Ao
som do concerto Live at
Philarmonie Luxembourg
(2025), oriundo do álbum Sonicwonderland (2023), da pianista e
compositora japonesa Hiromi Uehara, com a Philarmonie Luxembourg, no
Grande-Duchesse Joséphine-Charlotte Concert Hall. Veja mais aqui & aqui.
Da noite pro dia, gente, malacatifas... - De repente Tlaltecuhtli engoliu o Sol e anoiteceu: fez-se a maior
escuridão. Do inesperado ao regozijo, Tó Zeca, então, aguardou Jaci
reluzir no horizonte. O tempo passava e, pacientemente, mantinha-se à espera. Ela
não apareceu. A demora e uma interrogação: Onde fui parar? Não tinha a menor
noção. Só se deu conta das chamas pálidas azuladas flutuando lá ou acolá, intermitente
fogo fátuo, sabia: Ah, Boitatá. Hesitou, pois temia ter de encarar aqueles
olhos flamejantes, não era um bom sinal. Bastou uma leve fagulha alhures e
viu-se diante do serpentário do chão à constelação equatorial de Ofiúco. Um
sobressalto: o guizo advertia, um arrepio e o sinal do sangue frio de répteis
poiquilotérmicos ao redor, o espavento de ver-se de cara com aquela rastejante bocarra
180º e a dilatação corporal. Xiii... Logo viu: era a noturna suaçuboia – Ô
jiboia, que é que tu tais fazendo aí, mulher? Ah, senta-espera, peidona, isso é
cobra-de-veado pronta pro bote! Ôpa! Logo a escura Boiúna emergiu Mãe do Rio bem
fundo: Que é que há? Ao seu lado, logo notou a presença dos olhos de mel da
Sofia, a filha do boto e da índia: tremia a terra. Olha lá! Por um instante
deu-se conta da movimentação e êpa: lá ia a cavadora Ubijara, a mãe-de-saúva, anfisbena,
com suas duas cabeças - Vai pra lá, ibicara; sai pra lá, licranço! Num átimo, o
assombro com a perigosa jararacuçu, depois a surucucu, a áglifa araramboia, a
camuflada jararaca-da-mata, a boipeva cabeça-chata. Ih! E ali se enroscavam a azulamboia,
a periquitamboia, a delgada parda bicuda, a muçurana, preta, pendurada no cipó;
a sucuri, muçurana; as três irmãs Jararacuçu, Urutu-cruzeiro e Caiçara, cada
qual com seu veneno botrópico para inchar, necrosar e sangrar; a cascavel boicininga,
a maracaboia de-quatro-ventas, a coral, a peçonhenta surucucu-pico-de-jaca e outro
susto: era anaconda! Alto lá! E juntas: a amarela, a verde, a malhada, a
akayima e a da-bolívia, danou-se! Eita, viborões! A canibal sucuri devorava seu
macho depois do coito. E Norato com a sua irmã, a cruel Maria Caninana, a arabóia,
que subiu na árvore e ficou de tocaia. Se era ou não cobra mandada, não se
sabia. Mas se atrevia a chupar o seio da mãe adormecida, com o rabo na boca da
criança para que ambas não acordassem. Tô frito! Reunidas, iam beber e antes escondiam
a peçonha para não se envenenarem. Que coisa! E rastejavam nas próprias
costelas, ondulando lateralmente, com seu movimento de sanfona ou concertina,
em zigue-zague, mudando de pele, quando em vez. Se não era a jararaca venenosa,
era uma sucuri com seus mais de 9 metros caçando na água. Na névoa um arco-íris
e apareceu a mítica Naga de 7 cabeças para o Batismo do Oceano de Leite. E com
ela os pigmeus de Baka, que vinham do sul de Camarões, com o Códice de Dresden,
anunciando o egípcio Atum que emergia do caos primordial com o Livro dos
Sarcófagos para formar a Enéade de Heliópolis. Aí subiu a Python que havia abandonado
o Oráculo de Delfos na perseguição por Leto. Logo atrás a criocéfala celta,
seguida da víbora-áspide que acabara de envenenar Cleópatra, todas acompanhadas
pela híbrida Erictônia, a terimórfica Tibre-cornu de Virgílio e o emplumado Quetzalcóatl.
O circo estava pronto, ameaça em riste. Tentou olvidar: Sou lá ofidiófilo! Há
quem ofidiófobo, até herpetólogo. Nem, nem. Viu-se em apuros, procurou saída. Deu-se
então o imprevisível: Tlaltecuhtli cuspiu o Sol e Tatewari, o Avô do Fogo,
acendeu o dia. E Coaraci deu vazão à prática dum pajé de 9 fôlegos: o futuro
nas mãos, curava à distância, tornava o animal que quisesse, ficava invisível,
aparecia aqui, ali, acolá, o que bem quisesse: Vai encarar? Nem podia, porque Asclépio
ergueu-se com o caduceu de Hermes para dar conta da teoria do relojoeiro do
Deus otiosus. E aí o feitiço da Naja: a deusa Wadjet era a Kundalini se
enroscando 3 vezes e meia na base da coluna vertebral dele, enroscando-se em
suas botas e agigantando-se diante de si. Ofertou-lhe o wixárico Tsikuri, Ojo
de Dios, ornado por opúncias e peiots, o que lhe deu a coragem de proclamar: Toda
cobra do caminho arreda que vou passar! E uma nuvem cintilante rasgou as trevas
e tudo clareou, nítida paisagem: o ninho de Ledo Ivo e já era a cidade com
a multidão alvoroçada às idas e vindas, com suas expectativas, dolos e
angústias. Ali aprendia Ouroboros: tudo é um. Até mais ver.
Pilar Quintana: Se você tem alguma dúvida de que o racismo sistêmico existe, é só olhar para lá. A maioria da população, que é negra e indígena, está vivendo na pobreza absoluta. É uma realidade muito dolorosa... Veja mais aqui, aqui & aqui.
Linda
Sue Park: Um
erro cometido com boas intenções continua sendo um erro, mas é um erro pelo
qual você deve se perdoar... Veja mais aqui, aqui & aqui.
Shirin
Neshat:
Todo artista, de
uma forma ou de outra, é político. A política define nossas vidas... Veja mais aqui, aqui
& aqui.
UM
POEMA
Imagem:
Acervo ArtLAM.
O tempo
conquistou o amor \ Isto mistério de nós impiedosamente \ e agora o que faço
com a indiferença \ com essa solidão \ que os caras me abraçam gentilmente \ e
me sufoca. \ Amor \ minha barriga agora é uma árvore seca \ que onze queriam
florescer estrelas para suas noites. \ Minha barriga agora é uma montanha dura
\ não mais espantado com o passar do tempo \ pelos dias sem vida. \ Nós
ganhamos nosso tempo amor \ misericordioso, o mistério nos tirou \ e hoje não
sei o que fazer com aquele desgosto \ com essa solidão \ que às vezes me abraça
suave \ e às vezes ele me sufoca. \ Amor \ A minha barriga é uma árvore seca
hoje \ que um dia ele queria florescer estrelas para suas noites. \ A minha
barriga é uma montanha dura hoje \ que não se admira mais com a passagem do
tempo \ para os dias sem vida.
Poema da
escritora, editora, tradutora e educadora mexicana Irma Pineda Santiago.
PARQUE
PARA CÃES - […]
Eu me arrastava para o trabalho apenas para retornar a um apartamento que
ecoava de saudade, onde as xícaras de café estavam sempre exatamente no mesmo
lugar em que eu as havia deixado de manhã e onde nunca havia cheiros de outras
pessoas, nunca a bagunça de ninguém além da minha. Eu não sabia que podia
sentir falta de tais coisas. [...]. Trecho extraído da obra Koirapuisto (WSOY, 2019), da escritora e dramaturga finlandesa Sofi
Oksanen, que ressalta: A memória é parte crucial da humanidade, composta
por histórias... Veja mais aqui & aqui.
FIM
DOS TEMPOS
– [...] Nossa análise aponta para quatro fatores estruturais de instabilidade: a
miséria popular que leva ao potencial de mobilização em massa; a superprodução
das elites, resultando em conflitos intraelitistas; a saúde fiscal precária e a
legitimidade enfraquecida do Estado; e fatores geopolíticos. O fator mais
importante é a competição e o conflito intraelitista, que se configuram como um
indicador confiável da crise iminente. [...] Os livros de história nos
dizem que a Guerra Civil Americana foi travada por causa da escravidão, mas
essa não é toda a história. Uma maneira melhor de caracterizar esse conflito é
dizer que ele foi travado por causa da "escravocracia". [...] Como
a escravidão fornecia a base econômica para o domínio do Sul, um ataque
político aos proprietários de escravos poderia ser fortalecido por um ataque
ideológico à escravidão. [...] Quais são as características das teorias
da conspiração que as distinguem das teorias científicas? Primeiro, a teoria da
conspiração costuma ser vaga quanto aos motivos dos líderes nos bastidores ou
lhes atribui motivações implausíveis. Segundo, pressupõe que eles sejam
extremamente inteligentes e conhecedores. Terceiro, coloca o poder nas mãos de
um líder forte ou de uma pequena conspiração. E, finalmente, pressupõe que
planos ilegais possam ser mantidos em segredo por períodos indefinidamente
longos. Uma teoria científica, como a da dominação de classe, é muito diferente.
[...] Mentes coletivas são resultado de discussões e esforços coletivos para
alcançar um consenso, que pode ser ouvido (ao contrário de uma mente ilegível).
Chegar a um programa de ação comum geralmente deixa rastros físicos, como atas
de reuniões e documentos programáticos. É claro que alguns grupos são bastante
reservados quanto aos seus processos internos de tomada de decisão. É aqui que
denunciantes como Julian Assange e Edward Snowden se tornam essenciais para um
sociólogo do poder. [...]. Trechos extraídos da obra End Times: Elites, Counter-Elites, and the Path of
Political Disintegration (Allen Lane, 2023),
do antropólogo russo Peter Turchin.
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BÁRBARA
DE EXU, INIMIGA DO REI
É Bárbara, tenho certeza \ É Bárbara, sei que é ela \ Que
de dentro da fortaleza \ Por seus filhos e irmãos \ Joga gemidos, gemidos no ar
\ Que sonhos tão loucos, tão loucos, tão loucos \ Tão loucos foi Bárbara sonhar...
Trecho da música Passeio público (Berro, 1976), do
cantor e compositor cearense Ednardo (José Ednardo
Soares Costa Sousa), em homenagem à revolucionária pernambucana Bárbara Pereira de Alencar (1760-1832),
primeira presa política do Brasil e heroína da Revolução Pernambucana de 1817 e
da Confederação do Equador. Sobre ela encontram-se as obras: a biografia da
coleção Terra Bárbara (Demócrito Rocha, 2017), da jornalista e escritora
Ariadne Araújo; A guerreira do Brasil (Universidade de Indiana, 2001),
do escritor Roberto Gaspar; A heroína do Crato (Bazar do Tempo, 2022),
da socióloga e roteirista Antonia Pellegrino; e a dissertação de mestrado Relações
de gênero e poder no Cariri Cearense (UECE, 2015), de Kelyane S. de Sousa.
Veja mais aqui & aqui.
Murillo La Greca aquí, aquí, aquí & aquí.
Amanda Vieira
aqui.
Robertinho de Recife aqui, aqui & aqui.
Beta Ferralc
aqui.
Mestre Nuca de
Tracunhaém (Manoel Borges da Silva – 1937-2014) aqui.
Teresinha Gonzaga aqui.
Vital Santos (1948-2013) aqui.
Lia Letícia aqui.
Pablo Porfirio aqui.
Marília Parente
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