Mostrando postagens com marcador Sylvia Plath.. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Sylvia Plath.. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, outubro 25, 2023

DELMIRA AGUSTINI, ELIF SHAFAK, MASUD KHAN, GINÁSIO MUNICIPAL & PINTANDO NA PRAÇA

 

 Imagem: Acervo ArtLAM.

Tudo é inspiração, tudo tem som, cor e ritmo.

Ao som dos álbuns Attraction (1995), Night Train (Munich, 2002), Come Escape with Me (Munich, 2005), September Suite (Munich, 2005), Sketches (Munich, 2010), Twelve (In+Out, 2012), Blue Whisper (In+Out, 2015), Road to the Sun (AmFi, 2018) e Persistence (AmFi, 2020), da pianista Azerbaijani, Amina Figarova.

 

TANTO MELHOR SERÁ QUANTO MAIS OU MENOS – Para quem pelas lonjuras e latitudes abissais, tanto faz se perto ou não na direção das ventas, cipoadas de todo jeito: quem da carne à pedra bruta cant&verso noitedia luz&ar fosse a vez da voz. Reviravoltas, ah, é da vida, o que vai volta e depois se não entorta sobram as carpideiras com seus olhares indigentes sobre o sangue derramado: o imortal partiu desta para não sei qual. Quantas vezes minha cabeça rolando pelas escadarias, escondia o medo mesmo que tivesse tomado de pânico do mundo no maior pavor! Talvez hesitações, talvez: quem não cometeu um grave erro por não ter escolha, nem era possível predizer. Fiz o melhor que pude, sabia, ainda era pouco, carga pesada demais por castigo. Eis o desejo entrando pela porta com Clarice Lispector: As coisas obedecem ao sopro vital. Nasce-se para fruir. E fruir já é nascer... de repente as coisas não precisam fazer sentido. Satisfaço-me em ser... E sou como se o pudor fugisse pela janela, como quem livrasse o raio num seixo abrigo, outro seria triz e vento: como quem morresse para ressuscitar outro no mesmo instante, nem queria que me vissem assim, porque já Denise Levertov ao ouvido: Gosto de encontrar o que não se encontra imediatamente, mas está dentro de algo de outra natureza, em repouso, distinto...Quem diria não ao ódio e o amor fizesse festa das entranhas e estrelas sorrissem o prêmio da vida. Quem não Sylvia Plath: Ninguém no caminho, e nada, nada a não ser amoras... Talvez quando nos encontramos querendo tudo, é porque estamos perigosamente perto de não querer nada... Tanto melhor se bem soubesse o que de mais fosse ao menos real: o filho vale impressão de pai ou não. E era Nêmesis nua e com derrisão na janela da insônia... Suas mãos cheiravam a saudade e inventavam fragrâncias agradáveis. Sabia da excentricidade da paixão, ladra de corações e o seu revide escarlate: quem da mão promove aceno pra de si compartilhar caminhos. Também tinha a minha história de sobrevivência, segui o curso e transbordei, coração saindo pela boca cheia de palavras sem ter onde despejar e sucumbindo ao inexorável - apenas tentei trilhar meu próprio destino e me reconciliar comigo mesmo. Talvez o mundo não seja o inferno que se vê e vive, talvez. Até mais ver.

 

DOIS POEMAS

Imagem: Acervo ArtLAM.

O NÓ: O idílio deles era um longo sorriso de quatro lábios... \ No colo quente da loira primaveril \ Eles se amavam tanto que entre seus dedos sábios \ A forma divina da Quimera pulsou. \ Nos palácios luminosos das tardes calmas \ Eles falavam uma língua que parecia chorar, \ E beijaram-se profundamente até morderem a alma!... \ As horas caíram como flores douradas, \ E o Destino interpôs suas duas mãos geladas... \ Ah! Os corpos cederam, mas as almas trançaram \ Eles são o nó mais intricado que já existiu... \ Em luta com suas loucas complicações sobre-humanas \ As Fúrias da vida quebraram suas mãos \ E Ananké cansou seus dedos supremos...

TUA BOCA: Eu estava fazendo um trabalho divino, na rocha \ Crescente do Orgulho. \ Da vida distante, \ Alguma pétala vívida voou para mim pela manhã, \ Alguns beijos durante a noite. \ Tenaz como um louco, \ Minha obra divina na rocha secou. \ Quando sua voz derrete como um sino sagrado \ Na nota celestial a vibração humana, \ Ele estendeu seu laço dourado até a borda da sua boca; \ — Maravilhoso ninho de vertigens, sua boca! \ Duas pétalas de rosa fechando um abismo…\ — Trabalho, trabalho de glória, doloroso e leve; \ Tecido onde meu espírito se tramava! \Você permanece na orgulhosa cabeça da rocha, \ E eu caio, sem fim, no abismo sangrento!

Poemas da poeta uruguaia Delmira Agustini (1886-1914), Veja mais aqui.

 

AS QUARENTAS REGRAS DO AMOR – [...] Tente não resistir às mudanças que surgem em seu caminho. Em vez disso, deixe a vida viver através de você. E não se preocupe, pois sua vida está virando de cabeça para baixo. Como você sabe que o lado que você está acostumado é melhor do que o que está por vir? [...] O passado é um redemoinho. Se você permitir que ele domine o seu momento presente, ele o absorverá. O tempo é apenas uma ilusão. O que você precisa é viver este exato momento. Isso é tudo que importa. [...] Coisas que podem parecer maliciosas ou infelizes são muitas vezes uma bênção disfarçada, enquanto coisas que podem parecer desagradáveis podem ser prejudiciais a longo prazo. [...]. Trechos extraídos da obra The Forty Rules of Love (Penguin, 2015), da escritora turca Elif Shafak.

 

A EXPERIÊNCIA DOS SONHOS – [...] Sei o que é o domingo para um homem pobre que trabalha. Sei, principalmente, o que é a noite do domingo e se pudesse dar um sentido e uma figura àquilo que sei, poderia fazer de um domingo pobre uma obra de humanidade. [...]. Trecho extraído da obra De l’Expérience du Rêve à la Réalité Psychique - Le Soi Cachê (Gallimard, 1976), do psicanalista paquistanês Masud Khan (1924–1989).

 

GINÁSIO MUNICIPAL

[...] Aos 75 anos da História do Ginásio Municipal, recheada de eventos, a marca que criou para a educação palmarense o torna maior do que é pela capacidade de sempre abrir suas portas e janelas a quem sempre desejou aprender [...].

Trecho extraído da obra História do Ginásio Municipal de Palmares (Rascunhos, 2023), do professor e escritor Marcondes Calazans. Veja mais aqui, aqui e aqui.

&

Pintando na Praça

No próximo dia 28 de outubro, a partir das 9h, acontecerá na Praça Paulo Paranhos, centro de Palmares, mais uma edição do projeto Pintando na Praça, uma realização Instituto de Belas Artes Vale do Una (IbaValeUna), que é uma associação de caráter social, educacional, artístico e cultural, presidido pelo poeta e artista plástico Paulo Profeta, e é realizada anualmente desde 2010, tendo por objetivos principais o de formação e capacitação de artistas e arte-educadoras nas áreas de artes visuais, animação e empreendedorismo cultural; promoção da cultura, defesa e conservação do patrimônio histórico e artístico, entre outros. O projeto além de Palmares também já contemplou diversos municípios pernambucanos, não só contando com atividades e exposições de artistas pernambucanos de renome nacional, como revelando artistas locais e da região Mata Sul de Pernambuco, entre outras regiões do estado. A instituição ainda desenvolve atividades na Escola de Belas Artes Vale do Una, dispondo de cursos e oficinas de Pintura Artística I, Desenho Artístico I, Modelagem Tridimensional em Argila, Técnica de Modelagem, Encadernação Artesanal, Serigrafia Artística através de Técnicas Artesanais, Técnica de Marcheteria com Folheado e Produtos de Resina em Poliéster, como também exposições oriundas do BarroFino, com peças artesanais em barro, entre outras atividades. SERVIÇO: Evento: Pintando na Praça em Palmares. Data & horário: 28/10, a partir das 9h. Onde: Praça Paulo Paranhos – Palmares – PE Contato: (81) 98853-0231. Veja mais aqui, aqui e aqui.

 

POESIA VITAL ABSOLUTA

Lançado recentemente durante a segunda da edição da Feira de Livros & Artes dos Palmares (FLIARP), o livro Poesia Vital Absoluta (CriaArt, 2023) já está disponível para os interessados. Veja mais aqui, aqui e aqui.

 



sexta-feira, setembro 23, 2016

SYLVIA PLATH, NIETZSCHE, BOURDIEU, COEUR DE PIRATE, CECI MISOCZKY, LUCIAH & GRAVIDEZ NA ADOLESCÊNCIA


INEDITORIAL: QUE COISA! QUANDO EU IA, TODOS JÁ VOLTAVAM - Olá, gentamiga do meu Brasilzão do Fecamepa! Vez ou outra eu me vejo um verdadeiro Fabo: ou erro o caminho, ou chego atrasado. Nada não, aprendo com isso. Meus erros todos são aprendizagens e adoro aprender. Cada dia uma coisa nova, por isso de tédio sei que não morro. Com a primavera sopram bons ventos e eu pego carona na primeira brisa solfejando as canções do álbum de Beto Guedes. E como hoje é o Dia Internacional contra a exploração sexual e o tráfico de mulheres e crianças, nada demais apelar pro bom senso e pra consciência e reconhecimento de cada ser humano com relação aos direitos e deveres de cada um. Ter direito não é ter privilégios, é ter deveres a cumprir para que assim possa ser respeitado no mesmo tanto. Ou, trocando em miúdos, vamos respeitar para que sejamos respeitados. Não importa a orientação sexual, cada qual sua escolha. Basta ter caráter, ser ético. A vida é pra viver; e quando dá, como naquela do deixe que falem, eu não estou fazendo nada, você também, que tal bater um papo, chupar um sorvete e jogar conversa fora. O indigesto é ver pose de santinho naquele que esconde suas vilezas: traidores, golpistas, covardes, vendidos. Deus que nos livre, mas saiba: eles rondam por todo canto, pestilências das brabas, estão por toda parte. Prest’enção! Olho vivo! Não se pode cochilar demais. Escapando por ali e acolá, vamos sempre juntos! Mudando de assunto que esse papo é chato demais, vamos pras novidades: hoje a croniqueta é O Feitiço do Amor, o tema em destaque é a gravidez precoce com um texto da assistente social Laura Maria Pedrosa de Almeida, as estruturas sociais da economia do sociólogo Pierre Bourdieu, os diários de Sylvia Plath, as redes e os movimentos sociais da professora Maria Ceci Misoczky, mais um trecho da gaia ciência de Nietzsche, o poema e arte de Luciah Lopez, a música da canadense Coeur de Pirate e as manifestações solidárias pela Paz na Terra. Se aprocheguem & boa viagem. Procês meu beijabração com Ikebana Sanguetsu. No mais, vamos aprumar a conversa & Tataritaritatá. Veja mais aqui.

Veja mais sobre Nênia de Abril, Hanif Kureishi, Paul Valéry, Jacob Levy Moreno, John Coltrane, Augusto de Campos, Joana Fomm, Tamara Karsavina, Projeto Escola de Arte Cidadã, Carl-Henning Pedersen, Literatura Infantil & Neurociência e educação aqui.

E mais:
Sulamita, minha filha & as previsões do Doro aqui.
Goethe, Mestre Eckhart, Lúcio Cardoso, Nelson Rodrigues, Myriam Taubkin, Leonardo Mota, Chen Kaige, Gong Li, Spencer John Derry & Quem tem cu tem medo aqui.
Fecamepa à República aqui.
Elvira, a debutante do coronel, Agostino Carracci, Ísis Nefelibata & as previsões do Doro aqui.
O amor mais que de repente, Cristina Kolikoviski, Agostino Carracci, Sasha Alexander & as previsões de Doro aqui.

DESTAQUE: GRAVIDEZ NA ADOLESCÊNCIA
A importância da família no contexto da vida social – explicitada no texto constitucional e em diversas legislações específicas – não garante a proteção integral necessária a crianças e adolescentes, sobretudo àqueles que pertencem a famílias pauperizadas. Maus tratos, negligência, abandono, desagregação familiar, violência/abuso sexual são, dentre outras, situações que afetam as crianças e os adolescentes, concorrendo para o surgimento de problemas relativos ao desenvolvimento da sexualidade, à baixa escolaridade, à gravidez precoce. Com a mudança no comportamento reprodutivo das mulheres brasileiras, houve um aumento da participação de mulheres mais jovens no padrão de fecundidade do país, ampliando a proporção de crianças e adolescentes que se tornam mães numa faixa etária que varia dos 10 aos 17 anos. A gravidez precoce, como um fator que vulnerabiliza as mulheres, é muitas vezes indesejada, seja por inexperiência, falta de informação, seja por negligência da família ou por violência sexual, o que envolve abuso e exploração. [...] Considerando as dificuldades/necessidades pelas quais passa esse grupo etário, o que se vê na sociedade são crianças e adolescentes de todas as classes sociais, particularmente as de classe pobre, com pouco acesso a direitos básicos e sem condição de satisfação plena de suas necessidades.
Trecho extraído do estudo Vulnerabilidade social (Desenvolvimento Humano no Recife – Atlas Municipal, 2003), da assistente social Laura Maria Pedrosa de Almeida. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.

O FEITIÇO DO AMOR - (Imagem: arte da poeta, artista visual e blogueira Luciah Lopez) – Vivo e voo no meio do redemoinho de todos os tráfegos com suas sirenes e roncos de guerra no trânsito louco, vida solta quase louca, o desolamento nas calçadas das ruas e avenidas com serventia apenas pra se perder qualquer ponto cardeal e à deriva das circunstâncias, sem prumo ou sinal e sua mão fraterna me salva de ser devorado pela diabólica indiferença dos solipsismos mais agudos de umbigos presunçosos que não estão nem aí para o que não for de si, nem se dignam a descer do pedestal dos seus saltos altos, invulneráveis de tudo, alheios e sombrios. E as suas mãos amoráveis irrompem quase do nada nesse cenário para salvar minha pele da loucura e da morte instantânea de todos os sentimentos, pra me espraiar com zis emoções além do meu fôlego quase vencido e renascer das cinzas. Filantropa de nascença suas mãos me agasalham no seu Sol emergente rasgando as nuvens nos seios em plenilúnio para me guardar do desamparo na sua pele índia caingang a me recolher caeté fugidio, sobrevivente náufrago levado pelas correntezas do mundo agora na sua cachoeira benfazeja, para que possa provar do mais intenso feitiço do amor. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui & aqui.

UMA MÚSICA
Curtindo o álbum Roses (Darc to Care Records, 2015), da pianista, cantora e compositora canadense Coeur de Pirate (Béatrice Martin).

PESQUISA: AS ESTRUTURAS SOCIAIS DA ECONOMIA - [...] Aqueles que, para escapar à representação do agente econômico como mônada egoísta encerrada na busca estreita de seu interesse e como ator atomizado tomando decisões fora de qualquer pressão social, recordam, como o faz Mark Granovetter, que a ação econômica segue imnersa em redes de relações sociais que geram confiança e desalentam as ações nocivas, só se separam do individualismo metodológico para cair na visão interacionista que, ignorante da coação estrutural do campo, não querem (ou não podem) conhecer mais que o efeito da previsão consciente e calculada que, presumivelmente, cada agente faz sobre os efeitos de sua ação sobre os outros agentes [...] ou o efeito, pensado como influencia, que as redes sociais, os outros agentes ou normas sociais supostamente exercem sobre ele. Outras tantas soluções que, ao suprimir todos os efeitos da estrutura e todas as relações objetivas de poder, equivalem a propor uma falsa superação da alternativa, também falsa entre o individualismo e o holismo. Não se trata de negar a eficiência das redes (ou melhor, do capital social) no funcionamento do campo econômico; o certo é que as práticas econômicas dos agentes, e o poder mesmo das redes nas quais toma parte e onde faz sentido uma noção rigorosamente definida de capital social, dependem antes de tudo da posição que estes agentes ocupam nos microcosmos estruturados que são os campos econômicos. [...]. Trecho extraído da obra As estruturas sociais da economia (Instituto Piaget, 2001), do sociólogo francês Pierre Bourdieu (1930-2002), tratando sobre a lógica do mercado, as relações objetivas, a constituição dos campos de forças, a homologia de posições, a estruturação da demanda, os esquemas de percepção e apreciação sociais, a política da habitação, a crítica ao interacionismo e análise do discurso como sintoma do real criticando a fenomenologia e o hiperempiricismo, a miséria da pequena burguesia e explicitando os princípios de uma antropologia econômica, entre outros. Veja mais aqui e aqui.

UM LIVRO, UMA LEITURA:
[...] Com quem posso conversar? Pedir desenhos? Ninguém. Um psiquiatra é o Deus da nossa era. Mas custa dinheiro. E não aceitarei conselhos, mesmo querendo. Vou me matar. Estou além da ajuda. Ninguém aqui tem tempo para indagar, para me ajudar a compreender minha mente... tantos estão em pior situação que eu. [...].
Trecho da obra Os diários de Sylvia Plath 1950-1962 (Globo, 2003), da poeta estadunidense Sylvia Plath (1932-1963), reunindo anotações do cotidiano com impressões poético-filos[ofica e que compreendem os registros da sua vida adulta, ano em que se preparava para deixar a casa da mãe para ir pra faculdade, para exercer as profissões de professora e escritora. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.

PENSAMENTO DO DIA: REDES & MOVIMENTOS SOCIAIS - [...] A recorrência do uso da expressão rede pelos ativistas de movimentos sociais indica que ela veio para ficar. Por isso é importante libertá-la das amarras de modelos que decalcam e, portanto, só permitem ver o que é idêntico à forma preconcebida. Formas estas [...] que são utilitaristas, racionalistas, empiricistas, despolitizadoras, aprisionadas na estrutura e fechadas ao inesperado, encobridoras das relações de poder e das artimanhas do seu exercício; legitimadoras da ordem estabelecida. Um caminho para a libertação da noção de redes é, portanto, o retorno à metáfora, recurso discursivo que possibilita a revelação de multiplicidades, deslocamentos e rupturas. [...] para que a noção de redes possa ser usada de modo coerente quando os objetos de estudos forem movimentos sociais de contestação à reprodução dos ordenamentos do sistema do capital é preciso que ela própria seja libertada das amarras das abordagens teóricas produzidas por esses mesmos ordenamentos e para sua perpetuação. Portanto, não se trata de abandonar seu uso, mas de fazê-lo de modo crítico do senso comum em que o modismo atual a transformou, libertando-a para que não se transforme em obstáculo á experimentação no pensamento e na ação. Trecho do artigo Abordagem de redes no estudo dos movimentos sociais: entre o modelo e a metáfora (Revista de Administração Pública, 2009), da professora da UFRGS e coordenadora do Grupo de Pesquisa Organização e Práxis Libertadora, Maria Ceci Misoczky.

A GAIA CIÊNCIA
[...] sou subitamente acordado em meio a esse sonho, mas somente para a consciência de que estou sonhando e de que tenho de continuar sonhando, para não sucumbir: assim como o sonâmbulo tem de continuar sonhando para não desabar. [...].
A consciência da aparência, trecho extraído do Livro I, da obra A gaia ciência (Companhia das Letras, 2012), do filósofo alemão Friedrich Nietzsche (1844-1900). Veja mais aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Ah, meu coração avuadô me leva, seja pronde fô. Não quero mais sofrê desse mal que é sofrê o mal de amô. Meu coração melindroso me tira dessa agunia, me vira riso me faz fantasia quero sê alegria nesse amô gostoso. Ah, meu coração avuadô mimpresta suas asas me leva no céu azul me faz frô me faz criar raiz me faiz pousá no teu oiar de amô. Meu coração sonhado chega, de tanta sofrência num quero mais essa carência quero as tua mãos e toda paciência  quero pra sempre sê o teu amô. Só o teu amô... Só o teu amô...
Coração avuadô (Cantiguinha para Odur), poema/imagem/foto da poeta, artista visual e blogueira Luciah Lopez
Veja mais aqui, aqui e aqui.

CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Paz na Terra!
Recital Musical Tataritaritatá - Fanpage.
Veja  aqui e aqui.



domingo, março 08, 2015

SAFO, ANDRÔMACA, BLAVATSKY, SAGER, PLATH, KHÜNER, MARIA BONITA, ESQUIVEL & MULHERES NO MUNDO!!!!


CRÔNICA DE AMOR POR ELA – Tudo começou quando por volta de 1998 escrevi o poema em prosa Crônica de amor por ela, para um dos números do tabloide Nascente – Publicação Lítero-Cultural, que editei entre os anos 1997/1999. Em 2002, surgiu a ideia de criar o blog com o nome do poema. E, partir daí, no período compreendido entre 2002/2008, escrevi o livro (disponível apenas sob encomenda em edição limitada e capa dura), que foi transformado em show em 2010. Ao mesmo tempo, ao longo desses anos, realizei uma pesquisa, publicando o resultado disso no blog. Foi, então, que veio a ideia da Trajetória da Mulher na Humanidade e, junto, a campanha Todo Dia é Dia da Mulher, que ganhou a adesão da querida poeta e radialista Meimei Corrêa e incorporada ao Projeto MCLAM. Veja detalhes aqui, aqui e aqui.

Imagem do pintor espanhol Antonio Maria Esquivel (1806-1857)

Ouvindo Sager sometimes late at night (1981) da compositora estadunidense Carole Bayer Sager.

A POESIA DA ILHA DE LESBOS – Imagem: Safo, do artista plástico italiano Andrea Gastaldi (1826 –1889). - A poeta grega Safo (séc. VII-VI aC), considerada a décima musa pelo respeito que sempre lhe dedicaram é autora desse poema O amor: O Amor agita meu espírito / como se fosse um vendaval / a desabar sobre os carvalhos. Também dela esse poema Ciúme: Parece-me igual aos deuses / o homem que, diante de ti e próximo, / escuta a tua doce voz e o teu / riso amorável. Isso faz-me / tumultuar o coração no peito. Na verdade,/ basta-me ver-te para que / a voz me falte, a língua / se me fenda e um repentino / fogo subtil alastre / sob a minha pele, os olhos / se me escureçam, os ouvidos / me zumbam, o suor / me inunde, um arrepio / me percorra toda. Fico / mais verde do que a erva. Sinto / que vou morrer. / Mas tudo é suportável, desde que humilde. Mais dois dos seus poemas traduzidos por Haroldo de Campos: 1 - Em torno a Silene esplêndida / os astros / recolhem sua forma lúcida / quando plena ela mais resplende / alta / argêntea / 2 - morto o doce Adônis / e agora, / Citereia, / que nos resta? / lacerai os seios, / donzelas, / dilacerais as túnicas. Veja mais aqui e aqui.

ANDRÔMACA & AS TROIANAS – Imagem: Andrómaca, por José Vilches, 1853. Paseo de Recoletos. Madrid - Na peça As troianas (W. M. Jackson Inc, 1950), do poeta trágico e um dos três maiores expoentes da tragédia grega clássica Eurípedes (480aC-406aC), encontro a personagem Andrômaca. A trama mostra o destino das mulheres que estão sevadas para a Grécia como amantes ou escravas após o famoso estratagema do cavalo de Troia, invadindo e tomando a cidade e seus guerreiros, mortos ou aprisionados. Hécuba, a ex-rainha, já na velhice se verá escrava; Cassandra, tomada pelo chefe Agamenon, tem o dom da profecia e sabe que, ao chegarem a sua terra, serão ambos assassinados; Andrômaca, viúva de Heitor, guerreiro-mor de Troia, se tornará mulher de Neoptólemo, filho de Aquiles. É dela a fala a seguir: Todos os bens imagináveis que dão valor à mulher eu me empenhava em praticar no lar de Heitor. De inicio, há lugares que uma esposa, embora procedendo bem, só por frequentar merece a acusação de não se dedicar à casa. Longe de procurar lugares deste topo, eu ficava no lar e tinha mil cuidados para impedir que transpusesse suas portas a vil maledicência própria das mulheres. [...] Uma boca silenciosa e um rosto sempre sereno eis o que eu oferecia a meu esposo. Eu tinha a intuição de que quando me era licito vencê-lo, ou, ao contrário, ceder-lhe a vitória. Assim a fama de meu nome chegou aos aqueus em seu acampamento. E isto me perdeu. Quando me capturaram o filho de Aquiles mandou buscar-me para sua companheira. Serei serva até morrer na própria casa dos assassinos de meus entes queridos. Quando mal posso, por momentos, afastar do pensamento a imagem querida de Heitor como conseguirá abrir o coração ao esposo de hoje sem me sentir covarde e traidora do esposo morto? Mas se guardo intacto o amor que lhe dedicava provocarei a ira do homem que hoje me tem. Dizem que a aversão de uma mulher por outro homem em uma noite pode desfazer-se. Mas abominada para sempre deve ser a que, infiel a seu primeiro esposo, aceita um outro homem e lhe dedica amor! Veja mais aqui.

O ESPELHO EM QUE OS ROSTOS SE DIVIDEM – No livro Feminino/Masculino no imaginário de diferentes épocas (Bertrand Brasil, 1998), organizado pela socióloga Eloá Jacobina e pela escritora, dramaturga e pesquisadora Maria Helena Khüner. E desta última, no volume se encontra o texto O espelho em que os rostos se dividem, o qual destaco o trecho: [...] Ora, nela vê deusas doadoras, protetoras e propiciadoras, como as divindades que representam a terra fecunda e as águas fertilizantes, Cibele, Deméter, Rea, Gê, Isis, Miriam, Maya, Shing-Moo, todas as faces de Aditi, a Grande Mãe (dos Vedas) e ligadas aos simbolismos do leite, dos pomos, dos alimentos terrestres. Mas logo surge sob forma de deusas maléficas, pressionantes, dominadoras, Eríneas, Parcas, Moiras, Harpas, que o ameaçam com o extermínio ou a possível involução em seu corpo de água e terra (os frequentes mitos de engolimento). E essa natureza cifrada, misteriosa, desafia o ser humano com seus enigmas: decifra-me ou te devoro, lhe diz a Esfinge. A Esfinge – atente-se para sua imagem, já que é significativa – tem rosto de mulher, corpo de leão e asas de águia. Diante dela, sem saber como se situar/responder, ele tem medo de ser vitima da ilusão: pois iludir (iludere < in-ludere) pode ser um jogo, uma brincadeira, artimanha lúdica com que ela envolve o pequeno homem para torna-lo joguete seu; jogo, portanto, capaz de prejudicar ou danificar – sentido segundo que o próprio termo adquire. Veja mais aqui.

ÍSIS SEM VÉUS – A obra composta de quatro volumes Isis sem véus (Isis Unveiled: A Master-Key to the Mysteries of Ancient and Modern Science and Theology, 1877), da escritora e ocultista russa Elena Petrovna Blavatskaya, mais conhecida como Helena Blavatsky ou Madame Blavatsky (1931-1891), é uma coleção de filosofia esotérica inserido no seu movimento teosófico, tratando da natureza, filosofia oculta, filosofia perene, neoplatonismo emancipacionista cosmológico, forças elementais, fenômenos psíquicos, o homem interior e exterior, teologia, a prisca teologia, religião-sabedoria, filosofia hermética, a escritura cristã e as religiões orientais, o budismo, o hinduísmo, os Vedas, o Zoroastrismo, infalibilidade da ciência moderna, ciência oculta, forças ocultas e desconhecidas, as teorias de Darwin, entre outros interessantíssimos assuntos. Da obra destaco esse fragmento: Fiz apenas um ramalhete de flores do Oriente, e não acrescentei nada meu senão o laço que as amarra. Algum dos meus amigos poderá dizer que não paguei todo o preço por esse laço? Veja mais aqui, aqui e aqui.

QUARENTA GRAUS DE FEBRE – A poeta estadunidense Sylvia Plath (1932-1963) reúne em seus poemas a dor e a morte, imagística tensa, contida e simbólica, culminando com o encantamento. Ela é autora das obras poéticas The Colossus (1962) e Ariel (1965), e do romance autobiográfico A redoma de Vidro, com o pseudônimo Victoria Lucas. Destaco o seu Quarenta graus de febre, recolhida da antologia Quigumbo (Escrita, 1980): Pura? Que vem a ser isso? / As línguas do inferno / São baças, baças como as tríplices / Línguas do apático, gordo Cérbero / Que arqueja junto à entrada. Incapaz / De lamber limpamente / O febril tendão, o pecado, o pecado. / Crepita a chama. / O indelével aroma / De espevitada vela! / Amor, amor, escassa a fumaça / Rola de mim como a echarpe de Isadora, e temo / Que uma das bandas venha a prender-se na roda. / A amarela e morosa fumaça / Faz o seu próprio elemento. Não irá alto / Mas rolará em redor do globo / A asfixiar o idoso e o humilde, / O frágil / E delicado bebê no seu berço, / A lívida orquídea / Suspensa do seu jardim suspenso no ar, / Diabólico leopardo! / A radiação faz que ela embranqueça / E a extingue em uma hora. / Engordurar os corpos dos adúlteros / Tal qual as cinzas de Hiroshima e corroê-los. / O pecado. O pecado. / Querido, a noite inteira / Eu passei oscilando, morta, viva, morta, viva. / Os lençóis opressivos como beijos de um devasso. / Três dias. Três noites. / água de limão, canja / Aguada, enjoa-me. / Sou por demais pura para ti ou para alguém. / Teu corpo / Magoa-me como o mundo magoa Deus. Sou uma lanterna - / Minha cabeça uma lua / De papel japonês, minha pele de ouro laminado / Infinitamente delicada e infinitamente dispendiosa. / Não te assombra meu coração. E minha luz. / Eu sou, toda eu, uma enorme camélia / Esbraseada e a ir e vir, em rubros jorros. / Creio que vou subir, / Creio que posso ir bem alto - / As contas de metal ardente voam, e eu, amor, eu / Sou uma virgem pura / De acetileno / Acompanhada de rosas, / De beijos, de querubins, / Do que venham a ser essas coisas rosadas. / Não tu, nem ele / Não ele, nem ele / (Eu toda a dissolver-me, anágua de puta velha) - / Ao Paraíso. Veja mais aqui, aqui e aqui.

MULHERES NO MUNDO - O trabalho desenvolvido pela querida poeta e radialista Meimei Corrêa, no seu blog Baú de Ilusões: o amor leva à vida, envolve desde a sua produção literária e de difusão geral, como também a articulação de sua laboriosa atividade profissional com a sua dedicação pela busca do entendimento do papel da mulher na sociedade. Fruto disso é o seu trabalho de pesquisa e de divulgação acerca da temática Mulheres no Mundo que se encontra ligado ao desenvolvimento da campanha Todo dia é dia da mulher. Confira detalhes aqui.

MARIA BONITA & BAILE PERFUMADO – A baiana Maria Bonita (Maria Gomes de Oliveira – 1911-1938), foi a primeira mulher cangaceira, companheira de Virgulino Ferreira da Silva – o Lampião, o Rei do Cangaço -, ambos assassinados na emboscada da Grota de Angicos, em Poço Redondo, Sergipe. Há uma considerável literatura tratando sobre o casal, merecendo, porém, destaque para o filme Baile Perfumado (1996), dirigido por Lirio Ferreira e Paulo Caldas, no qual a atriz Zuleica interpreta Maria Bonita. O filme narra a história do envolvimento do mascate libanês Benjamin Abrahão com o bando de Lampião no sertão brasileiro. Imperdível. Veja mais aqui.



Veja mais sobre:
De heróis, mitos & o escambau, Alphonse Eugène Felix Lecadre & Aldemir Martins aqui.

E mais:
Literatura Infantil, Tiquê, Leviatã & Thomas Hobbes, Constantin Stanislavski, Hermann Hesse, Lee Ritenour, Krzysztof Kieslowski, Jean-Honoré Fragonard, Juliette Binoche, Bette Davis & Alexey Tarasovich Markov aqui.
Simone Weil, Simone de Beauvoir, Emma Goldman, Clara Lemlich, Alexandra Kollontai, Clara Zetkin & Tereza Costa Rego aqui.
Pablo Picasso, Fernanda Seno, Karl Jaspers, Händel, Tom Wesselmann, Eva Green, Demi Moore & Soninha Porto aqui.
Cecília Meireles, Jean-Luc Godard, Psicologia & Consciência & Pedrinho Guareschi, Pablo Milanés, Bertha Lutz & Sufrágio Feminino, Juliette Binoche e Myriem Roussel, Johan Christian Dahl, Costinha & Programa Tataritaritatá aqui.
Murilo Mendes, Renoir, George Harrison, António Damásio, Benedetto Croce, Bigas Luna, Mathilda May & Joyce Cavalccante aqui.
Caríssimos ouvintes, a voz ao coração, Bernhard Hoetger, Aleksandr Rodchenko & Fremont Solstice Parade aqui.
Carpe diem, mutatis mutandis!, Endecha, Nikolai Roerich, Antonella Fabiani & Leon Zernitsky aqui.
Cada qual seus pecados ocultos, Nênia de Abril, Lisbeth Hummel, Sérgio Campos & Antes que os nossos filhos denunciem o luto secular de seus abris aqui.
Sinfonias de bar, Vincent van Gogh, Ingmar Bergman, Annie Veitch, Kerri Blackman & Apesar dos pesares, a vida prossegue... aqui.
E se o amor fosse a vida na tarde ensolarada do quintal, Varvara Stepanova & Luciah Lopez aqui.
Errâncias de quem ama, promessas da paixão, Richard Strauss & Leonie Rysanek, A lenda Bororo de origem das estrelas, Sonia Ebling de Kermoal & Dorothy Lafriner Bucket aqui.
A ponte entre quem ama e a plenitude do amor, Murilo Rubião, Anneke van Giersbergen, Wäinö Aaltonen, Eduardo Kobra, Ramón Casas, Manuel Colombo & Fátima Jambo aqui.
Legalidade sob suspeita, Anna Moffo, Viola Spolin, Reisha Perlmutter, Floriano de Araújo Teixeira & Moína Lima aqui.
Os seus versos, danças & cantos do cacrequin, Jasmine Guy, Renata Domagalska, Lívia Perez, Luciah Lopez & Vera Lúcia Regina aqui.
Lasciva da Ginofagia aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.
História da mulher: da antiguidade ao século XXI aqui.
Palestras: Psicologia, Direito & Educação aqui.
A croniqueta de antemão aqui.
Fecamepa aqui e aqui.
Livros Infantis do Nitolino aqui.
&
Agenda de Eventos aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Veja mais aqui, aqui e aqui.

CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Recital Musical Tataritaritatá - Fanpage.
Veja os vídeos aqui & mais aqui e aqui.



RAQUEL VARELA, OMAIMA AL-KHAMIS, OLIVE SENIOR & SANDRA RIBEIRO

  Imagem: Contornos da ubiquidade , da série Caosmose & O poema nasce do visinvisível - Acervo ArtLAM .   Ressaca aluada de panacei...