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terça-feira, setembro 29, 2015

EDUCAÇÃO, CERVANTES, CARAVAGGIO, PLÍNIO, EKBERG, UNAMUNO, KORNAROS, ANTONIONI, MONTARROYOS & PROGRAMA TATARITARITATÁ.


VAMOS APRUMAR A CONVERSA? EDUCAÇÃO POR ÁGUA ABAIXO (Imagem: artigo publicado na sessão Opinião da Gazeta de Alagoas, Página A-4, edição de sábado, 23 de novembro de 1996) – Quando escrevi este pequeno artigo opinativo que foi publicado na Gazeta de Alagoas e em outros veículos de comunicação de massa e alternativos, era, nada mais, nada menos, um cidadão exercitando a sua cidadania. Era o meu olhar para o descaso com que eram tratadas as instituições escolares de todos os níveis, os professores, os alunos e a sociedade brasileira no que diz respeito ao quesito educação. Estava eu, confesso, embevecido com a previsão dada no art. 205 da Constituição Federal vigente, que prescreve que “Art. 205. A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho”. Mais surpreso fiquei quando, poucos dias depois da publicação do meu texto, ocorreu a edição da Lei 9.394, de 20 de dezembro de 1996, estabelecendo as diretrizes e bases da educação nacional. Nela deu-se a regulamentação das previsões constitucionais, prevendo no art. 2º do Título II que: “Art. 2º. A educação, dever da família e do Estado, inspirada nos princípios de liberdade e nos ideais de solidariedade humana, tem por finalidade o pleno desenvolvimento do educando, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho”. Logo no art. 3º traz que: “Art. 3º. O ensino será ministrado com base nos seguintes princípios: I - igualdade de condições para o acesso e permanência na escola; II - liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar a cultura, o pensamento, a arte e o saber; III - pluralismo de ideias e de concepções pedagógicas; IV - respeito à liberdade e apreço à tolerância; V - coexistência de instituições públicas e privadas de ensino; VI - gratuidade do ensino público em estabelecimentos oficiais; VII - valorização do profissional da educação escolar; VIII - gestão democrática do ensino público, na forma desta Lei e da legislação dos sistemas de ensino; IX - garantia de padrão de qualidade; X - valorização da experiência extraescolar; XI - vinculação entre a educação escolar, o trabalho e as práticas sociais”. Seguem-se na lei epigrafada títulos e artigos outros destinados às previsões do direito à educação e do dever de educar, da organização da educação nacional, dos níveis e das modalidades de educação e ensino, dos profissionais da educação, dos recursos financeiros e das disposições gerais e transitórias, perfazendo um total de 92 artigos regulando o universo da educação brasileira. A partir de então, levado por essa novidade legal, passei a desenvolver práticas que me levassem a estudar como se daria a educação dali por diante. E de forma ambiciosa, abri duas frentes de estudos: a primeira, voltada exclusivamente à Educação Infantil e ao primeiro ciclo do Ensino Fundamental, por meio de atividades de recreações com base nos meus livros dedicados a este universo de pesquisa; a segunda, ministrando um curso denominado Faça seu TCC sem Traumas, destinado aos estudantes de graduação e pós-graduação, lato e stricto sensu, no sentido de abarcar desde o segundo ciclo do Ensino Fundamental até a Educação Superior, passando pela Educação Profissional, Educação Especial, Educação de Jovens e Adultos (EJA), Educação a Distância (EAD) e até a Educação Indígena. No primeiro trabalho mencionado, pude trabalhar em escolas das redes pública e privada de Alagoas e de outros Estados, com contação de histórias e atividades recreativas  e artísticas para a garotada ao longo desses quase 20 anos, possibilitando uma visão geral da área. No segundo trabalho, pude contar com participantes do meu curso nas mais diversas áreas, desde a Educação, Direito, Psicologia, Economia, Administração, Serviço Social, Sociologia, Turismo, História, entre outras, em cursos de graduação e pós-graduação, incluindo diversas dissertações mestrados e teses de doutorados das mais diversas universidades brasileiras e do exterior, e que contaram todos com a orientação de renomados doutores e aprovação das respectivas bancas examinadoras. Foram, portanto, realizadas enorme revisão da literatura para pesquisa de natureza bibliográfica e realizados diversos estudos de casos com pesquisa de campo de natureza qualiquantitativa, que envolveram todos os níveis e modalidades da educação brasileira, da infantil até a superior, EJA e EAD. Esses estudos foram desenvolvidos com temáticas as mais diversas, desde instituição e gestão escolar, direito à educação, formação e prática pedagógica, ensino-aprendizagem, relações interpessoais entre profissionais docentes e não-docentes, temas transversais, inclusão, hábitos alimentares, meio ambiente e educação ambiental, cidadania e escola cidadã, saúde, sexualidade e educação sexual, religião e educação religiosa, inclusão, até o papel das artes e de outros campos científicos na educação, entre tantos outros inseridos sobre a ótica jurídica, psicológica e educacional. O resultado disso está não só nos trabalhos acadêmicos gerados pelos participantes do meu curso ao longo desses quase 20 anos, como nas postagens deste e dos meus outros blogs, além da participação em congressos e encontros nacionais e internacionais, artigos e estudos, projetos de extensão e de iniciação científica, entre outros eventos, levando a realidade encontrada na educação brasileira, sobretudo alagoana. Hoje levo estes estudos pro curso de Psicologia e para palestras, debates e discussões acerca do tema que participo, no sentido de contribuir para amplitude e aprofundamento que tal temática carece. Se o avanço ocorrido durante esses quase 20 anos de estudos foram poucos ou irrisórios e que a tragédia ainda nos deixa num quadro lamentável de desolamento, não posso esconder a minha esperança, afinal é dela que me faço cultor da revolução copernicana ao contrário e, consequentemente, da busca pelo alcance utópico do autogoverno humano na melhoria das condições de vida planetária, de que a educação poderá ter a atenção que merece nas futuras gerações. Se a educação vai por água abaixo a responsabilidade é nossa! E para mudar esse quadro canto Ivan Lins/Vitor Martins: Depende de nós... E vamos aprumar a conversa aqui, aqui, aqui e aqui.


Imagem: Female nude, do pintor do Barroco italiano Michelangelo Merisi da Caravaggio (1571-1610). Veja mais aqui, aqui e aqui.


Curtindo Magic Moment (CBS, 1982), do instrumentista e compositor Márcio Montarroyos (1948-2007).

VERDADE E VIDA – No ensaio Verdade e vida (Covilhã, 2008), do filósofo, escritor e dramaturgo espanhol Miguel de Unamuno (1864-1936), destaco os trechos a seguir? [...] Primeiro: a verdade na vida. Desde sempre foi a minha convicção, mais arraigada e mais corroborada em mim à medida que o tempo vai passando: que a suprema virtude de um homem deve ser a sinceridade. O vício mais feio é a mentira, os seus derivados e disfarces, a hipocrisia e o exagero. Prefiro o cínico ao hipócrita, não fora aquele já parte deste. Abrigo a profunda crença de que, se todos disséssemos sempre e em cada caso a verdade, a verdade nua e crua, ao princípio ameaçaria tornar-se inabitável a terra, mas depressa acabaríamos por nos entender como hoje não nos entendemos. Se todos, podendo assomar ao bocal das consciências alheias, víssemos despidas as almas, as nossas rixas e suspeitas fundir-se-iam todas numa imensa piedade mútua. Veríamos as negruras do que temos por santo, mas também a alvura daquele que consideramos um malvado. [...] Há que observar agora outra coisa – e com isto respondo, ao mesmo tempo, a maliciosas insinuações de um ou outro espontâneo e, para mim, desconhecido correspondente dessas aldeolas; como há muitas, muitíssimas, mais verdades por dizer do que tempo e ocasiões para dizê-las, não podemos dedicar-nos a dizer aquelas que este ou aquele indivíduo quereria que disséssemos, mas aqueloutras que julgamos mais momentosas ou mais a propósito. Sempre que alguém nos repreende porque não proclamamos estas ou aquelas verdades, podemos responder-lhe que, se fizéssemos como ele quer, não poderíamos proclamar outras verdades que proclamamos. E, não raro, acontece também que aquilo que eles consideram como verdade, partindo do suposto que também como tal a consideramos, não é assim. [...] E esta é a principal razão por que se deve buscar a vida de todas as verdades: para que aquelas que parecem sê-lo, e não o são, se nos mostrem como realmente são, como não verdades ou apenas verdades aparentes. E o que há de mais oposto a buscar a vida na verdade é proscrever o exame e declarar que há princípios intangíveis. Não há nada que não deva examinar-se. Desgraçada a pátria onde não se permite analisar o patriotismo! E eis aqui como se entrelaçam a verdade na vida e a vida na verdade: aqueles que não se atrevem a buscar a vida das verdades que professam como tais nunca vivem com verdade na vida. O crente que se opõe a examinar os fundamentos da sua crença é um homem que vive na insinceridade e na mentira. O homem que não quer pensar em certos problemas eternos é um embusteiro, e nada mais do que um embusteiro. E é assim que costumam andar unidas, nos indivíduos e nos povos, a superficialidade e a insinceridade. Povo irreligioso, isto é, povo em que os problemas religiosos não interessam a quase ninguém – seja qual for a solução que se lhes dê –, é povo de embusteiros e exibicionistas, onde o que importa não é ser, mas parecer ser. Aqui está como entendo a expressão: verdade na vida e vida na verdade. Veja mais aqui e aqui.

DOM QUIXOTE – A obra Dom Quixote de La Mancha (El ingenioso Hidalgo Fon Quixote de La Mancha, 1605), do escritor espanhol Miguel de Cervantes y Saavedra (1547-1616), é composta de 126 capítulos divididos em duas partes, parodiando os romances de cavalaria e contando a história de um protagonista de certa idade, entregue às leituras desses romances, perde o juízo e acredita ter sido historicamente verdadeiro tudo que acontecera nas suas leituras, decidindo-se tornar um cavaleiro andante que parte pelo mundo e vive seu próprio romance de cavalaria. Dá-se, então, as aventuras de Dom Quixote em companhia de Sancho Pança, seu fiel amigo e companheiro. Dessa obra destaco os trechos do primeiro capítulo: [...] A razão da sem razão que à minha razão se faz, de tal maneira a minha razão enfraquece, que com razão me queixo da vossa formosura [...] Em suma, tanto naquelas leituras se enfrascou, que passava as noites de claro em claro e os dias de escuro em escuro, e assim, do pouco dormir e do muito ler, se lhe secou o cérebro, de maneira que chegou a perder o juízo. Encheu-se-lhe a fantasia de tudo que achava nos livros, assim de encantamentos, como pendencias, batalhas, desafios, feridas, requebros, amores, tormentas, e disparates impossíveis; e assentou-se-lhe de tal modo na imaginação ser verdade toda aquela máquina de sonhadas invenções que lia, que para ele não havia história mais certa no mundo. [...] Afinal, rematado já de todo o juízo, deu no mais estranho pensamento em que nunca jamais coiu louco algum do mundo, e foi: parece-lhe convinhável e necessário, assim para aumento de sua honra própria, como para proveito da república, fazer-se cavaleiro andante, e ir-se por todo o mundo, com as suas armas e cavalo, à cata de aventuras, e exercitar-se em tudo em que tinha lido se exercitavam os da andante cavalaria, desfazendo todo o gênero de agravos, e pondo-se em ocasiões e perigos, donde, levando-os a cabo, cobrasse perpetuo nome e fama. Já o coitado se imaginava coroado pelo valor do seu braço, pelo menos com o império de Trapisonda; e assim, com estes pensamentos de tanto gosto, levado do enlevo que neles trazia, se deu pressa a pôr por obra o que desejava. [...] Quatro dias levou a cismar que nome lhe poria; porque (segundo ele a si próprio se dizia) não era razão que um cavalo de tão famoso cavaleiro, e ele mesmo de si tão bom, ficasse sem nome aparatoso; [...] E assim, depois de escrever, riscar, e trocar muitos nomes, ajuntou, desfez, e refez na própria lembrança outros, até que acertou em o apelidar Rocinante, nome, em seu conceito, alto, sonoro, e significativo do que havia sido quando não passava de rocim, antes do que ao presente era, como quem dissera que era o primeiro de todos os rocins do mundo. [...] assim quis também ele, como bom cavaleiro, acrescentar ao seu nome o da sua terra, e chamar-se Dom Quixoete de la Mancha, com o que, a seu parecer, declarava muito ao vivo sua linhagem e pátria, a quem dava honra com tomar dela o sobrenome [...] julgou-se inteirado de que nada mais lhe faltava, senão buscar uma dama de quem se enamorar; que andante cavaleiro sem amores era árvore sem folhas nem frutos, e corpo sem alma [...] Chamava-se Aldonça Lourenço; a esta é que a ele pareceu bem dar o título de senhora dos seus pensamentos; e, buscando-lhe nome que não desdissesse muito do que ela tinha, e ao mesmo tempo desse seus ares de princesa e grã senhora, veio a chamá-la Dulcineia del Toboso, por ser El Toboso a aldeia de sua naturalidade; nome este, em seu entender, musical, peregrino, e significativo, como todos os mais que a si e às suas coisas já havia posto. [...]. Veja mais aqui e aqui.

O LAMENTO DE ARETUSA (Imagem: Alfeu tenta capturar Aretusa, gravura de Bernard Picart) – No livro Poesia moderna da Grécia (Guanabara, 1986), organizado por José Paulo Paes, encontro o poema O lamento de Aretusa, do poeta grego Vitsentzos Kornaros (1553 – 1613), o qual transcrevo a seguir: Erotócrito, por que me apegar à vida ainda? / Que esperança me resta que eu da vida não prescinda? / Como hei de viver num mundo do qual está ausente? / Mantem-me neste calabouço um destino inclemente. / Da tua vida eu vivia, enxergo com tua luz; / lembrar-me de ti faz menos pesada a minha crua. / Deixei de ser eu mesma para o que tu eras ser; / encontro minha vida e minha morte em teu querer. / Acordada ou sonhando, na mente tenho-te vivo; somente em tua lembnrança é que encontro lenitivo. / Abdiquei das riquezas, renunciei de mãe e pai; / a mágoa desta renuncia não se acalma jamais. / Recordo-te, Erotórcito, meu único senhor, / e eus que meu pai e minha mãe te tornas por amor. / Com a palha me cubro, na palha meu corpo dorme, / a penúria não me importa, o pesar não me consome. / Deixei nobreza por ti, por ti odiei a riqueza, / e só por tua causa num calabouço estou presa. / Tormentos por ti passei, por ti suspirei em vão, / por ti – faz hoje cinco anos – eu penso nesta prisão. / Amarguras não busquei, os pesares não compreendo; / com as lembranças de ti ao destino vouvencendo. / Que te falta, fado meu, inda fazer contra mim? / Não noutros dias, hoje só tu me venceste enfim. / Rudo o que eu tinha levaste: o que te resta levar / de quem nada mais possui senão seu próprio penar? A guerra venceste em que há tanto tempo te demoras, / e pouco se te dá o que a mim fizeste até agora. / Eu lutei sempre com força, esperei sempre a vitória, / mas hoje caio vencida nesta masmorra inglória. / Queres-me viva ainda, não para que eu tenha vida, / mas para que possa sentir esta dor tão doída. / A mim não assustas mais, nem minha mente assedias: / onde a esperança estiver, faz-lhe o medo companhia. / Como esprança deixou-me, ao meu coração ensino / não temer os sofrimentos que possa impor-lhe o destino. / O desespero me poupa de temores infundados: / a mim que importa o porvir? Não sou joguete do fado. / Fado, não te receio, faz de mim o que te agrade; / aqui estou se me procuram tuas adversidades. / Quero que morte me dês e que, depois da morte, ao meu / corpo aconteça o pior que a corpo humano aconteceu: / que me atires de um penhasco, ou que me entregue às feras, ; para saciar a crueldade em que te retemperas. / Viva, tu não consentes que meu amado me conforte, / mas eu espero e confio que hei de vencer-te na morte; / minha alma ira encontra-lo de ti se libertando, / pois sobre nossas almas não tens poderes nem mando. / Não há destino no Hades, sorte propicia ou nefasta; / no Hades nada se ganha: o que tomaste já basta. / Erotócrito, morreste em longe terra estrangeira, / e, ao te perder, pergi contigo a minha vida inteira. / Quanto eu não quisera estar a teu lado, em meio à luta, / só para ouvir-te gritar: Vem, Aretusa, me ajuda. / Como um raio, eu correria à toda para ajudar-te; meus próprios braços, não outros, seriam teu baluarte. / Se, de fauces abertas, uma fera acometesse, / minha mão eu lhe dava para evitar te mordesse. / Grande injustiça seria, Erotócrito, no entanto, / perder-se em selva inóspita e perecer teu encanto. / Quisera ser a pobreza que junto a ti dormisse / para seguir-te mais depressa na hora em que partisses, / e ser tua companhia por toda a eternidade: / o que os corpos não fizeram, faças as almas no Hades. Veja mais aqui.

DOIS PERDIDOS NUMA NOITE SUJA – A peça teatral em dois atos Dois perdidos numa noite suja (Global, 1986), do dramaturgo, escritor, jornalista e ator Plinio Marcos (1935-1999), é inpirada no conto O terror de Roma, do escritor italiano Alberto Moravia, e na qual dois personagens dividem um quarto numa hospedaria barata e durante o dia trabalham de carregadores no mercado, discutindo sobre suas vidas, trabalho e perspectivas, mantendo uma relação conflituosa. Da obra destaco o trecho inicial: Um quarto de hospedaria de última categoria, onde se vêem duas camas bem velhas, caixotes improvisando cadeiras, roupas espalhadas etc. Nas paredes estão colados recortes, fotografias de time de futebol e de mulheres nuas. I ATO Primeiro Quadro (Paco está deitado em uma das camas. Toca muito mal uma gaita. De vez em quando, pára de tocar, olha para seus pés, que estão calçados com um lindo par de sapatos, completamente em desacordo com sua roupa. Com a manga dó paletó, limpa dos sapatos. Paco está tocando, entra Tonho, que não dá bola para Paco. Vai direto para sua cama, senta-se nela e, com as mãos, a examina.) TONHO Ei! Pára de tocar essa droga. (Paco finge que não houve.) TONHO (Gritando.) Não escutou o que eu disse? Pára com essa zoeira! (Paco continua a tocar.) TONHO É surdo, desgraçado? (Tonho vai até Paco e o sacode pelos ombros.) TONHO Você não escuta a gente falar? PACO (Calmo.) Oi, você está aí? TONHO Estou aqui para dormir. PACO E daí? Quer que eu toque uma canção de ninar? TONHO Quero que você não faça barulho. PACO Puxa! Por que? TONHO Porque eu quero dormir. PACO Ainda é cedo. TONHO Mas eu já quero dormir. PACO Mas não vai conseguir. TONHO Quem disse que não? PACO As pulgas. Essa estrebaria está assim de pulgas. TONHO Disso eu sei. Agora quero que você não me perturbe. PACO Poxa! Mas o que você quer? TONHO Só quero dormir. PACO Então pára de berrar e dorme. TONHO Está bem. Mas não se meta a fazer barulho. (Tonho volta para sua cama, Paco recomeça a tocar.) TONHO Pára com essa música estúpida! Não entendeu que eu quero silêncio? PACO E daí? Você não manda. TONHO Quer encrenca? Vai ter! Se soprar mais uma vez essa droga, vou quebrar essa porcaria. PACO Estou morrendo de medo. TONHO Se duvida, toca esse troço. (Paco sopra a gaita, Tonho pula sobre Paco. Os dois lutam com violência. Tonho leva vantagem e tira a gaita de Paco.) PACO Filho-da-puta! TONHO Avisei, não escutou, se deu mal. PACO Dá essa gaita pra cá. TONHO Vem pegar. PACO Poxa! Deixa de onda e dá essa merda. TONHO Se tem coragem, vem pegar. PACO Pra que fazer força? Você vai ter que dormir mesmo. TONHO Antes de dormir, jogo essa merda na privada e puxo a bomba. PACO Se você fizer isso, eu te apago. TONHO Experimenta. PACO Se duvida, joga. TONHO Jogo. E daí? PACO Então joga. TONHO Você só tem boca-dura. PACO É melhor você me dar essa merda. TONHO Não enche o saco. PACO Anda logo. Me dá isso. TONHO Não vou dar. (Paco pula sobre Tonho. Esse mais uma vez leva vantagem. Joga Paco longe com um empurrão.) TONHO Tá vendo, palhaço? Comigo você só entra bem. PACO Eu quero minha gaita. TONHO Não tem acordo (Pausa) (Tonho deita-se e Paco fica onde está, olhando Tonho.) [...] Veja mais aqui, aqui e aqui.

ECLIPSE – O filme Eclipse (1962), dirigido pelo cineasta italiano Michelangelo Antonioni (1912-2007), conta a história de uma jovem mulher nos subúrbios de Roma, rompe seu namoro com o escritor depois de uma noite conturbada, que atendendo sua mãe que é viciada no mercado de ações, encontra um jovem corretor que tem uma acentuada natureza materialista. Os dois começam um relacionamento monossilábico que vai se desenrolando por trata. O destaque do filme é a atriz italiana de teatro e cinema Monica Vitti, presença sempre marcante nos filmes do cineasta. Este é um dos grandiosos filmes que confirma a marca e o gênio do seu diretor. Veja mais aqui e aqui.

IMAGEM DO DIA
Todo dia é dia de homenagear a atriz, miss, modelo e sex symbol sueca Anita Ekberg (1931-2015)


Veja mais no MCLAM: Hoje é dia do programa Tataritaritatá, a partir das 21hs, no blog do Projeto MCLAM, com apresentação sempre especial e apaixonante de Meimei Corrêa. Na programação: Aarre Merikanto, Jerry Lee Lewis, Edson Natale, Emerson & Lake & Palmer, Oswaldo Montenegro, Paul McCartney, Djavan, Sonia Mello, Hugo Branquinho & Milton Nascimento, Lilian Pimentel, Magno Átimo, Monsyerrá Batista, Mu Chebabi, Ricardo Machado, Cikó Macedo, Mazinho, Zé Linaldo, Chiko Queiroga & Ana Vitória, Daniel Pissetti Machado, Denise Dalmacchio, Dido Oliveira, Eliane Bastos, Elisete Retter and Ron, Jan Cláudio, Beto Saroldi, Meimei Corrêa, Fernando Fiorese, Kurt Nilsen, Roberta Miranda, Tim Maia, Alexandre Machado, Jorge Medeiros, Wagner & Wander Ponzo & muito mais. Em seguida, o programa Mix MCLAM, com Verney Filho e na madrugada Hot Night, uma programação toda especial para os ouvintes amantes. Para conferir online acesse aqui.

VAMOS APRUMAR A CONVERSA?
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CRÔNICA DE AMOR POR ELA
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sábado, junho 12, 2010

NEUROCIÊNCIAS, MAX NUNES, PLÍNIO MARCOS, LAURA VOUTILAINEN, OCTÁVIO ARAUJO, STACY EDWARDS & SONIA PALLONE


SERÁ QUE DÁ HEXA DESSA VEZ? -  Confesso: não entendo pirocas nenhuma de futebol. E tenho cá minhas razões. Primeiro, sempre fui um perna-de-pau. Na lata, pei bufe. Segundo, não sou de perder tempo com esse joguinho feio e ronceiro armado nas retrancas. Negócio amarrado, tá doido? Destá. Por não entender bulhufas do esporte bretão, não fico na minha, também sou achegado a admitir ser uma das manias saudáveis do Brasil. Vamonessa! Ainda digo mais: perdido por um, perdido por mil. Derrota por 1 é o mesmo que uma goleada de 40 gols. A desmoralização é a mesma. É ou não é? Mais ainda: sou da laia que se aventura a dizer que a melhor defesa é o ataque. E só gosto de espetáculo de circo pegando fogo: ou tudo ou nada. Teibei! Sou brasileiro acima de tudo e, também, mesmo não me vendo representado pela CBF - instituição privada carregada de interesses escusos - quero ser mais um entre os quase duzentos milhões de treinadores da Seleção Brasileira. Casa de Maria-Joana que se preze é assim: quanto mais mexido, pior. Mas, teco. Se tudo tem ingerência transnacional, por que não posso também botar meu bedelho no meio?! Então, vou zuretar meus pitacos descarados também. Assumo e digo logo. Essa seleção do Dunga, pra mim, não é lá grande coisa. E muito menos quer dizer nada a gente ter se classificado nas eliminatórias ou da conquista duma besteira de Copa América (idem, ibidem) e da Copa das Confederações (só tinha meia-boca). Pra mim, tudo isso já era uma obrigação de penta ou não é? Ademais, sapeco pra você espiar que não assisti uma partida sequer de nada disso. Contudo, baseio meios argumentos na falácia de um certo primo entendido achegado da família de uma fulana distante que é cunhada do irmão do meu vizinho que nem sei o nome, que não perde pelada nenhuma e vive grudado em todos os debates das mesas dos programas de TV, e disse categoricamente que a seleção era uma meleca. Se ele diz, eu assino embaixo.Verdade. O próprio Dunga deveria estar com os 7 anões ao invés de virar ícone duma geração de brutamontes quebra-canelas.Pra CBF, um recado:- Ô seus magnatas, num acha que tá demais o tapetão não?  Que coisa! Quanto à escalação, não sei. A convocação dos jogadores, não vi, mas sei que é decepcionante. Tirante uma meia dúzia de famosos que são certos na escolha, o resto só serve mesmo de marcação pra zero a zero. E pra matar a gente do coração. Tenho pra mim que qualquer criançinha de tino convocaria uma seleção melhor que essa. Por isso, repito: como sou brasileiro vou torcer na tuia pela conquista do hexa. Dito e feito. Tô dentro e com todo mundo! Mesmo sabendo que o esporte que vale de mesmo aqui é a espórtula! Não adianta fazer outra coisa porque no Brasil tudo para e só nos resta torcer de se espremer todo. Agora é entrar na onda e ver se não morre afogado. Depois a gente pensa nas eleições vindouras. Então vamos aprumar a conversa & tatariutaritatá! Veja mais aqui.




Imagem: Noturno (1972), litografia do gravador, pintor, desenhista, ilustrador e artista gráfico Octávio Araújo.


Curtindo o álbum Tässä hetkessä (2005), da cantora finlandesa Laura Voutilainen. Veja mais aqui.

EPÍGRAFE - [...] Quando aconteceu o gol, ele morreu, morreu feliz, Feliz morreu e nem ficou sabendo que o gol que ele esperava não valeu, extraído do livro O pescoço da girafa: Pílulas de humor por Max Nunes (Companhia das Letras, 1998). Veja mais aqui.

NEUROCIÊNCIAS – O livro Neurociências ilustrada, de Claudia Krebs, Joanne Weinberg e Elizabeth Akesson, aborda temas como o sistema nervoso e a neurofisiologia básica, a visão geral do sistema nervoso central e periférico e visceral, a medula espinal, a organização do tronco encefálico, os tratos sensoriais ascendentes, os tratos motores descendentes, o controle dos movimentos oculares, inervações sensorial e motora da cabeça e do pescoço, audição e equilíbrio, sistemas e analises do tronco encefálico, córtex cerebral, tálamo, visão, gânglios de base, cerebelo, integração do controle motor, visão geral do hipotálamo, sistema límbico, olfato e paladar, dor, zonas arteriais terminais, vísceras, processamento cortical, tensão, testes, TDAH, síndromes, neurotransmissores, nervos, lesões, entre outros importantes temas.  REFERÊNCIA: KREBS, Claudia; WIENBERG, Joanne; AKESSON, Elizabeth. Neurociências ilustrada. Porto Alegre: Artmed, 2013. Veja mais aqui e aqui.

O PESCOÇO DA GIRAFA – O livro O pescoço da girafa: Pílulas de humor por Max Nunes (Companhia das Letras, 1998), reunindo frases, textos e poemas do humorista, médico e polímata Max Nunes (1922-2014), selecionados e organizados por Ruy Castro. Da obra destaco os trechos: Filho único é uma coisa tão chata que não há no mundo quem tenha dois. Se acupuntura resolvesse, porco-espinho não ficava doente. Ninguém conhece melhor um uísque falsificado do que um legítimo bebum. Hoje, numa sala de aula, o verdadeiro quadro negro é o salário do professor. A polícia de Nova York descobriu 100 quilos de cocaína no aeroporto. A droga tinha sido colocada no nariz do avião. No Brasil, o que pega fogo com mais facilidade não é o álcool, nem a gasolina. É colchão de penitenciária. Veja mais aqui.

GOSTO DE PROIBIDO – Entre os poemas da poeta, designer e blogueira Sonia Pallone, editora do blog Solidão de Alma e reúne seus trabalhos literários no Recanto das Letras, destaco o seu poema Gosto de Proibido: ...Um anjo desajeitado me tomou de surpresa uma noite... E os olhos, arregalados de espanto ocultaram-se para o clarão do dia Tornando o encanto exorcizante e pálido... Minha vida saltou para um futuro que ainda viria E todo o tempo, entremeio, esqueci nas horas da descoberta que não pedi... Que sôfrega levantou os lençois Me seduzindo e me revelando... Deixando no ar um gôsto de proibido E uma pergunta que nunca mais se calou... Veja mais aqui.

O ASSASSINATO DO ANÃO DO CARALHO GRANDE – A peça teatral O assassinato do anão do caralho grande, do dramaturgo, escritor, jornalista e ator Plinio Marcos (1935-1999), leva ao palco figuras do circo, como o leão e o domador, trapezistas, transformistas, palhaços, entre outros, com enredo que revela as dificuldades dos artistas de circo, as intolerâncias que enfrentam, seu instinto de sobrevivência e a grande fraternidade os une. Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui.

IN THE COMPANY OF MEN – A comédia de humor-negro In the Company of Men (Na companhia de homens, 1997), é uma adaptação da peça teatral homônima do autor e diretor Neil LaBute, contando a história de dois executivos que após repetidas rejeições amorosas, planejam uma vingança contra as mulheres e ambos seduzem uma colega de trabalho vulnerável, apenas pelo prazer de abandoná-la assim que ela se mostrar confiante e apaixonada. O destaque do filme fica por conta da atuação da atriz estadunidense Stacy Edwards. Veja mais aqui.

IMAGEM DO DIA
Todo dia é dia da atriz estadunidense Stacy Edwards. 



Veja mais sobre:
Neurociências aqui, aqui e aqui.

E mais:
Das idas e vindas, a vida, Roberto Crema, Martins Pena, Leila Diniz, Angeli, Sharon Bezaly, Paulo César Saraceni. Anders Zorn, Eudes Jarbas de Melo & João Monteiro aqui.
Cinema aqui, aqui e aqui.
Uns trecos dos tecos, A importância do sono, Doro arretado & Zé Bilola aqui.
Horário eleitoral puto da vida: a campanha de Zé Bilola aqui.
Cordel O sertanejo Antonio Cobra Choca, de José Vila Nova aqui.
Voto Moral aqui.
Maurren Maggi aqui.
Horário eleitoral, Dani Calabreza & outras presepadas aqui.
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CRÔNICA DE AMOR POR ELA
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CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Recital Musical Tataritaritatá
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GONÇAL MAYOS, MARINE PETROSSIAN, PÉTER NÁDAS & IRANDHIR SANTOS

  Imagem: Arrostar aporias , da série Caosmose & O poema nasce do visinvisível - Acervo ArtLAM .   Fábula dos embeiçados desavindos... ...