
RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio
Tataritaritatá especial
com a música do compositor, instrumentista e arranjador francês Hervé
Senni:
Keep it simple, Lakshmin, Seven ride & Aloès d’Eden & muito mais nos
mais de 2 milhões & 600 mil acessos ao blog & nos 35 Anos
de Arte Cidadã. Para conferir é só ligar o som e curtir. Veja
mais aqui.
PENSAMENTO DO DIA – [...] Plantou-se
na vasta quadra o destino do País, enraizado na impossibilidade de confronto
entre casa-grande e senzala, o capataz agita o chicote, o negro oferece as
costas, o senhor deitado na rede fuma o seu charuto [...] Os oligarcas a postos em santa paz, os corruptos
à vontade em santa impunidade [...] a
mídia, por tradição instrumento de poder, passa a confundir-se com o próprio e
a engodar a minoria privilegiada e beócia enquanto o povo estaciona na
inconsciência da cidadania, miserável e inerte [...] O Brasil anda sozinho à revelia dos homens e ainda saberá aproveitar-se
por completo dos dons recebidos da natureza [...]. Trechos extraídos da
obra O Brasil (Record, 2013), do jornalista, escritor, editor e pintor
ítalo-brasileiro Mino Carta.
AOS PROFESSORES - [...] a
crítica da prática de utilizar as revistas do Chico Bento, os sambas do
Adoniran Barbosa e os poemas de Patativa do Assaré como material de estudo da
variação linguística, e propus que a gente recorra a material autêntico,
gravações ou filmagens que sirvam para o estudo da diversidade linguística em
bases mais sólidas e confiáveis. [...] E
é sobre eles que a professora deve apoiar o trabalho de reeducação
sociolinguística de seus alunos e alunas [...] Se você tiver a boa sorte de ouvir um “ingrês”, um “trabaio” ou um “nós
qué” em sua sala de aula, espero que saiba aproveitar essa oportunidade para
combater o riso debochado e preconceituoso e promover a autoestima linguística
de seus alunos. Mostre a eles de onde vêm esses fenômenos, esclareça que não se
trata de “erros”, mas de formas perfeitamente explicáveis com base num bom
conhecimento da história da língua e de seu funcionamento. Chame a atenção
deles para as consequências sociais do uso dessas regras variáveis e garanta a
eles, também, o conhecimento das regras prestigiadas, para que eles possam, se
quiserem, usá-las como instrumento em sua luta por uma vida melhor, mais digna
e mais justa. Trechos extraídos da obra Nada
na língua é por acaso: por uma pedagogia da variação linguística (Parábola,
2007), do professor doutor em língua portuguesa pela USP, Marcos Bagno.
Veja mais aqui.
O LADRÃO DE MERENDAS - [...] Bom, minha senhora,
eu lhe agradeço e... – principiou o comissário, erguendo-se. – Por que não fica
pra jantar comigo? – Montalbano sentiu seu estômago empalidecer. Dona
Clementina era uma boa pessoa, muito agradável e tudo, mas devia alimentar-se á
base de semolina e batatas cozidas. – Realmente, eu tenho tanta coisas pra... –
Pina, a empregada, é uma excelente cozinheira, pode acreditar. Hoje preparou
massa à Norma, sabe qual? Aquela com berinjelas fritas e ricota salgada. –
Jesus! – fez Montalbano, voltando a
sentar-se. – E, como segundo, um guisado. – Jesus! – repetiu Montalbano. – Por
que esse espanto todo? – Não é uma comida um tantinho pesada para a senhora? –
E por quê? Eu tenho um estômago que uma garota de vinte anos tem, daquelas que
atravessam o dia inteiro com meia maçã e um suco de cenoura. Será que o senhor
é da mesma opinião do meu filho Giulio? – Não tenho o prazer de conhecer essa
opinião. – Ele diz que, na minha idade, não é decoroso comer essas coisas. E me
considera um pouco desavergonhada. Acha que eu devia me aguentar à base de
mingauzinhos. Então, o que o senhor resolve, fica? – Fico. – respondeu o
comissário, decidido. [...] Montalbano abriu a geladeira: Adelina havia
preparado um abundante ensopadinho de camarão, suficiente até para quatro.
Adelina era mãe de dois delinquentes, o caçula dos dois tinha sido detido três
anos antes pelo próprio Montalbano e ainda estava na prisão. [...] No último mês de julho, quando veio a Vigàta
para passar duas semanas com ele, Lívia ficou apavorada ao ouvir aquela
história. – Você é louco? Mis da, menos dia, essa daí resolve se vingar e
envenena sua sopa! – Mas de que ela se vingaria? – Você prendeu o filho dela! –
E daí, é culpa minha? Adelina sabe muitíssimo bem que não é culpa minha, mas do
filho, que foi babaca de se deixar apanhar. Eu agi lealmente pra pender ele,
não recorri a estratagemas nem armadilhas. Foi tudo normal. – Não quero nem
saber desse jeito distorcido de vocês raciocinarem. Você tem que mandar ela
embora. – Mas, se eu fizer isso, quem cuida da casa, lava e passa, faz comida
pra mim? – Você arranja outra! – Aí você se engana: boa como Adelina não existe.
[...] Como estava ficando tarde, Valente
convidou o colega para jantar em sua casa. Montalbano, que já havia sofrido a
experiência da terrificante culinária da mulher do subchefe, recusou, dizendo
que precisava voltar imediatamente a Vigàta. [...] Adiantado para o encontro com Valente, resolveu estacionar à frente do
restaurante onde já estivera da outra vez. Traçou um sauté di vongole com
farinha de rosca, uma porção abundante de spaghetti in bianco conle vongole e
um rodovalho ao forno, com orégano e limão caramelado. Completou com uma
forminha de chocolate amargo ao molho de laranja. Por fim levantou-se, foi à
cozinha e, comovido, apertou a mão do cozinheiro, sem dizer uma palavra. [...]
Mais que uma nova receita para cozinhar
polvo, a invenção da senhora Elisa, a mulher do chefe de polícia, pareceu ao
palato de Montalbano uma verdadeira inspiração divina. Ele serviu-se de uma
segunda e abundante porção e, quando viu que também esta chegava ao fim,
reduziu o ritmo da mastigação, a fim de prolongar, por menos que fosse, o
prazer de saborear o prato. [...] Júlia,
a mulher do subchefe Valente, não só era da mesma idade que Lívia como, além
disso, tinha nascido em Sestri. A simpatia entre as duas foi instantânea. O
mesmo não aconteceu com Montalbano em relação à senhora Valente, em virtude da
massa vergonhosamente cozida além do ponto [...]. Trechos extraídos da obra
O ladrão de merendas (Record, 2000),
do escritor e roteirista italiano Andrea
Camilleri.
AUTORRETRATO - Era algo marrom, / com um rosto festivo, / de tamanho
médio, / nem grande nem pequeno. / De nariz e boca / um pouco fornecido / e o
cabelo liso / algo rarefeito. / Eles eram gentis / seus olhos e vivos, / às
vezes loquaz, / e às vezes adormecido. / Seu rosto era feio / mas não é
indesejável / mas inspirou / confiança e carinho. / Ele teve algumas vezes / defeitos
e vícios, / mas sua alma era nobre / seu peito simples. / Uma toupeira tinha / com
cabelo crescido, / fixo no meio / do carrillo direito. / Seu sotaque era suave /
e asaz expressivo, / mais uma doença / deixou que ficasse pra sempre rouco. / Eu
usei óculos de proteção / Tomei pó / e foi com as senhoras / atencioso e
rendido. / Não foi seu personagem / sombrio ou indescritível / e assim foi de
todos / amado e bem intencionado. / Eu contei mil histórias / com seus
ribetillos, / deixando o exato / tão engraçado / Eu formei linhas / longo e
pequeno / o que eles ansiavam / versos peregrinos. / Eu não estava invocando
Apollo / por ser homem / e apenas às musas / Eu pedi sua ajuda. Poema do poeta uruguaio Francisco Acuña de Figueroa (1790-1862).
JANE ADDAMS
[...] Estamos
todos envolvidos nesta corrupção política, e como membros da comunidade,
indiciados. Esta é a pena de democracia - que somos obrigados a seguir em
frente ou para trás, juntos. Nenhum de nós pode ficar de lado, os nossos pés
estão atolados no mesmo solo, e nossos pulmões respiram o mesmo ar. [...].
Pensamento da escritora, assistente social, socióloga,
filósofa e ativista estadunidense Jane
Addams (1860-1935), a pioneira mãe do trabalho social, feminista e
pacifista, ganhadora do Prêmio Nobel da Paz, em 1931. Veja mais aqui.
AGENDA
&
&
Índia, arte do artista Antônio Flores.
&
De amor, sexo & vida, Farīd al-Dīn'Aṭṭār, Di Cavalcanti, Arte Popular & Souza Barros,
Manual do Artitsa & Ralph Mayer, Escola & Ana
Maria Casasanta Peixoto, a escrita/escrever & Charles Bazerman, José
Terra Correia, Jean-Pierre Rameau, Lola Astanov, Celso Viáfora & Karina
Buhr, Marquinhos Cabral & Zé Linaldo aqui.