quinta-feira, junho 06, 2019

CARL JUNG, HERMILO, ERNST BLOCH, PIPILOTTI RIST & PRISIONEIRO DA INSÔNIA


PRISIONEIRO DA INSÔNIA - Eis a minha face insone, noite a mais tão maior que antes para me salvar do abismo entre a ausência e o vazio das margens exauridas. Nasci na terra escura de água doce para viver na superfície inútil das coisas vãs, à procura de todos os resquícios, os restos da minha vida desnecessária, à espera do que nunca chega ou de quem nunca fica e sai aos sustos e tropeções, bússola perdida às ruas esvaziadas da madrugada que se dissipa com as disputas contaminando isolamento e o perigo das aspirações. Pervigil de queixo caído e mãos abanando, relegado a nenhum plano e plantado na recusa, levado pela porta dos fundos como um suspeito para as cucuias. Alerta de não pregar os olhos, de um lado pro outro as pegadas do sono, não é possível dormir neste país, nunca mais dormir, nunca mais qualquer instância da salvação entre seres inconclusos moldados aos murros em ponta de faca, destituídos de sonhos pelas quedas do trapézio e do chão não passam, é tudo tão exorbitante. Vigilante enquanto tudo é quase tarde da noite, o ventre emurchercido das mulheres, a garganta emudecida dos homens, nada mais que ter de partir, como quem desce o cadafalso, como quem sobe ao patíbulo para o extermínio, ou do lado de quem sobe para o de quem desce esmagado pelos sombrios rumores que perduram entre os que jamais nascerão do silêncio dos que estão sozinhos. Atento, precisa então saber direito como e onde pisar, situação aborrecida e desestimulante. Olhos vivos de quem jaz abandonado para dar adeus às expectativas e dar graças à vida por varar madrugadas anos morte a fio. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

DITOS & DESDITOS:
[...] em uma velha sociedade em declínio, como o Ocidente atual, surge uma certa intenção parcial e efêmera no sentido apenas descendente (do futuro). Então, para aqueles que não conseguem achar uma saída para a decadência, o medo se antepõe e se contrapõe à esperança. O medo se apresenta como máscara subjetivista e o niilismo, como máscara objetivista do fenômeno da crise [...] A nossa época é a primeira a possuir os pressupostos socioeconômicos para uma teoria do ainda-não-consciente e do que está relacionado a ele no que-ainda-não veio-a-ser do mundo. [...].
Trechos extraídos da obra O princípio esperança (Contraponto/EdUerj, 2005), do filósofo alemão Ernst Bloch (1885-1977), que em outra de suas obras Espírito da utopia (Gallimard, 1966), expressa que: [...] Tudo aquilo que outrora foi feito com amor e por necessidade possui vida própria, alcança alturas desconhecidas e nos volta marcado, como nós – vivos – não saberíamos ser, ornado de um signo muito leve, um selo de nós mesmos. Nossa visão parece mergulhar numa longa alameda ensolarada que leva a uma porta, como diante de uma obra de arte. A jarra cerâmica não é uma obra de arte, mas para merecer esse nome de obra de arte deveria parecer com ela, e já seria muito. [...].

HERMILO BORBA FILHO E A DRAMATURGIA
Hermilo Borba Filho foi um dos protagonistas do processo de modernização dos palcos brasileiros, ao longo do século XX. Pela intensidade e pela amplitude de sua atuação renovadora, tem seu nome inscrito na história recente da cultura nacional, ao lado de outros artistas e intelectuais que conseguiram, contra a inércia do conformismo, fazer com que o teatro brasileiro, tanto na encenação quanto na literatura dramática, se afirmasse como arte, e não apenas como divertimento. [...]
Trecho de Hermilo Borba Filho e a dramaturgia moderna de Pernambuco, do professor e pesquisador da UFPE, Luís Augusto Reis, extraído da obra Hermilo Borba Filho e a dramaturgia: diálogos pernambucanos (FCCR, 2010), organizado por Anco Márcio Tenório Vieira, João Denys Araujo Leite e Luís Augusto Reis. Veja mais aqui, aqui, aqui & aqui.

A ARTE DE PIPILOTTI RIST
Sem atender à tecnologia, corro para o sol no computador, e com a língua do meu cérebro, misturo as imagens em frente ou atrás das minhas pálpebras. Uma câmara mágica cheia de imagens em movimento ou vídeo significa: eu vejo.
A arte da fotógrafa, videoartista e artista visual suíça Pipilotti Rist. Veja mais aqui e aqui.

A OBRA DE CARL GUSTAV JUNG
Não sabemos nada sobre o homem. Sua psique deveria ser estudada, pois somos a origem de todo o mal vindouro.
A obra do psiquiatra e psicoterapeuta suíço Carl Gustav Jung (1875-1961) aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.


EMMA LAZARUS, NADINE GORDIMER, LAGERLÖF, YOURCENAR & JOAN RODRIGUEZ

    Ao som de Pavane por une infante défunte (1899), de Maurice Ravel , com a Orchestre National de France, sob a regência da maestrina fin...