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terça-feira, dezembro 19, 2017

NIETZSCHE, CALLADO, TEILHARD DE CHARDIN, EUCLIDES DA CUNHA, AL DI MEOLA, PETRARCA, ALISA WEILERSTEIN, NATHAN OLIVEIRA, BRIAN BOOTH CRAIG & CULTURA DE PERNAMBUCO

TANTO JUNTOU & BABAU! – Imagem: Alongtimealone, do pintor, gravurista e escultor estadunidense Nathan Oliveira (1928-2010) - Anclotinato era tinhoso, sabido, astucioso, menino feito os pés da doida, duma vivacidade surpreendente. Tanto que foi crescendo de ninguém se dar conta, aprendeu a ler na cacunda dos outros e a escrever com a munheca alheia. De tão liso, passava pito, chegava na frente, maior mangação: se era pintomba, aos cachos mais que qualquer; manga rosa, de tuia; abacate, aos montes. Vendia de tudo, até do vizinho. Juntava os trocados escondidos a sete chaves, ninguém que soubesse. Esmolava até, se possível, só pra dar o gostinho de manhar engodo. Mais taludo, fazia que dava com a direita o que escondia com a esquerda, ladino, enrolador. Tapiava todo mundo, incólume. Adolescia engabelando quem lhe aparecesse na frente, e na maior lábia aplicou das suas e embuchou uma, duas, três. Quando falaram em casório, ele deu maior pinote. E assim foi, daqui pra acolá, engravidando as achegadas. Nem sabia dos rebentos até o dia que aportou em Alagoinhanduba e o seu cerco se fechou. Danou-se! Casar de mesmo, nunca; amancebou-se com uma das reboculosas vítimas, produzindo uma infieira de bruguelo de não ter mais fim. Trocava de mulher, bastava não querer mais da encheção de saco. Ardiloso, jamais perdia tempo nem sucumbia em contratempos, aprontava e só. Chegava a hora dos meninos pra escola, e ele: Eu só estudei até a segunda série ginasial e aprendi de tudo com a vida, a minha escola é a vida. A mulher insistia, ele botou a filharada em escola pública, era de graça. Gastar não era com ele, nunca gostou de perder nada, mesmo quando foi reprovado três vezes no segundo ginasial, abandonando e aprendendo com a cara e a coragem o que pra ele era o suficiente para aprender: tirar proveito dos bestas e enricar, só. Acossado pelo desvio de um dos rebentos metido a sabochão, ele berrou: Menino, vá pra escola pra ser gente, vá! Nem deu tempo o menino virar as costas e ouvir dele: Se eu descobrir quem inventou estudo, eu mando matar. O menino saiu confuso, o que aprendia na escola, desaprendia com ele. Mais tivesse de desatino, mais disparate prosperava. Exemplo que é bom, ao contrário. Até o dia que ele botou todos os filhos que tinha por enteados pra correr mundo afora. Ficou sozinho na sua mancebia, lapadas e peiadas diárias, com prevenção pra não vê-la mojada. Esperto, sequer sabia o que possuía, tudo oculto, ninguém que desse ciência, valha-me, nada de olho gordo no seu quinhão, para tanto, lamuriava muito, maldizia da vida, sempre a provocar a caridade de desavisados. Mão de figa, ralhava a mulher da vez. Ele, nem nem. Um dia ele teve um troço e bateu as botas. Fizeram farra nas sua fortuna, um tesouro quase perdido, agora festa nos seus restos mortais. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá especial com o guitarrista estadunidense Al di Meola: One of These Nights & Jazzwoche Burgghausen; e da violoncelista clássica estadunidente Alisa Weilerstein: Haydn Concert in D major MVT 1 & Hindemith Cellokonzert HR-Sinfonie Orchester. Para conferir é só ligar o som e curtir.

PENSAMENTO DO DIA - Mal estamos emergindo de nossos ancestrais irracionais, motivo de nossas comuns recaídas animais. A humanidade ainda não está senão na aurora de sua existência. Pensamento do filósofo, paleontólogo e teólogo francês Pierre Teilhard de Chardin (1881-1955). Veja mais aqui.

ECCE HOMO - [...] O dizer sim à vida, mesmo em seus problemas mais estranhos e difíceis; a vontade de viver, no rehozijo sobre sua própria inexauribilidade, e mesmo no próprio sacrifício de seus tipos mais altos – isso é o que eu chamei dionisiaco, isso é o que compreendi como a ponte para a psicologia do poeta trágico. Não com fim de nos livrarmos do terror e da piedade, não com o fim de nos purgarm,os de uma emoção perigosa através de sua liberação [...] mas com o fim de sermos nós mesmos a eterna alegria de destruir, além do terror e da piedade – essa alegria que inclui até a alegria de destruir [...]. Trecho da obra Ecce homo: Wie man wird, was man ist (1888 – Como tornar-se o que se é – Simões, 1957), do filósofo alemão Friedrich Nietzsche (1844-1900). Veja mais aqui, aqui & aqui.

REFORMA AGRÁRIA - [...] Existe no Brasil um passe de mágica interlectual, ou um truque epistemológico que consiste no seguinte: problemas antigos e que continuam sem solução são dados como resolvidos. Ou passam à categoria de problemas chatos, obsoletos. Arrisca-se, por isso, a um certo ridículo quem fala ainda em reforma agrária no Brasil, o argumento principal sendo que a agricultura hoje nada mais é do que a parte antiquada da agroindústria moderna. A indústria domina o campo e as multinacionais, a indústria. Falar em camponês, parceiro, meeiro, peão – prossegue o argumento – seria falar nos direitos do servo da gleba, escudeiros ou palafreneiros. [...] Trechos extraídos da obra Entre Deus e a vasilha: ensaio sobre a reforma agrária, a qual nunca foi feita (Nova Fronteira, 2003), do jornalista, romancista, biógrafo e dramaturgo Antonio Callado (1917-1997). Veja mais aqui, aqui & aqui.

OS SERTÕES - [...] Não vimos o traço superior do acontecimento. Aquele afloramento originalíssimo do passado, patenteando todas as falhas da nossa evolução, era um belo ensejo para estuarmo-las, corrigirmo-las ou anularmo-lãs. Não entendemos a lição eloqüente. Na primeira cidade da República, os patriotas satisfizeram-se com o auto-de-fé de alguns jornais adversos, e o governo começou a agir. Agir era isso – agremiar os batalhões. [...]. Trecho da obra Os sertões (Francisco Alves, 1936), do escritor e jornalista Euclides da Cunha (1866-1909). Veja mais aqui, aqui, aqui & aqui.

SONETO - Vós que escutais em rimas espalhado / deste meu peito o suspirado ardor / e que o nutria ao juvenil error / quando era muito divbersoo meu estado; / o incerto estilo por quê eu hei variado / entre a vã esperança e o vão temor, / se vós houverdes entendido amor / terá vossa piedade despertado. / Vejo que a todos meu amor assim / quase sempre foi fábula somente. / E agora eu, de mim mesmo me envergonho. / De minha vida vã vergonha é o fim / e o arrepender-se e o ver mui claramente / quanto aparaz ao mundo é breve sonho. Poema do livro Sonetos (Sol Negro, s/d), do escritor, intelectual humanista e filosofo italiano Francesco Petrarca (1304-1374). Veja mais aqui e aqui,.

MAPA CULTURAL DE PERNAMBUCO
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Veja mais:
A música de Edith Piaf aqui & aqui.
O teatro de Jean Genet aqui e aqui.
A poesia de Manoel de Barros aqui e aqui.
A literatura de Emily Brontë aqui.
A literatura de Rubem Braga aqui, aqui & aqui.
Livros do Nitolino aqui.
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CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte do pintor, gravurista e escultor estadunidense Nathan Oliveira (1928-2010).
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AS ESCULTURAS DE BRIAN BOOTH CRAIG
Art by Brian Booth Craig.
 

sexta-feira, março 13, 2015

JUNG, SEFÉRIS, VARGAS LLOSA, FITO PÁEZ, JAWLENSKY, CACASO, DANA DELANY & BIG SHIT BÔBRAS!!!!


BBB: O BIG SHIT BÔBRAS – Na atualidade a maior emergência cultuada pelos Fabos do Fecamepa é o Big Shit Bôbras: o voyeurismo que dá andamento na privatização do público e, por consequência, publiciza o privado, renovando o individualismo possessivo e transformando-o no umbigocentrismo catatônico na pipocada dos shopaholics com suas oniomanias. Essa é a festa carnavalizante dos que não estão nem aí para quem pintou a zebra e dos que arvoram no ditado ora, faça-me um favor pra viver plenamente a felicidade disso tudo! Veja mais aqui. E mais aqui & aqui.

Imagem: Odalisk, do pintor expressionista russo Alexej von Jawlensky (1864-1941)

Ouvindo o álbum Grandes canciones (Sony BMG, 2008), do músico e compositor argentino Fito Páez. Veja mais aqui.

MEMÓRIA, SONHOS E REFLEXÕES – No livro Memória, sonhos e reflexões (Nova Fronteira, 1986), o psiquiatra e psicoterapeuta suíço Carl Gustav Jung (1875-1961), realiza um trabalho erudito que é entendido como sua autobiografia e testamento, no qual ele apresenta claramente a sua noção de equação pessoal afirmando que toda psicologia possui o caráter de uma confissão subjetiva. Uma parte relevante dessa obra merece destaque: [...] A ética, o ato de decidir entre o bem e o mal, não está implicada em seu princípio; apenas se tornou mais difícil para nós. Nada pode poupar-nos do tormento da decisão ética. Mas por mais rude que isto possa parecer, é necessário, em certas circunstâncias, ter a liberdade de evitar o que é reconhecido como moralmente bom, e fazer o que é estigmatizado como mal, se a decisão ética o exigir. Em outras palavras: é necessário não sucumbir a qualquer um dos dois termos opostos. Contra a unilateralidade dos opostos, temos, sob uma forma moral, o neti neti (nem isto, nem aquilo) da filosofia hindu. Nesta perspectiva, o código moral será, em certos casos, irremediavelmente abolido, e a decisão ética dependerá do indivíduo. Isto não representa nada de novo pois já significou, no correr dos tempos pré-psicológicos, o que se chama de conflito de deveres. O indivíduo, porém, é, em regra geral, de tal modo inconsciente, que não percebe suas possibilidades de decisão; por isso procura ansiosamente as regras e as leis exteriores às quais possa ater-se nos momentos de perplexidade. Abstração feita das insuficiências humanas, a educação é em grande parte a culpada por esse estado de coisas: ela procura suas normas exclusivamente no que é normal, e nunca se refere à experiência pessoal do indivíduo. Ensina-se frequentemente um idealismo que não pode ser satisfeito, e as pessoas que o defendem são conscientes de que nunca os viveram, nem jamais os viverão. Quem, por conseguinte, desejar encontrar uma resposta ao problema do mal, tal como é colocado hoje em dia, necessita em primeiro lugar de um conhecimento de si mesmo, isto é, de um conhecimento tão profundo quanto possível de sua totalidade. Deve saber, sem se poupar, a soma de atos vergonhosos e bons de que é capaz, sem considerar a primeira como ilusório ou a segunda como real. Ambas são verdadeiras enquanto possibilidades e não poderá escapar a elas se quiser viver (como obviamente deveria), sem mentir a si mesmo e sem vangloriar-se. Mas, em geral, estamos de tal modo  distanciados desse nível de consciência, que essa perspectiva parece quase sem esperança, se bem que exista em muitos indivíduos modernos a possibilidade de um conhecimento profundo de si mesmo. Tal conhecimento é necessário, pois só em função dele pode-se atingir aquela camada profunda, aquele núcleo da natureza humana no qual se encontram os instintos. Estes são fatores dinâmicos, presentes a priori, dos quais dependem, em última análise, as decisões éticas de nossa consciência. Eles compõem o inconsciente e seus conteúdos, a propósito do que não há julgamento definitivo. Não podemos ter preconceitos em relação ao inconsciente, pois é impossível abranger sua natureza pelo conhecimento, nem demarcar suas fronteiras racionais. Só podemos chegar ao conhecimento da natureza mediante uma ciência que amplie o consciente, e é por isso que um conhecimento aprofundado de si mesmo requer uma ciência: a um microscópio com as próprias mãos e com boa vontade, sem que se tivessem sólidas noções de óptica. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.  

O SOL NOSSO – O poeta simbolista grego da geração neogrega de 1930, Giórgos Seferiádhis ou simplesmente Giórgos Seféris (1900-1971), recebeu o Prêmio Nobel de Literatura de 1963. Do seu livro Diário de bordo (Poesia Moderna da Grécia – Guanabara, 1986), destaco O Sol nosso, numa tradução de José Paulo Paes: Este sol era o meu e era o teu: o sol que partilhamos. / Quem sofre atrás da dourada cortina de seda? Quem está morrendo? / Uma mulher gritava batendo o peito murcho: “Seus covardes, / pegaram meus filhos e os fizeram em pedaços, mataram-nos, vocês, / enquanto olhavam, com estranha expressão no rosto, os vagalumes da noite, / absortos numa cisma cega”. / O sangue secava na mão que enverdecia sob as árvores / um guerreiro dormia apertando contra si a lança que lhe iluminava o flanco. / Este sol era o nosso, nada víamos além da franja de ouro / mais tarde vieram os mensageiros ofegantes sujos / balbuciando sílabas confusas / vinte dias e noites sobre a terra estéril, só espinhos, / vinte dias e noites sentindo o sangue empapar o ventre dos cavalos / sem deterem-se um minuto para beber água de chuva. / Disseste que repousassem primeiro, depois falassem, a luz te havia ofuscado. / Expiraram dizendo “Não temos tempo” e tocando alguns raios; / tu bem sabias que ninguém repousa. / Uivava uma mulher “Covardes”, como um cão na noite; / teria sido outrora bela como és, / com a úmida boca, as veias vivas sob a pele, / com o amor. / Este sol era o nosso; tomaste-o inteiro, não querias seguir-me / e foi por trás do ouro que fiquei sabendo destas coisas. / Não tínhamos tempo. Os mensageiros disseram a verdade. Veja mais aqui, aqui e aqui.

DOS SERTÔES À GUERRA DO FIM DO MUNDO – Imagem: Foto de líder social de Canudos, Antônio Conselheiro, do fotógrafo Flávio de Barros. - Tudo começou quando, em 1896, o líder social Antônio Vicente Mendes, o Antônio Conselheiro (1830-1897), um peregrino com dimensões messiânica que se transformara na expressão de um mundo de crenças primitivas e miséria, liderando, às margens do Rio Vaza-Barris, o arraial de Canudos, um vilarejo no sertão da Bahia, que atraiu milhares de sertanejos, entre camponeses, índios, escravos recém-libertos, resultando na Guerra de Canudos, um verdadeiro genocídio do Exército da República. Por essa razão, em 1897, chega a Canudos o escritor Euclides da Cunha (1866-1909) para fazer a cobertura dos últimos acontecimentos de combate e à queda do arraial. Procurando contar a verdadeira história e desmistificando a campanha política que se fizera em torno do acontecimento, denunciando a barbárie e provando que Canudos não era um problema político, mas uma questão social, o autor publicou Os sertões (1902). Na esteira desse mesmo tema, o escritor, jornalista e político peruano Mario Vargas Llosa, Prêmio Nobel de Literatura de 2010, escreveu o seu livro A Guerra do Fim do Mundo: a saga de Antônio Conselheiro na maior aventura literária do nosso tempo (Francisco Alves, 1981), dedicado a Euclides da Cunha e Nélida Piñon, cujo fragmento destaco: A multidão continuou atrás do Conselheiro ao logo do Vaza-Barris, por esses campos que os escolhidos tinham lavrado, enchido de milho, mandioca, pasto, cabras, ovelhas e vacas. Desapareceria tudo isso, arrasado pela heresia? Também viu fossos no meio dos roçados, e homens armados. O Conselheiro, de pé, sobre um montinho, falava claramente da guerra. Vomitariam água em vez de balas ou fuzis dos maçons? Ela sabia que as palavras do Conselheiro não deviam ser tomadas em sentido literal, porque frequentemente eram comparações, símbolos difíceis de decifrar, que só se podiam identificar claramente com os fatos quando estes ocorriam. Parara de chorar, acenderam tochas. Um aroma suave dominava o ambiente. O Conselheiro explicou que o cavalo branco do Corta-cabeças não era novidade para o crente, pois não estava escrito no Apocalipse que viria e seu cavaleiro levaria um arco e uma coroa para vencer e conquistar? Mas suas conquistas cessariam às portas de Belo Monte por intercessão de Nossa Senhora. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui , aqui e aqui.

LERO-LERO – O poeta, professor universitário e letrista mineiro Antonio Carlos de Brito, famosíssimo como Cacaso (1944-1987) participou dos movimentos geração mimeógrafo e poesia marginal, autor de diversos livros, entre eles A poesia cerzida (1967), Beijo na Boca e outros poemas (1985), entre outros. Ele foi parceiro de Edu Lobo, Tom Jobim, Djavan, Toquinho, Sueli Costa, Joyce, Sivuca, Francis Hime, Toninho Horta, Elton Medeiros, Mauricio Tapajós, entre outros nomes da música. A sua obra completa foi reunida no volume Lero-Lero (7Letras, 2002), cujo poema título foi musicado por Edu Lobo: Sou brasileiro de estatura mediana / Gosto muito de fulana mas sicrana é quem me quer / Porque no amor quem perde quase sempre ganha / Veja só que coisa estranha, saia dessa se puder / Não guardo mágoa, não blasfemo, não pondero / Não tolero lero lero devo nada pra ninguém / Sou descansado, minha vida eu levo a muque / Do batente pro batuque faço como me convém / Eu sou poeta e não nego a minha raça / Faço versos por pirraça e também por precisão / De pé quebrado, verso branco, rima rica / Negaceio, dou a dica, tenho a minha solução / Sou brasileiro, tatu-peba taturana / Bom de bola, ruim de grana, tabuada sei de cor / Quatro vez sete vinte e oito nove´s fora / Ou a onça me devora ou no fim vou rir melhor / Não entro em rifa, não adoço, não tempero / Não remarco, marco zero, se falei não volto atrás / Por onde passo deixo rastro, deixo fama / Desarrumo toda a trama, desacato Satanás / Sou brasileiro de estatura mediana / Gosto muito de fulana mas sicrana é quem me quer / Porque no amor quem perde quase sempre ganha / Veja só que coisa estranha, saia dessa se puder / Diz um ditado natural da minha terra / Bom cabrito é o que mais berra onde canta o sabiá / Desacredito no azar da minha sina / Tico-tico de rapina, ninguém leva o meu fubá. Veja mais aqui, aqui e aqui.


O AMOR É UMA GRANDE FANTASIA – A comédia O amor é uma grande fantasia (Exit to Eden, 1994), é baseado no romance homônimo da escritora estadunidense Anne Rice, adaptado por Deborah Amelon e Bob From, dirigido por Garry Marshall e música de Patrick Doyle, contando a atividade de um casal de policiais que deve prender contrabandista que se escondeu, com sua cúmplice, num spa sexual. Eles assumem falsas identidades para se hospedar no local, mas enfrentam problemas devido à curiosidade da reprimida policial e ao impulso que o estabelecimento dá à libido dormente de seu parceiro. Para o destaque do filme mesmo foi a atuação da atriz estadunidense Dana Delany que muito me envolveu. Veja mais aqui.



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Todo dia, a primeira vez, Gilvan Samico & Paul Mathiopoulos aqui.

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Afrodite & O julgamento de Páris, Lya Luft, Marcia Tiburi, Cacilda Becker, Diana Krall, José Celso Martinez Corrêa, Krzysztof Kieslowski, Jeanne Hébuterne, Débora Arango, Julie Delpys & Enrique Simone aqui.
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As escolhas entre erros e acertos, Armand Pierre Fernandez, Alexandra Nechita, Raceanu Adrian & Laura Canabrava aqui.
Das vésperas & crástinos na festa do amor, Peter Greenaway, Dalu Zhao, Luciah Lopez, A Notícia & Jamilton Barbosa Correia aqui.
Água morro acima, fogo queda abaixo, isto é Brasil, Noêmia de Sousa, Juarez Machado, Tetê Espíndola, Glauco Villas Boas, Geraldo de Arruda Castro & Giselda Camilo Pereira aqui.
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CRÔNICA DE AMOR POR ELA
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terça-feira, janeiro 20, 2015

SARA TEASDALE, AMOS TUTUOLA, LILA RIPOLL & SELMO VASCONCELLOS

 


CREOLINALDA, A REENCARNAÇÃO DE FRINEIA... – (Imagem: art by Hamish Blakely) Creolinalda vivia todo dia só de escrever no diário e resolveu partir pra ação. Sim, justo no dia que tomou conhecimento da vida de Frineia Mnesarete, que colhia alcaparras e tinha vários nomes - entre eles o de memória da virtude, que ela mesmo mudou porque comparavam-na com uma rã. Em verdade chamavam-na de Saperdion, nome que depois até assumiu. Era uma cortesã de extraordinária beleza e muito rica da Beócia. Uma história fascinante aos seus olhos e, tal qual ela, para lá de injustiçada: Sou a reencarnação dela. E pesou prós e contras, aferiu o resultado e mandou ver assumindo a persona. Começou encarando logo um conflituoso enfrentamento com seu pai Epicles – até nisso, talqualzinho. Depois deu um trato nas madeixas, hidratou a pele, vestiu-se dum maiô menor que o seu tamanho e, pôs por cima, um vestido provocativo com decote pronunciado, saias soltas e colado dos quadris aos ombros. Pronta foi desfilar pelas ruas provocando olhos esbugalhados com seu rebolado: Pronde ela vai tão faceira? Foi até à margem do rio, exibiu sua formosura, soltou os cabelos, despiu-se e entrou nua nas águas, à vista do povo que a perseguia. Milagre! Para quem presenciou era a ressurreição de Afrodite. Os marmanjos da cidade testemunharam em peso, todos pendurados delirantes - uns às quedas de maduro; outros se sustentavam entre galhos e capoeiras, como podiam. Lá pras tantas ela emerge exuberantemente faceira, veste-se e retorna desfilando para sua residência. Por dias foi o assunto dominante nas fofocas simpatizantes e antipatizadas da cidade. Não faltou assédio dos mais atarantados machos, até um ricaço que chegou com um buquê de flores, coração na carteira e chamando-a de Sapozinho. Artistas assediavam-na para posar em suas pretensas obras de artes e não se fez de rogada: foi Maria Madalena para os pincéis de Apeles, foi Vênus para as telas de Praxíteles, foi santa beldade nua para os desenhos de Knidos. Essa moça virou puta! -, gritava-lhe o pai revoltado com uma ruma de descarados poetas a sacudir-lhe versos apaixonados. Não faltaram à sua porta saraus apaixonados promovidos por pretensos Bilac, Baudelaire e Rilke, outros tantos poetastros com zis versos afetados, uma suposta ópera de Saint-Saens, um pretenso filme de Blasetti e a nomeação de um asteróide pelos fanáticos cientistas locais. Até um padre desencaminhou-se para exaltar com todo tipo de apologias a hetera de Téspias. Dali em diante começou a usar umas saias justas e curtas, um decote pronunciado, um rebolado cativante e, todo dia, ia tomar banho no rio para desespero de espectadores ávidos. Dizem que até Luís Gonzaga sapecou um xote tataritaritatá pra ela. Mais provocante exibia-se na janela enxugando os cabelos, esfregando-se sedutora. Como nunca usou de maquiagem, sua beleza era verdadeira e plena. As suas feições eram naturais: você é crente minha filha? Não, senhor. Prestimosa começou a ajudar senhores viúvos, passou a ser educada com os marmanjos enamorados e a ter amigas de má reputação, ganhando o opróbrio popular. Nem aí. Num disse: essa menina se perdeu mesmo! Alheia aos escárnios ela participava de apostas com outros rapagões e, quando perdia, nem se acanhava de exibir suas partes pudendas pros sortudos presentes, razão pela qual cochichavam que ela era mais bonita nas partes que não se viam. Adotou de vez, por isso, o nome de batalha Frinéia de Mnesarete. E se manteve firme. Todos queriam pintá-la, poetá-la, fotografá-la, movimentando a economia do lugar: todos queriam comprar as artes que ela inspirava, principalmente os recitais com epigramas os mais lascivos em sua homenagem e a fruição visual completa do corpo da deusa no centro da cena. Tributaram-na com um monumento: uma escultura talqualzinha ela era, virou ponto turístico de massa. Até um maníaco sexual foi flagrado e preso porque queria fazer amor ali, na frente de todo mundo, com ela. Teve até endoidados que queriam casar com a estátua, até ser roubada, mas logo descoberta: o sujeito havia sido acometido da loucura de Pingmalião e venerava para que ela envivecesse. Como? Lascou. Ao resgatá-la aos puxavanques, porque o sujeito guerreou até a morte para não devolvê-la nem a pulso. Fatos estranhos até deram conta de que das pinturas ela aparecia vivinha da silva, passando a viver maritalmente com o seu comprador. Por conta disso não faltaram jovens levados à tentação da mão hábil em sua homenagem e com suas poses impressas: vai que ela ganhasse vida na frente deles, hem? Essa era a esperança deles. Episódios de agalmatofilia retumbaram, incidentes com casos de acasalamento com a imagem e os que não conseguiam torná-la viva se matavam – foram suicídios em cadeia, tanto de jovens mancebos, como de empirocados marmanjos e provectos. Descobriu-se até um ritual devocional em sua honra, findando todos mortos exauridos de êxtase sexual. Afora os tantos de ricos que apareciam dispostos a despender grandes somas para adquiri-la, fulminados pela bancarrota. Evidente que ela se aproveitou disso e angariou fama e riqueza, afora autocelebrar-se, aparecendo furtivamente em trajes provocativos, destinados a causar agitação, ou através do uso de aparições públicas cenográficas, raras e estudadas. Seu nome passou a ser rabiscado nos muros, quando não gravado nos edifícios públicos. Eis que um dos vitimados se passou por ex ressentido pelos ciúmes e acusou-a de extorsão e traição instaurada pelo escândalo da mutilação dos Hermes. Como? Foi que um jovem não suportando ser recusado por ela, atirou no próprio pênis, decapitando-o e tornando-se eunuco dali por diante. Além disso novas acusações de gananciosa, de inescrupulosa, de monstra, exibicionista, traiçoeira e ruinosa pros apaixonados amantes sujeitos à rapacidade, vez que ela subjugava seus pretendentes, extorquia dissolutos, era o que diziam, batiam o pé. Ela nem aí. Queixas amontoavam na delegacia, ofensas ditas graves e reiteradas, a ponto do promotor exigir sua prisão e condenação à pena de morte. Foi julgada e sentenciada pela condenação: a cidade em peso acompanhou-lhe a prisão. Na hora da execução emergiu um defensor exigindo o Tribunal do Júri. Durante o julgamento público ela foi levada sob escolta policial e o acusador ao vê-la foi castigado com a mudez e nunca mais deu nem um pio pra remédio, tendo sido cassado e condenado a pagar as custas processuais. O tribunal ficou em polvorosa com a sua presença, nem o seu defensor conseguiu balbuciar qualquer palavra em sua defesa. Ela então ofereceu-se à condenação despindo-se: Podem me matar, sou condenada. Uma ovação! Ela foi absolvida sob a condição de aparecer publicamente uma vez por semana para limpar os olhos dos infelizes admiradores. Veja mais abaixo e aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

 


DITOS & DESDITOS - É estranho como um coração deve ser partido com frequência antes que os anos o tornem sábio... pensamento da poeta estadunidense Sara Teasdale (1884–1933), que na obra The Collected Poems (Digireads, 2012) apresenta um de seus poemas: Pensei em você e em como você ama essa beleza, \ E caminhando pela longa praia sozinho \ Ouvi as ondas quebrando em trovões medidos \ Como você e eu uma vez ouvimos seu tom monótono. \ Ao meu redor estavam as dunas ecoando, além de mim \ A prata fria e brilhante do mar \ - Nós dois passaremos pela morte e as eras se alongarão \ Antes que você ouça esse som novamente comigo. Veja mais aqui e aqui.

 

ALGUÉM FALOU: O mal não está em falar da tristeza ou da angústia. O mal é não encontrar saída para a desesperação... Pensamento da poeta, pianista e militante comunista Lila Ripoll (1905-1967), autora do poema: Solidão brinca comigo um jogo de esconde, esconde.\ Desaparece um momento e surge não sei de onde.\ Solidão se esconde e volta, moe a vida, o sonho, o amor.\ Ah! Jogo de esconde, esconde, esconde também a dor. E doutro poema: Não me estendas a mão, \ que o tempo endureceu meu peito.\ Sou poeta. Obrigatório é para mim o sonho.\ Concede-me o direito de sonhar. Também de Pedido: Não me falem de tristezas \ que eu as conheço de cor. \ Falem-me sim de alegrias,\ que tem um gosto melhor.\ De tristezas — o meu peito \ gastou anos a chorar.\ Tirei um curso de mágoas. \ Ninguém me pode ensinar. Veja mais aqui e aqui.

 

O BEBEDOR DE VINHO DE PALMA - [...] Eu era um bebedor de vinho de palma desde que eu era um menino de dez anos de idade. Eu não tinha outro trabalho além de beber vinho de palma na minha vida. - - - Mas quando meu pai percebeu que eu não conseguia fazer nenhum trabalho além de beber, ele contratou um especialista em vinho de palma para mim; ele não tinha outro trabalho além de bater vinho de palma todos os dias. Então meu pai me deu uma fazenda de palmeiras que tinha nove milhas quadradas e continha 560.000 palmeiras, e esse tapador de vinho de palma estava batendo cento e cinquenta barris de vinho de palma todas as manhãs, mas antes das 2 da tarde, eu bebia tudo; depois disso ele ia e batia outros 75 barris. [...]. Trechos extraídos da obra The Palm-Wine Drinkard (Faber & Faber, 2014), do escritor nigeriano Amos Tutuola (1920-1997), que no livro Ajaiyi and His Inherited Poverty (Faber & Faber, 2015), expressa que: […] O falcão brinca com o pombo e o pombo fica feliz, mas não sabe que está brincando com a morte. [...] Eu tinha esquecido que as coisas poderiam mudar no futuro e que essa promessa era uma dívida [...]. No livro L’ivrogne dans la brousse (Gallimard, 1952), ele expressa que: [...] A cada vez que os mortos nos viam, eles faziam ouvir barulhos desagradáveis que mostravam que eles nos odiavam e também que estavam furiosos por os ver vivos. [...]. No livro The Village Witch Doctor and Other Stories (Faber & Faber, 2014), ele traz: […] Se continuarmos a pagar "mal" por "mal", o mal nunca acabará na Terra [...]. Por fim, no livro My Life in the Bush of Ghosts (Faber & Faber, 2014): […] Tendo deixado esta vila a uma distância de uma milha, este mágico fantasma veio até mim no caminho, ele me pediu para deixar nós dois compartilharmos os presentes, mas quando eu recusei, ele mudou para uma cobra venenosa, ele queria me morder até a morte, então eu mesmo usei meu poder mágico e mudei para um longo bastão no mesmo momento e comecei a bater nele repetidamente. Quando ele sentiu muita dor e quase morreu, então ele mudou da cobra para um grande fogo e queimou este bastão até as cinzas, depois disso ele começou a me queimar também. Sem hesitar, eu mesmo mudei para chuva, então eu o apaguei imediatamente. [...]. E dele destaco o pensamento: Depois de viajarmos por dois dias e meio, chegamos à estrada dos Mortos, de onde os bebês mortos nos expulsaram, e quando chegamos lá, não pudemos viajar por ela por causa dos bebês mortos assustadores, etc., que ainda estavam lá.

 

DOIS POEMAS - O HOMEM NO MEIO SOCIAL - O Homem com toda fortaleza \ é um fraco.\ Enquanto está bem esconde\ sua fraqueza.\ Quando está só\ Busca em Deus que tenha dó. \ Reza, promete, implora,\ Fala, grita e chora. CORPO A CORPO - Foi uma luta tão limpa, \ Cristalina, transparente, evidente,\ Clarividente, serena.\ Carne contra carne,\ Músculos contra músculos,\ Sangue, sangue, sangue...\ Foi um luta tão limpa! Poemas do poeta carioca radicado em Rondônia. Selmo Vasconcellos, editor do Lítero Cultural, do jornal Alto Madeira e colaborador do Rondônia ao vivo. Ele é autor dos livros Rever verso inverso (1991), Nictêmero (1993), Pomo de discórdia (1994), Resquícios ponderados (1996) e Leonardo, meu neto (antologia,2004). Veja mais aqui e aqui.

 

SACADOUTRAS

 

A HONRA DOS SERTÕES À MORTE – Contava eu com uns 13 pra 14 anos de idade (por aí, quase meados dos anos 1970), quando li Os sertões, de Euclides da Cunha (1866-1909). Por esse tempo eu me tinha poeta parnasiano roxo (vixe! A gente faz cada coisa na vida, hem?), tanto que publiquei à época um poema rebuscadíssimo Fotogenia enfática de um mentecapto alógico (eita!?! Que droga é nove? Coisa de iniciante!), que foi publicado no informativo do glorioso Grêmio Cultural Castro Alves, do Colégio Diocesano. Ainda guardo comigo um exemplar desse informativo, boa lembrança desses tempos colegiais. Lembro bem que passei uma tarde inteira na varanda da casa do Gulú debatendo com ele a respeito da obra e, nesse entusiasmo escrevi uns textos e apresentamos (eu, Gulu, Ozi, Zé Ripe, Célio Carneirinho, Chicanjo Meyer e Mauricinho Melo Júnior, violas, batuques e amostramentos), o melodrama Sertão, Sertão pros alunos na quadra do colégio. Foi um sucesso! Mas falando de Euclides, disse Sílvio Romero: “[...] Da vida e do fim trágico de Euclides da Cunha, não direi por enquanto, de primeira, por falta de documentos; de segundo, por ser ainda inoportuno tratar de tão doloroso caso”, fato esse repetido por uma professora na faculdade que tinha Deus no céu e Euclides na terra, enfatizando o que dizia Darcy Ribeiro: “[...] o maior escritor brasileiro - raquítico, tímido e nervoso -, é assassinado pelo amante de sua mulher, quando tentava matá-lo. Anos depois, o assassino – um major bonitão e espadaúdo, campeão de tiro mata o filhe de Euclides. Também em legítima defesa”. É que o escritor foi envolvido num triângulo amoroso: a sua esposa Ana de Assis, a Saninha (ou melhor, Ana Emília Solon Ribeiro), tinha um amante, o tenente Dilermando de Assis, que com ela teve dois filhos. Por conta disso, o escritor na tentativa de vingar a honra, armado, invadiu a casa do traidor, deu-lhe três tiros e findou morto. O assassino conseguiu reagir, matou o escritor e foi absolvido por legítima defesa. Tempos depois, o filho de Euclídes resolveu vingá-lo, atirando nas costas do odiado que, mesmo ferido, conseguiu matá-lo: pai e filho mortos. Desse caso muitas coisas rolaram. Em 1990, a Rede Globo apresenta a minissérie Desejo, escrita por Gloria Perez, contando o caso do assassinato. Fui ver o dvd, afinal Vera Fisher protagonizava como Saninha, a esposa de Euclides. Vera é Vera, imperdível sempre, principalmente na cena com os filhos quando ela diz: “Eu não errei, eu amei!”. Depois vieram os livros Crônica de uma tragédia inesquecível: do processo Dilermando Reis, que matou Euclides da Cunha, de Walnice Nogueira (Terceiro Nome, 2007); Matar para não morrer, da historiadora Mary del Priore (Objetiva, 2009) e Matar ou morrer: o caso Euclides da Cunha, da procuradora e professora Luiza Nagib Eluf (Saraiva, 2009). Até o Mário Vargas Llosa inspirou-se na obra do escritor brasileiro para escrever o seu A guerra do fim do mundo: a saga de Antonio Conselheiro na maior aventura literária do nosso tempo (Francisco Alves, 1981). Mas Os sertões é uma obra e tanto, um dos clássicos da Literatura Brasileira, meritória de registro: começa com uma abordagem acerca da geografia do sertão baiano, assinalando que: “O sertão de Canudos é um índice sumariando a fisiografia dos sertões do norte... E o sertão é um paraíso...”. Adiante ele menciona que: “[...] O martírio do homem, ali, é o reflexo de tortura maior, mais ampla, abrangendo a economia geral da vida. Nasce do martírio secular da Terra...”, fato que o faz constatar que: “[...] O Brasil era uma terra do exílio; vasto presídio com que se amedrontavam os heréticos e os relapsos, todos os passiveis do morra per ello da sombria justiça daqueles tempos...”, arrematando que: “O sertanejo é, antes de tudo, um forte. Não tem o raquitismo exaustivo dos mestiços neurastênicos do litoral. A sua aparência, entretanto, ao primeiro lance de vista, revela o contrário. Falta-lhe a plástica impecável, o desempeno, a estrutura corretíssima das organizações atléticas...”. No final ele escreve: “Fechemos este livro. Canudos não se rendeu. Exemplo único em toda a história, resistiu até ao esgotamento completo. Expugnado palmo a palmo, na precisão integral do termo, caiu no dia 5, ao entardecer, quando caíram os seus últimos defensores, que todos morreram. Eram quatro apenas: um velho, dois homens feitos e uma criança, na frente dos quais rugiam raivosamente cinco mil soldados. Forremo-nos à tarefa de descrever os seus últimos momentos. Nem poderíamos fazê-lo. Esta página, imaginamo-la sempre profundamente emocionante e trágica; mas cerramo-la vacilante e sem brilhos. Vimos como quem vinga uma montanha altíssima. No alto, a par de uma perspectiva maior, a vertigem... Ademais, não desafiaria a incredulidade do futuro a narrativa de pormenores em que se amostrassem mulheres precipitando-se nas fogueiras dos próprios lares, abraçadas aos filhos pequeninos?... E de que modo comentaríamos, com a só fragilidade da palavra humana, o fato singular de não aparecerem mais, desde a manhã de 3, os prisioneiros válidos colhidos na véspera, e entre eles aquele Antonio Beatinho, que se nos entregara, confiante – e a quem devemos preciosos esclarecimentos sobre esta fase obscura da nossa história? Caiu o arraial a 5. No dia 6 acabaram de o destruir desmanchando-lhe as casaas, 5.200, cuidadosamente contadas”. Veja mais aqui.

PROGRAMA TATARITARITATÁ – O programa Tataritaritatá que vai ao ar todas terças, a partir das 21 (horário de Brasilia), é comandado pela poeta e radialista Meimei Corrêa na Rádio Cidade, em Minas Gerais. Confira a programação desta terça aqui. Logo mais, a partir das 21hs (horário de Brasília), acontecerá mais uma edição do programa Tataritaritatá com muita festa e a apresentação da querida Meimei Corrêa. E com as seguintes atrações na programação: MPB 4 & Quarteto em Cy, Orquestra de Cordas Dedilhadas de Pernambuco, Elba Ramalho, Chico César, Geraldo Vandré, Cátia de França, Herbert Viana, Vital Farias, Glória Gadelha, Sonia Mello, Ricardo Machado, Mazinho, Santana o Cantador, Abdias dos Oito Baixos, Lucy Alves, Renata Arruda, Eliza Clívia, Lysia Condé, Elisete Retter, Alex Rios Silva, Mônica Brandão, Zé Ramalho, Os Vips, Roberto Luna, Roberta Miranda, Marconny Melo & muito mais! Veja mais aqui.

SERVIÇO:
O que? Programa Tataritaritatá Especial de Ano Novo
Quando? Hoje, terça, 20 de janeiro, a partir das 21hs (horário de Brasília)
Onde? No MCLAM - blog do Programa Domingo Romântico
Apresentação: Meimei Corrêa

Imagem: Frinéia (1909), do pintor, desenhista e ilustrador brasileiro Antonio Parreiras (1860-1937)

Ouvindo: Concerto for violin, piano and string quartet in D Major, op. 21, dp compositor francês Amedée Ernest Chausson (1855-1899), com Jorge Bolet Juiliard String Quartet

Imagem: Friné em frente ao Aerópago, 1861, Jean-Léon Gérôme.



CASO DO JULGAMENTO DE FRINEIA – Frineia ou Mnesarete, ou mesmo Friné que em grego significa sapo, foi o apelido dado a uma cortesã grega, nascida em Téspias na Beócia, por volta de 400 aC. Diz-se que ela serviu de modelo para a estátua da Afrodite de Cnido, elaborada por Praxíteles e que tal ato se deve em razão de, certa vez, durante um festival em Eleusis, a hetaira ter se despido e entrado no mar à vista de todos. Em seguida, posou para Afrodite Anadyomene ou Vênus Anadyomene, do pintor Apeles, fato este que foi repetido por um sem número de pintores, inclusive a Friné devant l´Areopage, de Jean-Léon Gerome. Seguiram-se Baudelaire, Rilke, Saint-Saëns, Alessandro Blasetti, até Olavo Bilac e o nosso pintor Antonio Parreiras inspirados por ela. Essa cortesã extraordináriamente bela adquiriu não menos extraordinária riqueza e propôs a reconstrução dos muros de Tebas na condição de que contasse com a seguinte inscrição: “Destruído por Alexandre, restaurado por Friné a hetaira”. Evidente que a proposta foi devidamente rejeitada pelas autoridades. Mais ainda: foi acusada por Diodoro Perigetes de profanar os mistérios de Elêusis, ocasião em que foi defendida por Hipérides, orador que era um de seus amantes, e que, diante da constatação da causa perdida, rasgou o manto que a vestia, expondo a sua nudez, fato que acarretou a mudança no julgamento e ela foi devidamente absolvida. Existem outras versões para o caso, inclusive a de que foi ela mesma quem se desnudou e que a mudança de julgamento ocorreu porque a beleza física, naquela época, era aspecto de divindade e sinal de favor divino. Em sua homenagem, Eugéne Joseph Dalporte denominou 1201 Phyrne, ao asteroide descoberto em 15 de setembro de 1933. Veja mais aqui.

A POESIA DAS CANÇÕES DE ANA TERRA - Uma certa vez, ainda menino e fã de Luis Gonzaga, peguei pela primeira vez um elepê dele e vi que as lindíssimas músicas que ele cantava, trazia seu nome entre os autores. Cá comigo eu fiquei: - Nossa, ele é demais. Além de cantar dividamente, é autor das músicas que canta! Foi essa curiosidade que me levou a ser, mais tarde, radialista: é que eu tinha desde menino a mania de dizer o nome da música, os autores e quem cantava. Pois bem, já nos tempos de radialistas, me embalei com muitos sucessos que tocavam na rádio. Fui investigar a autoria desses sucessos e o nome de Ana Terra aparecia com demasiada frequência. Eu repetia comigo: - Essa Ana Terra é ótima! O desfile de sucessos que figuravam a sua coautoria não estava no gibi, a ponto de eu dedicar um dos meus programas Panorama, na Rádio Quilombo, um especial de 3 horas, só com músicas dela. E olhe que sobraram um bocado pelo espaço de tempo, precisaria de muito mais horas para tal. Foi aí que comecei a perseguir a escritora, roteirista, letrista, produtora e ilustradora Ana Terra, autora do livro Letras & Canções, da novela Estrela, do roteiro para longa-metragem Os campos de São Jorge e coautora de uma parceria infindável com os melhores nomes da música brasileira. Na primeira metade dos anos 2000, tive a grata satisfação de encontrá-la e solicitar uma entrevista. Ela generosamente de pronto, aceitou e a fiz publicar no meu Guia de Poesia. Confira a entrevista aqui ou aqui.


AMARCORD DE FELLINI – Entre os tantos filmes do cineasta italiano Federico Fellini (1920-1993), que me leveram ao prazer de revê-los muitas e tantas vezes, um deles quero destacar aqui, o Amarcord, lançado em 1973. Este filme além de ser uma comédia dramática produzida no talento de um dos maiores nomes do cinema mundial, me traz a sensação de um testemunho de vida, de amor à terra que nasceu, do bom humor e do escárnio diante da estupidez, da leitura de todas as grandiosidades e, ao mesmo tempo, dos desvarios do ser humano. Esse o meu eterno aplauso a uma grande obra de um grande cineasta. Salve, Fellini! Veja mais aqui, aqui e aqui.



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O reino das águas aqui.

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Eu nasci entre um rio e um riso de mulher aqui e aqui.
Cantando às margens do Una aqui.
A correnteza do rio me ensinou a nadar aqui.
Penedo, às margens do São Francisco aqui.
Sou deste chão como a terra, o fogo, a água e o ar, André Gide, Brian Smith, Friedrich Hundertwasser & Carol Andrade aqui.
O que era Mata Atlântica quando asfalto que mata, António Salvado, João Parahyba, Don Dixon & Nini Theiladetheilade aqui.
Lasciva da Ginofagia aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.
Existe gente pra tudo, Os Apinajé, Harriet Hosmer, Josefina de Vasconcelos, Anelis Assumpção & Banksy aqui.
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CRÔNICA DE AMOR POR ELA
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CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
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GONÇAL MAYOS, MARINE PETROSSIAN, PÉTER NÁDAS & IRANDHIR SANTOS

  Imagem: Arrostar aporias , da série Caosmose & O poema nasce do visinvisível - Acervo ArtLAM .   Fábula dos embeiçados desavindos... ...