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quarta-feira, junho 16, 2021

JAMES JOYCE, BERENICE ABBOTT, A DANÇA DA FILHA & DIA LÁ DE ALAGOINHANDUBA

 

 

TRÍPTICO DQP – Diário de lembranças - Ao som do álbum Bloomsday (Cult, 2018), do produtor musical instrumental estadunidense Esbe. - Era madrugada, cabeça ao travesseiro estrelado e nos meus olhos entreabertos e sonolentos o onírico amanhecer dublinense de Eveline. Lá estava ela com Nora e contávamos os mortos porque o jovem artista ainda brincarte de sonhar, não saberia o que da vida fora feito. Não sabia onde estava Ulysses, só ouvia o Monólogo de Molly porque estávamos todos exilados no meu país em que tudo se perdia e se esfacelava. Nem ouvíamos o aviso de que não se devia confiar nas aparências: é que pensávamos ser aqui o éden e não passava de uma lenda do Hy-Breazil. Perdíamos a festa, Bloomsday, só do Finnegans Wake: … Primeiro falamos. Depois falimos. E que ela chova agora se quiser. Brava ou leve, como ela queria. Restavam leitoras de James, leituras de Joyce. Tão logo evaporou o devaneio, sumiram... Sem ao menos qualquer despedida, foram embora, e eu estava condenado aqui, fazendo o meu diário de lembranças: andanças pelo país para conhecer melhor a indigência e os perigos do Brasil: armadilha de bumerangue – todos gritam e ninguém se ouve, mãos vazias e chorar por nós mesmos.

 


Dois passos & a dança da filha - Imagem: The dancer Lucia Joyce (1927), da fotógrafa estadunidense Berenice Abbott (1898-1991) & Bloomsday – Dublin & Ao som de Bloomsday, do álbum I Guess We Live Here Now (Independent, 2021), da compositora e cantora estadunidense Samantha Crain. – Mal despertei e ela dançava pelo quarto, pés descalços e túnica, passos euritmicos de Dalcroze e imersão da Akademia, como se fosse da comuna de Neuilly, o coração aberto e a vida solta uma nova era. Quem aquela? Não havia como saber, só quando ela falou da sua vida enquanto rodopiava o seu fascínio no meu coração. Era a filha perdida, tornou-se a dançarina notável Lúcia: Sou eu quem é o artista. E eu embalado pela vanguarda dos seus gestos, a me dizer que foi enterrada no meio de uma história conturbada de incesto e extravagâncias. Era ela a musa trágica de Trieste - Carl Jung que o diga: ele e o pai dela protagonizaram farpas e raios que abalaram o planeta. Do outro lado surgiu o enamorado Samuel Beckett agitando as mãos enlouquecidamente: A mulher irlandesa! Um pouco de justiça, senhores! E mostrava para guardar a foto da sua performance de peixe prateado yeatsiano pelo resto da vida. E mais hipnotizado com a sua dança grega, mais me dizia das lições do movimento livre de Margaret Morris, o treinamento físico com Kitten - Kathleen Neel e a recusa da oferta de emprego da irmã de Duncan, a Elizabeth, para lecionar na escola de Darmstadt, perto de Frankfurt. E dançou La petite marchande d'allumettes (The Little Match Girl, 1928), do cineasta Jean Renoir (1894-1979), enquanto se desmanchava pela série de namoricos e noivados rompidos e o idílio com Mary Wigman. Desabou desconsolada, o colapso nervoso quando o irmão Giorgio a levou para ser encarcerada em manicômios, camisas de força e soro bovino. Não sabia da morte do pai dela, seu único defensor – aquele mesmo que mantinha reservas, considerava impróprio dançar no palco. A mãe nunca a visitara e o irmão apenas uma única vez, aprisionada no asilo de St Andrew, em Northampton. Vi quando o sobrinho Stephen guardou seu romance, poesia e correspondências com o pai e destruiu tudo da Biblioteca Nacional da Irlanda. Os amigos seguiram os passos e destruíram sua correspondência, silenciando-a, roubando-lhe o arbítrio e tornando-a um espaço vazio supino. Revi tudo dela no livro Lucia Joyce: To Dance in the Wake (‎St. Martins, 2003), da escritora Carol Loeb Shloss, e no curta-metragem Lucia Joyce: Full Capacity (2020), da cineasta Deirdre Mulrooney, estrelado por Evanna Lynch. Nunca imaginara aquilo tudo, não era sonho, o travesseiro revelara.

 


Três dias lá... – Levantei-me assustado, o que estava acontecendo comigo? Sei lá! Se não me livrara do espelho de Wang Tu, agora, cada vez mais, refém do travesseiro de Chen-Tsi-Tsi. Onde estava? Quem sabe... Fui ver: em Alagoinhanduba era Dia Lá, aquele que se comemorava dia 29 de fevereiro ou 31 de abril. Eita! Às vezes se esqueciam do evento e folgavam de novo no segundo semestre num dia que desse na veneta, emendando outros feriados, na farra de correr bicho, desenvultar assombração e gente se envultar na força da Teibei. O Dia Lá era tão arrepiado que teve uma vez começou às vésperas do carnaval e só terminou na sexta-feira santa, isso porque Jesuisis do Jegue passou da conta nos birinaites e bateu as botas assim do nada: o choro foi tamanho, morreu de novo aquele que nasceu no alinhamento dos planetas do dia 5 de fevereiro de 1962. Como é? Sim. Foi mesmo? Tais brincando! Na vera, tal como o Giro, lembra? Eita, quem o Anticristo? Sei lá. Ninguém nunca mais viu o Giro. Olha lá, o Jesuisis ressuscitou de novo. Foi mesmo? Agorinha, olhelelá! Benzodeus. E agora? É Dia Lá, vambora que ainda tem muita festa para comemorar! Tome cipoada para cima: Simbora putada! Até mais ver.

 

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quarta-feira, julho 26, 2017

ARQUÉTIPOS DE JUNG, MOACIR SANTOS, CONTRAPONTO DE HUXLEY, JACOB DE HAAN, MAWACA, ÉRICA GARCIA, JENNY SAVILLE & MARIE JOHNSON HARRISON

OS AVÓS SÓ BOTAM A PERDER – Imagem: Art by Marie Johnson Harrison - Vivi momentos felizes de muitas aventuras na minha infância com os meus avós. O primeiro neto que apareceu no meio de uma penca de tios e tias, pronto, virava eu o xodó e o centro das atenções, manhando dengoso no meio da maior plateia, isso no de menos. Na garupa do cavalo, meu avô Arlindo me levou por vales, rios e canaviais. Quando não, por ser o administrador de engenhos de cana de açúcar do Rio Grande Norte até terras no sul de Minas Gerais, eu podia gabola beiçudo impressionar os matutos com minhas invencionices e trelas de menino tagarela, tudo abestalhado com o meu poder de inventar pinóias cada uma pior que a outra: esse menino bebeu água de chocalho. Essa e muitas outras aventuras nos engenhos só paravam de mesmo quando meu avô ia pra casa dele em Água Preta, eram dias de reinação na bodega sortida de vó Benita, coisa de levar carão o dia todo e esperar pelos acalantos e histórias de trancoso que ela mandava ver pra me amedrontar arrepiado embaixo do cobertor. Os acalantos e histórias dela era coisa de ciúmes nos cabarés, soldados que se perderam, mães que se vingaram, mortes e brigas de famílias, afora coisas do outro mundo e presepadas de espíritos zombeteiros. Quando eu não tremia de medo, morria de rir, e ela mais ainda, até se esquecia das horas contando cada coisa. Findavam as férias e eu de volta pra casa, eram os tempos de ganhador aberto: Pai Lula mesmo todo dia trazia um Mané Gostoso, uma peteca, ioiô, cavalo de pau, boneco de barro, brinquedos de plásticos, doces, biscoitos, confeitos e guloseimas regionais, afora me atiçar com piadas e adivinhações que me premiavam independente de que eu acertasse ou não. Ganhava de todo jeito. Às vezes me levava pra casa dele e lá eu virava artista de cinema com Carma que me recepcionava com o sorriso mais lindo do universo. Depois eu puxava conversa e parava todo movimento da casa, Carma atenta às minhas leseiras, me tratando como um homenzinho que mais queria aparecer que crescer. Oxe, eu ficava contando coisas engraçadas só pra ver a risada de Carma, quando não me ressentia pra ela da minha mãe que não deixava eu brincar no quintal com minha irmã nem com meus primos, me amarrava no pé da mesa, não podia botar o pé descalço no chão, nem chacoalhando na água, nem atrepar no pé de fruta, nem no muro, nem por cima do quintal do vizinho, nem comer chocolate, vixe, ela não deixa, Carma, não deixa! E Carma ria me abraçando e me oferecendo doces e bolos os tantos. O melhor de tudo de todos os meus aprontamentos com meus avós, era que quanto mais eu folgava nas peraltices, mais eles me davam corda para mandar ver nas presepadas. Pois é, os avós botam mesmo tudo a perder, como eu que sou perdido de não prestar mais. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

OS ARQUÉTIPOS E O INCONSCIENTE DE JUNG
[...] Uma existência psíquica só pode ser reconhecida pela presença de conteúdos capazes de serem conscientizados. Só podemos falar, portanto, de um inconsciente na medida em que comprovarmos os seus conteúdos. Os conteúdos do inconsciente pessoal são principalmente os complexos de tonalidade emocional, que constituem a intimidade pessoal da vida anímica. Os conteúdos do inconsciente coletivo, por outro lado, são chamados arquétipos. [...] Estou convencido de que o depauperamento crescente dos símbolos tem um sentido. O desenvolvimento dos símbolos tem uma conseqüência interior. Tudo aquilo sobre o que nada pensávamos e a que, portanto, faltava uma conexão adequada com a consciência em desenvolvimento, foi perdido. Tentar cobrir a nudez com suntuosas vestes orientais, tal como fazem os teósofos, seria cometer uma infídelidade para com a nossa história. Não caímos no estado de mendicância para depois posar como um rei indiano de teatro. Mais vale, na minha opinião, reconhecer abertamente nossa pobreza espiritual pela falta de símbolos, do que fingir possuir algo, de que decididamente não somos os herdeiros legítimos. Certamente somos os herdeiros de direito da simbólica cristã, mas de algum modo desperdiçamos essa herança. Deixamos cair em ruínas a casa construída por nosso pai, e agora tentamos invadir palácios orientais que nossos pais jamais conheceram. Aquele que perdeu os símbolos históricos e não pode contentar-se com um substitutivo, encontra-se hoje em situação difícil; diante dele o nada bocejante, do qual ele se aparta atemorizado. Pior ainda: o vácuo é preenchido com absurdas idéias político-sociais e todas elas se caracterizam por sua desolação espiritual. Mas quem não consegue conviver com esses pedantismos doutrinários vê-se forçado a recorrer seriamente à sua confiança em Deus. Embora em geral se constate que o medo é ainda mais convincente. Tal medo decerto não é injustificado, pois onde o perigo é maior, Deus parece aproximar-se. É perigoso confessar a própria pobreza espiritual, pois o pobre cobiça e quem cobiça atrai fatalidade. Um drástico provérbio suíço diz: "Por detrás de cada rico há um demônio e atrás de cada pobre, dois". Da mesma forma que os votos de pobreza material, no cristianismo, afastavam a mente dos bens do mundo, a pobreza espiritual renuncia às falsas riquezas do espírito, a fim de fugir não só dos míseros resquícios de um grande passado, a "Igreja" protestante, mas também de todas as seduções do perfume exótico, a fim de voltar a si mesma, onde à fria luz da consciência, a desolação do mundo se expande até as estrelas. Já herdamos essa pobreza de nossos pais. [...] Nosso intelecto realizou tremendas proezas enquanto desmoronava nossa morada espiritual. Estamos profundamente convencidos de que apesar dos mais modernos e potentes telescópios refletores construídos nos Estados Unidos, não descobrirem nenhum empíreo nas mais longínquas nebulosas; sabemos também que o nosso olhar errará desesperadamente através do vazio mortal dos espaços incomensuráveis. As coisas não melhoram quando a física matemática nos revela o mundo do infinitamente pequeno. Finalmente, desenterramos a sabedoria de todos os tempos e povos, descobrindo que tudo o que há de mais caro e precioso já foi dito na mais bela linguagem. Estendemos as mãos como crianças ávidas e, ao apanhá-lo, pensamos possuí-lo. [...].
Trechos extraídos da obra Os arquétipos e o inconsciente coletivo (Vozes, 2000), do psicoterapeuta suíço Carl Gustav Jung (1875-1961), trazendo fundamentações teóricas que descrevem arquétipos específicos num estudo sobre as relações deles com o processo de individualização e da psicoterapêutica. Veja mais aqui & aqui.

Veja mais sobre:
Do raiar do dia aos naufrágios crepusculares, Sempre poesia de Helena Kolody, História dos hebreus de Flavio Josefo, Metafísica do real & virtual de Michael R. Heim, Yanomâmi de Milton Nascimento & Fernando Brant, a fotografia de André Brito, a pintura de George Grosz & Fernando Rosa, a arte de Rollandry Silvério & a poesia de Carla Torrini aqui.

E mais:
Os avós aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.
Envelhecer não é o fim do mundo aqui.
Alter ego, Arquétipo de criança de Carl Jung, Eminência parda de Aldous Huxley, A flauta roubada de Cassiano Ricardo, a literatura de George Bernand Shaw, Laranja Mecânica, o cinema de Stanley Kubrik, a música de Gilson Peranzzetta & Mauro Senise, a pintura de Jean Baptiste Camille Corot & Demócrito Borges, Brincarte do Nitolino & Rachel Lucena Colégio Fator aqui.
Terceira idade & envelhecimento, Aldous Huxley, a música de Armando José Fernandes, a pintura de Camille Corot, a poesia de Ivaldo Gomes & o blog de Mônica e Monique Justino aqui.
A mútua colheita do amor aqui.
Vade-mécum: enquirídio, um preâmbulo para o amor aqui.
Por onde é que anda o Doro, hem?, Teatro & ciência de Bertolt Brecht, Ziraldo, Revolução de Florestan Fernandes, Canto primeiro de Basílio da Gama, a música infantil de Adriana Calcanhoto, Olga Benário Prestes, Rainha Margot & Isabelle Adjani, Clube Literário de Andrelândia, a pintura de Cristoforo Munari, a arte de Rollandry Silvério & Brincarte do Nitolino aqui.
Segura o jipe!, a prima da Vera & a pintura de Pedro Cabral aqui.
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Todo dia, a primeira vez, a arte de Gilvan Samico & a pintura de Paul Mathiopoulos aqui.
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CONTRAPONTO DE HUXLEY
[...] Era sempre demasiado fácil para ele dispensar os outros. Gostava muito de se fechar no fundo de seu próprio silêncio. Mas podia ter aprendido a se exteriorizar mais, se não sobreviesse aquele horrível acidente. [...] - Eu quisera que Phillip tivesse ido à guerra. Não por motivos belicosos ou patrióticos. Mas porque se me pudessem garantir que ele não morreria nem ficaria mutilado, teria sido tão bom para ele […] Podia ter-lhe quebrado a concha, podia tê-lo libertado de sua própria prisão. Liberdade sob o ponto de vista emocional, porque o seu intelecto já é bastante livre. [...] Duma maneira abstrata sabes que a música existe, e que é bela; mas não partas daí para fingir, ao escutar Mozart, que estás num arrebatamento que não sentes. Se procedes assim, transformas-te num desses esnobes musicais idiotas que se encontram na casa de Lady Edward Tantamount. Incapazes de distinguir Bach de Wagner, babando-se de êxtase quando os violinos se fazem ouvir. O mesmo se passa exatamente com Deus. O mundo está cheio de esnobes religiosos perfeitamente ridículos. Pessoas que não estão verdadeiramente vivas, que nunca praticaram um ato verdadeiramente vital, que não têm relação viva com coisa alguma; criaturas que não têm o menor conhecimento pessoal ou prático do que é Deus. Mas andam pelas igrejas, rosnam suas orações, pervertem e destroem a totalidade de sua existência sem brilho, agindo de acordo com a vontade duma abstração arbitrariamente imaginada a que resolveram dar o nome de Deus. [...] Tudo será incrível, se pudermos tirar a crosta de banalidade evidente que os nossos hábitos põem nas coisas. Todo objeto, todo acontecimento contêm em si uma infinidade de profundezas dentro de outras profundezas [...]
Trechos extraídos da obra Contraponto (Globo, 2014), do escritor inglês Aldous Huxley (1894-1963). Veja mais aqui, aqui & aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje é dia de especiais com o saudoso arranjador, maestro, compositor e multi-instrumentista Moacir Santos (1926-2006): Ouro negro & Coisas; com a multifacetada cantora, guitarrista, compositora, atriz & performer argentina Érica Garcia: Amorama & El Cerebro; do compositor holandês Jacob de Haan: Concerto d’ Amore, Ross Roy, Utopia & Pacifi Dream; e do grupo vocal e instrumental de pesquisa e recriação muscial Mawaca: Canto da Floresta & Gayatri Mantra. Para conferir é só ligar o som e curtir.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte da pintora britânica Jenny Saville. Veja mais aqui & aqui.

quarta-feira, novembro 04, 2015

JUNG, MALRAUX, LEILAH, FÁTIMA MONTEIRO, GORETTI POMPE, CHAMA, MÁNES, VIÚVAS DE MARIDO VIVO, BAIXO GÁVEA & BRINCARTE DO NITOLINO.

VAMOS APRUMAR A CONVERSA? NÓS, JUNG & A HOLÍSTICA – Fazer uma reflexão sobre o momento presente requer de nós uma acurada e detida observância acerca do passado para que tenhamos uma compreensão do que estamos vivenciando no presente. Não seria outro o caminho, afinal para que saibamos a pretensa completude de algo, convém atentar sobre a forma como feita ou percorrida, como foi construída e elaborada, daí identificando, inclusive, quais as consequências disso. E por conta disso, para que possamos entender o que nos ocorre hoje é preciso ter a perspicácia de olhar pra trás, cônscios de que estamos no trânsito daquilo que foi feito e no que resultou, ou do que fizemos ou de como fomos diante de determinadas ocasiões, para entendermos a razão do que realmente somos e a que ponto, então, chegamos agora. Por aí. Foi-me possível realizar entre amigos uma abordagem acerca da psicologia junguiana e o desenvolvimento da holística no nosso tempo. Para tal, fez-se necessário termos de voltar no tempo e encontrar a base do método analítico, método este aplicado por grandes nomes da Ciência, como o de Galileu, Bacon, Descartes, Newton, Freud, uma via quantitativa com ênfase na parte e em fatos específicos e particulares, determinista, via controle e exatidão na previsibilidade, objetivo e reducionista, levando-se a ter uma visualização de como se sedimentou o paradigma mecanicista que perdura até então por meio de um processo analítico que decompõe do todo as suas partes, nos dando a visão fragmentada de tudo e que, por consequência, nos leva às especialidades de visão apenas de parcela da realidade. Acontece, porém, que com o advento da mecânica quântica de Max Planck e da teoria da relatividade de Albert Einstein, uma outra forma de ver as coisas foi desenvolvida, rumo ao sintético, complementando a ótica analista. Ou seja, pela visão do todo numa via qualitativa, experiencial e voltada para a unicidade e participação, tornou-se possível então ter-se uma perspectiva ampliativa e globalista de tudo e de todas as coisas. Essa é a perspectiva que foi trilhada por Jung, Frankl, Krishnamurti, não com uma condução antagônica ao analítico, vez que são complementares e, justo por isso, requerendo-se que a esta suceda o sintético unificador. É aí que nos defrontamos com a holística, pensamento desenvolvido a partir de Smuts no início do século recém passado e que tem se ampliado nas últimas décadas para formação de uma nova paradigmática frente ao secular mecanicismo. Afinal, com a preponderância mecanicista temos a sensação de que foi decepado o corpo caloso do planeta, a nos fazer crer que cada hemisfério é distinto um do outro e sem a menor relação entre eles. A holística recompõe essa estrutura cerebral do planeta, dando-nos a oportunidade de ver que somos uma terra só não apenas ocidentalizada, mas como uma mãe que abriga a pluralidade dos ecossistemas, entre os quais se insere o que denominamos de espécie humana. Assim, embalado pelos acordes da Going for the one, do Yes, convido a conferir mais abaixo e aqui.


Imagem: Krajina s Kokořínem a Křivoklátem v bouři, do pintor e ilustrador tcheco Antonín Mánes (1784-1843).


Curtindo o som do Coletivo Chama criado para discutir a canção entendida como arte e os novos rumos da MPB. Integram o Chama os músicos Thiago Amud, Pedro Sá Moraes, Renato Frazão, Thiago Thiago de Mello, Ivo Senra, Cesar Altai e Sérgio Krakowski.

BRINCARTE DO NITOLINO– Hoje é dia de reprise do programa Brincarte do Nitolino para as crianças de todas as idades, nos horários das 10hs e das 15hs (no horário de verão), no blog do Projeto MCLAM e com apresentação de Ísis Corrêa Naves. Na programação sempre especial também tem atrações especiais chamando a meninada com Toquinho, Chico Buarque & Milton Nascimento, Ivan Lins & As Chiquititas, A. J. Cardiais, Mundo Bita, A onça Felinda, Meimei Corrêa, Marina, Turma do Balão Màgico, Turminha da Natureza, Nita, Historinha Cantada, Fabio Jr, O Reino Encantado de Todas as Coisas, A criação do mundo & muito mais No reino encantado de todas as coisas. No blog, muitas dicas de Educação, Psicologia, Direito das Crianças e Adolescentes, Teatro, Música e Literatura infantil, com destaque pro Brincar da Criança e as historias em quadrinhos dos Aventureiros do Una. Para conferir ao vivo e online clique aqui ou aqui.

VIÚVAS DE MARIDO VIVO – No livro Terra em Alagoas: temas e problemas (Edufal, 2013), organizado por Luiz Sávio de Almeida, José Carlos da Silva Lima e Josival dos Santos Oliveira, encontro o artigo O jeito mulher de lutar pela terra, de Maria José Cavalcante, uma camponesa assentada e técnica em Agropecuária Agroecológica, e Heloisa Muniz do Amaral, engenheira agrônoma e mestre em Produção Vegetal, do qual destaco os trechos: [...] Nos processo de concentração das terras em Alagoas, muitas famílias foram expulsas de suas terras e jogadas nas periferias das cidades, onde passaram a viver, geralmente, marginalizadas. Neste processo as mulheres foram as mais prejudicadas, pois muitas famílias se desfizeram e elas tiveram de arcar com todas as responsabilidades da casa e dos filhos, as chamadas viúvas de marido vivo, pois os homens foram trabalhar em outros estados, cortar cana, colher laranja, trabalhar com cultura de café, etc., em busca de trabalho e renda. Sem teto, sem emprego fixo e sem expectativas de vida, muitas dessas famílias foram alcançadas pela proposta de luta pela terra através das ocupações e através da resistência nos acampamentos que surgiram na década de 80. [...] Quem eram essas mulheres acampadas? Agricultoras, domésticas, desempregadas, solteiras, cortadoras de cana, adubadoras, semeadoras, prostitutas, aposentadas, mulheres que lutavam para manter a dignidade e encontraram na luta pela terra a saída para a liberdade. [...] Mulheres que vivem morrendo e que morrem vivendo: e não seria possível concluir sem falar da Josiete, acampada com outras dezenas de famílias na Flor do Bosque, primeiro acampamento realizado pela CPT em Alagoas. [...] Mulheres como Josiete vivem morrendo porque, muitas vezes, não são respeitadas pelo caminhoneiro na estrada, pelo vizinho, muitas vezes pelo próprio companheiro, mesmo assim morrem vivendo porque estão lutando pela terra, pela sobrevivência. Morrem meio que gritando: continuem a luta a partir de onde parei, continuem a luta porque para mim não será mais possível. [...]. Veja mais aqui.

A CONDIÇÃO HUMANA – O livro Malraux: no caminho das tentações (Brasiliense, 1982), de Lourenço Dantas Mota, aborda sobre a tentação da aventura, da história e da arte, o absurdo é uma pergunta e abordando sobre o escritor francês André Malraux (1901-1976), do qual destaco o trecho da expressão deste: Não creio que o verdadeiro romancista deva criar personagens; ele deve criar um mundo coerente e particular, como todo outro artista. Não fazer concorrência ao registro civil, mas fazer concorrência à realidade que lhe é imposta, e da vida, ora parecendo submeter-se a ela, ora transformando-a, para rivalizar com ela. Explica o autor que: Para Malraux a arte é o antidestino. A transcendência que não encontrou na ação, seja na aventura, seja na História, está na arte. A obra destaca o seu romance mais conhecido e clássico da literatura mundial, A condição humana, lançado em 1933 e premiado com Goncourt daquele ano, contando uma história inspirada na revolução chinesa, em 1927, quando um homem corroído pela amargura vê-se em um país sacudido por uma insurreição, em que homens planejam uma revolução, muitos divididos entre a culpa e a ideologia. Este livro de Malraux é um depoimento pessoal sobre os momentos históricos em tom de reportagem, tratando sobre questões morais, intelectuais e políticas, com personagens que representam valores e formas de ação. Veja mais aqui. 

VOO – O livro Voo (Vidráguas, 2012), da poeta carioca Maria de Fátima Monteiro, é dividido em quatro partes: Voos (in) Cupidos, Voos solo e Voos de escuta e haicais, Voos livres e Voos rasantes. Na obra destaco inicialmente o poema Arte: Desenha um poema no meu corpo, / compõe / e descompõe os meus cabelos, / esculpe com teus beijos minha carne, / baila ao som que vem de mim, / dirige o espetáculo sem plateia, / porque a Arte é tudo / e o Amor é mais... Também o Me tens: me tens no teu nunca mais / e no teu sempre / me tens no teu céu / e no teu inferno / me tens no teu corpo morno / no teu suor  me tens na tua pele / no teu cheiro / me tens em todos os teus pelos / nos cabelos / me tens no teu hálito / nos teus fluidos / me tens nos teus olhos / e no olhar / me tens nos teus braços / nos abraços / me tens nas tuas mãos / nos teus dedos sábios / nos lábios / me tens. O belíssimo poema Dentro: Dentro dos teus olhos / havia um mar / dentro do mar / um barco / dentro do barco / eu / dentro de mim / você. O belíssimo Espelho: Tem uma menina nos olhos teus / chega aqui / presta atenção / tem um menino nos meus... Por fim, Depois: O corpo / pede amor urgente / a alma sabe / pode esperar / depois / o corpo cansado / a alma leve / quer amar / rir / falar / trocar / o mundo para / os deuses calam / sublime momento / em que só as almas pares / podem se encontrar... Veja mais aqui.

FALA BAIXO SENÃO EU GRITO & ILUSTRÍSSIMO FILHO DA MÃE – A obra da dramaturga Leilah Assumpção compreenda as peças teatrais Fala baixo senão eu grito (1969), Jorginho, o Machão (1971), Amanhã, Amélia, de Manhã (1974), Roda cor de roda (1975), A Kuka de Kamaiorá (1975), Quatro mulheres (1976), Sobrevividos (1977), Vejo um vulto na janela, me acudam sou donzela (1979), Seda pura e alfinetadas (1980), O segredo da alma de ouro (1981), Boca molhada de paixão calada (1984), Menino ou menina? (1986), Lua nua (1990), Sal that I went to mayamoon (1991), Quem matou a baronesa (1992), Adorável desgraçada (1994), O momento de Mariana Martins (1999), Intimidade indecente (2001) e Ilustríssimo filho da mãe (2007). Também dedicou-se à teledramaturgia, escrevendo as novelas Venha ver o sol na estrada (1974), Um sonho a mais (1984) e a minissérie Avenida Paulista (1985). São mais de quarenta anos de carreira devotados ao teatro brasileiro. Veja mais aqui, aqui e aqui.

BAIXO GÁVEA – O drama Baixo Gávea (1986), dirigido pelo cineasta e roteirista Haroldo Marinho Barbosa (1944-2013), trata das inquietações de duas jovens cariocas que moram juntas e ensaiam uma peça de teatro sobre o poeta português Fernando Pessoa. Uma delas dirige os ensaios ao mesmo tempo que busca constantemente o homem correto e o amor da sua vida, sendo que a outra é a homossexual que interpreta o poeta Mário de Sá Carneiro. Ela é amiga e confidente da outra com quem divide um apartamento e que não percebe o amor de quem é apaixonada por ela, que sempre a ajuda a recuperar-se das decepções. Ao contrário do personagem Sá Carneiro, poeta do decadentismo, do saudosismo, do metafísico e do vago, Ana é o lado pragmático de Clara, que por muitas vezes traz uma visão desiludida como se fosse a do próprio Fernando Pessoa, que pode estar associada aos conceitos dos heterônimos do poeta. Veja mais aqui.

CARL JUNG: GRUPO DE PESQUISA – Realizou-se nesta terça, dia 03 de novembro, mais uma das reuniões preliminares do Grupo de Pesquisa Carl Gustav Jung, formado pelos graduandos de Psicologia do Centro Universitário Cesmac. As reuniões acontecem todas as terças, a partir das 17hs, no Centro Acadêmico Martin-Baró, estando o grupo aberto à participação de estudantes interessados sobre o autor em estudo, bastando entrar em contato com qualquer dos membros. A reunião teve abertura com a abordagem sobre a importância do projeto de pesquisa para realização de trabalhos acadêmicos, deixando-se traçadas as coordenadas de construção e feitura do projeto de pesquisa. Na ocasião foi oportunizada a realização de uma abordagem acerca da psicologia de Jung com relação ao paradigma holístico. Veja mais aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Todo dia é dia da jornalista Goretti Pompe na arte do arquiteto, escritor e artista plástico Pedro Cabral Filho. 
Veja mais aqui.

 Veja mais no MCLAM: Hoje é dia do programa Quarta Romântica, a partir das 21hs (horário de verão), com a apresentação sempre especial e apaixonante de Meimei Corrêa. Em seguida, o programa Mix MCLAM, com Verney Filho e na madrugada Hot Night, uma programação toda especial para os ouvintes amantes. Para conferir online acesse aqui .

CURSO DINÂMICO DE ORATÓRIA
 Veja mais detalhes aqui.


quarta-feira, setembro 30, 2015

BRINCAR COM ARTE, CECÍLIA, JUNG, HUIZINGA, ZIRALDO, BOTERO & BRINCARTE DO NITOLINO!

VAMOS APRUMAR A CONVERSA? BRINCAR COM ARTE – Desde o início dos anos 1980, quando adaptei para o teatro as obras infantis de Elita Afonso Ferreira, que me dedico a brincar com a arte, desde a literatura, como o teatro e a música. A partir dos eventos promovidos pelas Edições Bagaço para o público infanto-juvenil, na década de 1980, que iniciei uma pesquisa resultando em estudos voltados para a Educação, a Psicologia e o Direito das Crianças e Adolescentes, culminado com a publicação do meu primeiro livro infantil O reino encantado de todas as coisas (Bagaço, 1992). Seguiram-se então a publicação dos livros Falange falanginha falangeta (Nascente, 1995), O Cravo e A Rosa (Nascente, 1998), O lobisomem zonzo (Nascente, 1999), Alvoradinha: calango verde do mato bom (Nascente, 2001), A Turma do Brincarte (Nascente, 2008), Frevo Brincarte (Nascente, 2008) e Nitolino no Reino Encantado de Todas as Coisas (Nascente, 2010), este último transformado em espetáculo de teatro infantil com temporadas realizadas nos anos de 2010/2011 e recreações educativas em escolas e eventos até então. Foi exatamente nos anos 1998/1999 que publiquei as duas edições da antologia Brincarte (Nascente, 1999/1998), reunindo trabalho de desenhos, poesias e histórias das crianças de Alagoas e de vários estados brasileiros, resultante do Prêmio Nascente de Arte Infanto-Juvenil, promovida pelo tabloide Nascente, que circulou entre os anos 1997/1999. Durante a publicação desses livros realizei recreações educativas e atividades artísticas com a garotada em escolas, feiras, bienais, entre outros eventos. A partir de 2002, deu-se a criação do blog Brincarte do Nitolino – inicialmente na plataforma Weblogger, anos depois transferido para a plataforma atual -, no qual tenho publicado literatura, teatro e música infantis, bem como pesquisas e publicações de livros, artigos e estudos nas áreas de Educação, Psicologia e Direito das Crianças e, ao mesmo, realizado o programa radiofônico que é comandado pela simpaticíssima Ísis Corrêa Naves. Resultado de tudo isso foi a realização do projeto e elaboração do artigo A contribuição do teatro no desenvolvimento da criança: um estudo sobre a perspectiva sócio-histórica de Vygotsky, orientado pela professora Ms Fatima Pereira, que foi apresentado em congresso e publicado em diversos meios de comunicação. Também o projeto de extensão Infância, Imagem & Literatura na comunidade do Jacaré – Marechal Deodoro (AL), sob orientação do professor Ms Claudio Jorge Morais Gomes, cujo trabalho de pesquisa redundou na criação da história e transformação em teatro infantil da narrativa O jacaré de óculos e a Princesa do Recanto da Ilha. Muitos outros projetos estão em processo de elaboração e fase de análise, voltados para o papel da arte nas áreas de Educação e Psicologia Social, Psicologia Escolar, Psicologia Ambiental e Psicologia da Saúde. Razão disso é a minha crença na contribuição da arte para construção de um mundo melhor para todos. E veja mais aqui e aqui.


Imagem do artista figurativista colombiano Fernando Botero. Veja mais aqui.


Curtindo o dvd Nitolino no Reino Encantado de Todas as Coisas & outros clipes no Youtube aqui.

BRINCARTE DO NITOLINO – Hoje é dia de reprise do programa Brincarte do Nitolino pras crianças de todas as idades, nos horários das 10hs e das 15hs, no blog do Projeto MCLAM. Na programação comandada pela Ísis Corrêa Naves muitas atrações: Turma da Mônica, Telmo e Tula, Cosme e Damião, Kuka, Meimei Corrêa, Sid O Cientista, Nita & a alimentação infantil, A Turma do Seu Lobato, Ana e as frutas, Patati e Patatá, Mastruz com Leite, Grupo Molejo & muito mais poesia, brincadeira, histórias e entretenimento pra garotada. No blog, muitas dicas de Educação, Psicologia, Direito das Crianças e Adolescentes, Teatro, Música e Literatura infantil, com destaque pro Brincar da Criança e as historias em quadrinhos dos Aventureiros do Una. Para conferir ao vivo e online clique aqui ou aqui.

HOMO LUDENS - O livro Homo ludens (Perspectiva, 2000), do professor e historiador neerlandês Johan Huizinga (1872-1945), trata acerca de diversos estudos realizados pelo autor abordando o papel do jogo no contexto educacional. A sua tese é de ao invés do homo sapiens, deveria ser homo ludens, conforme explicita nos seus estudos: [...] É-nos possível afirmar com segurança que a civilização humana não acrescentou característica essencial alguma à idéia geral de jogo. Os animais brincam tal como os homens. Bastará que observemos os cachorrinhos para constatar que, em suas alegres evoluções, encontram-se presentes todos os elementos essenciais do jogo humano. Convidam-se uns aos outros para brincar mediante um certo ritual de atitudes e gestos. Respeitam a regra que os proíbe morderem, ou pelo menos com violência, a orelha do próximo. Fingem ficar zangados e, o que é mais importante, eles, em tudo isto, experimentam evidentemente imenso prazer e divertimento. Essas brincadeiras dos cachorrinhos constituem apenas uma das formas mais simples de jogo entre os animais. Existem outras formas muito mais complexas, verdadeiras competições, belas representações destinadas a um público. Desde já encontramos aqui um aspecto muito importante: mesmo em suas formas mais simples, ao nível animal, o jogo é mais do que um fenômeno fisiológico ou um reflexo psicológico. Ultrapassa os limites da atividade puramente física ou biológica. É uma função significante, isto é, encerra um determinado sentido. No jogo existe alguma coisa "em jogo" que transcende as necessidades imediatas da vida e confere um sentido à ação. Todo jogo significa alguma coisa. Não se explica nada chamando "instinto" ao princípio ativo que constitui a essência do jogo; chamar-lhe "espírito" ou "vontade" seria dizer demasiado. Seja qual for a maneira como o considerem, o simples fato de o jogo encerrar um sentido implica a presença de um elemento não material em sua própria essência. A psicologia e a fisiologia procuram observar, descrever e explicar o jogo dos animais, crianças e adultos. Procuram determinar a natureza e o significado do jogo, atribuindo-lhe um lugar no sistema da vida. A extrema importância deste lugar e a necessidade, ou pelo menos a utilidade da função do jogo são geralmente consideradas coisa assente, constituindo o ponto de partida de todas as investigações científicas desse gênero. Há uma extraordinária divergência entre as numerosas tentativas de definição da função biológica do jogo. Umas definem as origens e fundamento do jogo em termos de descarga da energia vital superabundante, outras como satisfação de um certo "instinto de imitação", ou ainda simplesmente como uma "necessidade" de distensão. Segundo uma teoria, o jogo constitui uma preparação do jovem para as tarefas sérias que mais tarde a vida dele exigirá, segundo outra, trata-se de um exercício de autocontrole indispensável ao indivíduo. Outras vêem o princípio do jogo como um impulso inato para exercer uma certa faculdade, ou como desejo de dominar ou competir. Teorias há, ainda, que o consideram uma "ab-reação", um escape para impulsos prejudiciais, um restaurador da energia dispendida por uma atividade unilateral, ou "realização do desejo", ou uma ficção destinada a preservar o sentimento do valor pessoal etc. [...]. Veja mais aqui e aqui.

O BICHINHO DA MAÇÃ – O livro O bichinho da maçã (Melhoramentos, 1982), do escritor, pintor, dramaturgo, jornalista e cartunista Ziraldo, conta a história de um bichinho contador de anedotar e inventor das histórias mais incríveis do mundo. Da obra destaco o trecho a seguir: Agora, eu vou contar para vocês mais uma das minhas histórias. Vocês nem vão acreditar. Antes de morar aqui nesta maçã, eu morava numa outra fruta. Ou melhor, eu achava que morava. Eu vivia quietinho lá dentro, pois me falavam que lá fora era muito frio. Um dia, eu resolvi saber como era aquela fruta onde eu vivia. E fui furando um buraquinho, fui furando um buraquinho, até sair do lado de fora. Só quando eu saí é que eu descobri que minha casa não era uma fruta. Ela era bonita como uma romã, mas não era uma romã; ela era redonda como um limão, mas não era um limão; tinha casca toda enrugadinha como uma laranja, mas não era uma laranja. E era enorme, tão grande, como nenhuma fruta poderia ser. E tinha um bicho verde, muito grande e muito feio passeando sobre ela, parecendo um dragão. Quando eu botei a minha carinha para fora, ele quase me comeu. Mas, passou um belo guerreiro montado no seu cavalo branco e me salvou com sua lança! Imaginam, a minha casa era a Lua. Vocês não acreditam? Quem foi que me chamou de lunático? Olhe aí: se vocês não acreditam, podem perguntar ao São Jorge, quando ele passar por aqui. E conto até mais. Lá da Lua, eu pude ver a Terra. Toda azul, voando no espaço. Ela voava tão depressa pelo espaço, que eu achei que ela fosse desaparecer lá no fim. “Preciso fazer alguma coisa”, eu disse. Foi aí que eu vi o gigante. Então eu gritei para ele: “Segura a Terra aí, rapaz, senão ela vai cair na escuridão!”. Podem olhar na enciclopédia. Podem olhar na letra A que vocês vão ver se não tem um gigante segurando a Terra nas costas. É o Atlas. Meu amigo! E o tombo? Eu já contei do tombo que eu levei? Foi um tombo histórico. Eu estava dentro da minha maçã, quando ela caiu lá de cima da macieira... vocês já ouviram falar de um senhor chamado Isaac Newton? Ah, esta vocês conhecem? Então deixa eu contar uma outra, a história mais incríveis que já aconteceu comigo. [...] Veja mais aqui e aqui.

PÁSSARO, CANÇÃO E CANTATA MATINAL - No livro Retrato natural (Livros de Portugal, 1949), da escritora, pintora, professora e jornalista Cecília Meireles (1901-1964), destaco inicialmente o poema Cantata Matinal: Acordai, descuidadas, / que se abriram as portas, / e passaram as cabras. / Acorrrei, descuidosas, / que já comem às pressas / as palmeiras e as rosas. / Veio a luz da alvorada / e brilhou nas palmeiras / que eram pura esmeralda. /Vão-se as nuvens da aurora, / e só ficam as palhas / e os espinhos das rosas! / Ai, que berram as cabras, / e não posso feri-las, / e não posso enxotá-las! / Ai, que meus olhos choram, / vendo a sua alegria, / sobre tanta derrota! / Acorrei, descuidadas, / vede as portas abertas, / e os canteiros e as cabras! / Acorrei, descuidosas, / vede a terra assaltada, / e o sol que desabrocha! Também o poema Pássaro: Aquilo que ontem cantava / já não canta. / Morreu de uma flor na boca: / não do espinho na garganta. / Ele amava a água sem sede, / e, em verdade, / tendo asas, fitava o tempo, / livre de necessidade. / Não foi desejo ou imprudência: / não foi nada. / E o dia toca em silêncio / a desventura causada. / Se acaso é desventura: / ir-se a vida / sobre uma rosa tão bela, / por uma ténue ferida. Por fim, o poema Canção: Há uma canção que não fala, / que se recolhe dolorida. / Onde, o lábio para cantá-la? / Onde, o tempo de ser ouvida? / Quando alguém passa e ainda murmura, / abro os olhos, quase assustada. / A voz humana é absurda, obscura, / sem força para dizer nada. / Qual será sobre a nossa poeira, / o lugar dessa flor secreta, / - da frágil canção derradeira / murcha no silêncio do poeta? / Que abstrata mão clarividente / levantará do chão mortuário / esse arabesco altivo e ardente / morto num sonho solitário? E veja mais aqui e aqui.

A LINGUAGEM NO TEATRO INFANTIL – O livro A linguagem no teatro infantil (Loyola, 1984), de Marco Camarotti, aborda questões como o panorama atual do teatro infantil no Brasil, breve histórico, bibliografia existente, estrutura geral e sistema da expectativa na criança, a realidade infantil, a criança atingida, a linguagem e o pensamento adulto e na criança, capacidade cognitiva e lingüística da criança, os jogos infantis, o ambiente e a herança cultural, a criança como ator-autor, jogo dramático, a representação da criança, o Grupo Jabuti, as interferências da família, da televisão, a rotina institucional, o professor teatral através da brincadeira, as historias criadas pelas crianças, a formação de um enredo, o teatro infantil, adulto e criança no teatro infantil. Da obra destaco o trecho Como deve ser o teatro infantil?: Para que os efeitos de luz e som, os encantos das cores e dos movimentos, das danças e das músicas e a linguagem do texto em si mesma, possam agira com resultado plenamente comunicativo na relação ator-espetáculo-plateia, é preciso que haja uma real adequação da linguagem, quer no teatro, quer no espetáculo como um todo. E essa linguagem, como foi visto, só se fará adequada se, na sua produção e manipulação, o adulto não esquecer de dar prioridade à realidade e expectativa da criança, evitando que seu próprio ponto de vista sobrepuje o dela, assumindo a voz e o comando de tudo. Por isso, ao escrever para a criança, é preciso que o texto deve permanecer o mais possível aberto, em amplo sentido, possibilitando à criança circular por ele, imaginativa ou concretamente, armando-o e desarmando-o e voltado a armá-lo, ao impulso de sua criatividade e de sua ânsia de construção/reconstrução, sob a égide de uma liberdade consciente e responsável, que tem a marca de sua profunda espontaneidade [...]. Veja mais aqui, aqui e aqui.

MENINO MALUQUINHO – O filme de aventura Menino Maluquinho (1995), dirigido por Helvécio Ratton e produzido por Tarcísio Vidigal, com música de Antonio Pinto, é baseado no livro infanto-juvenil do escritor, pintor, dramaturgo, jornalista e cartunista Ziraldo, que conta a história de um menino travesso da classe média que adora brincar e pregar peças nos amigos, mas sofre quando seus pais se separam. Mas aí aparece o Vovô Passarinho que o leva para umas férias na fazenda, onde vive agitadas aventuras. E como eu fui um presepeiro menino da beira do rio, muito me identifiquei com as peraltices cabeludas do Maluquinho, sentindo-me, inclusive, como se fosse a minha infância que estava sendo contada pelo talento do autor e visão do cineasta. Tudo é muito representativo e me remeteu às traquinagens que cometi no quintal, usando e abusando da inventividade com meu amigo invisível e as amizades que eu fiz com todas as árvores e pés de plantas do meu e de muitos outros quintais. O livro é encantadoramente fascinante e o filme está no mesmo tom, merecendo ser conferido pelas crianças de todas as idades. Veja mais aqui.

IMAGEM DO DIA
Grupo de Pesquisa Carl Jung. Veja detalhes aqui.

 Veja mais no MCLAM: Hoje é dia do programa Quarta Romântica, a partir das 21hs, no blog do Projeto MCLAM, com apresentação sempre especial e apaixonante de Meimei Corrêa. Em seguida, o programa Mix MCLAM, com Verney Filho e na madrugada Hot Night, uma programação toda especial para os ouvintes amantes. Para conferir online acesse aqui.

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CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Veja mais aqui.
 

RAQUEL VARELA, OMAIMA AL-KHAMIS, OLIVE SENIOR & SANDRA RIBEIRO

  Imagem: Contornos da ubiquidade , da série Caosmose & O poema nasce do visinvisível - Acervo ArtLAM .   Ressaca aluada de panacei...