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terça-feira, março 17, 2020

LUPE COTRIM, LUIZ CARLOS MACIEL, JOBSON FIGUEIREDO & ÁRIDO MOVIE


LIÇÕES DE SEMPRE CUSPIDA NA CARA – UMA: NA HORAGÁ CADÊ CONSIDERAÇÃO! - Basta uma insinuação calamitosa para a consideração humana ir pro beleleu! Numa situação desastrosa é que a gente tem a certidão de que a solidariedade humana é um mero papo no faz de conta. Vá precisar e constatará que o que necessita vale os olhos da cara. Há quem se aproveite da desgraça alheia para mandar ver. É nessa hora que você percebe que não vale mais que titica de inseto: ou você é levado pra sacanagem da manteiga na dança do Último tango em Paris, ou ficará do lado mais amargo do breu da vida. Bem diz Bernardo Bertolucci: A nossa sociedade é essencialmente baseada na glorificação do ego; para ser feliz um sujeito precisa estar acima da massa. Somos todos neobárbaros, as ideologias acabaram, há o desastre total da sociedade de consumo. Isto é que é um vitupério! DUAS: PÉ NA GOELA PORQUE DO QUEIXO PRA BAIXO TUDO É PERNA - Fiz a minha vida toda pautada no diálogo porque sempre achei que a guerra era o recurso dos fracos que querem se mostrar fortes e não são. Sabedor disso, nunca quis que a pugna da força imperasse, mas o diálogo. E por isso fracassei sempre. Pudera, sempre fui franzino de nunca ter nem como mostrar o muque ou querer levar tudo na munheca. Sempre achei desnecessária ou coisa para lá de inútil qualquer luta corporal, muito embora tenha dado muito murro em ponta de faca e arregaçado as mangas para levar muitas coisas na caixa dos peitos, afora pernadas a três por quatro, cotoveladas, joelhadas e coices de calcanhar no que tentasse me tolher. Sim, claro, isso na adolescência, quando estes eram os únicos recursos que dispunha. Bastou dar uma aprumada na ideia e descobri que força bruta é pra quem não tem tino nenhum. Não arredo o pé, pois, mesmo assim, acredito que a força mais representativa esteja na exposição dos argumentos e na demonstração dos mais diversos pontos de vista, sem que eu precise ser um sectário, porque nunca me vi dono da razão. Uma lição reveladora me deu Lynn Margulis: A vida não dominou o mundo em combate, mas em rede. Um cientista de verdade tende a ser crítico e, em algum momento, eles tiveram que se rebelar contra seus professores. Assim, fui e sou. TRÊS: TODO DIA É DIA DA MULHER – Outra coisa que sempre me encheu o saco era ter que me definir de estar ali ou aqui, para lá ou para cá, ser desse ou daquele jeito, torcer pra esse ou praquele, e seguir na boiada. Não, meu. Nunca fui lá muito achegado às ondas do momento, nem nunca segui moda alguma, avesso que sempre fui das panelinhas, de nunca fazer parte dos clubes dos que se acham os bons e melhores. Isto porque nunca me distingui dos comuns, do qualquer, nunca me vi o tal nem acima de quem quer que seja. Da minha parte, sempre me tive onde eu queria estar, equivocado ou não, pouco importa, a gente aprende. Valho-me da saudosa diva musa Elis Regina: Não tenho tempo de desfraldar outra bandeira que não seja a da compreensão, do encontro e do entendimento entre as pessoas. E vamos aprumar a conversa! © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo e aqui.

DITOS & DESDITOS: Um tanto constrangido, é verdade, mas sem outro jeito, aproveito esse meio de comunicação, típico da era contemporânea e de suas maravilhas, para levar ao conhecimento público o fato desagradável de que estou sem trabalho e, por conseguinte, sem dinheiro. É triste, mas é verdade. Estou desempregado há quase um ano. Preciso urgentemente de um trabalho que me dê uma grana capaz de aliviar este verdadeiro sufoco. Sei ler e escrever, sei dar aulas, já fiz direções de teatro e de cinema, já escrevi para o teatro, o cinema e a televisão. Publiquei vários livros, inclusive sobre técnicas de roteiro, faço supervisão nessas áreas de minha experiência, dou consultoria, tenho – permitam-me que o confesse – muitas competências. Na mídia impressa, já escrevi artigos, crônicas, reportagens… O que vier, eu traço. Até represento, só não danço nem canto. Será que não há um jeito honesto de ganhar a vida com o suor de meu rosto? Texto SOS desesperado do escritor, filósofo, jornalista, diretor teatral e roteirista Luiz Carlos Maciel (1938-2017), jogando na cara da sociedade o abandono dos idosos. Ele destacou-se como o guru da contracultura nos anos 1960/70 com suas ideias sobre o underground, sendo um dos fundadores do jornal O Pasquim, em 1969. Veja mais aqui.

TRES POEMAS – AO AMOR: O que desejas de mim / nunca o dará o lampejo de um momento, / a conquista de um dia da montanha. / Meu corpo — para ti somente — / deve emergir a cada gesto límpido / e profundo deve ser meu futuro / para reter-te e recriar-te permanente. / Sei que em mim te estenderás, não mais disperso, / em desejo e em procura de teu filho / e que todo movimento de meu ser / será o rumo de teu universo. / E por isso temo. No meu sentimento / sofro por ti. Receio / ser larga a hesitação de meu caminho, / ser um mito a conquista da montanha, / ser pobre e fugaz o meu espaço / na extensão que reduz teu infinito. QUANDO ESTOU NATURAL: Quando estou natural / é que posso sentir-me / intimamente ligada / à vida. / Quando estou desprevenida, / - pés de água e de terra - / o corpo todo em contato / a caminhar erguido / e penetrado na atmosfera. / Compreendo, porque sinto / e depois penso: / - Não corrijo as sensações - / apenas as configuro / e lhes dou sentido. / Nenhuma vastidão me estreita / ou intimida; / com o natural em tudo, / numa entrega sem medida, / nos meus pés de água e terra / no meu ser de amanhã / - Eu existo a minha vida. MONÓLOGO I (FRAGMENTO): Hei de inventar amor, ávida e atenta. / Amor de ser a outro que é demais / o amor que em coisas hoje se alimenta. / A manhã é cerrada de momentos / que hábeis mãos inventam em seu provento; / inventar o que o íntimo não fala, / curvando-se à pressão de outros inventos. / Hei de inventar amor num desafio / às mais concretas frases, aos dias úteis, / amor de ser a outro que é demais / ter um mundo por dentro desprovido. Poemas da poeta, professora e tradutora Lupe Cotrim Garaude (Maria José Cotrim Garaude Gianotti – 1933-1970). Entre as suas obras  estão Raiz Comum (1955); Monólogos do Afeto (1956); Entre a Flor e o Tempo (1961); Cântico da terra (1963); O poeta e o Mundo (1964); Inventos (1968); Poemas ao outro (1970); e Encontro (1984), antologia.

ÁRIDO MOVIE
O drama Árido Movie (2006), dirigido pelo cineasta Lírio Ferreira, narra a história de um repórter que vivia no Estado de São Paulo, mas que volta ao interior pernambucano na ocasião do enterro do seu pai. Além de conhecer diversos novos membros da família, ele se depara com a pressão dos parentes para que ele se vingue da morte do pai. O longa conta com um elenco de peso que inclui Guilherme Weber, Giulia Gam, Selton Mello, Matheus Nachtergaele, Renata Sorrah, entre outros. Veja mais aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte do escultor, artista plástico, restaurador e produtor cultural Jobson Figueiredo, que desenvolve sua arte em diversas técnicas; com trabalhos em madeira, cerâmica, pedra, resina e bronze. Nas artes gráficas realizou xilogravuras, litogravuras, infogravuras e pinturas em aquarela, óleo, acrílica, colagens e outras técnicas mistas. No campo da Heráldica, ele realizou a pesquisa histórica, atualização, projeto, modelagem e fundição em bronze do Brasão das Armas do Estado de Pernambuco. Veja mais aqui & aqui.

PERNAMBUCO ART&CULTURAS
A AVENTURA DO BAILE PERFUMADO: 20 ANOS DEPOIS
A obra A aventura do Baile Perfumado: 20 anos depois (CEPE, 2016), organizado por Amanda Mansur e Custódio Nogueira, traz o registro de realização do filme realizado por Lírio Ferreira, Paulo Caldas e Hilton Lacerda, reunindo textos sobre o cinema como uma arte de irmãos, os bailes perfumados, o repórter das Arábias, no set sob o sol de dois canos, diário de um vídeo amador, roteiro original, a ficha técnica e os créditos e legendas das imagens. Veja mais aqui e aqui.
Casa-grande e senzala, do sociólogo Gilberto Freyre (1900-1987) aqui & aqui.
A literatura do poeta, radialista e compositor Antônio Maria (1921-1964) aqui, aqui & aqui.
O cordel do poeta popular João Martins de Athayde (1880- 1959) aqui, aqui & aqui
A música de Spok Frevo aqui, aqui & aqui
A poesia de Sandra Lustosa aqui.
A arte de Dani Acioli aqui.
Teatro: Libambo na maxambeta, O Prêmio aqui.
O papa-figo & a viúva alma penada aqui
O município de Sanharó aqui & aqui.
&
OFICINAS ABI
Veja detalhes das oficinas da ABI aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.


terça-feira, agosto 20, 2019

PUSCHKIN, CORA CORALINA, DÉCIO PIGNATARI, MEDINA AYLLÓN & BAILE PERFUMADO


NATALIE DE PUSCHKIN – Ah, Natalie, para quem sempre celebrou a liberdade, você surpreendeu minha vida de exilado pelas guerras e insurreições. Aquele inverno no mundo e na minha vida, uma menina tímida naquele baile, já cobiçada deusa da aldeia Karian, rainha de Tambov, o presente do meu destino: nunca tinha visto ninguém mais linda, nunca. Não bastava seu pai no mundo da lua, a sua mãe irritadiça, religiosa fanática, difícil, e eu um reles sujeito com versos no coração e nada nos bolsos. Que podia além da minha perseverança, se nem havia chão para abrigo. Quando me disseram não, deprimi – o oco do mundo no peito e a dor lancinante da desgraça. Na solidão do Cáucaso, escrevi: Quando a vi pela primeira vez, me apaixonei. Eu pedi a sua mão, pleno de rosas no ar, a resposta de quase enlouquecer. Graças a Tolstoi pude acessar sua casa. Ainda bem, enfim, o consentimento: renasci e me tornei feliz, apesar do anel no chão e a vela se apagar aos maus presságios. Nada podia superar minha felicidade ao seu lado. Não havia de ser nada. A ida para Moscou me deixou estúpido, sei. Ainda bem que em São Petersburgo estávamos felizes e você radiante, a mais linda do lugar: era a minha vida, a vida de poeta libertário e descendente feio de negros, não valia nada. Na sua ausência escrevi setenta e oito cartas para a madona do meu poema – avistei o Bridgewater Madonna de Raphael e a sua presença era real. As senhoras ao meu redor implicavam para ver-lhe o retrato. Elas não perdoaram por não tê-lo. Insistiam. Usei de Rafael e do poema, diante da imagem da minha Madona loira por consolo. Ela se parecia com você como duas gotas de água, e eu compraria se não custasse tanto. Nunca esperei por um amor grande e puro do centésimo décimo terceiro amor. Nunca esperei nada. Minha musa, o meu eterno amor, a cigana previu que seria exatamente por isso que eu morreria: de amor. Você me deu vida, eu só a morte. Estava escrito. Ao vê-la de joelhos, chorosa: Use luto por um tempo. Então se case com um bom homem. Sangro. Sangro no coração e nas vísceras. Lutei, lutaria com quem mais aparecesse; e lutarei por você até me tornar, apenas, uma estátua ao seu lado. Até sempre. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo & mais aqui e aqui.

DITOS & DESDITOS:
[...] Povo infeliz, terra infeliz. ...Nós começamos com a ideia de "revolução agrária", que depois foi amenizada para "reforma agrária", que virou "revisão agrária", que se transformou em "estatuto da terra" - que já não significa mais nada. [...] Terra desgraçada, povo desgraçado. [...] Para nós, o osso - para os outros, o filé. A nós, só nos são dados assistir os primeiros ensaios, as primeiras fofocas, os primeiros cortes, os primeiros jogos de entrosamento contra esparros de categoria inferior e média. Assim que o quadro começa a tinir - vai-se embora. Cobre-se de biglórias lá fora e volta para recepções apoteóticas e mal tem tempo para algumas exibições extras (a maioria, no exterior), porque logo os clubes reclamam os direitos sobre os seus craques - e a seleção se desfaz. E começamos tudo de novo: embora mais desdentados do que tamanduá, já nos acostumamos a roer ossos. Para o povo brasileiro, o desespero-é-um-hábito - e a esperança, um vício. Povo infeliz, terra desgraçada. [...] Terra infeliz, terra desgraçada. [...] Povo infeliz, desgraçada terra. Acredito que os leitores, sorrindo mentalmente, gostariam de lembrar-me que, nisto tudo, voltei a esquecer do tutu, dos dólares. Não, não esqueci - esquecer quem há-de? Mas relembro também que já fomos campeões do mundo de futebol antes de começarem a rolar as auríferas águas. Se não soubermos nem pudermos fazê-lo de novo, então - chega de campeões! De que vale tê-los apenas como saltimbancos pelas estradas do mundo, de que vale tê-los apenas como medalhas de nossa pro-sápia, sem lhes ter visto os heróicos feitos? Quem quiser, que aceite o nosso bagulho: chega de campeões! Não vamos mais exportar campeões, não vamos mais exportar coisa nenhuma, não vamos mais exportar nossa gente - nem mesmo presidentes-da-república, como tem sido nosso luxo e moda ultimamente. É isto mesmo: não vamos exportar mais nada - pelo menos enquanto guaraná não for coca-cola. [...].
Trecho de Chega de campeões! – 2, extraído da obra Contracomunicação (Ateliê, 2004), do escritor, advogado, sociólogo, professor, tradutor e teórico da comunicação Décio Pignatari (1927-2012). Veja mais aqui, aqui & aqui.

BAILE PERFUMADO
[...] O filme recria uma história real: a trajetória do fotógrafo e cinegrafista libanês Benjamin Abrahão (Duda Mamberti), a única pessoa que ousou se aproximar e filmar Lampião (Luiz Carlos Vasconcelos) e seu bando de cangaceiros. O enredo foi sugerido a Lírio Ferreira e Paula Caldas pelo crítico e cineasta Fernando Spencer. Transformado em roteiro em parceria com Hilton Lacerda, com a consultoria do historiador Frederico Pernambucano de Mello, o projeto ganhou o Prêmio Resgate do Cinema Brasileiro. As filmagens foram feita em seis cidades de Alagoas, Sergipe, Bahia e Pernambuco. [...].
Trecho extraído do livro A aventura do Baile Perfumado: 20 anos depois (CEPE, 2016), organizado por Amanda Mansur e Paulo Cunha, sobre o filme Baile Perfumado (1996), dirigido por Lirio Ferreira e Paulo Caldas, que narra a história do envolvimento do mascate libanês Benjamin Abrahão com o bando de Lampião no sertão brasileiro. Veja mais aqui, aqui & aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte do escultor espanhol Juan María Medina Ayllón. Veja mais aqui & aqui.

TRES POEMAS DE PUSHKIN
AMEI-TE... Amei-te – e pode ainda ser que parte / do amor esteja viva na minha alma. / Mas isto, pois em nada hei de magoar-te, / não deve mais tirar a tua calma. / Sem esperança e mudo em meu quebranto, / morto de ciúme e timidez também, / eu te amei tão sincero e terno quanto / permita Deus que te ame um outro alguém.
POEMA: Se um dia esta vida te desiludir, / Não fiques triste ou aborrecida! / Num dia sombrio, resigna-te: / Tem confiança, dias melhores virão. / O coração vive no futuro; então; / E se a sombra invade o presente: / Tudo é efémero, tudo passará; / E o que passou torna-se, então saudoso.
MADONA: Eu nunca quis decorar minha morada média / Com linhas e filas de fotos finas e célebres, / Tirar dos convidados alguns reclusos aduladores e supersticiosos, / Atender como visões inteligentes dos especialistas têm fluído. / Não, no canto simples onde meu trabalho é feito, / Eu só queria, mas uma testemunha pintada / E apenas um: a partir dos céus, da lona, / A Virgem pura, apresentando seu amado Filho / Majestosa, ela e ele com sabedoria em seus olhos - / Há calmamente assistir em glória, sob um céu radiante, / Sozinho em Sião, sem anjos presentes. / Eles são o suficiente para mim. Madonna, você foi / Revelado para mim pela doce / Transcendência de Deus Todo Poderoso, / O modelo mais puro, da mais pura alegria da rainha. / Não há muitas pinturas de mestres antigos / Eu sempre quis decorar minha morada / De modo que o visitante se maravilhou com eles supersticiosamente, / Ouvindo o importante julgamento dos conhecedores. / Em um simples canto meu, em meio a um trabalho lento,/ Uma foto que eu queria ser para sempre uma espectadora / Um: para mim da tela, como nuvens, / Nosso Abençoado e Nosso Divino Salvador - / Ela é com grandeza, ele é com razão em seus olhos - / Eles pareciam mansos, na glória e nos raios, / Sozinho, sem anjos, sob a palma de Sião. / Meus desejos se tornaram realidade. Criador / Ele te enviou para mim, minha Madona, / O mais puro encanta a mais pura amostra.
Poemas do poeta, dramaturgo e fundador da moderna literatura russa Alexander Pushkin (1799-1837), dedicado à sua amada Natalie – Natalia Nikolayena Pushkina-Lanskaya (1812-1863). Veja mais aqui, aqui & aqui.

A OBRA DE CORA CORALINA
Poeta não é somente o que escreve. É aquele que sente a poesia, se extasia sensível ao achado de uma rima à autenticidade de um verso.
A obra da poeta Cora Coralina (1889-1985) aqui, aqui, aqui & aqui.


domingo, março 08, 2015

SAFO, ANDRÔMACA, BLAVATSKY, SAGER, PLATH, KHÜNER, MARIA BONITA, ESQUIVEL & MULHERES NO MUNDO!!!!


CRÔNICA DE AMOR POR ELA – Tudo começou quando por volta de 1998 escrevi o poema em prosa Crônica de amor por ela, para um dos números do tabloide Nascente – Publicação Lítero-Cultural, que editei entre os anos 1997/1999. Em 2002, surgiu a ideia de criar o blog com o nome do poema. E, partir daí, no período compreendido entre 2002/2008, escrevi o livro (disponível apenas sob encomenda em edição limitada e capa dura), que foi transformado em show em 2010. Ao mesmo tempo, ao longo desses anos, realizei uma pesquisa, publicando o resultado disso no blog. Foi, então, que veio a ideia da Trajetória da Mulher na Humanidade e, junto, a campanha Todo Dia é Dia da Mulher, que ganhou a adesão da querida poeta e radialista Meimei Corrêa e incorporada ao Projeto MCLAM. Veja detalhes aqui, aqui e aqui.

Imagem do pintor espanhol Antonio Maria Esquivel (1806-1857)

Ouvindo Sager sometimes late at night (1981) da compositora estadunidense Carole Bayer Sager.

A POESIA DA ILHA DE LESBOS – Imagem: Safo, do artista plástico italiano Andrea Gastaldi (1826 –1889). - A poeta grega Safo (séc. VII-VI aC), considerada a décima musa pelo respeito que sempre lhe dedicaram é autora desse poema O amor: O Amor agita meu espírito / como se fosse um vendaval / a desabar sobre os carvalhos. Também dela esse poema Ciúme: Parece-me igual aos deuses / o homem que, diante de ti e próximo, / escuta a tua doce voz e o teu / riso amorável. Isso faz-me / tumultuar o coração no peito. Na verdade,/ basta-me ver-te para que / a voz me falte, a língua / se me fenda e um repentino / fogo subtil alastre / sob a minha pele, os olhos / se me escureçam, os ouvidos / me zumbam, o suor / me inunde, um arrepio / me percorra toda. Fico / mais verde do que a erva. Sinto / que vou morrer. / Mas tudo é suportável, desde que humilde. Mais dois dos seus poemas traduzidos por Haroldo de Campos: 1 - Em torno a Silene esplêndida / os astros / recolhem sua forma lúcida / quando plena ela mais resplende / alta / argêntea / 2 - morto o doce Adônis / e agora, / Citereia, / que nos resta? / lacerai os seios, / donzelas, / dilacerais as túnicas. Veja mais aqui e aqui.

ANDRÔMACA & AS TROIANAS – Imagem: Andrómaca, por José Vilches, 1853. Paseo de Recoletos. Madrid - Na peça As troianas (W. M. Jackson Inc, 1950), do poeta trágico e um dos três maiores expoentes da tragédia grega clássica Eurípedes (480aC-406aC), encontro a personagem Andrômaca. A trama mostra o destino das mulheres que estão sevadas para a Grécia como amantes ou escravas após o famoso estratagema do cavalo de Troia, invadindo e tomando a cidade e seus guerreiros, mortos ou aprisionados. Hécuba, a ex-rainha, já na velhice se verá escrava; Cassandra, tomada pelo chefe Agamenon, tem o dom da profecia e sabe que, ao chegarem a sua terra, serão ambos assassinados; Andrômaca, viúva de Heitor, guerreiro-mor de Troia, se tornará mulher de Neoptólemo, filho de Aquiles. É dela a fala a seguir: Todos os bens imagináveis que dão valor à mulher eu me empenhava em praticar no lar de Heitor. De inicio, há lugares que uma esposa, embora procedendo bem, só por frequentar merece a acusação de não se dedicar à casa. Longe de procurar lugares deste topo, eu ficava no lar e tinha mil cuidados para impedir que transpusesse suas portas a vil maledicência própria das mulheres. [...] Uma boca silenciosa e um rosto sempre sereno eis o que eu oferecia a meu esposo. Eu tinha a intuição de que quando me era licito vencê-lo, ou, ao contrário, ceder-lhe a vitória. Assim a fama de meu nome chegou aos aqueus em seu acampamento. E isto me perdeu. Quando me capturaram o filho de Aquiles mandou buscar-me para sua companheira. Serei serva até morrer na própria casa dos assassinos de meus entes queridos. Quando mal posso, por momentos, afastar do pensamento a imagem querida de Heitor como conseguirá abrir o coração ao esposo de hoje sem me sentir covarde e traidora do esposo morto? Mas se guardo intacto o amor que lhe dedicava provocarei a ira do homem que hoje me tem. Dizem que a aversão de uma mulher por outro homem em uma noite pode desfazer-se. Mas abominada para sempre deve ser a que, infiel a seu primeiro esposo, aceita um outro homem e lhe dedica amor! Veja mais aqui.

O ESPELHO EM QUE OS ROSTOS SE DIVIDEM – No livro Feminino/Masculino no imaginário de diferentes épocas (Bertrand Brasil, 1998), organizado pela socióloga Eloá Jacobina e pela escritora, dramaturga e pesquisadora Maria Helena Khüner. E desta última, no volume se encontra o texto O espelho em que os rostos se dividem, o qual destaco o trecho: [...] Ora, nela vê deusas doadoras, protetoras e propiciadoras, como as divindades que representam a terra fecunda e as águas fertilizantes, Cibele, Deméter, Rea, Gê, Isis, Miriam, Maya, Shing-Moo, todas as faces de Aditi, a Grande Mãe (dos Vedas) e ligadas aos simbolismos do leite, dos pomos, dos alimentos terrestres. Mas logo surge sob forma de deusas maléficas, pressionantes, dominadoras, Eríneas, Parcas, Moiras, Harpas, que o ameaçam com o extermínio ou a possível involução em seu corpo de água e terra (os frequentes mitos de engolimento). E essa natureza cifrada, misteriosa, desafia o ser humano com seus enigmas: decifra-me ou te devoro, lhe diz a Esfinge. A Esfinge – atente-se para sua imagem, já que é significativa – tem rosto de mulher, corpo de leão e asas de águia. Diante dela, sem saber como se situar/responder, ele tem medo de ser vitima da ilusão: pois iludir (iludere < in-ludere) pode ser um jogo, uma brincadeira, artimanha lúdica com que ela envolve o pequeno homem para torna-lo joguete seu; jogo, portanto, capaz de prejudicar ou danificar – sentido segundo que o próprio termo adquire. Veja mais aqui.

ÍSIS SEM VÉUS – A obra composta de quatro volumes Isis sem véus (Isis Unveiled: A Master-Key to the Mysteries of Ancient and Modern Science and Theology, 1877), da escritora e ocultista russa Elena Petrovna Blavatskaya, mais conhecida como Helena Blavatsky ou Madame Blavatsky (1931-1891), é uma coleção de filosofia esotérica inserido no seu movimento teosófico, tratando da natureza, filosofia oculta, filosofia perene, neoplatonismo emancipacionista cosmológico, forças elementais, fenômenos psíquicos, o homem interior e exterior, teologia, a prisca teologia, religião-sabedoria, filosofia hermética, a escritura cristã e as religiões orientais, o budismo, o hinduísmo, os Vedas, o Zoroastrismo, infalibilidade da ciência moderna, ciência oculta, forças ocultas e desconhecidas, as teorias de Darwin, entre outros interessantíssimos assuntos. Da obra destaco esse fragmento: Fiz apenas um ramalhete de flores do Oriente, e não acrescentei nada meu senão o laço que as amarra. Algum dos meus amigos poderá dizer que não paguei todo o preço por esse laço? Veja mais aqui, aqui e aqui.

QUARENTA GRAUS DE FEBRE – A poeta estadunidense Sylvia Plath (1932-1963) reúne em seus poemas a dor e a morte, imagística tensa, contida e simbólica, culminando com o encantamento. Ela é autora das obras poéticas The Colossus (1962) e Ariel (1965), e do romance autobiográfico A redoma de Vidro, com o pseudônimo Victoria Lucas. Destaco o seu Quarenta graus de febre, recolhida da antologia Quigumbo (Escrita, 1980): Pura? Que vem a ser isso? / As línguas do inferno / São baças, baças como as tríplices / Línguas do apático, gordo Cérbero / Que arqueja junto à entrada. Incapaz / De lamber limpamente / O febril tendão, o pecado, o pecado. / Crepita a chama. / O indelével aroma / De espevitada vela! / Amor, amor, escassa a fumaça / Rola de mim como a echarpe de Isadora, e temo / Que uma das bandas venha a prender-se na roda. / A amarela e morosa fumaça / Faz o seu próprio elemento. Não irá alto / Mas rolará em redor do globo / A asfixiar o idoso e o humilde, / O frágil / E delicado bebê no seu berço, / A lívida orquídea / Suspensa do seu jardim suspenso no ar, / Diabólico leopardo! / A radiação faz que ela embranqueça / E a extingue em uma hora. / Engordurar os corpos dos adúlteros / Tal qual as cinzas de Hiroshima e corroê-los. / O pecado. O pecado. / Querido, a noite inteira / Eu passei oscilando, morta, viva, morta, viva. / Os lençóis opressivos como beijos de um devasso. / Três dias. Três noites. / água de limão, canja / Aguada, enjoa-me. / Sou por demais pura para ti ou para alguém. / Teu corpo / Magoa-me como o mundo magoa Deus. Sou uma lanterna - / Minha cabeça uma lua / De papel japonês, minha pele de ouro laminado / Infinitamente delicada e infinitamente dispendiosa. / Não te assombra meu coração. E minha luz. / Eu sou, toda eu, uma enorme camélia / Esbraseada e a ir e vir, em rubros jorros. / Creio que vou subir, / Creio que posso ir bem alto - / As contas de metal ardente voam, e eu, amor, eu / Sou uma virgem pura / De acetileno / Acompanhada de rosas, / De beijos, de querubins, / Do que venham a ser essas coisas rosadas. / Não tu, nem ele / Não ele, nem ele / (Eu toda a dissolver-me, anágua de puta velha) - / Ao Paraíso. Veja mais aqui, aqui e aqui.

MULHERES NO MUNDO - O trabalho desenvolvido pela querida poeta e radialista Meimei Corrêa, no seu blog Baú de Ilusões: o amor leva à vida, envolve desde a sua produção literária e de difusão geral, como também a articulação de sua laboriosa atividade profissional com a sua dedicação pela busca do entendimento do papel da mulher na sociedade. Fruto disso é o seu trabalho de pesquisa e de divulgação acerca da temática Mulheres no Mundo que se encontra ligado ao desenvolvimento da campanha Todo dia é dia da mulher. Confira detalhes aqui.

MARIA BONITA & BAILE PERFUMADO – A baiana Maria Bonita (Maria Gomes de Oliveira – 1911-1938), foi a primeira mulher cangaceira, companheira de Virgulino Ferreira da Silva – o Lampião, o Rei do Cangaço -, ambos assassinados na emboscada da Grota de Angicos, em Poço Redondo, Sergipe. Há uma considerável literatura tratando sobre o casal, merecendo, porém, destaque para o filme Baile Perfumado (1996), dirigido por Lirio Ferreira e Paulo Caldas, no qual a atriz Zuleica interpreta Maria Bonita. O filme narra a história do envolvimento do mascate libanês Benjamin Abrahão com o bando de Lampião no sertão brasileiro. Imperdível. Veja mais aqui.



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De heróis, mitos & o escambau, Alphonse Eugène Felix Lecadre & Aldemir Martins aqui.

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Literatura Infantil, Tiquê, Leviatã & Thomas Hobbes, Constantin Stanislavski, Hermann Hesse, Lee Ritenour, Krzysztof Kieslowski, Jean-Honoré Fragonard, Juliette Binoche, Bette Davis & Alexey Tarasovich Markov aqui.
Simone Weil, Simone de Beauvoir, Emma Goldman, Clara Lemlich, Alexandra Kollontai, Clara Zetkin & Tereza Costa Rego aqui.
Pablo Picasso, Fernanda Seno, Karl Jaspers, Händel, Tom Wesselmann, Eva Green, Demi Moore & Soninha Porto aqui.
Cecília Meireles, Jean-Luc Godard, Psicologia & Consciência & Pedrinho Guareschi, Pablo Milanés, Bertha Lutz & Sufrágio Feminino, Juliette Binoche e Myriem Roussel, Johan Christian Dahl, Costinha & Programa Tataritaritatá aqui.
Murilo Mendes, Renoir, George Harrison, António Damásio, Benedetto Croce, Bigas Luna, Mathilda May & Joyce Cavalccante aqui.
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Errâncias de quem ama, promessas da paixão, Richard Strauss & Leonie Rysanek, A lenda Bororo de origem das estrelas, Sonia Ebling de Kermoal & Dorothy Lafriner Bucket aqui.
A ponte entre quem ama e a plenitude do amor, Murilo Rubião, Anneke van Giersbergen, Wäinö Aaltonen, Eduardo Kobra, Ramón Casas, Manuel Colombo & Fátima Jambo aqui.
Legalidade sob suspeita, Anna Moffo, Viola Spolin, Reisha Perlmutter, Floriano de Araújo Teixeira & Moína Lima aqui.
Os seus versos, danças & cantos do cacrequin, Jasmine Guy, Renata Domagalska, Lívia Perez, Luciah Lopez & Vera Lúcia Regina aqui.
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CRÔNICA DE AMOR POR ELA
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CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
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