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quarta-feira, julho 01, 2020

ALCEU VALENÇA, ACHILLE MBEMBE, KJERSTI ALVEBERG, LETÍCIA ARAUJO & BACAMARTEIROS



DIÁRIO DE QUARENTENA – UMA: AUTORRETRATO, ALTER MUITOS EGOS - Do que fui pro que sou, antes e depois, meu coração Caravaggio é abraço de graça: sou da paz em flor mais que a ternura, porque não me faço guerra. O poema legisla em causa própria. Arte, será? George Sand afetuosamente terna: A arte é uma demonstração de que a natureza é a prova. A arte não é um estudo da realidade positiva; é uma busca da verdade ideal. Voo do que sinto ao suor, sou beijo paratodos.

DUAS: REINVENTO & SOBREPUJO – Voo sem leme ou bússola, apenas amanheço como se eu não tivesse amparo, a não ser nos meus próprios gestos inseguros ou a me debater tremulante aos estertores. Reinvento a clausura e o momento, Leibniz que alerta: Mais importante que as invenções é como foram inventadas. Não é tempo que perdemos, é vida. Retomo a passada, recrio caminhos antes ermos e sou direção da venta aonde for.

TRÊS: O QUE ME FALTA NÃO É PERDA - Minhas mãos são ruas do lado de lá e de cá, porque ouvi de Bakunin: A liberdade do outro estende a minha ao infinito. Não há nada tão estúpido como a inteligência orgulhosa de si mesma. Sou voo livre palhássaro por fogáguas e terrares... Dê-me a sua mão, entrega. Até amanhã ou nunca mais. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo e aqui.

DITOS & DESDITOS: [...] Na lógica da sobrevivência, ‘cada homem é inimigo de todos os outros’. Mais radicalmente, o horror experimentado sob a visão da morte se transforma em satisfação quando ela ocorre com o outro. É a morte do outro, sua presença física como um cadáver, que faz o sobrevivente se sentir único. E cada inimigo morto faz aumentar o sentimento de segurança do sobrevivente. [...]. Trecho extraído da obra Necropolítica (N-1, 2018), do historiador, filósofo e cientista político camaronês Achille Mbembe, que no seu estudo As formas africanas de auto-inscrição (Estudos afro-asiáticos, 2001), observou que: [...] Para além da evidência das fraturas e da difração, a experiência dos escravos africanos no Novo Mundo reflete uma plenitude de identidade mais ou menos comparável, mesmo que as formas de sua expressão difiram, e mesmo que não haja nenhum livro. Tal como os judeus no mundo europeu, eles têm que “narrar a si mesmos” e “narrar o mundo”, e lidar com este mundo a partir de uma posição na qual suas vidas, seu trabalho e seu modo de falar (langage) são parcamente legíveis, pois estão envolvidos em embalagens fantasmagóricas. Eles têm que inventar uma arte de existir em meio à espoliação, mesmo que agora seja quase impossível invocar o passado e lançar sobre ele algum encantamento, exceto talvez nos termos sincopados de um corpo que constantemente é transformado de ser em aparência [...]. Veja mais aqui.

DESTAQUE: Sob o céu de Recife / e sinto o cheiro da chuva / na terra molhada do quintal. / Me guardo agora / dentro de uma velha casa. / Lá fora as folhas balançam / no vento e na chuva. / O limoeiro / A pitangueira / A cana. / Sim, existo! Poema da poeta, professora e blogueira Letícia Araujo, que edita o blog Poemas de um espírito – Meus poemas e meus poetas e outros como Allegro Cannabis, Avenida Acácia, Vitrola, Universo Paralelo & Rock and Roll. Veja mais aqui, aqui e aqui.

BACAMARTEIRO
[...] Todos os anos, no dia de São João, sobem ao serrote do Bom Jesus duas centenas, talvez, de matutos com seus clavinotes e, até a tardinha, divertem-se a fazer disparos cerrados, dando vivas ao santo festejado. Escurecendo, descem agrupados com chapéus de couro, armas a tiracolo, sacola de munições vazia, num vozear entusiástico, numa ruidosa alegria [...].
BACAMARTEIRO - Trecho extraído da obra A filha de dona Sinhá (Casa do Estudante, 1952), do jornalista, escritor e professor Mario Sette (1886-1950). Nos dicionários do Cascudo encontra-se que bacamarte é uma arma de fogo que se parece com uma garrucha alongada, alargada na boca e reforçada na coronha, oriunda do bacamarte de amurada que era uma das armas mais especializadas em uso nos séculos XVIII e XIX, na França. E o bacamarteiro é atirador de bacamarte, antiga arma de fogo com ruidosos disparos de efeitos psicológicos junto dos assistentes. Ainda hoje, acompanhados por um zabumba, esses atiradores se apresentam durante as festas joaninas assustando os menos avisados e oferecendo aos espectadores toda a técnica de manejo do bacamarte e a prova da boa pólvora de indústria caseira, sempre sob o comando de militares. Veja mais aqui e aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte da premiada coreógrafa, bailarina e dançarina norueguesa Kjersti Alveberg. Veja mais aqui & aqui.

PERNAMBUCULTURARTES
Minha vida parece um filme, como se eu estivesse fazendo um documentário de tudo. As músicas guardam minha memória visual, são HDs de lembranças.
A arte do cantor, compositor, instrumentista e advogado Alceu Valença, que teve uma mostra Ocupação Alceu Valença, organizada pelo Itaú Cultural, em São Paulo, 2019/2020, com a trajetória do artista e que serviu de base para o longa-metragem A luneta do tempo, um musical com direção e participação dele, ganhador da melhor trilha musical do Festival de Gramado de 2014. Veja mais aqui, aqui & aqui.
&
A arte do pintor, desenhista, ilustrador e professor Darel Valença Lins (1924-2017) aqui, aqui & aqui.
A arte do escultor, desenhista, gravador, ceramista e professor Abelardo da Hora (1924-2014) aqui.
Os tempos da Praieira, do advogado, jornalista, historiador e político brasileiro Costa Porto (1909-1984) aqui.
O sol além da minha rua, do escritor e editor Paulo Caldas aqui.
O livro Palpo a quimera e o tremor, de Vital Corrêa de Araújo aqui.
A poesia do poeta popular Paulo José dos Santos aqui.
Una dos Ambulantes de Deus aqui.
&
Barra de Guabiraba aqui & aqui.
 


quarta-feira, julho 18, 2018

BANDEIRA, GERSHWIN, LUC FERRY, GILBERTO FREYRE, CARAVAGGIO, MOUWAILIHI, ARTUR GOMES, MARIA & SEVERINA BRANCA


AS MULHERES DE CARAVAGGIO - Imagens: arte do pintor italiano Michelangelo Merisi, o Caravaggio (1571-1610) – Merisi, o Golias autorretratado, apareceu do Ducado de Milão, do Porto Ercole, Monte Argentário. De lá o menino viu de perto a peste bubônica imprimir um rastro de morte ao redor. Cresceu contencioso com o desafio nos olhos, farrista inveterado com seu gênio difícil a criar problemas e rusgas pelos lupanares de então. Perseguia a si próprio a passar fome em Roma, vivendo pelas ruas numa turbulência perigosa. Teve sua cabeça a prêmio por matar um jovem. A fuga errática dá em Malta e uma nova briga e mais outras tantas em Nápoles, e andou de cidade em cidade, casmurro insultante tão litigante compulsivo por extravagâncias a levarem-no ao endividamento, entre o desespero e o remorso, entre a arte e a recusa por trabalho fiel ao seu estilo. Era a vida atribulada do amante libertino de mulheres de má fama, quantas delas sobejadas por um celerado que conhecia todos os calabouços, um proscrito impetuoso que dormia com a adaga sob o travesseiro e sempre perseguido por matar seu rival nobre. Em louvor a elas retratava as coisas mundanas como se fossem sagradas: o Jesus flagelado e as cenas religiosas com seus modelos recrutados na rua, gente simples e pobre para romper com as convenções, em contrastes de luz e sombra, a beleza na vulgaridade: pessoas e a vida de todos os dias, a vida inflamada e elas ardendo de prazeres. Era a emoção profunda de santas, madonas, rainhas, deusas, interpretadas por modelos catadas entre as suas amantes prostitutas e mendigas das ruas esconsas, com impressionantes e audaciosos gestos, a mulher encarquilhada com toda tristeza da Terra, a Filli de Melandroni que representou Salomé e Judith, e aquela gente medonha, carnal, das vísceras do povo, que riem, devem, desacatam, fornicam, se danam, se amam e se detestam, se inflamam e se embriagam quais pecadores dos quintos dos infernos na exaltação da vida pelo gozo da carne desejada. As mulheres e todos esculpidos na condição humana. O bispo reconheceu e o excomungou. Assim, ele se viu só, esperava o barco que nunca chegou à solidão da febre e condenado à morte da vergonha, até desaparecer misteriosamente para nunca mais ser encontrado. Só depois do seu desaparecimento foi absolvido pelo Papa. Já era tarde, nada nem nunca mais. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo & mais aqui e aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá especial com a música do compositor estadunidense George Gershwin (1898-1937): Rapsody in Blue, Piano Concert in F Major, Blue Monday & Summertime & muito mais nos mais de 2 milhões & 500 mil acessos ao blog & nos 35 Anos de Arte Cidadã. Para conferir é só ligar o som e curtir. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.

PENSAMENTO DO DIA – [...] a própria ideia de felicidade é objeto de um debate contraditório, de uma “antinomia” que opõe radicalmente duas teses. Para uns, a felicidade é a meta de toda vida humana, e também da animal, e a sabedoria suprema consiste em apoderar-se dela. [...] Já para outros, embora seja evidente que todos procuramos desesperadamente a felicidade, essa busca não passa de ilusão, de uma miragem. A felicidade não apenas é inacessível aos seres humanos em razão do caráter finito de nossa existência como simples mortais, mas também, sendo nossos desejos contraditórios e flutuantes, em qualquer hipótese é impossível defini-la de maneira categórica e satisfatória. Sabemos com bastante clareza o que nos torna infelizes, mas muito menos distintamente sabemos o que nos faria felizes. É claro, em nossa existência conhecemos momentos de alegria, e até oásis de serenidade. [...] Trechos extraídos da obra 7 maneiras de ser feliz: como viver de forma plena (Objetiva, 2018), do filósofo francês Luc Ferry, que em outra obra Aprender a Viver: Filosofia para os novos tempos (Objetiva, 2012), expressa que: [...] Como dizem, cada um a seu modo, vários pensadores contemporâneos, não se filosofa por divertimento, nem mesmo apenas para compreender o mundo e conhecer melhor a si mesmo, mas, às vezes, para “salvar a pele”. [...]. Veja mais aqui, aqui e aqui.

ISTO É BRASIL? – [...] Não há brasileiro de classe mais elevada, mesmo depois de nascido e criado depois de oficialmente abolida a escravidão, que não se sinta aparentado do menino Braz Cubas na malvadez e no gosto de judiar com negros. Aquele mórbido deleite em ser mau com os inferiores e com os animais é bem nosso: é de todo o menino brasileiro atingido pela influência do sistema escravocrata [...] um dia quebrei a cabeça de uma escrava, porque me negara uma colher de doce de coco que estava fazendo, e, não contente com o malefício, deitei um punhado de cinza ao tacho, e, não satisfeito da travessura, fui dizer a minha mãe que a escrava é que estragara o doce “por pirraça”; e eu tinha apenas seis anos. Prudêncio, um muleque de casa, era meu cavalo de todos os dias; punha as mãos no chão, recebia um cordel nos queixos, à guisa de freio, eu trepava-lhe ao dorso, com uma varinha na mão, fustigava-o, dava-lhe mil voltas a um e outro lado, e ele obedecia, – algumas vezes gemendo – mas obedecia sem dizer palavra, ou, quando muito, um – “ai, nhonhô!” – ao que eu retorquia – cala a boca, besta!”- esconder os chapéus das visitas, deitar rabos de papel a pessoas graves, puxar pelo rabicho das cabeleiras, dar beliscão nos braços das matronas, e outras muitas façanhas deste jaez, eram mostras de um gênio indócil, mas devo crer que eram também expressões de um espírito robusto, porque meu pai tinha-me em grande admiração; e se às vezes me repreendia, à vista de gente, fazia-o por simples formalidade: em particular dava-me beijos [...]. Trechos extraídos da obra Casa-grande e senzala (Livros do Brasil, 1957), do sociólogo Gilberto Freyre (1900-1987). Veja mais aqui e aqui.

O MORTO RESSUSCITADO - [...] Vi-me em sonho numa planície de Al-Imâm, caminhando entre os túmulos e as colunas, por uma bela noite clara. [...] Eu ia com minha alma por cima dos túmulos e das lápides, do orgulho do homem e da sua presunção, da vaidade das suas ideias de gloria e de ilustração, do insondável exagero das suas pretensões, da excessiva opinião que ele faz de si próprio quando se glorifica e se esquece do túmulo. A vaidade o exalta a ponto de querer atravessar a abobada celeste, cheio de admirações pelo que possui e pelo que adquiriu. Depois, a morte constrange este nariz erguido para o céu a abrir um buraco na terra, após haver sepultado sob as lápides funerárias, as páginas da sua gloria e da sua grandeza. Eu continuava a andar, a ir e vir, até que me lembrei no decorrer da minha caminhada por sobre as areias das planícies, dos versos do sábio poeta SAbou’l alâ: “Diminui a pressão dos teus passos sobre a terra, posque o chão não é feito de outra coisa senão destes corpos. Não seria bom de nossa parte, mesmo que eles tenham morrido há muito tempo, tratar com desprezo os nossos pais e antepassados. Caminha tão devagar quanto possas, sem te orgulhares às expensas dos outros humanos”. Rangi os dentes arrependido e pus-me a caminha na ponta dos pés, sentindo que na massa destes mortos, na multidão dessas ossadas, havia lábios que os amorosos tomaram por gibla, pela doçura dos quais eles os preferiam às cores do arco-íris; bocas misturadas à poeira cinzenta e dentes em meio às pedras do caminho. Recordei então que estas faces de que a rosa tivera ciúmes, e que choravam com lagrimas de orvalho, e que acendiam nos corações os fogos da consumação, diante das quais o grain de beauté era como Abrão diante do fogo, ou como os fios da água do ceu nas anêmonas, nos quais brilhava o resplendor do poder e da juventude – lembrava-me de que estas faces tinham visto sua beleza dobrada pelo destino como página de um livro – tinham por seu decreto se tornado poeira na face da terra. [...]. Trecho de conto do escritor egípcio Mohammed al-Mouwailihi (1858-1930).

ESTRADA – Esta estrada onde moro, entre duas voltas do caminho, / Interessa mais que uma avenida urbana. / Nas cidades todas as pessoas se parecem. / Todo o mundo é igual. todo o mundo é toda a gente. / Aqui, não: sente-se bem que cada um traz a sua alma. / Cada criatura é única. / Até os cães. / Estes cães da roça parecem homens de negócios: / Andam sempre preocupados. / E quanta gente vem e vai! / E tudo tem aquele caráter impressivo que faz meditar: / Enterro a pé ou a carrocinha de leite puxada por um bodezinho / manhoso. / Nem falta o murmúrio da água, para sugerir, pela voz dos símbolos, / Que a vida passa! que a vida passa! / E que a mocidade vai acabar. Poema do poeta, tradutor, critico literário e de arte, Manuel Bandeira (1886-1968). Veja mais aqui.

MARIA, NO TEMPO DO CORPO VIVE A MEMÓRIA.
Sou mulher de sentimento
As duas da madrugada
Levando a chave na mão
Deixando a porta trancada
E uma filha na cama
Sem esperança de nada.
O curta Maria (2016), com direção e roteiro de Carol Correia, traz momentos da vida de uma poeta, ex-prostituta e analfabeta do Sertão do Pajeú, Severina Branca, com as atrizes Marcelia Cartaxo e Karine Ordônio, produção da Cambaio Filmes e Nahsom Filmes.

A performance poética Poesia Viva Poesia do poeta e ator Artur Gomes & muito mais na Agenda aqui.
&
A arte de Artur Gomes aqui, aqui & aqui.
&
CRÔNICA DE AMOR POR ELA
“Não sou um pintor valentão, como me chamam, mas sim um pintor valente, isto é, que sabe pintar bem e imitar bem as coisas naturais.”
Série de Tree3Art inspirada na obra Caravaggio (1571-1610). Também a fotógrafa Mônica Silva fez uma exposição inspirada na obra do mesmo autor intitulada Lux Et Filum, uma visão contemporânea de Caravaggio (2015), em São Paulo.
Veja mais aqui, aqui & aqui.
&
A jaca & a botija, Coco Chanel & Stravinsky, Aprender a aprender de Joseph D. Novak e D. Bob Gowin, A sociedade pós-capitalista de Peter Drucker, Vênus Afrodite, a música de Stravinsky, Maria João Pires, João Guilherme Ripper & Martha Angerich aqui.

APOIO CULTURAL: SEMAFIL
Semafil Livros nas faculdades Estácio de Carapicuíba e Anhanguera de São Paulo. Organização do Silvinha Historiador, em São Paulo. Fone: 11 98499-2985.


terça-feira, setembro 29, 2015

EDUCAÇÃO, CERVANTES, CARAVAGGIO, PLÍNIO, EKBERG, UNAMUNO, KORNAROS, ANTONIONI, MONTARROYOS & PROGRAMA TATARITARITATÁ.


VAMOS APRUMAR A CONVERSA? EDUCAÇÃO POR ÁGUA ABAIXO (Imagem: artigo publicado na sessão Opinião da Gazeta de Alagoas, Página A-4, edição de sábado, 23 de novembro de 1996) – Quando escrevi este pequeno artigo opinativo que foi publicado na Gazeta de Alagoas e em outros veículos de comunicação de massa e alternativos, era, nada mais, nada menos, um cidadão exercitando a sua cidadania. Era o meu olhar para o descaso com que eram tratadas as instituições escolares de todos os níveis, os professores, os alunos e a sociedade brasileira no que diz respeito ao quesito educação. Estava eu, confesso, embevecido com a previsão dada no art. 205 da Constituição Federal vigente, que prescreve que “Art. 205. A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho”. Mais surpreso fiquei quando, poucos dias depois da publicação do meu texto, ocorreu a edição da Lei 9.394, de 20 de dezembro de 1996, estabelecendo as diretrizes e bases da educação nacional. Nela deu-se a regulamentação das previsões constitucionais, prevendo no art. 2º do Título II que: “Art. 2º. A educação, dever da família e do Estado, inspirada nos princípios de liberdade e nos ideais de solidariedade humana, tem por finalidade o pleno desenvolvimento do educando, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho”. Logo no art. 3º traz que: “Art. 3º. O ensino será ministrado com base nos seguintes princípios: I - igualdade de condições para o acesso e permanência na escola; II - liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar a cultura, o pensamento, a arte e o saber; III - pluralismo de ideias e de concepções pedagógicas; IV - respeito à liberdade e apreço à tolerância; V - coexistência de instituições públicas e privadas de ensino; VI - gratuidade do ensino público em estabelecimentos oficiais; VII - valorização do profissional da educação escolar; VIII - gestão democrática do ensino público, na forma desta Lei e da legislação dos sistemas de ensino; IX - garantia de padrão de qualidade; X - valorização da experiência extraescolar; XI - vinculação entre a educação escolar, o trabalho e as práticas sociais”. Seguem-se na lei epigrafada títulos e artigos outros destinados às previsões do direito à educação e do dever de educar, da organização da educação nacional, dos níveis e das modalidades de educação e ensino, dos profissionais da educação, dos recursos financeiros e das disposições gerais e transitórias, perfazendo um total de 92 artigos regulando o universo da educação brasileira. A partir de então, levado por essa novidade legal, passei a desenvolver práticas que me levassem a estudar como se daria a educação dali por diante. E de forma ambiciosa, abri duas frentes de estudos: a primeira, voltada exclusivamente à Educação Infantil e ao primeiro ciclo do Ensino Fundamental, por meio de atividades de recreações com base nos meus livros dedicados a este universo de pesquisa; a segunda, ministrando um curso denominado Faça seu TCC sem Traumas, destinado aos estudantes de graduação e pós-graduação, lato e stricto sensu, no sentido de abarcar desde o segundo ciclo do Ensino Fundamental até a Educação Superior, passando pela Educação Profissional, Educação Especial, Educação de Jovens e Adultos (EJA), Educação a Distância (EAD) e até a Educação Indígena. No primeiro trabalho mencionado, pude trabalhar em escolas das redes pública e privada de Alagoas e de outros Estados, com contação de histórias e atividades recreativas  e artísticas para a garotada ao longo desses quase 20 anos, possibilitando uma visão geral da área. No segundo trabalho, pude contar com participantes do meu curso nas mais diversas áreas, desde a Educação, Direito, Psicologia, Economia, Administração, Serviço Social, Sociologia, Turismo, História, entre outras, em cursos de graduação e pós-graduação, incluindo diversas dissertações mestrados e teses de doutorados das mais diversas universidades brasileiras e do exterior, e que contaram todos com a orientação de renomados doutores e aprovação das respectivas bancas examinadoras. Foram, portanto, realizadas enorme revisão da literatura para pesquisa de natureza bibliográfica e realizados diversos estudos de casos com pesquisa de campo de natureza qualiquantitativa, que envolveram todos os níveis e modalidades da educação brasileira, da infantil até a superior, EJA e EAD. Esses estudos foram desenvolvidos com temáticas as mais diversas, desde instituição e gestão escolar, direito à educação, formação e prática pedagógica, ensino-aprendizagem, relações interpessoais entre profissionais docentes e não-docentes, temas transversais, inclusão, hábitos alimentares, meio ambiente e educação ambiental, cidadania e escola cidadã, saúde, sexualidade e educação sexual, religião e educação religiosa, inclusão, até o papel das artes e de outros campos científicos na educação, entre tantos outros inseridos sobre a ótica jurídica, psicológica e educacional. O resultado disso está não só nos trabalhos acadêmicos gerados pelos participantes do meu curso ao longo desses quase 20 anos, como nas postagens deste e dos meus outros blogs, além da participação em congressos e encontros nacionais e internacionais, artigos e estudos, projetos de extensão e de iniciação científica, entre outros eventos, levando a realidade encontrada na educação brasileira, sobretudo alagoana. Hoje levo estes estudos pro curso de Psicologia e para palestras, debates e discussões acerca do tema que participo, no sentido de contribuir para amplitude e aprofundamento que tal temática carece. Se o avanço ocorrido durante esses quase 20 anos de estudos foram poucos ou irrisórios e que a tragédia ainda nos deixa num quadro lamentável de desolamento, não posso esconder a minha esperança, afinal é dela que me faço cultor da revolução copernicana ao contrário e, consequentemente, da busca pelo alcance utópico do autogoverno humano na melhoria das condições de vida planetária, de que a educação poderá ter a atenção que merece nas futuras gerações. Se a educação vai por água abaixo a responsabilidade é nossa! E para mudar esse quadro canto Ivan Lins/Vitor Martins: Depende de nós... E vamos aprumar a conversa aqui, aqui, aqui e aqui.


Imagem: Female nude, do pintor do Barroco italiano Michelangelo Merisi da Caravaggio (1571-1610). Veja mais aqui, aqui e aqui.


Curtindo Magic Moment (CBS, 1982), do instrumentista e compositor Márcio Montarroyos (1948-2007).

VERDADE E VIDA – No ensaio Verdade e vida (Covilhã, 2008), do filósofo, escritor e dramaturgo espanhol Miguel de Unamuno (1864-1936), destaco os trechos a seguir? [...] Primeiro: a verdade na vida. Desde sempre foi a minha convicção, mais arraigada e mais corroborada em mim à medida que o tempo vai passando: que a suprema virtude de um homem deve ser a sinceridade. O vício mais feio é a mentira, os seus derivados e disfarces, a hipocrisia e o exagero. Prefiro o cínico ao hipócrita, não fora aquele já parte deste. Abrigo a profunda crença de que, se todos disséssemos sempre e em cada caso a verdade, a verdade nua e crua, ao princípio ameaçaria tornar-se inabitável a terra, mas depressa acabaríamos por nos entender como hoje não nos entendemos. Se todos, podendo assomar ao bocal das consciências alheias, víssemos despidas as almas, as nossas rixas e suspeitas fundir-se-iam todas numa imensa piedade mútua. Veríamos as negruras do que temos por santo, mas também a alvura daquele que consideramos um malvado. [...] Há que observar agora outra coisa – e com isto respondo, ao mesmo tempo, a maliciosas insinuações de um ou outro espontâneo e, para mim, desconhecido correspondente dessas aldeolas; como há muitas, muitíssimas, mais verdades por dizer do que tempo e ocasiões para dizê-las, não podemos dedicar-nos a dizer aquelas que este ou aquele indivíduo quereria que disséssemos, mas aqueloutras que julgamos mais momentosas ou mais a propósito. Sempre que alguém nos repreende porque não proclamamos estas ou aquelas verdades, podemos responder-lhe que, se fizéssemos como ele quer, não poderíamos proclamar outras verdades que proclamamos. E, não raro, acontece também que aquilo que eles consideram como verdade, partindo do suposto que também como tal a consideramos, não é assim. [...] E esta é a principal razão por que se deve buscar a vida de todas as verdades: para que aquelas que parecem sê-lo, e não o são, se nos mostrem como realmente são, como não verdades ou apenas verdades aparentes. E o que há de mais oposto a buscar a vida na verdade é proscrever o exame e declarar que há princípios intangíveis. Não há nada que não deva examinar-se. Desgraçada a pátria onde não se permite analisar o patriotismo! E eis aqui como se entrelaçam a verdade na vida e a vida na verdade: aqueles que não se atrevem a buscar a vida das verdades que professam como tais nunca vivem com verdade na vida. O crente que se opõe a examinar os fundamentos da sua crença é um homem que vive na insinceridade e na mentira. O homem que não quer pensar em certos problemas eternos é um embusteiro, e nada mais do que um embusteiro. E é assim que costumam andar unidas, nos indivíduos e nos povos, a superficialidade e a insinceridade. Povo irreligioso, isto é, povo em que os problemas religiosos não interessam a quase ninguém – seja qual for a solução que se lhes dê –, é povo de embusteiros e exibicionistas, onde o que importa não é ser, mas parecer ser. Aqui está como entendo a expressão: verdade na vida e vida na verdade. Veja mais aqui e aqui.

DOM QUIXOTE – A obra Dom Quixote de La Mancha (El ingenioso Hidalgo Fon Quixote de La Mancha, 1605), do escritor espanhol Miguel de Cervantes y Saavedra (1547-1616), é composta de 126 capítulos divididos em duas partes, parodiando os romances de cavalaria e contando a história de um protagonista de certa idade, entregue às leituras desses romances, perde o juízo e acredita ter sido historicamente verdadeiro tudo que acontecera nas suas leituras, decidindo-se tornar um cavaleiro andante que parte pelo mundo e vive seu próprio romance de cavalaria. Dá-se, então, as aventuras de Dom Quixote em companhia de Sancho Pança, seu fiel amigo e companheiro. Dessa obra destaco os trechos do primeiro capítulo: [...] A razão da sem razão que à minha razão se faz, de tal maneira a minha razão enfraquece, que com razão me queixo da vossa formosura [...] Em suma, tanto naquelas leituras se enfrascou, que passava as noites de claro em claro e os dias de escuro em escuro, e assim, do pouco dormir e do muito ler, se lhe secou o cérebro, de maneira que chegou a perder o juízo. Encheu-se-lhe a fantasia de tudo que achava nos livros, assim de encantamentos, como pendencias, batalhas, desafios, feridas, requebros, amores, tormentas, e disparates impossíveis; e assentou-se-lhe de tal modo na imaginação ser verdade toda aquela máquina de sonhadas invenções que lia, que para ele não havia história mais certa no mundo. [...] Afinal, rematado já de todo o juízo, deu no mais estranho pensamento em que nunca jamais coiu louco algum do mundo, e foi: parece-lhe convinhável e necessário, assim para aumento de sua honra própria, como para proveito da república, fazer-se cavaleiro andante, e ir-se por todo o mundo, com as suas armas e cavalo, à cata de aventuras, e exercitar-se em tudo em que tinha lido se exercitavam os da andante cavalaria, desfazendo todo o gênero de agravos, e pondo-se em ocasiões e perigos, donde, levando-os a cabo, cobrasse perpetuo nome e fama. Já o coitado se imaginava coroado pelo valor do seu braço, pelo menos com o império de Trapisonda; e assim, com estes pensamentos de tanto gosto, levado do enlevo que neles trazia, se deu pressa a pôr por obra o que desejava. [...] Quatro dias levou a cismar que nome lhe poria; porque (segundo ele a si próprio se dizia) não era razão que um cavalo de tão famoso cavaleiro, e ele mesmo de si tão bom, ficasse sem nome aparatoso; [...] E assim, depois de escrever, riscar, e trocar muitos nomes, ajuntou, desfez, e refez na própria lembrança outros, até que acertou em o apelidar Rocinante, nome, em seu conceito, alto, sonoro, e significativo do que havia sido quando não passava de rocim, antes do que ao presente era, como quem dissera que era o primeiro de todos os rocins do mundo. [...] assim quis também ele, como bom cavaleiro, acrescentar ao seu nome o da sua terra, e chamar-se Dom Quixoete de la Mancha, com o que, a seu parecer, declarava muito ao vivo sua linhagem e pátria, a quem dava honra com tomar dela o sobrenome [...] julgou-se inteirado de que nada mais lhe faltava, senão buscar uma dama de quem se enamorar; que andante cavaleiro sem amores era árvore sem folhas nem frutos, e corpo sem alma [...] Chamava-se Aldonça Lourenço; a esta é que a ele pareceu bem dar o título de senhora dos seus pensamentos; e, buscando-lhe nome que não desdissesse muito do que ela tinha, e ao mesmo tempo desse seus ares de princesa e grã senhora, veio a chamá-la Dulcineia del Toboso, por ser El Toboso a aldeia de sua naturalidade; nome este, em seu entender, musical, peregrino, e significativo, como todos os mais que a si e às suas coisas já havia posto. [...]. Veja mais aqui e aqui.

O LAMENTO DE ARETUSA (Imagem: Alfeu tenta capturar Aretusa, gravura de Bernard Picart) – No livro Poesia moderna da Grécia (Guanabara, 1986), organizado por José Paulo Paes, encontro o poema O lamento de Aretusa, do poeta grego Vitsentzos Kornaros (1553 – 1613), o qual transcrevo a seguir: Erotócrito, por que me apegar à vida ainda? / Que esperança me resta que eu da vida não prescinda? / Como hei de viver num mundo do qual está ausente? / Mantem-me neste calabouço um destino inclemente. / Da tua vida eu vivia, enxergo com tua luz; / lembrar-me de ti faz menos pesada a minha crua. / Deixei de ser eu mesma para o que tu eras ser; / encontro minha vida e minha morte em teu querer. / Acordada ou sonhando, na mente tenho-te vivo; somente em tua lembnrança é que encontro lenitivo. / Abdiquei das riquezas, renunciei de mãe e pai; / a mágoa desta renuncia não se acalma jamais. / Recordo-te, Erotórcito, meu único senhor, / e eus que meu pai e minha mãe te tornas por amor. / Com a palha me cubro, na palha meu corpo dorme, / a penúria não me importa, o pesar não me consome. / Deixei nobreza por ti, por ti odiei a riqueza, / e só por tua causa num calabouço estou presa. / Tormentos por ti passei, por ti suspirei em vão, / por ti – faz hoje cinco anos – eu penso nesta prisão. / Amarguras não busquei, os pesares não compreendo; / com as lembranças de ti ao destino vouvencendo. / Que te falta, fado meu, inda fazer contra mim? / Não noutros dias, hoje só tu me venceste enfim. / Rudo o que eu tinha levaste: o que te resta levar / de quem nada mais possui senão seu próprio penar? A guerra venceste em que há tanto tempo te demoras, / e pouco se te dá o que a mim fizeste até agora. / Eu lutei sempre com força, esperei sempre a vitória, / mas hoje caio vencida nesta masmorra inglória. / Queres-me viva ainda, não para que eu tenha vida, / mas para que possa sentir esta dor tão doída. / A mim não assustas mais, nem minha mente assedias: / onde a esperança estiver, faz-lhe o medo companhia. / Como esprança deixou-me, ao meu coração ensino / não temer os sofrimentos que possa impor-lhe o destino. / O desespero me poupa de temores infundados: / a mim que importa o porvir? Não sou joguete do fado. / Fado, não te receio, faz de mim o que te agrade; / aqui estou se me procuram tuas adversidades. / Quero que morte me dês e que, depois da morte, ao meu / corpo aconteça o pior que a corpo humano aconteceu: / que me atires de um penhasco, ou que me entregue às feras, ; para saciar a crueldade em que te retemperas. / Viva, tu não consentes que meu amado me conforte, / mas eu espero e confio que hei de vencer-te na morte; / minha alma ira encontra-lo de ti se libertando, / pois sobre nossas almas não tens poderes nem mando. / Não há destino no Hades, sorte propicia ou nefasta; / no Hades nada se ganha: o que tomaste já basta. / Erotócrito, morreste em longe terra estrangeira, / e, ao te perder, pergi contigo a minha vida inteira. / Quanto eu não quisera estar a teu lado, em meio à luta, / só para ouvir-te gritar: Vem, Aretusa, me ajuda. / Como um raio, eu correria à toda para ajudar-te; meus próprios braços, não outros, seriam teu baluarte. / Se, de fauces abertas, uma fera acometesse, / minha mão eu lhe dava para evitar te mordesse. / Grande injustiça seria, Erotócrito, no entanto, / perder-se em selva inóspita e perecer teu encanto. / Quisera ser a pobreza que junto a ti dormisse / para seguir-te mais depressa na hora em que partisses, / e ser tua companhia por toda a eternidade: / o que os corpos não fizeram, faças as almas no Hades. Veja mais aqui.

DOIS PERDIDOS NUMA NOITE SUJA – A peça teatral em dois atos Dois perdidos numa noite suja (Global, 1986), do dramaturgo, escritor, jornalista e ator Plinio Marcos (1935-1999), é inpirada no conto O terror de Roma, do escritor italiano Alberto Moravia, e na qual dois personagens dividem um quarto numa hospedaria barata e durante o dia trabalham de carregadores no mercado, discutindo sobre suas vidas, trabalho e perspectivas, mantendo uma relação conflituosa. Da obra destaco o trecho inicial: Um quarto de hospedaria de última categoria, onde se vêem duas camas bem velhas, caixotes improvisando cadeiras, roupas espalhadas etc. Nas paredes estão colados recortes, fotografias de time de futebol e de mulheres nuas. I ATO Primeiro Quadro (Paco está deitado em uma das camas. Toca muito mal uma gaita. De vez em quando, pára de tocar, olha para seus pés, que estão calçados com um lindo par de sapatos, completamente em desacordo com sua roupa. Com a manga dó paletó, limpa dos sapatos. Paco está tocando, entra Tonho, que não dá bola para Paco. Vai direto para sua cama, senta-se nela e, com as mãos, a examina.) TONHO Ei! Pára de tocar essa droga. (Paco finge que não houve.) TONHO (Gritando.) Não escutou o que eu disse? Pára com essa zoeira! (Paco continua a tocar.) TONHO É surdo, desgraçado? (Tonho vai até Paco e o sacode pelos ombros.) TONHO Você não escuta a gente falar? PACO (Calmo.) Oi, você está aí? TONHO Estou aqui para dormir. PACO E daí? Quer que eu toque uma canção de ninar? TONHO Quero que você não faça barulho. PACO Puxa! Por que? TONHO Porque eu quero dormir. PACO Ainda é cedo. TONHO Mas eu já quero dormir. PACO Mas não vai conseguir. TONHO Quem disse que não? PACO As pulgas. Essa estrebaria está assim de pulgas. TONHO Disso eu sei. Agora quero que você não me perturbe. PACO Poxa! Mas o que você quer? TONHO Só quero dormir. PACO Então pára de berrar e dorme. TONHO Está bem. Mas não se meta a fazer barulho. (Tonho volta para sua cama, Paco recomeça a tocar.) TONHO Pára com essa música estúpida! Não entendeu que eu quero silêncio? PACO E daí? Você não manda. TONHO Quer encrenca? Vai ter! Se soprar mais uma vez essa droga, vou quebrar essa porcaria. PACO Estou morrendo de medo. TONHO Se duvida, toca esse troço. (Paco sopra a gaita, Tonho pula sobre Paco. Os dois lutam com violência. Tonho leva vantagem e tira a gaita de Paco.) PACO Filho-da-puta! TONHO Avisei, não escutou, se deu mal. PACO Dá essa gaita pra cá. TONHO Vem pegar. PACO Poxa! Deixa de onda e dá essa merda. TONHO Se tem coragem, vem pegar. PACO Pra que fazer força? Você vai ter que dormir mesmo. TONHO Antes de dormir, jogo essa merda na privada e puxo a bomba. PACO Se você fizer isso, eu te apago. TONHO Experimenta. PACO Se duvida, joga. TONHO Jogo. E daí? PACO Então joga. TONHO Você só tem boca-dura. PACO É melhor você me dar essa merda. TONHO Não enche o saco. PACO Anda logo. Me dá isso. TONHO Não vou dar. (Paco pula sobre Tonho. Esse mais uma vez leva vantagem. Joga Paco longe com um empurrão.) TONHO Tá vendo, palhaço? Comigo você só entra bem. PACO Eu quero minha gaita. TONHO Não tem acordo (Pausa) (Tonho deita-se e Paco fica onde está, olhando Tonho.) [...] Veja mais aqui, aqui e aqui.

ECLIPSE – O filme Eclipse (1962), dirigido pelo cineasta italiano Michelangelo Antonioni (1912-2007), conta a história de uma jovem mulher nos subúrbios de Roma, rompe seu namoro com o escritor depois de uma noite conturbada, que atendendo sua mãe que é viciada no mercado de ações, encontra um jovem corretor que tem uma acentuada natureza materialista. Os dois começam um relacionamento monossilábico que vai se desenrolando por trata. O destaque do filme é a atriz italiana de teatro e cinema Monica Vitti, presença sempre marcante nos filmes do cineasta. Este é um dos grandiosos filmes que confirma a marca e o gênio do seu diretor. Veja mais aqui e aqui.

IMAGEM DO DIA
Todo dia é dia de homenagear a atriz, miss, modelo e sex symbol sueca Anita Ekberg (1931-2015)


Veja mais no MCLAM: Hoje é dia do programa Tataritaritatá, a partir das 21hs, no blog do Projeto MCLAM, com apresentação sempre especial e apaixonante de Meimei Corrêa. Na programação: Aarre Merikanto, Jerry Lee Lewis, Edson Natale, Emerson & Lake & Palmer, Oswaldo Montenegro, Paul McCartney, Djavan, Sonia Mello, Hugo Branquinho & Milton Nascimento, Lilian Pimentel, Magno Átimo, Monsyerrá Batista, Mu Chebabi, Ricardo Machado, Cikó Macedo, Mazinho, Zé Linaldo, Chiko Queiroga & Ana Vitória, Daniel Pissetti Machado, Denise Dalmacchio, Dido Oliveira, Eliane Bastos, Elisete Retter and Ron, Jan Cláudio, Beto Saroldi, Meimei Corrêa, Fernando Fiorese, Kurt Nilsen, Roberta Miranda, Tim Maia, Alexandre Machado, Jorge Medeiros, Wagner & Wander Ponzo & muito mais. Em seguida, o programa Mix MCLAM, com Verney Filho e na madrugada Hot Night, uma programação toda especial para os ouvintes amantes. Para conferir online acesse aqui.

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CRÔNICA DE AMOR POR ELA
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RAQUEL VARELA, OMAIMA AL-KHAMIS, OLIVE SENIOR & SANDRA RIBEIRO

  Imagem: Contornos da ubiquidade , da série Caosmose & O poema nasce do visinvisível - Acervo ArtLAM .   Ressaca aluada de panacei...