sexta-feira, março 13, 2015

JUNG, SEFÉRIS, VARGAS LLOSA, FITO PÁEZ, JAWLENSKY, CACASO, DANA DELANY & BIG SHIT BÔBRAS!!!!


BBB: O BIG SHIT BÔBRAS – Na atualidade a maior emergência cultuada pelos Fabos do Fecamepa é o Big Shit Bôbras: o voyeurismo que dá andamento na privatização do público e, por consequência, publiciza o privado, renovando o individualismo possessivo e transformando-o no umbigocentrismo catatônico na pipocada dos shopaholics com suas oniomanias. Essa é a festa carnavalizante dos que não estão nem aí para quem pintou a zebra e dos que arvoram no ditado ora, faça-me um favor pra viver plenamente a felicidade disso tudo! Veja mais aqui.
Imagem: Odalisk, do pintor expressionista russo Alexej von Jawlensky (1864-1941)

Ouvindo o álbum Grandes canciones (Sony BMG, 2008), do músico e compositor argentino Fito Páez.

MEMÓRIA, SONHOS E REFLEXÕES – No livro Memória, sonhos e reflexões (Nova Fronteira, 1986), o psiquiatra e psicoterapeuta suíço Carl Gustav Jung (1875-1961), realiza um trabalho erudito que é entendido como sua autobiografia e testamento, no qual ele apresenta claramente a sua noção de equação pessoal afirmando que toda psicologia possui o caráter de uma confissão subjetiva. Uma parte relevante dessa obra merece destaque: [...] A ética, o ato de decidir entre o bem e o mal, não está implicada em seu princípio; apenas se tornou mais difícil para nós. Nada pode poupar-nos do tormento da decisão ética. Mas por mais rude que isto possa parecer, é necessário, em certas circunstâncias, ter a liberdade de evitar o que é reconhecido como moralmente bom, e fazer o que é estigmatizado como mal, se a decisão ética o exigir. Em outras palavras: é necessário não sucumbir a qualquer um dos dois termos opostos. Contra a unilateralidade dos opostos, temos, sob uma forma moral, o neti neti (nem isto, nem aquilo) da filosofia hindu. Nesta perspectiva, o código moral será, em certos casos, irremediavelmente abolido, e a decisão ética dependerá do indivíduo. Isto não representa nada de novo pois já significou, no correr dos tempos pré-psicológicos, o que se chama de conflito de deveres. O indivíduo, porém, é, em regra geral, de tal modo inconsciente, que não percebe suas possibilidades de decisão; por isso procura ansiosamente as regras e as leis exteriores às quais possa ater-se nos momentos de perplexidade. Abstração feita das insuficiências humanas, a educação é em grande parte a culpada por esse estado de coisas: ela procura suas normas exclusivamente no que é normal, e nunca se refere à experiência pessoal do indivíduo. Ensina-se frequentemente um idealismo que não pode ser satisfeito, e as pessoas que o defendem são conscientes de que nunca os viveram, nem jamais os viverão. Quem, por conseguinte, desejar encontrar uma resposta ao problema do mal, tal como é colocado hoje em dia, necessita em primeiro lugar de um conhecimento de si mesmo, isto é, de um conhecimento tão profundo quanto possível de sua totalidade. Deve saber, sem se poupar, a soma de atos vergonhosos e bons de que é capaz, sem considerar a primeira como ilusório ou a segunda como real. Ambas são verdadeiras enquanto possibilidades e não poderá escapar a elas se quiser viver (como obviamente deveria), sem mentir a si mesmo e sem vangloriar-se. Mas, em geral, estamos de tal modo  distanciados desse nível de consciência, que essa perspectiva parece quase sem esperança, se bem que exista em muitos indivíduos modernos a possibilidade de um conhecimento profundo de si mesmo. Tal conhecimento é necessário, pois só em função dele pode-se atingir aquela camada profunda, aquele núcleo da natureza humana no qual se encontram os instintos. Estes são fatores dinâmicos, presentes a priori, dos quais dependem, em última análise, as decisões éticas de nossa consciência. Eles compõem o inconsciente e seus conteúdos, a propósito do que não há julgamento definitivo. Não podemos ter preconceitos em relação ao inconsciente, pois é impossível abranger sua natureza pelo conhecimento, nem demarcar suas fronteiras racionais. Só podemos chegar ao conhecimento da natureza mediante uma ciência que amplie o consciente, e é por isso que um conhecimento aprofundado de si mesmo requer uma ciência: a um microscópio com as próprias mãos e com boa vontade, sem que se tivessem sólidas noções de óptica. Veja mais aqui e aqui 

O SOL NOSSO – O poeta simbolista grego da geração neogrega de 1930, Giórgos Seferiádhis ou simplesmente Giórgos Seféris (1900-1971), recebeu o Prêmio Nobel de Literatura de 1963. Do seu livro Diário de bordo (Poesia Moderna da Grécia – Guanabara, 1986), destaco O Sol nosso, numa tradução de José Paulo Paes: Este sol era o meu e era o teu: o sol que partilhamos. / Quem sofre atrás da dourada cortina de seda? Quem está morrendo? / Uma mulher gritava batendo o peito murcho: “Seus covardes, / pegaram meus filhos e os fizeram em pedaços, mataram-nos, vocês, / enquanto olhavam, com estranha expressão no rosto, os vagalumes da noite, / absortos numa cisma cega”. / O sangue secava na mão que enverdecia sob as árvores / um guerreiro dormia apertando contra si a lança que lhe iluminava o flanco. / Este sol era o nosso, nada víamos além da franja de ouro / mais tarde vieram os mensageiros ofegantes sujos / balbuciando sílabas confusas / vinte dias e noites sobre a terra estéril, só espinhos, / vinte dias e noites sentindo o sangue empapar o ventre dos cavalos / sem deterem-se um minuto para beber água de chuva. / Disseste que repousassem primeiro, depois falassem, a luz te havia ofuscado. / Expiraram dizendo “Não temos tempo” e tocando alguns raios; / tu bem sabias que ninguém repousa. / Uivava uma mulher “Covardes”, como um cão na noite; / teria sido outrora bela como és, / com a úmida boca, as veias vivas sob a pele, / com o amor. / Este sol era o nosso; tomaste-o inteiro, não querias seguir-me / e foi por trás do ouro que fiquei sabendo destas coisas. / Não tínhamos tempo. Os mensageiros disseram a verdade. Veja mais aqui.

DOS SERTÔES À GUERRA DO FIM DO MUNDO – Imagem: Foto de líder social de Canudos, Antônio Conselheiro, do fotógrafo Flávio de Barros. - Tudo começou quando, em 1896, o líder social Antônio Vicente Mendes, o Antônio Conselheiro (1830-1897), um peregrino com dimensões messiânica que se transformara na expressão de um mundo de crenças primitivas e miséria, liderando, às margens do Rio Vaza-Barris, o arraial de Canudos, um vilarejo no sertão da Bahia, que atraiu milhares de sertanejos, entre camponeses, índios, escravos recém-libertos, resultando na Guerra de Canudos, um verdadeiro genocídio do Exército da República. Por essa razão, em 1897, chega a Canudos o escritor Euclides da Cunha (1866-1909) para fazer a cobertura dos últimos acontecimentos de combate e à queda do arraial. Procurando contar a verdadeira história e desmistificando a campanha política que se fizera em torno do acontecimento, denunciando a barbárie e provando que Canudos não era um problema político, mas uma questão social, o autor publicou Os sertões (1902). Na esteira desse mesmo tema, o escritor, jornalista e político peruano Mario Vargas Llosa, Prêmio Nobel de Literatura de 2010, escreveu o seu livro A Guerra do Fim do Mundo: a saga de Antônio Conselheiro na maior aventura literária do nosso tempo (Francisco Alves, 1981), dedicado a Euclides da Cunha e Nélida Piñon, cujo fragmento destaco: A multidão continuou atrás do Conselheiro ao logo do Vaza-Barris, por esses campos que os escolhidos tinham lavrado, enchido de milho, mandioca, pasto, cabras, ovelhas e vacas. Desapareceria tudo isso, arrasado pela heresia? Também viu fossos no meio dos roçados, e homens armados. O Conselheiro, de pé, sobre um montinho, falava claramente da guerra. Vomitariam água em vez de balas ou fuzis dos maçons? Ela sabia que as palavras do Conselheiro não deviam ser tomadas em sentido literal, porque frequentemente eram comparações, símbolos difíceis de decifrar, que só se podiam identificar claramente com os fatos quando estes ocorriam. Parara de chorar, acenderam tochas. Um aroma suave dominava o ambiente. O Conselheiro explicou que o cavalo branco do Corta-cabeças não era novidade para o crente, pois não estava escrito no Apocalipse que viria e seu cavaleiro levaria um arco e uma coroa para vencer e conquistar? Mas suas conquistas cessariam às portas de Belo Monte por intercessão de Nossa Senhora. Veja mais aqui.

LERO-LERO – O poeta, professor universitário e letrista mineiro Antonio Carlos de Brito, famosíssimo como Cacaso (1944-1987) participou dos movimentos geração mimeógrafo e poesia marginal, autor de diversos livros, entre eles A poesia cerzida (1967), Beijo na Boca e outros poemas (1985), entre outros. Ele foi parceiro de Edu Lobo, Tom Jobim, Djavan, Toquinho, Sueli Costa, Joyce, Sivuca, Francis Hime, Toninho Horta, Elton Medeiros, Mauricio Tapajós, entre outros nomes da música. A sua obra completa foi reunida no volume Lero-Lero (7Letras, 2002), cujo poema título foi musicado por Edu Lobo: Sou brasileiro de estatura mediana / Gosto muito de fulana mas sicrana é quem me quer / Porque no amor quem perde quase sempre ganha / Veja só que coisa estranha, saia dessa se puder / Não guardo mágoa, não blasfemo, não pondero / Não tolero lero lero devo nada pra ninguém / Sou descansado, minha vida eu levo a muque / Do batente pro batuque faço como me convém / Eu sou poeta e não nego a minha raça / Faço versos por pirraça e também por precisão / De pé quebrado, verso branco, rima rica / Negaceio, dou a dica, tenho a minha solução / Sou brasileiro, tatu-peba taturana / Bom de bola, ruim de grana, tabuada sei de cor / Quatro vez sete vinte e oito nove´s fora / Ou a onça me devora ou no fim vou rir melhor / Não entro em rifa, não adoço, não tempero / Não remarco, marco zero, se falei não volto atrás / Por onde passo deixo rastro, deixo fama / Desarrumo toda a trama, desacato Satanás / Sou brasileiro de estatura mediana / Gosto muito de fulana mas sicrana é quem me quer / Porque no amor quem perde quase sempre ganha / Veja só que coisa estranha, saia dessa se puder / Diz um ditado natural da minha terra / Bom cabrito é o que mais berra onde canta o sabiá / Desacredito no azar da minha sina / Tico-tico de rapina, ninguém leva o meu fubá. Veja mais aqui.


O AMOR É UMA GRANDE FANTASIA – A comédia O amor é uma grande fantasia (Exit to Eden, 1994), é baseado no romance homônimo da escritora estadunidense Anne Rice, adaptado por Deborah Amelon e Bob From, dirigido por Garry Marshall e música de Patrick Doyle, contando a atividade de um casal de policiais que deve prender contrabandista que se escondeu, com sua cúmplice, num spa sexual. Eles assumem falsas identidades para se hospedar no local, mas enfrentam problemas devido à curiosidade da reprimida policial e ao impulso que o estabelecimento dá à libido dormente de seu parceiro. Para o destaque do filme mesmo foi a atuação da atriz estadunidense Dana Delany que muito me envolveu. Veja mais aqui.



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