lua cheia / no branco / lindo / teu amor / teu ódio / tremeluzindo / se manifesta / tua pompa / tanta festa / tanta roupa / na cesta / cheia / de sexta / oxalá estejam limpas / as roupas brancas de sexta / oxalá teu dia de festa / mesmo / na idade / de virar / eu mesmo / ainda / confundo / felicidade / com este / nervosismo / eu / quando olho nos olhos / sei quando uma pessoa / está por dentro / ou está por fora / quem está por fora / não segura / um olhar que demora / de dentro do meu centro / este poema me olha. Poema extraído da obra Caprichos & relaxos (Companhia das Letras, 2016), do escritor, critico literário, tradutor e professor Paulo Leminski (1944-1989). Veja mais aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte da artista grega Vally Namidou. 
Veja mais aqui.

AGENDA
Penélope, videodança - exibição 29/agosto, 18hs, no sarau do Centro Cultural OAB Barra -  Av. das Américas, 3.959. Barra da Tijuca, Rio de Janeiro, RJ. Entrada franca & muito mais na Agenda aqui.
&
O Brasil às avessas na hora da crise, a literatura de Lewis Carroll, a poesia de Cesar Leal, a psicoterapia de Carl Rogers, A loucura do trabalho de Christophe Dejours, A ansiedade de Cecil A. Poole, o Ginásio Municipal de Brivaldo Leão de Almeida, Cidade & Mobilidade Urbana aqui.


quarta-feira, julho 18, 2018

BANDEIRA, GERSHWIN, LUC FERRY, GILBERTO FREYRE, CARAVAGGIO, MOUWAILIHI, ARTUR GOMES, MARIA & SEVERINA BRANCA


AS MULHERES DE CARAVAGGIO - Imagens: arte do pintor italiano Michelangelo Merisi, o Caravaggio (1571-1610) – Merisi, o Golias autorretratado, apareceu do Ducado de Milão, do Porto Ercole, Monte Argentário. De lá o menino viu de perto a peste bubônica imprimir um rastro de morte ao redor. Cresceu contencioso com o desafio nos olhos, farrista inveterado com seu gênio difícil a criar problemas e rusgas pelos lupanares de então. Perseguia a si próprio a passar fome em Roma, vivendo pelas ruas numa turbulência perigosa. Teve sua cabeça a prêmio por matar um jovem. A fuga errática dá em Malta e uma nova briga e mais outras tantas em Nápoles, e andou de cidade em cidade, casmurro insultante tão litigante compulsivo por extravagâncias a levarem-no ao endividamento, entre o desespero e o remorso, entre a arte e a recusa por trabalho fiel ao seu estilo. Era a vida atribulada do amante libertino de mulheres de má fama, quantas delas sobejadas por um celerado que conhecia todos os calabouços, um proscrito impetuoso que dormia com a adaga sob o travesseiro e sempre perseguido por matar seu rival nobre. Em louvor a elas retratava as coisas mundanas como se fossem sagradas: o Jesus flagelado e as cenas religiosas com seus modelos recrutados na rua, gente simples e pobre para romper com as convenções, em contrastes de luz e sombra, a beleza na vulgaridade: pessoas e a vida de todos os dias, a vida inflamada e elas ardendo de prazeres. Era a emoção profunda de santas, madonas, rainhas, deusas, interpretadas por modelos catadas entre as suas amantes prostitutas e mendigas das ruas esconsas, com impressionantes e audaciosos gestos, a mulher encarquilhada com toda tristeza da Terra, a Filli de Melandroni que representou Salomé e Judith, e aquela gente medonha, carnal, das vísceras do povo, que riem, devem, desacatam, fornicam, se danam, se amam e se detestam, se inflamam e se embriagam quais pecadores dos quintos dos infernos na exaltação da vida pelo gozo da carne desejada. As mulheres e todos esculpidos na condição humana. O bispo reconheceu e o excomungou. Assim, ele se viu só, esperava o barco que nunca chegou à solidão da febre e condenado à morte da vergonha, até desaparecer misteriosamente para nunca mais ser encontrado. Só depois do seu desaparecimento foi absolvido pelo Papa. Já era tarde, nada nem nunca mais. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo & mais aqui e aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá especial com a música do compositor estadunidense George Gershwin (1898-1937): Rapsody in Blue, Piano Concert in F Major, Blue Monday & Summertime & muito mais nos mais de 2 milhões & 500 mil acessos ao blog & nos 35 Anos de Arte Cidadã. Para conferir é só ligar o som e curtir. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.

PENSAMENTO DO DIA – [...] a própria ideia de felicidade é objeto de um debate contraditório, de uma “antinomia” que opõe radicalmente duas teses. Para uns, a felicidade é a meta de toda vida humana, e também da animal, e a sabedoria suprema consiste em apoderar-se dela. [...] Já para outros, embora seja evidente que todos procuramos desesperadamente a felicidade, essa busca não passa de ilusão, de uma miragem. A felicidade não apenas é inacessível aos seres humanos em razão do caráter finito de nossa existência como simples mortais, mas também, sendo nossos desejos contraditórios e flutuantes, em qualquer hipótese é impossível defini-la de maneira categórica e satisfatória. Sabemos com bastante clareza o que nos torna infelizes, mas muito menos distintamente sabemos o que nos faria felizes. É claro, em nossa existência conhecemos momentos de alegria, e até oásis de serenidade. [...] Trechos extraídos da obra 7 maneiras de ser feliz: como viver de forma plena (Objetiva, 2018), do filósofo francês Luc Ferry, que em outra obra Aprender a Viver: Filosofia para os novos tempos (Objetiva, 2012), expressa que: [...] Como dizem, cada um a seu modo, vários pensadores contemporâneos, não se filosofa por divertimento, nem mesmo apenas para compreender o mundo e conhecer melhor a si mesmo, mas, às vezes, para “salvar a pele”. [...]. Veja mais aqui, aqui e aqui.

ISTO É BRASIL? – [...] Não há brasileiro de classe mais elevada, mesmo depois de nascido e criado depois de oficialmente abolida a escravidão, que não se sinta aparentado do menino Braz Cubas na malvadez e no gosto de judiar com negros. Aquele mórbido deleite em ser mau com os inferiores e com os animais é bem nosso: é de todo o menino brasileiro atingido pela influência do sistema escravocrata [...] um dia quebrei a cabeça de uma escrava, porque me negara uma colher de doce de coco que estava fazendo, e, não contente com o malefício, deitei um punhado de cinza ao tacho, e, não satisfeito da travessura, fui dizer a minha mãe que a escrava é que estragara o doce “por pirraça”; e eu tinha apenas seis anos. Prudêncio, um muleque de casa, era meu cavalo de todos os dias; punha as mãos no chão, recebia um cordel nos queixos, à guisa de freio, eu trepava-lhe ao dorso, com uma varinha na mão, fustigava-o, dava-lhe mil voltas a um e outro lado, e ele obedecia, – algumas vezes gemendo – mas obedecia sem dizer palavra, ou, quando muito, um – “ai, nhonhô!” – ao que eu retorquia – cala a boca, besta!”- esconder os chapéus das visitas, deitar rabos de papel a pessoas graves, puxar pelo rabicho das cabeleiras, dar beliscão nos braços das matronas, e outras muitas façanhas deste jaez, eram mostras de um gênio indócil, mas devo crer que eram também expressões de um espírito robusto, porque meu pai tinha-me em grande admiração; e se às vezes me repreendia, à vista de gente, fazia-o por simples formalidade: em particular dava-me beijos [...]. Trechos extraídos da obra Casa-grande e senzala (Livros do Brasil, 1957), do sociólogo Gilberto Freyre (1900-1987). Veja mais aqui e aqui.

O MORTO RESSUSCITADO - [...] Vi-me em sonho numa planície de Al-Imâm, caminhando entre os túmulos e as colunas, por uma bela noite clara. [...] Eu ia com minha alma por cima dos túmulos e das lápides, do orgulho do homem e da sua presunção, da vaidade das suas ideias de gloria e de ilustração, do insondável exagero das suas pretensões, da excessiva opinião que ele faz de si próprio quando se glorifica e se esquece do túmulo. A vaidade o exalta a ponto de querer atravessar a abobada celeste, cheio de admirações pelo que possui e pelo que adquiriu. Depois, a morte constrange este nariz erguido para o céu a abrir um buraco na terra, após haver sepultado sob as lápides funerárias, as páginas da sua gloria e da sua grandeza. Eu continuava a andar, a ir e vir, até que me lembrei no decorrer da minha caminhada por sobre as areias das planícies, dos versos do sábio poeta SAbou’l alâ: “Diminui a pressão dos teus passos sobre a terra, posque o chão não é feito de outra coisa senão destes corpos. Não seria bom de nossa parte, mesmo que eles tenham morrido há muito tempo, tratar com desprezo os nossos pais e antepassados. Caminha tão devagar quanto possas, sem te orgulhares às expensas dos outros humanos”. Rangi os dentes arrependido e pus-me a caminha na ponta dos pés, sentindo que na massa destes mortos, na multidão dessas ossadas, havia lábios que os amorosos tomaram por gibla, pela doçura dos quais eles os preferiam às cores do arco-íris; bocas misturadas à poeira cinzenta e dentes em meio às pedras do caminho. Recordei então que estas faces de que a rosa tivera ciúmes, e que choravam com lagrimas de orvalho, e que acendiam nos corações os fogos da consumação, diante das quais o grain de beauté era como Abrão diante do fogo, ou como os fios da água do ceu nas anêmonas, nos quais brilhava o resplendor do poder e da juventude – lembrava-me de que estas faces tinham visto sua beleza dobrada pelo destino como página de um livro – tinham por seu decreto se tornado poeira na face da terra. [...]. Trecho de conto do escritor egípcio Mohammed al-Mouwailihi (1858-1930).

ESTRADA – Esta estrada onde moro, entre duas voltas do caminho, / Interessa mais que uma avenida urbana. / Nas cidades todas as pessoas se parecem. / Todo o mundo é igual. todo o mundo é toda a gente. / Aqui, não: sente-se bem que cada um traz a sua alma. / Cada criatura é única. / Até os cães. / Estes cães da roça parecem homens de negócios: / Andam sempre preocupados. / E quanta gente vem e vai! / E tudo tem aquele caráter impressivo que faz meditar: / Enterro a pé ou a carrocinha de leite puxada por um bodezinho / manhoso. / Nem falta o murmúrio da água, para sugerir, pela voz dos símbolos, / Que a vida passa! que a vida passa! / E que a mocidade vai acabar. Poema do poeta, tradutor, critico literário e de arte, Manuel Bandeira (1886-1968). Veja mais aqui.

MARIA, NO TEMPO DO CORPO VIVE A MEMÓRIA.
Sou mulher de sentimento
As duas da madrugada
Levando a chave na mão
Deixando a porta trancada
E uma filha na cama
Sem esperança de nada.
O curta Maria (2016), com direção e roteiro de Carol Correia, traz momentos da vida de uma poeta, ex-prostituta e analfabeta do Sertão do Pajeú, Severina Branca, com as atrizes Marcelia Cartaxo e Karine Ordônio, produção da Cambaio Filmes e Nahsom Filmes.

A performance poética Poesia Viva Poesia do poeta e ator Artur Gomes & muito mais na Agenda aqui.
&
A arte de Artur Gomes aqui, aqui & aqui.
&
CRÔNICA DE AMOR POR ELA
“Não sou um pintor valentão, como me chamam, mas sim um pintor valente, isto é, que sabe pintar bem e imitar bem as coisas naturais.”
Série de Tree3Art inspirada na obra Caravaggio (1571-1610). Também a fotógrafa Mônica Silva fez uma exposição inspirada na obra do mesmo autor intitulada Lux Et Filum, uma visão contemporânea de Caravaggio (2015), em São Paulo.
Veja mais aqui, aqui & aqui.
&
A jaca & a botija, Coco Chanel & Stravinsky, Aprender a aprender de Joseph D. Novak e D. Bob Gowin, A sociedade pós-capitalista de Peter Drucker, Vênus Afrodite, a música de Stravinsky, Maria João Pires, João Guilherme Ripper & Martha Angerich aqui.

APOIO CULTURAL: SEMAFIL
Semafil Livros nas faculdades Estácio de Carapicuíba e Anhanguera de São Paulo. Organização do Silvinha Historiador, em São Paulo. Fone: 11 98499-2985.


sexta-feira, maio 04, 2018

OSMAN LINS, LEMINSKI, LUC FERRY, LAFARGUE, RENATA BRZOZOWSKA & NOEL ROSA

EU SOUL VOO - Imagem: arte da pintora polonesa Renata Brzozowska. - Tudo são dois, quando não três que é igual a um. A lógica do ilógico, a ética do círculo, em ondas, dimensões, espirais, como desordenado, aliás, aleatório, senão paradoxal. Nem por isso cessa a eternidade na finitude, a fecundar e a reproduzir desde a primeira geração, o primeiro princípio, o sopro do sopro, o fogo e a terra, a água e o ar, a força de toda força a mover o céu e as estrelas da minha boca pro infinito. Estar acima ou embaixo, à direita ou esquerda, entre o sereno e o alegre, o sombrio e o assustador, o sutil e o espesso, e ir, além disso, não só como o que fala e o que escuta, mas a trilhar o visinvisível que não é só ver ou entender o que há por trás do que é visto ou visualizado, e sim o outro das coisas, um zoom pro íntimo de cada coisa e ser, e ser cada coisa e ser, e ir para além do olhar e viver cada coisa e cada ser, eu e outros e tudo, todos em todo lugar: a união é a vida, o Um contém tudo e é todo, com seus contínuos eflúvios de um lado aos demais, diversos, a pluralidade singular a dar o abraço da Natureza, a ventar em mim os raios brilhantes do éter a passar e perpassar o meu corpo, enquanto o ouro do Sol acende o leste, Fiat Lux, até ser-me o rumo formidável da profundidade com a prece a me impelir para a luz do inominável de portas abertas e acordo, permanece comigo o resplandecente beijo dos versos e cantos livres e soltos que levo e soul voo. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá especial com a música do sambista, cantor, compositor, bandolinista, violonista e um dos maiores e mais importantes artista da música no Brasil, Noel Rosa (1910-1937), com Ivan Lins, Maria Bethania, Maria Rita, Mauro Senise & Gilson Peranzzeta & muito mais nos mais de 2 milhões de acessos ao blog & nos 35 Anos de Arte Cidadã. Para conferir é só ligar o som e curtir. Veja mais aqui e aqui.

PENSAMENTO DO DIA – [...] a dignidade de um ser não depende dos talentos recebidos com o nascimento, mas do que ele faz deles, não da natureza e dos dons naturais, mas da liberdade e da vontade da pessoa humana, quaisquer que sejam seus dotes iniciais [...] a dignidade moral de um ser reside não em sua natureza, que é neutra e sem valor algum do ponto de vista estritamente moral, mas na liberdade [...]. Pensamento extraído da obra A revolução do amor: por uma espiritualidade laica (Objetiva, 2012), do filósofo francês Luc Ferry. Veja mais aqui e aqui.

O DIREITO À PREGUIÇA – […] Homens cegos e limitados, quiseram ser mais sábios do que o próprio Deus deles; homens fracos e desprezíveis, quiseram reabilitar aquilo que até mesmo o Deus deles amaldiçoara. Eu, que não professo o credo cristão, nem tenho posição econômica e moral como a deles, recuso-me a admitir as pregações dessa moral religiosa, econômica, livre-pensadora, considerando as terríveis consequências do trabalho na sociedade capitalista [...] Uma estranha loucura dominou as classes operárias das nações onde reina a civilização capitalista. Essa loucura traz como consequência misérias individuais e sociais que há séculos torturam a triste humanidade. Essa loucura é o amor ao trabalho, a paixão moribunda que absorve as forças vitais do indivíduo e de sua prole até o esgotamento [...] A nossa época é, dizem, o século do trabalho; na verdade, é o século da dor, da miséria e da corrupção [...] Tal é a lei inexorável da produção capitalista. Porque, por prestarem atenção às falaciosas palavras dos economistas, os proletários se entregaram de corpo e alma ao vício do trabalho, precipitam toda a sociedade numa dessas crises de superprodução que convulsionam o organismo social [...] embrutecidos pelo dogma do trabalho, não compreendem que é o sobretrabalho que infligiram a si próprios durante o tempo da pretensa prosperidade a causa da sua miséria presente [...] Em vez de aproveitar os momentos de crise para uma distribuição geral de produtos e uma manifestação universal de alegria, os operários, morrendo de fome, vão bater com a cabeça contra as portas da fábrica. Com rostos pálidos e macilentos, corpos emagrecidos, discursos lamentáveis, assediam os fabricantes: [...] dêem-nos trabalho, não é a fome, mas a paixão do trabalho que nos atormenta! E esses miseráveis, que mal têm forças para se manter em pé, vendem doze a catorze horas de trabalho duas vezes mais barato do que quando tinham trabalho durante um certo período. E os filantropos da indústria continuam a aproveitar as crises de desemprego para fabricar mais barato [...] E, no entanto, apesar da superprodução de mercadorias, apesar das falsificações industriais, os operários entulham o mercado, implorando: trabalho! trabalho! [...] Uma vez que o vício do trabalho está diabolicamente encravado no coração dos operários; uma vez que as suas exigências abafam todos os outros instintos da natureza; uma vez que a quantidade de trabalho exigida pela sociedade é forçosamente limitada pelo consumo e pela abundância de matéria-prima, por que razão devorar em seis meses o trabalho de todo o ano? [...]. Trechos extraídos da obra O direito à preguiça (Claridade, 2003), do jornalista, escritor e ativista político Paul Lafargue (1842—1911).

EVANGELHO NA TABA – [...] Enquanto 0 vitral se resignava às suas limitações de vitral, ao chumbo e ao vidro colorido, ele esplendia com toda a força. Mas aos poucos os vitralistas começaram a achar que aquilo era insuficiente e começaram a pintar 0 vidro, começaram a levar apara a arte do vitral a arte da pintura. A partir daí 0 vitral degenera. Isso me levou a uma crença da qual estou firmemente convencido: de que as coisas fulguram, vamos dizer, nas suas limitações. As limitações não são necessariamente uma limitação no sentido corrente, mas uma força. Quer dizer que 0 vitralista era forte enquanto estava limitado e aceitava a sua limitação [...] Um quadro de Rafael, e realmente visto de uma perspectiva humana centralizada, ligada ao que há de perecível no olho humano. Enquanto que num quadro de Picasso, em sua fase cubista, por exemplo, nos vemos a cara do personagem de frente e essa mesma cara com um olho de lado. Neste esforço a gente nota a tentativa de romper com a condição mortal do olho humano, de ver através de um ponto de vista espiritual. O que se aproxima da visão do homem religioso da Idade Media. [...]. Trechos extraídos da obra Evangelho na taba: outros problemas inculturais brasileiros (Summus, 1979), do escritor e dramaturgo Osman Lins (1924-1978). Veja mais aqui.

CINCO POEMAS - I - Meus amigos / quando me dão a mão / sempre deixam outra coisa / presença / olhar / lembrança calor / meus amigos / quando me dão / deixem na minha / a sua mão. II - Eu tão isósceles / Você ângulo / Hipóteses / Sobre o meu tesão / Teses sínteses / Antíteses / Vê bem onde pises / Pode ser meu coração. BEM NO FUNDO - No fundo, no fundo, / bem lá no fundo, / a gente gostaria / de ver nossos problemas / resolvidos por decreto / a partir desta data, / aquela mágoa sem remédio / é considerada nula / e sobre ela — silêncio perpétuo / extinto por lei todo o remorso, / maldito seja quem olhar pra trás, / lá pra trás não há nada, / e nada mais / mas problemas não se resolvem, / problemas têm família grande, / e aos domingos / saem todos a passear / o problema, sua senhora / e outros pequenos probleminhas. RAZÃO DE SER - Escrevo. E pronto. / Escrevo porque preciso, / preciso porque estou tonto. / Ninguém tem nada com isso. / Escrevo porque amanhece, / E as estrelas lá no céu / Lembram letras no papel, / Quando o poema me anoitece. / A aranha tece teias. / O peixe beija e morde o que vê. / Eu escrevo apenas. / Tem que ter por quê? AMAR VOCÊ É COISA DE MINUTOS… - Amar você é coisa de minutos / A morte é menos que teu beijo / Tão bom ser teu que sou / Eu a teus pés derramado / Pouco resta do que fui / De ti depende ser bom ou ruim Serei o que achares conveniente / Serei para ti mais que um cão / Uma sombra que te aquece / Um deus que não esquece / Um servo que não diz não / Morto teu pai serei teu irmão / Direi os versos que quiseres / Esquecerei todas as mulheres / Serei tanto e tudo e todos / Vais ter nojo de eu ser isso / E estarei a teu serviço / Enquanto durar meu corpo / Enquanto me correr nas veias / O rio vermelho que se inflama / Ao ver teu rosto feito tocha / Serei teu rei teu pão tua coisa tua rocha / Sim, eu estarei aqui. Poemas do escritor, critico literário, tradutor e professor Paulo Leminski (1944-1989). Veja mais aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte da pintora polonesa Renata Brzozowska.
Veja mais aqui.


VI Congresso Internacional Sesc de Arte/Educação & muito mais na Agenda aqui.
&
Os dias estão assim, o cinema de Rogério Sganzerla & Helena Ignez, o teatro de José Cañas Torregrosa, a música de Roberta Peters & a arte de Fábio R. Mesquita aqui.
Você, procê, docê & nocê: o querer dos quereres além da possessão, a literatura de Marcos Carías Reyes, a arte de J K Chillar & Luciah Lopez aqui.

segunda-feira, junho 19, 2017

APRENDER A VIVER DE LUC FERRY, SALMAN RUSHDIE, RENATA BRZOZOWSKA, ALLISON DEBONA, LÉA MARINHO & AD CAPTANDUM VULGUS

AD CAPTANDUM VULGUS - A patota reunida na maior molecagem com os últimos acontecimentos na Patriamada, quando Zé Corninho saiu com uma das suas: - Não acredito mais em nada, fui enganado a vida toda! Robimagaiver, então, retrucou: - Também, pudera! Um corno cheio de gaia feito tu, queria o quê? Foi feito só pra levar desacerto na vida mesmo, ora! Aí Afredo se meteu na conversa: - Eu mesmo só voto em quem me der dinheiro! Pra me enganar tem que pagar! Mamão aquiescente, opinou: - Eu tomém! Insatisfeito, Robimagaiver reclamou: - Vendidos! Por isso estão eleitas todas as trepeças e porqueiras pra governar no Brasil! Biritoaldo sarcástico complementou: - Eu acho é bem empregado, otários! Se eu tivesse lá ou em qualquer governo, faria o mesmo, ia era me arrumar que não sou besta! Furiosamente Penisvaldo retorquiu: - Esse fala como se não fosse o mais bocó dos alesados, não é brasileiro não, fidapeste? Tocando fogo, Rolivânio revidou: - Ô Birito, de que lado você está, hem? Procurando organizar a conversa, Doro entrou todo cheio de razão: - Desde menino que meu pai sempre dizia que seguisse o governo, só é quem faz por nós, tanto que ele tinha os dois colhões do lado direito da cueca pra se prevenir do comunismo. Aí, cresci e quando saí da escola que quase entrei na faculdade, aprendi e virei pras esquerdas. Taí, hoje tudo entronchado, o que votei deu na mesma desgraça, não tenho mais em quem acreditar! Nisso ele foi interrompido pelo calor dos desaforos de uns pros outros: - Ah, viado, vai tomar no centro do teu cu! Vai você, seu fidaputa! Vai se lascar, fresco! Eis que nessa hora chega dona Marcialita com a fineza de sempre: - Vocês são uns comboios de desocupados, só sabem reclamar e não fazem nada! Vão arrumar o que fazer, seus encrenqueiros! E saiu do mesmo jeito que chegou, de sopetão. Foi, então, que o Doro tentou apaziguar os ânimos, propondo ter com o doutor Zé Gulu pra passar o papo a limpo. Lá se foi a cambada tresloucada entre empurrões, dedadas e tapas, encher o saco do notável intelectual: - Doutor, diga pra gente uma coisa: como é que é, hem? Como de costume, o erudito ajeitou os óculos no pau da venta, respirou fundo e castigou no verbo: - Ah! Aqui só se reclama em causa própria! Cada qual sua razão e os outros que se fodam! Por isso, dissensos pros consensos, nenhuma solução. Alguém tem que perder, ou todos saem perdendo. Ninguém reclama por todos, só por si próprio, seus interesses ou infortúnios. Quem quer pensar no outro, sentir o que sentem juntos, o que sofrem todos de uma rua, bairro, cidade, estado ou na Nação? Quem? Ninguém. Cada um que puxe pra sua banda a corda de guaiamum, uma zona! Na horagá: perdem tudo porque é só bloco do eu sozinho. Aí os caras do poder, sabidos, políticos, capitalistas, autoridades, manietam imprensa e tudo, jogam duro, prometem e não cumprem, decidem conforme o jogo deles e só eles que saem ganhando no fim das contas. Ora, ora, lote de truculentos beócios, é como diz o ditado: Ad captandum vulgus! Tenho dito. E saiu invocado pra deixar os recalcitrantes com o rabinho murcho entre as pernas a se entreterem noutro assunto pra novas arengas. © Luiz Alberto Machado. Veja mais aqui.

APRENDER A VIVER DE LUC FERRY
[...] Aprender a viver, aprender a não mais temer em vão as diferentes faces da morte, ou, simplesmente, a superar a banalidade da vida cotidiana, o tédio, o tempo que passa, já era o principal objetivo das escolas da Antiguidade grega. A mensagem delas merece ser ouvida, pois, diferentemente do que acontece na história das ciências, as escolas do passado ainda nos falam. Eis um ponto importante que por si só merece reflexão. [...] Então, o que fazer senão esperar pela catástrofe, pensando nela o menos possível? Talvez nada, de fato, mas talvez também, apesar de tudo, desenvolver sem ilusão, em silêncio, só para si mesmo, uma espécie de “sabedoria do amor”. Todos sabem muito bem que precisamos nos reconciliar com nossos pais — quase que inevitavelmente, pois a vida cria tensões — antes que eles desapareçam. Porque depois, o que quer que diga o cristianismo, é tarde demais. Se pensamos que o diálogo dos seres que nos são caros não acabou, é preciso chegar a uma conclusão. Eu lhe aponto uma, rapidamente, para lhe dar uma ideia do que entendo aqui por sabedoria do amor. Penso que os pais nunca devem mentir a seus filhos sobre coisas importantes. Conheço várias pessoas que descobriram, depois da morte do pai, que ele não era seu pai biológico — quer porque a mãe tenha tido um amante, quer porque tenha havido adoção secreta. Em todos os casos, esse tipo de mentira faz estragos consideráveis. Não só porque num momento qualquer a descoberta da verdade vira sempre um desastre, mas sobretudo porque depois da morte do pai, que não o era efetivamente, é impossível para a criança que se tornou adulto explicar-se com ele, compreender um silêncio, uma observação, uma atitude que os marcaram e aos quais ele gostaria de poder dar um sentido — o que se torna para sempre impossível. Não insisto — já lhe disse que essa sabedoria do amor deve ser elaborada por cada um de nós e, sobretudo, em silêncio. Mas acredito que devemos, à margem do budismo e do cristianismo, aprender, enfim, a viver e a amar como adultos, pensando, se necessário, todos os dias na morte. Não por fascinação mórbida. Ao contrário, para procurar o que convém fazer aqui e agora, na alegria, com aqueles que amamos e que vamos perder, a menos que eles nos percam antes. Estou certo de que, embora eu esteja infinitamente longe de possuí-la, essa sabedoria existe e constitui o coroamento de um humanismo, enfim, desembaraçado das ilusões da metafísica e da religião. [...] O respeito pelo outro não exclui a escolha pessoal. Ao contrário, a meu ver, ele é sua condição primeira.
Trechos extraídos da obra Aprender a Viver: Filosofia para os novos tempos (Objetiva, 2012), do filósofo francês Luc Ferry, tratando sobre o que é e para que serve a filosofia nos tempos atuais.

Veja mais sobre:
É domingo nas mãos, A obra de arte & reprodução de Walter Benjamim, a poesia de Ascenso Ferreira, a música de Chico Buarque, Enciclopédia do Cinema Brasileiro, a arte de Nora Dorian, a pintura de Giuseppe Cacciapuoti & Umberto Brunelleschi aqui.

E mais:
A arte de Chico Buarque aqui e aqui.
Cinema Brasileiro aqui, aqui, aqui e aqui.
Big Shit Bôbras: o big bode do Brasil, Os versos satânicos de Salman Rushdie, A miséria do homem de Blaise Pascal, A coroa submersa de Ludwig Uhland, o cinema de Ridley Scott & Sean Young, a escultura de Antonio Canova & Paulina Bonaparte, a música de Paul McCartney, Teatro cordel de Cesar Obeid & a pintura de Andre Derain aqui.
Cherie, ma chérie & LAM no programa Vida de Artista de Gal Monteiro na TV Educativa aqui.
Vamos aprumar a conversa, Herzog de Saul Bellow, Ich -Traumnovelle de Arthur Schnitzler, a poesia de Ventura de la Vega, o cinema de Rainer Werner Fassbinder & Barbara Sukowa, a pintura de Jasper Johns, a música de Quaternaglia & Dorothea Röschmann aqui.
Vamos aprumar a conversa, Aventuras galantes de Rabelais, Toda a América de Ronald de Carvalho, A anarquista feminista Maria Lacerda de Moura, Pele de lobo de Artur Azevedo, a música de Iancu Dumitrescu & Ana Maria Avram, o cinema de Mario Monicelli & Faith Minton, a pintura de Alfred Pellan & Pierre-Paul Prud'Hon aqui.
A fábula do maior ninguém, Conhecimento & interesse de Jürgen Habermas, A República de Platão, a música de Antonio Soler & Maggie Cole, a poesia de Zé Limeira – o poeta do absurdo, a fotografia de Howard Schatz, a pintura de Ryohei Hase, a arte de Kurt Schwitters & a Companhia do Ballet Eliana Cavalcanti aqui.
Ressonâncias ávidas além do amor, Diáspora de Stuart Hall, O virtual de Pierre Lévy, a música de Daniel Binelli & Giselle Boeters, a pintura de Eloir Júnior, a arte de Doris Savard, a arte de Luciah Lopez & a poesia de Ana Bailune aqui.
O palhaço doido, A filosofia do não de Gaston Bachelard, Rosa de Hiroshima de Vinicius de Moraes, a música de Anton Webern & Christiane Oelze, Reflexões econômicas de Jacques Necker, a fotografia de Evelyn Bencicova, a pintura de Nelina Trubach-Moshnikova, a arte de Karin Vermeer & 6 de agosto de 1945 aqui.
Livros Infantis do Nitolino aqui.
&
Agenda de Eventos aqui.

O ÚLTIMO SUSPIRO DO MOURO DE SALMAN RUSHDIE
[...] Fugi da morte na escuridão da noite, deixando uma mensagem pregada na porta. e desde então, ao longo do meu caminho, junto com a fome e o calor, não têm faltado maços e folhas rabiscadas, e marteladas, e interjeições secas de pregos de duas polegadas. [...] e eu num país longínquo, com a morte em meu encalço e a história delas na mão, uma história que vivo a crucificar nos portões, nas cercas, nas oliveiras, espalhando-a por esta paisagem de minha última viagem, a história que aponta para mim. [...] sem a ajuda nem necessidade de nenhum Virgilio, no que deveria ser o meio do caminho da minha vida, mas que acabou sendo, por motivos complicados, o fim da linha, exausto, totalmente pregado. [...] Porém, após uma vida não muito longa (se bem que muito animada), constato de repente que não tenho mais teses. De crucificação, já basta a vida. Quando a gente está perdendo o fôlego, quando aquele sopro que nos impele para a frente já quase se extinguiu, é hora de fazer confissões. Chame-se isso de testamento, ou lá o que seja; o último suspiro da vida. Daí este “eis-me aqui”, tendo pregado as sentenças da vida à paisagem, tendo as chaves de uma fortaleza vermelha no bolso, nestes momentos de espera antes da rendição final. É hora, pois, de cantar os fins – do que era e do que talvez não seja mais; do que havia de certo e também de errado. Um último suspiro para um mundo perdido, uma láguima final diante desta extinção. Mas um grito derradeiro de desafio, o desfiar do último novelo de novelas escandalosamente estapafúrdias (palavras hão de bastar, à falta de equipamento de vídeo) e muita cantoria barulhenta durante o velório. [...].
Trechos do romance O último suspiro do mouro (Companhia das Letras, 1995), do escritor britânico de origem indiana Salman Rushdie, contando a história de um heroi picaresco em cujas veias corre sangue português, judeu, árabe e indiano, afirmação viva daquele que escapa às classificações estreitas de todos os sectarismos nacionalistas, étnicos e religiosos, escrito quando da condenação à morte do autor pelo fundamentalismo islâmico do aiatolá Khomeini, em 1988. Veja mais aqui.

DOIS POEMAS DE LÉA MARINHO
Fêmea até demais: Sou sua fêmea, preferida, / A mulher da sua vida, / Aquela que te excita, / Da maneira mais explícita! / O meu prazer é visível, / Assim que eu te vejo, / Sou uma mulher sensível, / e cheia de desejo, / Uma Meretriz, na cama, / no dia a dia, uma Dama, / Até que sou comportada,/ e adoro ser amada!
Nua: Nua estou, / nu, você ficou, / nu estava, / e nua eu ficava, / e se te amava, / nua, eu delirava, / nu gozava, / e nua eu brincava... / com seu sexo, nu, beijava, / e nua , em sexo, me realizava! / nua na cama, eu também rolava, / porque nu, comigo, você transava! / e nú na hora da gente ir, / nua reclamava, mas me vesti, / e você, nu, se preparava, / vestia o terno e me levava...
Poemas da escritora Léa Marinho que reúne sua produção literária no Recanto das Letras.

A ARTE DE ALISSON DEBONA
A arte da bailarina e diretora estadunidense Allison DeBona, solista do Ballet West de Salt Lake City, Utah-USA.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte da pintora polonesa Renata Brzozowska.
Veja mais aqui.

RAQUEL VARELA, OMAIMA AL-KHAMIS, OLIVE SENIOR & SANDRA RIBEIRO

  Imagem: Contornos da ubiquidade , da série Caosmose & O poema nasce do visinvisível - Acervo ArtLAM .   Ressaca aluada de panacei...