
Imagem do pintor e escultor britânico Edwin Landseer (1802-1873)
Ouvindo Lo Schiavo, do compositor brasileiro Carlos Gomes (1836-1896), com a soprano Silviane Bellato no Teatro Amazonas. Veja mais aqui e aqui.
QUANDO MANDAVAM AS MULHERES (LENDA MUNDURUCU) - Em tempos que vão longe, as mulheres habitavam a casa-dos-homens, e os
homens estavam alojados em vasta casa coletiva. Os homens tinham de fazer todo
o trabalho para as mulheres: caçar, ir buscar lenha, desenterra mandioca,
espremer e fornear a farinha. Essas eram suas tarefas. E, como se isso não
bastasse, também iam buscar água no rio. Foi nessas priscas eras que três
mulheres – Ianiubêri, cacique dos Mundurucu, Taimbiru e Parauarê, acharam três
flautas chamadas caduque. Encontraram-nas num riacho e três peixinhos as
tiraram da água. As mulheres as experimentaram. – Que som bonito! – disseram
elas. Então passaram a tocá-las na mata, todos os dias. E para isso saiam de
casa às escondidas. Os homens começaram a desconfiar. – Aonde irão sempre as
mulheres? Acabaram por esconder-se a fim de melhor espreita-las. E as
encontraram tocando as suas flautas. – Que devemos fazer? – perguntaram. Mas os
irmãos mais novos de Ianiubêri, que se chamavam Marimarebê e Mariburubê,
propuseram: - Tiremos-lhes as flautas! Elas nem sequer vão à caça e nós temos
de fazer todos os seus serviços! Aceita a proposta, furtaram-lhes as flautas. E
também as experimentaram. – Que som bonito! – disseram eles. E passaram a tocá-las.
As mulheres ficaram muito tristes porque já não dispunham das suas flautas.
Soluçando, entraram na grande casa. Assim, os homens se apossaram da casa
coletiva, que ficou sendo a casa-dos-homens. (Recolhido de Couto de
Magalhães, O selvagem. Companhia Editora Nacional, 1940). Veja mais aqui e aqui.
MULHER – A escritora, jornalista e atriz de teatro, cinema e
televisão, Neila Tavares, já
colaborou para diversos veículos de comunicação, entre eles o jornal Folha de
São Paulo e TVE Brasil. É dela a letra da belíssima canção composta por
Geraldinho Azevedo, Mulher: Eu sou a mãe da Praça de Mayo Sou alma
dilacerada Sou Zuzu Angel, sou Sharon Tate O espectro da mulher assassinada Em
nome do amor Sou a mulher abandonada Pelo homem que inventou Outra mais menina
Sou Cecília, Adélia, Cora Coralina Sou Leila e Angela Diniz Eu sou Elis Eu sou
assim Sou o grito que reclama a paz Eu sou a chama da transformação Sorriso
meu, meus ais Grande emoção Que privilégio poder trazer No ventre a luz capaz
de eternizar Em nós sonho de criança Tua herança Eu sou a moça violentada Sou
Mônica, sou a Cláudia Eu sou Marilyn, Aída sou A dona de casa enjaulada Sem
poder sair Sou Janis Joplin drogada Eu sou Rita Lee Sou a mulher da rua Sou a
que posa na revista nua Sou Simone de Beauvoir Eu sou Dadá Eu sou assim...
Ainda sou a operária Doméstica, humilhada Eu sou a fiel e safada Aquela que vê
a novela A que disse não Sou a que sonha com artista De televisão A que faz a
feira Sou o feitiço, sou a feiticeira Sou a que cedeu ao patrão Sou a solidão
Eu sou assim
. Veja mais aqui, aqui e aqui.
MULHER OBJETO DE CAMA E MESA – O livro Mulher objeto de cama e mesa (Vozes, 1974), da escritora,
teatróloga e jornalista Heloneida
Studart (1932-2007), uma das mais expressivas defensoras dos direitos da
mulher, é uma das mais relevantes publicações do movimento feminino brasileiro.
Na obra destaco: Só existe quem faz: a
mulher à beira do século XXI, tem a sua oportunidade de começar a fazer
civilização. Em caso contrário, corre o risco de acabar no museu, como um
espécie obsoleta. Com um título embaixo: mulher, fêmea do homem até meados da
Era Tecnológica. Usada para procriar descendentes, antes dos bancos de espermas
e dos bebês de proveta. Extinta por inútil. Veja mais aqui, aqui e aqui.
PRESENÇA – A escritora e professora de Teoria da
Literatura e Literatura Comparada da UFMG, Maria
Esther Maciel, doutora em Literatura Comparada e pós-doutorada em cinema
pela Universidade de Londres, é autora autora do livro Dos haveres do corpo (1985), do qual destaco o seu poema Presença: Não
vim para ficar: / não sou senão minha possibilidade de volta / minha indizível
presença / que se resvala / no espanto de ser / Vim / provisoriamente /
desafiar o século / anistiar meu susto / traduzir no tempo / este absurdo de
nós / Não cheguei tarde / porque tarde é para os incrédulos / e os fantasmas
que não se vingaram em vida / E porque nem tudo está falado: / o mundo ainda é
uma esfinge / que devora os mudos / e os simplesmente chegados. Veja
mais dela aqui e aqui.

TODO DIA É DIA DA MULHER
Dia da mulher não é só 08 de março (Internacional) nem 30 de abril
(Nacional), é todo dia.
Imagem; Evolution, do pintor neerlandês Piet Mondrian (1872-1944)
Veja
mais aqui.
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Todo dia, a primeira vez, Gilvan Samico & Paul Mathiopoulos aqui.
E mais:
Afrodite & O julgamento de Páris, Lya
Luft, Marcia Tiburi, Cacilda Becker, Diana Krall, José Celso Martinez Corrêa,
Krzysztof Kieslowski, Jeanne Hébuterne, Débora Arango, Julie Delpys & Enrique Simone aqui.
Reflexões de metido em camisa de onze
varas e cheio de nó pelas costas,
Viviane Mosé, Ralph Waldo Emerson, Isaac Newton, o Método Perigoso de Carl
Gustav Jung & Sabina Spielrein, A Síndrome de Klüver-Bucy, Auguste Comte
& Cloltilde de Vaux aqui.
Slavoj Zizek, Victor
Hugo, Pier Paulo Pasolini, Agildo Ribeiro, Silvana Mangano, Honoré Daumier,
Altay Veloso & Maria Creuza aqui.
Li Tai Po, Paul Ricoeur, Millôr
Fernandes, Carlos Saura, Ralph Gibson, Salomé & Aída
Gomez, Ronaldo Urgel Nogueira & Mônica
Salmaso aqui.
O morto e a lua, Ferreira Gullar, Oscar
Wilde, Louis Malle, Montaigne, Lisztomania, Juliette Binoche, Virginia Lane,
Luhan Dias & Neurofilosofia e Neurociência Cognitiva aqui.
A desgraça de um é a risada de outro, Gonzaguinha, Rosie Scribblah, Milton
Dacosta, Jean-Michel Basquiat, Nitolino & Literatura Infantil aqui.
Dos gostos e desgostos da vida, Claude Monet, Ewald Mataré, Chris Maher, Marlina Vera
& Quanto mais a gente vive, mais se enrola nas voltas do tempo aqui.
A República no reino do Fecamepa – lições
de ontem e de hoje pro que não é: Platão, Cícero, Maquiavel,
Montesquieu, Rousseau, Georg Lukács, Norbert Elias, Zygmunt Bauman & Florestan Fernandes aqui.
Abram alas pra revolta passar que os
invísiveis apareceram, Debora
Klempous, Amadeo de Souza-Cardoso, Neurofilosofia & Neurociência Cognitiva aqui.
As escolhas entre erros e acertos, Armand Pierre Fernandez, Alexandra Nechita,
Raceanu Adrian & Laura
Canabrava aqui.
Das vésperas & crástinos na festa do
amor, Peter
Greenaway, Dalu Zhao, Luciah Lopez, A Notícia & Jamilton Barbosa Correia aqui.
Água morro acima, fogo queda abaixo, isto
é Brasil, Noêmia
de Sousa, Juarez Machado, Tetê Espíndola, Glauco Villas Boas, Geraldo de Arruda
Castro & Giselda Camilo Pereira aqui.
Todo dia o primeiro passo, José Orlando Alves, Gilberto Mendonça
Teles, Belle Chere & David Ngo, Lia Rodrigues Companhia de Danças &
Maria Núbia Vítor de Souza aqui.
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incêndio universal e o dilúvio, Benedicto
Lacerda, Ferdinand Hodler, Clodomiro Amazonas, Alessandro
Biffignandi, Diane Arbus & Ligia Scholze Borges Tormachio aqui.
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CRÔNICA DE AMOR POR ELA
CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Recital
Musical Tataritaritatá - Fanpage.