
RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio
Tataritaritatá especial
com a música da violeira, cantora e compositora Helena
Meirelles
(1924-2005): Raiz pantaneira, Flor da Guavira, Ao vivo & Estreia álbum &
muito mais nos mais de 2 milhões & 600 mil acessos ao blog & nos 35 Anos
de Arte Cidadã. Para conferir é só ligar o som e curtir. Veja
mais aqui.
PENSAMENTO DO DIA – [...] quanto mais os valores tradicionais se corroem, mais ficamos dependentes
e mais nos tranquilizamos consumindo. É o que já se chamava nos anos 1960 de
‘dessublimação repressiva’ [...] Como criar nossos filhos, como
‘equipá-los’ para que vençam na vida do melhor modo possível? O que significa,
aliás, a expressão ‘vencer na vida’, se não a reduzirmos à dimensão puramente
social e material? Que mundo nós queremos lhes deixar, legar às gerações
futuras, não apenas em termos de ecologia, mas também de economia, de política,
de cultura? [...]. Trechos extraídos da obra A revolução do amor: por uma espiritualidade laica (Objetiva, 2012), do
filósofo francês Luc Ferry. Veja mais
aqui.
CARTA A MONDRIAN - [...] a
natureza me alimentou, me equilibrou quase que de uma forma panteística. Mas com
o tempo, numa outra crise, já isto não adiantou e foi o “vazio pleno”, a noite,
o silêncio dela que se tornou a minha moradia. Através deste “vazio-pleno” me
veio a consciência da realidade metafísica, o problema existencial, a forma, o
conteúdo (espaço pleno que só tem realidade em função direta da existência desta
forma...). [...] não sonho porque não
acredito. Não por excesso de realismo mas para mim o coletivo só existe na
razão desta desordem de ordem prática e social. Se o homem não pode sentir como
é importante esse desenvolvimento interior – chamemos de uma forma que nasce
com a pessoa como um punho fechado, talvez se abrindo no primeiro tempo com o
próprio nascimento – então ele jamais poderá atingir sua plenitude como a rosa
que se abre dentro do seu próprio tempo e morre amorosamente realizada,
inteligente e feliz... [...] um
segredo eu vou te contar: às vezes me sinto tão desesperada, porque no momento
em que “checo” este problema a solidão, o frio, “o medo do medo” me envolvem
com todos os seus braços e procuram fechar este novo tempo que desabrocha na
minha forma interior, amassando pétalas frescas e delicadas que levarão novo
tempo para se abrirem como se abre um olho devagar, depois de ter levado um bom
murro. [...] encarar esta realidade
às vezes tão insuportável - "o artista é um solitário". Não importam
filhos, amor, pois dentro dele ele vive só. Ele nasce dentro dele, parto
difícil a cada minuto, só irremediavelmente só. [...] No momento em que o grupo foi formado havia uma identificação profunda,
a meu ver. Era a tomada de consciência de um espaço-tempo, realidade nova,
universal como expressão, pois abrangia poesia, escultura, teatro, gravura e
pintura. Até prosa [...] Hoje a
maioria dos elementos do grupo se esquecem desta afinidade (o mais importante)
e querem imprimir um sentido menor a ele, quando preferem que ele cresça sem
esta identidade para mim imprescindível, numa tentativa de dar continuidade
superficial a este movimento. [...] Só
o tempo a meu ver traria continuidade real a este movimento. [...] meu desejo é deixar o grupo e continuar fiel
a esta minha convicção, respeitando a mim mesma, embora mais só que ontem e
hoje, eu serei amanhã, pois as pessoas que se aproximaram um dia, há bem pouco
tempo, se afastam desorientadas sem enfrentarem a dureza de estar só num só
pensamento, sem resguardar o sentido maior, ético, de morrer amanhã, sozinha
mas fiel a uma ideia. Diga, meu amigo: é duro, é terrível porque é deixar de
ter, mesmo sem me afastar realmente do grupo, pois já se fragmentou a unidade,
a verdade dura e terrível feita a sete para se multiplicar em realidades
pequenas - reconfortantes por certo, às centenas. Hoje eu choro - o choro me
cobre, me segue, me conforta e acalenta, de um certo modo, esta superfície
dura, inflexível e fria da fidelidade a uma ideia. Carta da pintora e
escultora Lygia Clark (1920-1988), extraída da obra Escritos de
artistas: anos 60/70 (Jorge Zahar,
2006), organizada por Glória Ferreira e Cecília Cotrim. Veja mais aqui e aqui.
COMPLEXO DE VIRA-LATAS – [...] Mas
o que nos trava é o seguinte: — o pânico de uma nova e irremediável desilusão.
E guardamos, para nós mesmos, qualquer esperança. [...] E só uma coisa nos atrapalha e, por vezes,
invalida as nossas qualidades. Quero aludir ao que eu poderia chamar de “complexo
de vira-latas”. Estou a imaginar o espanto do leitor: “O que vem a ser isso?”
Eu explico. Por “complexo de vira-latas” entendo eu a inferioridade em que o
brasileiro se coloca, voluntariamente, em face do resto do mundo. Isto em todos
os setores e, sobretudo, no futebol. Dizer que nós nos julgamos “os maiores” é
uma cínica inverdade. [...] Absolutamente.
É um problema de fé em si mesmo. O brasileiro precisa se convencer de que não é
um vira-latas [...] Uma vez que ele
se convença disso, ponham-no para correr em campo e ele precisará de dez para
segurar, como o chinês da anedota. Crônica do escritor, jornalista e
dramaturgo Nelson Rodrigues (1912-1980). Veja mais aqui.
CESTA FEIRA - cesta feira / oxalá estejam limpas / as roupas brancas de
sexta / as roupas brancas da cesta / oxalá teu dia de festa / cesta cheia / feito
uma lua / toda feita de lua cheia / no branco / lindo / teu amor / teu ódio / tremeluzindo
/ se manifesta / tua pompa / tanta festa / tanta roupa / na cesta / cheia / de
sexta / oxalá estejam limpas / as roupas brancas de sexta / oxalá teu dia de
festa / mesmo / na idade / de virar / eu mesmo / ainda / confundo / felicidade /
com este / nervosismo / eu / quando olho nos olhos / sei quando uma pessoa / está
por dentro / ou está por fora / quem está por fora / não segura / um olhar que
demora / de dentro do meu centro / este poema me olha. Poema extraído da obra Caprichos & relaxos (Companhia das Letras, 2016), do escritor,
critico literário, tradutor e professor Paulo Leminski (1944-1989). Veja
mais aqui.
A ARTE DE VALLY NOMIDOU
A arte
da artista grega Vally Namidou.
AGENDA
Penélope, videodança - exibição 29/agosto, 18hs, no sarau do
Centro Cultural OAB Barra - Av. das
Américas, 3.959. Barra da Tijuca, Rio de Janeiro, RJ. Entrada franca & muito mais na Agenda aqui.
&
O Brasil às avessas na hora da crise, a literatura
de Lewis Carroll, a poesia de Cesar Leal, a psicoterapia de Carl Rogers, A loucura do trabalho de Christophe Dejours, A ansiedade de Cecil A. Poole, o
Ginásio Municipal de Brivaldo Leão de
Almeida, Cidade & Mobilidade Urbana aqui.